{"id":1110,"date":"2013-06-12T10:31:38","date_gmt":"2013-06-12T13:31:38","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1110"},"modified":"2013-06-12T10:31:38","modified_gmt":"2013-06-12T13:31:38","slug":"26-a-negacao-de-pedro","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/26-a-negacao-de-pedro\/","title":{"rendered":"26 &#8211; A Nega\u00e7\u00e3o de Pedro"},"content":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>O ato do Messias, lavando os p\u00e9s de seus disc\u00edpulos, encontrou certa incompreens\u00e3o da parte de Sim\u00e3o Pedro. O velho pescador n\u00e3o concordava com semelhante ato de extrema submiss\u00e3o. E, chegada a sua vez, obtemperou, resoluto:<\/p>\n<p>Nunca me lavareis os p\u00e9s, Mestre; meus companheiros est\u00e3o sendo ingratos e duros neste instante, deixando-vos praticar esse gesto, como se f\u00f4sseis um escravo vulgar.<\/p>\n<p>Em seguida a essas palavras, lan\u00e7ou \u00e0 assembleia um olhar de reprova\u00e7\u00e3o e desprezo, enquanto Jesus lhe respondia:<\/p>\n<p>Sim\u00e3o, n\u00e3o queiras ser melhor que os teus irm\u00e3os de apostolado, em nenhuma circunst\u00e2ncia da vida. Em verdade, assevero-te que, sem o meu aux\u00edlio, n\u00e3o participar\u00e1s com meu esp\u00edrito das alegrias supremas da reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O antigo pescador de Cafarnaum aquietou-se um pouco, fazendo calar a voz de sua generosidade quase infantil.<\/p>\n<p>Terminada a li\u00e7\u00e3o e retomando o seu lugar \u00e0 mesa, o Mestre parecia meditar gravemente. Logo ap\u00f3s, todavia, dando a entender que sua vis\u00e3o espiritual devassava os acontecimentos do futuro, sentenciou:<\/p>\n<p>Aproxima-se a hora do meu derradeiro testemunho! Sei, por antecipa\u00e7\u00e3o, que todos v\u00f3s estareis dispersados nesse instante supremo. \u00c9 natural, porquanto ainda n\u00e3o estais preparados sen\u00e3o para aprender. Antes, por\u00e9m, que eu parta, quero deixar-vos um novo mandamento, o de amar-vos uns aos outros como eu vos tenho amado; que sejais conhecidos como meus disc\u00edpulos, n\u00e3o pela superioridade no mundo, pela demonstra\u00e7\u00e3o de poderes espirituais, ou pelas vestes que envergueis na vida, mas pela revela\u00e7\u00e3o do amor com que vos amo, pela humildade que dever\u00e1 ornar as vossas almas, pela boa disposi\u00e7\u00e3o no sacrif\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Vendo que Jesus repetia uma vez mais aquelas recomenda\u00e7\u00f5es de despedida, Pedro, dando expans\u00e3o ao seu temperamento Irrequieto, adiantou-se, indagando:<\/p>\n<p>Afinal, Senhor, para onde ides?<\/p>\n<p>O Mestre lhe lan\u00e7ou um olhar sereno, fazendo-lhe sentir o interesse que lhe causava a sua curiosidade e redarguiu:<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o te encontras preparado para seguir-me.<\/p>\n<p>O testemunho \u00e9 de sacrif\u00edcio e de extrema abnega\u00e7\u00e3o a somente mais tarde entrar\u00e1s na posse da fortaleza indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sim\u00e3o, no entanto, desejando provar por palavras aos companheiros o valor da sua dedica\u00e7\u00e3o, acrescentou, com certa \u00eanfase, ao prop\u00f3sito de se impor \u00e0 confian\u00e7a do<\/p>\n<p>Messias:<\/p>\n<p>N\u00e3o posso seguir-vos? Acaso, Mestre, podereis duvidar de minha coragem?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o sou um homem? Por v\u00f3s darei a minha pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>O Cristo sorriu e ponderou:<\/p>\n<p>Pedro, a tua inquieta\u00e7\u00e3o se faz credora de <b>novos <\/b>ensinamentos. A experi\u00eancia te ensinar\u00e1 melhores conclus\u00f5es, porque, em verdade, te afirmo que esta noite o galo n\u00e3o cantar\u00e1 sem que me tenhas negado por tr\u00eas vezes.<\/p>\n<p>Julgai-me ent\u00e3o, um esp\u00edrito mau e endurecido a esse ponto? indagou o pescador, sentindo-se ofendido<\/p>\n<p>N\u00e3o, Pedro adiantou o Mestre, com do\u00e7ura \u2014, n\u00e3o te Suponho ingrato ou indiferente aos meus ensinos. Mas vais aprender, ainda hoje, que o homem do mundo \u00e9 mais fr\u00e1gil do que perverso.<\/p>\n<p>Pedro n\u00e3o quis acreditar nas afirma\u00e7\u00f5es do Messias e t\u00e3o logo se verificara a sua pris\u00e3o, no pressuposto de demonstrar o seu desassombro e boa disposi\u00e7\u00e3o para a defesa do Evangelho do Reino, atacou com a espada um dos servos do sumo sacerdote de Jerusal\u00e9m, compelindo o Mestre a mais severas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Consoante as afirmativas de Jesus, o col\u00e9gio dos ap\u00f3stolos se dispersara naquele momento de supremas resolu\u00e7\u00f5es. A humildade com que o Cristo se entregava desapontara a alguns deles, que n\u00e3o conseguiam compreender a transcend\u00eancia daquele Reino de Deus, sublimado e distante.<\/p>\n<p>Pedro e Jo\u00e3o, observando que a deten\u00e7\u00e3o do Mestre pelos emiss\u00e1rios do Templo era fato consumado combinaram , entre si, acompanhar, de longe, o grupo que se afastava, conduzindo o Messias. Debalde, procuraram os demais companheiros que, receosos da persegui\u00e7\u00e3o haviam debandado.<\/p>\n<p>Ambos, no entanto, desejavam prestar a Jesus o aux\u00edlio necess\u00e1rio Quem sabe poderiam encontrar um recurso de salv\u00e1-lo? Era mister certificar-se de todas as ocorr\u00eancias Recorreriam \u00e0s suas humildes rela\u00e7\u00f5es em Jerusal\u00e9m, a favor do Mestre querido.<\/p>\n<p>Compreendiam a extens\u00e3o do perigo e as amea\u00e7as que lhes pesavam sobre a fronte. De instante a instante, eram surpreendidos por homens do povo que, em palestra de caminho, acusavam a Jesus de feiticeiro e her\u00e9tico.<\/p>\n<p>A noite ca\u00edra sobre a cidade.<\/p>\n<p>Os dois disc\u00edpulos observaram que a expedi\u00e7\u00e3o de servos e soldados chegava \u00e0 resid\u00eancia de Caif\u00e1s, onde o Cristo foi recolhido a uma cela \u00famida, cujas grades davam para um p\u00e1tio extenso.<\/p>\n<p>O prisioneiro fora trancafiado, por entre zombarias e improp\u00e9rios. Ao grupo reduzido, juntava-se agora a massa popular, ent\u00e3o em pleno alvoro\u00e7o festivo, nas comemora\u00e7\u00f5es da P\u00e1scoa. O p\u00e1tio amplo foi invadido por uma aluvi\u00e3o de pessoas alegres.<\/p>\n<p>Pedro e Jo\u00e3o compreenderam que as autoridades do Templo imprimiam car\u00e1ter popular ao movimento de persegui\u00e7\u00e3o ao Messias, vingando-se de sua vit\u00f3ria na entrada triunfal em Jerusal\u00e9m, como uma nova esperan\u00e7a para o cora\u00e7\u00e3o dos desalentados e oprimidos.<\/p>\n<p>Depois de ligeiro entendimento, o filho de Zebedeu voltou a Bet\u00e2nia, a fim de colocar a m\u00e3e de Jesus ao corrente dos fatos, enquanto Pedro se misturava \u00e0 aglomera\u00e7\u00e3o, de maneira a observar em que poderia ser \u00fatil ao Messias.<\/p>\n<p>O ambiente estava j\u00e1 preparado pelo farisa\u00edsmo para os tristes acontecimentos do dia imediato. Em todas as rodas, falava-se do Cristo como de um traidor ou revolucion\u00e1rio vulgar. Alguns comentadores mais exaltados o denunciavam como ladr\u00e3o. Ridicularizava-se o seu ensinamento, zombava-se de sua exemplifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o faltavam os que diziam, em voz alta, que o Profeta Nazareno havia chegado \u00e0 cidade chefiando um bando de salteadores.<\/p>\n<p>O velho pescador de Cafarnaum sentiu a hostilidade com que teria de lutar, para socorrer o Messias, e experimento um frio angustioso no cora\u00e7\u00e3o. Sua resolu\u00e7\u00e3o parecia vencida. A alma ansiosa se deixava dominar por d\u00favidas e afli\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a pensar nos seus familiares, em suas necessidades comuns, nas conven\u00e7\u00f5es de Jerusal\u00e9m, que ele n\u00e3o poderia afrontar sem pesados castigos.<\/p>\n<p>Com o c\u00e9rebro fervilhando de expectativas e cogita\u00e7\u00f5es de defesa pr\u00f3pria, penetrou no extenso p\u00e1tio, onde se adensava a multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Para logo, uma das servas da casa se aproximou dele e exclamou, surpreendida:<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9s tu um dos companheiros deste homem? indagou, designando a cela onde Jesus se achava encarcerado.<\/p>\n<p>O pescador refletiu um momento e, reconhecendo que o instante era decisivo, respondeu, dissimulando a pr\u00f3pria emo\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Est\u00e1s enganada. N\u00e3o sou.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo ponderou aquela primeira negativa e p\u00f4s-se a considerar que semelhante procedimento, aos seus olhos, era o mais razo\u00e1vel, porquanto tinha de empregar todas as Possibilidades ao seu alcance, a favor de Jesus.<\/p>\n<p>Fingindo despreocupa\u00e7\u00e3o, o irm\u00e3o de Andr\u00e9 se dirigiu a uma pequena aglomera\u00e7\u00e3o de populares, onde cada qual procurava esquivar-se ao frio intenso da noite, aquentando-se junto de um braseiro. Novamente um dos circunstantes, reconhecendo-o, o interpelou nestes termos:<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, vieste socorrer o teu Mestre?<\/p>\n<p>Que Mestre? perguntou o pescador de Cafarnaum, entre receoso e assustado.<\/p>\n<p>Nunca fui disc\u00edpulo desse homem.<\/p>\n<p>Fornecida essa explica\u00e7\u00e3o, todo o grupo se sentiu \u00e0 vontade para comentar a situa\u00e7\u00e3o do prisioneiro. Longas horas passaram-se para Sim\u00e3o Pedro, que tinha o cora\u00e7\u00e3o a duelar-se com a pr\u00f3pria consci\u00eancia, naqueles instantes penosos em que fora chamado ao testemunho. A noite ia adiantada, quando alguns servidores vieram servir bilhas de vinho. Um deles, encarando o disc\u00edpulo com certo espanto, exclamou de s\u00fabito:<\/p>\n<p>\u00c9 este! &#8230; \u00c9 bem aquele disc\u00edpulo que nos atacou a espada, entre as \u00e1rvores do horto! &#8230;<\/p>\n<p>Sim\u00e3o ergueu-se, p\u00e1lido, e protestou:<\/p>\n<p>Est\u00e1s enganado, amigo! V\u00ea que isso n\u00e3o seria poss\u00edvel! &#8230;<\/p>\n<p>Logo que pronunciou sua derradeira negativa, os galos da vizinhan\u00e7a cantaram em vozes estridentes, anunciando a madrugada.<\/p>\n<p>Pedro recordou as palavras do Mestre e sentiu-se perturbado por infinita ang\u00fastia.<\/p>\n<p>Levantou-se cambaleante e, voltando-se instintivamente para a cela em que o Mestre se achava prisioneiro, viu o semblante sereno de Jesus a contempl\u00e1-lo atrav\u00e9s das grades singelas e generosa.<\/p>\n<p>Presa de indiz\u00edvel remorso, o ap\u00f3stolo retirou-se, envergonhado de si mesmo.<\/p>\n<p>Dando alguns passos, alcan\u00e7ou os muros exteriores, onde se deteve a chorar amargamente. Ele, que fora sempre homem r\u00edspido e resoluto, que condenara invariavelmente os transviados da verdade e do bem, que nunca conseguira perdoar \u00e0s mulheres mais infelizes, ali se encontrava, abatido como uma crian\u00e7a, em face de sua pr\u00f3pria falta. Come\u00e7ava a entender a raz\u00e3o de certas experi\u00eancias dolorosas de seus irm\u00e3os em humanidade. Em seu esp\u00edrito como que desabrochava uma fonte de novas considera\u00e7\u00f5es pelos infortunados da vida.<\/p>\n<p>Desejava, ansiosamente, ajoelhar-se ante o Messias e suplicar-lhe perd\u00e3o para a sua queda dolorosa.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do v\u00e9u de l\u00e1grimas que lhe obscurecia os olhos, Sim\u00e3o Pedro experimentou uma vis\u00e3o consoladora e generosa. Figurou-se-lhe que o Mestre vinha v\u00ea-lo, em esp\u00edrito, na solid\u00e3o da noite, trazendo nos l\u00e1bios aquele mesmo sorriso sereno de todos os dias. Ante a emo\u00e7\u00e3o confortadora e divina, Pedro ajoelhou-se e murmurou:<\/p>\n<p>Senhor, perdoai-me!<\/p>\n<p>Mas, nesse instante, nada mais viu, na Confus\u00e3o de seus angustiados pensamentos. Luar alv\u00edssimo enfeitava de luz as vielas desoladas. Foi a\u00ed que o antigo pescador refletiu mais austeramente, lembrando as advert\u00eancias amigas de Jesus, quando lhe dizia: \u201cPedro, o homem do mundo \u00e9 mais fr\u00e1gil do que perverso!\u00a0 &#8230;\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) O ato do Messias, lavando os p\u00e9s de seus disc\u00edpulos, encontrou certa incompreens\u00e3o da parte de Sim\u00e3o Pedro. O velho pescador n\u00e3o concordava com semelhante ato de extrema &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/26-a-negacao-de-pedro\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":548,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1110","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1110\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}