{"id":1116,"date":"2013-06-12T22:19:01","date_gmt":"2013-06-13T01:19:01","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1116"},"modified":"2013-06-12T22:19:01","modified_gmt":"2013-06-13T01:19:01","slug":"29-os-quinhentos-da-galileia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/29-os-quinhentos-da-galileia\/","title":{"rendered":"29 &#8211; Os Quinhentos da Galil\u00e9ia"},"content":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>Depois do Calv\u00e1rio, verificadas as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de Jesus no cen\u00e1culo singelo de Jerusal\u00e9m, apossara-se de todos os amigos sinceros do Messias uma saudade imensa de sua palavra e de seu conv\u00edvio. A maioria deles se apegava aos disc\u00edpulos, como querendo reter as \u00faltimas express\u00f5es de sua mensagem carinhosa e imortal.<\/p>\n<p>O ambiente era um reposit\u00f3rio vasto de ador\u00e1veis recorda\u00e7\u00f5es. Os que eram agraciados com as vis\u00f5es do Mestre se sentiam transbordantes das mais puras alegrias. Os companheiros insepar\u00e1veis e \u00edntimos se entretinham em longos coment\u00e1rios sobre as suas reminisc\u00eancias inapag\u00e1veis.<\/p>\n<p>Foi quando Sim\u00e3o Pedro e alguns outros salientaram a necessidade do regresso a Cafarnaum, para os labores indispens\u00e1veis da vida.<\/p>\n<p>Em breves dias, as velhas redes mergulhavam de novo no Tiber\u00edades, por entre as cantigas r\u00fasticas dos pesca- dores.<\/p>\n<p>Cada onda mais larga e cada detalhe do servi\u00e7o sugeriam recorda\u00e7\u00f5es sempre vivas no tempo. As refei\u00e7\u00f5es ao ar livre lembravam o contentamento de Jesus ao partir o p\u00e3o; o trabalho, quando mais intenso, como que avivava a sua recomenda\u00e7\u00e3o de bom \u00e2nimo; a noite silenciosa reclamava sua b\u00ean\u00e7\u00e3o amiga.<\/p>\n<p>Embebidos na poesia da Natureza, os ap\u00f3stolos organizavam os mais elevados projetos, com rela\u00e7\u00e3o ao futuro do Evangelho. A resid\u00eancia modesta de Cefas, obedecendo \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos primitivos ensinamentos, continuava a ser o parlamento amistoso, onde cada um expunha os seus princ\u00edpios e as suas confid\u00eancias mais rec\u00f4nditas. Mas, ao p\u00e9 do monte onde o Cristo se fizera ouvir algumas vezes, exal\u00e7ando as belezas do Reino de Deus e da sua justi\u00e7a, reuniam-se invariavelmente todos os antigos seguidores mais fi\u00e9is, que se haviam habituado ao doce alimento de sua palavra inesquec\u00edvel. Os disc\u00edpulos n\u00e3o eram estranhos a essas rememora\u00e7\u00f5es carinhosas e, ao cair da tarde, acompanhavam a pequena corrente popular pela via das recorda\u00e7\u00f5es afetuosas.<\/p>\n<p>Falava-se vagamente de que o Mestre voltaria ao monte para despedir-se. Alguns dos ap\u00f3stolos aludiam \u00e0s vis\u00f5es em que o Senhor prometia fazer de novo ouvida a sua palavra num dos lugares prediletos das suas prega\u00e7\u00f5es de outros tempos.<\/p>\n<p>Numa tarde de azul profundo, a reduzida comunidade de amigos do Messias, ao lado da pequena multid\u00e3o, reuniu-se em preces, no s\u00edtio solit\u00e1rio. Jo\u00e3o havia comentado as promessas do Evangelho, enquanto na encosta se amontoava a assembleia dos fi\u00e9is seguidores do Mestre. Viam-se, ali, algumas centenas de rostos embevecidos e ansiosos. Eram romanos de mistura com judeus desconhecidos, mulheres humildes conduzindo os filhos pobres e descal\u00e7os, velhos respeit\u00e1veis, cujos cabelos alvejavam da neve dos repetidos invernos da vida.<\/p>\n<p>Nesse dia, como que a antiga atmosfera se fazia sentir mais fortemente. Por instinto, todos tinham a impress\u00e3o de que o Mestre voltaria a ensinar as bem-aventuran\u00e7as celestiais. Os ventos recendiam suave perfume, trazendo as harmonias do lago pr\u00f3ximo. Do c\u00e9u muito azul, como em festa para receber a claridade das primeiras estrelas, parecia descer uma tranquilidade imensa que envolvia todas as coisas. Foi nesse instante, de indiz\u00edvel grandiosidade, que a figura do Cristo assomou no cume iluminado pelos derradeiros raios do Sol.<\/p>\n<p>Era Ele.<\/p>\n<p>Seu sorriso desabrochava t\u00e3o meigo como ao tempo glorioso de suas primeiras prega\u00e7\u00f5es, mas de todo o seu vulto se irradiava luz t\u00e3o intensa que os mais fortes dobraram os joelhos. Alguns solu\u00e7avam de j\u00fabilo, presas das emo\u00e7\u00f5es mais belas de sua vida. As m\u00e3os do Mestre tomaram a atitude de quem aben\u00e7oava, enquanto um divino sil\u00eancio parecia penetrar a alma das coisas. A palavra articulada n\u00e3o tomou parte naquele banquete de luz imaterial; todos, por\u00e9m, lhe perceberam a amorosa despedida e, no mais \u00edntimo da alma, lhe ouviram a exorta\u00e7\u00e3o magn\u00e2nima e profunda:<\/p>\n<p>\u201cAmados a cada um se afigurou escutar na c\u00e2mara secreta do cora\u00e7\u00e3o \u2014, eis que retomo a vida em meu Pai para regressar \u00e0 luz do meu Reino! &#8230; Enviei meus disc\u00edpulos como ovelhas ao meio de lobos e vos recomendo que lhes sigais os passos no escabroso caminho. Depois deles, \u00e9 a v\u00f3s que confio a tarefa sublime da reden\u00e7\u00e3o pelas verdades do Evangelho. Eles ser\u00e3o os semeadores, v\u00f3s sereis o fermento divino. Instituo-vos os primeiros trabalhadores, os herdeiros iniciais dos bens divinos. Para entrardes na posse do tesouro celestial, muita vez experimentareis o mart\u00edrio da cruz e o fel da ingratid\u00e3o&#8230; Em conflito permanente com o mundo, estareis na Terra, fora de suas leis implac\u00e1veis e ego\u00edstas, at\u00e9 que as bases do meu Reino de conc\u00f3rdia e justi\u00e7a se estabele\u00e7am no esp\u00edrito das criaturas. Negai-vos a v\u00f3s mesmos, como neguei a minha pr\u00f3pria vontade na execu\u00e7\u00e3o dos des\u00edgnios de Deus, e tomai a vossa cruz para seguir-me.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e9culos de luta vos esperam na estrada universal. \u00c9 preciso imunizar o cora\u00e7\u00e3o contra todos os enganos da vida transit\u00f3ria, para a soberana grandeza da vida imortal. Vossas sendas estar\u00e3o repletas de fantasmas de aniquilamento e de vis\u00f5es de morte. O mundo inteiro se levantar\u00e1 contra v\u00f3s, em obedi\u00eancia espont\u00e2nea \u00e0s for\u00e7as tenebrosas do mal, que ainda lhe dominam as fronteiras.<\/p>\n<p>Sereis escarnecidos e aparentemente desamparados; a dor vos assolar\u00e1 as esperan\u00e7as mais caras; andareis esquecidos na Terra, em supremo abandono do cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o participa- reis do venenoso banquete das posses materiais, sofrereis a persegui\u00e7\u00e3o e o terror, tereis o cora\u00e7\u00e3o coberto de cicatrizes e de ultrajes. A chaga \u00e9 o vosso sinal, a coroa de espinhos o vosso s\u00edmbolo, a cruz o recurso ditoso da reden\u00e7\u00e3o. Vossa voz ser\u00e1 a do deserto, provocando, muitas vezes, o esc\u00e1rnio e a nega\u00e7\u00e3o da parte dos que dominam na carne perec\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cMas, no desenrolar das batalhas incruentas do cora\u00e7\u00e3o, quando todos os horizontes estiverem abafados pelas sombras da crueldade, dar-vos-ei da minha paz, que representa a \u00e1gua viva. Na exist\u00eancia ou na morte do corpo, estareis unidos ao meu Reino. O mundo vos cobrir\u00e1 de golpes terr\u00edveis e destruidores, mas, de cada uma das vossas feridas, retirarei o trigo luminoso para os celeiros infinitos da gra\u00e7a, destinados ao sustento das mais \u00ednfimas criaturas! &#8230; At\u00e9 que o meu Reino se estabele\u00e7a na Terra, n\u00e3o conhecereis o amor no mundo; eu, no entanto, encherei a vossa solid\u00e3o com a minha assist\u00eancia incessante. Gozarei em v\u00f3s, como gozareis em mim, o j\u00fabilo celeste da execu\u00e7\u00e3o fiel dos des\u00edgnios de Deus. Quando tombardes, sob as arremetidas dos homens ainda pobres e infelizes, eu vos levantarei no sil\u00eancio do caminho, com as minhas m\u00e3os dedicadas ao vosso bem. Sereis a uni\u00e3o onde houver separatividade, sacrif\u00edcio onde existir o falso gozo, claridade onde campearem as trevas, porto amigo, edificado na rocha da f\u00e9 viva, onde pairarem as sombras da desorienta\u00e7\u00e3o. Sereis meu ref\u00fagio nas igrejas mais estranhas da Terra, minha esperan\u00e7a entre as loucuras humanas, minha verdade onde se perturbar a ci\u00eancia incompleta do mundo! &#8230;<\/p>\n<p>\u201cAmados, eis que tamb\u00e9m vos envio como ovelhas aos caminhos obscuros e \u00e1speros. Entretanto, nada temais! Sede fi\u00e9is ao meu cora\u00e7\u00e3o, como vos sou fiel, e o bom \u00e2nimo representar\u00e1 a vossa estrela! Ide ao mundo, onde teremos de vencer o mal! Aperfei\u00e7oemos a nossa escola milen\u00e1ria, para que a\u00ed seja interpretada e posta em pr\u00e1tica a lei de amor do Nosso Pai, em obedi\u00eancia feliz \u00e0 sua vontade augusta!\u201d<\/p>\n<p>Sagrada emo\u00e7\u00e3o senhoreara-se das almas em \u00eaxtase de ventura. Foi ent\u00e3o que observaram o Mestre, rodeado de luz, como a elevar-se ao c\u00e9u, em demanda de sua gloriosa esfera do Infinito.<\/p>\n<p>Os primeiros astros da noite brilhavam no alto, como flores radiosas do Para\u00edso.<\/p>\n<p>No monte galileu, cinco centenas de cora\u00e7\u00f5es palpitavam, arrebatados por intraduz\u00edvel j\u00fabilo. Velhos tr\u00eamulos e encarquilhados desceram a encosta, unidos uns aos outros, como solid\u00e1rios, para sempre, no mesmo trabalho de grandeza imperec\u00edvel. Anci\u00e3s de passo vacilante, coroadas pela neve das experi\u00eancias da vida, abra\u00e7avam-se \u00e0s filhas e netas, jovens e ditosas, tomadas de indefin\u00edvel embriaguez d\u2019alma. Romanos e judeus, ricos e pobres confraternizavam, felizes, adivinhando a necessidade de coopera\u00e7\u00e3o na tarefa santa. Os antigos disc\u00edpulos, cercando a figura de Sim\u00e3o Pedro, choravam de contentamento e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Naquela noite de imperec\u00edvel recorda\u00e7\u00e3o, foi confiado aos quinhentos da Galil\u00e9ia o servi\u00e7o glorioso da evangeliza\u00e7\u00e3o das coletividades terrestres, sob a inspira\u00e7\u00e3o de Jesus-Cristo. Mal sabiam eles, na sua m\u00edsera condi\u00e7\u00e3o humana, que a palavra do Mestre alcan\u00e7aria os s\u00e9culos do porvir. E foi assim que, representando o fermento renovador do mundo, eles reencarnaram em todos os tempos, nos mais diversos climas religiosos e pol\u00edticos do planeta, ensinando a verdade e abrindo novos caminhos de luz, atrav\u00e9s dos bastidores eternos do Tempo.<\/p>\n<p>Foram eles os primeiros a transmitir a sagrada vibra\u00e7\u00e3o de coragem e confian\u00e7a aos que tombaram nos campos do mart\u00edrio, semeando a f\u00e9 no cora\u00e7\u00e3o pervertido das criaturas. Nos circos da vaidade humana, nas fogueiras e nos supl\u00edcios, ensinaram a li\u00e7\u00e3o de Jesus, com resignado hero\u00edsmo. Nas artes e nas ci\u00eancias, plantaram concep\u00e7\u00f5es novas de desprendimento do mundo e de belezas do c\u00e9u e, no seio das mais variadas religi\u00f5es da Terra, continuam revelando o desejo do Cristo, que \u00e9 de uni\u00e3o e de amor, de fraternidade e conc\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Na qualidade de disc\u00edpulos sinceros e bem-amados, desceram aos abismos mais tenebrosos, redimindo o mal com os seus sacrif\u00edcios purificadores, convertendo, com as luzes do Evangelho, \u00e0 corrente da reden\u00e7\u00e3o, os esp\u00edritos mais empedernidos. Abandonados e desprotegidos na Terra, eles passam, edificando no sil\u00eancio as magnific\u00eancias do Reino de Deus, nos pa\u00edses dos cora\u00e7\u00f5es e, multiplicando as notas de seu c\u00e2ntico de gl\u00f3ria por entre os que se constituem instrumentos sinceros do bem com Jesus-Cristo, formam a caravana sublime que nunca se dissolver\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221; de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) Depois do Calv\u00e1rio, verificadas as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de Jesus no cen\u00e1culo singelo de Jerusal\u00e9m, apossara-se de todos os amigos sinceros do Messias uma saudade imensa de sua palavra &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/29-os-quinhentos-da-galileia\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":548,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1116","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1116\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}