{"id":1114,"date":"2013-06-12T10:38:43","date_gmt":"2013-06-12T13:38:43","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1114"},"modified":"2013-06-12T10:38:43","modified_gmt":"2013-06-12T13:38:43","slug":"28-o-bom-ladrao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/28-o-bom-ladrao\/","title":{"rendered":"28 &#8211; O Bom Ladr\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>Alguns dias antes da pris\u00e3o do Mestre, os disc\u00edpulos, nas suas discuss\u00f5es naturais, comentavam o problema da f\u00e9, com desejo desordenado de quantos se atiram aos assuntos graves da vida, tentando, apressadamente, for\u00e7ar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ser\u00e1 essa virtude? De que modo conserv\u00e1-la-emos intacta no cora\u00e7\u00e3o? inquiria Levi, com atormentado pensamento. Tenho a convic\u00e7\u00e3o de que somente o homem culto pode conhecer toda a extens\u00e3o de seus benef\u00edcios.<\/p>\n<p>N\u00e3o tanto assim aventava Tiago, seu irm\u00e3o \u2014, acredito que basta a nossa vontade, para que a confian\u00e7a em Deus esteja viva em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas a f\u00e9 ser\u00e1 virtude para os que apenas desejam? perguntava um dos filhos de Zebedeu.<\/p>\n<p>A um canto, como distante daqueles duelos da palavra, Jesus parecia meditar. Em dado instante, solicitado ao esclarecimento, respondeu com suavidade:<\/p>\n<p>A f\u00e9 pertence, sobretudo, aos que trabalham e confiam. T\u00ea-la no cora\u00e7\u00e3o \u00e9 estar sempre pronto para Deus. N\u00e3o importam a sa\u00fade ou a enfermidade do corpo, n\u00e3o t\u00eam significa\u00e7\u00e3o os infort\u00fanios ou os sucessos felizes da vida material. A alma fiel trabalha confiante nos des\u00edgnios do Pai, que pode dar os bens, retir\u00e1-los e restitu\u00ed-los em tempo oportuno, e caminha sempre com serenidade e amor, por todas as sendas pelas quais a m\u00e3o generosa do Senhor a queira conduzir.<\/p>\n<p>Mas, Mestre redarguiu Levi, em respeitosa atitude \u2014, como discernir a vontade de Deus, naquilo que nos acontece? Tenho observado grande n\u00famero de criaturas criminosas que atribuem \u00e0 Provid\u00eancia os seus feitos delituosos e uma legi\u00e3o de pessoas inertes que classificam a pregui\u00e7a como fatalidade divina.<\/p>\n<p>A vontade de Deus, al\u00e9m da que conhecemos atrav\u00e9s de sua lei e de seus profetas, atrav\u00e9s do conselho s\u00e1bio e das inclina\u00e7\u00f5es naturais para o bem, \u00e9 tamb\u00e9m a que se manifesta, a cada instante da vida, misturando a alegria com as amarguras, concedendo a do\u00e7ura ou retirando-a, para que a criatura possa colher a experi\u00eancia luminosa no caminho mais espinhoso. Ter f\u00e9, portanto, \u00e9 ser fiel a essa vontade, em todas as circunst\u00e2ncias, executando o bem que ela nos determina e seguindo-lhe o roteiro sagrado, nas menores sinuosidades da estrada que nos compete percorrer.<\/p>\n<p>Entretanto observou Tom\u00e9 \u2014, creio que essa qualidade excepcional deve ser atributo do esp\u00edrito mais cultivado, porque o homem ignorante n\u00e3o poder\u00e1 cogitar da aquisi\u00e7\u00e3o de semelhante patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>O Mestre fitou o ap\u00f3stolo com amor e esclareceu:<\/p>\n<p>Todo homem de f\u00e9 ser\u00e1, agora ou mais tarde, o irm\u00e3o dileto da sabedoria e do sentimento; por\u00e9m, essa qualidade ser\u00e1 sempre a do filho leal ao Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us.<\/p>\n<p>O disc\u00edpulo sorriu e obtemperou:<\/p>\n<p>Todavia, quem possuir\u00e1 no mundo lealdade perfeita como essa?<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode julgar em absoluto disse o Cristo com bondade \u2014, a n\u00e3o ser o crit\u00e9rio definitivo de Deus; mas, se essa conquista da alma n\u00e3o \u00e9 comum \u00e0s criaturas de conhecimento parco ou de posi\u00e7\u00e3o vulgar, \u00e9 bem poss\u00edvel que a encontremos no peito exausto dos mais infelizes ou desclassificados do mundo.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo sorriu desapontado, no seu cepticismo de homem pr\u00e1tico. Dentro em pouco, a pequena comunidade se dispersava, \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o do manto escuro da noite.<\/p>\n<p>Na hora sombria da cruz, disfar\u00e7ado com vestes diferentes, Tom\u00e9 acompanhou, passo a passo, o corajoso Messias.<\/p>\n<p>Estranhas reflex\u00f5es surgiam-lhe no esp\u00edrito. Sua raz\u00e3o de homem do mundo n\u00e3o lhe proporcionava elementos para a compreens\u00e3o da verdade toda. Onde estava aquele Deus amoroso e bom, sobre quem repousavam as suas esperan\u00e7as? Seu amor possuiria apenas uma cruz para oferecer ao filho dileto? Por que motivo n\u00e3o se rasgavam os horizontes, para que as legi\u00f5es dos anjos salvassem do crime da multid\u00e3o inconsciente e furiosa o Mestre amado? Que Provid\u00eancia era aquela que se n\u00e3o manifestava no momento oportuno? Durante tr\u00eas anos consecutivos haviam acreditado que Deus guardava todo o poder sobre o mundo; n\u00e3o conseguia, pois, explicar como tolerava aquele espet\u00e1culo sangrento de ser o seu enviado, amor\u00e1vel e carinhoso, conduzido para o madeiro infamante, sob improp\u00e9rios e pedradas. O pr\u00eamio do Cristo era ent\u00e3o aquele monte da desola\u00e7\u00e3o, reservado aos criminosos?<\/p>\n<p>Ansioso, o disc\u00edpulo contemplou aquelas m\u00e3os que haviam semeado o bem e o amor, agora agarradas \u00e0 cruz como duas flores ensanguentadas. A fronte aureolada de espinhos era uma nota ir\u00f4nica na sua figura sublime e respeit\u00e1vel. Seu peito tremia, ofegante, seus ombros deveriam estar pisados e doloridos. Valera a pena haver distribu\u00eddo, entre os homens, tantas gra\u00e7as do c\u00e9u? O malfeitor que assaltava o pr\u00f3ximo era, agora, a seu ver, o dono de mais duradouras compensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tom\u00e9 se sentia como que afogado. Desejou encontrar algum dos companheiros para trocar impress\u00f5es, entretanto, n\u00e3o viu um s\u00f3 deles. Procurou observar se os beneficiados pelo Messias assistiam ao seu mart\u00edrio humilhante, na hora final, lembrando de que ainda na v\u00e9spera se mostravam t\u00e3o reconhecidos e felizes com a sua santa presen\u00e7a. A ningu\u00e9m encontrou. Aqueles leprosos que haviam recuperado o dom precioso da sa\u00fade, os cegos que conseguiram rever o quadro caricioso da vida, os aleijados que haviam cantado hosanas \u00e0 cura de seus corpos defeituosos, estavam agora ausentes, fugiam ao testemunho. Valera a pena praticar o bem? O ap\u00f3stolo, mergulhado em dolorosos e sombrios pensamentos, deixava absorver-se em estranhas interroga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Reparou que em torno da cruz estrugiam gargalhadas que reportavam ironias. O Mestre, contudo, guardava no semblante uma serenidade inexced\u00edvel. De vez em quando, seu olhar se alongava por sobre a multid\u00e3o, como querendo descobrir um rosto amigo.<\/p>\n<p>Sob as vocifera\u00e7\u00f5es da turba amotinada, a Tom\u00e9 parecia-lhe escutar ainda o ru\u00eddo inolvid\u00e1vel dos cravos do supl\u00edcio. Enquanto as lan\u00e7as e os vitup\u00e9rios se cruzavam nos ares, fixou os dois malfeitores que a justi\u00e7a do mundo havia condenado \u00e0 pena \u00faltima. Aproximou-se da cruz e notou que o Messias punha nele os olhos amorosos, como nos tempos mais tranquilos. Viu que um suor empastado de sangue lhe corria do rosto vener\u00e1vel, misturando-se com o vermelho das chagas vivas e dolorosas. Com aquele olhar inesquec\u00edvel, Jesus lhe mostrou as \u00falceras abertas, como o sinal do sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Penosa emo\u00e7\u00e3o dominou a alma sens\u00edvel do disc\u00edpulo. Olhos enevoados de pranto, recordou os dias radiosos do Tiber\u00edades.<\/p>\n<p>As cenas mais singelas do apostolado ressurgiam ante a sua imagina\u00e7\u00e3o. Subitamente, lembrou-se da tarde em que haviam comentado o problema da f\u00e9, parecendo-lhe ouvir ainda as elucida\u00e7\u00f5es do Mestre, com respeito \u00e0 perfeita lealdade a Deus. Reflex\u00f5es instant\u00e2neas lhe empolgaram o cora\u00e7\u00e3o. Quem teria sido mais fiel ao Pai do que Jesus? Entretanto, a sua recompensa era a cruz do mart\u00edrio! Absorto em singulares pensamentos, o ap\u00f3stolo observou que o Messias lan\u00e7ava agora os olhos enternecidos sobre um dos ladr\u00f5es, que o fixava afetuosamente.<\/p>\n<p>Nesse instante, percebeu que a voz d\u00e9bil do celerado se elevava para o Mestre, em tom de profunda sinceridade:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor! disse ele, ofegante lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino.<\/p>\n<p>O disc\u00edpulo reparou que Jesus lhe endere\u00e7ava, ent\u00e3o, o olhar caricioso, ao mesmo tempo que aos seus ouvidos chegavam os ecos de sua palavra suave e esclarecedora:<\/p>\n<p>V\u00eas, Tom\u00e9? Quando todos os homens da lei n\u00e3o me compreenderam e quando os meus pr\u00f3prios disc\u00edpulos me abandonaram, eis que encontro a confian\u00e7a leal no peito de um ladr\u00e3o! &#8230;<\/p>\n<p>Inquieto, o disc\u00edpulo meditou na li\u00e7\u00e3o recebida e, horas a fio, contemplou o espet\u00e1culo doloroso, at\u00e9 ao momento em que o Mestre foi retirado da cruz da derradeira agonia. Come\u00e7ava, ent\u00e3o, a compreender a ess\u00eancia profunda de seus ensinos imortais.<\/p>\n<p>Como se o seu esp\u00edrito fora transportado ao cume de alto monte, pareceu-lhe observar da\u00ed a pesada marcha humana. Viu consp\u00edcuos homens da lei, sobra\u00e7ando os livros divinos; doutores enfatuados de orgulho passavam eretos, exibindo os mais complicados racioc\u00ednios. Homens de convic\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas integravam o quadro, entremostrando a fisionomia satisfeita. Mulheres vaidosas ou fan\u00e1ticas l\u00e1 iam, igualmente, revelando seus t\u00edtulos diletos. Em seguida, vinham os diretamente beneficiados pelo Mestre Divino. Era a legi\u00e3o dos que se haviam levantado da mis\u00e9ria f\u00edsica e das ru\u00ednas morais. Eram os leprosos de Jerusal\u00e9m, os cegos de Cafarnaum, os doentes de S\u00eddon, os seguidores aparentemente mais sinceros, ao lado dos pr\u00f3prios disc\u00edpulos que desfilavam, envergonhados, e se dispersavam, indecisos, na hora extrema.<\/p>\n<p>Possu\u00eddo de viva emo\u00e7\u00e3o, Tom\u00e9 se p\u00f4s a chorar intimamente. Foi ent\u00e3o que presumiu escutar uns passos delicados e quase impercept\u00edveis. Sem poder explicar o que se dava, julgou divisar, a seu lado, a inolvid\u00e1vel figura do Mestre, que lhe colocou as m\u00e3os leves e amigas sobre a fronte atormentada, repetindo-lhe ao cora\u00e7\u00e3o as palavras que lhe havia endere\u00e7ado da cruz:<\/p>\n<p>V\u00eas, Tom\u00e9? Quando todos os homens da lei n\u00e3o me compreenderam e os pr\u00f3prios disc\u00edpulos me abandonaram, eis que encontro a confian\u00e7a leal no peito de um ladr\u00e3o! &#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) Alguns dias antes da pris\u00e3o do Mestre, os disc\u00edpulos, nas suas discuss\u00f5es naturais, comentavam o problema da f\u00e9, com desejo desordenado de quantos se atiram aos assuntos graves &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/28-o-bom-ladrao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":548,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1114","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1114\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}