{"id":1048,"date":"2013-06-05T09:08:36","date_gmt":"2013-06-05T12:08:36","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1048"},"modified":"2013-06-05T09:08:36","modified_gmt":"2013-06-05T12:08:36","slug":"22-a-mulher-e-a-ressurreicao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/22-a-mulher-e-a-ressurreicao\/","title":{"rendered":"22 &#8211; A Mulher e a Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>(Da obra \u201cBoa Nova\u201d, de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>As \u00e1guas alegres do Tiber\u00edades se aquietavam, lentamente, como tocadas por uma for\u00e7a invis\u00edvel da Natureza, quando a barca de Sim\u00e3o, conduzindo o Senhor, atingiu docemente a praia.<\/p>\n<p>O velho ap\u00f3stolo, abandonando os remos, deixava transparecer nos tra\u00e7os fision\u00f4micos as emo\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias de sua alma, enquanto Jesus o observava, adivinhando-lhe os pensamentos mais rec\u00f4nditos.<\/p>\n<p>&#8211; Que tens tu, Sim\u00e3o? &#8211; perguntou o Mestre, com o seu olhar penetrante e amigo.<\/p>\n<p>Surpreendido com a palavra do Senhor, o velho Cefas deu a perceber, por um gesto, os seus receios e as suas apreens\u00f5es, como se encontrasse dificuldade em esquecer totalmente a lei antiga, para penetrar os umbrais da id\u00e9ia nova, no seu caminho largo de amor, de luz e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Mestre respondeu com timidez -, a lei que nos rege manda lapidar a mulher que perverteu a sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Conhecendo, por antecipa\u00e7\u00e3o, o pensamento do pescador e observando os seus escr\u00fapulos em lhe atirar uma leve advert\u00eancia Jesus lhe respondeu com brandura: Quase sempre, Sim\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a mulher que se perverte a si mesma: \u00e9 o homem que lhe destr\u00f3i a vida.<\/p>\n<p>Entretanto tornou o ap\u00f3stolo, respeitosamente \u2014, os nossos legisladores sempre ordenaram severidade e rispidez para com as deca\u00eddas. Observando os nossos costumes, Senhor, \u00e9 que temo por v\u00f3s, acolhendo tantas meretrizes e mulheres de m\u00e1 vida, nas prega\u00e7\u00f5es do Tiber\u00edades&#8230;<\/p>\n<p>Nada temas por mim, Sim\u00e3o, porque eu venho de meu Pai e n\u00e3o devo ter outra vontade, a n\u00e3o ser a de cumprir os seus des\u00edgnios s\u00e1bios e misericordiosos.<\/p>\n<p>Assim falou o Mestre, cheio de bondade, e, espraiando o olhar compassivo sobre as \u00e1guas, levemente encrespadas pelo beijo dos ventos do crep\u00fasculo, continuou, num misto de energia e do\u00e7ura:<\/p>\n<p>Mas, ouve, Pedro! A lei antiga manda apedrejar a mulher que foi pervertida e desamparada pelos homens; entretanto, tamb\u00e9m determina que amemos os nossos semelhantes, como a n\u00f3s mesmos. E o meu ensino \u00e9 o cumprimento da lei, pelo amor mais sublime sobre a Terra. Poder\u00edamos culpar a fonte, quando um animal lhe polui as \u00e1guas? De acordo com a lei, devemos amar a uma e a outro, seja pela express\u00e3o de sua ignor\u00e2ncia, seja pela de seus sofrimentos. E o homem \u00e9 sempre fraco e a mulher sempre sofredora..<\/p>\n<p>O velho pescador recebia a exorta\u00e7\u00e3o com um brilho novo nos olhos, como se fora tocado nas fibras mais \u00edntimas do seu esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Mestre retrucou, altamente surpreendido \u2014, vossa palavra \u00e9 a da revela\u00e7\u00e3o divina. Quereis dizer, ent\u00e3o, que a mulher \u00e9 superior ao homem, na sua miss\u00e3o terrestre?<\/p>\n<p>Uma e outro s\u00e3o iguais perante Deus esclareceu o Cristo, amorosamente e as tarefas de ambos se equilibram no caminho da vida, completando-se perfeitamente, para que haja, em todas as ocasi\u00f5es, o mais santo respeito m\u00fatuo. Precisamos considerar, todavia, que a mulher recebeu a sagrada miss\u00e3o da vida. Tendo avan\u00e7ado mais do que o seu companheiro na estrada do sentimento, est\u00e1, por isso, mais perto de Deus que, muitas vezes, lhe toma o cora\u00e7\u00e3o por instrumento de suas mensagens, cheias de sabedoria e de miseric\u00f3rdia. Em todas as realiza\u00e7\u00f5es humanas, h\u00e1 sempre o tra\u00e7o da ternura feminina, levantando obras imperec\u00edveis na edifica\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos. Na hist\u00f3ria dos homens, ficam somente os nomes dos pol\u00edticos, dos fil\u00f3sofos e dos generais; todos eles s\u00e3o filhos da grande hero\u00edna que passa, no sil\u00eancio, desconhecida de todos, muita vez dilacerada nos seus sentimentos mais \u00edntimos ou exterminada nos sacrif\u00edcios mais pungentes. Mas, tamb\u00e9m Deus, Sim\u00e3o, passa ignorado em todas as realiza\u00e7\u00f5es do progresso humano e n\u00f3s sabemos que o ru\u00eddo \u00e9 pr\u00f3prio dos homens, enquanto que o sil\u00eancio \u00e9 de Deus, s\u00edntese de toda a verdade e de todo o amor.<\/p>\n<p>Por isso, as mulheres mais desventuradas ainda possuem no cora\u00e7\u00e3o o g\u00e9rmen divino, para a reden\u00e7\u00e3o da humanidade inteira. Seu sentimento de ternura e humildade ser\u00e1, em todos os tempos, o grande roteiro para a ilumina\u00e7\u00e3o do mundo, porque, sem o tesouro do sentimento, todas as obras da raz\u00e3o humana podem parecer como um castelo de falsos esplendores.<\/p>\n<p>Sim\u00e3o Pedro ouvia o Mestre, tomado de profundo enlevo e santificado fervor admirativo.<\/p>\n<p>Tendes raz\u00e3o, Senhor! murmurou, entre humilde satisfeito.<\/p>\n<p>Sim, Pedro, temos raz\u00e3o replicou Jesus, com bondade. E ser\u00e1 ainda \u00e0 mulher que buscaremos confiar a miss\u00e3o mais sublime na constru\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica dentro dos cora\u00e7\u00f5es, no supremo esfor\u00e7o de iluminar o mundo.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo do Tiber\u00edades ouvira as derradeiras palavras do Divino Mestre, tomado de surpresa.<\/p>\n<p>Conservou-se, no entanto, em sil\u00eancio, ante o sorriso doce do Messias.<\/p>\n<p>Muito distante, o \u00faltimo beijo do Sol punha um reflexo dourado no leque m\u00f3vel das \u00e1guas que as correntes claras do Jord\u00e3o enriqueciam. Sim\u00e3o Pedro, fatigado do labor di\u00e1rio, preparou-se para descansar, com sua alma clareada pelas novas revela\u00e7\u00f5es da palavra do Senhor, as quais, cheias de luz e esperan\u00e7a divinas, dissipavam as obscuridades da lei de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p>Dois dias eram passados sobre o doloroso drama do Calv\u00e1rio, em cuja cruz de inomin\u00e1vel mart\u00edrio se sacrificara o Mestre, pelo bem de todos os homens. Penosa situa\u00e7\u00e3o de d\u00favida reinava dentro da pequena comunidade dos disc\u00edpulos. Quase todos haviam vacilado na hora extrema. O racioc\u00ednio fr\u00e1gil do homem lutava por compreender a finalidade daquele sacrif\u00edcio. N\u00e3o era Jesus o poderoso Filho de Deus que consolara os tristes, ressuscitara mortos, sarara enfermos de doen\u00e7as incur\u00e1veis? Por que n\u00e3o conjurara a trai\u00e7\u00e3o de Judas com as suas for\u00e7as sobrenaturais? Por que se humilhara assim, sangrando de dor, nas ruas de Jerusal\u00e9m, submetendo-se ao rid\u00edculo e \u00e0 zombaria? Ent\u00e3o, o emiss\u00e1rio do Pai Celestial deveria ser crucificado entre dois ladr\u00f5es?!<\/p>\n<p>Enquanto essas quest\u00f5es eram examinadas, de boca em boca, a lembran\u00e7a do Messias ficava relegada a plano inferior, olvidada a sua exemplifica\u00e7\u00e3o e a grandeza dos seus ensinamentos. O barco da f\u00e9 n\u00e3o so\u00e7obrara inteiramente, porque ali estavam as l\u00e1grimas do cora\u00e7\u00e3o materno, trespassado de amarguras.<\/p>\n<p>O Messias redivivo, por\u00e9m, observava a incompreens\u00e3o de seus disc\u00edpulos, como o pastor que contempla o seu rebanho desarvorado. Desejava fazer ouvida a sua palavra divina, dentro dos cora\u00e7\u00f5es atormentados; mas, s\u00f3 a f\u00e9 ardente e o ardente amor conseguem vencer os abismos de sombra entre a Terra e o C\u00e9u. E todos os companheiros se deixavam abater pelas id\u00e9ias negativas.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o, quando, na manh\u00e3 do terceiro dia, a ex-pecadora de Magdala se acercou do sepulcro com perfumes e flores. Queria, ainda uma vez, aromatizar aquelas m\u00e3os inertes e frias; queria, uma vez mais, contemplar o Mestre adorado, para cobri-lo com o pranto do seu amor purificado e ardoroso. No seu cora\u00e7\u00e3o estava aquela f\u00e9 radiosa e pura que o Senhor lhe ensinara e, sobretudo, aquela dedica\u00e7\u00e3o divina, com que pudera renunciar a todas as paix\u00f5es que a seduziam no mundo. Maria Madalena ia ao t\u00famulo com amor e s\u00f3 o amor pode realizar os milagres supremos.<\/p>\n<p>Estupefata, por n\u00e3o encontrar o corpo, j\u00e1 se retirava entristecida, para dar ci\u00eancia do que verificara aos companheiros, quando uma voz carinhosa e meiga exclamou brandamente aos seus ouvidos:<\/p>\n<p>Maria! &#8230;<\/p>\n<p>Ela se sup\u00f4s admoestada pelo jardineiro; mas, em breves instantes reconhecia a voz inesquec\u00edvel do Mestre e lhe contemplava o inolvid\u00e1vel sorriso. Quis atirar-se-lhe aos p\u00e9s<b>, <\/b>beijar-lhe as m\u00e3os num suave transporte de afetos, como faziam nas prega\u00e7\u00f5es do Tiber\u00edades; por\u00e9m, com um gesto de soberana ternura, Jesus a afastou, esclarecendo:<\/p>\n<p>N\u00e3o me toques, pois ainda n\u00e3o fui a meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us! &#8230;<\/p>\n<p>Instintivamente, Madalena se ajoelhou e recebeu o olhar do Mestre, num transbordamento de l\u00e1grimas de inexced\u00edvel ventura. Era a promessa de Jesus que se cumpria. A realidade da ressurrei\u00e7\u00e3o era a ess\u00eancia divina, que daria eternidade ao Cristianismo.<\/p>\n<p>A mensagem da alegria ressoou, ent\u00e3o, na comunidade inteira. Jesus ressuscitara! O Evangelho era a verdade imut\u00e1vel. Em todos os cora\u00e7\u00f5es pairava uma divina embriaguez de luz e j\u00fabilos celestiais. Levantava-se a f\u00e9, renovava-se o amor, morrera a d\u00favida e reerguera-se o \u00e2nimo em todos os esp\u00edritos. Na amplitude da vibra\u00e7\u00e3o amorosa, outros olhos puderam v\u00ea-lo e outros ouvidos lhe escutaram a voz dul\u00e7oosa e persuasiva, como nos dias gloriosos de Jerusal\u00e9m ou de Cafarnaum.<\/p>\n<p>Desde essa hora, a fam\u00edlia crist\u00e3 se movimentou no mundo, para nunca mais esquecer o exemplo do Messias.<\/p>\n<p>A luz da ressurrei\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da f\u00e9 ardente e do ardente amor de Maria Madalena, havia banhado de claridade imensa a estrada crist\u00e3, para todos os s\u00e9culos terrestres.<\/p>\n<p>E por isso que todos os historiadores das origens do Cristianismo param a pena, assombrados ante a f\u00e9 profunda dos primeiros disc\u00edpulos que se dispersaram pelo deserto das grandes cidades para prega\u00e7\u00e3o da Boa Nova, e, observando a confian\u00e7a serena de todos os m\u00e1rtires que se t\u00eam sacrificado na esteira infinita do Tempo pela id\u00e9ia de Jesus, perguntam espantados, como Ernest Renan, numa de suas obras:<\/p>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o das riquezas se firmara no esp\u00edrito dos disc\u00edpulos, com profundas ra\u00edzes, a tal ponto que, por v\u00e1rias vezes, foi Jesus obrigado a intervir de maneira a p\u00f4r termo a contendas injustific\u00e1veis. De vez em quando, Tadeu parecia querer impor aos assistentes das prega\u00e7\u00f5es do lago a entrega de todos os bens aos necessitados; Filipe n\u00e3o vacilava em afian\u00e7ar que ningu\u00e9m deveria possuir mais que uma camisa, constituindo uma obriga\u00e7\u00e3o tudo dividir com os infortunados, privando-se cada qual do indispens\u00e1vel \u00e0 vida.<\/p>\n<p>E quando o pobre nos surge somente nas apar\u00eancias? replicava judiciosamente Levi. Conhe\u00e7o homens abastados que choram na coletoria de Cafarnaum, como miser\u00e1veis mendigos, apenas com o fim de se eximirem dos impostos. Sei de outros que estendem as m\u00e3os \u00e0 caridade p\u00fablica e s\u00e3o propriet\u00e1rios de terras dilatadas. Estar\u00edamos edificando o Reino de Deus, se favorec\u00eassemos a explora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 verdade redarguia Sim\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>Entretanto, Deus nos inspirar\u00e1 sempre, nos momentos oportunos, e n\u00e3o \u00e9 por essa raz\u00e3o que deveremos abandonar os realmente desamparados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Da obra \u201cBoa Nova\u201d, de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) As \u00e1guas alegres do Tiber\u00edades se aquietavam, lentamente, como tocadas por uma for\u00e7a invis\u00edvel da Natureza, quando a barca de Sim\u00e3o, conduzindo o Senhor, atingiu docemente a praia. &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/22-a-mulher-e-a-ressurreicao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":548,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1048","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1048\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}