{"id":1050,"date":"2013-06-05T20:23:21","date_gmt":"2013-06-05T23:23:21","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1050"},"modified":"2013-06-05T20:23:21","modified_gmt":"2013-06-05T23:23:21","slug":"12-da-bicorporeidade-e-da-transfiguracao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/12-da-bicorporeidade-e-da-transfiguracao\/","title":{"rendered":"12 &#8211; Da Bicorporeidade e da Transfigura\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O LIVRO DOS M\u00c9DIUNS &#8211;\u00a0CAP\u00cdTULO VII<\/p>\n<p><b>DA BICORPOREIDADE E DA TRANSFIGURA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p><i>Apari\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos de pessoas vivas. &#8211; Homens duplos. &#8211; Santo Afonso de Liguori e Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua. &#8211; Vespasiano. &#8211; Transfigura\u00e7\u00e3o. &#8211; Invisibilidade.<\/i><\/p>\n<p>114. Estes dois fen\u00f4menos s\u00e3o variedades do das manifesta\u00e7\u00f5es visuais e, por multo maravilhosos que pare\u00e7am \u00e0 primeira vista, facilmente se reconhecer\u00e1, pela explica\u00e7\u00e3o que deles se pode dar, que n\u00e3o est\u00e3o fora da ordem dos fen\u00f4menos naturais. Assentam ambos no princ\u00edpio de que tudo o que ficou dito, das propriedades do perisp\u00edrito ap\u00f3s a morte, se aplica ao perisp\u00edrito dos vivos. Sabemos que durante o sono o Esp\u00edrito readquire parte da sua liberdade, isto \u00e9, isola-se do corpo e \u00e9 nesse estado que, em muitas ocasi\u00f5es, se tem ensejo de observ\u00e1-lo. Mas, o Esp\u00edrito, quer o homem esteja vivo, quer morto, traz sempre o envolt\u00f3rio semimaterial que, pelas mesmas causas de que j\u00e1 tratamos, pode tornar-se vis\u00edvel e tang\u00edvel. H\u00e1 fatos muito positivos, que nenhuma d\u00favida permitem a tal respeito. Citaremos apenas alguns exemplos, de que temos conhecimento pessoal e cuja exatid\u00e3o podemos garantir, sendo que a todos \u00e9 poss\u00edvel registrar outros an\u00e1logos, consultando suas pr\u00f3prias reminisc\u00eancias.<\/p>\n<p>115. A mulher de um dos nossos amigos viu repetidas vezes entrar no seu quarto, durante a noite, houvesse ou n\u00e3o luz, uma vendedora de frutas que ela conhecia de vista, residente nas cercanias, mas com quem jamais falara. Grande terror lhe causou essa apari\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 porque, na \u00e9poca em que se deu, ela ainda nada conhecia do Espiritismo, como tamb\u00e9m porque se produzia com multa freq\u00fc\u00eancia. Ora, a vendedora de frutas estava perfeitamente viva e, \u00e0quelas horas, provavelmente dormia. Assim, enquanto, na sua casa, seu corpo material repousava, seu Esp\u00edrito, com o respectivo corpo flu\u00eddico, ia \u00e0 casa da senhora em quest\u00e3o. Por que motivo? \u00c9 o que se n\u00e3o sabe. Diante de fato de tal natureza, um esp\u00edrita, iniciado nessa esp\u00e9cie de fen\u00f4menos, ter-lhe-ia perguntado; disso, por\u00e9m, nenhuma id\u00e9ia teve a senhora. De todas as vezes, a apari\u00e7\u00e3o se eclipsava, sem que ela soubesse como, e, de todas igualmente, ap\u00f3s a desapari\u00e7\u00e3o, cuidou de se certificar de que as portas estavam bem fechadas, de modo a n\u00e3o poder ningu\u00e9m penetrar-lhe no aposento. Esta precau\u00e7\u00e3o lhe deu a prova de estar sempre completamente acordada na ocasi\u00e3o e de n\u00e3o haver sido joguete de um sonho. De outras vezes, viu, da mesma maneira, um homem que lhe era desconhecido e, certo dia, viu seu pr\u00f3prio irm\u00e3o, que se achava na Calif\u00f3rnia. Este se lhe apresentou com a apar\u00eancia t\u00e3o perfeita de uma pessoa real, que, no primeiro momento, acreditou que ele houvesse regressado e quis dirigir-lhe a palavra. Logo, entretanto, o vulto desapareceu, sem lhe dar tempo a isso. Uma carta, que posteriormente lhe chegou, trouxe-lhe a prova de que o irm\u00e3o, que ela vira, n\u00e3o morrera. Essa senhora era o que se pode chamar um m\u00e9dium vidente natural. Mas, ent\u00e3o, como acima dissemos, ainda nunca ouvira falar em m\u00e9diuns.<\/p>\n<p>116. Outra senhora, residente na prov\u00edncia, estando gravemente enferma, viu certa noite, por volta das dez horas, um senhor idoso, que residia na mesma cidade e com quem ela se encontrava \u00e0s vezes na sociedade, mas sem que existissem rela\u00e7\u00f5es estreitas entre ambos. Viu-o perto de sua cama, sentado numa poltrona e a tomar, de quando em quando, uma pitada de rap\u00e9. Tinha ares de vigi\u00e1-la. Surpreendida com semelhante visita a tais horas, quis perguntar-lhe por que motivo ali estava, mas o senhor lhe <i>fez <\/i>sinal que n\u00e3o falasse e tratasse de dormir. De todas as vezes que ela intentou dirigir-lhe a palavra, o mesmo gesto a impediu de faz\u00ea-lo. A senhora acabou por adormecer. Passados alguns dias, tendo-se restabelecido, recebeu a visita do dito senhor, mas em hora mais pr\u00f3pria, sendo que dessa vez era ele realmente quem l\u00e1 &#8216;estava. Trazia a mesma roupa, a mesma caixa de rap\u00e9 e os modos eram os mesmos. Persuadida de que ele a visitara durante sua enfermidade, agradeceu-lhe o inc\u00f4modo a que se dera. O homem, muito espantado, declarou que havia longo tempo n\u00e3o tinha a satisfa\u00e7\u00e3o de v\u00ea-la. A senhora, conhecedora que era dos fen\u00f4menos esp\u00edritas, compreendeu o de que se tratava: mas, n\u00e3o querendo entrar em explica\u00e7\u00f5es, limitou-se a dizer que provavelmente fora um sonho. \u00c9 o mais prov\u00e1vel, dir\u00e3o os incr\u00e9dulos, os &#8220;esp\u00edritos fortes&#8221;, o que, para eles mesmos, \u00e9 sin\u00f4nimo de pessoas de esp\u00edrito. O certo, entretanto, \u00e9 que a senhora de quem falamos, do mesmo modo que a outra, n\u00e3o dormia. &#8211; Ent\u00e3o, \u00e9 que sonhara acordada, ou, por outra, tivera uma alucina\u00e7\u00e3o. &#8211; A\u00ed est\u00e1 a palavra m\u00e1gica, a explica\u00e7\u00e3o universal de tudo o que se n\u00e3o compreende. Como, por\u00e9m, j\u00e1 rebatemos suficientemente essa explica\u00e7\u00e3o prosseguiremos, dirigindo-nos aos que nos podem compreender.<\/p>\n<p>117. Eis aqui agora outro fato ainda mais caracter\u00edstico e grande curiosidade ter\u00edamos de ver como poderiam explic\u00e1-lo unicamente por meio da imagina\u00e7\u00e3o. Trata-se de um senhor provinciano, que jamais quisera casar-se, mau grado \u00e0s inst\u00e2ncias de sua fam\u00edlia, que muito insistira notadamente a favor de uma mo\u00e7a residente em cidade pr\u00f3xima e que ele jamais vira. Um dia, estando no seu quarto, teve a enorme surpresa de se ver em presen\u00e7a de uma donzela vestida de branco e com a cabe\u00e7a ornada por uma coroa de flores. Disse-lhe que era sua noiva, estendeu-lhe a m\u00e3o, que ele tomou nas suas, vendo-lhe num dos dedos um anel. Ao cabo de alguns instantes, desapareceu tudo. Surpreendido com aquela apari\u00e7\u00e3o, depois de se haver certificado de estar perfeitamente acordado, inquiriu se algu\u00e9m l\u00e1 estivera durante o dia. Responderam-lhe que na casa pessoa alguma fora vista. Decorrido um ano, cedendo a novas solicita\u00e7\u00f5es de uma parenta, resolveu-se a ir ver a mo\u00e7a que lhe propunham. Chegou \u00e0 cidade onde ela morava, no dia da festa de Corpus-Christi. Voltaram todos da prociss\u00e3o e uma das primeiras pessoas que lhe surgiram ante os olhos, ao entrar ele na casa aonde ia, foi uma mo\u00e7a que lhe n\u00e3o custou reconhecer como a mesma que lhe aparecera. Trajava tal qual a apari\u00e7\u00e3o, porquanto esta se verificara tamb\u00e9m num dia de Corpus-Christi. Ficou at\u00f4nito e a mocinha, por seu lado, soltou um grito e sentiu-se mal. Voltando a si, disse j\u00e1 ter visto aquele senhor, um ano antes, em dia igual ao em que estavam. Realizou-se o casamento. Isso ocorreu em <i>1835, <\/i>\u00e9poca em que ainda se n\u00e3o cogitava de Esp\u00edritos, acrescendo que ambos os protagonistas do epis\u00f3dio s\u00e3o extremamente positivistas e possuidores da imagina\u00e7\u00e3o menos exaltada que h\u00e1 no mundo. Dir\u00e3o talvez que ambos tinham o esp\u00edrito despertado pela id\u00e9ia da uni\u00e3o proposta e que essa preocupa\u00e7\u00e3o determinou uma alucina\u00e7\u00e3o. Importa, por\u00e9m, n\u00e3o esquecer que o marido se conservara t\u00e3o indiferente a isso, que deixou passar um ano sem ir vera sua pretendida. Mesmo, todavia, que se admita esta hip\u00f3tese, ainda ficaria pendendo de explica\u00e7\u00e3o a apari\u00e7\u00e3o dupla, a coincid\u00eancia do vestu\u00e1rio com o do dia de Corpus-Christi e, por fim<i>, <\/i>o reconhecimento f\u00edsico, reciprocamente ocorrido entre pessoas que nunca se viram, circunst\u00e2ncias que n\u00e3o podem ser produto da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>118. Antes de irmos adiante, devemos responder imediatamente a uma quest\u00e3o que n\u00e3o deixar\u00e1 de ser formulada: como pode o corpo viver, enquanto est\u00e1 ausente o Esp\u00edrito? Poder\u00edamos dizer que o corpo vive a vida org\u00e2nica, que independe do Esp\u00edrito, e a prova \u00e9 que as plantas vivem e n\u00e3o t\u00eam Esp\u00edrito. Mas, precisamos acrescentar que, durante a vida, nunca o Esp\u00edrito se acha completamente separado do corpo. Do mesmo modo que alguns m\u00e9diuns videntes, os Esp\u00edritos reconhecem o Esp\u00edrito de uma pessoa viva, por um rastro luminoso, que termina no corpo, fen\u00f4meno que absolutamente n\u00e3o se d\u00e1 quando este est\u00e1 morto, porque, ent\u00e3o, a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 completa. Por meio dessa comunica\u00e7\u00e3o, entre o Esp\u00edrito e o corpo, \u00e9 que aquele recebe aviso, qualquer que seja a dist\u00e2ncia a que se ache do segundo, da necessidade que este possa experimentar da sua presen\u00e7a, caso em que volta ao seu inv\u00f3lucro com a rapidez do rel\u00e2mpago. Da\u00ed resulta que o corpo n\u00e3o pode morrer durante a aus\u00eancia do Esp\u00edrito e que n\u00e3o pode acontecer que este, ao regressar, encontre fechada a porta, conforme h\u00e3o dito alguns romancistas, em hist\u00f3rias compostas para recrear. (<i>O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>n s. 400 e seguintes.)<\/p>\n<p>119. Voltemos ao nosso assunto. Isolado do corpo, o Esp\u00edrito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com todas as apar\u00eancias da realidade. Demais, pelas mesmas causas que temos exposto, pode adquirir moment\u00e2nea tangibilidade. Este fen\u00f4meno, conhecido pelo nome de <i>bicorporeidade, <\/i>foi que deu azo \u00e0s hist\u00f3rias de homens duplos, isto \u00e9, de Indiv\u00edduos cuja presen\u00e7a simult\u00e2nea em dois lugares diferentes se chegou a comprovar. Aqui v\u00e3o dois exemplos, tirados, n\u00e3o das lendas populares, mas da hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica. Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois s\u00edtios diversos, o que passou por milagre.<\/p>\n<p>Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua estava pregando na It\u00e1lia (vide <i>Nota Especial <\/i>\u00e0 p\u00e1gina 162), quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusa\u00e7\u00e3o de haver cometido um assass\u00ednio. No momento da execu\u00e7\u00e3o, Santo Ant\u00f4nio aparece e demonstra a Inoc\u00eancia do acusado. Comprovou-se que, naquele Instante, Santo Ant\u00f4nio pregava na It\u00e1lia, na cidade de P\u00e1dua. Por n\u00f3s evocado e interrogado, acerca do fato acima, Santo Afonso respondeu do seguinte modo:<\/p>\n<p>l\u00aa Poderias explicar-nos esse fen\u00f4meno?<\/p>\n<p>&#8220;Perfeitamente. Quando o homem, por suas virtudes, chegou a desmaterializar-se completamente; quando conseguiu elevar sua alma para Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Eis como: o Esp\u00edrito encarnado, ao sentir que lhe vem o sono, pode pedir a Deus lhe seja permitido transportar-se a um lugar qualquer. Seu Esp\u00edrito, ou sua alma, como quiseres, abandona ent\u00e3o o corpo, acompanhado de uma <i>parte <\/i>do seu perisp\u00edrito, e deixa a mat\u00e9ria imunda num estado pr\u00f3ximo do da morte. Digo <i>pr\u00f3ximo <\/i>do da morte, porque no corpo ficou um la\u00e7o que liga o perisp\u00edrito e a alma \u00e0 mat\u00e9ria, la\u00e7o este que n\u00e3o pode ser definido. O corpo aparece, ent\u00e3o, no lugar desejado. Creio ser isto o que queres saber.&#8221;<\/p>\n<p>2\u00aa Isso n\u00e3o nos d\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o da visibilidade e da tangibilidade do perisp\u00edrito. &#8220;Achando-se desprendido da mat\u00e9ria, conformemente ao grau de sua eleva\u00e7\u00e3o, pode o Esp\u00edrito tornar-se tang\u00edvel \u00e0 mat\u00e9ria.&#8221;<\/p>\n<p>3\u00aa Ser\u00e1 indispens\u00e1vel o sono do corpo, para que o Esp\u00edrito apare\u00e7a noutros lugares?<\/p>\n<p>&#8220;A alma pode dividir-se, quando se sinta atra\u00edda para lugar diferente daquele onde se acha seu corpo. Pode acontecer que o corpo n\u00e3o se ache adormecido, se bem seja isto muito raro; mas, em todo caso, n\u00e3o se encontrar\u00e1 num estado perfeitamente normal; ser\u00e1 sempre um estado mais ou menos ext\u00e1tico.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. A alma n\u00e3o se divide, no sentido literal do termo: irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se haver fracionado. D\u00e1-se o que se d\u00e1 com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos espelhos.<\/p>\n<p>4\u00aa Que sucederia se, estando o homem a dormir, enquanto seu Esp\u00edrito se mostra noutra parte, algu\u00e9m de s\u00fabito o despertasse?<\/p>\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o se verificaria, porque, se algu\u00e9m tivesse a inten\u00e7\u00e3o de o despertar, o Esp\u00edrito retornaria ao corpo, prevendo a inten\u00e7\u00e3o, porquanto o Esp\u00edrito l\u00ea os pensamentos.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. Explica\u00e7\u00e3o inteiramente id\u00eantica nos deram, muitas vezes, Esp\u00edritos de pessoas mortas, ou vivas. Santo Afonso explica o fato da dupla presen\u00e7a, mas n\u00e3o a teoria da visibilidade e da tangibilidade.<\/p>\n<p>120. T\u00e1cito refere um fato an\u00e1logo:<\/p>\n<p>Durante os meses que Vespasiano passou em Alexandria, aguardando a volta dos ventos estivais e da esta\u00e7\u00e3o em que o mar oferece seguran\u00e7a, muitos prod\u00edgios ocorreram, pelos quais se manifestaram a prote\u00e7\u00e3o do c\u00e9u e o interesse que os deuses tomavam por aquele pr\u00edncipe&#8230; Esses prod\u00edgios redobraram o desejo, que Vespasiano alimentava, de visitar a sagrada morada do deus, para consult\u00e1-lo sobre as coisas do imp\u00e9rio. Ordenou que o templo se conservasse fechado para quem quer que fosse e, tendo nele entrado, estava todo atento ao que ia dizer o or\u00e1culo, quando percebeu, por detr\u00e1s de si, um dos mais eminentes Eg\u00edpcios, chamado Bas\u00edlide, que ele sabia estar doente, em lugar distante muitos dias de Alexandria. Inquiriu dos sacerdotes se Bas\u00edlide viera naquele dia ao templo; inquiriu dos transeuntes se o tinham visto na cidade; por fim, despachou alguns homens a cavalo, para saberem de Bas\u00edlide e veio a certificar-se de que, no momento em que este lhe aparecera, estava a oitenta milhas de dist\u00e2ncia. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o mais duvidou de que tivesse sido sobrenatural a vis\u00e3o e o nome de Bas\u00edlide lhe ficou valendo por um or\u00e1culo. (T\u00e1cito: <i>Hist\u00f3rias, <\/i>liv. IV, caps. LXXXI e LXXXII. Tradu\u00e7\u00e3o de Burnouf.)<\/p>\n<p>121. Tem, pois, dois corpos o indiv\u00edduo que se mostra simultaneamente em dois lugares diferentes. Mas, desses dois corpos, um somente \u00e9 real, o outro \u00e9 simples apar\u00eancia. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida org\u00e2nica e que o segundo tem a vida da alma. Ao despertar o indiv\u00edduo, os dois corpos se re\u00fanem e a vida da alma volta ao corpo material. N\u00e3o parece poss\u00edvel, pelo menos n\u00e3o conhecemos disso exemplo algum, e a raz\u00e3o, ao nosso ver, o demonstra, que, no estado de separa\u00e7\u00e3o, possam os dois corpos gozar, simultaneamente e no mesmo grau, da vida ativa e inteligente. Demais, do que acabamos de dizer ressalta que o corpo real n\u00e3o poderia morrer, enquanto o corpo aparente se conservasse vis\u00edvel, porquanto a aproxima\u00e7\u00e3o da morte sempre atrai o Esp\u00edrito para o corpo, ainda que apenas por um instante. Da\u00ed resulta igualmente que o corpo aparente n\u00e3o poderia ser matado, porque n\u00e3o \u00e9 org\u00e2nico, n\u00e3o \u00e9 formado de carne<\/p>\n<p>e osso. Desapareceria, no momento em que o quisessem matar (1).<\/p>\n<p>122. Passemos ao segundo fen\u00f4meno, o da <i>transfigura\u00e7\u00e3o. <\/i>Consiste na mudan\u00e7a do aspecto de um corpo vivo. Aqui est\u00e1 um fato dessa natureza cuja perfeita autenticidade podemos garantir, ocorrido durante os anos de 1858 e 1859<i>, <\/i>nos arredores de Saint-Etienne.<\/p>\n<p>________________________________________________________________<\/p>\n<p>(1) Ver na <b>Revue Spirite<\/b>, janeiro de 1859: <b>O Duende de Baiona<\/b>; fevereiro de 1859: <b>Os<\/b><\/p>\n<p><b>ag\u00eaneres<\/b>; <b>meu amigo Hermann<\/b>; maio de 1859: <b>O la\u00e7o que prende o Esp\u00edrito ao corpo <\/b>; novembro de<\/p>\n<p>1859: <b>A alma errante<\/b>; janeiro de 1860: <b>O Esp\u00edrito de um lado e o corpo do outro <\/b>; mar\u00e7o de 1860:<\/p>\n<p><b>Estudos sobre o Esp\u00edrito de pessoas vivas; o doutor V. e a senhorita I <\/b>.; abril de 1860: <b>O fabricante<\/b><\/p>\n<p><b>de S\u00e3o Petersburgo; apari\u00e7\u00f5es tang\u00edveis <\/b>; novembro de 1860: <b>Hist\u00f3ria de Maria Agreda<\/b>; julho de<\/p>\n<p>1861: <b>Uma apari\u00e7\u00e3o providencial.<\/b><\/p>\n<p>\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad________________________________________________________________<\/p>\n<p>Uma mocinha, de mais ou menos quinze anos, gozava da singular faculdade de se transfigurar, isto \u00e9, de tomar, em dados momentos, todas as apar\u00eancias de certas pessoas mortas. T\u00e3o completa era a ilus\u00e3o, que os que assistiam ao fen\u00f4meno julgavam ter diante de si a pr\u00f3pria pessoa, cuja apar\u00eancia ela tomava, tal a semelhan\u00e7a dos tra\u00e7os fision\u00f4micos, do olhar, do som da voz e, at\u00e9, da maneira particular de falar. Esse fen\u00f4meno se repetiu centenas de vezes sem que a vontade da mocinha ali interferisse. Tomou, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, a apar\u00eancia de seu irm\u00e3o, que morrera alguns anos antes. Reproduzia-lhe n\u00e3o somente o semblante, mas tamb\u00e9m o porte e a corpul\u00eancia. Um m\u00e9dico do lugar, testemunha que fora, muitas vezes, desses estranhos efeitos, querendo certificar-se de que n\u00e3o havia naquilo ilusionismo, fez a experi\u00eancia que vamos relatar. Conhecemos os fatos, pelo que nos referiram ele pr\u00f3prio, o pai da mo\u00e7a e diversas outras testemunhas oculares, muito honradas e dignas de cr\u00e9dito. Veio a esse m\u00e9dico a id\u00e9ia de pesar a mo\u00e7a no seu estado normal e de fazer-lhe o mesmo no de transfigura\u00e7\u00e3o, quando apresentava a apar\u00eancia do irm\u00e3o, que contava, ao morrer, vinte e tantos anos, e era mais alto do que ela e de complei\u00e7\u00e3o mais forte. Pois bem! Verificou que, no segundo estado, o peso da mo\u00e7a era quase duplo do seu peso normal.<\/p>\n<p>Concludente se mostra a experi\u00eancia, tornando imposs\u00edvel atribuir-se aquela apar\u00eancia a uma simples ilus\u00e3o de \u00f3tica. Tentemos explicar esse fato, que noutro tempo teria sido qualificado de milagre e a que hoje chamamos muito simplesmente fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>123. A transfigura\u00e7\u00e3o, em certos casos, pode originar-se de uma simples contra\u00e7\u00e3o muscular, capaz de dar \u00e0 fisionomia express\u00e3o muito diferente da habitual, ao ponto de tornar quase irreconhec\u00edvel a pessoa. Temo-lo observado frequentemente com alguns son\u00e2mbulos; mas, nesse caso, a transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 radical. Uma mulher poder\u00e1 parecer jovem ou velha, bela ou feia, mas ser\u00e1 sempre uma mulher e, sobretudo, seu peso n\u00e3o aumentar\u00e1, nem diminuir\u00e1. No fen\u00f4meno com que nos ocupamos, h\u00e1 mais alguma coisa. A teoria do perisp\u00edrito nos vai esclarecer. Est\u00e1, em princ\u00edpio, admitido que o Esp\u00edrito pode dar ao seu perisp\u00edrito todas as apar\u00eancias; que, mediante uma modifica\u00e7\u00e3o na disposi\u00e7\u00e3o molecular, pode dar-lhe a visibilidade, a tangibilidade e, conseguintemente, a <i>opacidade; <\/i>que o perisp\u00edrito de uma pessoa viva, isolado do corpo, \u00e9 pass\u00edvel das mesmas transforma\u00e7\u00f5es; que essa mudan\u00e7a de estado se opera pela combina\u00e7\u00e3o dos fluidos. Figuremos agora o perisp\u00edrito de uma pessoa viva, n\u00e3o isolado, mas irradiando-se em volta do corpo, de maneira a envolv\u00ea-lo numa esp\u00e9cie de vapor. Nesse estado, pass\u00edvel se torna das mesmas modifica\u00e7\u00f5es de que o seria, se o corpo estivesse separado. Perdendo ele a sua transpar\u00eancia, o corpo pode desaparecer, tornar-se invis\u00edvel, ficar velado, como se mergulhado numa bruma. Poder\u00e1 ent\u00e3o o perisp\u00edrito mudar de aspecto, fazer-se brilhante, se tal for a vontade do Esp\u00edrito e se este dispuser de poder para tanto. Um outro Esp\u00edrito, combinando seus fluidos com os do primeiro, poder\u00e1, a essa combina\u00e7\u00e3o de fluidos, imprimir a apar\u00eancia que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, de tal sorte, que o corpo real desapare\u00e7a sob o envolt\u00f3rio flu\u00eddico exterior, cuja apar\u00eancia pode variar \u00e0 vontade do Esp\u00edrito. Esta parece ser a verdadeira causa do estranho fen\u00f4meno e raro, cumpra se diga, da transfigura\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 diferen\u00e7a de peso, explica-se da mesma maneira por que se explica com rela\u00e7\u00e3o aos corpos inertes. O peso intr\u00ednseco do corpo n\u00e3o variou, pois que n\u00e3o aumentou nele a quantidade de mat\u00e9ria. Sofreu, por\u00e9m, a influ\u00eancia de um agente exterior, que lhe pode aumentar ou diminuir o peso relativo, conforme explicamos acima, ns. 78 e seguintes. Prov\u00e1vel \u00e9, portanto, que, se a transforma\u00e7\u00e3o se produzir, tomando a pessoa o aspecto de uma crian\u00e7a, o peso diminua proporcionalmente.<\/p>\n<p>124. Concebe-se que o corpo possa tomar outra apar\u00eancia de dimens\u00e3o igual ou maior do que a que lhe \u00e9 pr\u00f3pria. Como, por\u00e9m, lhe ser\u00e1 poss\u00edvel tomar uma de dimens\u00e3o menor, a de uma crian\u00e7a, conforme acabamos de dizer? Neste caso, n\u00e3o ser\u00e1 de prever que o corpo real ultrapasse os limites do corpo aparente?<\/p>\n<p>Por isso mesmo que tal se pode dar, n\u00e3o dizemos que o fato se tenha produzido. Apenas, reportando-nos \u00e0 teoria do peso espec\u00edfico, quisemos fazer sentir que o peso aparente houvera podido diminuir. Quanto ao fen\u00f4meno em si, n\u00e3o afirmamos nem a sua possibilidade, nem a sua impossibilidade. Dado, entretanto, que ocorra, a circunst\u00e2ncia de se lhe n\u00e3o oferecer uma solu\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria de nenhum modo o infirmaria. Importa se n\u00e3o esque\u00e7a que nos achamos nos prim\u00f3rdios da ci\u00eancia e que ela est\u00e1 longe de haver dito a \u00faltima palavra sobre esse ponto, como sobre muitos outros. Ali\u00e1s, as partes excedentes poderiam ser perfeitamente tornadas invis\u00edveis.<\/p>\n<p>A teoria do fen\u00f4meno da invisibilidade ressalta muito naturalmente das explica\u00e7\u00f5es precedentes e das que foram ministradas a respeito do fen\u00f4meno dos transportes, ns. 96\u00a0 e seguintes.<\/p>\n<p>125. Resta-nos falar do singular fen\u00f4meno dos <i>ag\u00eaneres <\/i>que, por muito extraordin\u00e1rio que pare\u00e7a \u00e0 primeira vista, n\u00e3o \u00e9 mais sobrenatural do que os outros. Por\u00e9m, como o explicamos na <i>Revue Spirite <\/i>(fevereiro de 1859), julgamos in\u00fatil tratar dele aqui pormenorizadamente. Diremos t\u00e3o-somente que \u00e9 uma variedade da apari\u00e7\u00e3o tang\u00edvel. E o estado de certos Esp\u00edritos que podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, ao ponto de causar completa ilus\u00e3o. (Do grego <i>a <\/i>privativo, e <i>geine, geinoma\u00ef, <\/i>gerar: que n\u00e3o foi gerado.)<\/p>\n<p>________________________________________<\/p>\n<p>NOTA ESPECIAL da Editora (FEB) \u00e0 59\u00aa edi\u00e7\u00e3o, em 1991.<\/p>\n<p>O fato hist\u00f3rico est\u00e1 correto no par\u00e1grafo inicial da p\u00e1gina n. 157 das edi\u00e7\u00f5es febianas de <i>O<\/i><\/p>\n<p><i>Livro dos M\u00e9diuns. <\/i>No entanto, no original franc\u00eas, foi ele narrado por Kardec sob a vers\u00e3o seguinte:<\/p>\n<p>&#8220;Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua achava-se na Espanha e, no instante em que predicava, seu pai, que estava em P\u00e1dua, era levado ao supl\u00edcio sob a acusa\u00e7\u00e3o de homic\u00eddio. Nesse momento, Santo Ant\u00f4nio aparece, demonstra a inoc\u00eancia de seu pai e revela o verdadeiro criminoso, mais tarde punido. Comprovou-se que nesse momento Santo Ant\u00f4nio n\u00e3o havia deixado a Espanha.&#8221; Kardec louvou-se em comp\u00eandio de autor que evidentemente se equivocou, como a outros escritores, relativamente a esse fato, sucedeu \u00e0 sua \u00e9poca. (O livro <i>Ant\u00f4nio de P\u00e1dua &#8211; Sua Vida de Milagres <\/i>e <i>Prod\u00edgios, <\/i>de Almerindo Martins de Castro, 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o, FEB, 1987, esclarece devidamente o fen\u00f4meno referido no texto kardequiano.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O LIVRO DOS M\u00c9DIUNS &#8211;\u00a0CAP\u00cdTULO VII DA BICORPOREIDADE E DA TRANSFIGURA\u00c7\u00c3O Apari\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos de pessoas vivas. &#8211; Homens duplos. &#8211; Santo Afonso de Liguori e Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua. &#8211; Vespasiano. &#8211; Transfigura\u00e7\u00e3o. &#8211; Invisibilidade. 114. 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