{"id":1444,"date":"2013-08-10T09:35:06","date_gmt":"2013-08-10T12:35:06","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=1444"},"modified":"2013-08-10T09:35:06","modified_gmt":"2013-08-10T12:35:06","slug":"19-dos-mediuns","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/19-dos-mediuns\/","title":{"rendered":"19 &#8211;  Dos M\u00e9diuns"},"content":{"rendered":"<p>CAP\u00cdTULO XIV<\/p>\n<p><b>DOS M\u00c9DIUNS<\/b><\/p>\n<p><i>M\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos. &#8211; Pessoas el\u00e9tricas. &#8211; M\u00e9diuns sensitivos ou impression\u00e1veis. &#8211; M\u00e9diuns audientes. &#8211; M\u00e9diuns falantes. &#8211; M\u00e9diuns videntes. &#8211;<\/i><\/p>\n<p><i>M\u00e9diuns sonamb\u00falicos. &#8211; M\u00e9diuns curadores. &#8211; M\u00e9diuns pneumat\u00f3grafos.<\/i><\/p>\n<p>159. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influ\u00eancia dos Esp\u00edritos \u00e9, por esse fato, m\u00e9dium. Essa faculdade \u00e9 inerente ao homem; n\u00e3o constitui, portanto, um privil\u00e9gio exclusivo. Por isso mesmo, raras s\u00e3o as pessoas que dela n\u00e3o possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos s\u00e3o, mais ou menos, m\u00e9diuns. Todavia, usualmente, assim s\u00f3 se qualificam aqueles em quem a faculdade medi\u00fanica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que ent\u00e3o depende de uma organiza\u00e7\u00e3o mais ou menos sensitiva. E de notar-se, al\u00e9m disso, que essa faculdade n\u00e3o se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os m\u00e9diuns t\u00eam uma aptid\u00e3o especial para os fen\u00f4menos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas s\u00e3o as esp\u00e9cies de manifesta\u00e7\u00f5es. As principais s\u00e3o: <i>a dos m\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos; a dos m\u00e9diuns sensitivos, ou impression\u00e1veis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonamb\u00falicos; a dos curadores; a dos pneumat\u00f3grafos; a dos escreventes, ou psic\u00f3grafos.<\/i><\/p>\n<p><b>1. M\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos<\/b><\/p>\n<p>160. Os <i>m\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos <\/i>s\u00e3o particularmente aptos a produzir fen\u00f4menos materiais, como os movimentos dos corpos inertes, ou ru\u00eddos, etc. Podem dividir-se em <i>m\u00e9diuns facultativos <\/i>e <i>m\u00e9diuns involunt\u00e1rios. <\/i>(Veja-se a 2\u00aa parte, caps. II e IV.)<\/p>\n<p>Os <i>m\u00e9diuns facultativos <\/i>s\u00e3o os que t\u00eam consci\u00eancia do seu poder e que produzem fen\u00f4menos esp\u00edritas por ato da pr\u00f3pria vontade. Conquanto inerente \u00e0 esp\u00e9cie humana, conforme j\u00e1 dissemos, semelhante faculdade longe est\u00e1 de existir em todos no mesmo grau. Por\u00e9m, se poucas pessoas h\u00e1 em quem ela seja absolutamente nula, mais raras ainda s\u00e3o as capazes de produzir os grandes efeitos tais como a suspens\u00e3o de corpos pesados, a transla\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e, sobretudo, as apari\u00e7\u00f5es. Os efeitos mais simples s\u00e3o a rota\u00e7\u00e3o de um objeto, pancadas produzidas mediante o levantamento desse objeto, ou na sua pr\u00f3pria subst\u00e2ncia. Embora n\u00e3o demos import\u00e2ncia capital a esses fen\u00f4menos, recomendamos, contudo, que n\u00e3o sejam desprezados. Podem proporcionar ensejo a observa\u00e7\u00f5es interessantes e contribuir para a convic\u00e7\u00e3o dos que os observem. Cumpre, entretanto, ponderar que a faculdade de produzir efeitos materiais raramente existe nos que disp\u00f5em de mais perfeitos meios de comunica\u00e7\u00e3o, quais a escrita e a palavra. Em geral, a faculdade diminui num sentido \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que se desenvolve em outro.<\/p>\n<p>161. Os <i>m\u00e9diuns involunt\u00e1rios <\/i>ou <i>naturais <\/i>s\u00e3o aqueles cuja influ\u00eancia se exerce a seu mau grado. Nenhuma consci\u00eancia t\u00eam do poder que possuem e, muitas vezes, o que de anormal se passa em torno deles n\u00e3o se lhes afigura de modo algum extraordin\u00e1rio. Isso faz parte deles, exatamente como se d\u00e1 com as pessoas que, sem o suspeitarem, s\u00e3o dotadas de dupla vista. S\u00e3o muito dignos de observa\u00e7\u00e3o esses indiv\u00edduos e ningu\u00e9m deve descuidar-se de recolher e estudar os fatos deste g\u00eanero que lhe cheguem ao conhecimento. Manifestam-se em todas as idades e, freq\u00fcentemente, em crian\u00e7as ainda muito novas. (Veja-se acima, o cap\u00edtulo V, <i>Das manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas espont\u00e2neas.)<\/i><\/p>\n<p>Tal faculdade n\u00e3o constitui, em si mesma, ind\u00edcio de um estado patol\u00f3gico, porquanto n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com uma sa\u00fade perfeita. Se sofre aquele que a possui, esse sofrimento \u00e9 devido a uma causa estranha, donde se segue que os meios terap\u00eauticos s\u00e3o impotentes para faz\u00ea-la desaparecer. Nalguns casos, pode ser conseq\u00fcente de uma certa fraqueza org\u00e2nica, por\u00e9m, nunca \u00e9 causa eficiente. N\u00e3o seria, pois, razo\u00e1vel tirar dela um motivo de inquieta\u00e7\u00e3o, do ponto de vista higi\u00eanico. S\u00f3 poderia acarretar inconveniente, se aquele que a possui abusasse dela, depois de se haver tornado m\u00e9dium facultativo, porque ent\u00e3o se verificaria nele uma emiss\u00e3o demasiado abundante de fluido vital e, por conseguinte, enfraquecimento dos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>162. A raz\u00e3o se revolta <i>\u00e0 <\/i>lembran\u00e7a das torturas morais e corporais a que a ci\u00eancia tem por vezes sujeitado criaturas fracas e delicadas, para se certificar da exist\u00eancia de fraude da parte delas. Tais <i>experimenta\u00e7\u00f5es, <\/i>ami\u00fade feitas maldosamente, s\u00e3o sempre prejudiciais \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sensitivas, podendo mesmo dar lugar a graves desordens na economia org\u00e2nica. Fazer semelhantes experi\u00eancias \u00e9 brincar com a vida.<\/p>\n<p>O observador de boa-f\u00e9 n\u00e3o precisa lan\u00e7ar m\u00e3o desses meios. Aquele que est\u00e1 familiarizado com os fen\u00f4menos desta esp\u00e9cie sabe, ali\u00e1s, que eles s\u00e3o mais de ordem moral, do que de ordem f\u00edsica e que ser\u00e1 in\u00fatil procurar-lhes uma solu\u00e7\u00e3o nas nossas ci\u00eancias exatas.<\/p>\n<p>Por isso mesmo que tais fen\u00f4menos s\u00e3o mais de ordem moral, deve-se evitar com escrupuloso cuidado tudo o que possa sobreexcitar a imagina\u00e7\u00e3o. Sabe-se que de acidentes pode o medo ocasionar e muito menos imprud\u00eancias se cometiam, se se conhecessem todos os casos de loucura e de epilepsia, cuja origem se encontra nos contos de lobisomens e pap\u00f5es. Que n\u00e3o ser\u00e1, se se generalizar a persuas\u00e3o de que o agente dos aludidos fen\u00f4menos \u00e9 o <i>diabo? <\/i>Os que espelham semelhantes id\u00e9ias n\u00e3o sabem a responsabilidade que assumem: <i>podem matar. <\/i>Ora, o perigo n\u00e3o existe apenas para o paciente, mas tamb\u00e9m para os que o cercam, os quais podem ficar aterrorizados, ao pensarem que a casa onde moram se tornou um covil de dem\u00f4nios. Esta cren\u00e7a funesta \u00e9 que foi causa de tantos atos de atrocidade nos tempos de ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Entretanto, se houvesse um pouco mais de discernimento, teria ocorrido aos que os praticaram que n\u00e3o queimavam o diabo, por queimarem o corpo que supunham possesso do diabo. Desde que do diabo \u00e9 que queriam livrar-se, ao diabo \u00e9 que era preciso matassem. Esclarecendo-nos sobre a verdadeira causa de todos esses fen\u00f4menos, a Doutrina Esp\u00edrita lhe d\u00e1 o golpe de miseric\u00f3rdia. <i>Longe, pois, de concorrer para que tal id\u00e9ia se forme, todos devem, e este \u00e9 um dever de moralidade e de humanidade, combat\u00ea-la onde exista.<\/i><\/p>\n<p>O que h\u00e1 a fazer-se, quando uma faculdade dessa natureza se desenvolve espontaneamente num indiv\u00edduo, \u00e9 deixar que o fen\u00f4meno siga o seu curso natural: a Natureza \u00e9 mais prudente do que os homens. Acresce que a Provid\u00eancia tem seus des\u00edgnios e aos maiores destes pode servir de instrumento a mais pequenina das criaturas. Por\u00e9m, for\u00e7oso \u00e9 convir, o fen\u00f4meno assume por vezes propor\u00e7\u00f5es fatigantes e importunas para toda gente (1). (1) Um dos fatos mais extraordin\u00e1rios desta natureza, pela variedade e singularidade dos fen\u00f4menos, \u00e9, sem contesta\u00e7\u00e3o, o que ocorreu em 1852, no Palatinado (Baviera renana), em Bergzabern, perto de Wissemburg<i>. <\/i>\u00c9 tanto mais not\u00e1vel, quanto denota, reunidos no mesmo indiv\u00edduo, quase todos os g\u00eaneros de manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas: estrondos de abalar a casa, derribamento dos m\u00f3veis, arremesso de objetos ao longe por m\u00e3os invis\u00edveis, vis\u00f5es e apari\u00e7\u00f5es, sonambulismo, \u00eaxtase, catalepsia, atra\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, gritos e sons a\u00e9reos, instrumentos tocando sem contato, comunica\u00e7\u00f5es inteligentes, etc. e, o que n\u00e3o \u00e9 de somenos import\u00e2ncia, a comprova\u00e7\u00e3o destes fatos, durante quase dois anos, por in\u00fameras testemunhas oculares, dignas de cr\u00e9dito pelo saber e pelas posi\u00e7\u00f5es sociais que ocupavam. A narra\u00e7\u00e3o aut\u00eantica dos aludidos fen\u00f4menos foi publicada, naquela \u00e9poca, em muitos jornais alem\u00e3es e, especialmente, numa brochura hoje esgotada e rar\u00edssima. Na Revue Spirite de 1858 se encontra a tradu\u00e7\u00e3o completa dessa brochura, com os coment\u00e1rios e explica\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis. Essa, que saibamos, \u00e9 a \u00fanica publica\u00e7\u00e3o feita em franc\u00eas do folheto a que nos referimos. Al\u00e9m do empolgante interesse que tais fen\u00f4menos despertam, eles s\u00e3o eminentemente instrutivos, do ponto de vista do estudo pr\u00e1tico do Espiritismo.<\/p>\n<p>Eis, ent\u00e3o, o que em todos os casos importa fazer-se. No cap\u00edtulo V <i>\u2013 Das manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas espont\u00e2neas, <\/i>j\u00e1 demos alguns conselhos a este respeito, dizendo ser preciso entrar em comunica\u00e7\u00e3o com o Esp\u00edrito, para dele saber-se o que quer. O meio seguinte tamb\u00e9m se funda na observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os seres invis\u00edveis, que revelam sua presen\u00e7a por efeitos sens\u00edveis, s\u00e3o, em geral, Esp\u00edritos de ordem inferior e que podem ser dominados pelo ascendente moral. A aquisi\u00e7\u00e3o deste ascendente \u00e9 o que se deve procurar.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7\u00e1-lo, preciso \u00e9 que o indiv\u00edduo passe do estado de <i>m\u00e9dium natural <\/i>ao de <i>m\u00e9dium volunt\u00e1rio. <\/i>Produz-se, ent\u00e3o, efeito an\u00e1logo ao que se observa no sonambulismo. Como se sabe, o sonambulismo natural cessa geralmente, quando substitu\u00eddo pelo sonambulismo magn\u00e9tico. N\u00e3o se suprime a faculdade, que tem a alma, de emancipar-se; d\u00e1-se-lhe outra diretriz. O mesmo acontece com a faculdade medi\u00fanica. Para isso, em vez de p\u00f4r \u00f3bices ao fen\u00f4meno, coisa que raramente se consegue e que nem sempre deixa de ser perigosa, o que se tem de fazer \u00e9 concitar o m\u00e9dium a produzi-los \u00e0 sua vontade, impondo-se ao Esp\u00edrito. Por esse meio, chega o m\u00e9dium a sobrepuj\u00e1-lo e, de um dominador \u00e0s vezes tir\u00e2nico, faz um ser submisso e, n\u00e3o raro, d\u00f3cil. Fato digno de nota e que a experi\u00eancia confirma \u00e9 que, em tal caso, uma crian\u00e7a tem tanta e, por vezes, mais autoridade que um adulto: mais uma prova a favor deste ponto capital da Doutrina, que o Esp\u00edrito s\u00f3 \u00e9 crian\u00e7a pelo corpo; que tem por si mesmo um desenvolvimento necessariamente anterior \u00e0 sua encarna\u00e7\u00e3o atual, desenvolvimento que lhe pode dar ascendente sobre Esp\u00edritos que lhe s\u00e3o inferiores.<\/p>\n<p>A moraliza\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito, pelos conselhos de uma terceira pessoa influente e experiente, n\u00e3o estando o m\u00e9dium em estado de o fazer, constitui freq\u00fcentemente meio muito eficaz. Mais tarde voltaremos a tratar dele.<\/p>\n<p>163. Nesta categoria parece, \u00e0 primeira vista, se deviam incluir as pessoas dotadas de certa dose de eletricidade natural, verdadeiros <i>torpedos <\/i>(*) <i>humanos, <\/i>a produzirem, por simples contacto, todos os efeitos de atra\u00e7\u00e3o e repuls\u00e3o. Errado, por\u00e9m, fora consider\u00e1-las <i>m\u00e9diuns, <\/i>porquanto a vera mediunidade sup\u00f5e a interven\u00e7\u00e3o direta de um Esp\u00edrito. Ora, no caso de que falamos, concludentes experi\u00eancias h\u00e3o provado que a eletricidade \u00e9 o agente \u00fanico desses fen\u00f4menos. Esta estranha faculdade, que quase se poderia considerar uma enfermidade, pode \u00e0s vezes estar aliada <i>\u00e0 <\/i>mediunidade, como \u00e9 f\u00e1cil de verificar-se na hist\u00f3ria do <i>Esp\u00edrito batedor de Bergzabern.<\/i><\/p>\n<p>Por\u00e9m, as mais das vezes, de todo independe de qualquer faculdade medi\u00fanica.<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 dissemos, a \u00fanica prova da interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos \u00e9 o car\u00e1ter inteligente das manifesta\u00e7\u00f5es. Desde que este car\u00e1ter n\u00e3o exista, fundamento h\u00e1 para serem atribu\u00eddas a causas puramente f\u00edsicas. A quest\u00e3o \u00e9 saber se as <i>pessoas el\u00e9tricas <\/i>estar\u00e3o ou n\u00e3o mais aptas, do que quaisquer outras, a tornar-se <i>m\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos. <\/i>Cremos que sim, mas s\u00f3 a experi\u00eancia poderia demonstr\u00e1-lo. (*) Vide p\u00e1gina 220, Nota da Editora (FEB).<\/p>\n<p><b>2. M\u00e9diuns sensitivos, ou impression\u00e1veis<\/b><\/p>\n<p>164. Chamam-se assim \u00e0s pessoas suscet\u00edveis de sentir a presen\u00e7a dos Esp\u00edritos por uma impress\u00e3o vaga, por uma esp\u00e9cie de leve ro\u00e7adura sobre todos os seus membros, sensa\u00e7\u00e3o que elas n\u00e3o podem explicar. Esta variedade n\u00e3o apresenta car\u00e1ter bem definido. Todos os m\u00e9diuns s\u00e3o necessariamente impression\u00e1veis, sendo assim a impressionabilidade mais uma qualidade geral do que especial. \u00c9 a faculdade rudimentar indispens\u00e1vel ao desenvolvimento de todas as outras. Difere da impressionabilidade puramente f\u00edsica e nervosa, com a qual preciso \u00e9 n\u00e3o seja confundida, porquanto, pessoas h\u00e1 que n\u00e3o t\u00eam nervos delicados e que sentem mais ou menos o efeito da presen\u00e7a dos Esp\u00edritos, do mesmo modo que outras, muito irrit\u00e1veis, absolutamente n\u00e3o os pressentem.<\/p>\n<p>Esta faculdade se desenvolve pelo h\u00e1bito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impress\u00e3o que experimenta, n\u00e3o s\u00f3 a natureza, boa ou m\u00e1, do Esp\u00edrito que lhe est\u00e1 ao lado, mas at\u00e9 a sua individualidade, como o cego reconhece, por um certo n\u00e3o sei qu\u00ea, a aproxima\u00e7\u00e3o de tal ou tal pessoa. Torna-se, com rela\u00e7\u00e3o aos Esp\u00edritos, verdadeiro sensitivo. Um bom Esp\u00edrito produz sempre uma impress\u00e3o suave e agrad\u00e1vel; a de um mau Esp\u00edrito, ao contr\u00e1rio, \u00e9 penosa, angustiosa, desagrad\u00e1vel. H\u00e1 como que um cheiro de impureza.<\/p>\n<p><b>3. M\u00e9diuns audientes<\/b><\/p>\n<p>165. Estes ouvem a voz dos Esp\u00edritos. \u00c9, como dissemos ao falar da pneumatofonia, algumas vezes uma voz interior, que se faz ouvir no foro \u00edntimo; doutras vezes, \u00e9 uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva. Os m\u00e9diuns audientes podem, assim, travar conversa\u00e7\u00e3o com os Esp\u00edritos. Quando t\u00eam o h\u00e1bito de se comunicar com determinados Esp\u00edritos, eles os reconhecem imediatamente pela natureza da voz. Quem n\u00e3o seja dotado desta faculdade pode, igualmente, comunicar com um Esp\u00edrito, se tiver, a auxili\u00e1-lo, um m\u00e9dium audiente, que desempenhe a fun\u00e7\u00e3o de int\u00e9rprete.<\/p>\n<p>Esta faculdade \u00e9 muito agrad\u00e1vel, quando o m\u00e9dium s\u00f3 ouve Esp\u00edritos bons, ou unicamente aqueles por quem chama. Assim, entretanto, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, quando um Esp\u00edrito mau se lhe agarra, fazendo-lhe ouvir a cada instante as coisas mais desagrad\u00e1veis e n\u00e3o raro as mais inconvenientes. Cumpre-lhe, ent\u00e3o, procurar livrar-se desses Esp\u00edritos, pelos meios que indicaremos no cap\u00edtulo da <i>Obsess\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><b>4. M\u00e9diuns falantes<\/b><\/p>\n<p>166. Os m\u00e9diuns audientes, que apenas transmitem o que ouvem, n\u00e3o s\u00e3o, a bem dizer, <i>m\u00e9diuns falantes. <\/i>Estes \u00faltimos, as mais das vezes, nada ouvem. Neles, o Esp\u00edrito atua sobre os \u00f3rg\u00e3os da palavra, como atua sobre a m\u00e3o dos m\u00e9diuns escreventes. Querendo comunicar-se, o Esp\u00edrito se serve do \u00f3rg\u00e3o que se lhe depara mais flex\u00edvel no m\u00e9dium. A um, toma da m\u00e3o; a outro, da palavra; a um terceiro, do ouvido. O m\u00e9dium falante geralmente se exprime sem ter consci\u00eancia do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas \u00e0s suas id\u00e9ias habituais, aos seus conhecimentos e, at\u00e9, fora do alcance de sua intelig\u00eancia. Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal, raramente guarda lembran\u00e7a do que diz. Em suma, nele, a palavra \u00e9 um instrumento de que se serve o Esp\u00edrito, com o qual uma terceira pessoa pode comunicar-se, como pode com o aux\u00edlio de um m\u00e9dium audiente.<\/p>\n<p>Nem sempre, por\u00e9m, \u00e9 t\u00e3o completa a passividade do m\u00e9dium falante. Alguns h\u00e1 que t\u00eam a intui\u00e7\u00e3o do que dizem, no momento mesmo em que pronunciam as palavras.<\/p>\n<p>Voltaremos a ocupar-nos com esta esp\u00e9cie de m\u00e9diuns, quando tratarmos dos m\u00e9diuns intuitivos.<\/p>\n<p><b>5. M\u00e9diuns videntes<\/b><\/p>\n<p>167. Os m\u00e9diuns videntes s\u00e3o dotados da faculdade de ver os Esp\u00edritos. Alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam lembran\u00e7a precisa do que viram. Outros s\u00f3 a possuem em estado sonamb\u00falico, ou pr\u00f3ximo do sonambulismo. Raro \u00e9 que esta faculdade se mostre permanente; quase sempre \u00e9 efeito de uma crise passageira. Na categoria dos m\u00e9diuns videntes se podem incluir todas as pessoas dotadas de dupla vista. A possibilidade de ver em sonho os Esp\u00edritos resulta, sem contesta\u00e7\u00e3o, de uma esp\u00e9cie de mediunidade, mas n\u00e3o constitui, propriamente falando, o que se chama m\u00e9dium vidente. Explicamos esse fen\u00f4meno em o cap\u00edtulo VI &#8211;<i>D as manifesta\u00e7\u00f5es visuais.<\/i><\/p>\n<p>O m\u00e9dium vidente julga ver com os olhos, como os que s\u00e3o dotados de dupla vista; mas, na realidade, \u00e9 a alma quem v\u00ea e por isso \u00e9 que eles tanto v\u00eaem com os olhos fechados, como com os olhos abertos; donde se conclui que um cego pode ver os Esp\u00edritos, do mesmo modo que qualquer outro que tem perfeita a vista. Sobre este \u00faltimo ponto caberia fazer-se interessante estudo, o de saber se a faculdade de que tratamos \u00e9 mais freq\u00fcente nos cegos. Esp\u00edritos que na Terra foram cegos nos disseram que, quando vivos, tinham, pela alma, a percep\u00e7\u00e3o de certos objetos e que n\u00e3o se encontravam imersos em <i>negra escurid\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>168. Cumpre distinguir as apari\u00e7\u00f5es acidentais e espont\u00e2neas da faculdade propriamente dita de ver os Esp\u00edritos. As primeiras s\u00e3o frequentes, sobretudo no momento da morte das pessoas que aquele que v\u00ea amou ou conheceu e que o v\u00eam prevenir de que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o deste mundo. H\u00e1 in\u00fameros exemplos de fatos deste g\u00eanero, sem falar das vis\u00f5es durante o sono. Doutras vezes, s\u00e3o, do mesmo modo, parentes, ou amigos que, conquanto mortos h\u00e1 mais ou menos tempo, aparecem, ou para avisar de um perigo, ou para dar um conselho, ou, ainda, para pedir um servi\u00e7o.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o que o Esp\u00edrito pode solicitar \u00e9, em geral, a execu\u00e7\u00e3o de uma coisa que lhe n\u00e3o foi poss\u00edvel fazer em vida, ou o aux\u00edlio das preces. Estas apari\u00e7\u00f5es constituem fatos isolados, que apresentam sempre um car\u00e1ter individual e pessoal, e n\u00e3o efeito de uma faculdade propriamente dita. A faculdade consiste na possibilidade, sen\u00e3o permanente, pelo menos muito freq\u00fcente de ver qualquer Esp\u00edrito que se apresente, ainda que seja absolutamente estranho ao vidente. A posse desta faculdade \u00e9 o que constitui, propriamente falando, o m\u00e9dium vidente.<\/p>\n<p>Entre esses m\u00e9diuns, alguns h\u00e1 que s\u00f3 v\u00eaem os Esp\u00edritos evocados e cuja descri\u00e7\u00e3o podem fazer com exatid\u00e3o minuciosa. Descrevem-lhes, com as menores particularidades, os gestos, a express\u00e3o da fisionomia, os tra\u00e7os do semblante, as vestes e, at\u00e9, os sentimentos de que parecem animados. Outros h\u00e1 em quem a faculdade da vid\u00eancia \u00e9 ainda mais ampla: v\u00eaem toda a popula\u00e7\u00e3o esp\u00edrita ambiente, a se mover em todos os sentidos, cuidando, poder-se-ia dizer, de seus afazeres.<\/p>\n<p>169. Assistimos uma noite \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da \u00f3pera <i>Oberon, <\/i>em companhia de um m\u00e9dium vidente muito bom. Havia na sala grande n\u00famero de lugares vazios, muitos dos quais, no entanto, estavam ocupados por Esp\u00edritos, que pareciam interessar-se pelo espet\u00e1culo. Alguns se colocavam junto de certos espectadores, como que a lhes escutar a conversa\u00e7\u00e3o. Cena diversa se desenrolava no palco: por detr\u00e1s dos atores muitos Esp\u00edritos, de humor jovial, se divertiam em arremed\u00e1-los, imitando-lhes os gestos de modo grotesco; outros, mais s\u00e9rios, pareciam inspirar os cantores e fazer esfor\u00e7os por lhes dar energia. Um deles se conservava sempre junto de uma das principais cantoras.<\/p>\n<p>Julgando-o animado de inten\u00e7\u00f5es um tanto levianas e tendo-o evocado ap\u00f3s a termina\u00e7\u00e3o do ato, ele acudiu ao nosso chamado e nos reprochou, com severidade, o temer\u00e1rio ju\u00edzo: &#8220;N\u00e3o sou o que julgas, disse; sou o seu gula e seu Esp\u00edrito protetor; sou encarregado de dirigi-la.&#8221; Depois de alguns minutos de uma palestra muito s\u00e9ria, deixou-nos, dizendo: &#8220;Adeus; ela est\u00e1 em seu camarim; \u00e9 preciso que v\u00e1 vigi\u00e1-la.&#8221; Em seguida, evocamos o Esp\u00edrito Weber, autor da \u00f3pera, e lhe perguntamos o que pensava da execu\u00e7\u00e3o da sua obra. &#8220;N\u00e3o de todo m\u00e1; por\u00e9m, frouxa; os atores cantam, eis tudo. N\u00e3o h\u00e1 inspira\u00e7\u00e3o. Espera, acrescentou, vou tentar dar-lhes um pouco do fogo sagrado.&#8221; Foi visto, da\u00ed a nada, no palco, pairando acima dos atores. Partindo dele, um como efl\u00favio se derramava sobre os int\u00e9rpretes. Houve, ent\u00e3o, nestes, vis\u00edvel recrudesc\u00eancia de energia.<\/p>\n<p>170. Outro fato que prova a influ\u00eancia que os Esp\u00edritos exercem sobre os homens, \u00e0 revelia destes: Assist\u00edamos, como nessa noite, a uma representa\u00e7\u00e3o teatral, com outro m\u00e9dium vidente. Travando conversa\u00e7\u00e3o com um <i>Esp\u00edrito espectador, <\/i>dissemos ele: &#8220;V\u00eas aquelas duas damas s\u00f3s, naquele camarote da primeira ordem? Pois bem, estou esfor\u00e7ando-me por fazer que deixem a sala.&#8221; Dizendo isso, o m\u00e9dium o viu ir colocar-se no camarote em quest\u00e3o e falar \u00e0s duas. De s\u00fabito, estas, que se mostravam muito atentas ao espet\u00e1culo, se entreolharam, parecendo consultar-se mutuamente.<\/p>\n<p>Depois, v\u00e3o-se e n\u00e3o mais voltam. O Esp\u00edrito nos fez ent\u00e3o um gesto c\u00f4mico, querendo significar que cumprira o que dissera. N\u00e3o \u00c9 tornamos a ver, para pedir-lhe explica\u00e7\u00f5es mais amplas. Assim que muitas vezes fomos testemunha do papel que os Esp\u00edritos desempenham entre os vivos. Observamo-los em diversos lugares de reuni\u00e3o, em bailes, concertos, serm\u00f5es, funerais, casamentos, etc., e por toda parte os encontramos ati\u00e7ando paix\u00f5es m\u00e1s, soprando disc\u00f3rdias, provocando rixas e rejubilando-se com suas proezas. Outros, ao contr\u00e1rio, combatiam essas influ\u00eancias perniciosas, por\u00e9m, raramente eram atendidos.<\/p>\n<p>171. A faculdade de ver os Esp\u00edritos pode, sem d\u00favida, desenvolver-se, mas \u00e9 uma das de que conv\u00e9m esperar o desenvolvimento natural, sem o provocar, em n\u00e3o se querendo ser joguete da pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o. Quando o g\u00e9rmen de uma faculdade existe, ela se manifesta de si mesma. Em princ\u00edpio, devemos contentar-nos com as que Deus nos outorgou, sem procurarmos o imposs\u00edvel, por isso que, pretendendo ter muito, corremos o risco de perder o que possu\u00edmos.<\/p>\n<p>Quando dissemos serem frequentes os casos de apari\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas (n. 107), n\u00e3o quisemos dizer que s\u00e3o muito comuns. Quanto aos m\u00e9diuns videntes, propriamente ditos, ainda s\u00e3o mais raros e h\u00e1 muito que desconfiar dos que se inculcam possuidores dessa faculdade. E prudente n\u00e3o se lhes dar cr\u00e9dito, sen\u00e3o diante de provas positivas. N\u00e3o aludimos sequer aos que se d\u00e3o \u00e0 ilus\u00e3o rid\u00edcula de ver os Esp\u00edritos gl\u00f3bulos, que descrevemos no n. 108; falamos apenas dos que dizem ver os Esp\u00edritos de modo racional. E fora de d\u00favida que algumas pessoas podem enganar-se de boa-f\u00e9, por\u00e9m, outras podem tamb\u00e9m simular esta faculdade por amor-pr\u00f3prio, ou por interesse. Neste caso, \u00e9 preciso, muito especialmente, levarem conta o car\u00e1ter, a moralidade e a sinceridade habituais; todavia, nas particularidades, sobretudo, \u00e9 que se encontram meios de mais segura verifica\u00e7\u00e3o, porquanto algumas h\u00e1 que n\u00e3o podem deixar suspeita, como, por exemplo, a exatid\u00e3o no retratar Esp\u00edritos que o m\u00e9dium jamais conheceu quando encamados. Pertence a esta categoria o fato seguinte:<\/p>\n<p>Uma senhora, vi\u00fava, cujo marido se comunica freq\u00fcentemente com ela, estava certa vez em companhia de um m\u00e9dium vidente, que n\u00e3o a conhecia, como n\u00e3o lhe conhecia a fam\u00edlia. Disse-lhe o m\u00e9dium, em dado momento: &#8211; Vejo um Esp\u00edrito perto da senhora. &#8211; Ah! disse esta por sua vez: E com certeza meu marido, que quase nunca me deixa. &#8211; N\u00e3o, respondeu o m\u00e9dium, \u00e9 uma mulher de certa idade; est\u00e1 penteada de modo singular; traz um band\u00f3 branco sobre a fronte.<\/p>\n<p>Por essa particularidade e outros detalhes descritos, a senhora reconheceu, sem haver possibilidade de engano, sua av\u00f3, em quem naquele instante absolutamente n\u00e3o pensava. Se o m\u00e9dium houvesse querido simular a faculdade, f\u00e1cil lhe fora acompanhar o pensamento da dama. Entretanto, em vez do marido, com quem ela se achava preocupada, ele v\u00ea uma mulher, com uma particularidade no penteado, da qual coisa alguma lhe podia dar id\u00e9ia. Este fato prova tamb\u00e9m que a vid\u00eancia, no m\u00e9dium, n\u00e3o era reflexo de qualquer pensamento estranho. (Veja-se o n.102.)<\/p>\n<p><b>6. M\u00e9diuns sonamb\u00falicos<\/b><\/p>\n<p>172. Pode considerar-se o sonambulismo uma variedade da faculdade medi\u00fanica, ou, melhor, s\u00e3o duas ordens de fen\u00f4menos que freq\u00fcentemente se acham reunidos. O son\u00e2mbulo age sob a influ\u00eancia do seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito; \u00e9 sua alma que, nos momentos de emancipa\u00e7\u00e3o, v\u00ea, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. O que ele externa tira-o de si mesmo; suas id\u00e9ias s\u00e3o, em geral, mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos mais dilatados, porque tem livre a alma. Numa palavra, ele vive antecipadamente a vida dos Esp\u00edritos. O m\u00e9dium, ao contr\u00e1rio, \u00e9 instrumento de uma intelig\u00eancia estranha; \u00e9 passivo e o que diz n\u00e3o vem de si Em resumo, o son\u00e2mbulo exprime o seu pr\u00f3prio pensamento, enquanto que o m\u00e9dium exprime o de outrem. Mas, o Esp\u00edrito que se comunica com um m\u00e9dium comum tamb\u00e9m o pode fazer com um son\u00e2mbulo; d\u00e1-se mesmo que, muitas vezes, o estado de emancipa\u00e7\u00e3o da alma facilita essa comunica\u00e7\u00e3o. Muitos son\u00e2mbulos v\u00eaem perfeitamente os Esp\u00edritos e os descrevem com tanta precis\u00e3o, como os m\u00e9diuns videntes. Podem confabular com eles e transmitirmos seus pensamentos. O que dizem, fora do \u00e2mbito de seus conhecimentos pessoais, lhes \u00e9 com freq\u00fc\u00eancia sugerido por outros Esp\u00edritos. Aqui est\u00e1 um exemplo not\u00e1vel, em que a dupla a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito do son\u00e2mbulo e de outro Esp\u00edrito se revela e de modo inequ\u00edvoco.<\/p>\n<p>173. Um de nossos amigos tinha como son\u00e2mbulo um rapaz de 14 a 15 anos, de intelig\u00eancia muito vulgar e instru\u00e7\u00e3o extremamente escassa. Entretanto, no estado de sonambulismo, deu provas de lucidez extraordin\u00e1ria e de grande perspic\u00e1cia. Excedia, sobretudo, no tratamento das enfermidades e operou grande n\u00famero de curas consideradas imposs\u00edveis. Certo dia, dando consulta a um doente, descreveu a enfermidade com absoluta exatid\u00e3o. N\u00e3o basta, disseram-lhe, agora \u00e9 preciso que indiques o rem\u00e9dio. N\u00e3o posso, respondeu, <i>meu anjo doutor n\u00e3o est\u00e1 aqui. <\/i>Quem \u00e9 esse anjo doutor de quem falas? &#8211; O que dita os rem\u00e9dios. &#8211; N\u00e3o \u00e9s tu, ent\u00e3o, que v\u00eas os rem\u00e9dios? &#8211; Oh! n\u00e3o; estou a dizer que \u00e9 o meu anjo doutor quem mos dita. Assim, nesse son\u00e2mbulo, a a\u00e7\u00e3o de <i>ver <\/i>o mal era do seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito que, para isso, n\u00e3o precisava de assist\u00eancia alguma; a indica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, dos rem\u00e9dios lhe era dada por outro. N\u00e3o estando presente esse outro, ele nada podia dizer. Quando s\u00f3, era apenas <i>son\u00e2mbulo; <\/i>assistido por aquele a quem chamava seu anjo doutor, era <i>son\u00e2mbulo-m\u00e9dium.<\/i><\/p>\n<p>174. A lucidez sonamb\u00falica \u00e9 uma faculdade que se radica no organismo e que independe, em absoluto, da eleva\u00e7\u00e3o, do adiantamento e mesmo do estado moral do indiv\u00edduo. Pode, pois, um son\u00e2mbulo ser muito l\u00facido e ao mesmo tempo incapaz de resolver certas quest\u00f5es, desde que seu Esp\u00edrito seja pouco adiantado. O que fala por si pr\u00f3prio pode, portanto, dizer coisas boas ou m\u00e1s, exatas ou falsas, demonstrar mais ou menos delicadeza e escr\u00fapulo nos processos de que use, conforme o grau de eleva\u00e7\u00e3o, ou de inferioridade do seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito. A assist\u00eancia ent\u00e3o de outro Esp\u00edrito pode suprir-lhe as defici\u00eancias. Mas, um son\u00e2mbulo, tanto como os m\u00e9diuns, pode ser assistido por um Esp\u00edrito mentiroso, leviano, ou mesmo mau. AI, sobretudo, \u00e9 que as qualidades morais exercem grande influ\u00eancia, para atra\u00edrem os bons Esp\u00edritos. (Veja-se: <i>O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>&#8220;Sonambulismo&#8221;, n. 425<i>, <\/i>e, aqui, adiante, o cap\u00edtulo sobre a &#8220;Influ\u00eancia moral do m\u00e9dium&#8221;.)<\/p>\n<p><b>7. M\u00e9diuns curadores<\/b><\/p>\n<p>175. Unicamente para n\u00e3o deixar de mencion\u00e1-la, falaremos aqui desta esp\u00e9cie de m\u00e9diuns, porquanto o assunto exigiria desenvolvimento excessivo para os limites em que precisamos ater-nos. Sabemos, ao demais, que um de nossos amigos, m\u00e9dico, se prop\u00f5e a trat\u00e1-lo em obra especial sobre a medicina intuitiva. Diremos apenas que este g\u00eanero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medica\u00e7\u00e3o. Dir-se-\u00e1, sem d\u00favida, que isso mais n\u00e3o \u00e9 do que magnetismo.<\/p>\n<p>Evidentemente, o fluido magn\u00e9tico desempenha a\u00ed importante papel; por\u00e9m, quem examina cuidadosamente o fen\u00f4meno sem dificuldade reconhece que h\u00e1 mais alguma coisa. A magnetiza\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria \u00e9 um verdadeiro tratamento seguido, regular e met\u00f3dico; no caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso.<\/p>\n<p>Todos os magnetizadores s\u00e3o mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos m\u00e9diuns curadores a faculdade \u00e9 espont\u00e2nea e alguns at\u00e9 a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A interven\u00e7\u00e3o de uma pot\u00eancia oculta, que \u00e9 o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunst\u00e2ncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com raz\u00e3o, ser qualificadas de m\u00e9diuns curadores recorre \u00e0 prece, que \u00e9 uma verdadeira evoca\u00e7\u00e3o. (Veja-se atr\u00e1s o n. 131.)<\/p>\n<p>176. Eis aqui as respostas que nos deram os Esp\u00edritos \u00e0s perguntas que lhes dirigimos sobre este assunto:<\/p>\n<p>1\u00aa a Podem considerar-se as pessoas dotadas de for\u00e7a magn\u00e9tica como formando uma variedade de m\u00e9diuns?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 que duvidar.&#8221;<\/p>\n<p>2\u00aa Entretanto, o m\u00e9dium \u00e9 um intermedi\u00e1rio entre os Esp\u00edritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si mesmo a for\u00e7a de que se utiliza, n\u00e3o parece que seja intermedi\u00e1rio de nenhuma pot\u00eancia estranha. &#8220;\u00c9 um erro; a for\u00e7a magn\u00e9tica reside, sem d\u00favida, no homem, mas \u00e9 aumentada pela a\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos que ele chama em seu auxilio. Se magnetizas com o prop\u00f3sito de curar, por exemplo, e invocas um bom Esp\u00edrito que se interessa por ti e pelo teu doente, ele aumenta a tua for\u00e7a e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe d\u00e1 as qualidades necess\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n<p>3\u00aa H\u00e1, entretanto, bons magnetizadores que n\u00e3o cr\u00eaem nos Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>&#8220;Pensas ent\u00e3o que os Esp\u00edritos s\u00f3 atuam nos que cr\u00eaem neles? Os que magnetizam para o bem s\u00e3o auxiliados por bons Esp\u00edritos. Todo homem que nutre o desejo do bem os chama, sem dar por isso, do mesmo modo que, pelo desejo do mal e pelas m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, chama os maus.&#8221;<\/p>\n<p>4\u00aa Agiria com maior efic\u00e1cia aquele que, tendo a for\u00e7a magn\u00e9tica, acreditasse na interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>&#8220;Faria coisas que considerar\u00edeis milagre.&#8221;<\/p>\n<p>5\u00aa H\u00e1 pessoas que verdadeiramente possuem o dom de curar pelo simples contacto, sem o emprego dos passes magn\u00e9ticos?<\/p>\n<p>&#8220;Certamente; n\u00e3o tens disso m\u00faltiplos exemplos?&#8221;<\/p>\n<p>6\u00aa Nesse caso, h\u00e1 tamb\u00e9m a\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica, ou apenas influ\u00eancia dos Esp\u00edritos? &#8220;Uma e outra coisa. Essas pessoas s\u00e3o verdadeiros m\u00e9diuns, pois que atuam sob a influ\u00eancia dos Esp\u00edritos; isso, por\u00e9m, n\u00e3o quer dizer que sejam quais m\u00e9diuns curadores, conforme o entendes.&#8221;<\/p>\n<p>7\u00aa Pode transmitir-se esse poder?<\/p>\n<p>&#8220;O poder, n\u00e3o; mas o conhecimento de que necessita, para exerc\u00ea-lo, quem o possua. N\u00e3o falta quem n\u00e3o suspeite sequer de que tem esse poder, se n\u00e3o acreditar que lhe foi transmitido.&#8221;<\/p>\n<p>8\u00aa Podem obter-se curas unicamente por meio da prece?<\/p>\n<p>&#8220;Sim, desde que Deus o permita; pode dar-se, no entanto, que o bem do doente esteja em sofrer por mais tempo e ent\u00e3o julgais que a vossa prece n\u00e3o foi ouvida.&#8221;<\/p>\n<p>9\u00aa Haver\u00e1 para isso algumas f\u00f3rmulas de prece mais eficazes do que outras?<\/p>\n<p>&#8220;Somente a supersti\u00e7\u00e3o pode emprestar virtudes quaisquer a certas palavras e somente Esp\u00edritos ignorantes, ou mentirosos podem alimentar semelhantes id\u00e9ias, prescrevendo f\u00f3rmulas. Pode, entretanto, acontecer que, em se tratando de pessoas pouco esclarecidas e incapazes de compreender as coisas puramente espirituais, o uso de determinada f\u00f3rmula contribua para lhes infundir confian\u00e7a. Neste caso, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 na f\u00f3rmula que est\u00e1 a efic\u00e1cia, mas na f\u00e9, que aumenta por efeito da id\u00e9ia ligada ao uso da f\u00f3rmula.&#8221;<\/p>\n<p><b>8. M\u00e9diuns pneumat\u00f3grafos<\/b><\/p>\n<p>177. D\u00e1-se este nome aos m\u00e9diuns que t\u00eam aptid\u00e3o para obter a escrita direta, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a todos os m\u00e9diuns escreventes. Esta faculdade, at\u00e9 agora, se mostra muito rara. Desenvolve-se, provavelmente, pelo exerc\u00edcio; mas, como dissemos, sua utilidade pr\u00e1tica se limita a uma comprova\u00e7\u00e3o patente da interven\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a oculta nas manifesta\u00e7\u00f5es. S\u00f3 a experi\u00eancia \u00e9 capaz de dar a ver a qualquer pessoa se a possui Pode-se, portanto, experimentar, como tamb\u00e9m se pode inquirir a respeito um Esp\u00edrito protetor, pelos outros meios de comunica\u00e7\u00e3o. Conforme seja maior ou menor o poder do m\u00e9dium, obt\u00eam-se simples tra\u00e7os, sinais, letras, palavras, frases e mesmo p\u00e1ginas inteiras. Basta de ordin\u00e1rio colocar uma folha de papel dobrada num lugar qualquer, ou indicado pelo Esp\u00edrito, durante dez minutos, ou um quarto de hora, \u00e0s vezes mais. A prece e o recolhimento s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es essenciais; \u00e9 por isso que se pode considerar imposs\u00edvel a obten\u00e7\u00e3o de coisa alguma, numa reuni\u00e3o de pessoas pouco s\u00e9rias, ou n\u00e3o animadas de sentimentos de simpatia e benevol\u00eancia. (Veja-se a teoria da escrita direta, cap\u00edtulo VIII, <i>Laborat\u00f3rio do mundo invis\u00edvel, <\/i>n. 127 e seguintes, e cap\u00edtulo XII, <i>Pneumatografia.)<\/i><\/p>\n<p>Trataremos de modo especial dos m\u00e9diuns escreventes nos cap\u00edtulos que se seguem.<\/p>\n<p><i>Nota da Editora <\/i>(FEB) &#8211; No original franc\u00eas est\u00e1 no grifo. <i>&#8220;Torpilles humaines\u201d <\/i>(Vide p\u00e1gina\u00a0208). <i>Torpille \u00e9 um <\/i>peixe semelhante \u00e0 raia<i>, <\/i>ou arraia, que tem \u00f3rg\u00e3os capazes de emitir descargas\u00a0el\u00e9tricas. \u00c9 o <i>peixe-torpedo, <\/i>\u00e0 seme1han\u00e7a das denomina\u00e7\u00f5es que damos, de &#8220;enguia-el\u00e9trica&#8221; ou\u00a0&#8220;peixe-el\u00e9trico&#8221;, ao peixe <i>poraqu\u00ea <\/i>amaz\u00f4nico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAP\u00cdTULO XIV DOS M\u00c9DIUNS M\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos. &#8211; Pessoas el\u00e9tricas. &#8211; M\u00e9diuns sensitivos ou impression\u00e1veis. &#8211; M\u00e9diuns audientes. &#8211; M\u00e9diuns falantes. &#8211; M\u00e9diuns videntes. &#8211; M\u00e9diuns sonamb\u00falicos. &#8211; M\u00e9diuns curadores. &#8211; M\u00e9diuns pneumat\u00f3grafos. 159. Todo aquele que sente, num &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/19-dos-mediuns\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":893,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1444","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1444"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1444\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}