{"id":1108,"date":"2013-06-12T08:45:54","date_gmt":"2013-06-12T11:45:54","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1108"},"modified":"2013-06-12T08:45:54","modified_gmt":"2013-06-12T11:45:54","slug":"25-a-ultima-ceia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/25-a-ultima-ceia\/","title":{"rendered":"25 &#8211; A \u00daltima Ceia"},"content":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa nova&#8221;, de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>Reunidos os disc\u00edpulos em companhia de Jesus, no primeiro dia das festas da P\u00e1scoa, como de outras vezes, o mestre partiu o p\u00e3o com a costumeira ternura. Seu olhar, contudo, embora sem trair a serenidade de todos os momentos apresentava misterioso fulgor, como se sua alma, naquele instante, vibrasse ainda mais com os altos planos do invis\u00edvel.<\/p>\n<p>Os companheiros comentavam com simplicidade e alegria os sentimentos do povo, enquanto o Mestre meditava, silencioso.<\/p>\n<p>Em dado instante, tendo-se feito longa pausa entre os amigos pairadores, o Messias acentuou com firmeza impressionante: Amados: \u00e9 chegada a hora em que se cumprir\u00e1 a profecia da Escritura. Humilhado e ferido, terei de ensinar em Jerusal\u00e9m a necessidade do sacrif\u00edcio pr\u00f3prio, para que n\u00e3o triunfe apenas uma esp\u00e9cie de vit\u00f3ria, t\u00e3o passageiro quanto as edifica\u00e7\u00f5es do ego\u00edsmo ou do orgulho humanos. Os homens t\u00eam aplaudido, em todos os tempos, as tribunas douradas, as marchas retumbantes dos ex\u00e9rcitos que se glorificaram com despojos sangrentos, os grandes ambiciosos que dominaram \u00e0 for\u00e7a o esp\u00edrito inquieto das multid\u00f5es; entretanto, eu vim de meu Pai para ensinar como triunfam os que tombam no mundo, cumprindo um sagrado dever de amor, como mensageiros de um mundo melhor, onde reinam o bem e a verdade. Minha vit\u00f3ria \u00e9 a dos que sabem ser derrotados entre os homens, para triunfarem com Deus, na divina constru\u00e7\u00e3o de suas obras, imolando-se, com alegria, para gl\u00f3ria de uma vida maior.<\/p>\n<p>Ante a resolu\u00e7\u00e3o expressa naquelas palavras firmes, os companheiros se entreolharam, ansiosos.<\/p>\n<p>O Messias continuou:<\/p>\n<p>N\u00e3o vos perturbeis com as minhas afirmativas, porque, em verdade, um de v\u00f3s outros me h\u00e1 de trair! &#8230; As m\u00e3os, que eu acariciei, voltam-se agora contra mim. Todavia, minhalma est\u00e1 pronta para execu\u00e7\u00e3o dos des\u00edgnios de meu Pai. A pequena assembleia fez-se l\u00edvida. Com exce\u00e7\u00e3o de Judas, que entabulara negocia\u00e7\u00f5es particulares com os doutores do Templo, faltando apenas o ato do beijo, a fim de consumar-se a sua defec\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m poderia contar com as palavras amargas do Messias. Penosa sensa\u00e7\u00e3o de mal-estar se estabelecera entre todos. O filho de Iscariotes fazia o poss\u00edvel por dissimular as suas dolorosas impress\u00f5es, quando os companheiros se dirigiam ao Cristo com perguntas angustiadas:<\/p>\n<p>Quem ser\u00e1 o traidor? disse Filipe, com estranho brilho nos olhos.<\/p>\n<p>Serei eu? indagou Andr\u00e9 ingenuamente.<\/p>\n<p>Mas, afinal objetou Tiago, filho de Alfeu, em voz alta \u2014, onde est\u00e1 Deus que n\u00e3o conjura semelhante perigo?<\/p>\n<p>Jesus, que se mantivera em sil\u00eancio ante as primeiras interroga\u00e7\u00f5es, ergueu o olhar para o filho de Cleofas e advertiu:<\/p>\n<p>Tiago, faze calar a voz de tua pouca confian\u00e7a na sabedoria que nos rege os destinos. Uma das maiores virtudes do disc\u00edpulo do Evangelho \u00e9 a de estar pronto ao chamado da Provid\u00eancia Divina. N\u00e3o importa onde e como seja o testemunho de nossa f\u00e9. O essencial \u00e9 <b>revelarmos <\/b>a nossa Uni\u00e3o com Deus, em todas as circunst\u00e2ncias. \u00c9 indispens\u00e1vel n\u00e3o esquecer a nossa condi\u00e7\u00e3o de servos de Deus, para bem lhe atendermos ao chamado, nas horas de tranquilidade ou de sofrimento<\/p>\n<p>A esse tempo, havendo-se calado novamente o Messias, Jo\u00e3o interveio, perguntando<\/p>\n<p>Senhor, Compreendo a Vossa exorta\u00e7\u00e3o e rogo ao Pai a necess\u00e1ria fortaleza de \u00e2nimo; mas, por que motivo ser\u00e1 justamente um dos <b>VOSSOS <\/b>disc\u00edpulos o traidor de vossa causa? J\u00e1 nos ensinastes que, para se eliminarem do mundo os esc\u00e2ndalos Outros esc\u00e2ndalos se tornam necess\u00e1rios; contudo, ainda n\u00e3o pude atinar com a raz\u00e3o de um poss\u00edvel traidor em nosso pr\u00f3prio col\u00e9gio de edifica\u00e7\u00e3o e de amizade.<\/p>\n<p>Jesus Pousou no interlocutor os olhos serenos e acentuou:<\/p>\n<p>Em verdade, cumpre-me afirmar que n\u00e3o me ser\u00e1 Poss\u00edvel dizer-vos tudo agora; entretanto, mais tarde enviarei O Consolador, que <b>VOS <\/b>esclarecer\u00e1 em meu nome, como agora vos falo em nome de meu Pai.<\/p>\n<p>E, detendo-se um pouco a refletir, Continuou para o disc\u00edpulo em particular:<\/p>\n<p>Ouve, Jo\u00e3o: os des\u00edgnios de Deus, se s\u00e3o insond\u00e1veis, tamb\u00e9m s\u00e3o invariavelmente justos e s\u00e1bios. O esc\u00e2ndalo desabrochar\u00e1 em nosso pr\u00f3prio c\u00edrculo bem-amado, mas servir\u00e1 de li\u00e7\u00e3o a todos aqueles que vierem depois de nossos passos, no divino servi\u00e7o do Evangelho. Eles compreender\u00e3o que para atingirem a porta estreita da ren\u00fancia redentora h\u00e3o de encontrar, muitas Vezes, o abandono, a ingratid\u00e3o e o desentendimento dos seres mais queridos. Isso revelar\u00e1 a necessidade de cada qual firmar-se no seu caminho para Deus, por mais espinhoso e sombrio que ele seja.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo impressionara-se vivamente com as derradeiras palavras do Mestre e passou a meditar sobre seus ensinos.<\/p>\n<p>As sensa\u00e7\u00f5es de estranheza perduravam em toda a assembleia. Jesus, ent\u00e3o, levantou-se e, oferecendo a cada companheiro um peda\u00e7o de p\u00e3o, exclamou:<\/p>\n<p>Tomai e comei! Este \u00e9 o meu corpo.<\/p>\n<p>Em seguida, servindo a todos de uma pequena bilha de vinho, acrescentou:<\/p>\n<p>Bebei! Porque este \u00e9 o meu sangue, dentro do Novo Testamento, a confirmar as verdades de Deus.<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos lhe acolheram a suave recomenda\u00e7\u00e3o, naturalmente surpreendidos, e Sim\u00e3o Pedro, sem dissimular a sua incompreens\u00e3o do s\u00edmbolo, interrogou:<\/p>\n<p>Mestre, que vem a ser isso?<\/p>\n<p>Amados disse Jesus, com emo\u00e7\u00e3o <b>\u2014r <\/b>est\u00e1 muito pr\u00f3ximo o nosso \u00faltimo instante de trabalho em conjunto e quero reiterar-vos as minhas recomenda\u00e7\u00f5es de amor, feitas desde o primeiro dia do apostolado. Este p\u00e3o significa o do banquete do Evangelho; este vinho \u00e9 o sinal do esp\u00edrito renovador dos meus ensinamentos. Constituir\u00e3o o s\u00edmbolo de nossa comunh\u00e3o perene, no sagrado idealismo do amor, com que operaremos no mundo at\u00e9 o \u00faltimo dia. Todos os que partilharem conosco, atrav\u00e9s do tempo, desse p\u00e3o eterno e desse vinho sagrado da alma, ter\u00e3o o esp\u00edrito fecundado pela luz gloriosa do Reino de Deus, que representa o objetivo santo dos nossos destinos.<\/p>\n<p>Ponderando a intensidade do esfor\u00e7o a ser empregado e aludindo \u00e0s multid\u00f5es espirituais que se conservam sob a sua amorosa dire\u00e7\u00e3o, fora dos c\u00edrculos da carne, nas esferas mais pr\u00f3ximas da Terra, o Cristo acrescentou:<\/p>\n<p>Imenso \u00e9 o trabalho da reden\u00e7\u00e3o, mesmo porque tenho outras ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste aprisco; mas o Reino nos espera com sua eternidade luminosa! &#8230;<\/p>\n<p>Altamente tocados pelas suas exorta\u00e7\u00f5es solenes, por\u00e9m, maravilhados ainda mais com as promessas daquele reinado venturoso e sem-fim, que ainda n\u00e3o podiam compreender claramente, a maioria dos disc\u00edpulos come\u00e7ou a discutir as aspira\u00e7\u00f5es e conquistas do futuro.<\/p>\n<p>Enquanto Jesus se entretinha com Jo\u00e3o, em observa\u00e7\u00f5es afetuosas, os filhos de Alfeu examinavam com Tiago as poss\u00edveis realiza\u00e7\u00f5es dos tempos vindouros, antecipando opini\u00f5es sobre qual dos companheiros poderia ser o maior de todos, quando chegasse o Reino com as suas inauditas grandiosidades. Filipe afirmava a Sim\u00e3o Pedro que, depois do triunfo, todos deviam entrar em Nazar\u00e9 para revelar aos doutores e aos ricos da cidade a sua superioridade espiritual. Levi dirigia-se a Tom\u00e9 e lhe fazia sentir que, verificada a vit\u00f3ria, se lhes constitu\u00eda uma obriga\u00e7\u00e3o a marcha para o Templo ilustre, onde exibiriam seus poderes supremos. Tadeu esclarecia que o seu intento era dominar os mais fortes e impenitentes do mundo, para que aceitassem, de qualquer modo, a li\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>O Mestre interrompera a sua palestra \u00edntima com Jo\u00e3o, e os observava. As discuss\u00f5es iam acirradas. As palavras \u201cmaior de todos\u201d soavam insistentemente aos seus ouvidos.<\/p>\n<p>Parecia que os componentes do sagrado col\u00e9gio estavam na v\u00e9spera da divis\u00e3o de uma conquista material e, como os triunfadores do mundo, cada qual desejava a maior parte da presa. Com exce\u00e7\u00e3o de Judas, que se fechava num sil\u00eancio sombrio, quase todos discutiam com veem\u00eancia. Sentindo-lhes a incompreens\u00e3o o Mestre pareceu contempl\u00e1-los com entristecida piedade.<\/p>\n<p>Nesse instante, os ap\u00f3stolos observaram que ele se erguia. Com espanto de todos, despiu a t\u00fanica singela e cingiu-Se com uma toalha em torno dos rins, \u00e0 moda dos escravos mais \u00edntimos, a servi\u00e7o dos seus senhores. E como se fossem dispens\u00e1veis as palavras, naquela hora decisiva de exemplifica\u00e7\u00e3o, tomou de um vaso de \u00e1gua perfumada e, ajoelhado come\u00e7ou a lavar os p\u00e9s dos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Ante o protesto geral em face daquele ato de suprema humildade, Jesus repetiu o seu imorredouro ensinamento:<\/p>\n<p>V\u00f3s me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Se eu, Senhor e Mestre, vos lavo os p\u00e9s, deveis igualmente lavar os p\u00e9s uns dos outros no caminho da vida, porque no Reino do Bem e da Verdade o maior ser\u00e1 sempre aquele que se fez sinceramente o menor de todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa nova&#8221;, de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) Reunidos os disc\u00edpulos em companhia de Jesus, no primeiro dia das festas da P\u00e1scoa, como de outras vezes, o mestre partiu o p\u00e3o com a costumeira ternura. 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