{"id":298,"date":"2013-03-08T21:54:30","date_gmt":"2013-03-09T00:54:30","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=298"},"modified":"2013-03-08T21:54:30","modified_gmt":"2013-03-09T00:54:30","slug":"entrevista-com-judas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/entrivistas\/entrevista-com-judas\/","title":{"rendered":"Entrevista com Judas"},"content":{"rendered":"<p><b>Humberto de Campos entrevista Judas Iscariotes<\/b><\/p>\n<p>O consagrado escritor Humberto de Campos encontra em Jerusal\u00e9m, \u00e0s margens do Jord\u00e3o, o at\u00e9 hoje incompreendido Judas Iscariotes. Com ele conversa sobre a condena\u00e7\u00e3o de Jesus e realiza esclarecedora entrevista, ditada a Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, em 19 de abril de 1935.\u00a0Leiamos-la.<\/p>\n<p>&#8211; Nas margens caladas do Jord\u00e3o, n\u00e3o longe talvez do lugar sagrado, onde o Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua express\u00e3o fision\u00f4mica irradiava-se uma simpatia cativante.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe quem \u00e9 este? &#8211; murmurou algu\u00e9m aos meus ouvidos. &#8211; Este \u00e9 Judas.\u00a0 Judas?!&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Sim. Os esp\u00edritos apreciam, \u00e0s vezes, n\u00e3o obstante o progresso que j\u00e1 alcan\u00e7aram, volver atr\u00e1s, visitando os s\u00edtios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Ent\u00e3o mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao hero\u00edsmo necess\u00e1rio do futuro. Judas costuma vir a Terra, nos dias em que se comemora a Paix\u00e3o de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho&#8230;<\/p>\n<p>Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu n\u00e3o estou ainda livre da curiosidade do rep\u00f3rter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfei\u00e7\u00e3o de Judas existia um abismo. O meu atrevimento, por\u00e9m, e a santa humildade do seu cora\u00e7\u00e3o ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo.<\/p>\n<p>&#8211; O senhor \u00e9, de fato, o ex-filho de Iscariotes? &#8211; perguntei. &#8211; Sim, sou Judas &#8211; respondeu aquele homem triste, enxugando uma l\u00e1grima nas dobras de sua longa t\u00fanica. Como o Jeremias, das Lamenta\u00e7\u00f5es, contemplo \u00e0s vezes esta Jerusal\u00e9m arruinada, meditando no ju\u00edzo dos homens transit\u00f3rios&#8230; &#8211; E uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito \u00e0 sua personalidade na trag\u00e9dia da condena\u00e7\u00e3o de Jesus? &#8211; Em parte&#8230; Os escribas que redigiram os evangelhos n\u00e3o atenderam \u00e0s circunst\u00e2ncias e as tricas pol\u00edticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucifica\u00e7\u00e3o. P\u00f4ncio Pilotos e o tetrarca da Galil\u00e9ia, al\u00e9m dos seus interesses individuais na quest\u00e3o, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspira\u00e7\u00f5es religiosas dos anci\u00e3os judeus. Sempre a mesma hist\u00f3ria. O Sanedrim desejava o reino do c\u00e9u pelejando por Jeov\u00e1, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas for\u00e7as antag\u00f4nicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas id\u00e9ias socialistas do Mestre, por\u00e9m o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos cora\u00e7\u00f5es, eu via a pol\u00edtica, \u00fanica arma com a qual poderia triunfar e Jesus n\u00e3o obteria nenhuma vit\u00f3ria. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as r\u00e9deas do poder, j\u00e1 que, no seu manto e pobre, se sentia possu\u00eddo de um santo horror \u00e0 propriedade. Planejei ent\u00e3o uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secund\u00e1rio e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e en\u00e9rgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Max\u00eancio \u00e0s portas de Roma, o que, ali\u00e1s, apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caif\u00e1s, n\u00e3o julguei que as coisas atingissem um fim t\u00e3o lament\u00e1vel e, ralado de remorsos, presumi que o suic\u00eddio era a \u00fanica maneira de me redimir aos seus olhos. &#8211; E chegou a salvar-se pelo arrependimento? &#8211; N\u00e3o. N\u00e3o consegui. O remorso \u00e9 uma for\u00e7a preliminar para os trabalhos reparadores. Depois da minha morte tr\u00e1gica, submergi-me em s\u00e9culos de sofrimento expiat\u00f3rio da minha falta. Sofri horrores nas persegui\u00e7\u00f5es infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus, e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui tra\u00eddo, vendido e usurpado. V\u00edtima da felonia e da trai\u00e7\u00e3o, deixei na Terra os derradeiros resqu\u00edcios do meu crime, na Europa do s\u00e9culo XV Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e inf\u00e2mias que me aviltavam, com resigna\u00e7\u00e3o e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarna\u00e7\u00f5es na Terra, sentindo na fronte o \u00f3sculo de perd\u00e3o da minha pr\u00f3pria consci\u00eancia&#8230; &#8211; E est\u00e1 hoje meditando nos dias que se foram&#8230; &#8211; pensei com tristeza. &#8211; Sim&#8230; estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda n\u00e3o \u00e9 deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na cruz entregando a Deus o seu destino&#8230; Sinto a clamorosa injusti\u00e7a dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recorda\u00e7\u00e3o carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe&#8230; Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor&#8230; Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra&#8230; Sobre o meu nome pesa a maldi\u00e7\u00e3o milen\u00e1ria, como sobre estes s\u00edtios cheios de mis\u00e9ria e de infort\u00fanio. Pessoalmente, por\u00e9m, estou saciado de justi\u00e7a, porque j\u00e1 fui absolvido pela minha consci\u00eancia no tribunal dos supl\u00edcios redentores. Quanto ao Divino Mestre &#8211; continuou Judas com os seus prantos &#8211; infinita \u00e9 a sua miseric\u00f3rdia e n\u00e3o s\u00f3 para comigo, porque, se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, h\u00e1 muitos s\u00e9culos Ele est\u00e1 sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os pre\u00e7os, em todos os padr\u00f5es do ouro amoedado&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; E verdade &#8211; conclu\u00ed &#8211; e os novos negociadores do Cristo n\u00e3o se enforcam depois de vend\u00ea-Lo. Judas afastou-se tomando a dire\u00e7\u00e3o do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invis\u00edveis para o mundo, vi que no c\u00e9u brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jord\u00e3o rolava na sua quietude como um len\u00e7ol de \u00e1guas mortas, procurando um mar morto.<\/p>\n<p><b>Alian\u00e7a Esp\u00edrita \u2013 Junho de 2000<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Humberto de Campos entrevista Judas Iscariotes O consagrado escritor Humberto de Campos encontra em Jerusal\u00e9m, \u00e0s margens do Jord\u00e3o, o at\u00e9 hoje incompreendido Judas Iscariotes. 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