{"id":4224,"date":"2016-06-27T10:35:31","date_gmt":"2016-06-27T13:35:31","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4224"},"modified":"2016-06-27T10:35:31","modified_gmt":"2016-06-27T13:35:31","slug":"7-roustaing-uma-eterna-desilusao-febiana","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/falsos-profetas\/7-roustaing-uma-eterna-desilusao-febiana\/","title":{"rendered":"7 &#8211; Roustaing \u2013 Uma Eterna Desilus\u00e3o FEBIANA"},"content":{"rendered":"<p>ROUSTAING \u2013 UMA ETERNA DESILUS\u00c3O FEBIANA (JOSE PASSINI, ALTOLFO OLEG\u00c1RIO, LEONARDO MARMO E JORGE HESSEN)<\/p>\n<p>JOS\u00c9 PASSINI<\/p>\n<p><a href=\"mailto:passinijose@yahoo.com.br\">passinijose@yahoo.com.br<\/a><\/p>\n<p>Juiz de Fora, Minas Gerais (Brasil)<\/p>\n<p>O Espiritismo, na sua condi\u00e7\u00e3o de Cristianismo redivivo, n\u00e3o poderia deixar de receber os ataques das for\u00e7as contr\u00e1rias ao esclarecimento e liberta\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito humano. Embora pare\u00e7a um paradoxo, o volume e a intensidade dos ataques constituem um verdadeiro atestado da legitimidade do Consolador.<\/p>\n<p>A primeira, e talvez a mais forte das investidas, foi a publica\u00e7\u00e3o da obra de J. B. Roustaing, conhecida, em l\u00edngua portuguesa como \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d.<\/p>\n<p>Na obra \u201cBrasil Cora\u00e7\u00e3o do Mundo P\u00e1tria do Evangelho\u201d, Roustaing \u00e9 citado como pertencente \u00e0 equipe de Kardec. H\u00e1 aqueles que contestam a autenticidade de tal afirmativa. Entretanto, sabe-se que todo mission\u00e1rio que vem \u00e0 Terra traz consigo uma equipe, constitu\u00edda de Esp\u00edritos, trabalhadores de boa vontade, mas sujeitos a falhas. Zamenhof veio \u00e0 Terra com um grupo de Esp\u00edritos para a implanta\u00e7\u00e3o do Esperanto. Dentro dessa equipe, houve um Esp\u00edrito que falhou. Traiu o grande Mission\u00e1rio, liderando um grupo que apresentou uma vers\u00e3o modificada do Esperanto numa conven\u00e7\u00e3o mundial. Sua falha foi t\u00e3o grande, que foi chamado Judas por uma bi\u00f3grafa de Zamenhof, tal a repercuss\u00e3o da sua atitude.<\/p>\n<p>Roustaing, embora tenha reencarnado com tarefa definida junto \u00e0 obra de Kardec, conforme relato de Humberto de Campos na obra \u201cBrasil, Cora\u00e7\u00e3o do Mundo, P\u00e1tria do Evangelho\u201d, foi v\u00edtima de Esp\u00edritos que se enquadram perfeitamente na classifica\u00e7\u00e3o de Kardec, como Esp\u00edritos pseudo-s\u00e1bios, conforme item 104 de \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d:<\/p>\n<p>\u201cSeus conhecimentos s\u00e3o bastante amplos, mas acreditam saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles tem car\u00e1ter s\u00e9rio, que pode iludir quanto \u00e0s suas capacidades e luzes; por\u00e9m, na maioria das vezes isso n\u00e3o passa de um reflexo dos preconceitos e das id\u00e9ias sistem\u00e1ticas da vida terrestre. \u00c9 uma mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos. Em meio aos quais despontam a presun\u00e7\u00e3o, o orgulho, o ci\u00fame e a obstina\u00e7\u00e3o, de que n\u00e3o puderam livrar-se.\u201d<\/p>\n<p>Roustaing desejou produzir obra pr\u00f3pria, tornando-se presa f\u00e1cil de fascina\u00e7\u00e3o. Esse n\u00e3o foi o primeiro, nem o \u00faltimo caso, na Humanidade, da fal\u00eancia de um Esp\u00edrito pertencente a um grupo de trabalho. Judas, da equipe de Jesus, tamb\u00e9m falhou.<\/p>\n<p>Esses quatro volumes constituem obra fantasiosa, repetitiva, que, em muitos pontos, contradiz fundamentalmente a Doutrina Esp\u00edrita. \u00c9 apresentada em tom professoral, catedr\u00e1tico, que choca frontalmente com a simplicidade, objetividade e limpidez das express\u00f5es de Kardec e dos Esp\u00edritos que dialogaram com ele.<\/p>\n<p>As cita\u00e7\u00f5es que fizermos, respostas dos Esp\u00edritos mistificadores que orientaram Roustaing, todas em negrito vermelho ser\u00e3o referentes \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de 1971 de Os Quatro Evangelhos, que difere um tanto daquela de 1942, da mesma editora, pois que foram suprimidos ataques a Kardec.<\/p>\n<p>Roustaing pretendeu dar nova vers\u00e3o \u00e0 tese da virgindade de Maria, atrav\u00e9s de uma pseudo-gravidez, que teria culminado no aparecimento de um beb\u00ea flu\u00eddico, surgido de uma gravidez enganosa, de um parto fict\u00edcio, de uma lacta\u00e7\u00e3o aparente, de um desenvolvimento f\u00edsico falso e de uma desencarna\u00e7\u00e3o mentirosa.<\/p>\n<p>\u201cMas, n\u00e3o o esque\u00e7ais: todo aquele que reveste a carne e sofre, como v\u00f3s, a encarna\u00e7\u00e3o material humana \u2013 \u00e9 fal\u00edvel.\u201d (p\u00e1g. 166).<\/p>\n<p>Estaria o Esp\u00edrito querendo dizer que se Jesus encarnasse estaria sujeito a falhar? Por isso n\u00e3o teria encarnado?<\/p>\n<p>Jesus viveu a vida de um homem normal da sua \u00e9poca: trabalhava, comia, bebia, hospedava-se nas casas das pessoas. Por que mudou completamente seu modo de agir depois da desencarna\u00e7\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 nenhum registro no Novo Testamento que se tenha hospedado em casa de algu\u00e9m, nem que tenha feito refei\u00e7\u00f5es regulares, como fazia. \u00c9 claro que desejava deixar claro que n\u00e3o mais estava encarnado, que n\u00e3o mais tinha necessidades materiais.<\/p>\n<p>Seu enquadramento na vida terrena, enquanto encarnado \u00e9 claramente demonstrada na cita\u00e7\u00e3o abaixo:<\/p>\n<p>\u201cE chegando s\u00e1bado, come\u00e7ou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: Donde lhe vem essas coisas? E que sabedoria \u00e9 esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas m\u00e3os? N\u00e3o \u00e9 este o carpinteiro, filho de Maria, e irm\u00e3o de Tiago, e de Jos\u00e9, e de Judas e de Sim\u00e3o? E n\u00e3o est\u00e3o aqui conosco suas irm\u00e3s? (Marcos, 6: 2 e 3).<\/p>\n<p>Mas, embora tivesse poderes para faz\u00ea-lo quando encarnado, nunca atravessou portas fechadas, nem apareceu ou desapareceu subitamente, como o fez depois de desencarnado, demonstrando a imortalidade da alma, apresentando-se apenas com seu corpo espiritual:<\/p>\n<p>\u201cE oito dias depois estavam outra vez os seus disc\u00edpulos dentro, e com eles Tom\u00e9. Chegou Jesus estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio deles, e disse: Paz seja convosco.\u201d (Jo\u00e3o, 20: 26)<\/p>\n<p>H\u00e1 outro relato de aparecimento, este com desaparecimento tamb\u00e9m:<\/p>\n<p>\u201cE eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusal\u00e9m sessenta est\u00e1dios, cujo nome era Ema\u00fas. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que n\u00e3o o conhecessem. E chegaram \u00e0 aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram dizendo: Fica conosco porque j\u00e1 \u00e9 tarde, e j\u00e1 declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles \u00e0 mesa, tomando o p\u00e3o o aben\u00e7oou e partiu-o, e lhes deu. Abriram-se-lhes ent\u00e3o os olhos, e o conheceram, e ele lhes desapareceu.\u201d (Lucas, 24: 13, 15, 16, 28 a 31).<\/p>\n<p>Se Jesus n\u00e3o teve um corpo f\u00edsico, como afirma Roustaing, por que passou a agir de maneira t\u00e3o diferente depois da sua desencarna\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Roustaing tenta apagar a not\u00e1vel li\u00e7\u00e3o de Paulo, no cap. 15 da Primeira carta aos Cor\u00edntios, onde o Ap\u00f3stolo fala claramente em corpo f\u00edsico e corpo espiritual.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar a argumenta\u00e7\u00e3o de Paulo:<\/p>\n<p>\u201cPorque se os mortos n\u00e3o ressuscitam, tamb\u00e9m Cristo n\u00e3o ressuscitou.\u201d (16)<\/p>\n<p>\u201cMas algu\u00e9m dir\u00e1: Como ressuscitar\u00e3o os mortos? E com que corpo vir\u00e3o?\u201d (35).<\/p>\n<p>\u201cSemeia-se corpo animal, ressuscitar\u00e1 corpo espiritual. Se h\u00e1 corpo animal, h\u00e1 tamb\u00e9m corpo espiritual.\u201d (44)<\/p>\n<p>Se Paulo entendesse que Jesus tinha s\u00f3 corpo flu\u00eddico, n\u00e3o falaria em ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0queles que perguntam sobre o que aconteceu com o corpo f\u00edsico de Jesus \u2013 pois que desaparecera do t\u00famulo \u2013 pode-se responder com os trabalhos levados a efeito por equipes de cientistas internacionais que estudaram o pano sobre o qual o cad\u00e1ver de Jesus foi desmaterializado, pano esse conhecido como o Sud\u00e1rio de Turim. Constitui ele rel\u00edquia ciosamente guardada pela Igreja Cat\u00f3lica Romana, que retrata a figura de um homem, de frente e de costas, que sofrera flagela\u00e7\u00f5es, tudo coincidindo com o que se conhece sobre Jesus. Mas, os cientistas n\u00e3o chegaram a conclus\u00e3o alguma sobre como fora gravada a imagem. Declaram que n\u00e3o foi pintura, tintura, queimadura por fogo ou por \u00e1cido, nem radia\u00e7\u00e3o at\u00f4mica. Sabemos, n\u00f3s esp\u00edritas, que seu corpo foi desmaterializado.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o \u00e9 a tese do corpo flu\u00eddico o ponto mais grave da obra. H\u00e1 afirmativas que contrariam frontalmente as bases doutrin\u00e1rias do Espiritismo. Vejamos algumas, dentre muitas:<\/p>\n<p>Evolu\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito:<\/p>\n<p>Com Kardec, em O Livro dos Esp\u00edritos, aprende-se que o princ\u00edpio inteligente percorre, durante mil\u00eanios incont\u00e1veis, as trilhas da evolu\u00e7\u00e3o, antes de atingir o est\u00e1gio de humanidade. Aprende-se que a consci\u00eancia moral que caracteriza o ser humano, libertando-o gradualmente do jugo dos instintos, desabrocha lentamente, revelando a perfei\u00e7\u00e3o imanente no Ser:<\/p>\n<p>O Livro dos Esp\u00edritos \u2013 607 a. Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princ\u00edpio inteligente dos seres inferiores da cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 n\u00e3o dissemos que tudo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, \u00e9 que o princ\u00edpio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. \u00c9, de certo modo, um trabalho preparat\u00f3rio, como o da germina\u00e7\u00e3o, por efeito do qual o princ\u00edpio inteligente sofre uma transforma\u00e7\u00e3o e se torna Esp\u00edrito. Entra ent\u00e3o no per\u00edodo da humaniza\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando a ter consci\u00eancia do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, \u00e0 fase da inf\u00e2ncia se segue \u00e0 da adolesc\u00eancia, vindo depois a da juventude e da madureza.\u201d<\/p>\n<p>Respondendo a Roustaing, os Esp\u00edritos com os quais dialogou, falam numa transforma\u00e7\u00e3o do instinto em intelig\u00eancia \u2013 num determinado momento \u2013 levada a efeito por agentes exteriores e n\u00e3o atrav\u00e9s do pr\u00f3prio processo evolutivo, o que faz pensar numa esp\u00e9cie de \u201ccola\u00e7\u00e3o de grau\u201d espiritual. Interessante notar, tamb\u00e9m, que o Esp\u00edrito, depois de todas as aquisi\u00e7\u00f5es individuais retorne ao \u201ctodo universal\u201d, onde, certamente, perderia a sua individualidade. Al\u00e9m disso, como teria, um Esp\u00edrito rec\u00e9m-sa\u00eddo da animalidade ter um perisp\u00edrito t\u00e3o sutil a ponto de quase ser invis\u00edvel aos Esp\u00edritos Superiores? Vejamos a pergunta de Roustaing e a resposta dos Esp\u00edritos:<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 que, chegado ao per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o para entrar na humanidade, na espiritualidade consciente, o Esp\u00edrito passa desse estado misto, que o separa do animal e o prepara para a vida espiritual, ao estado de Esp\u00edrito formado, isto \u00e9, de individualidade inteligente, livre e respons\u00e1vel?\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 nesse momento que se prepara a transforma\u00e7\u00e3o do instinto em intelig\u00eancia consciente. Suficientemente desenvolvido no estado animal, o Esp\u00edrito \u00e9, de certo modo, restitu\u00eddo ao todo universal, mas em condi\u00e7\u00f5es especiais \u00e9 conduzido aos mundos ad hoc, \u00e0s regi\u00f5es preparativas, pois que lhe cumpre achar o meio onde elaboram os princ\u00edpios constitutivos do perisp\u00edrito. (\u2026) A\u00ed perde a consci\u00eancia do seu ser, porquanto a influ\u00eancia da mat\u00e9ria tem que se anular no per\u00edodo da estagna\u00e7\u00e3o, e cai num estado a que chamaremos, para que nos possais compreender, letargia. Durante esse per\u00edodo, o perisp\u00edrito, destinado a receber o princ\u00edpio espiritual, se desenvolve, se constitui ao derredor daquela centelha de verdadeira vida. Toma a princ\u00edpio uma forma indistinta, depois se aperfei\u00e7oa gradualmente como o g\u00e9rmen no seio materno e passa por todas as fases do desenvolvimento. Quando o inv\u00f3lucro est\u00e1 pronto para cont\u00ea-lo, o Esp\u00edrito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admira\u00e7\u00e3o. Nesse ponto, o perisp\u00edrito \u00e9 completamente flu\u00eddico, mesmo para n\u00f3s. T\u00e3o p\u00e1lida \u00e9 a chama que ele encerra, a ess\u00eancia espiritual da vida, que os nossos sentidos, embora sutil\u00edssimos, dificilmente a distinguem.\u201d (1\u00ba vol., p\u00e1g. 308).<\/p>\n<p>Respondendo a Kardec, os Esp\u00edritos ensinam que o Esp\u00edrito emerge lentamente da animalidade, das necessidades materiais, atrav\u00e9s de sucessivas encarna\u00e7\u00f5es, ao longo de mil\u00eanios sucessivos, que se constituem em oportunidades absolutamente necess\u00e1rias ao seu progresso. O perisp\u00edrito, que sempre reveste o Esp\u00edrito, vai-se modificando com o passar do tempo.<\/p>\n<p>Roustaing se refere ao per\u00edspirito como se fosse uma roupagem preparada longe do Esp\u00edrito que deva us\u00e1-la: \u201cQuando o inv\u00f3lucro est\u00e1 pronto para cont\u00ea-lo, o Esp\u00edrito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admira\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Afirma, o Esp\u00edrito que respondeu a Roustaing : \u201cNesse ponto, o perisp\u00edrito \u00e9 completamente flu\u00eddico, mesmo para n\u00f3s.\u201d Que perisp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 flu\u00eddico? Seria apenas naquele momento?<\/p>\n<p>O Livro dos Esp\u00edritos \u2013 609. Uma vez no per\u00edodo da humanidade, conserva o Esp\u00edrito tra\u00e7os do que era precedentemente, quer dizer: do estado em que se achava no per\u00edodo a que se poderia chamar ante-humano?<\/p>\n<p>\u201cConforme a dist\u00e2ncia que medeie entre os dois per\u00edodos e o progresso realizado. Durante algumas gera\u00e7\u00f5es, pode ele conservar vest\u00edgios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 sempre an\u00e9is que ligam as extremidades da cadeias dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vest\u00edgios, por\u00e9m, se apagam com o desenvolvimento do livre-arb\u00edtrio. Os primeiros progressos s\u00f3 muito lentamente se efetuam, porque n\u00e3o t\u00eam a secund\u00e1-los a vontade. V\u00e3o em progress\u00e3o mais r\u00e1pida \u00e0 medida que o Esp\u00edrito adquire mais perfeita consci\u00eancia de si mesmo.\u201d<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos, respondendo a Roustaing, afirmam que o Esp\u00edrito s\u00f3 volta \u00e0 vida material por castigo. Se \u00e9 humanizado apenas ap\u00f3s cometer a primeira falta, depreende-se que se n\u00e3o houvesse falta n\u00e3o haveria reencarna\u00e7\u00e3o. Como Roustaing explicaria a evolu\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito? Analise-se seu di\u00e1logo com um Esp\u00edrito:<\/p>\n<p>(\u2026) para o Esp\u00edrito formado, que j\u00e1 tem intelig\u00eancia independente, consci\u00eancia de suas faculdades, consci\u00eancia e liberdade dos seus atos, livre-arb\u00edtrio e que se encontra no estado de inoc\u00eancia e ignor\u00e2ncia, a encarna\u00e7\u00e3o, primeiro, em terras primitivas, depois, nos mundos inferiores e superiores, at\u00e9 que haja atingido a perfei\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma necessidade e n\u00e3o um castigo?\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o; a encarna\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o \u00e9 uma necessidade, \u00e9 um castigo, j\u00e1 o dissemos. E o castigo n\u00e3o pode preceder a culpa.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 humanizado, tamb\u00e9m j\u00e1 o explicamos, antes que a primeira falta o tenha sujeitado \u00e0 encarna\u00e7\u00e3o humana. S\u00f3 ent\u00e3o ele \u00e9 preparado, como igualmente j\u00e1 o mostramos, para lhe sofrer as consequ\u00eancias.\u201d (1\u00ba vol., p\u00e1g. 317)Em Kardec, aprende-se que\u00a0 o progresso do Esp\u00edrito \u00e9 irrevers\u00edvel, o que \u00e9 racional, pois se n\u00e3o houvesse a irreversibilidade do progresso espiritual n\u00e3o haveria seguran\u00e7a nem estabilidade no Universo.<\/p>\n<p>O Livro dos Esp\u00edritos \u2013 118. Podem os Esp\u00edritos degenerar?<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o; \u00e0 medida que avan\u00e7am, compreendem o que os distanciava da perfei\u00e7\u00e3o. Concluindo uma prova, o Esp\u00edrito fica com a ci\u00eancia que da\u00ed lhe veio e n\u00e3o a esquece. Pode permanecer estacion\u00e1rio, mas n\u00e3o retrograda.\u201d<\/p>\n<p>Roustaing admite possa um Esp\u00edrito que j\u00e1 desempenhou fun\u00e7\u00f5es elevadas no Mundo Espiritual ser tomado pela inveja, pelo orgulho, etc., o que evidencia uma nova vers\u00e3o para a \u201cqueda dos anjos\u201d, conforme a teologia Cat\u00f3lica Romana e, tamb\u00e9m, a Protestante.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 tendo grande poder sobre as regi\u00f5es inferiores, cujo governo aprenderam a exercer, no sentido de que, sempre sob as vistas dos Esp\u00edritos prepostos \u00e0 miss\u00e3o de educ\u00e1-los e sob a do protetor especial do planeta de que se trate, aprendem a dirigir a revolu\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es, a regular a fertilidade do solo, a guiar os encarnados, influenciando-os ocultamente, muitos acreditam que s\u00f3 ao merecimento pr\u00f3prio devem o que podem e, desprezando todos os conselhos, caem. \u00c9 a queda pelo orgulho.<\/p>\n<p>Outros, por nem sempre compreenderem a a\u00e7\u00e3o poderosa de Deus, n\u00e3o admitem haja uma hierarquia espiritual e acusam de injusti\u00e7a aquele que os criou, porquanto \u00e9 Deus quem cria, n\u00e3o o esque\u00e7ais. Esses os que caem por inveja.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ate\u00edsmo \u2013 por mais imposs\u00edvel que pare\u00e7a \u2013 at\u00e9 o ate\u00edsmo se manifesta naqueles pobres cegos colocados no centro mesmo da luz. (\u2026) Nesse caso, sobretudo nesse caso, mais severo \u00e9 o castigo. \u00c9 um dos casos de primitiva encarna\u00e7\u00e3o humana.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Preciso se torna que os culpados sintam, no seu interesse, o peso da m\u00e3o cuja exist\u00eancia n\u00e3o quiseram reconhecer.<\/p>\n<p>Qualquer que seja a causa da queda, orgulho, inveja ou ate\u00edsmo, os que caem, tornando-se, por isso, Esp\u00edritos de trevas, s\u00e3o precipitados nos tenebrosos lugares de encarna\u00e7\u00e3o humana, conforme o grau de culpabilidade, nas condi\u00e7\u00f5es impostas pela necessidade de expiar e progredir.\u201d (1\u00ba vol., p\u00e1g. 311)<\/p>\n<p>Kardec obt\u00e9m dos Esp\u00edritos Superiores resposta que deixa muito claro que o Esp\u00edrito que atingiu a humaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o retorna jamais \u00e0s formas animais, o que contraria frontalmente a teoria da Metempsicose esposada por Roustaing:<\/p>\n<p>O Livro dos Esp\u00edritos \u2013 612. Poderia encarnar num animal o Esp\u00edrito que animou o corpo de um homem?<\/p>\n<p>\u201cIsso seria retrogradar e o Esp\u00edrito n\u00e3o retrograda. O rio n\u00e3o remonta \u00e0 sua nascente.\u201d<\/p>\n<p>Em Roustaing, v\u00ea-se que, al\u00e9m de admitir a Metempsicose, afirmam seus interlocutores possa um Esp\u00edrito voltar \u00e0 Terra, ou a outros mundos, animando corpos primitiv\u00edssimos, como larvas!<\/p>\n<p>\u201cHaveis dito que os Esp\u00edritos destinados a ser humanizados, por terem errado muito gravemente, s\u00e3o lan\u00e7ados em terras primitivas, virgens ainda do aparecimento do homem, do reino humano, mas preparadas e prontas para essas encarna\u00e7\u00f5es e que a\u00ed encarnam em subst\u00e2ncias humanas, \u00e0s quais n\u00e3o se pode dar propriamente o nome de corpos, nas condi\u00e7\u00f5es de macho e f\u00eamea, aptos para a procria\u00e7\u00e3o e para a reprodu\u00e7\u00e3o. Quais as condi\u00e7\u00f5es dessas subst\u00e2ncias humanas?\u201d\u201cS\u00e3o corpos ainda rudimentares. O homem aporta a essas terras no estado de esbo\u00e7o, como tudo que se forma nas terras primitivas. O macho e a f\u00eamea n\u00e3o s\u00e3o nem desenvolvidos, nem fortes, nem inteligentes.<\/p>\n<p>Mal se arrastando nos seus grosseiros inv\u00f3lucros, vivem, como os animais, do que encontram no solo e lhes convenha.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores e o terreno produzem abundantemente para a nutri\u00e7\u00e3o de cada esp\u00e9cie. Os animais carn\u00edvoros n\u00e3o os ca\u00e7am. A provid\u00eancia do Senhor vela pela conserva\u00e7\u00e3o de todos. Seus \u00fanicos instintos s\u00e3o os da alimenta\u00e7\u00e3o e os da reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o poder\u00edamos compar\u00e1-los melhor do que a cript\u00f3gamos carnudos. Poder\u00edeis formar id\u00e9ia da cria\u00e7\u00e3o humana, estudando essas larvas informes que vegetam em certas plantas, particularmente nos l\u00edrios.\u201d (p\u00e1gs. 312 \/ 313)<\/p>\n<p>Autenticidade da Encarna\u00e7\u00e3o de Jesus:<\/p>\n<p>Kardec mostra Jesus como o modelo mais perfeito para a evolu\u00e7\u00e3o humana, logo, o seu corpo deveria ter a mesma constitui\u00e7\u00e3o do corpo daqueles aos quais ele deveria servir de modelo, e seu testemunho basear-se na verdade.<\/p>\n<p>O Livro dos Esp\u00edritos \u2013 625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?<\/p>\n<p>\u201cJesus.\u201d<\/p>\n<p>O Livro dos Esp\u00edritos \u2013 624. Qual o car\u00e1ter do verdadeiro profeta?<\/p>\n<p>\u201cO verdadeiro profeta \u00e9 um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhec\u00ea-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Imposs\u00edvel \u00e9 que Deus se sirva da boca do mentiroso para a ensinar a verdade.\u201d<\/p>\n<p>Roustaing mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, desde o seu nascimento at\u00e9 a sua morte, que teria sido tamb\u00e9m um simulacro, uma verdadeira encena\u00e7\u00e3o teatral. Al\u00e9m do mais, ainda o chama de um Deus milagrosamente encarnado! (1\u00ba vol., p\u00e1gs. 242 \/ 243)<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) um homem tal como v\u00f3s quanto ao inv\u00f3lucro corporal e, ao mesmo tempo, quanto ao Esp\u00edrito, um Deus: portanto, um homem-Deus.\u201d (p\u00e1g. 242)<\/p>\n<p>Aqui, \u00e9 declarado que o inv\u00f3lucro corporal de Jesus era igual ao de todos n\u00f3s\u2026<\/p>\n<p>Kardec afirma categoricamente que Jesus teve um corpo carnal e um corpo flu\u00eddico, como todos encarnados temos:<\/p>\n<p>\u201cA estada de Jesus na Terra apresenta dois per\u00edodos: o que precedeu e o que se seguiu \u00e0 sua morte. No primeiro, desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita \u00e0 sua m\u00e3e, como nas condi\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias da vida. Desde o seu nascimento at\u00e9 a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunst\u00e2ncias de sua vida, revela caracteres inequ\u00edvocos de corporeidade. (\u2026) tamb\u00e9m for\u00e7oso \u00e9 se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que n\u00e3o se pode duvidar, \u00e9 que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAos fatos materiais juntam-se fort\u00edssimas considera\u00e7\u00f5es morais.<\/p>\n<p>Se as condi\u00e7\u00f5es de Jesus, durante sua vida, fossem as dos seres flu\u00eddicos, ele n\u00e3o teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido, \u00e9 tirar-lhe o m\u00e9rito da vida de priva\u00e7\u00f5es e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resigna\u00e7\u00e3o. (\u2026) e fazer crer num sacrif\u00edcio ilus\u00f3rio de sua vida, numa com\u00e9dia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte raz\u00e3o de um ser t\u00e3o superior. Numa palavra, ele teria abusado da boa f\u00e9 dos seus contempor\u00e2neos e da posteridade. Tais as consequ\u00eancias l\u00f3gicas desse sistema, consequ\u00eancias inadmiss\u00edveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem.<\/p>\n<p>Jesus teve, pois, como todo homem, um corpo carnal e um corpo flu\u00eddico, o que \u00e9 atestado pelos fen\u00f4menos materiais e pelos fen\u00f4menos ps\u00edquicos que lhe assinalaram a exist\u00eancia.\u201d (A G\u00eanese, cap. XV, itens 65 e 66)<\/p>\n<p>Roustaing mostra um Jesus que estaria fingindo estar encarnado, que fingia alimentar-se, desde o seu nascimento. Seria o guia e modelo enganando que mamava, que comia, que bebia, que sofria e que desencarnou?<\/p>\n<p>\u201cQuando Maria, sendo Jesus, na apar\u00eancia, pequenino, lhe dava o seio \u2013 o leite era desviado pelos Esp\u00edritos superiores que o cercavam, de um modo bem simples: em vez de ser sorvido pelo \u201cmenino\u201d, que dele n\u00e3o precisava, era restitu\u00eddo \u00e0 massa do sangue por uma a\u00e7\u00e3o flu\u00eddica, que se exercia sobre Maria, inconsciente dela.\u201d (1\u00ba vol, p\u00e1g. 243).<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos superiores que o cercavam em n\u00famero, para v\u00f3s, incalcul\u00e1vel, todos submissos \u00e0 sua vontade, seus dedicados auxiliares, faziam desaparecer os alimentos que lhe eram apresentados e que n\u00e3o tinha para ele utilidade. Aqueles Esp\u00edritos os subtraiam da vista dos homens, de modo a lhes causar completa ilus\u00e3o, \u00e0 medida que parecia\u00a0 ser ingeridos por Jesus, cobrindo-os, para esse fim, de fluidos que os tornavam invis\u00edveis.\u201d (1\u00ba vol, p\u00e1gs. 262\/263).<\/p>\n<p>Apari\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s e Elias:<\/p>\n<p>Inegavelmente, as afirma\u00e7\u00f5es mais claras a respeito da reencarna\u00e7\u00e3o, contidas no Novo Testamento, encontram-se nos Evangelhos de Mateus (17: 10-13) e de Marcos (9: 11), onde se l\u00ea que Jesus\u00a0 dialogou com Mois\u00e9s e Elias no Tabor, diante dos disc\u00edpulos Pedro, Tiago e Jo\u00e3o. Questionado quanto \u00e0 identidade de Elias, o Mestre afirma categoricamente que Jo\u00e3o Batista foi a reencarna\u00e7\u00e3o do Profeta Elias.<\/p>\n<p>Em Roustaing, de maneira fantasiosa e completamente inveross\u00edmil, numa tentativa de desacreditar a reencarna\u00e7\u00e3o, misturando fatos e fantasias, \u00e9 declarado que Mois\u00e9s, Elias e, consequentemente, Jo\u00e3o Batista s\u00e3o o mesmo Esp\u00edrito, e que ali, no Monte Tabor, um outro Esp\u00edrito tomou a apar\u00eancia de Mois\u00e9s e conversou com Jesus. V\u00ea-se a\u00ed, mais uma vez o ilusionismo, para n\u00e3o dizer a falsidade da obra de Roustaing:<\/p>\n<p>\u201cO que, por\u00e9m, Jesus naquela ocasi\u00e3o n\u00e3o podia nem devia dizer e que agora tem que ser dito \u00e9 o seguinte: Mois\u00e9s \u2013 Elias \u2013 Jo\u00e3o Batista \u2013 s\u00e3o uma mesma e \u00fanica entidade. Estamos incumbidos de vos revelar isso, porque chegou o tempo em que se tem de \u201crealizar\u201d a \u201cnova alian\u00e7a\u201d, em que todos os homens (Judeus e Gentios) se t\u00eam que abrigar debaixo de uma s\u00f3 cren\u00e7a, da cren\u00e7a \u2013 em um Deus, uno, \u00fanico, indivis\u00edvel, Criador incriado, eterno, \u00fanico eterno: o Pai; em Jesus-Cristo, vosso protetor, vosso governador, vosso mestre: o Filho; nos Esp\u00edritos do Senhor, Esp\u00edritos puros, Esp\u00edritos superiores, bons Esp\u00edritos que, sob a dire\u00e7\u00e3o do Cristo, trabalham pelo progresso do vosso planeta e da sua humanidade: o Esp\u00edrito Santo.\u201d (2\u00ba vol., p\u00e1gs 497 \/ 498)<\/p>\n<p>A obra \u00e9 volumosa, pesada, extremamente repetitiva, escrita em tom catedr\u00e1tico, pretensioso, que nos remete diretamente a \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d, item 104, no magistral estudo que o Codificador faz a respeito da \u201cEscala Esp\u00edrita\u201d, quando se refere aos Esp\u00edritos pseudo-s\u00e1bios. S\u00e3o Esp\u00edritos pertencentes a comunidades espirituais que teimam em manter erros doutrin\u00e1rios relativamente \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da Mensagem Crist\u00e3, para as quais o Espiritismo representa grande perigo por esclarecer a Humanidade.<\/p>\n<p>A respeito desses Esp\u00edritos, Emmanuel faz s\u00e9ria advert\u00eancia, que serve tamb\u00e9m como alertamento, diante dessa verdadeira \u201conda editorial\u201d que est\u00e1 alimentando a vaidade de m\u00e9diuns invigilantes e enriquecendo editoras: \u201cAs pr\u00f3prias esferas mais pr\u00f3ximas da Terra, que pela for\u00e7a das circunst\u00e2ncias se acercam mais das controv\u00e9rsias dos homens que do sincero aprendizado dos esp\u00edritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opini\u00f5es contradit\u00f3rias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.\u201d (\u201cA Caminho da Luz,\u201d cap. 12)<\/p>\n<p>Felizmente, a onda de roustainguismo est\u00e1 passando. Mas, como existem ainda muitos volumes dessa obra em bibliotecas e livrarias, animamo-nos a fazer estas anota\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO<\/p>\n<p><a href=\"mailto:aoofilho@oconsolador.com.br\">aoofilho@oconsolador.com.br<\/a><\/p>\n<p>Londrina, Paran\u00e1 (Brasil)<\/p>\n<p>O roustainguismo e seus problemas<\/p>\n<p>Sempre entendi que a discuss\u00e3o em torno da obra Os Quatro Evangelhos, dada a lume pelo advogado J.-B. Roustaing, devia \u2013 e ainda deve \u2013 cingir-se exclusivamente aos seus aspectos doutrin\u00e1rios, ou seja, primeiro \u00e9 preciso conhecer a obra para depois criticar ou defend\u00ea-la. Eis o motivo pelo qual, at\u00e9 este momento, jamais tratei do assunto, seja aqui, seja na tribuna.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m, por\u00e9m, me pergunta que problemas h\u00e1 na referida obra e \u2013 caso existam \u2013 por que a editora da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira (FEB) a divulga e tantos nomes ilustres em nosso meio a defendem.<\/p>\n<p>Os adeptos do chamado roustainguismo formam, de fato, um contingente numeroso. Pelo menos \u00e9 o que informa Luciano dos Anjos em seu livro \u201cOs Adeptos de Roustaing\u201d, publicado em agosto de 1993 pela Associa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Estudantes da Verdade, de Volta Redonda (RJ).<\/p>\n<p>Respondendo \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o inicial, digo que \u00e9 f\u00e1cil perceber na obra de Roustaing a exist\u00eancia de quatro pontos que a tornam incompat\u00edvel com a Doutrina Esp\u00edrita exposta nas obras de Kardec, Delanne, Andr\u00e9 Luiz e Emmanuel. Claro que, excetuados esses problemas, apresenta ela coisas atraentes, especialmente no que se refere \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o primorosa que a FEB lhe deu, um cuidado que jamais a editora teve com quaisquer outras obras.<\/p>\n<p>Os quatro pontos a que me refiro s\u00e3o estes:<\/p>\n<ol>\n<li>A tese de que a encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria, nem mesmo necess\u00e1ria, e s\u00f3 se d\u00e1 em caso de queda do Esp\u00edrito. A evolu\u00e7\u00e3o da criatura humana, ap\u00f3s a passagem do princ\u00edpio inteligente pelos reinos inferiores da cria\u00e7\u00e3o, ocorreria, segundo Roustaing, em cidades espirituais nas quais o Esp\u00edrito reveste t\u00e3o-somente um corpo flu\u00eddico \u2013 o perisp\u00edrito. Se o indiv\u00edduo apresentar nessa condi\u00e7\u00e3o algum defeito a ser corrigido (vaidade, inveja etc.), a\u00ed sim, por castigo, ter\u00e1 de encarnar. A reencarna\u00e7\u00e3o seria uma conseq\u00fc\u00eancia dessa primeira encarna\u00e7\u00e3o. O assunto \u00e9 tratado no volume 1, pp. 317 e 321, no volume 3, p. 91, e no volume 4, p. 292, da 8a edi\u00e7\u00e3o, de agosto de 1994, publicada pela FEB.<\/li>\n<li>Ao ter de encarnar, o Esp\u00edrito f\u00e1-lo-\u00e1 em um mundo primitivo, encarnando-se a\u00ed num corpo rudimentar que viver\u00e1, como os animais, do que encontrar no solo. \u201cN\u00e3o poder\u00edamos compar\u00e1-los melhor do que a cript\u00f3gamos carnudos\u201d, diz o livro em seu volume 1, p. 313. Um exemplo conhecido de cript\u00f3gamo carnudo s\u00e3o as nossas lesmas. O livro de Roustaing est\u00e1 dizendo, portanto, que uma alma humana, depois de viver numa cidade espiritual, encarnar\u00e1 numa forma animal que nem mesmo chegou ao n\u00edvel dos vertebrados, um ensinamento que reedita a doutrina da metempsicose, rejeitada formalmente pela Doutrina Esp\u00edrita. O assunto \u00e9 tratado ainda nas pp. 299 e 312 do volume citado.<\/li>\n<li>A encarna\u00e7\u00e3o, que normalmente n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, s\u00f3 se d\u00e1 em caso de queda do Esp\u00edrito, uma alus\u00e3o \u00e0 retrograda\u00e7\u00e3o da alma, que o Espiritismo n\u00e3o admite. Os motivos, diz a obra, s\u00e3o diversos e seus resultados, terr\u00edveis. \u201cQualquer que seja a causa da queda, orgulho, inveja ou ate\u00edsmo, os que caem, tornando-se por isso Esp\u00edritos de trevas, s\u00e3o precipitados nos tenebrosos lugares da encarna\u00e7\u00e3o humana, conforme ao grau de culpabilidade, nas condi\u00e7\u00f5es impostas pela necessidade de expiar e progredir\u201d, eis a li\u00e7\u00e3o transmitida na obra em seu volume 1, p. 311.<\/li>\n<li>Afirma Roustaing que Jesus n\u00e3o encarnou para vir \u00e0 Terra trazer-nos a Boa Nova. Seu corpo teria sido flu\u00eddico. Ele fora, assim, um ag\u00eanere, um Esp\u00edrito materializado e desse modo se explicariam seu desaparecimento dos 12 aos 30 anos, per\u00edodo do qual ningu\u00e9m fala, e o sumi\u00e7o do corpo material nos dias seguintes \u00e0 crucifica\u00e7\u00e3o. O assunto \u00e9 tratado nos quatro volumes da obra, constituindo um dos aspectos mais conhecidos da doutrina roustainguista e, por isso mesmo, o mais criticado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Allan Kardec examinou em suas obras os quatro assuntos acima focalizados: a encarna\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito como requisito indispens\u00e1vel \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o espiritual e ao progresso dos planetas; a metempsicose, que rejeitou expressamente; o princ\u00edpio da n\u00e3o-retrograda\u00e7\u00e3o da alma e a natureza corp\u00f3rea do corpo de Jesus, ao qual dedicou os itens 64 a 67 do cap. XV de seu livro \u201cA G\u00eanese\u201d.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o que podemos tirar, \u00e0 vista do exposto, \u00e9 uma s\u00f3: os esp\u00edritas que ap\u00f3iam a obra de Roustaing certamente n\u00e3o a leram; pelo menos \u00e9 o que deve ter ocorrido com escritores importantes que a elogiaram em certa \u00e9poca e depois mudaram de id\u00e9ia, como os saudosos confrades Carlos Imbassahy e Henrique Rodrigues.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LEONARDO MARMO MOREIRA<\/p>\n<p><a href=\"mailto:leomarmo@iqsc.usp.br\">leomarmo@iqsc.usp.br<\/a><\/p>\n<p>De S\u00e3o Carlos, SP<\/p>\n<p>Os erros metodol\u00f3gicos de Roustaing<\/p>\n<p>O benfeitor espiritual Erasto afirma em \u201cO Livro dos M\u00e9diuns\u201d que \u201c\u00c9 prefer\u00edvel rejeitar dez verdades a aceitar uma \u00fanica mentira\u201d. Tal assertiva denota prud\u00eancia e crit\u00e9rio para a avalia\u00e7\u00e3o de qualquer conte\u00fado, mais notadamente os que s\u00e3o de origem medi\u00fanica.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o em torno dos pontos controvertidos da obra de Roustaing nos remete n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a de conte\u00fado doutrin\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obra de Kardec mas igualmente \u00e0 an\u00e1lise da metodologia empregada para a obten\u00e7\u00e3o das mensagens medi\u00fanicas que os dois autores utilizaram na compila\u00e7\u00e3o dos seus respectivos textos, pois, obviamente, os dois t\u00f3picos supracitados est\u00e3o intrinsecamente relacionados.<\/p>\n<p>A partir da leitura do pref\u00e1cio de \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d (foto) \u00e9 poss\u00edvel constatar os seguintes pontos:<\/p>\n<ul>\n<li>Roustaing superestimou a credibilidade dos textos b\u00edblicos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a de cat\u00f3licos e protestantes, Roustaing considerou a B\u00edblia \u201ca palavra de Deus\u201d e tentou explicar absolutamente tudo, sem se dar conta de que muito do que est\u00e1 escrito pode n\u00e3o ter acontecido exatamente da maneira como est\u00e1 narrado nos textos b\u00edblicos. Roustaing consciente ou inconscientemente elaborou uma esp\u00e9cie de Reforma, semelhante \u00e0 Reforma protestante. Assim, a partir da superestima\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, a sua fus\u00e3o desta com os seus limitados conhecimentos esp\u00edritas seria uma temeridade.<\/p>\n<p>Reparem que, ao contr\u00e1rio da codifica\u00e7\u00e3o kardequiana que nasce como ci\u00eancia, a proposta roustainguista j\u00e1 nasce como religi\u00e3o, pois se trata de uma nova interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia a partir da velha tese da infalibilidade dos seus textos. Tanto isso \u00e9 verdade que a pr\u00f3pria estrutura\u00e7\u00e3o da obra \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d \u00e9 baseada nessa submiss\u00e3o aos textos b\u00edblicos. Se a obra em quest\u00e3o foi realmente orientada pelos quatro evangelistas, assistidos pelos ap\u00f3stolos, que foram as principais e mais preparadas testemunhas oculares dos fatos evang\u00e9licos, por que os ap\u00f3stolos n\u00e3o contaram o que de fato aconteceu diretamente, ao inv\u00e9s de se basearem literalmente no que sobreviveu de registro na B\u00edblia e que, obviamente, sofreu com quase dois mil\u00eanios de interpola\u00e7\u00f5es, adultera\u00e7\u00f5es, tradu\u00e7\u00f5es grosseiras e outros problemas?!<\/p>\n<p>Kardec, ao contr\u00e1rio, parte da an\u00e1lise do fen\u00f4meno medi\u00fanico em um estudo criterioso sem nenhuma id\u00e9ia preconcebida e, em princ\u00edpio, n\u00e3o utilizando de maneira nenhuma a B\u00edblia como referencial. Aplicando o m\u00e9todo experimental, atrav\u00e9s de an\u00e1lise qualitativo-quantitativa, por meio de v\u00e1rios m\u00e9diuns previamente selecionados, busca a chamada \u201cuniversalidade do ensino dos Esp\u00edritos\u201d, submetendo todos os autores espirituais ao mais cr\u00edtico interrogat\u00f3rio e aplicando a mais rigorosa l\u00f3gica na avalia\u00e7\u00e3o do conte\u00fado das mensagens.<\/p>\n<p>Portanto, a codifica\u00e7\u00e3o nasce como ci\u00eancia, para gerar um corpo filos\u00f3fico como conseq\u00fc\u00eancia da verdade irrefut\u00e1vel da imortalidade da alma e da comunicabilidade dos Esp\u00edritos. E, finalmente, a filosofia esp\u00edrita repercute nas inevit\u00e1veis conseq\u00fc\u00eancias morais, que constituem o aspecto religioso do Espiritismo. Kardec jamais superestimou os textos evang\u00e9licos, o que \u00e9 expl\u00edcito tanto em \u201cO Evangelho segundo o Espiritismo\u201d como em \u201cA G\u00eanese\u201d. \u00c9 por essa necessidade de nascimento como ci\u00eancia e, subseq\u00fcentemente, como filosofia antes de se aprofundar o seu aspecto religioso, nesse maravilhoso tr\u00edplice aspecto, que o primeiro e principal livro esp\u00edrita \u00e9 a obra \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d e o segundo livro publicado, considerado por Kardec como a continua\u00e7\u00e3o do primeiro, \u00e9 \u201cO Livro dos M\u00e9diuns\u201d. De fato, ao aplicar os princ\u00edpios esp\u00edritas na elucida\u00e7\u00e3o dos pontos principais do Evangelho, toda a estrutura doutrin\u00e1ria j\u00e1 estava extremamente s\u00f3lida, independentemente das inumer\u00e1veis controv\u00e9rsias geradas pelas diferentes interpreta\u00e7\u00f5es b\u00edblicas. Portanto, o Espiritismo n\u00e3o \u00e9 uma reforma, como a reforma Luterana, porque n\u00e3o nasce como uma releitura da B\u00edblia, mas como ci\u00eancia atrav\u00e9s do estudo da mediunidade.<\/p>\n<ul>\n<li>Roustaing \u201cdecidiu\u201d que era necess\u00e1ria uma nova revela\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A partir da excessiva valoriza\u00e7\u00e3o dos textos evang\u00e9licos, Roustaing diz \u201c\u2026senti a impot\u00eancia da raz\u00e3o humana para penetrar as trevas da letra e, desde ent\u00e3o, a necessidade de uma revela\u00e7\u00e3o nova, de uma revela\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o\u201d. Note que, a partir de uma premissa equivocada, o pr\u00f3prio Roustaing decidiu que era necess\u00e1ria uma nova revela\u00e7\u00e3o, porque, segundo ele mesmo explica no pref\u00e1cio de sua obra, a codifica\u00e7\u00e3o explicava muito bem os aspectos morais e doutrin\u00e1rios da B\u00edblia, mas, em sua opini\u00e3o, n\u00e3o explicava a figura de Jesus. Ora, decidir sobre a necessidade de uma nova revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o era tarefa para ele, e nem para nenhum de n\u00f3s, mas sim trabalho da Provid\u00eancia Divina. Roustaing poderia elaborar o seu trabalho mas da\u00ed a defini-lo, aprioristicamente, como a \u201crevela\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o\u201d foi um exagero. De fato, essa express\u00e3o \u201crevela\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 repetida exaustivamente tanto no pref\u00e1cio como na introdu\u00e7\u00e3o e \u00e9 quase sempre acompanhada pela express\u00e3o \u201crevela\u00e7\u00e3o nova\u201d, em um esfor\u00e7o evidente para situar a obra realmente como uma revela\u00e7\u00e3o divina. Com efeito, na folha de rosto de \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d Roustaing define sua obra como sendo \u201cRevela\u00e7\u00e3o da Revela\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cEspiritismo Crist\u00e3o\u201d, o que poderia sugerir que \u201ch\u00e1 v\u00e1rios tipos de espiritismo\u201d ou, at\u00e9 mesmo, que a Codifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria uma obra crist\u00e3. Se Roustaing pretendia que sua obra fosse considerada esp\u00edrita, tendo mesmo enviado uma c\u00f3pia para a an\u00e1lise de Kardec, conforme registrado na Revista Esp\u00edrita, essa defini\u00e7\u00e3o poderia ser considerada uma invigil\u00e2ncia do advogado de Bordeaux.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o vale lembrar que da primeira revela\u00e7\u00e3o, personificada em Mois\u00e9s, at\u00e9 a segunda, personificada em Jesus, foram aproximadamente 2 mil\u00eanios e de Jesus at\u00e9 a codifica\u00e7\u00e3o mais 18 s\u00e9culos. Desta forma, seria muito estranho uma suposta quarta revela\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a ser elaborada concomitantemente com a terceira revela\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a codifica\u00e7\u00e3o do Espiritismo s\u00f3 seria conclu\u00edda em 1868 com a publica\u00e7\u00e3o de \u201cA G\u00eanese\u201d, bem depois, portanto, do trabalho de Roustaing, que iniciou a confec\u00e7\u00e3o de sua obra em 1861 para public\u00e1-la em 1866. Na mensagem intitulada \u201cMeu Sucessor\u201d, em \u201cObras P\u00f3stumas\u201d, Kardec indaga sobre o continuador da obra, em fun\u00e7\u00e3o de j\u00e1 se apresentar com a sa\u00fade comprometida, e os Esp\u00edritos respondem que n\u00e3o era o momento de que o sucessor aparecesse, pois era necess\u00e1rio que a Codifica\u00e7\u00e3o ficasse acentuadamente centralizada nas m\u00e3os dele, Kardec, para que a obra b\u00e1sica tivesse alta homogeneidade. Segundo o professor J. Herculano Pires, o sucessor em quest\u00e3o se trata de L\u00e9on Denis, que ainda era muito mo\u00e7o nessa \u00e9poca. Portanto, nenhuma men\u00e7\u00e3o a Roustaing ou a qualquer outro trabalho concomitante \u00e0 codifica\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 bastante sugestivo para uma obra que se intitula a \u201crevela\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<ul>\n<li>A Igreja Cat\u00f3lica nas an\u00e1lises das obras de Roustaing e Kardec.<\/li>\n<\/ul>\n<p>No terceiro tomo da obra \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d (p.65) os autores ensinam que o futuro espiritual da humanidade estar\u00e1 focalizado na Igreja Cat\u00f3lica e no Papa. Eles afirmam o seguinte: \u201cO chefe da Igreja cat\u00f3lica, nessa \u00e9poca em que este qualificativo ter\u00e1 a sua verdadeira significa\u00e7\u00e3o, pois que ela estar\u00e1 em via de tornar-se universal, como sendo a Igreja do Cristo, o chefe da Igreja cat\u00f3lica, dizemos, ser\u00e1 um dos principais pilares do edif\u00edcio. Quando o virdes, cheio de humildade, cingido de uma corda e trazendo na m\u00e3o o cajado do viajante\u2026\u201d.<\/p>\n<p>Esse coment\u00e1rio estranh\u00edssimo, para dizer o m\u00ednimo, entra claramente em choque com a opini\u00e3o dos Esp\u00edritos que orientavam Allan Kardec.<\/p>\n<p>Para citar apenas uma \u00fanica fonte, basta ler as mensagens registradas em \u201cObras P\u00f3stumas\u201d intituladas \u201cFuturo do Espiritismo\u201d e \u201cA Igreja\u201d. Na primeira o autor espiritual assevera \u201c\u2026cabe-nos retificar os erros da hist\u00f3ria e apurar a religi\u00e3o do Cristo, transformada, nas m\u00e3os dos padres, em com\u00e9rcio e em vil tr\u00e1fico. Instituir\u00e1 (o Espiritismo) a verdadeira religi\u00e3o, a religi\u00e3o natural, a que parte do cora\u00e7\u00e3o e vai diretamente a Deus, sem depend\u00eancia das obras da sotaina ou dos degraus do altar\u201d.<\/p>\n<p>Na segunda mensagem citada \u00e9 comentado que \u201cChegou a hora em que a Igreja deve prestar contas do dep\u00f3sito que lhe foi confiado; do modo como praticou os ensinos do Cristo, do uso que fez da sua autoridade, da incredulidade, enfim, a que arrastou os homens\u201d. E mais \u00e0 frente o autor \u00e9 ainda mais incisivo quanto ao futuro da Igreja estabelecendo que \u201cDeus a julgou e reconheceu-a impr\u00f3pria, de hoje em diante, para a miss\u00e3o do progresso, que incumbe a toda autoridade espiritual\u201d. Ainda sobre a Igreja Cat\u00f3lica e o futuro da humanidade o Esp\u00edrito d\u00b4 E\u2026 afirma que a Igreja \u201cacha-se nesta alternativa: ou se transforma e suicida-se, ou fica estacion\u00e1ria e sucumbe esmagada pelo carro do progresso\u201d. Como se n\u00e3o bastasse, o autor ainda \u00e9 mais perempt\u00f3rio asseverando que \u201ca doutrina esp\u00edrita \u00e9 chamada a ferir de morte o papado\u2026\u201d e conclui seu artigo com a seguinte frase \u201cA Igreja atira-se, por si mesma, ao precip\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>Essa gigantesca incoer\u00eancia faz-nos questionar o motivo que levaria o mundo espiritual superior a enviar \u00e0 Crosta uma terceira e uma quarta revela\u00e7\u00f5es se o futuro espiritual da Terra seria guiado pela representante do seu passado, que \u00e9 a Igreja, com a sua trajet\u00f3ria dominadora, ritual\u00edstica, inquisidora e obscurantista.<\/p>\n<p>Para que Espiritismo como terceira revela\u00e7\u00e3o se a Doutrina Esp\u00edrita discrepa profundamente da Igreja Cat\u00f3lica em inumer\u00e1veis pontos?<\/p>\n<p>Por outro lado, as perguntas mais simples e objetivas que surgem s\u00e3o as seguintes: Esp\u00edritos de mesma inten\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o (supostamente evolvidos intelecto e moralmente) poderiam ensinar conceitos t\u00e3o discordantes um do outro?! E Roustaing n\u00e3o teria avaliado criticamente o conte\u00fado da mensagem e suspeitado dessa informa\u00e7\u00e3o?!<\/p>\n<ul>\n<li>Ao contr\u00e1rio de Kardec, Roustaing utiliza uma \u00fanica m\u00e9dium.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Roustaing se isolou com a m\u00e9dium \u00c9milie Collignon, evitando o interc\u00e2mbio com trabalhadores mais experientes que poderiam elaborar cr\u00edticas aos textos e indaga\u00e7\u00f5es mais exigentes e contundentes aos Esp\u00edritos orientadores da obra. Roustaing afirma \u201cMero instrumento, cumpri um dever executando tal ordem, entregando \u00e0 publicidade esta obra\u2026\u201d. Roustaing se mostra muito submisso e passivo em rela\u00e7\u00e3o aos Esp\u00edritos que orientam a obra, o que pode ser facilmente constatado em v\u00e1rias passagens do pref\u00e1cio da sua obra. Aparentemente, Roustaing n\u00e3o eliminou nenhum texto, o que explicaria a grande extens\u00e3o de sua obra de mais de 2.000 p\u00e1ginas em um prazo relativamente curto para um trabalho efetuado com uma \u00fanica m\u00e9dium. Essa atitude \u00e9 bem diferente da postura altamente cr\u00edtica do Codificador. Vale lembrar que m\u00e9diuns psic\u00f3grafos de conhecida credibilidade como Chico Xavier, Divaldo Franco e Raul Teixeira afirmam que \u201cqueimaram malas de mensagens\u201d no in\u00edcio de suas tarefas, pois eram apenas exerc\u00edcios medi\u00fanicos, sem qualidade suficiente para publicar. O pr\u00f3prio Allan Kardec, registra mensagens que ele considerou n\u00e3o condizentes com as assinaturas, mostrando que at\u00e9 mesmo ele estava sujeito \u00e0s chamadas mistifica\u00e7\u00f5es. O ponto-chave \u00e9 que ele identificou essas mensagens como oriundas de Esp\u00edritos mistificadores e ainda as aproveitou como recurso did\u00e1tico.<\/p>\n<ul>\n<li>Roustaing n\u00e3o avaliou a potencialidade medi\u00fanica e o conte\u00fado moral de Mme. Collignon.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Roustaing assevera no pref\u00e1cio de sua obra: \u201cO trabalho ia ser feito por dois entes que, oito dias atr\u00e1s, n\u00e3o se conheciam\u201d. Est\u00e1 evidente que Roustaing n\u00e3o avaliou o n\u00edvel moral de \u00c9milie Collignon e nem sua capacidade medi\u00fanica, pois n\u00e3o a conhecia e em um intervalo de 8 dias come\u00e7ou a obra sem um maior planejamento ou avalia\u00e7\u00e3o da viabilidade e dos perigos da empreitada. O crit\u00e9rio da avalia\u00e7\u00e3o moral do m\u00e9dium \u00e9 fundamental pois pela sintonia o m\u00e9dium convive predominantemente com os Esp\u00edritos que correspondem \u00e0 sua eleva\u00e7\u00e3o espiritual. Emmanuel, em sua obra \u201cRoteiro\u201d, \u00e9 categ\u00f3rico, estabelecendo que \u201cn\u00e3o existe bom m\u00e9dium sem homem bom\u201d. Todo dirigente de reuni\u00f5es medi\u00fanicas conhece minimamente a complexidade do fen\u00f4meno medi\u00fanico e os riscos que procedimento semelhante \u00e0 atitude de Roustaing pode acarretar.<\/p>\n<ul>\n<li>Roustaing evocou somente Ap\u00f3stolos e o Precursor Jo\u00e3o Batista.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A assertiva conhecida no meio esp\u00edrita de que \u201co telefone toca de l\u00e1 para c\u00e1\u201d n\u00e3o foi respeitada por Roustaing. Vale consultar a contundente desaprova\u00e7\u00e3o do procedimento de evoca\u00e7\u00e3o nominal direta, enunciada pelo benfeitor Emmanuel na Quest\u00e3o 369 da obra \u201cO Consolador\u201d. Realmente, h\u00e1 riscos \u00f3bvios de Esp\u00edritos embusteiros usarem nomes de grandes Esp\u00edritos para se fazerem mais respeit\u00e1veis e aceitos. Por outro lado, quanto mais evolu\u00eddo \u00e9 o Esp\u00edrito, maior n\u00famero de grandes responsabilidades ele tem no mundo espiritual, que acabam limitando sua capacidade de atender pessoalmente a todas as evoca\u00e7\u00f5es, principalmente aquelas oriundas de pessoas pouco moralizadas e respons\u00e1veis.<\/p>\n<ul>\n<li>S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista seria co-autor tanto da obra de Kardec como da obra de Roustaing?!<\/li>\n<\/ul>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista \u00e9 co-autor da codifica\u00e7\u00e3o, sendo citado at\u00e9 mesmo nos Proleg\u00f4menos de \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d. Entretanto, supostamente, ele tamb\u00e9m seria co-autor da obra \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d tanto pela sua condi\u00e7\u00e3o de Evangelista como tamb\u00e9m pela sua condi\u00e7\u00e3o de Ap\u00f3stolo, tendo sido, inclusive, um dos mais participativos e pr\u00f3ximos a Jesus em todo o Evangelho. Assim sendo, como \u00e9 que as obras em quest\u00e3o teriam pontos t\u00e3o divergentes como, por exemplo, a quest\u00e3o da reencarna\u00e7\u00e3o, que para a Codifica\u00e7\u00e3o \u00e9 necessidade e para \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d \u00e9 castigo e o problema da metempsicose, rejeitada peremptoriamente pela Codifica\u00e7\u00e3o e admitida pela obra de Roustaing? Essa quest\u00e3o da identidade dos autores merece ser analisada com cuidado pois as obras em quest\u00e3o n\u00e3o tratam de opini\u00f5es pessoais de Esp\u00edritos mas de Leis Universais e, ademais, sendo os autores, em princ\u00edpio, da mais elevada evolu\u00e7\u00e3o, eles n\u00e3o poderiam divergir t\u00e3o intensamente em pontos capitais dos ensinos. S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista n\u00e3o poderia ensinar algo em um lugar e outra coisa em outro, a n\u00e3o ser que em um desses lugares n\u00e3o fosse ele, mas algu\u00e9m que se fizesse passar por ele, utilizando seu nome, algo bem comum em mediunidade, quando os cuidados fundamentais para a pr\u00e1tica segura de tal interc\u00e2mbio n\u00e3o s\u00e3o considerados. Admitindo-se tal possibilidade, a credibilidade das informa\u00e7\u00f5es contidas na obra em quest\u00e3o estaria comprometida.<\/p>\n<p>Em suma, Roustaing demonstrou desconhecer as problem\u00e1ticas da mediunidade, o que \u00e9 facilmente explic\u00e1vel haja vista a pressa que ele demonstrou no estudo pr\u00e9vio das obras de Allan Kardec. O pr\u00f3prio Roustaing afirma no pref\u00e1cio de \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d que leu \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d, \u201cO Livro dos M\u00e9diuns\u201d e um n\u00famero enorme de obras sobre quest\u00f5es correlatas ao Espiritismo a partir de janeiro de 1861, o mesmo ano que ele come\u00e7ou a elabora\u00e7\u00e3o de \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d. Antes disso, ele nem sabia que \u00e9 poss\u00edvel a comunica\u00e7\u00e3o com os Esp\u00edritos. Certamente, essas leituras foram superficiais, tendo-se em vista a profundidade do conte\u00fado das mesmas e o n\u00famero de obras lidas em um intervalo de tempo reduzid\u00edssimo. Ademais, ler \u00e9 uma coisa, ao passo que estudar e assimilar \u00e9 outra completamente diferente, principalmente em se tratando de um assunto com tamanhas nuan\u00e7as e problemas como \u00e9 a mediunidade.<\/p>\n<p>Desta forma, entende-se por que Allan Kardec considerou a obra \u201cOs Quatro Evangelhos\u201d apenas como opini\u00e3o pessoal dos seus autores espirituais n\u00e3o podendo ser considerada como parte integrante da Doutrina Esp\u00edrita, conforme exarado na Revista Esp\u00edrita. Afinal, a priori, \u201c\u00e9 prefer\u00edvel rejeitar dez verdades a aceitar uma \u00fanica mentira\u201d. \u201cNa d\u00favida, abst\u00e9m-te\u201d, nos ensina \u201cO Evangelho segundo Espiritismo\u201d e a obra de Roustaing apresenta v\u00e1rias d\u00favidas, incoer\u00eancias e especula\u00e7\u00f5es sem comprova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que n\u00e3o est\u00e3o em coer\u00eancia com o pensamento kardequiano.<\/p>\n<p>Jorge Hessen<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jorgehessen@gmail.com\">jorgehessen@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013DF<\/p>\n<p>ROUSTAING \u2013 O SESQUICENTEN\u00c1RIO T\u00c3O AGUARDADO NA FEB<\/p>\n<p>Um confrade muito querido sugeriu-me escrever sobre a revista Reformador, estabelecendo um paralelo entre a eleva\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados doutrin\u00e1rios veiculados no passado remoto , e a atual insipidez doutrin\u00e1ria e excesso de fotografias de dirigentes publicadas nas suas p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Outro companheiro informou-me que a FEB \u2013 Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira est\u00e1 preparando o lan\u00e7amento (previsto para o m\u00eas de junho de 2016) da nova edi\u00e7\u00e3o dos \u201cQuatro Evangelhos\u201d, almejando a submiss\u00e3o comemorativa aos 150 anos de lan\u00e7amento do livro de J.B. Roustaing. Em face disso, telefonei\u00a0 para o departamento editorial da FEB e fui\u00a0 informado sobre o tal lan\u00e7amento, em raz\u00e3o disso, deliberei antecipar um manifesto de alerta em face da augurada reedi\u00e7\u00e3o das obras que representam a ruptura de uni\u00e3o ente os esp\u00edritas no Brasil.<\/p>\n<p>Percorrendo determinadas narrativas sobre a hist\u00f3ria da revista Reformador inteiramo-nos de que ela foi fundada em 21\/1\/1883 por Augusto Elias da Silva, um fot\u00f3grafo portugu\u00eas, num corajoso empreendimento de difus\u00e3o esp\u00edrita no Brasil do s\u00e9culo XIX. Isto porque, fundar e conservar um \u00f3rg\u00e3o de propaganda esp\u00edrita, na Corte do Brasil era, naquele per\u00edodo, para esmorecer o \u00e2nimo dos esp\u00edritas mais resolutos. Uma vez que dos p\u00falpitos brasileiros, principalmente dos da Capital, choviam an\u00e1temas sobre os esp\u00edritas, os novos hereges que cumpria abater.<\/p>\n<p>Escreveu o fot\u00f3grafo lusitano o seguinte: \u201cAbre caminho, saudando os homens do presente que tamb\u00e9m o foram do passado e ainda h\u00e3o de ser os do futuro, mais um batalhador da paz: o \u201cReformador\u201d. Com essas palavras inaugurais apresentava-se, no Brasil o novo \u00f3rg\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o esp\u00edrita. \u201d[1]<\/p>\n<p>O artigo de fundo do primeiro n\u00famero tra\u00e7ava as diretrizes de paz e progresso pelos quais se nortearia o informativo, definindo ainda os objetivos que tinha em vista alcan\u00e7ar. Apresentou-se, portanto, o \u201cReformador\u201d como mais um semeador da paz, apetrechado da toler\u00e2ncia e da fraternidade, desfraldando a bandeira da presum\u00edvel \u201cuni\u00e3o\u201d entre os esp\u00edritas. \u00d3timo!<\/p>\n<p>At\u00e9 1888 a reda\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico funcionou (no ateli\u00ea) montado na resid\u00eancia do Elias da Silva. Era um jornal quinzenal composto de quatro p\u00e1ginas e estima-se que sua tiragem inicial era de aproximadamente 300 exemplares, contando com cerca de uma centena de assinantes. A partir de 1902 passou ao formato de revista, inicialmente com 20 p\u00e1ginas e periodicidade bimestral. Na d\u00e9cada de 1930 passou a ser mensal, e o n\u00famero de p\u00e1ginas aumentou gradativamente. Em 1939, a FEB adquiriu e instalou as m\u00e1quinas impressoras pr\u00f3prias, nas depend\u00eancias dos fundos do pr\u00e9dio da Avenida Passos. Foi uma decisiva empreitada e gra\u00e7as a essa provid\u00eancia, as edi\u00e7\u00f5es e reedi\u00e7\u00f5es de livros esp\u00edritas e da revista come\u00e7aram sua expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seguida, com a instala\u00e7\u00e3o do complexo gr\u00e1fico, em 1948, em amplo edif\u00edcio (atualmente abandonado, arrasado e falido) especialmente constru\u00eddo em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o\/Rio de Janeiro, a FEB acresceu a propaganda doutrin\u00e1ria. Paradoxalmente, na d\u00e9cada de 1970 a FEB \u201cmodernizou\u201d as impress\u00f5es de Reformador com as capas coloridas, substituindo inclusive o logotipo e desenho, mas a Revista tomou novo rumo gr\u00e1fico oferecendo gigantescos espa\u00e7os de proemin\u00eancia para as imodestas imagens (fotos) dos diretores febianos.<\/p>\n<p>Apesar de ser um dos quatro peri\u00f3dicos surgidos no Rio de Janeiro, de 1808 a 1889, que sobreviveram at\u00e9 os dias atuais e o \u00fanico que nunca teve interrompida sua publica\u00e7\u00e3o, todavia diversas vezes desviou-se do programa de estudar, difundir e propagar a leg\u00edtima Doutrina dos Esp\u00edritos sob o seu tr\u00edplice aspecto (cient\u00edfico-filos\u00f3fico-religioso), sobretudo durante a coordena\u00e7\u00e3o do editor Luciano dos Anjos.<\/p>\n<p>Em verdade, tudo tem matrizes nos eternos diretores roustanguistas que ininterruptamente (h\u00e1 mais de 100 anos) se revezam na dire\u00e7\u00e3o da FEB at\u00e9 os dias atuais. Nesse confuso cen\u00e1rio foram infligidos e cedidos espa\u00e7os fadigosos do peri\u00f3dico a fim de veicular as burlescas teses da metempsicose consubstanciada nos \u201ccript\u00f3gamos carnudos\u201d (involu\u00e7\u00e3o), do neo-docetismo [2] consoante propostos nas obras do vision\u00e1rio J.B. Roustaing, um \u201cap\u00f3s(tolo)\u201d da disc\u00f3rdia! E pelo que sei, desde a primeira edi\u00e7\u00e3o j\u00e1 s\u00e3o mais de 15 milh\u00f5es de exemplares publicados pela FEB.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria centen\u00e1ria do Reformador se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do quartel-general de J.B.Roustaing, a FEB,\u00a0 da qual tem sido a porta-voz e a representa\u00e7\u00e3o do seu pensamento. Confrades que n\u00e3o rezam pela cartilha roustanguista, embora sejam coordenadores de uma ou outra \u00e1rea doutrin\u00e1ria da FEB (baixo clero), jamais alcan\u00e7aram lograr maiores destaques administrativos, sendo \u201caceitos\u201d de esguelha pelos poderosos diretores (alto clero) , todos fan\u00e1ticos pelo advogado de Bordeaux.<\/p>\n<p>A revista Reformador, n\u00e3o raro, expressou v\u00e1rias vezes uma linha editorial e diretrizes a servi\u00e7o do Evangelho \u00e0 maneira sorrateira dos fastidiosos volumes dos \u201cQuatro Evangelhos\u201d de Roustaing, tal como ocorreu na presid\u00eancia do Armando de Assis. Destaque-se que os quatro volumes de Roustaing s\u00e3o estudados sistematicamente nas reuni\u00f5es p\u00fablicas realizadas todas as ter\u00e7as feiras na sede da FEB, em Bras\u00edlia e na sucursal febiana, sediada na Av. Passos-Rio de Janeiro, e isto diz tudo.<\/p>\n<p>A FEB e UNICAMENTE ELA sucessivamente esteve na dianteira\u00a0 em defesa do roustanguismo. Nessa linha de contra-senso, tem expressado sempre a preval\u00eancia das suas verdades docetistas, embaralhadas e camuflada atr\u00e1s da boa literatura do Chico Xavier e dos cl\u00e1ssicos que edita. A\u00a0 FEB acredita\u00a0 que conseguir\u00e1 catalisar a \u201cunifica\u00e7\u00e3o\u201d e a unidade da Doutrina; mas em realidade , sempre sucederam e sobrevir\u00e3o as dissid\u00eancias (internas e externas) resultantes dos sofismas de princ\u00edpios insustent\u00e1veis pela racionalidade kardeciana.<\/p>\n<p>Para a consubstancia\u00e7\u00e3o do projeto da dissemina\u00e7\u00e3o do docetismo, h\u00e1 mais de um s\u00e9culo a FEB vem catequisando \u00e0 socapa alguns confrades ing\u00eanuos. Na vol\u00fapia insuper\u00e1vel das interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas dos eternos fascinados pelos \u201cQuatro evangelhos\u201d vai transformando o caleidosc\u00f3pico Movimento Esp\u00edrita Brasileiro numa desordem ideol\u00f3gica sem precedentes inspirados nos vaporosos pilares dos engodos dos Quatro Evangelhos.<\/p>\n<p>Com Roustaing narcotizando a mente do alto clero febiano ser\u00e1 empreita impratic\u00e1vel evitar a dispers\u00e3o sistem\u00e1tica e generalizada cada vez mais acentuada dos esp\u00edritas, em caminho de desintegra\u00e7\u00e3o, por for\u00e7a de interfer\u00eancias obsessivas em n\u00edvel de fascina\u00e7\u00e3o. Se a unidade doutrin\u00e1ria foi a \u00fanica e derradeira divisa de Allan Kardec para o fortalecimento do Espiritismo, a uni\u00e3o deve ser a fortaleza inexpugn\u00e1vel da Doutrina Esp\u00edrita. Em verdade a FEB n\u00e3o conseguiu avan\u00e7ar coisa nenhuma nesse quesito de uni\u00e3o entre os esp\u00edritas, justamente por que se deixou abater diante dos embustes docetistas, e de outras aberra\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias contidas na obra do bordelense, raz\u00e3o suficiente para n\u00e3o lograr a unifica\u00e7\u00e3o,\u00a0 pois desconhece o poderoso ant\u00eddoto contra os venenos das disc\u00f3rdias e desuni\u00f5es, a coer\u00eancia legada pelas obras codificadas por Allan Kardec.<\/p>\n<p>Herculano Pires na sua sapi\u00eancia ponderava: \u201cEm os Quatro Evangelhos as verdades s\u00e3o sempre contrariadas pelas mentiras, o natural \u00e9 prejudicado pelo absurdo e o belo \u00e9 sempre desfigurado pelo horr\u00edvel. Jesus \u00e9 fluidificado, purificado e at\u00e9 endeusado; mas tamb\u00e9m \u00e9 ironizado, ridicularizado, deturpado e estupidificado\u201d! \u201cRoustaing \u00e9 o anti-Kardec. Se Kardec \u00e9 o bom senso, Roustaing \u00e9 a falta de bom senso\u201d. [3]<\/p>\n<p>Queira Deus que no futuro n\u00e3o distante ressurja o ide\u00e1rio da concep\u00e7\u00e3o e funda\u00e7\u00e3o de uma CONFEDERA\u00c7\u00c3O ESP\u00cdRITA no Brasil (sem Roustaing, \u00f3bvio!)<\/p>\n<p>Jorge |Hessen<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br\/2014\/08\/colecao-de-livros-e-books-gratuitos.html\">LIVROS E E-BOOKS GRATUITOS<\/a><br \/>\nRefer\u00eancias:<\/p>\n<p>[1] dispon\u00edvel em http:\/\/febnet.org.br\/site\/conheca.php?SecPad=3&amp;Sec=188\u00a0 acesso em 13\/04\/2016<\/p>\n<p>[2] Os gn\u00f3sticos-docetas do primeiro s\u00e9culo sustentavam que Jesus n\u00e3o tinha realidade f\u00edsica, que o seu corpo era apenas aparente. Sua posi\u00e7\u00e3o contrariava as teses da encarna\u00e7\u00e3o do Cristo, apresentando-o como uma esp\u00e9cie de Deus mitol\u00f3gico, sob a influ\u00eancia das id\u00e9ias helen\u00edsticas. O Docetismo exerceu grande influ\u00eancia em Alexandria, propagando-se a \u00c9feso, onde o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o instalara a sua Escola Crist\u00e3. Jo\u00e3o refutou a tese doceta como her\u00e9tica, pois al\u00e9m de n\u00e3o corresponder \u00e0 realidade hist\u00f3rica, transformava o Cristo num fals\u00e1rio.\u00a0 A f\u00e1bula dos docetas ( como o ap\u00f3stolo Paulo a classificou) apresentava-se como uma das mais estranhas desfigura\u00e7\u00f5es do Cristo, fornecendo elementos ricos e valiosos aos mit\u00f3logos para negarem a exist\u00eancia real e hist\u00f3rica de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>[3] Pires, Herculano. O Verbo e a Carne, S\u00e3o Paulo: Ed Paideia, 1972<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br\/\">Jorge Hessen<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROUSTAING \u2013 UMA ETERNA DESILUS\u00c3O FEBIANA (JOSE PASSINI, ALTOLFO OLEG\u00c1RIO, LEONARDO MARMO E JORGE HESSEN) JOS\u00c9 PASSINI passinijose@yahoo.com.br Juiz de Fora, Minas Gerais (Brasil) O Espiritismo, na sua condi\u00e7\u00e3o de Cristianismo redivivo, n\u00e3o poderia deixar de receber os ataques das &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/falsos-profetas\/7-roustaing-uma-eterna-desilusao-febiana\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4206,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4224","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4224"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4224\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4225,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4224\/revisions\/4225"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}