{"id":1306,"date":"2013-07-12T22:05:09","date_gmt":"2013-07-13T01:05:09","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1306"},"modified":"2013-07-12T22:05:09","modified_gmt":"2013-07-13T01:05:09","slug":"atmosfera-espiritual","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/ciencia\/atmosfera-espiritual\/","title":{"rendered":"Atmosfera Espiritual"},"content":{"rendered":"<p><b>Allan Kardec<\/b><\/p>\n<p>(Extra\u00eddo do site: www.bvespirita.com)<\/p>\n<p>(<i>Revue Spirite<\/i>, maio de 1867, pp. 129-132.)<\/p>\n<p>O Espiritismo nos ensina que os Esp\u00edritos constituem a popula\u00e7\u00e3o invis\u00edvel do globo; que est\u00e3o no espa\u00e7o e entre n\u00f3s, vendo-nos e acotovelando-nos incessantemente, de tal modo que, quando nos julgamos s\u00f3s, temos constantemente testemunhas secretas de nossas a\u00e7\u00f5es e pensamentos. Isso pode, para certas pessoas, parecer constrangedor; mas, sendo um fato, n\u00e3o se pode impedir que o seja. Cabe a cada um proceder como o homem virtuoso que n\u00e3o temeria que sua casa fosse feita de vidro. A essa causa, sem d\u00favida, \u00e9 que se deve atribuir a revela\u00e7\u00e3o de tantas torpezas e m\u00e1s a\u00e7\u00f5es que se acreditavam ocultas na sombra.<\/p>\n<p>Sabemos, ademais, que numa reuni\u00e3o sempre h\u00e1, al\u00e9m dos seres corporais, os assistentes invis\u00edveis; que, sendo a permeabilidade uma das propriedades do organismo dos Esp\u00edritos, estes podem achar-se em n\u00famero ilimitado, mesmo num espa\u00e7o circunscrito. Disseram-nos muitas vezes que em certas sess\u00f5es havia inumer\u00e1veis Esp\u00edritos. Na explica\u00e7\u00e3o dada ao Sr. Bertrand acerca das comunica\u00e7\u00f5es coletivas que obteve, afirma-se que o n\u00famero de Esp\u00edritos presentes era t\u00e3o grande que a atmosfera estava, por assim dizer,\u00a0<i>saturada\u00a0<\/i>de seus fluidos. Tal fato n\u00e3o \u00e9 novo para os esp\u00edritas; todavia, talvez n\u00e3o se hajam deduzido dele todas as conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>Sabe-se que os fluidos que emanam dos Esp\u00edritos s\u00e3o mais ou menos salutares, conforme o seu grau de depura\u00e7\u00e3o. Conhece-se seu poder curativo, em certos casos, bem como seus efeitos m\u00f3rbidos, de um indiv\u00edduo sobre outro. Ora, visto que o ar pode ser\u00a0<i>saturado\u00a0<\/i>desses fluidos, n\u00e3o \u00e9 evidente que, conforme a natureza dos Esp\u00edritos que se re\u00fanem em um determinado lugar, o ar ambiente esteja impregnado de elementos salutares ou mals\u00e3os, elementos esses que exercem influ\u00eancia tanto sobre a sa\u00fade f\u00edsica como moral dos que nele se encontrem? Quando se considera a energia da a\u00e7\u00e3o que um \u00fanico Esp\u00edrito pode exercer sobre um homem, ser\u00e1 de surpreender a que resulte de uma aglomera\u00e7\u00e3o de centenas ou milhares de Esp\u00edritos? Tal a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 boa ou m\u00e1, segundo seja ben\u00e9fico ou mal\u00e9fico o fluido que os Esp\u00edritos vertam num determinado ambiente, fluido que age de modo semelhante \u00e0s emana\u00e7\u00f5es fortificantes ou aos miasmas delet\u00e9rios que se disseminam no ar. Desse modo podem-se explicar certos efeitos coletivos que se produzem sobre as massas de pessoas; a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar ou mal-estar que se experimenta em determinados meios, sem causa aparente conhecida; o arrastamento coletivo para o bem ou para o mal; os impulsos generosos, o entusiasmo ou o desencorajamento, a esp\u00e9cie de vertigem que por vezes se apodera de toda uma assembl\u00e9ia, de toda um cidade, ou mesmo de todo um povo. Cada indiv\u00edduo sofre, proporcionalmente ao seu grau de sensibilidade, a influ\u00eancia dessa atmosfera viciada ou vivificante. Nesse fato indubit\u00e1vel sobre as rela\u00e7\u00f5es do mundo espiritual com o corporal, confirmado pela teoria e pela experi\u00eancia, encontramos um novo princ\u00edpio de higiene, que um dia a ci\u00eancia far\u00e1 seja reconhecido por todos.<\/p>\n<p>Poderemos subtrair-nos a essas influ\u00eancias, que emanam de fonte inacess\u00edvel aos meios materiais? Sem nenhuma d\u00favida! Pois do mesmo modo que saneamos os lugares insalubres, destruindo a fonte dos miasmas pestilentos, podemos sanear a atmosfera moral que nos envolve, subtraindo-nos \u00e0s influ\u00eancias perniciosas dos fluidos espirituais mals\u00e3os; e de forma mais f\u00e1cil do que escapamos \u00e0s exala\u00e7\u00f5es pantanosas, j\u00e1 que isso depende unicamente de nossa vontade. Esse n\u00e3o ser\u00e1 um dos menores benef\u00edcios do Espiritismo, quando for compreendido, e sobretudo praticado, universalmente.<\/p>\n<p>Um princ\u00edpio perfeitamente comprovado para todo esp\u00edrita \u00e9 que as qualidades do fluido espiritual est\u00e3o na raz\u00e3o direta das qualidades do Esp\u00edrito encarnado ou desencarnado. Quanto mais elevados e desprendidos das influ\u00eancias da mat\u00e9ria forem seus sentimentos, mais depurado ser\u00e1 seu fluido. De acordo com os pensamentos dominantes que tenha, um encarnado irradia fluidos impregnados desses pensamentos, que os viciam ou saneiam; fluidos realmente materiais, embora impalp\u00e1veis, invis\u00edveis para os olhos do corpo, percept\u00edveis por\u00e9m aos sentidos perispirituais e vis\u00edveis aos olhos da alma, dado que impressionam fisicamente e assumem apar\u00eancias muito diversas, para aqueles que s\u00e3o dotados da vista espiritual.<\/p>\n<p>A mera presen\u00e7a de encarnados numa assembl\u00e9ia determina, pois, que os fluidos ambientes sejam salubres ou insalubres, segundo sejam bons ou maus os pensamentos a\u00ed dominantes. Quem quer que alimente pensamentos de \u00f3dio, inveja, ci\u00fame, orgulho, ego\u00edsmo, animosidade, cupidez, falsidade, hipocrisia, maledic\u00eancia, malevol\u00eancia \u2013 em uma palavra, pensamentos provenientes da fonte das paix\u00f5es m\u00e1s \u2013 espalha ao seu redor efl\u00favios flu\u00eddicos mals\u00e3os, que reagem sobre os que estejam \u00e0 sua volta. Numa assembl\u00e9ia em que, ao contr\u00e1rio, cada um traga apenas sentimentos de bondade, de caridade, de humildade, de devotamento desinteressado, de benevol\u00eancia e amor ao pr\u00f3ximo, o ar estar\u00e1 impregnado de emana\u00e7\u00f5es salutares, em meio \u00e0s quais sentimos bem-estar.<\/p>\n<p>Se considerarmos, agora, que os pensamentos atraem pensamentos de mesma natureza, e que os fluidos atraem fluidos similares, compreenderemos que cada indiv\u00edduo traz consigo um cortejo de Esp\u00edritos que lhe s\u00e3o simp\u00e1ticos, bons ou maus, e que, assim, o ar ser\u00e1\u00a0<i>saturado\u00a0<\/i>de fluidos correspondentes aos pensamentos predominantes. Se os maus pensamentos est\u00e3o em minoria, n\u00e3o impedem que as boas influ\u00eancias se fa\u00e7am presentes, mas estas ficam paralisadas. Se eles dominam, enfraquecem a irradia\u00e7\u00e3o flu\u00eddica dos Esp\u00edritos bons, ou mesmo, por vezes, impedem que os fluidos bons penetrem no ambiente, do mesmo modo que a n\u00e9voa enfraquece ou barra os raios do Sol.<\/p>\n<p>Qual, portanto, o meio de nos subtrairmos \u00e0 influ\u00eancia dos maus fluidos? Ele ressalta do estudo da pr\u00f3pria causa que produz o mal. Que fazemos quando reconhecemos que um alimento \u00e9 prejudicial \u00e0 sa\u00fade? Rejeitamo-lo, substituindo-o por um mais saud\u00e1vel. Ora, visto que s\u00e3o os maus pensamentos que engendram os maus fluidos e os atraem, \u00e9 preciso que nos esforcemos para ter somente bons pensamentos, repelindo tudo o que for ruim, da mesma forma que repelimos um alimento que pode nos tornar doentes \u2013 em uma palavra, \u00e9 preciso trabalhar por nossa melhoria moral. Servindo-nos de uma compara\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, devemos \u201cn\u00e3o apenas limpar o vaso por fora, mas limp\u00e1-lo sobretudo por dentro\u201d.<\/p>\n<p>Melhorando-se, a Humanidade ver\u00e1 depurar-se a atmosfera flu\u00eddica em meio \u00e0 qual vive, porque n\u00e3o lhe derramar\u00e1 sen\u00e3o bons fluidos, sendo que estes opor\u00e3o barreira \u00e0 invas\u00e3o dos maus. Se um dia a Terra vier a ser ocupada apenas por homens que pratiquem entre si as leis divinas do amor e da caridade, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ent\u00e3o eles se encontrar\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de higiene f\u00edsica e moral muito diferentes das que existem hoje.<\/p>\n<p>Esse tempo est\u00e1 certamente distante, mas, enquanto n\u00e3o chega, tais condi\u00e7\u00f5es melhores podem existir parcialmente, cabendo \u00e0s assembl\u00e9ias esp\u00edritas justamente fornecer o exemplo. Os que conhecem a luz ser\u00e3o tanto mais repreens\u00edveis quanto houverem possu\u00eddo entre as m\u00e3os os meios de se iluminar; ser\u00e3o responsabilizados pelos atrasos que seu mau exemplo e sua m\u00e1-vontade acarretarem para o processo de melhoria geral.<\/p>\n<p>Trata-se de uma utopia, de uma declama\u00e7\u00e3o v\u00e3? N\u00e3o; \u00e9 uma dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica dos pr\u00f3prios fatos que o Espiritismo a cada dia nos revela. Efetivamente, o Espiritismo nos prova que o elemento espiritual, que at\u00e9 hoje se considerou como a ant\u00edtese do elemento material, guarda com ele uma conex\u00e3o \u00edntima, de onde resulta uma multid\u00e3o de fen\u00f4menos ainda n\u00e3o observados ou compreendidos.<\/p>\n<p>Quando a ci\u00eancia houver assimilado os elementos fornecidos pelo Espiritismo, da\u00ed tirar\u00e1 novos e importantes recursos para a pr\u00f3pria melhoria material da Humanidade. Vemos, assim, ampliar-se diariamente o c\u00edrculo das aplica\u00e7\u00f5es da doutrina, que est\u00e1 longe de restringir-se ao fen\u00f4meno pueril das mesas girantes, como alguns ainda pensam. O Espiritismo n\u00e3o tomou verdadeiramente impulso sen\u00e3o quando entrou pela via filos\u00f3fica. Ficou ent\u00e3o menos divertido para certas pessoas, que nele buscavam apenas uma distra\u00e7\u00e3o; mas por outro lado passou a ser apreciado por pessoas s\u00e9rias, e o ser\u00e1 cada vez mais, \u00e0 medida que for melhor compreendido em suas conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>O Livro dos Esp\u00edritos<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><b>INTRODU\u00c7\u00c3O AO ESTUDO DA DOUTRINA ESP\u00cdRITA I ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO<\/b><\/p>\n<p>Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confus\u00e3o inerente aos m\u00faltiplos sentidos dos pr\u00f3prios voc\u00e1bulos. As palavras\u00a0<b>espiritual, espiritualista, espiritualismo\u00a0<\/b>t\u00eam uma significa\u00e7\u00e3o bem definida; dar-lhes outra, para aplic\u00e1-las \u00e0 Doutrina dos Esp\u00edritos, seria multiplicar as causas j\u00e1 t\u00e3o numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo \u00e9 o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa al\u00e9m da mat\u00e9ria \u00e9 espiritualista; mas n\u00e3o se segue da\u00ed que creia na exist\u00eancia dos Esp\u00edritos ou em suas comunica\u00e7\u00f5es com o mundo vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Em lugar das palavras\u00a0<b>espiritual\u00a0<\/b>e\u00a0<b>espiritualismo\u00a0<\/b>empregaremos, para designar esta \u00faltima cren\u00e7a, as palavras\u00a0<b>esp\u00edrita\u00a0<\/b>e\u00a0<b>espiritismo<\/b>, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo t\u00eam a vantagem de ser perfeitamente intelig\u00edveis, deixando para\u00a0<b>espiritualismo\u00a0<\/b>a sua significa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Diremos, portanto, que a\u00a0<b>Doutrina Esp\u00edrita\u00a0<\/b>ou o\u00a0<b>Espiritismo\u00a0<\/b>tem por princ\u00edpio as rela\u00e7\u00f5es do mundo material com os Esp\u00edritos ou seres do mundo invis\u00edvel.<\/p>\n<p>Os adeptos do Espiritismo ser\u00e3o\u00a0<b>os esp\u00edritas<\/b>, ou, se o quiserem,\u00a0<b>os espiritistas<\/b>.<\/p>\n<p>Como especialidade o Livro dos Esp\u00edritos cont\u00e9m a\u00a0<b>Doutrina Esp\u00edrita<\/b>; como generalidade liga-se ao\u00a0<b>Espiritualismo<\/b>, do qual representa uma das fases. Essa a raz\u00e3o porque traz sobre o t\u00edtulo as palavras:\u00a0<b>Filosofia Espiritualista<\/b>.<\/p>\n<p><b>II &#8211; ALMA, PRINC\u00cdPIO VITAL E FLUIDO VITAL<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 outra palavra sobre a qual igualmente devemos entender-nos porque \u00e9 uma das chaves de toda doutrina moral e tem suscitado numerosas controv\u00e9rsias por falta de uma acep\u00e7\u00e3o bem determinada: \u00e9 a palavra\u00a0<b>alma<\/b>. A diverg\u00eancia de opini\u00f5es sobre a natureza da alma prov\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o particular que cada qual faz desse voc\u00e1bulo. Uma l\u00edngua perfeita, em que cada id\u00e9ia tivesse a sua representa\u00e7\u00e3o por um termo pr\u00f3prio, evitaria muitas discuss\u00f5es; com uma palavra para cada coisa todos se entenderiam.<\/p>\n<p>Segundo uns, a alma \u00e9 o princ\u00edpio da vida org\u00e2nica material; n\u00e3o tem exist\u00eancia pr\u00f3pria e se extingue com a vida: \u00e9 o puro materialismo. Neste sentido e por compara\u00e7\u00e3o dizem de um instrumento quebrado, que n\u00e3o produz mais som, que ele n\u00e3o tem alma. De acordo com esta opini\u00e3o a alma seria um efeito e n\u00e3o uma causa.<\/p>\n<p>Outros pensam que a alma \u00e9 o princ\u00edpio da intelig\u00eancia, agente universal de que cada ser absorve uma por\u00e7\u00e3o. Segundo estes, n\u00e3o haveria em todo o Universo sen\u00e3o uma \u00fanica alma, distribuindo fagulhas para os diversos seres inteligentes durante a vida; ap\u00f3s a morte cada fagulha volta \u00e0 fonte comum, confundindo-se no todo, como os c\u00f3rregos e os rios retornam ao mar de onde sa\u00edram. Esta opini\u00e3o difere da precedente em que, segundo esta hip\u00f3tese, existe em n\u00f3s algo mais do que a mat\u00e9ria, restando qualquer coisa ap\u00f3s a morte; mas \u00e9 quase como se nada restasse, pois n\u00e3o subsistindo a individualidade n\u00e3o ter\u00edamos mais consci\u00eancia de n\u00f3s mesmos. De acordo com esta opini\u00e3o, a alma universal seria Deus e cada ser uma por\u00e7\u00e3o da Divindade; \u00e9 esta uma variedade do\u00a0<b>Pante\u00edsmo<\/b>.<\/p>\n<p>Segundo outros, enfim, a alma \u00e9 um ser moral, distinto, independente da mat\u00e9ria e que conserva a sua individualidade ap\u00f3s a morte. Esta concep\u00e7\u00e3o \u00e9 incontestavelmente a mais comum, porque sob um nome ou outro a id\u00e9ia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra em estado de cren\u00e7a instintiva, e independente de qualquer ensinan\u00e7a, entre todos os povos, qualquer que seja o seu grau de civiliza\u00e7\u00e3o. Essa doutrina, para a qual a alma \u00e9 causa e n\u00e3o efeito, \u00e9 a dos espiritualistas.<\/p>\n<p>Sem discutir o m\u00e9rito dessas opini\u00f5es, e n\u00e3o considerando sen\u00e3o o lado ling\u00fc\u00edstico da quest\u00e3o, diremos que essas tr\u00eas aplica\u00e7\u00f5es da palavra\u00a0<b>alma\u00a0<\/b>constituem tr\u00eas id\u00e9ias distintas, que reclamariam, cada uma, um termo diferente. Essa palavra tem, portanto, significa\u00e7\u00e3o tr\u00edplice, e cada qual est\u00e1 com a raz\u00e3o, segundo o seu ponto de vista, ao lhe dar uma defini\u00e7\u00e3o; a falha se encontra na l\u00edngua, que n\u00e3o disp\u00f5e de mais de uma palavra para tr\u00eas id\u00e9ias. Para evitar confus\u00f5es, seria necess\u00e1rio restringir a acep\u00e7\u00e3o da palavra\u00a0<b>alma\u00a0<\/b>a uma de suas id\u00e9ias. Escolher esta ou aquela \u00e9 indiferente, simples quest\u00e3o de conven\u00e7\u00e3o, e o que importa \u00e9 esclarecer. Pensamos que o mais l\u00f3gico \u00e9 tom\u00e1-la na sua significa\u00e7\u00e3o mais vulgar, e por isso chamamos\u00a0<b>alma\u00a0<\/b>ao\u00a0<b>ser imaterial e individual que existe em n\u00f3s e sobrevive ao corpo<\/b>.<\/p>\n<p>Ainda que este ser n\u00e3o existisse e n\u00e3o fosse mais que um produto da imagina\u00e7\u00e3o, seria necess\u00e1rio um termo para design\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Na falta de uma palavra especial para cada uma das duas outras id\u00e9ias, chamaremos:<\/p>\n<p><b>Princ\u00edpio vital<\/b>, o princ\u00edpio da vida material e org\u00e2nica, seja qual for a sua fonte, que \u00e9 comum a todos os seres vivos, desde as plantas ao homem. A vida podendo existir sem a faculdade de pensar, o princ\u00edpio vital \u00e9 coisa distinta e independente. A palavra\u00a0<b>vitalidade\u00a0<\/b>n\u00e3o daria a mesma id\u00e9ia. Para uns, o\u00a0<b>princ\u00edpio vital\u00a0<\/b>\u00e9 uma propriedade da mat\u00e9ria, um efeito que se produz quando a mat\u00e9ria se encontra em dadas circunst\u00e2ncias; segundo outros, e essa id\u00e9ia \u00e9 mais comum, ele se encontra num fluido especial, universalmente espalhado, do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos inertes absorverem a luz. Este seria ent\u00e3o o\u00a0<b>fluido vital<\/b>, que segundo certas opini\u00f5es, n\u00e3o seria outra coisa sen\u00e3o o fluido el\u00e9trico animalizado, tamb\u00e9m designado por\u00a0<b>fluido magn\u00e9tico, fluido nervoso<\/b>, etc.<\/p>\n<p>Seja como for, h\u00e1 um fato incontest\u00e1vel, pois resulta da observa\u00e7\u00e3o, e \u00e9 que os seres org\u00e2nicos possuem uma for\u00e7a \u00edntima que produz o fen\u00f4meno da vida, enquanto essa for\u00e7a existe; que a vida material \u00e9 comum a todos os seres org\u00e2nicos, e que ela independe da intelig\u00eancia e do pensamento; que a intelig\u00eancia e o pensamento s\u00e3o faculdades pr\u00f3prias de certas esp\u00e9cies org\u00e2nicas; enfim, que entre as esp\u00e9cies org\u00e2nicas dotadas de intelig\u00eancia e pensamento, h\u00e1 uma, dotada de um senso moral especial, que lhe d\u00e1 incontest\u00e1vel superioridade perante as outras, e que \u00e9 a esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>Compreende-se que, com uma significa\u00e7\u00e3o m\u00faltipla, a alma n\u00e3o exclui o materialismo, nem o pante\u00edsmo. Mesmo o espiritualista pode muito bem entender a alma segundo uma ou outra das duas primeiras defini\u00e7\u00f5es, sem preju\u00edzo do ser imaterial distinto, ao qual dar\u00e1 qualquer outro nome. Assim, essa palavra n\u00e3o representa uma opini\u00e3o: \u00e9 um Proteu, que cada qual ajeita a seu modo, o que d\u00e1 origem a tantas disputas intermin\u00e1veis.<\/p>\n<p>Evitar\u00edamos igualmente a confus\u00e3o, mesmo empregando a palavra\u00a0<b>alma\u00a0<\/b>nos tr\u00eas casos, desde que lhe ajunt\u00e1ssemos um qualificativo para especificar a maneira pela qual a encaramos, ou a aplica\u00e7\u00e3o que lhe damos. Ela seria ent\u00e3o um termo gen\u00e9rico, representando ao mesmo tempo o princ\u00edpio da vida material, da intelig\u00eancia e do senso moral, que se distinguiriam pelo atributo, como o g\u00e1s, por exemplo, que se distingue ajuntando-se-lhe as palavras hidrog\u00eanio, oxig\u00eanio e azoto.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos dizer, e talvez fosse o melhor, a\u00a0<b>alma vital<\/b>, para designar o princ\u00edpio da vida material, a\u00a0<b>alma intelectual<\/b>, para o princ\u00edpio da intelig\u00eancia, e a\u00a0<b>alma esp\u00edrita<\/b>, para o princ\u00edpio da nossa individualidade ap\u00f3s a morte. Como se v\u00ea, tudo isto \u00e9 quest\u00e3o de palavras, mas quest\u00e3o muito importante para nos entendermos. Dessa maneira, a\u00a0<b>alma vital\u00a0<\/b>seria comum a todos os seres org\u00e2nicos: plantas, animais e homens;\u00a0<b>a alma intelectual\u00a0<\/b>seria pr\u00f3pria dos animais e dos homens, e a\u00a0<b>alma esp\u00edrita\u00a0<\/b>pertenceria somente ao homem.<\/p>\n<p>Acreditamos dever insistir tanto mais nestas explica\u00e7\u00f5es, quanto a Doutrina Esp\u00edrita repousa naturalmente sobre a exist\u00eancia em n\u00f3s, de um ser independente da mat\u00e9ria e que sobrevive ao corpo. Devendo repetir freq\u00fcentemente a palavra\u00a0<b>alma\u00a0<\/b>no curso desta obra t\u00ednhamos de fixar o sentido em que a tomamos, a fim de evitar qualquer engano.<\/p>\n<p>Vamos, agora, ao principal objetivo desta instru\u00e7\u00e3o preliminar.<\/p>\n<p><b>III &#8211; A DOUTRINA E SEUS CONTRADITORES<\/b><\/p>\n<p>A Doutrina Esp\u00edrita, como toda novidade, tem seus adeptos e seus contraditores. Tentaremos responder a algumas das obje\u00e7\u00f5es destes \u00faltimos, examinando o valor das raz\u00f5es em que se apoiam, sem termos entretanto a pretens\u00e3o de convencer a todos; pois h\u00e1 pessoas que acreditam que a luz foi feita somente para eles. Dirigimo-nos \u00e0s pessoas de boa-f\u00e9, sem id\u00e9ias preconcebidas ou posi\u00e7\u00f5es firmadas mas sinceramente desejosas de se instru\u00edrem, e lhes demonstraremos que a maior parte das obje\u00e7\u00f5es que fazem \u00e0 doutrina prov\u00eam de uma observa\u00e7\u00e3o incompleta dos fatos e de um julgamento formado com muita ligeireza e precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recordemos inicialmente, em breves palavras, a s\u00e9rie progressiva de fen\u00f4menos que deram origem a esta doutrina.<\/p>\n<p>O primeiro fato observado foi o movimento de objetos; designaram-no vulgarmente com os nomes de\u00a0<b>mesas girantes\u00a0<\/b>ou\u00a0<b>dan\u00e7a das mesas<\/b>. Esse fen\u00f4meno, que parece ter sido observado primeiramente na Am\u00e9rica, ou melhor, que se teria repetido nesse pa\u00eds, porque a Hist\u00f3ria prova que ele remonta \u00e0 mais alta Antig\u00fcidade, produziu-se acompanhado de circunst\u00e2ncias estranhas, como ru\u00eddos ins\u00f3litos e golpes desferidos sem uma causa ostensiva, conhecida. Dali, propagou-se rapidamente pela Europa e por outras partes do mundo; a princ\u00edpio provocou muita incredulidade, mas a multiplicidade das experi\u00eancias em breve n\u00e3o mais permitiu que se duvidasse da sua realidade.<\/p>\n<p>Se esse fen\u00f4meno se tivesse restringido ao movimento de objetos materiais poderia ser explicado por uma causa puramente f\u00edsica.<\/p>\n<p>Estamos longe de conhecer todos os agentes ocultos da Natureza e mesmo todas as propriedades dos que j\u00e1 conhecemos; a eletricidade, ali\u00e1s, multiplica diariamente ao infinito os recursos que oferece ao homem e parece dever iluminar a Ci\u00eancia com uma nova luz. N\u00e3o haveria, portanto, nada de imposs\u00edvel em que a eletricidade, modificada por certas circunst\u00e2ncias, ou qualquer outro agente desconhecido, fosse a causa desse movimento. A reuni\u00e3o de muitas pessoas, aumentando o poder da a\u00e7\u00e3o, parecia dar apoio a essa teoria porque se poderia considerar essa reuni\u00e3o como uma pilha m\u00faltipla, em que a pot\u00eancia corresponde ao n\u00famero de elementos.<\/p>\n<p>O movimento circular nada tinha de extraordin\u00e1rio: pertence \u00e0 Natureza. Todos os astros se movem circularmente; poder\u00edamos, pois, estar em face de um pequeno reflexo do movimento geral do Universo; ou, melhor dito, uma causa at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida poderia produzir acidentalmente, nos pequenos objetos e em dadas circunst\u00e2ncias, uma corrente mais an\u00e1loga \u00e0 que impulsiona os mundos.<\/p>\n<p>Mas o movimento n\u00e3o era sempre circular. Freq\u00fcentemente era brusco, desordenado, o objeto violentamente sacudido, derrubado, conduzido numa dire\u00e7\u00e3o qualquer e contrariamente a todas as leis da Est\u00e1tica, suspenso e mantido no espa\u00e7o. N\u00e3o obstante, nada havia ainda nesses fatos que n\u00e3o pudesse ser explicado pelo poder de um agente f\u00edsico invis\u00edvel. N\u00e3o vemos a eletricidade derrubar edif\u00edcios, arrancar \u00e1rvores, lan\u00e7ar \u00e0 dist\u00e2ncia os corpos mais pesados, atra\u00ed-los ou repeli-los?<\/p>\n<p>Supondo-se que os ru\u00eddos ins\u00f3litos e os golpes n\u00e3o fossem efeitos comuns da dilata\u00e7\u00e3o da madeira ou de qualquer outra causa acidental, poderiam ainda muito bem ser produzidos por acumula\u00e7\u00e3o do fluido oculto. A eletricidade n\u00e3o produz os ru\u00eddos mais violentos?<\/p>\n<p>At\u00e9 esse momento, como se v\u00ea, tudo pode ser considerado no dom\u00ednio dos fatos puramente f\u00edsicos e fisiol\u00f3gicos. E sem sair dessa ordem de id\u00e9ias, ainda haveria mat\u00e9ria para estudos s\u00e9rios, digna de prender a aten\u00e7\u00e3o dos s\u00e1bios. Por que n\u00e3o aconteceu assim? \u00c9 penoso dizer, mas o fato se liga a causas que provam, entre mil outras semelhantes, a leviandade do esp\u00edrito humano.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, a vulgaridade do objeto principal que serviu de base \u00e0s primeiras experi\u00eancias talvez n\u00e3o lhe seja estranha. Que influ\u00eancia n\u00e3o teve uma simples palavra, muitas vezes, sobre as coisas mais graves! Sem considerar que o movimento poderia ser transmitido a um objeto qualquer, prevaleceu a id\u00e9ia da mesa, sem d\u00favida por ser o objeto mais c\u00f4modo e porque todos se sentam mais naturalmente em torno de uma mesa que de qualquer outro m\u00f3vel. Ora, os homens superiores s\u00e3o \u00e0s vezes t\u00e3o pueris, que n\u00e3o seria imposs\u00edvel certos esp\u00edritos de elite se julgarem diminu\u00eddos se tivessem de ocupar-se daquilo que se convencionara chamar a dan\u00e7a das mesas. \u00c9 mesmo prov\u00e1vel que, se o fen\u00f4meno observado por Galvani o tivesse sido por homens vulgares e caracterizado por um nome burlesco, estivesse ainda relegado ao lado da varinha m\u00e1gica. Qual o s\u00e1bio que n\u00e3o se teria julgado diminu\u00eddo ao ocupar-se da\u00a0<b>dan\u00e7a das r\u00e3s<\/b>?<\/p>\n<p>Alguns, entretanto, bastante modestos para aceitarem que a Natureza poderia n\u00e3o lhes ter dito a \u00faltima palavra, quiseram ver, para tranq\u00fcilidade de consci\u00eancia. Mas aconteceu que o fen\u00f4meno nem sempre correspondeu \u00e0 sua expectativa, e por n\u00e3o se ter produzido constantemente, \u00e0 sua vontade e segundo a sua maneira de experimenta\u00e7\u00e3o, conclu\u00edram eles pela negativa.<\/p>\n<p>Malgrado, por\u00e9m, a sua senten\u00e7a, as mesas, pois que h\u00e1 mesas, continuam a girar, e podemos dizer com Galileu: &#8220;Contudo, elas se movem&#8221;. Diremos ainda que os fatos se multiplicaram de tal modo que t\u00eam hoje direito de cidadania e que se trata apenas de encontrar para eles uma explica\u00e7\u00e3o racional.<\/p>\n<p>Pode-se induzir qualquer coisa contra a realidade do fen\u00f4meno, pelo fato de ele n\u00e3o se produzir sempre de maneira id\u00eantica, segundo a vontade e as exig\u00eancias do observador? Os fen\u00f4menos de eletricidade e de qu\u00edmica n\u00e3o est\u00e3o subordinados a determinadas condi\u00e7\u00f5es, e devemos neg\u00e1-los porque n\u00e3o se produzem fora delas? Devemos estranhar que o fen\u00f4meno do movimento de objetos pelo fluido humano tenha tamb\u00e9m as suas condi\u00e7\u00f5es e deixe de se produzir quando o observador, firmado no seu ponto de vista, pretende faz\u00ea-lo seguir ao seu capricho ou sujeit\u00e1-lo \u00e0s leis dos fen\u00f4menos comuns, sem considerar que para fatos novos pode e deve haver novas leis? Ora, para conhecer essas leis \u00e9 necess\u00e1rio estudar as circunst\u00e2ncias em que os fatos se produzem e esse estudo n\u00e3o pode ser feito sem uma observa\u00e7\u00e3o perseverante, atenta, e por vezes bastante prolongada.<\/p>\n<p>Mas, objetam algumas pessoas, h\u00e1 freq\u00fcentemente fraudes vis\u00edveis. Perguntaremos inicialmente se est\u00e3o bem certas de que h\u00e1 fraudes e se n\u00e3o tomaram por fraudes efeitos que n\u00e3o conseguiram apreender, mais ou menos como o campon\u00eas que tomava um s\u00e1bio professor de F\u00edsica, fazendo experi\u00eancias, por um destro escamoteador. E mesmo supondo-se que as fraudes tenham ocorrido algumas vezes, seria isso raz\u00e3o para se negar o fato? Deve-se negar a F\u00edsica, porque h\u00e1 prestidigitadores que se enfeitam com o t\u00edtulo de f\u00edsicos? \u00c9 necess\u00e1rio aos demais considerar o car\u00e1ter das pessoas e o interesse que elas poderiam ter em enganar. Seria tudo, ent\u00e3o, simples brincadeira? Pode-se muito bem brincar um instante, mas uma brincadeira indefinidamente prolongada seria t\u00e3o fastidiosa para o mistificador como para o mistificado. Haveria, al\u00e9m disso, numa mistifica\u00e7\u00e3o que se propaga de um extremo a outro do mundo e entre as pessoas mais graves, mais vener\u00e1veis e esclarecidas, alguma coisa pelo menos t\u00e3o extraordin\u00e1ria quanto o pr\u00f3prio fen\u00f4meno.<\/p>\n<p><b>IV &#8211; MANIFESTA\u00c7\u00d5ES INTELIGENTES<\/b><\/p>\n<p>Se os fen\u00f4menos de que nos ocupamos se restringissem ao movimento de objetos, teriam permanecido no dom\u00ednio das Ci\u00eancias F\u00edsicas; mas n\u00e3o aconteceu assim: estavam destinados a nos colocar na pista dos fatos de uma ordem estranha. Acreditou-se haver descoberto, n\u00e3o sabemos por iniciativa de quem, que o impulso dado aos objetos n\u00e3o era somente o produto de uma for\u00e7a mec\u00e2nica cega, mas que havia nesse movimento a interven\u00e7\u00e3o de uma causa inteligente. Esta via, uma vez aberta, oferecia um campo inteiramente novo de observa\u00e7\u00f5es; era o v\u00e9u que se levantava sobre muitos mist\u00e9rios. Mas haver\u00e1 realmente neste caso uma pot\u00eancia inteligente? Essa \u00e9 a quest\u00e3o. Se essa pot\u00eancia existe, o que \u00e9 ela, qual a sua natureza, a sua origem? \u00c9 ela superior \u00e0 Humanidade? Tais s\u00e3o as outras quest\u00f5es que decorrem da primeira.<\/p>\n<p>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es inteligentes verificaram-se por meio de mesas que se moviam e davam determinados golpes, batendo um p\u00e9, e assim respondiam, segundo o que se havia convencionado, por &#8220;sim&#8221; ou por &#8220;n\u00e3o&#8221; \u00e0 quest\u00e3o proposta. At\u00e9 aqui, nada h\u00e1 de bastante convincente para os c\u00e9ticos, porque se poderia crer num efeito do acaso. Em seguida, obtiveram-se respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: dando o m\u00f3vel um n\u00famero de ordem de cada letra, chegava-se a formar palavras e frases que respondiam as quest\u00f5es propostas.<\/p>\n<p>A justeza das respostas e sua correspond\u00eancia com a pergunta provocaram a admira\u00e7\u00e3o. O ser misterioso que assim respondia, interpelado sobre a sua natureza, declarou que era um Esp\u00edrito ou G\u00eanio, deu o seu nome e forneceu diversas informa\u00e7\u00f5es a seu respeito. Esta \u00e9 uma circunst\u00e2ncia muito importante a notar.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m havia ent\u00e3o pensado nos Esp\u00edritos como um meio de explicar o fen\u00f4meno; foi o pr\u00f3prio fen\u00f4meno que revelou a palavra. Fazem-se hip\u00f3teses freq\u00fcentemente nas Ci\u00eancias exatas para se conseguir uma base ao racioc\u00ednio; mas neste caso n\u00e3o foi o que se deu.<\/p>\n<p>Esse meio de correspond\u00eancia era demorado e inc\u00f4modo. O Esp\u00edrito, e esta \u00e9 tamb\u00e9m uma circunst\u00e2ncia digna de nota, indicou outro. Foi um desses seres invis\u00edveis quem aconselhou a adaptar-se um l\u00e1pis a uma cesta ou a outro objeto. A cesta, posta sobre uma folha de papel, \u00e9 movimentada pela mesma pot\u00eancia oculta que faz girar as mesas; mas em lugar de um simples movimento regular, o l\u00e1pis escreve por si mesmo, formando palavras, frases, discursos inteiros de muitas p\u00e1ginas, tratando das mais altas quest\u00f5es de Filosofia, de Moral, de Metaf\u00edsica, de Psicologia, etc., e isso com tanta rapidez como se escrevesse \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse conselho foi dado simultaneamente na Am\u00e9rica, na Fran\u00e7a e em diversos pa\u00edses. Eis os termos em que foi dado em Paris, a 10 de julho de 1853, a um dos mais fervorosos adeptos da doutrina, que h\u00e1 muitos anos, desde 1849, se ocupava com a evoca\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos: &#8220;V\u00e1 buscar no quarto ao lado a cestinha; prenda nela um l\u00e1pis, coloque-a sobre o papel e ponha-lhe os dedos na borda&#8221;. Feito isso, depois de alguns instantes a cesta se p\u00f4s em movimento e o l\u00e1pis escreveu legivelmente esta frase: &#8220;Isto que eu vos disse, pro\u00edbo-vos expressamente de o dizer a algu\u00e9m; da primeira vez que escrever, escreverei melhor&#8221;.<\/p>\n<p>O objeto a que se adapta o l\u00e1pis, n\u00e3o sendo mais que simples instrumento, sua natureza e sua forma n\u00e3o importam; procurou-se a disposi\u00e7\u00e3o mais c\u00f4moda e foi assim que muitas pessoas passaram a usar uma prancheta.<\/p>\n<p>A cesta ou a prancheta n\u00e3o podem ser postas em movimento sen\u00e3o sob a influ\u00eancia de certas pessoas, dotadas para isso de um poder especial e que se designam pelo nome de m\u00e9diuns, ou seja, intermedi\u00e1rios entre os Esp\u00edritos e os homens. As condi\u00e7\u00f5es que produzem este poder est\u00e3o ligadas a causas ao mesmo tempo f\u00edsicas e morais ainda imperfeitamente conhecidas, porquanto se encontram m\u00e9diuns de todas as idades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual. Essa faculdade, entretanto, se desenvolve pelo exerc\u00edcio.<\/p>\n<p><b>V &#8211; DESENVOLVIMENTO DA PSICOGRAFIA<\/b><\/p>\n<p>Mais tarde reconheceu-se que a cesta e a prancheta nada mais eram do que ap\u00eandices da m\u00e3o, e o m\u00e9dium, tomando diretamente o l\u00e1pis, p\u00f4s-se a escrever por um impulso involunt\u00e1rio e quase febril. Por esse meio as comunica\u00e7\u00f5es se tornaram mais r\u00e1pidas, mais f\u00e1ceis e mais completas: \u00e9 esse, hoje, o meio mais comum, tanto que o n\u00famero de pessoas dotadas dessa aptid\u00e3o \u00e9 bastante consider\u00e1vel e se multiplica dia a dia. A experi\u00eancia, por fim, tornou conhecidas muitas outras variedades da faculdade medi\u00fanica, descobrindo-se que as comunica\u00e7\u00f5es podiam igualmente verificar-se atrav\u00e9s da escrita direta dos Esp\u00edritos, ou seja, sem o concurso da m\u00e3o do m\u00e9dium nem do l\u00e1pis.<\/p>\n<p>Verificado o fato, um ponto essencial restava a considerar: o papel do m\u00e9dium nas respostas e a parte que nelas tomava, mec\u00e2nica e moralmente. Duas circunst\u00e2ncias capitais, que n\u00e3o escapariam a um observador atento, podem resolver a quest\u00e3o. A primeira \u00e9 a maneira pela qual a cesta se move sob a sua influ\u00eancia, pela simples imposi\u00e7\u00e3o dos dedos na borda; o exame demonstra a impossibilidade de o m\u00e9dium imprimir uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cesta. Essa impossibilidade se torna sobretudo evidente quando duas ou tr\u00eas pessoas tocam ao mesmo tempo na mesma cesta; seria necess\u00e1rio entre elas uma concord\u00e2ncia de movimentos realmente fenomenal; seria ainda necess\u00e1ria a concord\u00e2ncia de pensamentos para que pudessem entender-se sobre a resposta a dar. Outro fato, n\u00e3o menos original, vem ainda aumentar a dificuldade. \u00c9 a mudan\u00e7a radical da letra, segundo o Esp\u00edrito que se manifesta e a cada vez que o mesmo Esp\u00edrito volta, repetindo-a.<\/p>\n<p>Seria pois necess\u00e1rio que o m\u00e9dium se tivesse exercitado em modificar a pr\u00f3pria letra de vinte maneiras diferentes e, sobretudo, que ele pudesse lembrar-se da caligrafia deste ou daquele Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>A segunda circunst\u00e2ncia resulta da pr\u00f3pria natureza das respostas, que s\u00e3o, na maioria dos casos, mormente quando se trata de quest\u00f5es abstratas ou cient\u00edficas, notoriamente fora dos conhecimentos e \u00e0s vezes do alcance intelectual do m\u00e9dium.<\/p>\n<p>Este, de resto, em geral n\u00e3o tem consci\u00eancia do que escreve e por outro lado nem mesmo entende a quest\u00e3o proposta, que pode ser feita numa l\u00edngua estranha ou mentalmente, sendo a resposta dada nessa l\u00edngua. Acontece, por fim, que a cesta escreve de maneira espont\u00e2nea, sem nenhuma quest\u00e3o proposta, sobre um assunto absolutamente inesperado.<\/p>\n<p>As respostas, em certos casos, revelam um teor de sabedoria, de profundeza e de oportunidade; pensamentos t\u00e3o elevados e t\u00e3o sublimes, que n\u00e3o podem vir sen\u00e3o de uma intelig\u00eancia superior, impregnada da mais pura moralidade. De outras vezes s\u00e3o t\u00e3o levianas, t\u00e3o fr\u00edvolas, e mesmo t\u00e3o banais que a raz\u00e3o se recusa a admitir que possam vir da mesma fonte. Essa diversidade de linguagem n\u00e3o se pode explicar sen\u00e3o pela diversidade de intelig\u00eancias que se manifestam. Essas intelig\u00eancias s\u00e3o humanas ou n\u00e3o? Este \u00e9 o ponto a esclarecer e sobre o qual se encontrar\u00e1 nesta obra a explica\u00e7\u00e3o completa, tal como foi dada pelos pr\u00f3prios Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>Eis, portanto, os efeitos evidentes que se produzem fora do c\u00edrculo habitual de nossas observa\u00e7\u00f5es; que n\u00e3o se passam de maneira misteriosa mas \u00e0 luz do dia; que todos podem ver e constatar; que n\u00e3o s\u00e3o privil\u00e9gios de nenhum indiv\u00edduo e que milhares de pessoas repetem \u00e0 vontade todos os dias. Esses efeitos t\u00eam necessariamente uma causa e desde que revelam a a\u00e7\u00e3o de uma intelig\u00eancia e de uma vontade, saem fora do dom\u00ednio puramente f\u00edsico.<\/p>\n<p>Muitas teorias foram formuladas a respeito. Passaremos a examin\u00e1-las dentro em pouco e veremos se podem tornar compreens\u00edveis todos os fatos produzidos. Admitamos por enquanto a exist\u00eancia de seres distintos da humanidade, pois \u00e9 essa a explica\u00e7\u00e3o dada pelas intelig\u00eancias que se manifestam, e vejamos o que eles nos dizem.<\/p>\n<p><b>VI &#8211; RESUMO DA DOUTRINA DOS ESP\u00cdRITOS<\/b><\/p>\n<p>Os seres que se manifestam designam-se a si mesmos, como dissemos, pelo nome de Esp\u00edritos ou G\u00eanios, e dizem, alguns pelo menos, que viveram como homens na Terra. Constituem o mundo espiritual, como n\u00f3s constitu\u00edmos, durante a nossa vida, o mundo corporal.<\/p>\n<p>Resumimos em poucas palavras os pontos principais da doutrina que nos transmitiram, a fim de mais facilmente responder a certas obje\u00e7\u00f5es: &#8220;Deus \u00e9 eterno, imut\u00e1vel, imaterial, \u00fanico, todo-poderoso, soberanamente justo e bom.<\/p>\n<p>Criou o Universo, que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Allan Kardec (Extra\u00eddo do site: www.bvespirita.com) (Revue Spirite, maio de 1867, pp. 129-132.) 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