{"id":1112,"date":"2013-06-12T10:35:42","date_gmt":"2013-06-12T13:35:42","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1112"},"modified":"2013-06-12T10:35:42","modified_gmt":"2013-06-12T13:35:42","slug":"27-a-oracao-do-horto","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/27-a-oracao-do-horto\/","title":{"rendered":"27 &#8211; A Ora\u00e7\u00e3o do Horto"},"content":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>Depois do ato de humildade extrema, de lavar os p\u00e9s de todos os disc\u00edpulos, Jesus retomou o lugar que ocupava \u00e0 mesa do banquete singelo e, antes de se retirarem, elevou os olhos ao c\u00e9u e orou assim, fervorosamente, conforme relata o Evangelho de Jo\u00e3o:<\/p>\n<p>Pai santo, eis que \u00e9 chegada a minha hora! Acolhe-me em teu amor, eleva o teu filho, para que ele possa elevar-te, entre os homens, no sacrif\u00edcio supremo.<\/p>\n<p>Glorifiquei-te na Terra, testemunhei tua magnanimidade e sabedoria e consumo agora a obra que me confiaste. Neste instante, pois, meu Pai, ampara-me com a luz que me deste, muito antes que este mundo existisse! &#8230;<\/p>\n<p>E fixando o olhar amoroso sobre a comunidade dos disc\u00edpulos, que, silenciosos, lhe acompanhavam a rogativa, continuou:<\/p>\n<p>Manifestei o teu nome aos amigos que me deste; eram teus e tu mos confiaste, para que recebessem a tua palavra de sabedoria e de amor. Todos eles sabem agora que tudo quanto lhes dei prov\u00e9m de ti! Neste instante supremo, Pai, n\u00e3o rogo pelo mundo, que \u00e9 obra tua e cuja perfei\u00e7\u00e3o se verificar\u00e1 algum dia, porque est\u00e1 nos teus des\u00edgnios insond\u00e1veis; mas, pe\u00e7o-te particularmente por eles, pelos que me confiaste, tendo em vista o esfor\u00e7o a que os obrigar\u00e1 o Evangelho, que ficar\u00e1 no mundo sobre os seus ombros generosos. Eu j\u00e1 n\u00e3o sou da Terra; mas rogo-te que os meus disc\u00edpulos amados sejam unidos uns aos outros, como eu sou um contigo! Dei-lhes a tua palavra para o trabalho santo da reden\u00e7\u00e3o das criaturas; que, pois, eles compreendam que, nessa tarefa grandiosa, o maior testemunho \u00e9 o do nosso pr\u00f3prio sacrif\u00edcio pela tua causa, compreendendo que est\u00e3o neste mundo, sem pertencerem \u00e0s suas ilus\u00f3rias conven\u00e7\u00f5es, por pertencerem s\u00f3 a ti, de cujo amor viemos todos para regressar \u00e0 tua magnanimidade e sabedoria, quando houvermos edificado o bom trabalho e vencido na luta proveitosa. Que os meus disc\u00edpulos, Pai, n\u00e3o fa\u00e7am da minha presen\u00e7a pessoal o motivo de sua alegria imediata; que me sintam sinceramente em suas aspira\u00e7\u00f5es, a fim de experimentarem o meu j\u00fabilo completo em si mesmos. Junto deles, outros trabalhadores do Evangelho despertar\u00e3o para a tua verdade, O futuro estar\u00e1 cheio desses oper\u00e1rios dignos do sal\u00e1rio celeste. Ser\u00e1, de algum modo, a posteridade do Evangelho do Reino que se perpetuar\u00e1 na Terra, para glorificar a tua revela\u00e7\u00e3o! Protege-os a todos, Pai! Que todos recebam a tua b\u00ean\u00e7\u00e3o, abrindo seus cora\u00e7\u00f5es \u00e0s claridades renovadoras! Pai justo, o mundo ainda n\u00e3o te conheceu; eu, por\u00e9m, te conheci e lhes fiz conhecer o teu nome e a tua bondade infinita, para que o amor com que me tens amado esteja neles e eu neles esteja! &#8230;<\/p>\n<p>Terminada a ora\u00e7\u00e3o, acompanhada em religioso sil\u00eancio por parte dos disc\u00edpulos, Jesus se retirou em companhia de Sim\u00e3o Pedro e dos dois filhos de Zebedeu para o Monte das Oliveiras, onde costumava meditar. Os demais companheiros se dispersaram, impressionados, enquanto Judas, afastando-se com passos vacilantes, n\u00e3o conseguia aplacar a tempestade de sentimentos que lhe devastava cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O crep\u00fasculo come\u00e7ava a cair sobre o c\u00e9u claro. Apesar do sol radioso da tarde a iluminar a paisagem, soprava o vento em rajadas muito frias.<\/p>\n<p>Da\u00ed a alguns instantes, o Mestre e os tr\u00eas companheiros alcan\u00e7avam o monte povoado de \u00e1rvores frondosas que convidavam ao pensamento contemplativo.<\/p>\n<p>Acomodando os disc\u00edpulos em bancos naturais que as ervas do caminho se incumbiam de adornar, falou-lhes o Mestre, em tom sereno e resoluto:<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a minha derradeira hora convosco! Oral e vigiai comigo, para que eu tenha a glorifica\u00e7\u00e3o de Deus no supremo testemunho!<\/p>\n<p>Assim dizendo, afastou-se, a pequena dist\u00e2ncia, onde permaneceu em prece, cuja sublimidade os ap\u00f3stolos n\u00e3o podiam observar. Pedro, Jo\u00e3o e Tiago estavam profundamente tocados pelo que viam e ouviam. Nunca o Mestre lhes parecera t\u00e3o solene, t\u00e3o convicto, como naquele instante de penosas recomenda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Rompendo o sil\u00eancio que se fizera, Jo\u00e3o ponderou:<\/p>\n<p>Oremos e vigiemos, de acordo com a recomenda\u00e7\u00e3o do Mestre, pois, se ele aqui nos trouxe, apenas n\u00f3s tr\u00eas, em sua companhia, isso deve significar para o nosso esp\u00edrito a grandeza da sua confian\u00e7a em nosso aux\u00edlio.<\/p>\n<p>Puseram-se a meditar silenciosamente. Entretanto, sem que lograssem explicar o motivo, adormeceram no decurso da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passados alguns minutos, acordavam, ouvindo o Mestre que lhes observava: Despertai! N\u00e3o vos recomendei que vigi\u00e1sseis? N\u00e3o podereis velar comigo, um minuto?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o e os companheiros esfregaram os olhos, reconhecendo a pr\u00f3pria falta.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Jesus, cujo olhar parecia iluminado por estranho fulgor, lhes contou que fora visitado por um anjo de Deus, que o confortara para o mart\u00edrio supremo. Mais uma vez lhes pediu que orassem com o cora\u00e7\u00e3o e novamente se afastou. Contudo, os disc\u00edpulos, insensivelmente, cedendo aos imperativos do corpo e olvidando as necessidades do esp\u00edrito, de novo adormeceram em meio da medita\u00e7\u00e3o. Despertaram com o Mestre a lhes repetir:<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguistes, ent\u00e3o, orar comigo?<\/p>\n<p>Os tr\u00eas disc\u00edpulos acordaram estremunhados. A paisagem desolada de Jerusal\u00e9m mergulhava na sombra.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, que pudessem justificar de novo a sua falta, um grupo de soldados e populares aproximou-se, vindo Judas \u00e0 frente.<\/p>\n<p>O filho de Iscariotes avan\u00e7ou e dep\u00f4s na fronte do Mestre o beijo combinado, ao passo que Jesus, sem denotar nenhuma fraqueza e deixando a li\u00e7\u00e3o de sua coragem e de seu afeto aos companheiros, perguntou:<\/p>\n<p>Amigo, a que vieste?<\/p>\n<p>Sua interroga\u00e7\u00e3o, todavia, n\u00e3o recebeu qualquer resposta. Os mensageiros dos sacerdotes prenderam-no e lhe manietaram as m\u00e3os, como se o fizessem a um salteador vulgar.<\/p>\n<p>Depois das cenas descritas com fidelidade nos Evangelhos, observamos as disposi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas dos disc\u00edpulos, no momento doloroso. Pedro e Jo\u00e3o foram os \u00faltimos a se separarem do Mestre bem-amado, depois de tentarem fracos esfor\u00e7os pela sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia seguinte, os movimentos criminosos da turba arrefeceram o entusiasmo e o devotamento dos companheiros mais en\u00e9rgicos e decididos na f\u00e9. As penas impostas a Jesus eram excessivamente severas para que fossem tentados a segui-lo. Da Corte Provincial ao pal\u00e1cio de \u00c2ntipas, viu-se o condenado exposto ao insulto \u00e0 zombaria. Com exce\u00e7\u00e3o do filho de Zebedeu, que se conservou ao lado de Maria at\u00e9 ao instante derradeiro, todos os que integravam o reduzido col\u00e9gio do Senhor debandaram. Receosos da persegui\u00e7\u00e3o, alguns se ocultaram nos s\u00edtios pr\u00f3ximos, enquanto outros, trocando as t\u00fanicas habituais, seguiam, de longe, o inesquec\u00edvel cortejo, vacilando entre a dedica\u00e7\u00e3o e o temor.<\/p>\n<p>O Messias, no entanto, coroando a sua obra com o sacrif\u00edcio m\u00e1ximo, tomou a cruz sem uma queixa, deixando-se imolar, sem qualquer reprova\u00e7\u00e3o aos que o haviam abandonado na hora \u00faltima. Conhecendo que cada criatura tem o seu instante de testemunho, no caminho de reden\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, observou \u00e0s piedosas mulheres que o cercavam, banhadas em l\u00e1grimas: \u201cFilhas de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o choreis por mim; chorai por v\u00f3s mesmas e por vossos filhos. .\u201d<\/p>\n<p>Exemplificando a sua fidelidade a Deus, aceitou serenamente os des\u00edgnios do c\u00e9u, sem que uma express\u00e3o menos branda contradissesse a sua tarefa purificadora.<\/p>\n<p>Apesar da demonstra\u00e7\u00e3o de hero\u00edsmo e de inexced\u00edvel amor, que ofereceu do cimo do madeiro, os disc\u00edpulos continuaram subjugados pela d\u00favida e pelo temor, at\u00e9 que a ressurrei\u00e7\u00e3o lhes trouxesse incompar\u00e1veis hinos de alegria.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o, todavia, em suas medita\u00e7\u00f5es acerca do Messias, entrou a refletir maduramente sobre a ora\u00e7\u00e3o do Horto das Oliveiras, perguntando a si pr\u00f3prio a raz\u00e3o daquele sono inesperado, quando desejava atender ao desejo de Jesus, orando em seu esp\u00edrito at\u00e9 o fim das provas r\u00edspidas. Por que dormira ele, que tanto o amava, no momento em que o seu cora\u00e7\u00e3o amoroso mais necessitava de assist\u00eancia e de afeto? Por que n\u00e3o acompanhara Jesus naquela prece derradeira, onde sua alma parecia apunhalada por intraduz\u00edvel ang\u00fastia, nas mais dolorosas expectativas? A vis\u00e3o do Cristo ressuscitado veio encontr\u00e1-lo absorto nesses amargurados pensamentos. Em ora\u00e7\u00e3o silenciosa, Jo\u00e3o se dirigia muitas vezes ao Mestre adorado, quase em l\u00e1grimas, implorando-lhe perdoasse o seu descuido da hora extrema.<\/p>\n<p>Algum tempo passou, sem que o filho de Zebedeu conseguisse esquecer a falta de vigil\u00e2ncia da v\u00e9spera do mart\u00edrio.<\/p>\n<p>Certa noite, ap\u00f3s as reflex\u00f5es costumeiras, sentiu ele que um sono brando lhe anestesiava os centros vitais. Como numa atmosfera de sonho, verificou que o Mestre se aproximava. Toda a sua figura se destacava na sombra, com divino resplendor. Precedendo suas palavras do sereno sorriso dos tempos idos, disse-lhe Jesus:<\/p>\n<p>Jo\u00e3o, a minha soledade no horto \u00e9 tamb\u00e9m um ensinamento do Evangelho e uma exemplifica\u00e7\u00e3o! Ela significar\u00e1, para quantos vierem em nossos passos, que cada esp\u00edrito na Terra tem de ascender sozinho ao calv\u00e1rio de sua reden\u00e7\u00e3o, muitas vezes com a despreocupa\u00e7\u00e3o dos entes mais amados do mundo. Em face dessa li\u00e7\u00e3o, o disc\u00edpulo do futuro compreender\u00e1 que a sua marcha tem que ser solit\u00e1ria, uma vez que seus familiares e companheiros de confian\u00e7a se entregam ao sono da indiferen\u00e7a! Doravante, pois, aprendendo a necessidade do valor individual no testemunho, nunca deixes de orar e vigiar! &#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) Depois do ato de humildade extrema, de lavar os p\u00e9s de todos os disc\u00edpulos, Jesus retomou o lugar que ocupava \u00e0 mesa do banquete singelo e, antes de &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/27-a-oracao-do-horto\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":548,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1112","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1112\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}