{"id":1200,"date":"2013-06-23T10:08:46","date_gmt":"2013-06-23T13:08:46","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1200"},"modified":"2017-07-28T08:17:21","modified_gmt":"2017-07-28T11:17:21","slug":"17-da-pneumatografia-e-da-pneumatofonia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/17-da-pneumatografia-e-da-pneumatofonia\/","title":{"rendered":"17 &#8211; Da Pneumatografia e da Pneumatofonia"},"content":{"rendered":"<p>CAP\u00cdTULO XII<\/p>\n<p><b>DA PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA.<\/b><\/p>\n<p><b>DA PNEUMATOFONIA<\/b><\/p>\n<p><b>Escrita direta<\/b><\/p>\n<p>146. <i>A pneumatografia \u00e9 a <\/i>escrita produzida diretamente pelo Esp\u00edrito, sem intermedi\u00e1rio algum; difere da <i>psicografia, <\/i>por ser esta a transmiss\u00e3o do pensamento do Esp\u00edrito, mediante a escrita feita com a m\u00e3o do m\u00e9dium.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno da escrita direta \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 negar, um dos mais extraordin\u00e1rios do Espiritismo; mas, por muito anormal que pare\u00e7a, \u00e0 primeira vista, constitui hoje fato averiguado e incontest\u00e1vel. A teoria, sempre necess\u00e1ria, para nos inteirarmos da possibilidade dos fen\u00f4menos esp\u00edritas em geral, talvez mais necess\u00e1ria ainda se faz neste caso que, sem contesta\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos mais estranhos que se possam apresentar, por\u00e9m que deixa de parecer sobrenatural, desde que se lhe compreenda o princ\u00edpio.<\/p>\n<p>Da primeira vez que este fen\u00f4meno se produziu, a da d\u00favida foi a impress\u00e3o dominante que deixou. Logo acudiu aos que o presenciaram a id\u00e9ia de um embuste. Toda gente, com efeito, conhece a a\u00e7\u00e3o das tintas chamadas simp\u00e1ticas, cujos tra\u00e7os, a princ\u00edpio completamente invis\u00edveis, aparecem ao cabo de algum tempo. Podia, pois, dar-se que houvessem, por esse meio, abusado da credulidade dos assistentes e longe nos achamos de afirmar que nunca o tenham feito. Estamos at\u00e9 convencidos de que algumas pessoas, seja com intuitos mercantis, seja apenas por amor-pr\u00f3prio e para fazer acreditar nas suas faculdades, h\u00e3o empregado subterf\u00fagios. (Veja-se o cap\u00edtulo das <i>Fraudes).<\/i><\/p>\n<p>Entretanto, do fato de se poder imitar uma coisa, fora absurdo concluir-se pela sua inexist\u00eancia. Nestes \u00faltimos tempos, n\u00e3o se h\u00e1 encontrado meio de imitar a lucidez sonamb\u00falica, ao ponto de causar ilus\u00e3o? Mas, por que esse processo de escamotea\u00e7\u00e3o se tenha exibido em todas as feiras, dever-se-\u00e1 concluir que n\u00e3o haja verdadeiros son\u00e2mbulos? Por que certos comerciantes vendem vinho falsificado, ser\u00e1 uma raz\u00e3o para que n\u00e3o haja vinho puro? O mesmo sucede com a escrita direta. Bem simples e f\u00e1ceis eram, ali\u00e1s, as precau\u00e7\u00f5es a serem tomadas para garantir da realidade do fato e, gra\u00e7as a essas precau\u00e7\u00f5es, j\u00e1 hoje ele n\u00e3o pode constituir objeto da mais ligeira d\u00favida.<\/p>\n<p>147. Uma vez que a possibilidade de escrever sem intermedi\u00e1rio representa um dos atributos do Esp\u00edrito; uma vez que os Esp\u00edritos sempre existiram desde todos os tempos e que desde todos os tempos se h\u00e3o produzindo os diversos fen\u00f4menos que conhecemos, o da escrita direta igualmente se h\u00e1 de ter operado na antiguidade, tanto quanto nos dias atuais. Deste modo \u00e9 que se pode explicar o aparecimento das tr\u00eas palavras c\u00e9lebres, na sala do festim de Baltazar. A Idade M\u00e9dia, t\u00e3o fecunda em prod\u00edgios ocultos, mas que eram abafados por meio das fogueiras, tamb\u00e9m conheceu necessariamente a escrita direta, e poss\u00edvel \u00e9 que na teoria das modifica\u00e7\u00f5es por que os Esp\u00edritos podem fazer passar a mat\u00e9ria, teoria que desenvolvemos no cap\u00edtulo VIII, se encontre o fundamento da cren\u00e7a na transmuta\u00e7\u00e3o dos metais.<\/p>\n<p>Todavia, quaisquer que tenham sido os resultados obtidos em diversas \u00e9pocas, s\u00f3 depois de vulgarizadas as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas foi que se tomou a s\u00e9rio a quest\u00e3o da escrita direta. Ao que parece, o primeiro a torn\u00e1-la conhecida, estes \u00faltimos anos, em Paris, foi o bar\u00e3o de Guldenstubbe, que publicou sobre o assunto uma obra muito interessante, com grande n\u00famero de <i>fac similes <\/i>das escritas que obteve (1). O fen\u00f4meno j\u00e1 era conhecido na Am\u00e9rica, havia algum tempo. A posi\u00e7\u00e3o social do Sr. Guldenstubbe, sua independ\u00eancia, a considera\u00e7\u00e3o de que goza nas mais elevadas rodas incontestavelmente afastam toda suspeita de fraude intencional, porquanto nenhum motivo de interesse havia a que ele obedecesse. Quando muito, o que se poderia supor, \u00e9 que fora v\u00edtima de uma ilus\u00e3o; a isto, por\u00e9m, um fato responde peremptoriamente: o de haverem outras pessoas obtido o mesmo fen\u00f4meno, cercadas de todas as precau\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para evitar qualquer embuste e qualquer causa de erro.<\/p>\n<p>148. A escrita direta se obt\u00e9m, como, em geral, a maior parte das manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas <i>n\u00e3o espont\u00e2neas, <\/i>por meio da concentra\u00e7\u00e3o, da prece e da evoca\u00e7\u00e3o. T\u00eam-se produzido em igrejas, sobre t\u00famulos, no sop\u00e9 de est\u00e1tuas, ou imagens de personagens evocadas. Evidente, por\u00e9m, \u00e9 que o local nenhuma outra influ\u00eancia exerce, al\u00e9m da de facultar maior recolhimento espiritual e maior concentra\u00e7\u00e3o dos pensamentos; porquanto, provado est\u00e1 que o fen\u00f4meno se obt\u00e9m, igualmente, sem esses acess\u00f3rios e nos lugares mais comuns, sobre um simples m\u00f3vel caseiro, desde que os que desejam obt\u00ea-lo se achem nas devidas condi\u00e7\u00f5es morais e que entre esses se encontre quem possua a necess\u00e1ria faculdade medi\u00fanica. &#8211; (1) <i>A realidade dos Esp\u00edritos e de suas manifesta\u00e7\u00f5es <\/i>demonstrada mediante o fen\u00f4meno da escrita direta pelo bar\u00e3o de Guldenstubbe, 1 vol. in-8\u00b0, com 15 estampas e 93 <i>f a c similes. &#8211; <\/i><\/p>\n<p>Julgou-se, a princ\u00edpio, ser preciso colocar-se aqui ou ali um l\u00e1pis com o papel. O fato ent\u00e3o podia, at\u00e9 certo ponto, explicar-se. E sabido que os Esp\u00edritos produzem o movimento e a desloca\u00e7\u00e3o dos objetos; que, algumas vezes, os tomam e atiram longe. Bem podiam, pois, tomar tamb\u00e9m do l\u00e1pis e servir-se dele para tra\u00e7ar letras. Visto que o impulsionam, utilizando-se da m\u00e3o do m\u00e9dium, de uma prancheta, etc., podiam, do mesmo modo, impulsion\u00e1-lo diretamente. N\u00e3o tardou, por\u00e9m, se reconhecesse que o l\u00e1pis era dispens\u00e1vel, que bastava um peda\u00e7o de papel, dobrado ou n\u00e3o, para que, ao cabo de alguns minutos, se achassem nele grafadas letras. Aqui, j\u00e1 o fen\u00f4meno muda completamente de aspecto e nos transporta a uma ordem inteiramente nova de coisas. As letras h\u00e3o de ter sido tra\u00e7adas com uma subst\u00e2ncia qualquer. Ora, sendo certo que ningu\u00e9m forneceu ao Esp\u00edrito essa subst\u00e2ncia, segue-se que ele pr\u00f3prio a comp\u00f4s.<\/p>\n<p>Donde a tirou? Esse o problema.<\/p>\n<p>Quem queira reportar-se \u00e0s explica\u00e7\u00f5es dadas no cap\u00edtulo VIII, ns. 127 e 128, encontrar\u00e1 completa a teoria do fen\u00f4meno. Para escrever dessa maneira, o Esp\u00edrito n\u00e3o se serve das nossas subst\u00e2ncias, nem dos nossos instrumentos. &#8211; Ele pr\u00f3prio fabrica a mat\u00e9ria e os instrumentos de que h\u00e1 mister, tirando, para isso, os materiais precisos, do elemento primitivo universal que, pela a\u00e7\u00e3o da sua vontade, sofre as modifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do efeito desejado. Poss\u00edvel lhe \u00e9, portanto, fabricar tanto o l\u00e1pis vermelho, a tinta de imprimir, a tinta comum, como o l\u00e1pis preto, ou, at\u00e9, caracteres tipogr\u00e1ficos bastante resistentes para darem relevo \u00e0 escrita, conforme temos tido ensejo de verificar. A filha de um senhor que conhecemos, menina de 12 a 13 anos, obteve p\u00e1ginas e p\u00e1ginas escritas com uma subst\u00e2ncia an\u00e1loga ao pastel.<\/p>\n<p>149. Tal o resultado a que nos conduziu o fen\u00f4meno da tabaqueira, descrito no cap\u00edtulo VII, n. 116, e sobre o qual nos estendemos longamente, porque nele percebemos oportunidade para perscrutarmos uma das mais importantes leis do Espiritismo, lei cujo conhecimento pode esclarecer mais de um mist\u00e9rio, mesmo do mundo vis\u00edvel. Assim \u00e9 que, de um fato aparentemente vulgar, pode sair a luz. Tudo est\u00e1 em observar com cuidado e isso todos podem fazer como n\u00f3s, desde que se n\u00e3o limitem a observar efeitos, sem lhes procurarem as causas. Se a nossa f\u00e9 se fortalece de dia para dia, \u00e9 porque compreendemos. Tratai, pois, de compreender, se quiserdes fazer pros\u00e9litos s\u00e9rios. Ainda outro resultado decorre da compreens\u00e3o das causas: o de deixar riscada uma linha divis\u00f3ria entre a verdade e a supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando a escrita direta do ponto de vista das vantagens que possa oferecer, diremos que, at\u00e9 ao presente, sua principal utilidade h\u00e1 consistido na comprova\u00e7\u00e3o material de um fato s\u00e9rio: a interven\u00e7\u00e3o de um poder oculto que, nesse fen\u00f4meno, tem mais um meio de se manifestar. Todavia, raramente s\u00e3o extensas as comunica\u00e7\u00f5es que por essa forma se obt\u00eam. Em geral espont\u00e2neas, elas se reduzem a algumas palavras ou proposi\u00e7\u00f5es e, \u00e0s vezes, a sinais inintelig\u00edveis. T\u00eam sido dadas em todas as l\u00ednguas: em grego, em latim, em s\u00edrio, em caracteres hierogl\u00edficos, etc., mas ainda se n\u00e3o prestaram \u00e0s disserta\u00e7\u00f5es seguidas e r\u00e1pidas, como permite a psicografia ou a escrita pela m\u00e3o do m\u00e9dium.<\/p>\n<p><b>Pneumatofonia<\/b><\/p>\n<p>150. Dado que podem produzir ru\u00eddos e pancadas, os Esp\u00edritos podem igualmente fazer se ou\u00e7am gritos de toda esp\u00e9cie e sons vocais que imitam a voz humana, assim ao nosso lado, como nos ares. A este fen\u00f4meno \u00e9 que damos o nome de <i>pneumatofonia. <\/i>Pelo que sabemos da natureza dos Esp\u00edritos, podemos supor que, dentre eles, alguns, de ordem inferior, se iludem e julgam falar como quando vivos. &#8211; (Veja-se <i>Revue Spirite, <\/i>fevereiro de 1858: <i>Hist\u00f3ria da apari\u00e7\u00e3o de Mlle. Clairon.)<\/i><\/p>\n<p>Devemos, entretanto, preservar-nos de tomar por vozes ocultas todos os sons que n\u00e3o tenham causa conhecida, ou simples zumbidos, e, sobretudo, de dar o menor cr\u00e9dito \u00e0 cren\u00e7a vulgar de que, quando o ouvido nos zune, \u00e9 que nalguma parte est\u00e3o falando de n\u00f3s. Ali\u00e1s, nenhuma significa\u00e7\u00e3o t\u00eam esses zunidos, cuja causa \u00e9 puramente fisiol\u00f3gica, ao passo que os sons pneumatof\u00f4nicos exprimem pensamentos e nisso est\u00e1 o que nos faz reconhecer que s\u00e3o devidos a uma causa inteligente e n\u00e3o acidental. Pode-se estabelecer, como princ\u00edpio, que os efeitos <i>notoriamente inteligentes <\/i>s\u00e3o os \u00fanicos capazes de atestar a interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos. Quanto aos outros, h\u00e1 pelo menos cem probabilidades contra uma de serem oriundos de causas fortuitas.<\/p>\n<p>151. Acontece frequentemente ouvirmos, de modo distinto, quando nos achamos meio adormecidos, palavras, nomes, \u00e0s vezes frases inteiras, ditas com tal intensidade que nos despertam, espantados. Se bem nalguns casos possa haver ai, na realidade, uma manifesta\u00e7\u00e3o, esse fen\u00f4meno nada de bastante positivo apresenta, para que tamb\u00e9m possa ser atribu\u00eddo a uma causa an\u00e1loga \u00e0 que estudamos desenvolvidamente na teoria da alucina\u00e7\u00e3o, cap\u00edtulo VI, ns. 111 e seguintes. Demais, nenhuma seq\u00fc\u00eancia tem o que de tal maneira se escuta. O mesmo, no entanto, n\u00e3o acontece, quando se est\u00e1 inteiramente acordado, porque, ent\u00e3o, se \u00e9 um Esp\u00edrito que se faz ouvir, quase sempre se podem trocar id\u00e9ias com ele e travar uma conversa\u00e7\u00e3o regular.<\/p>\n<p>Os sons esp\u00edritas, os pneumatof\u00f4nicos se produzem de duas maneiras distintas: \u00e0s vezes, \u00e9 uma voz interior que repercute no nosso foro \u00edntimo, nada tendo, por\u00e9m, de material as palavras, conquanto sejam claramente percept\u00edveis; outras vezes, s\u00e3o exteriores e nitidamente articuladas, como se proviessem de uma pessoa que nos estivesse ao lado.<\/p>\n<p>De um modo, ou de outro, o fen\u00f4meno da pneumatofonia \u00e9 quase sempre espont\u00e2neo e s\u00f3 muito raramente pode ser provocado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAP\u00cdTULO XII DA PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA. DA PNEUMATOFONIA Escrita direta 146. 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