{"id":4235,"date":"2016-06-29T21:36:24","date_gmt":"2016-06-30T00:36:24","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4235"},"modified":"2016-06-29T21:38:49","modified_gmt":"2016-06-30T00:38:49","slug":"introducao-ao-estudo-da-doutrina-dos-espiritos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/introducao-ao-estudo-da-doutrina-dos-espiritos\/","title":{"rendered":"1 &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Doutrina dos Esp\u00edritos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Doutrina Esp\u00edrita<\/strong><\/p>\n<p><strong>1 \u2013 PALAVRAS NOVAS<\/strong><\/p>\n<p>Para designar coisas novas s\u00e3o necess\u00e1rias palavras novas; assim exige a clareza de uma l\u00edngua, para evitar a confus\u00e3o que ocorre quando uma palavra tem m\u00faltiplo sentido. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo t\u00eam um significado bem definido, e acrescentar-lhes uma nova significa\u00e7\u00e3o para aplic\u00e1-las \u00e0 Doutrina dos Esp\u00edritos seria multiplicar os casos j\u00e1 t\u00e3o numerosos de palavras com duplo sentido. De fato, o espiritualismo \u00e9 o oposto do materialismo, e qualquer um que acredite ter em si algo al\u00e9m da mat\u00e9ria \u00e9 espiritualista, embora isso n\u00e3o queira dizer que creia na exist\u00eancia dos Esp\u00edritos ou em suas comunica\u00e7\u00f5es com o mundo material. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, utilizamos, para designar a cren\u00e7a nos Esp\u00edritos, as palavras esp\u00edrita e Espiritismo, que lembram a origem e t\u00eam em si a raiz e que, por isso mesmo, t\u00eam a vantagem de ser perfeitamente intelig\u00edveis, reservando \u00e0 palavra espiritualismo sua significa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Diremos que a Doutrina Esp\u00edrita ou o Espiritismo tem por princ\u00edpio a rela\u00e7\u00e3o do mundo material com os Esp\u00edritos ou seres do mundo espiritual. Os adeptos do Espiritismo ser\u00e3o os esp\u00edritas ou, se quiserem, os espiritistas.<\/p>\n<p>Como especialidade, o Livro dos Esp\u00edritos cont\u00e9m a Doutrina Esp\u00edrita; como generalidade, liga-se ao espiritualismo num dos seus aspectos. Esta \u00e9 a raz\u00e3o por que traz, no in\u00edcio de seu t\u00edtulo, as palavras: \u201cfilosofia espiritualista\u201d.<\/p>\n<p><strong>2 \u2013 A ALMA<\/strong><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#1\"><strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 outra palavra sobre a qual devemos igualmente nos entender, por constituir em si um dos fechos de ab\u00f3bada<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#2\"><sup>2<\/sup><\/a>, isto \u00e9, a sustenta\u00e7\u00e3o de toda a doutrina moral, e que se tornou objeto de muitas controv\u00e9rsias por falta de um significado que a defina com precis\u00e3o determinada. \u00c9 a palavra alma. A diverg\u00eancia de opini\u00f5es sobre a natureza da alma resulta da aplica\u00e7\u00e3o particular que cada um faz dessa palavra. Uma l\u00edngua perfeita, em que cada id\u00e9ia tivesse sua representa\u00e7\u00e3o por um termo pr\u00f3prio, evitaria muitas discuss\u00f5es; com uma palavra para cada coisa, todos se entenderiam.<\/p>\n<p>Segundo alguns, a alma \u00e9 o princ\u00edpio da vida material org\u00e2nica, n\u00e3o tem exist\u00eancia pr\u00f3pria e termina com a vida: \u00e9 o materialismo puro. \u00c9 nesse sentido e por compara\u00e7\u00e3o que se diz de um instrumento rachado quando n\u00e3o emite mais som: n\u00e3o tem alma. De acordo com essa opini\u00e3o, a alma seria um efeito e n\u00e3o uma causa.<\/p>\n<p>Outros pensam que a alma \u00e9 o princ\u00edpio da intelig\u00eancia, agente universal do qual cada ser absorve uma por\u00e7\u00e3o. De acordo com esse pensamento, haveria para todo o universo apenas uma \u00fanica alma que distribui suas centelhas entre os diversos seres inteligentes durante a vida. Ap\u00f3s a sua morte, cada centelha retornaria \u00e0 fonte comum, onde se misturaria no todo, como as \u00e1guas dos riachos e dos rios retornam ao mar de onde sa\u00edram. Essa opini\u00e3o difere da anterior apenas em que, nessa hip\u00f3tese, h\u00e1 no corpo mais do que a mat\u00e9ria e que resta alguma coisa depois da morte; mas \u00e9 quase como se n\u00e3o restasse nada, uma vez que, incorporando-se ao todo de onde veio, perde a individualidade e, assim, n\u00e3o ter\u00edamos mais consci\u00eancia de n\u00f3s mesmos. De acordo com essa opini\u00e3o, a alma universal seria Deus e cada ser, uma por\u00e7\u00e3o da divindade. Essa \u00e9 uma variante do pante\u00edsmo<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#3\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>E por fim, segundo outros, a alma \u00e9 um ser moral, distinto e independente da mat\u00e9ria, que conserva sua individualidade ap\u00f3s a morte. Essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9, indiscutivelmente, a mais generalizada, visto que, sob um nome ou outro, a id\u00e9ia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra como cren\u00e7a instintiva e independentemente de qualquer ensinamento, entre todos os povos, seja qual for o grau de sua civiliza\u00e7\u00e3o. Essa doutrina, segundo a qual a alma \u00e9 a causa e n\u00e3o o efeito, \u00e9 a dos espiritualistas.<\/p>\n<p>Sem discutir o m\u00e9rito dessas opini\u00f5es, considerando apenas o lado ling\u00fc\u00edstico da quest\u00e3o, diremos que as tr\u00eas aplica\u00e7\u00f5es da palavra alma constituem tr\u00eas id\u00e9ias distintas e que, para serem claramente expressas, cada uma precisaria de um termo diferente. A palavra tem, portanto, uma tr\u00edplice significa\u00e7\u00e3o e cada uma tem raz\u00e3o em seu ponto de vista, na defini\u00e7\u00e3o que lhe d\u00e1. O problema \u00e9 a l\u00edngua ter apenas uma palavra para designar tr\u00eas id\u00e9ias. Para evitar qualquer equ\u00edvoco, seria preciso aplicar o significado da palavra alma a uma dessas tr\u00eas id\u00e9ias. Escolher qualquer uma \u00e9 indiferente, \u00e9 uma quest\u00e3o de ajuste de opini\u00f5es; o importante \u00e9 que nos entendamos. Acreditamos mais l\u00f3gico tom\u00e1-la na sua concep\u00e7\u00e3o mais comum; \u00e9 por isso que denominamos ALMA o ser imaterial e individual que existe em n\u00f3s e que sobrevive ao corpo. Ainda que esse ser n\u00e3o existisse e fosse apenas um produto da imagina\u00e7\u00e3o, seria preciso assim mesmo um termo para design\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Na falta de uma palavra especial para cada uma das outras duas id\u00e9ias, denominamos princ\u00edpio vital o princ\u00edpio da vida material e org\u00e2nica, qualquer que lhe seja a origem, e que \u00e9 comum a todos os seres vivos, desde as plantas at\u00e9 o homem. Podendo existir vida sem depender da capacidade de pensar, o princ\u00edpio vital \u00e9 assim uma propriedade distinta e aut\u00f4noma<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#4\"><sup>4<\/sup><\/a>. A palavra vitalidade n\u00e3o daria a mesma id\u00e9ia. Para alguns, o princ\u00edpio vital \u00e9 uma propriedade da mat\u00e9ria, um efeito que se produz quando a mat\u00e9ria se encontra em determinadas circunst\u00e2ncias. Segundo outros, e esta \u00e9 a id\u00e9ia mais comum, ele se encontra num fluido especial, universalmente espalhado e do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos inertes absorverem a luz. Este seria, ent\u00e3o, o fluido vital, que, segundo algumas opini\u00f5es, seria o fluido el\u00e9trico animalizado, designado tamb\u00e9m sob os nomes de fluido magn\u00e9tico, fluido nervoso, etc.<\/p>\n<p>O que quer que ele seja, h\u00e1 um fato que n\u00e3o se poder\u00e1 contestar, porque \u00e9 resultante da observa\u00e7\u00e3o: \u00e9 que os seres org\u00e2nicos t\u00eam em si uma for\u00e7a \u00edntima que produz o fen\u00f4meno da vida, enquanto essa for\u00e7a dure; que a vida material \u00e9 comum a todos os seres org\u00e2nicos e \u00e9 independente da intelig\u00eancia e do pensamento; que a intelig\u00eancia e o pensamento s\u00e3o capacidades pr\u00f3prias de algumas esp\u00e9cies org\u00e2nicas; e que, enfim, entre as esp\u00e9cies org\u00e2nicas dotadas de intelig\u00eancia e de pensamento, h\u00e1 uma que \u00e9 dotada de um senso moral especial que lhe d\u00e1 uma incontest\u00e1vel superioridade sobre as outras: \u00e9 a esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p>Concebe-se assim que nem o materialismo nem o pante\u00edsmo excluem em suas teorias a no\u00e7\u00e3o de alma por causa do significado abrangente que se lhe pode atribuir. Mesmo o espiritualista pode entender muito bem a alma segundo uma das duas primeiras defini\u00e7\u00f5es, sem reduzir o ser imaterial distinto ao qual dar\u00e1 um nome qualquer. Assim, a palavra alma n\u00e3o representa uma id\u00e9ia \u00fanica; \u00e9 um Proteu<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#5\"><sup>5<\/sup><\/a> que cada um acomoda a seu gosto, da\u00ed a fonte de tantas disputas intermin\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao se utilizar da palavra alma em qualquer dos tr\u00eas casos, ter\u00edamos uma id\u00e9ia clara ao lhe acrescentar um qualificativo que especificasse o ponto de vista a que se refere, ou a aplica\u00e7\u00e3o que se faz dela.<\/p>\n<p>Seria, ent\u00e3o, uma palavra gen\u00e9rica, representando ao mesmo tempo o princ\u00edpio da vida material, da intelig\u00eancia e do sentido moral, mas que se diferenciaria por um atributo, como o g\u00e1s, por exemplo, que se distingue quando lhe acrescentamos as palavras hidrog\u00eanio, oxig\u00eanio ou azoto. Assim \u00e9 que dever\u00edamos compreender a alma vital para designar o princ\u00edpio da vida material; a alma intelectual para o princ\u00edpio da intelig\u00eancia que se expressa enquanto h\u00e1 vida e a alma esp\u00edrita para o princ\u00edpio de nossa individualidade ap\u00f3s a morte. Como se v\u00ea, tudo isso \u00e9 uma quest\u00e3o de palavras, mas uma quest\u00e3o muito importante para entender. De acordo com isso, a alma vital seria comum a todos os seres org\u00e2nicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual seria pr\u00f3pria dos animais e dos homens; e a alma esp\u00edrita,apenas do homem.<\/p>\n<p>Acreditamos dever insistir nessas explica\u00e7\u00f5es, porque a Doutrina Esp\u00edrita baseia-se naturalmente na exist\u00eancia em n\u00f3s de um ser independente da mat\u00e9ria e que sobrevive \u00e0 morte do corpo. Como a palavra alma deve aparecer freq\u00fcentemente no decorrer desta obra, \u00e9 importante saber o exato sentido que lhe damos, a fim de evitar qualquer equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>Vamos, agora, ao ponto principal desta instru\u00e7\u00e3o preliminar.<\/p>\n<p><strong>3 \u2013 A HIST\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p>A Doutrina Esp\u00edrita, como toda id\u00e9ia nova, tem seus adeptos e seus opositores. Vamos tentar responder a algumas das obje\u00e7\u00f5es, examinando o valor dos motivos em que se ap\u00f3iam, sem termos, entretanto, a pretens\u00e3o de convencer a todos, porque h\u00e1 pessoas que acreditam que a luz tenha sido feita exclusivamente para elas. Dirigimo-nos \u00e0s pessoas de boa-f\u00e9, sem id\u00e9ias preconcebidas ou obstinadas e sinceramente desejosas de se instruir, e demonstraremos que a maior parte das obje\u00e7\u00f5es \u00e0 Doutrina prov\u00e9m de uma observa\u00e7\u00e3o incompleta dos fatos e de um julgamento feito com muita leviandade e precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembremos primeiramente e em poucas palavras a s\u00e9rie progressiva dos fen\u00f4menos que deram origem \u00e0 Doutrina Esp\u00edrita.<\/p>\n<p>O primeiro fato observado foi o de que diversos objetos se movimentavam; de maneira geral, chamaram-no de mesas girantes ou dan\u00e7a das mesas. Esse fen\u00f4meno, observado primeiramente nos Estados Unidos, ou melhor, que se repetiu e foi anunciado naquele pa\u00eds, porque a hist\u00f3ria prova que remonta \u00e0 mais alta Antiguidade, se produziu acompanhado de circunst\u00e2ncias estranhas, como barulhos anormais, pancadas sem causa aparente ou conhecida. Dos Estados Unidos se propagou rapidamente pela Europa e em seguida por todo o mundo. A princ\u00edpio houve muita incredulidade, mas a multiplicidade das experi\u00eancias n\u00e3o mais permitiu duvidar da realidade.<\/p>\n<p>Se o fen\u00f4meno tivesse ficado restrito ao movimento dos objetos materiais, poderia ser explicado por uma causa puramente f\u00edsica. Estamos longe de conhecer todos os agentes ocultos da natureza e todas as propriedades daqueles que conhecemos; a eletricidade, ali\u00e1s, multiplica a cada dia ao infinito os recursos que ela proporciona ao homem e parece destinada<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#6\"><sup>6<\/sup><\/a> a iluminar a ci\u00eancia com uma nova luz. N\u00e3o haveria, portanto, nada de imposs\u00edvel se a eletricidade, modificada por algum fator ou qualquer outro agente desconhecido, fosse a causa desse movimento. A reuni\u00e3o de muitas pessoas, aumentando o poder da a\u00e7\u00e3o, parecia apoiar essa teoria, porque se podia considerar todo o conjunto como uma pilha m\u00faltipla cujo potencial estava em raz\u00e3o do n\u00famero de elementos.<\/p>\n<p>O movimento circular n\u00e3o apresentaria nada de extraordin\u00e1rio, est\u00e1 na natureza, todos os astros se movem em c\u00edrculos; poder\u00edamos ter um pequeno reflexo do movimento geral do universo, ou melhor, uma causa at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida poderia produzir acidentalmente, com pequenos objetos e em determinadas circunst\u00e2ncias, uma corrente parecida \u00e0 que faz girar os mundos.<\/p>\n<p>Ocorre que o movimento nem sempre era circular; muitas vezes era brusco, desordenado; outras vezes o objeto era violentamente sacudido, derrubado, levado numa dire\u00e7\u00e3o qualquer e, contrariamente a todas as leis da est\u00e1tica<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#7\"><sup>7<\/sup><\/a>, levantado do ch\u00e3o e mantido no espa\u00e7o. Ainda n\u00e3o havia nada nesses fatos que n\u00e3o pudesse ser explicado pelo poder de um agente f\u00edsico invis\u00edvel. N\u00e3o vemos a eletricidade derrubar edif\u00edcios, destruir \u00e1rvores, lan\u00e7ar ao longe os mais pesados corpos, atra\u00ed-los ou repeli-los?<\/p>\n<p>Os ru\u00eddos anormais, as pancadas, supondo-se que n\u00e3o fossem um dos efeitos normais da dilata\u00e7\u00e3o da madeira ou de qualquer outra causa acidental, poderiam muito bem ser produzidos pelo ac\u00famulo de um fluido oculto: a eletricidade n\u00e3o produz os ru\u00eddos mais violentos<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#8\"><sup>8<\/sup><\/a>?<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, como se v\u00ea, tudo podia ocorrer no dom\u00ednio dos fatos puramente f\u00edsicos e fisiol\u00f3gicos. Sem sair desse c\u00edrculo de id\u00e9ias, havia mat\u00e9ria para estudos s\u00e9rios e dignos de fixar a aten\u00e7\u00e3o dos s\u00e1bios. Por que isso n\u00e3o aconteceu? \u00c9 lament\u00e1vel dizer, mas isso se prende a causas que provam, entre mil fatos semelhantes, a leviandade do esp\u00edrito humano. Por se tratar de um objeto comum, no caso a mesa que serviu de base \u00e0s primeiras experi\u00eancias, provocou a estranheza e a indiferen\u00e7a dos s\u00e1bios. Que influ\u00eancia, muitas vezes, n\u00e3o tem uma palavra sobre as coisas mais s\u00e9rias? Sem considerar que o movimento poderia ser dado a um outro objeto qualquer, a id\u00e9ia das mesas prevaleceu, sem d\u00favida, porque esse era o objeto mais c\u00f4modo e ao redor de uma mesa as pessoas se sentam com mais naturalidade do que ao redor de qualquer outro m\u00f3vel. Portanto, os homens de intelig\u00eancia superior s\u00e3o, algumas vezes, t\u00e3o pretensiosos que n\u00e3o seria nada imposs\u00edvel considerar que intelig\u00eancias de elite tenham acreditado que se rebaixariam caso se ocupassem daquilo que foi convencionado chamar a dan\u00e7a das mesas. \u00c9 mesmo prov\u00e1vel que se o fen\u00f4meno observado por Galvani<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#9\"><sup>9<\/sup><\/a> o tivesse sido por homens comuns e ficasse conhecido por um nome simples, ainda estaria rebaixado ao mesmo plano da varinha m\u00e1gica. Qual \u00e9, de fato, o s\u00e1bio que n\u00e3o teria julgado uma indignidade se ocupar da dan\u00e7a das r\u00e3s<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#10\"><sup>10<\/sup><\/a>?<\/p>\n<p>Entretanto, alguns s\u00e1bios, bastante modestos por admitir que a natureza poderia muito bem n\u00e3o lhes ter dito sua \u00faltima palavra, quiseram ver, para tranq\u00fcilizar as suas consci\u00eancias. Mas aconteceu que<\/p>\n<p>o fen\u00f4meno nem sempre correspondeu \u00e0 expectativa que tinham, e como o fato n\u00e3o se produziu conforme a sua vontade e segundo seu modo de experimenta\u00e7\u00e3o, conclu\u00edram pela negativa. Apesar do que decretaram, as mesas continuaram a girar, e podemos dizer como Galileu: \u201cTodavia elas se movem! \u201d Diremos mais: \u201c\u00c9 que os fatos se multiplicaram de tal modo que hoje t\u00eam direito \u00e0 cidadania e que n\u00e3o se trata sen\u00e3o de achar-lhes uma explica\u00e7\u00e3o racional\u201d.<\/p>\n<p>Pode-se deduzir algo contra a realidade de um fen\u00f4meno pelo fato de ele n\u00e3o se produzir de um modo sempre id\u00eantico, atendendo \u00e0 vontade e \u00e0s exig\u00eancias do observador? Acaso n\u00e3o est\u00e3o os fen\u00f4menos da eletricidade e da qu\u00edmica tamb\u00e9m subordinados a certas condi\u00e7\u00f5es? Deve-se neg\u00e1-los porque n\u00e3o se produzem fora dessas condi\u00e7\u00f5es? Portanto, n\u00e3o h\u00e1 nada de surpreendente em que o fen\u00f4meno do movimento dos objetos pelo fluido humano tamb\u00e9m tenha suas condi\u00e7\u00f5es para se realizar e deixe de se produzir quando o observador, colocando-se em seu pr\u00f3prio ponto de vista, pretende fazer com que ele se realize conforme o seu capricho ou submet\u00ea-lo \u00e0s leis dos fen\u00f4menos conhecidos, sem considerar que para os fatos novos pode e deve haver novas leis? Portanto, para conhecer essas leis \u00e9 preciso estudar as circunst\u00e2ncias em que os fatos se produzem, e esse estudo s\u00f3 pode ser fruto de uma observa\u00e7\u00e3o perseverante, atenta e \u00e0s vezes muito longa.<\/p>\n<p>Mas algumas pessoas alegam que muitas vezes h\u00e1 fraudes evidentes. Em primeiro lugar, devemos perguntar se est\u00e3o bem certas disso e se n\u00e3o tomaram por fraudes os efeitos que n\u00e3o conseguiram entender, como o campon\u00eas que confundiu um s\u00e1bio professor de f\u00edsica realizando experi\u00eancias como um m\u00e1gico habilidoso. Mas, mesmo supondo que a fraude pudesse acontecer algumas vezes, seria raz\u00e3o para negar o fato? Deve-se negar a f\u00edsica porque h\u00e1 ilusionistas e m\u00e1gicos que d\u00e3o a si mesmo o t\u00edtulo de f\u00edsicos? Ali\u00e1s, \u00e9 preciso levar em conta o car\u00e1ter das pessoas e o interesse que podiam ter em enganar. Ent\u00e3o seria um gracejo? Admite-se que uma pessoa possa se divertir por um instante, mas uma brincadeira indefinidamente prolongada seria t\u00e3o cansativa para o mistificador<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#11\"><sup>11<\/sup><\/a> quanto para o mistificado. De resto, numa mistifica\u00e7\u00e3o que se propaga de um lado a outro do mundo e entre pessoas mais s\u00e9rias, mais vener\u00e1veis e mais esclarecidas, haveria algo t\u00e3o extraordin\u00e1rio quanto o pr\u00f3prio fen\u00f4meno.<\/p>\n<p><strong>4 \u2013 O M\u00c9TODO<\/strong><\/p>\n<p>Se os fen\u00f4menos de que nos ocupamos ficassem restritos ao movimento dos objetos, estariam dentro, como dissemos, do dom\u00ednio das ci\u00eancias f\u00edsicas. Mas n\u00e3o foi isso que aconteceu: estavam destinados a nos colocar no caminho de fatos de uma natureza estranha. Acreditou-se descobrir, n\u00e3o sabemos por iniciativa de quem, que a impuls\u00e3o dada aos objetos n\u00e3o era somente produto de uma for\u00e7a mec\u00e2nica cega, mas que havia nesse movimento a interven\u00e7\u00e3o de uma causa inteligente. Esse caminho, uma vez aberto, revelou um campo totalmente novo de observa\u00e7\u00f5es: era o v\u00e9u levantado de sobre muitos mist\u00e9rios. H\u00e1, de fato, um poder inteligente? Essa \u00e9 a quest\u00e3o. Se esse poder existe, qual \u00e9 ele, qual \u00e9 a sua natureza, sua origem? Ele est\u00e1 acima da humanidade? Essas s\u00e3o as outras quest\u00f5es decorrentes da primeira.<\/p>\n<p>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es inteligentes aconteceram por meio de mesas se levantando e batendo, com um dos p\u00e9s, um n\u00famero determinado de pancadas e respondendo desse modo sim ou n\u00e3o, segundo fora convencionado, a uma quest\u00e3o proposta. At\u00e9 a\u00ed, n\u00e3o havia nada de convincente para os c\u00e9ticos<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#12\"><sup>12<\/sup><\/a>, porque se podia acreditar num efeito do acaso. Obtiveram-se, em seguida, respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o objeto m\u00f3vel, batendo um n\u00famero de vezes correspondente ao n\u00famero de ordem de cada letra, chegava a formular palavras e frases respondendo \u00e0s perguntas propostas. A precis\u00e3o das respostas e sua correla\u00e7\u00e3o com a pergunta causaram espanto. O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um Esp\u00edrito ou g\u00eanio, deu o seu nome e forneceu diversas informa\u00e7\u00f5es a seu respeito. Aqui h\u00e1 um fato muito importante que conv\u00e9m ressaltar: ningu\u00e9m havia imaginado os Esp\u00edritos como um meio de explicar o fen\u00f4meno. Foi o pr\u00f3prio fen\u00f4meno que se revelou. Muitas vezes, nas ci\u00eancias exatas, formulam-se hip\u00f3teses para se ter uma base de racioc\u00ednio, mas isso n\u00e3o ocorreu nesse caso.<\/p>\n<p>Esse meio de comunica\u00e7\u00e3o era demorado e inc\u00f4modo. O Esp\u00edrito, e isso ainda \u00e9 uma circunst\u00e2ncia digna de nota, indicou um outro processo. Foi um desses seres espirituais que ensinou a prender um l\u00e1pis a um pequeno cesto ou a um outro objeto. Esse cesto, colocado sobre uma folha de papel, foi posto em movimento pelo mesmo poder oculto que fazia mover as mesas; mas, em vez de um simples movimento regular, o l\u00e1pis tra\u00e7ou, por si mesmo, letras formando palavras, frases e discursos inteiros de muitas p\u00e1ginas, tratando das mais altas quest\u00f5es da filosofia, da moral, da metaf\u00edsica, da psicologia, etc., e isso com tanta rapidez como se fosse escrito \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse conselho foi dado simultaneamente nos Estados Unidos, na Fran\u00e7a e em diversos pa\u00edses. Eis os termos em que foi dado em Paris, no dia 10 de junho de 1853, a um dos mais fervorosos adeptos da Doutrina, que desde 1849 se ocupava com a evoca\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos: \u201cV\u00e1 pegar no quarto ao lado o pequeno cesto; prenda-lhe um l\u00e1pis, coloque-o sobre um papel e ponha os dedos sobre a borda\u201d. Alguns instantes depois, o cesto se p\u00f4s em movimento, e o l\u00e1pis escreveu esta frase muito claramente: \u201cO que eu vos digo aqui, eu vos pro\u00edbo expressamente de o dizer a algu\u00e9m. A pr\u00f3xima vez que eu escrever, escreverei melhor\u201d.<\/p>\n<p>O objeto ao qual se adaptava o l\u00e1pis era apenas um instrumento, sua natureza e forma n\u00e3o tinham import\u00e2ncia. Procurou-se sua disposi\u00e7\u00e3o mais c\u00f4moda, por isso muitas pessoas fazem uso de uma pequena prancheta.<\/p>\n<p>O cesto ou a prancheta apenas podem ser colocados em movimento sob a influ\u00eancia de algumas pessoas dotadas, para esse fim, de um poder especial e que s\u00e3o designadas como m\u00e9diuns, isto \u00e9, intermedi\u00e1rios entre os Esp\u00edritos e os homens. As condi\u00e7\u00f5es de que se origina esse poder especial t\u00eam causas ao mesmo tempo f\u00edsicas e morais ainda desconhecidas, visto que se encontram m\u00e9diuns de todas as idades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual. Essa faculdade<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#13\"><sup>13<\/sup><\/a>, esse dom, se desenvolve pelo exerc\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>5 \u2013 O SURGIMENTO DA PSICOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p>Mais tarde se reconheceu que o cesto e a prancheta, na realidade, eram apenas um substituto da m\u00e3o, e o m\u00e9dium, pegando diretamente o l\u00e1pis, p\u00f4s-se a escrever por um impulso involunt\u00e1rio e quase febril.<\/p>\n<p>Dessa forma, as comunica\u00e7\u00f5es tornaram-se mais r\u00e1pidas, f\u00e1ceis e completas. Hoje \u00e9 o meio mais empregado, tanto \u00e9 que o n\u00famero de pessoas dotadas dessa aptid\u00e3o \u00e9 muito grande e multiplica-se todos os dias. A experi\u00eancia fez conhecer outras variedades da faculdade medi\u00fanica e constatou-se que as comunica\u00e7\u00f5es poderiam igualmente ter lugar pela fala, pela audi\u00e7\u00e3o, pela vis\u00e3o, pelo tato, etc. e at\u00e9 mesmo pela escrita direta dos Esp\u00edritos, ou seja, sem a interfer\u00eancia da m\u00e3o do m\u00e9dium nem do l\u00e1pis.<\/p>\n<p>Comprovado o fato, era preciso estabelecer e demonstrar um ponto essencial: qual era o papel do m\u00e9dium nas respostas e a parte que poderia nelas tomar, mec\u00e2nica e moralmente. Duas circunst\u00e2ncias fundamentais, que n\u00e3o poderiam escapar a um observador atento, podem resolver a quest\u00e3o. A primeira \u00e9 a maneira pela qual o cesto se movia sob influ\u00eancia do m\u00e9dium, somente pela imposi\u00e7\u00e3o dos dedos sobre a borda. O exame demonstra a impossibilidade de que o m\u00e9dium pudesse lhe impor qualquer dire\u00e7\u00e3o. Essa impossibilidade torna-se mais evidente quando duas ou tr\u00eas pessoas colocam ao mesmo tempo as pontas dos dedos nas bordas de um mesmo cesto. Seria preciso uma concord\u00e2ncia de movimentos entre elas verdadeiramente fenomenal, e ainda seria preciso mais, a concord\u00e2ncia de seus pensamentos para que pudessem se entender quanto \u00e0 resposta a dar \u00e0 quest\u00e3o formulada. Um outro fato, n\u00e3o menos importante, ainda vem se juntar \u00e0 dificuldade: \u00e9 a mudan\u00e7a radical que se constata na caligrafia, conforme o Esp\u00edrito que se manifesta; por\u00e9m, cada vez que o mesmo Esp\u00edrito retorna, sua escrita se reproduz. Seria preciso, portanto, que o m\u00e9dium fosse capaz de mudar sua pr\u00f3pria escrita de 20 maneiras diferentes e, principalmente, que pudesse se lembrar da que pertence a este ou \u00e0quele Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>A segunda circunst\u00e2ncia resulta da pr\u00f3pria natureza das respostas que s\u00e3o, na maioria, principalmente quando se trata de quest\u00f5es abstratas<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#14\"><sup>14<\/sup><\/a> ou cient\u00edficas, notoriamente fora dos conhecimentos e algumas vezes al\u00e9m da capacidade intelectual do m\u00e9dium, que n\u00e3o tem consci\u00eancia do que escreve sob influ\u00eancia do Esp\u00edrito. Com freq\u00fc\u00eancia, o m\u00e9dium n\u00e3o ouve ou n\u00e3o compreende a quest\u00e3o proposta, uma vez que pode ser feita numa l\u00edngua que lhe \u00e9 estranha, ou mesmo mentalmente; e a resposta pode ser dada por escrito ou falada nessa mesma l\u00edngua. Enfim, acontece que muitas vezes o cesto escreve espontaneamente, sem pergunta pr\u00e9via, sobre um assunto qualquer e inteiramente inesperado.<\/p>\n<p>Essas respostas, em alguns casos, t\u00eam uma tal marca de sabedoria, profundidade e oportunidade, revelam pensamentos t\u00e3o elevados, t\u00e3o sublimes, que somente podem proceder de uma intelig\u00eancia superior, fundamentada na mais pura moralidade. Outras vezes, s\u00e3o t\u00e3o levianas, t\u00e3o f\u00fateis e at\u00e9 mesmo t\u00e3o vulgares que a raz\u00e3o se recusa a acreditar que possam proceder de uma mesma fonte. Essa diversidade da linguagem e dos ensinamentos somente se pode explicar pela diversidade das intelig\u00eancias que se manifestam. Estar\u00e3o essas intelig\u00eancias na humanidade ou fora dela? Esse \u00e9 o ponto a esclarecer, para o qual se encontrar\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o completa nesta obra, exatamente como foi revelada pelos pr\u00f3prios Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>Eis que os efeitos ou fen\u00f4menos evidentes e incontest\u00e1veis que se produzem fora do c\u00edrculo habitual de nossas observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o se processam misteriosamente, mas sim \u00e0 luz do dia, e todos podem v\u00ea-los e constat\u00e1-los, porque n\u00e3o s\u00e3o privil\u00e9gio de um \u00fanico indiv\u00edduo, uma vez que milhares de pessoas os repetem todos os dias \u00e0 vontade. Esses efeitos t\u00eam necessariamente uma causa, e a partir do momento que revelam a a\u00e7\u00e3o de uma intelig\u00eancia e de uma vontade saem do dom\u00ednio puramente f\u00edsico.<\/p>\n<p>Muitas teorias foram anunciadas a esse respeito. Elas ser\u00e3o examinadas em seguida e veremos se podem fornecer a raz\u00e3o de todos os fatos que se produzem. Admitamos, em princ\u00edpio, antes de chegar at\u00e9 l\u00e1, a exist\u00eancia de seres distintos da humanidade, uma vez que esta \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o fornecida pelas intelig\u00eancias que se revelam, e vejamos o que nos dizem.<\/p>\n<p><strong>6 \u2013 RESUMO DOS PRINCIPAIS PONTOS DA DOUTRINA ESP\u00cdRITA<\/strong><\/p>\n<p>Os seres que se comunicam designam-se, a si mesmos, como o dissemos, sob o nome de Esp\u00edritos ou de G\u00eanios, tendo pertencido, pelo menos alguns, a homens que viveram na Terra. Eles constituem o mundo espiritual, como n\u00f3s constitu\u00edmos, durante nossa vida, o mundo corporal.<\/p>\n<p>Resumimos assim, em poucas palavras, os pontos mais importantes da Doutrina que eles nos transmitiram, a fim de respondermos mais facilmente a algumas obje\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cDeus \u00e9 eterno, imut\u00e1vel, imaterial, \u00fanico, todo-poderoso, soberanamente justo e bom.\u201d<\/p>\n<p>\u201cCriou o universo, que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs seres materiais constituem o mundo vis\u00edvel ou corporal; os seres imateriais, o mundo invis\u00edvel ou esp\u00edrita, ou seja, dos Esp\u00edritos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO mundo esp\u00edrita \u00e9 o mundo normal, primitivo, eterno, preexistindo e sobrevivendo a tudo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO mundo corporal \u00e9 apenas secund\u00e1rio, poderia deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a ess\u00eancia do mundo esp\u00edrita.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos vestem temporariamente um corpo material perec\u00edvel, cuja destrui\u00e7\u00e3o pela morte lhes devolve a liberdade.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEntre as diferentes esp\u00e9cies de seres corporais, Deus escolheu a esp\u00e9cie humana para a encarna\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos que atingiram um certo grau de desenvolvimento, o que lhe d\u00e1 a superioridade moral e intelectual sobre os outros.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA alma \u00e9 um Esp\u00edrito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envolt\u00f3rio.\u201d<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tr\u00eas coisas no homem: 1\u00aa) o corpo ou ser material semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princ\u00edpio vital; 2\u00aa) a alma ou ser imaterial, Esp\u00edrito encarnado no corpo; 3\u00aa) o la\u00e7o que une a alma ao corpo, princ\u00edpio intermedi\u00e1rio entre a mat\u00e9ria e o Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>\u201cAssim, o homem tem duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais tem os instintos; pela alma participa da natureza dos Esp\u00edritos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO la\u00e7o ou perisp\u00edrito que une o corpo e o Esp\u00edrito \u00e9 uma esp\u00e9cie de envolt\u00f3rio semi material. A morte \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do envolt\u00f3rio mais grosseiro. O Esp\u00edrito conserva o segundo, que constitui para ele um corpo et\u00e9reo, invis\u00edvel para n\u00f3s no estado normal, mas que pode tornar-se algumas vezes vis\u00edvel e mesmo tang\u00edvel, como ocorre no fen\u00f4meno das apari\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9, portanto, um ser abstrato, indefinido, que somente o pensamento pode conceber; \u00e9 um ser real, definido, que, em alguns casos, pode ser reconhecido, avaliado pelos sentidos da vis\u00e3o, da audi\u00e7\u00e3o e do tato.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos pertencem a diferentes classes e n\u00e3o s\u00e3o iguais em poder, intelig\u00eancia, saber e nem em moralidade. Os da primeira ordem s\u00e3o os Esp\u00edritos superiores, que se distinguem dos outros por sua perfei\u00e7\u00e3o, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e seu amor ao bem: s\u00e3o os anjos ou Esp\u00edritos puros. Os das outras classes n\u00e3o atingiram ainda essa perfei\u00e7\u00e3o; os das classes inferiores s\u00e3o inclinados \u00e0 maioria das nossas paix\u00f5es: ao \u00f3dio, \u00e0 inveja, ao ci\u00fame, ao orgulho, etc. Eles se satisfazem no mal; entre eles h\u00e1 os que n\u00e3o s\u00e3o nem muito bons nem muito maus, s\u00e3o mais trapaceiros e importunos do que maus, a mal\u00edcia e a irresponsabilidade parecem ser sua divers\u00e3o: s\u00e3o os Esp\u00edritos desajuizados ou levianos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos n\u00e3o pertencem perpetuamente \u00e0 mesma ordem. Todos melhoram ao passar pelos diferentes graus da hierarquia esp\u00edrita. Esse progresso ocorre pela encarna\u00e7\u00e3o, que \u00e9 imposta a alguns como expia\u00e7\u00e3o<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#15\"><sup>15<\/sup><\/a> e a outros como miss\u00e3o. A vida material \u00e9 uma prova que devem suportar v\u00e1rias vezes, at\u00e9 que tenham atingido a perfei\u00e7\u00e3o absoluta. \u00c9 uma esp\u00e9cie de exame severo ou de depura\u00e7\u00e3o, de onde saem mais ou menos purificados.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAo deixar o corpo, a alma retorna ao mundo dos Esp\u00edritos, de onde havia sa\u00eddo, para recome\u00e7ar uma nova exist\u00eancia material, depois de um per\u00edodo mais ou menos longo, durante o qual permanece no estado de Esp\u00edrito errante<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#16\"><sup>16<\/sup><\/a>.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Esp\u00edrito deve passar por v\u00e1rias encarna\u00e7\u00f5es. Disso resulta que todos n\u00f3s tivemos muitas exist\u00eancias e que ainda teremos outras que, aos poucos, nos aperfei\u00e7oar\u00e3o, seja na Terra, seja em outros mundos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA encarna\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos se d\u00e1 sempre na esp\u00e9cie humana; seria um erro acreditar que a alma ou o Esp\u00edrito pudesse encarnar no corpo de um animal*.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs diferentes exist\u00eancias corporais do Esp\u00edrito s\u00e3o sempre progressivas e o Esp\u00edrito nunca retrocede, mas o tempo necess\u00e1rio para progredir depende dos esfor\u00e7os de cada um para chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs qualidades da alma<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#17\"><sup>17<\/sup><\/a>, isto \u00e9, as qualidades morais, s\u00e3o as do Esp\u00edrito que est\u00e1 encarnado em n\u00f3s; desse modo, o homem de bem \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o do bom Esp\u00edrito, e o homem perverso a de um Esp\u00edrito impuro.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA alma tinha sua individualidade antes de sua encarna\u00e7\u00e3o e a conserva depois que se separa do corpo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNa sua reentrada no mundo dos Esp\u00edritos, a alma reencontra todos aqueles que conheceu na Terra e todas as suas exist\u00eancias anteriores desfilam na sua mem\u00f3ria com a lembran\u00e7a de todo o bem e de todo o mal que fez.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Esp\u00edrito, quando encarnado, est\u00e1 sob a influ\u00eancia da mat\u00e9ria. O homem que supera essa influ\u00eancia pela eleva\u00e7\u00e3o e pela depura\u00e7\u00e3o de sua alma aproxima-se dos bons Esp\u00edritos, com os quais estar\u00e1 um dia. Aquele que se deixa dominar pelas m\u00e1s paix\u00f5es e coloca todas as alegrias da sua exist\u00eancia na satisfa\u00e7\u00e3o dos apetites grosseiros se aproxima dos Esp\u00edritos impuros, porque nele predomina a natureza animal.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos encarnados habitam os diferentes globos do universo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos n\u00e3o encarnados ou errantes n\u00e3o ocupam uma regi\u00e3o determinada e localizada, est\u00e3o por todos os lugares no espa\u00e7o e ao nosso lado, vendo-nos numa presen\u00e7a cont\u00ednua. \u00c9 toda uma popula\u00e7\u00e3o invis\u00edvel que se agita ao nosso redor.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos exercem sobre o mundo moral e o mundo f\u00edsico uma a\u00e7\u00e3o incessante. Eles agem sobre a mat\u00e9ria e o pensamento e constituem uma das for\u00e7as da natureza, causa determinante de uma multid\u00e3o de fen\u00f4menos at\u00e9 agora inexplic\u00e1vel ou mal explicada e que apenas encontram esclarecimento racional no Espiritismo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs rela\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos com os homens s\u00e3o constantes. Os bons Esp\u00edritos nos atraem e estimulam para o bem, sustentando-nos nas prova\u00e7\u00f5es da vida e ajudando-nos a suport\u00e1-las com coragem e resigna\u00e7\u00e3o. Os maus nos sugestionam para o mal; \u00e9 um prazer para eles nos ver fracassar e nos assemelharmos a eles.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs comunica\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos com os homens s\u00e3o ocultas ou ostensivas. As comunica\u00e7\u00f5es ocultas ocorrem pela influ\u00eancia boa ou m\u00e1 que exercem sobre n\u00f3s sem o sabermos; cabe ao nosso julgamento discernir as boas das m\u00e1s inspira\u00e7\u00f5es. As comunica\u00e7\u00f5es ostensivas ocorrem por meio da escrita, da palavra ou outras manifesta\u00e7\u00f5es materiais, muitas vezes por m\u00e9diuns que lhes servem de instrumento.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos se manifestam espontaneamente ou por evoca\u00e7\u00e3o. Podem-se evocar todos os Esp\u00edritos, tanto aqueles que animaram homens simples como os de personagens mais ilustres, qualquer que seja a \u00e9poca em que viveram, os de nossos parentes, amigos ou inimigos, e com isso obter, por meio das comunica\u00e7\u00f5es escritas ou verbais, conselhos, ensinamentos sobre sua situa\u00e7\u00e3o depois da morte, seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revela\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o permitidas nos fazer.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Esp\u00edritos s\u00e3o atra\u00eddos em raz\u00e3o de sua simpatia pela natureza moral do ambiente em que s\u00e3o evocados. Os Esp\u00edritos superiores se satisfazem com reuni\u00f5es s\u00e9rias em que dominam o amor pelo bem e<\/p>\n<p>o desejo sincero de receber instru\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento. A sua presen\u00e7a afasta os Esp\u00edritos inferiores que, caso contr\u00e1rio, encontrariam a\u00ed livre acesso e poderiam agir com toda a liberdade entre as pessoas levianas ou guiadas somente pela curiosidade. Em todos os lugares onde se encontram maus instintos, longe de obter bons conselhos, ensinamentos \u00fateis, devem-se esperar apenas futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto ou mistifica\u00e7\u00f5es, visto que, freq\u00fcentemente, eles tomam emprestado nomes vener\u00e1veis para melhor induzir ao erro.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDistinguir os bons dos maus Esp\u00edritos \u00e9 extremamente f\u00e1cil. A linguagem dos Esp\u00edritos superiores \u00e9 constantemente digna, nobre, repleta da mais alta moralidade, livre de toda paix\u00e3o inferior; seus conselhos exaltam a sabedoria mais pura e sempre t\u00eam por objetivo nosso aperfei\u00e7oamento e o bem da humanidade. A linguagem dos Esp\u00edritos inferiores, ao contr\u00e1rio, \u00e9 inconseq\u00fcente, muitas vezes banal e at\u00e9 mesmo grosseira; se por vezes dizem coisas boas e verdadeiras, dizem na maioria das vezes coisas falsas e absurdas por mal\u00edcia ou por ignor\u00e2ncia. Zombam da credulidade e se divertem \u00e0 custa daqueles que os interrogam ao incentivar a vaidade, alimentando seus desejos com falsas esperan\u00e7as. Em resumo, as comunica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, no verdadeiro sentido da palavra, apenas acontecem nos centros s\u00e9rios, cujos membros est\u00e3o unidos por uma \u00edntima comunh\u00e3o de pensamentos, visando ao bem.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA moral dos Esp\u00edritos superiores se resume, como a de Cristo, neste ensinamento evang\u00e9lico: \u2018Fazer aos outros o que querer\u00edamos que os outros nos fizessem\u2019, ou seja, fazer o bem e n\u00e3o o mal. O homem encontra neste princ\u00edpio a regra universal de conduta, mesmo para as suas menores a\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEles nos ensinam que o ego\u00edsmo, o orgulho e a sensualidade s\u00e3o paix\u00f5es que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos \u00e0 mat\u00e9ria; que o homem que se desliga da mat\u00e9ria j\u00e1 neste mundo, desprezando as futilidades mundanas e amando o pr\u00f3ximo, se aproxima da natureza espiritual; que cada um de n\u00f3s deve se tornar \u00fatil segundo as capacidades e os meios que Deus nos colocou nas m\u00e3os para nos provar; que o forte e o poderoso devem apoio e prote\u00e7\u00e3o ao fraco, pois aquele que abusa de sua for\u00e7a e de seu poder para oprimir seu semelhante transgride a Lei de Deus. Enfim, ensinam que no mundo dos Esp\u00edritos nada pode ser escondido, o hip\u00f3crita ser\u00e1 desmascarado e todas as suas baixezas descobertas; que a presen\u00e7a inevit\u00e1vel, em todos os instantes, daqueles com quem agimos mal \u00e9 um dos castigos que nos est\u00e3o reservados; que ao estado de inferioridade e de superioridade dos Esp\u00edritos equivalem puni\u00e7\u00f5es e prazeres que desconhecemos na Terra.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMas tamb\u00e9m nos ensinam que n\u00e3o h\u00e1 faltas imperdo\u00e1veis que n\u00e3o possam ser apagadas pela expia\u00e7\u00e3o. Pela reencarna\u00e7\u00e3o, nas sucessivas exist\u00eancias, mediante os seus esfor\u00e7os e desejos de melhoria no caminho do progresso, o homem avan\u00e7a sempre e alcan\u00e7a a perfei\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a sua destina\u00e7\u00e3o final.\u201d<\/p>\n<p>Este \u00e9 o resumo da Doutrina Esp\u00edrita, resultante do ensinamento dado pelos Esp\u00edritos superiores. Vejamos agora as obje\u00e7\u00f5es que lhe fazem.<\/p>\n<p><strong>7 \u2013 A DOUTRINA ESP\u00cdRITA E A CI\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p>Para muitas pessoas, a oposi\u00e7\u00e3o de cientistas, se n\u00e3o \u00e9 uma prova, \u00e9 pelo menos uma forte opini\u00e3o contr\u00e1ria. N\u00e3o somos dos que se levantam contra os s\u00e1bios, porque n\u00e3o queremos que digam que n\u00f3s os insultamos; n\u00f3s os temos, ao contr\u00e1rio, em grande estima e ficar\u00edamos muito honrados de estar entre eles. Por\u00e9m, suas opini\u00f5es n\u00e3o podem ser em todas as circunst\u00e2ncias um julgamento irrevog\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quando a ci\u00eancia sai da observa\u00e7\u00e3o material dos fatos e procura apreciar e explicar esses fatos, o campo est\u00e1 aberto \u00e0s hip\u00f3teses e \u00e0s suposi\u00e7\u00f5es; cada um defende seu pequeno sistema na inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo prevalecer e o sustenta com firmeza. N\u00e3o vemos todos os dias as opini\u00f5es mais divergentes alternativamente acatadas e rejeitadas, repelidas como erros absurdos, ou proclamadas como verdades incontest\u00e1veis? Os fatos, eis o verdadeiro crit\u00e9rio de nossos julgamentos, o argumento incontest\u00e1vel. Na aus\u00eancia de fatos, a d\u00favida \u00e9 opini\u00e3o s\u00e1bia e prudente.<\/p>\n<p>Para as coisas de conhecimento de todos, a opini\u00e3o dos s\u00e1bios deve ser respeitada, e com raz\u00e3o, porque sabem mais e melhor do que a maioria das pessoas comuns; mas na quest\u00e3o de novos princ\u00edpios, de coisas desconhecidas, sua maneira de ver \u00e9 sempre e apenas uma suposi\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o est\u00e3o mais do que quaisquer outros livres de preconceitos. Direi at\u00e9 mesmo que o s\u00e1bio talvez tenha mais preconceitos, porque uma tend\u00eancia natural leva-o a submeter tudo ao ponto de vista em que se especializou: o matem\u00e1tico apenas v\u00ea a prova numa demonstra\u00e7\u00e3o alg\u00e9brica, o qu\u00edmico relaciona tudo \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos elementos, etc. Todo homem que se dedica a uma especializa\u00e7\u00e3o subordina a ela todas as suas id\u00e9ias. Fora do seu campo, muitas vezes se perder\u00e1, por querer submeter tudo ao seu modo de ver; \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia da fraqueza humana. Consultarei, de bom grado e com toda a confian\u00e7a, um qu\u00edmico sobre uma quest\u00e3o de an\u00e1lise de uma subst\u00e2ncia, um f\u00edsico sobre a energia el\u00e9trica, um mec\u00e2nico sobre a for\u00e7a motriz; mas eles me permitir\u00e3o, sem que isso desmere\u00e7a o respeito que sua especializa\u00e7\u00e3o merece, considerar suas opini\u00f5es negativas sobre o Espiritismo id\u00eanticas ao conceito de um arquiteto sobre uma quest\u00e3o de m\u00fasica.<\/p>\n<p>As ci\u00eancias gerais se ap\u00f3iam nas propriedades da mat\u00e9ria, que pode ser manipulada e experimentada \u00e0 vontade; os fen\u00f4menos esp\u00edritas se fundamentam na a\u00e7\u00e3o das intelig\u00eancias que t\u00eam vontade pr\u00f3pria e nos provam a cada instante que n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos nossos caprichos. As observa\u00e7\u00f5es, em vista disso, n\u00e3o podem ser feitas da mesma maneira; requerem condi\u00e7\u00f5es diferenciadas, especiais e um outro ponto de partida. Querer submet\u00ea-las aos nossos processos comuns de investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 querer estabelecer e for\u00e7ar semelhan\u00e7as que n\u00e3o existem. A ci\u00eancia propriamente dita, como ci\u00eancia, \u00e9 incompetente para pronunciar-se na quest\u00e3o do Espiritismo; ela n\u00e3o tem que se ocupar com isso, e qualquer que seja seu julgamento, favor\u00e1vel ou n\u00e3o, n\u00e3o tem nenhuma import\u00e2ncia. O Espiritismo pode vir a ser uma convic\u00e7\u00e3o pessoal que os s\u00e1bios possam ter como indiv\u00edduos, sem considerar a sua qualidade de s\u00e1bios, isto \u00e9, a sua especializa\u00e7\u00e3o e o seu saber cient\u00edfico. Contudo, querer conceder a quest\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia equivaleria a decidir a exist\u00eancia da alma por uma assembl\u00e9ia de f\u00edsicos ou astr\u00f4nomos. De fato, o Espiritismo est\u00e1 inteiramente fundamentado na exist\u00eancia da alma e na sua situa\u00e7\u00e3o depois da morte; contudo, \u00e9 extremamente il\u00f3gico pensar que um homem deve ser um grande psic\u00f3logo porque \u00e9 um grande matem\u00e1tico ou um grande anatomista. O anatomista, ao dissecar o corpo humano, procura a alma, e como o seu bisturi n\u00e3o a encontra, como encontra um nervo, ou porque n\u00e3o a v\u00ea sair vol\u00e1til como um g\u00e1s, conclui que ela n\u00e3o existe, porque se coloca sob um ponto de vista exclusivamente material. Resultar\u00e1 que ele tenha raz\u00e3o contra a opini\u00e3o universal? N\u00e3o. Vemos, portanto, que o Espiritismo n\u00e3o \u00e9 da compet\u00eancia da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando a cren\u00e7a esp\u00edrita estiver bastante difundida, quando for aceita pelas massas, e, a se julgar pela rapidez com que se propaga, esse tempo n\u00e3o est\u00e1 longe, acontecer\u00e1 com o Espiritismo o que ocorre com todas as id\u00e9ias novas que encontraram oposi\u00e7\u00e3o: os s\u00e1bios ir\u00e3o se render \u00e0 evid\u00eancia. Chegar\u00e3o a ela por si s\u00f3s e pela for\u00e7a das coisas. At\u00e9 l\u00e1, \u00e9 inoportuno desvi\u00e1-los de seus trabalhos especiais, para obrig\u00e1-los a se ocupar de uma coisa estranha ao seu mundo, que n\u00e3o est\u00e1 nem nas suas atribui\u00e7\u00f5es, nem nos seus programas. Enquanto isso n\u00e3o ocorre, aqueles que, sem um estudo pr\u00e9vio e aprofundado da mat\u00e9ria, se pronunciam pela negativa e zombam de todos os que n\u00e3o est\u00e3o de acordo com a sua opini\u00e3o, esquecem que o mesmo ocorreu com a maior parte das grandes descobertas que honram a humanidade. Eles se exp\u00f5em a ver seus nomes inclu\u00eddos na extensa lista dos ilustres contestadores das id\u00e9ias novas e inscritos ao lado dos membros da erudita assembl\u00e9ia que, em 1752, acolheu com zombaria e muitos risos o relat\u00f3rio de Franklin<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#18\"><sup>18<\/sup><\/a> sobre os p\u00e1ra-raios, julgando-o indigno de figurar ao lado das comunica\u00e7\u00f5es que eram apreciadas; e desse outro que fez a Fran\u00e7a perder o benef\u00edcio da iniciativa do motor a vapor, declarando que o sistema de Fulton<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#19\"><sup>19<\/sup><\/a> era um sonho irrealiz\u00e1vel. Entretanto, essas eram quest\u00f5es da sua compet\u00eancia. Se essas assembl\u00e9ias, que contavam em seu seio com a elite dos s\u00e1bios do mundo, apenas tiveram a zombaria e o sarcasmo por id\u00e9ias que n\u00e3o compreendiam e que alguns anos mais tarde deveriam revolucionar a ci\u00eancia, os costumes e a ind\u00fastria, como esperar que uma quest\u00e3o estranha aos seus trabalhos obtenha melhor acolhimento?<\/p>\n<p>Esses erros lament\u00e1veis de alguns homens de comprovada sabedoria, indignos de sua mem\u00f3ria, n\u00e3o tiraram dos s\u00e1bios os t\u00edtulos com que, em outros campos de a\u00e7\u00e3o, se fazem respeitar. Mas acaso \u00e9 necess\u00e1rio um diploma oficial para se ter bom senso, e fora das poltronas acad\u00eamicas somente h\u00e1 tolos e imbecis? Que se observem os adeptos da Doutrina Esp\u00edrita, e que avaliem se entre eles somente h\u00e1 ignorantes, e se o n\u00famero imenso de homens de m\u00e9rito que a abra\u00e7aram permite nivel\u00e1-la \u00e0 categoria das crendices populares. Pelo car\u00e1ter e pelo saber desses homens, vale bem a pena dizer: uma vez que eles afirmam, \u00e9 certo pelo menos que h\u00e1 alguma coisa.<\/p>\n<p>Repetimos ainda que se os fatos de que nos ocupamos ficassem reduzidos ao movimento mec\u00e2nico dos objetos, a procura da causa f\u00edsica desse fen\u00f4meno entraria no campo da ci\u00eancia; mas, desde que se trata de uma manifesta\u00e7\u00e3o fora das leis dos homens, ela escapa da compet\u00eancia da ci\u00eancia material, porque n\u00e3o se pode exprimir nem por algarismos, nem pela for\u00e7a mec\u00e2nica. Quando surge um fato novo que n\u00e3o se situa no c\u00edrculo de alguma ci\u00eancia conhecida, o s\u00e1bio, para estud\u00e1-lo, deve despojar-se de seu saber e considerar que \u00e9 um estudo novo que n\u00e3o se pode fazer com id\u00e9ias preconcebidas.<\/p>\n<p>O homem que considera que o seu saber \u00e9 infal\u00edvel est\u00e1 bem perto do erro. Mesmo os que defendem as mais falsas id\u00e9ias ap\u00f3iam-se sempre na sua raz\u00e3o, e \u00e9 em virtude disso que rejeitam tudo que lhes parece imposs\u00edvel. Aqueles que antigamente repeliram as admir\u00e1veis descobertas de que hoje a humanidade se honra faziam apelo \u00e0 raz\u00e3o para as rejeitar; por\u00e9m, o que se chama raz\u00e3o \u00e9, muitas vezes, somente orgulho disfar\u00e7ado, e quem quer que se acredite infal\u00edvel se coloca como igual a Deus. Dirigimo-nos, portanto, \u00e0queles que s\u00e3o bastante ponderados para duvidar do que n\u00e3o viram e que, julgando o futuro pelo passado, n\u00e3o acreditam que o homem tenha chegado ao seu apogeu, nem que a natureza tenha virado para ele a \u00faltima p\u00e1gina de seu livro.<\/p>\n<p><strong>8 \u2013 A SERIEDADE DA DOUTRINA<\/strong><\/p>\n<p>Acrescentamos que o estudo de uma doutrina, como a Doutrina Esp\u00edrita, que nos lan\u00e7a de repente e em cheio numa ordem de coisas t\u00e3o novas e grandiosas, somente pode ser feito por homens s\u00e9rios, perseverantes, isentos de preven\u00e7\u00f5es e movidos por uma firme e sincera vontade de chegar a um resultado esclarecedor. N\u00e3o podem ser considerados assim os que julgam, a priori<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#20\"><sup>20<\/sup><\/a>, levianamente e sem ter visto tudo; que n\u00e3o d\u00e3o a seus estudos nem a seq\u00fc\u00eancia, nem a regularidade, nem a cautela necess\u00e1ria; e muito menos certas pessoas que, para n\u00e3o perder a pose de sua reputa\u00e7\u00e3o de homens de esp\u00edrito<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#21\"><sup>21<\/sup><\/a>, se empenham em encontrar um lado rid\u00edculo nas coisas mais verdadeiras, ou assim julgadas, por pessoas cujo saber, car\u00e1ter e convic\u00e7\u00f5es fazem jus ao respeito de quem se tem na conta de ser bem-educado. Aqueles que n\u00e3o julgarem os fatos esp\u00edritas dignos de si e de sua aten\u00e7\u00e3o que se calem; ningu\u00e9m tenciona violentar sua cren\u00e7a, mas que saibam respeitar a dos outros.<\/p>\n<p>O que caracteriza um estudo s\u00e9rio \u00e9 a seq\u00fc\u00eancia que se d\u00e1 a esse estudo. Deve causar estranheza o fato de n\u00e3o se obter, muitas vezes, nenhuma resposta sensata \u00e0s quest\u00f5es, s\u00e9rias por si pr\u00f3prias, quando s\u00e3o feitas ao acaso e lan\u00e7adas \u00e0 queima-roupa no meio de enxurradas de perguntas absurdas? Uma quest\u00e3o, ali\u00e1s, \u00e9 muitas vezes complexa e requer, para ser esclarecida, indaga\u00e7\u00f5es preliminares ou complementares. Quem quer aprender uma ci\u00eancia deve fazer um estudo met\u00f3dico dela, come\u00e7ar pelo in\u00edcio e seguir o encadeamento e o desenvolvimento das id\u00e9ias. Aquele que sem mais nem menos pergunta a um s\u00e1bio algo sobre a ci\u00eancia da qual nada sabe acaso obter\u00e1 algum proveito? E o pr\u00f3prio s\u00e1bio poder\u00e1, com a melhor boa vontade, dar uma resposta satisfat\u00f3ria? Essa resposta isolada ser\u00e1 for\u00e7osamente incompleta e, muitas vezes, por isso mesmo, inintelig\u00edvel, ou poder\u00e1 parecer absurda e contradit\u00f3ria. Acontece exatamente o mesmo nas rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos com os Esp\u00edritos. Se quisermos nos instruir na sua escola, \u00e9 preciso fazer um curso com eles, mas proceder exatamente como entre n\u00f3s: selecionar os professores e trabalhar com const\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Dissemos que os Esp\u00edritos superiores apenas v\u00eam \u00e0s reuni\u00f5es s\u00e9rias e, em especial, \u00e0quelas em que reina uma perfeita comunh\u00e3o de pensamentos e de sentimentos pelo bem. A leviandade e as quest\u00f5es in\u00fateis os afastam, como, entre os homens, afastam as pessoas racionais; o campo fica, ent\u00e3o, livre \u00e0 multid\u00e3o de Esp\u00edritos mentirosos e f\u00fateis, sempre \u00e0 espreita de ocasi\u00f5es para zombar e se divertir \u00e0 nossa custa. O que devemos esperar de uma reuni\u00e3o dessa natureza quando desejamos resposta a uma quest\u00e3o s\u00e9ria? Ser\u00e1 respondida? Sim, ser\u00e1, mas respondida por quem? \u00c9 como se no meio de um bando de gozadores lan\u00e7\u00e1ssemos estas quest\u00f5es: o que \u00e9 a alma? O que \u00e9 a morte? E outras tamb\u00e9m de igual tom recreativo. Se quereis respostas s\u00e9rias, sede s\u00e9rios no verdadeiro sentido da palavra e colocai-vos de acordo com todas as condi\u00e7\u00f5es que se requerem. Somente assim obtereis grandes coisas. Sede mais laboriosos e perseverantes em vossos estudos; sem isso os Esp\u00edritos superiores vos abandonar\u00e3o, como faz um professor com seus alunos negligentes.<\/p>\n<p><strong>9 \u2013 A DOUTRINA E OS SEUS CONTESTADORES<\/strong><\/p>\n<p>O movimento dos objetos \u00e9 um fato comprovado. A quest\u00e3o \u00e9 saber se, nesse movimento, h\u00e1 ou n\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o inteligente e, caso haja, qual \u00e9 a origem dessa manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o trataremos somente do movimento inteligente de alguns objetos, nem de comunica\u00e7\u00f5es verbais, nem mesmo das diretamente escritas pelo m\u00e9dium. Esse g\u00eanero de manifesta\u00e7\u00e3o, clara e evidente para aqueles que viram e se aprofundaram no assunto, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 primeira vista muito convincente para um observador novato, por n\u00e3o a entender como independente da vontade do m\u00e9dium. N\u00e3o trataremos somente da escrita obtida com a ajuda de um objeto qualquer munido de um l\u00e1pis, como o cesto, a prancheta, etc. A maneira como os dedos do m\u00e9dium ficam colocados sobre o objeto desafia, como j\u00e1 dissemos, a habilidade mais consumada de poder participar de qualquer modo que seja no tra\u00e7ado das letras. Mas admitamos ainda que, por efeito de uma habilidade maravilhosa, o m\u00e9dium possa enganar o olhar mais atento. De que maneira explicar a natureza das respostas, quando est\u00e3o muito al\u00e9m de todas as id\u00e9ias e de todos os conhecimentos do m\u00e9dium? E, que se note bem, n\u00e3o se trata de respostas monossil\u00e1bicas, mas muitas vezes de numerosas p\u00e1ginas escritas com a mais espantosa rapidez, seja espontaneamente, seja sobre um assunto determinado. Pela m\u00e3o do m\u00e9dium, mais alheio e avesso \u00e0 literatura, nascem, algumas vezes, poesias de uma sublimidade e pureza irrepreens\u00edveis, que os melhores poetas se dignariam em assinar. O que acrescenta ainda mais estranheza a esses fatos \u00e9 que acontecem em todos os lugares, e que os m\u00e9diuns se multiplicam ao infinito. Esses fatos s\u00e3o reais ou n\u00e3o? Para isso, apenas temos uma resposta: vede e observai, ocasi\u00f5es n\u00e3o faltar\u00e3o; mas observai repetidamente, por um per\u00edodo e obedecendo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es determinadas.<\/p>\n<p>Diante da evid\u00eancia, o que respondem os opositores? \u201cSois\u201d, dizem, \u201cv\u00edtimas do charlatanismo ou joguete de uma ilus\u00e3o.\u201d Diremos, primeiramente, que \u00e9 preciso separar a id\u00e9ia de charlatanismo de onde n\u00e3o h\u00e1 lucro; os charlat\u00e3es n\u00e3o fazem seu trabalho de gra\u00e7a. Isso seria, ent\u00e3o, uma mistifica\u00e7\u00e3o. Mas por que estranha coincid\u00eancia tantos mistificadores teriam combinado em harmonia e concord\u00e2ncia para, de um canto a outro do planeta, agir da mesma forma, produzir os mesmos efeitos e dar sobre os mesmos assuntos e em t\u00e3o diversas l\u00ednguas respostas id\u00eanticas, se n\u00e3o quanto \u00e0s palavras, pelo menos quanto ao sentido? E o que levaria pessoas s\u00e9rias, honradas, instru\u00eddas a se prestar a semelhantes artimanhas e com que objetivo? Como encontrar entre as crian\u00e7as a paci\u00eancia e a habilidade necess\u00e1rias para esse fim? Porque, se esses m\u00e9diuns n\u00e3o s\u00e3o instrumentos passivos, ser\u00e1 preciso reconhecer neles habilidade e conhecimentos incompat\u00edveis com a idade infantil e com certas posi\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, dizem que, se n\u00e3o h\u00e1 trapa\u00e7as, os dois lados podem ser v\u00edtimas de uma ilus\u00e3o. Numa avalia\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, a qualidade dos testemunhos tem grande valor; portanto, \u00e9 o caso de se perguntar se a Doutrina Esp\u00edrita, que hoje conta com milh\u00f5es de seguidores, apenas os recruta entre os ignorantes? Os fen\u00f4menos em que se ap\u00f3ia s\u00e3o t\u00e3o extraordin\u00e1rios que compreendemos a d\u00favida, mas n\u00e3o se pode admitir a pretens\u00e3o de alguns incr\u00e9dulos que julgam ter o privil\u00e9gio exclusivo do bom senso e que, sem respeito pela dec\u00eancia ou o valor moral de seus advers\u00e1rios, tacham, sem cerim\u00f4nia, de tolos todos que n\u00e3o est\u00e3o de acordo com as suas opini\u00f5es. Aos olhos de toda pessoa sensata, ajuizada, a opini\u00e3o das pessoas esclarecidas, que por muito tempo viram, estudaram e meditaram um fato, constituir\u00e1 sempre, se n\u00e3o uma prova, pelo menos uma probabilidade em seu favor, uma vez que p\u00f4de prender a aten\u00e7\u00e3o de homens s\u00e9rios que n\u00e3o t\u00eam interesse em propagar erros, nem tempo a perder com futilidades.<\/p>\n<p><strong>10 \u2013 OBJE\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>Dentre as obje\u00e7\u00f5es, h\u00e1 algumas sedutoras, pelo menos na apar\u00eancia, que podem induzir ao erro por serem tiradas da observa\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos esp\u00edritas e serem feitas por pessoas respeit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 que a linguagem de alguns Esp\u00edritos n\u00e3o parece digna da eleva\u00e7\u00e3o que se sup\u00f5e em seres sobrenaturais. Mas, se considerarmos o resumo da Doutrina que apresentamos, seguramente se concluir\u00e1 o que os pr\u00f3prios Esp\u00edritos nos ensinam: eles n\u00e3o s\u00e3o iguais nem em conhecimento, nem em qualidades morais, e que n\u00e3o se deve tomar ao p\u00e9 da letra tudo o que dizem. Cabe \u00e0s pessoas sensatas distinguir o bom do mau. Seguramente, os que, em fun\u00e7\u00e3o disso, concluem que apenas temos contato com seres maldosos, cuja \u00fanica ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de mistificar, n\u00e3o t\u00eam conhecimento das comunica\u00e7\u00f5es que se recebem nas reuni\u00f5es, onde apenas se manifestam Esp\u00edritos Superiores; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o pensariam assim. \u00c9 lastim\u00e1vel que a casualidade os tenha levado a ver apenas o lado mau do mundo esp\u00edrita, pois \u00e9 dif\u00edcil imaginar que por uma tend\u00eancia de simpatia tenham atra\u00eddo para si Esp\u00edritos maus, mentirosos ou aqueles cuja linguagem \u00e9 revoltante de t\u00e3o grosseira, em vez dos bons Esp\u00edritos. No m\u00e1ximo, poder\u00edamos concluir que a solidez dos princ\u00edpios dos opositores da Doutrina Esp\u00edrita n\u00e3o \u00e9 bastante poderosa para afastar o mal e que, encontrando um certo prazer em satisfazer sua curiosidade, os maus Esp\u00edritos aproveitam a oportunidade para se introduzir entre eles, enquanto os bons se afastam.<\/p>\n<p>Julgar a quest\u00e3o dos Esp\u00edritos por esses fatos seria t\u00e3o pouco l\u00f3gico quanto julgar o car\u00e1ter de um povo pelo que se diz e se faz numa reuni\u00e3o de alguns amalucados ou de pessoas de m\u00e1 fama, e da qual n\u00e3o participam nem os s\u00e1bios, nem as pessoas sensatas. Essas pessoas se encontram na situa\u00e7\u00e3o de um estrangeiro que, chegando a uma grande capital pelo mais pobre e feio sub\u00farbio, julgasse todos os habitantes pelos costumes e a linguagem desse bairro \u00ednfimo. No mundo dos Esp\u00edritos, h\u00e1 tamb\u00e9m uma sociedade de bons e de maus. Portanto, que os opositores da Doutrina estudem bem o que se passa entre os Esp\u00edritos Superiores e ficar\u00e3o convencidos de que a cidade celeste encerra outra coisa al\u00e9m da ral\u00e9 do povo, a camada mais baixa da sociedade. Mas, perguntam, os Esp\u00edritos Superiores v\u00eam at\u00e9 n\u00f3s? A isso respondemos: N\u00e3o fiqueis no sub\u00farbio; vede, observai e julgai. Os fatos est\u00e3o a\u00ed para todos, a menos que sejam a elas que se apliquem essas palavras de Jesus: \u201cT\u00eam olhos e n\u00e3o v\u00eaem, ouvidos e n\u00e3o ouvem \u201d.<\/p>\n<p>Uma variante dessa opini\u00e3o consiste em ver somente nas comunica\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, e em todos os fen\u00f4menos a interven\u00e7\u00e3o de um poder diab\u00f3lico, novo Proteu que se revestiria de todas as formas para melhor nos enganar. N\u00e3o a consideramos \u00e0 altura de um exame s\u00e9rio, por isso n\u00e3o nos deteremos nela; encontra-se respondida por aquilo que dissemos; acrescentaremos somente que, se fosse assim, seria preciso convir que o diabo \u00e9 algumas vezes muito s\u00e1bio, razo\u00e1vel e, sobretudo, muito moral, ou, ent\u00e3o, que h\u00e1 tamb\u00e9m bons diabos.<\/p>\n<p>Como acreditar, de fato, que Deus somente permita ao Esp\u00edrito do mal se manifestar para nos perder, sem nos dar, por contrapeso, os conselhos dos bons Esp\u00edritos? Se Ele n\u00e3o o pode impedir, \u00e9 impotente; se o pode e n\u00e3o o faz, \u00e9 incompat\u00edvel com sua bondade; qualquer destas suposi\u00e7\u00f5es seria uma blasf\u00eamia. Notai que admitir a comunica\u00e7\u00e3o dos maus Esp\u00edritos \u00e9 reconhecer em princ\u00edpio as manifesta\u00e7\u00f5es; portanto, a partir do momento que elas existem, isso somente pode acontecer com a permiss\u00e3o de Deus; como acreditar sem impiedade que Ele permita o mal com a exclus\u00e3o do bem? Semelhante doutrina seria contr\u00e1ria \u00e0s mais simples no\u00e7\u00f5es do bom senso e da religi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>11 \u2013 QUE ESP\u00cdRITOS?<\/strong><\/p>\n<p>Um fato interessante, dizem, \u00e9 que somente se fala com Esp\u00edritos de pessoas conhecidas e pergunta-se por que s\u00f3 eles se manifestam. Essa afirmativa \u00e9 um erro proveniente, como muitos outros, de uma observa\u00e7\u00e3o superficial. Entre os Esp\u00edritos que se comunicam espontaneamente h\u00e1 para n\u00f3s muito mais desconhecidos do que ilustres. Eles se designam por um nome qualquer e, muitas vezes, por um nome figurado ou caracter\u00edstico. Quanto aos que se evocam, a menos que n\u00e3o seja um parente ou um amigo, \u00e9 bastante natural evocar os que s\u00e3o conhecidos. O nome das pessoas ilustres impressiona mais, \u00e9 por isso que s\u00e3o mais notados.<\/p>\n<p>Considera-se estranho tamb\u00e9m que Esp\u00edritos de homens ilustres venham familiarmente ao nosso chamado e se ocupem, por vezes, de coisas insignificantes em compara\u00e7\u00e3o com as que realizaram durante a sua vida. N\u00e3o h\u00e1 nada de espantoso para aqueles que sabem que o poder ou a considera\u00e7\u00e3o que esses homens desfrutaram na Terra n\u00e3o lhes d\u00e1 nenhuma supremacia no mundo espiritual; os Esp\u00edritos confirmam nisso as palavras do Evangelho: \u201cOs grandes ser\u00e3o rebaixados e os pequenos, elevados \u201d, o que se deve entender como a categoria que cada um de n\u00f3s vir\u00e1 a ocupar. Assim aquele que foi o primeiro na Terra pode ser um dos \u00faltimos no mundo espiritual; aquele diante do qual curv\u00e1vamos a cabe\u00e7a numa vida pode vir entre n\u00f3s agora como<\/p>\n<p>o mais humilde oper\u00e1rio, porque, ao deixar a vida, deixou toda a sua grandeza, e o mais poderoso monarca talvez possa estar abaixo do \u00faltimo de seus soldados.<\/p>\n<p><strong>12 \u2013 A IDENTIDADE DOS ESP\u00cdRITOS<\/strong><\/p>\n<p>Um fato que a observa\u00e7\u00e3o demonstrou e foi confirmado pelos pr\u00f3prios Esp\u00edritos \u00e9 que os Esp\u00edritos inferiores apresentam-se, muitas vezes, com nomes conhecidos e respeitados. Quem pode nos assegurar que aqueles que dizem ter sido, por exemplo, S\u00f3crates, J\u00falio C\u00e9sar, Carlos Magno, F\u00e9nelon, Napole\u00e3o, Washington, etc. tenham realmente animado esses personagens? Essa d\u00favida existe entre alguns adeptos fervorosos da Doutrina Esp\u00edrita; admitem a interven\u00e7\u00e3o e a manifesta\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos, mas se perguntam como comprovar sua identidade. Essa comprova\u00e7\u00e3o \u00e9, de fato, muito dif\u00edcil de estabelecer, j\u00e1 que n\u00e3o pode ser apurada de uma maneira t\u00e3o pr\u00e1tica e simples como por meio de um documento de identidade. Pode, entretanto, ser feita por alguns ind\u00edcios.<\/p>\n<p>Quando o Esp\u00edrito de algu\u00e9m que conhecemos pessoalmente se manifesta, seja de um parente ou de um amigo, por exemplo, especialmente se morreu h\u00e1 pouco tempo, ocorre, em geral, que sua linguagem est\u00e1 em perfeita rela\u00e7\u00e3o com o seu car\u00e1ter; isso j\u00e1 \u00e9 um ind\u00edcio de identidade. Mas n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favida quando esse Esp\u00edrito fala de coisas particulares, lembra de fatos de fam\u00edlia apenas conhecidos pelo interlocutor. Um filho n\u00e3o se equivocaria certamente com a linguagem de seu pai ou de sua m\u00e3e, nem os pais com a de seu filho. Algumas vezes, nessas evoca\u00e7\u00f5es, acontecem coisas surpreendentes, de forma a convencer o mais incr\u00e9dulo. O c\u00e9tico mais endurecido fica, ent\u00e3o, maravilhado com as revela\u00e7\u00f5es inesperadas que lhe s\u00e3o feitas.<\/p>\n<p>Uma outra circunst\u00e2ncia muito caracter\u00edstica vem fundamentar a identidade do Esp\u00edrito. Dissemos que a letra do m\u00e9dium muda geralmente com o Esp\u00edrito evocado, e que essa escrita se reproduz exatamente igual a cada vez que o mesmo Esp\u00edrito se apresenta. Constatou-se, muitas vezes, que para as pessoas mortas h\u00e1 pouco tempo, essa escrita tem uma semelhan\u00e7a marcante com a da pessoa quando viva; t\u00eam-se visto assinaturas de uma exatid\u00e3o perfeita. Estamos longe de dar esse fato, embora observado, como regra e, principalmente, como uma regra constante; n\u00f3s o mencionamos como algo digno de nota.<\/p>\n<p>Somente os Esp\u00edritos que atingiram um certo grau de purifica\u00e7\u00e3o est\u00e3o desligados de toda influ\u00eancia corporal. Por\u00e9m, quando n\u00e3o est\u00e3o completamente desmaterializados (\u00e9 essa a express\u00e3o da qual se servem), conservam a maior parte das id\u00e9ias, das tend\u00eancias e at\u00e9 mesmo das manias que tinham na Terra, o que demonstra o meio de os reconhecermos; como tamb\u00e9m numa grande quantidade de fatos e detalhes, que somente uma observa\u00e7\u00e3o atenta e firme pode revelar. V\u00eaem-se escritores discutir suas pr\u00f3prias obras ou suas doutrinas, aprovar ou condenar certas partes; outros Esp\u00edritos a lembrar fatos ignorados ou pouco conhecidos de sua vida ou de sua morte; enfim, detalhes que s\u00e3o pelo menos provas morais de identidade, as \u00fanicas a que se pode recorrer quando se trata de coisas abstratas, isto \u00e9, que est\u00e3o fora da realidade.<\/p>\n<p>Se, portanto, a identidade do Esp\u00edrito evocado pode ser, at\u00e9 certo ponto, estabelecida em alguns casos, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que n\u00e3o o seja em outros, e se, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas cuja morte ocorreu h\u00e1 mais tempo, n\u00e3o h\u00e1 os mesmos meios de controle, tem-se sempre o da linguagem e do car\u00e1ter que revelam, porque, seguramente, o Esp\u00edrito de um homem de bem n\u00e3o falar\u00e1 como um perverso ou um devasso. Quanto aos Esp\u00edritos que se apresentam exibindo nomes respeit\u00e1veis, logo se traem pela linguagem e pelos ensinamentos. Aquele que dissesse ser F\u00e9nelon, por exemplo, e embora acidentalmente ofendesse o bom senso e a moral, mostraria, por esse simples fato, a fraude. Se, ao contr\u00e1rio, os pensamentos que exprimisse fossem sempre puros, sem contradi\u00e7\u00f5es e constantemente \u00e0 altura do car\u00e1ter de F\u00e9nelon, n\u00e3o haveria motivos para duvidar de sua identidade. De qualquer maneira, seria preciso supor que um Esp\u00edrito que apenas prega<\/p>\n<p>o bem pode conscientemente empregar a mentira, e isso sem utilidade. A experi\u00eancia nos ensina que os Esp\u00edritos da categoria, do mesmo car\u00e1ter e animados pelos mesmos sentimentos se re\u00fanem em grupos ou em fam\u00edlias; que o n\u00famero de Esp\u00edritos \u00e9 incalcul\u00e1vel e estamos longe de conhec\u00ea-los todos; e que at\u00e9 mesmo a maior parte deles n\u00e3o tem nome para n\u00f3s. Um Esp\u00edrito da mesma categoria de F\u00e9nelon pode vir em seu lugar, muitas vezes, enviado a seu pedido; apresentar-se sob seu nome, pois lhe \u00e9 id\u00eantico, e substitu\u00ed-lo, porque precisamos de um nome para fixar nossas id\u00e9ias. Mas o que importa, em definitivo, que um Esp\u00edrito seja realmente ou n\u00e3o o de F\u00e9nelon? A partir do momento que somente diz coisas boas e que fala como o pr\u00f3prio F\u00e9nelon falaria, \u00e9 um bom Esp\u00edrito; o nome com que se apresenta \u00e9 indiferente e, muitas vezes, \u00e9 apenas um meio de fixar nossas id\u00e9ias. O mesmo n\u00e3o seria admiss\u00edvel nas evoca\u00e7\u00f5es dos familiares; mas a\u00ed, como dissemos, a identidade pode ser estabelecida por provas de alguma forma evidentes.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 certo que a substitui\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos pode ocasionar uma s\u00e9rie de enganos e resultar em erros e, muitas vezes, em mistifica\u00e7\u00f5es; essa \u00e9 uma dificuldade do Espiritismo pr\u00e1tico. Mas nunca dissemos que fosse algo f\u00e1cil, nem que se pudesse aprend\u00ea-lo brincando, como n\u00e3o se faz com qualquer outra ci\u00eancia. Nunca ser\u00e1 demais repetir que ele pede um estudo ass\u00edduo e, freq\u00fcentemente, bastante prolongado; n\u00e3o podendo provocar os fatos, \u00e9 preciso esperar que se apresentem por si mesmos e, freq\u00fcentemente, s\u00e3o conduzidos por circunst\u00e2ncias com as quais nem ao menos se sonha. Para o observador atento e paciente, os fatos se produzem e ent\u00e3o ele descobre milhares de detalhes caracter\u00edsticos que representam fachos de luz. \u00c9 assim tamb\u00e9m nas ci\u00eancias comuns, enquanto o homem superficial v\u00ea numa flor apenas uma forma elegante, o s\u00e1bio descobre nela tesouros para o pensamento.<\/p>\n<p><strong>13 \u2013 CONTRADI\u00c7\u00d5ES ENTRE OS ESP\u00cdRITOS<\/strong><\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es nos levam a dizer algumas palavras a respeito de uma outra dificuldade, a da diverg\u00eancia na linguagem dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>Como os Esp\u00edritos s\u00e3o muito diferentes uns dos outros nos conhecimentos e na moralidade, \u00e9 evidente que a mesma quest\u00e3o pode ser por eles explicada com sentidos opostos, conforme a categoria que ocupam, como se ela fosse proposta, entre os homens, ora a um s\u00e1bio, ora a um ignorante ou a um gracejador de mau gosto. O ponto essencial, j\u00e1 o dissemos, \u00e9 saber a quem se dirige.<\/p>\n<p>Mas, dizem os cr\u00edticos: como se explica que os Esp\u00edritos reconhecidos por seres superiores n\u00e3o estejam sempre de acordo? Diremos, primeiramente, que al\u00e9m da causa que acabamos de assinalar h\u00e1 outras que podem exercer uma certa influ\u00eancia sobre a natureza das respostas, independentemente da qualidade dos Esp\u00edritos. Este \u00e9 um ponto importante cuja explica\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 dada pelo estudo. \u00c9 por isso que dizemos que esses estudos requerem uma aten\u00e7\u00e3o firme, uma observa\u00e7\u00e3o profunda e, principalmente, como em todas as ci\u00eancias humanas, continuidade e perseveran\u00e7a. S\u00e3o necess\u00e1rios anos para fazer um m\u00e9dico med\u00edocre, tr\u00eas quartos da vida para fazer um s\u00e1bio; como pretender, em algumas horas, adquirir a ci\u00eancia do infinito? Portanto, n\u00e3o nos enganemos: o estudo do Espiritismo \u00e9 imenso, toca em todas as quest\u00f5es da metaf\u00edsica<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#22\"><sup>22<\/sup><\/a> e da ordem social, \u00e9 todo um mundo que se abre diante de n\u00f3s; ser\u00e1 de espantar que seja preciso tempo, e muito tempo, para o adquirir?<\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 sempre t\u00e3o evidente quanto pode parecer. N\u00e3o vemos, todos os dias, homens que, ensinando a mesma ci\u00eancia, divergem quanto \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de uma coisa, seja ao empregar termos diferentes, seja ao encar\u00e1-la sob um outro ponto de vista, ainda que a id\u00e9ia fundamental permane\u00e7a a mesma? Que se conte, se poss\u00edvel, o n\u00famero de defini\u00e7\u00f5es que foram dadas pela gram\u00e1tica! Acrescentamos ainda que a forma da resposta depende, muitas vezes, da forma da pergunta. Seria ingenuidade encontrar uma contradi\u00e7\u00e3o onde h\u00e1 apenas uma diferen\u00e7a de palavras. Os Esp\u00edritos Superiores n\u00e3o se prendem de nenhum modo \u00e0 forma; para eles, o fundo do pensamento \u00e9 tudo.<\/p>\n<p>Tomemos por exemplo a defini\u00e7\u00e3o da alma. Por essa palavra comportar v\u00e1rias significa\u00e7\u00f5es, os Esp\u00edritos podem, assim como n\u00f3s, divergir na defini\u00e7\u00e3o que lhe d\u00e3o: um poder\u00e1 dizer que \u00e9 o princ\u00edpio da vida; um outro, cham\u00e1-la de centelha an\u00edmica<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#23\"><sup>23<\/sup><\/a>; um terceiro, dizer que \u00e9 interna; um quarto, que \u00e9 externa, etc., e todos ter\u00e3o raz\u00e3o em seu ponto de vista. Poder\u00edamos at\u00e9 mesmo acreditar que alguns deles, em vista da sua defini\u00e7\u00e3o, ensinassem teorias materialistas e, entretanto, n\u00e3o \u00e9 assim. Ocorre o mesmo em rela\u00e7\u00e3o a Deus; Ele ser\u00e1: o Princ\u00edpio de todas as coisas, o Criador do universo, a Soberana intelig\u00eancia, o Infinito, o Grande Esp\u00edrito, etc., etc. e decisivamente ser\u00e1 sempre Deus. Citamos, por fim, a classifica\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos. Eles formam uma escala cont\u00ednua desde o grau inferior at\u00e9 o superior; portanto, a classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 r\u00edgida: um poderia estabelecer tr\u00eas classes; um outro, cinco, dez ou vinte, \u00e0 vontade, sem estar, por isso, em erro. Tamb\u00e9m as ci\u00eancias humanas nos oferecem o exemplo: cada s\u00e1bio tem o seu sistema, os sistemas mudam, mas a ci\u00eancia n\u00e3o. Que se aprenda bot\u00e2nica pelo sistema de Lineu, de Jussieu ou de Tournefort<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#24\"><sup>24<\/sup><\/a> e n\u00e3o ser\u00e1 menos bot\u00e2nica. Deixemos de dar, portanto, \u00e0s coisas de pura conven\u00e7\u00e3o mais import\u00e2ncia do que merecem, para nos ocupar daquilo que \u00e9 verdadeiramente s\u00e9rio, e a reflex\u00e3o nos far\u00e1 descobrir, muitas vezes, naquilo que parece mais contradit\u00f3rio, uma semelhan\u00e7a que nos havia escapado \u00e0 primeira vista.<\/p>\n<p><strong>14 \u2013 MANEIRAS E M\u00c9TODOS \/ ERROS DE ORTOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o nos deter\u00edamos sobre a obje\u00e7\u00e3o de alguns cr\u00edticos \u00e0s falhas de ortografia de alguns Esp\u00edritos, se ela n\u00e3o nos permitisse fazer, sobre o fato, uma observa\u00e7\u00e3o essencial. A ortografia deles, \u00e9 preciso dizer, nem sempre \u00e9 impec\u00e1vel; mas \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o ter mais nenhum argumento para fazer disso objeto de uma cr\u00edtica s\u00e9ria, alegando que, uma vez que os Esp\u00edritos sabem tudo, devem saber ortografia. Poder\u00edamos apontar numerosos pecados desse g\u00eanero cometidos por mais de um s\u00e1bio da Terra, o que n\u00e3o lhes tira em nada o m\u00e9rito; entretanto, h\u00e1 nesse fato uma quest\u00e3o mais importante: para os Esp\u00edritos e principalmente para os Esp\u00edritos Superiores, a id\u00e9ia \u00e9 tudo, a forma n\u00e3o \u00e9 nada. Desligados da mat\u00e9ria, sua linguagem \u00e9 r\u00e1pida como o pensamento, uma vez que \u00e9 o pr\u00f3prio pensamento que se comunica sem intermedi\u00e1rio; em vista disso, devem sentir-se constrangidos, pouco \u00e0 vontade, quando s\u00e3o obrigados, para se comunicar conosco, a se servir de formas longas e confusas da linguagem humana, agravadas pela insufici\u00eancia e imperfei\u00e7\u00e3o dessa linguagem para exprimir todas as id\u00e9ias; \u00e9 o que eles pr\u00f3prios dizem. \u00c9 curioso tamb\u00e9m ver os meios que empregam para atenuar esse inconveniente. Certamente far\u00edamos o mesmo se tiv\u00e9ssemos que nos exprimir numa l\u00edngua mais longa em palavras e express\u00f5es e mais pobre do que aquela que nos \u00e9 usual. \u00c9 o embara\u00e7o que experimenta o homem de g\u00eanio, como podemos imaginar, se impacientando com a lentid\u00e3o de sua caneta, que est\u00e1 sempre atr\u00e1s de seu pensamento. Concebe-se, por essa raz\u00e3o, que os Esp\u00edritos d\u00eaem pouca import\u00e2ncia ao detalhe da pobreza das regras ortogr\u00e1ficas, quando se trata especialmente de um ensinamento s\u00e9rio. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 maravilhoso, ali\u00e1s, que eles se exprimam indiferentemente em todas as l\u00ednguas e as compreendam todas? Entretanto, n\u00e3o devemos concluir que a corre\u00e7\u00e3o convencional da linguagem lhes seja desconhecida; eles a observam quando necess\u00e1rio. \u00c9 assim, por exemplo, que a poesia ditada por eles, muitas vezes, desafia a cr\u00edtica mais meticulosa, e isso apesar da ignor\u00e2ncia do m\u00e9dium.<\/p>\n<p><strong>15 \u2013 A LOUCURA E O ESPIRITISMO<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m pessoas que v\u00eaem perigo em todos os lugares e em tudo o que n\u00e3o conhecem e rapidamente apontam uma conseq\u00fc\u00eancia desfavor\u00e1vel no fato de algumas pessoas, ao estudar a Doutrina Esp\u00edrita, terem perdido a raz\u00e3o. Como \u00e9 que homens de bom senso podem ver nesse fato uma obje\u00e7\u00e3o s\u00e9ria? N\u00e3o ocorre o mesmo com todas as preocupa\u00e7\u00f5es intelectuais sobre um c\u00e9rebro fraco? Sabe-se l\u00e1 o n\u00famero de loucos e man\u00edacos produzidos pelos estudos matem\u00e1ticos, m\u00e9dicos, musicais, filos\u00f3ficos e outros? \u00c9 preciso, por causa disso, banir esses estudos? O que prova esse fato? Muitas vezes os trabalhos corporais deformam ou mutilam os bra\u00e7os e as pernas, que s\u00e3o os instrumentos da a\u00e7\u00e3o material; pode acontecer que os trabalhos da intelig\u00eancia danifiquem o c\u00e9rebro, o instrumento pelo qual o pensamento se expressa. Mas se o instrumento est\u00e1 quebrado, o Esp\u00edrito est\u00e1 intacto, e quando se libertar do corpo vai se achar de posse e na plenitude de suas capacidades. \u00c9 dessa maneira, como homem, um m\u00e1rtir do trabalho.<\/p>\n<p>Qualquer uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito pode ocasionar a loucura: as ci\u00eancias, as artes e a pr\u00f3pria religi\u00e3o mostram-nos v\u00e1rios casos. A loucura tem como causa principal uma predisposi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do c\u00e9rebro, que o torna mais ou menos acess\u00edvel a algumas impress\u00f5es. Se houver predisposi\u00e7\u00e3o para a loucura, ela assume um car\u00e1ter de preocupa\u00e7\u00e3o principal, se transformando em id\u00e9ia fixa, podendo tanto ser a dos Esp\u00edritos, em quem com eles se ocupou, como poder\u00e1 ser a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ci\u00eancia, da maternidade ou a de um sistema pol\u00edtico-social. \u00c9 prov\u00e1vel que um louco religioso se tornasse um louco esp\u00edrita, se o Espiritismo fosse sua preocupa\u00e7\u00e3o dominante, como um louco esp\u00edrita o teria sido sob uma outra forma, segundo as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Digo, portanto, que o Espiritismo n\u00e3o tem nenhum privil\u00e9gio nessa rela\u00e7\u00e3o; e digo mais, afirmo que, se bem compreendido, o Espiritismo \u00e9 uma defesa contra a loucura.<\/p>\n<p>Entre as causas mais comuns de superexcita\u00e7\u00e3o cerebral, ou seja, do desequil\u00edbrio mental, est\u00e3o as decep\u00e7\u00f5es, as infelicidades, as afei\u00e7\u00f5es contrariadas, que s\u00e3o, ao mesmo tempo, as causas mais freq\u00fcentes de suic\u00eddio. Assim \u00e9 que o verdadeiro esp\u00edrita v\u00ea as coisas deste mundo de um ponto de vista mais elevado; elas lhe parecem t\u00e3o pequenas, t\u00e3o mesquinhas, diante do futuro que o espera; a vida \u00e9 para ele t\u00e3o curta, t\u00e3o passageira, que as tribula\u00e7\u00f5es s\u00e3o, a seus olhos, apenas incidentes desagrad\u00e1veis de uma viagem. O que em qualquer outro produziria uma violenta emo\u00e7\u00e3o pouco o afeta; sabe, al\u00e9m de tudo, que os desgostos da vida s\u00e3o provas que servem para<\/p>\n<p>o seu adiantamento, se as suporta sem lamentar, porque ser\u00e1 recompensado segundo a coragem com que as tiver suportado. Suas convic\u00e7\u00f5es lhe d\u00e3o uma resigna\u00e7\u00e3o que o protege do desespero e, por conseq\u00fc\u00eancia, de uma causa freq\u00fcente de loucura e suic\u00eddio. Ele sabe, por outro lado, por observar as comunica\u00e7\u00f5es com os Esp\u00edritos, o destino dos que encurtaram voluntariamente seus dias, e esse quadro \u00e9 muito s\u00e9rio para faz\u00ea-lo refletir; tamb\u00e9m o n\u00famero de pessoas que por causa disso se detiveram sobre essa inclina\u00e7\u00e3o fatal \u00e9 consider\u00e1vel. Esse \u00e9 um dos resultados do Espiritismo. Que os incr\u00e9dulos riam dele quanto quiserem. Desejo-lhes as consola\u00e7\u00f5es que ele proporciona a todos que se d\u00e3o ao trabalho de sondar-lhe as misteriosas profundezas.<\/p>\n<p>Ao n\u00famero das causas de loucura \u00e9 preciso ainda adicionar o dos temores, e entre estes o medo do diabo, que provocou o desequil\u00edbrio de mais de um c\u00e9rebro. Sabe-se l\u00e1 o n\u00famero de v\u00edtimas que se fez ao amedrontar as fracas imagina\u00e7\u00f5es com esse quadro que se procura tornar sempre mais pavoroso com terr\u00edveis detalhes? O diabo que, dizem, apenas mete medo \u00e0s criancinhas, \u00e9 um freio para torn\u00e1-las ajuizadas, como o bicho-pap\u00e3o e o lobisomem. Contudo, quando n\u00e3o t\u00eam mais medo deles, tornam-se piores; e esse belo resultado n\u00e3o \u00e9 levado em conta no n\u00famero das epilepsias<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#25\"><sup>25<\/sup><\/a> causadas pelo abalo em c\u00e9rebros delicados. A religi\u00e3o seria bem fraca se n\u00e3o gerasse medo, sua for\u00e7a correria risco, seria abalada. Felizmente n\u00e3o \u00e9 assim, h\u00e1 outros meios de a\u00e7\u00e3o sobre as almas; o Espiritismo lhe aponta os mais eficazes e os mais s\u00e9rios, se souber us\u00e1-los com proveito; mostra a realidade das coisas e com isso neutraliza os efeitos desastrosos de um temor exagerado.<\/p>\n<p><strong>16 \u2013 TEORIAS ENGANADORAS<\/strong><\/p>\n<p>Resta-nos examinar duas obje\u00e7\u00f5es; as \u00fanicas que merecem verdadeiramente esse nome, porque s\u00e3o baseadas em teorias racionais. Ambas admitem a realidade de todos os fen\u00f4menos materiais e morais, mas excluem a interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>A primeira dessas teorias diz que todas as manifesta\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas aos Esp\u00edritos n\u00e3o seriam outra coisa sen\u00e3o efeitos magn\u00e9ticos. Os m\u00e9diuns entrariam num estado que se poderia chamar de sonambulismo acordado, fen\u00f4meno do qual toda pessoa que estudou o magnetismo p\u00f4de verificar e testemunhar. Nesse estado, as capacidades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal; o c\u00edrculo das percep\u00e7\u00f5es intuitivas se estende al\u00e9m dos limites de nossa concep\u00e7\u00e3o normal. Dessa maneira, o m\u00e9dium tiraria de si mesmo e por efeito de sua lucidez tudo o que diz e todas as no\u00e7\u00f5es que transmite, mesmo sobre assuntos que lhe s\u00e3o completamente desconhecidos quando se acha no seu estado normal.<\/p>\n<p>N\u00e3o seremos n\u00f3s que contestaremos a for\u00e7a do sonambulismo, do qual vimos os extraordin\u00e1rios fen\u00f4menos e os estudamos em todas as fases durante mais de 35 anos. Concordamos, de fato, que muitas manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas podem se explicar por ele, mas uma observa\u00e7\u00e3o paciente e atenta mostra uma multid\u00e3o de fatos em que a interven\u00e7\u00e3o do m\u00e9dium, a n\u00e3o ser como instrumento passivo, \u00e9 materialmente imposs\u00edvel. \u00c0queles que partilham dessa opini\u00e3o diremos como aos outros: vede e observai, pois seguramente n\u00e3o vistes tudo. Em seguida propomos duas considera\u00e7\u00f5es tiradas de sua pr\u00f3pria doutrina. De onde veio a teoria esp\u00edrita? \u00c9 um sistema imaginado por alguns homens para explicar os fatos? De modo algum. Quem a revelou? Precisamente esses mesmos m\u00e9diuns dos quais exaltais a lucidez. Se, portanto, essa lucidez \u00e9 exatamente como a supondes, por que teriam eles atribu\u00eddo aos Esp\u00edritos o que possu\u00edam em si mesmos? Como dariam esses ensinamentos t\u00e3o precisos, l\u00f3gicos e sublimes sobre a natureza dessas intelig\u00eancias extrahumanas? De duas coisas, uma: ou s\u00e3o l\u00facidos ou n\u00e3o o s\u00e3o; se o s\u00e3o e se se pode confiar em sua veracidade, n\u00e3o haveria como, sem contradi\u00e7\u00e3o, admitir que n\u00e3o est\u00e3o com a verdade. Em segundo lugar, se todos os fen\u00f4menos tivessem origem no m\u00e9dium, seriam id\u00eanticos no mesmo indiv\u00edduo e n\u00e3o se veria a mesma pessoa manifestar-se em linguagens diferentes e exprimir alternativamente as mais pol\u00eamicas id\u00e9ias. Essa falta de unidade nas manifesta\u00e7\u00f5es obtidas por um mesmo m\u00e9dium prova a diversidade das fontes; se, portanto, n\u00e3o se pode encontr\u00e1-las todas no m\u00e9dium, \u00e9 preciso procur\u00e1-las fora dele.<\/p>\n<p>Uma outra opini\u00e3o diz que o m\u00e9dium \u00e9 a fonte das manifesta\u00e7\u00f5es, mas, em vez de as tirar de si mesmo, assim como o pretendem os partid\u00e1rios da teoria sonamb\u00falica, as tira do meio ambiente. Assim sendo, o m\u00e9dium seria uma esp\u00e9cie de espelho refletindo todas as id\u00e9ias, pensamentos e conhecimentos das pessoas que o rodeiam; n\u00e3o diria nada que j\u00e1 n\u00e3o fosse conhecido pelo menos por alguns. N\u00e3o se poderia negar, e isso \u00e9 mesmo um princ\u00edpio da Doutrina, a influ\u00eancia exercida pelos assistentes sobre a natureza das manifesta\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, essa influ\u00eancia \u00e9 diferente da que os opositores sup\u00f5em existir, e da\u00ed a ser o m\u00e9dium o eco dos pensamentos daqueles que o rodeiam h\u00e1 uma grande dist\u00e2ncia, visto que milhares de fatos demonstram indiscutivelmente o contr\u00e1rio. Portanto, h\u00e1 nisso um erro grave que atesta, uma vez mais, o perigo das conclus\u00f5es prematuras. Essas pessoas, n\u00e3o podendo negar a exist\u00eancia de um fen\u00f4meno que a ci\u00eancia comum n\u00e3o pode explicar e n\u00e3o querendo admitir a presen\u00e7a dos Esp\u00edritos, o explicam a seu modo. Esta teoria, embora enganosa, seria atraente se pudesse abra\u00e7ar todos os fatos, mas n\u00e3o \u00e9 assim. Quando se lhes demonstra com a clareza mais l\u00f3gica que algumas comunica\u00e7\u00f5es do m\u00e9dium s\u00e3o completamente estranhas ao pensamento, aos conhecimentos, \u00e0s pr\u00f3prias opini\u00f5es de todos os assistentes, que essas comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o, muitas vezes, espont\u00e2neas e contradizem todas as id\u00e9ias preconcebidas, eles n\u00e3o recuam e nem se d\u00e3o por convencidos. A irradia\u00e7\u00e3o, dizem, estende-se muito al\u00e9m do c\u00edrculo imediato que nos rodeia; o m\u00e9dium \u00e9 o reflexo de toda a humanidade, de forma que, se n\u00e3o tira suas inspira\u00e7\u00f5es das coisas que est\u00e3o ao seu redor, vai procur\u00e1-las fora, na cidade, no pa\u00eds, em todo o globo e mesmo em outras esferas.<\/p>\n<p>N\u00e3o creio que se encontre nessa teoria uma explica\u00e7\u00e3o mais simples e mais prov\u00e1vel que a do Espiritismo, embora revele uma causa bem mais maravilhosa. Por\u00e9m, a id\u00e9ia de que seres inteligentes povoam os espa\u00e7os e que, estando em contato permanente conosco, nos comunicam seus pensamentos, nada tem que choque mais a raz\u00e3o do que se supor que essa irradia\u00e7\u00e3o universal vinda de todos os pontos do universo possa concentrar-se no c\u00e9rebro de um indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Ainda uma vez, e esse \u00e9 um ponto importante sobre o qual nunca \u00e9 demais insistir: tanto a teoria sonamb\u00falica quanto a que se poderia chamar refletiva foram imaginadas por alguns homens; s\u00e3o opini\u00f5es individuais criadas para explicar um fato, enquanto a Doutrina dos Esp\u00edritos n\u00e3o \u00e9 de concep\u00e7\u00e3o humana. Foi ditada pelas pr\u00f3prias intelig\u00eancias que se manifestaram quando ningu\u00e9m sequer a concebia e que a pr\u00f3pria opini\u00e3o geral a repelia. Portanto, perguntamos: de onde os m\u00e9diuns foram tirar uma doutrina que n\u00e3o existia no pensamento de ningu\u00e9m na Terra? E perguntamos mais: por que estranha coincid\u00eancia milhares de m\u00e9diuns espalhados por todos os pontos do globo, que nunca se viram, combinaram dizer a mesma coisa? Se o primeiro m\u00e9dium que apareceu na Fran\u00e7a revelou a influ\u00eancia das mesmas opini\u00f5es j\u00e1 aceitas nos Estados Unidos, por que raz\u00e3o teria ido procurar essas id\u00e9ias a 2000 l\u00e9guas al\u00e9m dos mares, entre um povo de costumes e linguagem estranhos, em vez de procur\u00e1-las ao seu redor? Mas h\u00e1 uma outra particularidade sobre a qual n\u00e3o se tem pensado o suficiente. \u00c9 que as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es, tanto na Fran\u00e7a quanto nos Estados Unidos, n\u00e3o ocorreram pela escrita, nem pela fala, mas por pancadas que concordavam com as letras do alfabeto formando palavras e frases. Foi por esse meio que as intelig\u00eancias que se revelavam declararam ser Esp\u00edritos. Se pudermos, portanto, supor que haja a interven\u00e7\u00e3o do pensamento dos m\u00e9diuns nas comunica\u00e7\u00f5es verbais ou escritas, o mesmo n\u00e3o pode ter ocorrido com as pancadas, cuja significa\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser conhecida com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos citar muitos outros fatos que demonstram, na intelig\u00eancia que se manifesta, uma individualidade evidente e uma independ\u00eancia absoluta de vontade. Remetemos, entretanto, os discordantes a uma observa\u00e7\u00e3o mais atenta, e se querem estudar sem preven\u00e7\u00e3o e n\u00e3o concluir antes de terem visto tudo, reconhecer\u00e3o a fragilidade de sua teoria para explicar os fatos. N\u00f3s nos limitaremos a colocar as quest\u00f5es seguintes: por que a intelig\u00eancia que se manifesta, seja ela qual for, recusa-se a responder a algumas quest\u00f5es sobre assuntos perfeitamente conhecidos, como, por exemplo, sobre o nome ou a idade do interrogador, sobre o que tem na m\u00e3o, o que fez na v\u00e9spera e o que far\u00e1 no dia seguinte, etc.? Se o m\u00e9dium \u00e9 de fato o espelho do pensamento dos assistentes, nada haveria de ser mais f\u00e1cil do que dar essas respostas.<\/p>\n<p>Os advers\u00e1rios retrucam o argumento ao perguntar, por sua vez, por que os Esp\u00edritos, que devem saber tudo, n\u00e3o podem responder a coisas t\u00e3o simples, de acordo com o axioma<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#26\"><sup>26<\/sup><\/a> <em>Quem pode o mais pode o menos<\/em>, concluindo, da\u00ed, que n\u00e3o s\u00e3o respostas dos Esp\u00edritos. Se um ignorante ou um zombador se apresentasse diante de uma assembl\u00e9ia de s\u00e1bios e perguntasse, por exemplo, por que faz dia em pleno meio-dia, acredita-se que algu\u00e9m se desse ao trabalho de responder seriamente? Seria razo\u00e1vel por isso concluir, pelo sil\u00eancio ou desd\u00e9m que se desse ao interrogador, que os componentes dessa assembl\u00e9ia s\u00e3o tolos? Portanto, \u00e9 precisamente porque os Esp\u00edritos s\u00e3o superiores que n\u00e3o respondem \u00e0s quest\u00f5es in\u00fateis e rid\u00edculas e n\u00e3o querem se p\u00f4r em evid\u00eancia, \u00e9 por isso que se calam ou dizem se ocupar com coisas mais s\u00e9rias.<\/p>\n<p>Perguntaremos, por fim, por que os Esp\u00edritos v\u00eam e v\u00e3o freq\u00fcentemente num dado momento, e por que, passado esse momento, n\u00e3o h\u00e1 preces nem s\u00faplicas que os possam trazer de volta? Se o m\u00e9dium somente agisse como um reflexo do impulso mental dos assistentes, \u00e9 evidente que, nessa circunst\u00e2ncia, o concurso de todas as vontades reunidas deveria estimular sua clarivid\u00eancia. Se n\u00e3o cede ao desejo da assembl\u00e9ia, fortalecido tamb\u00e9m por sua pr\u00f3pria vontade, \u00e9 porque obedece a uma influ\u00eancia estranha a ele mesmo e aos que est\u00e3o \u00e0 sua volta, e que essa influ\u00eancia demonstra, por esse fato, sua independ\u00eancia e sua individualidade.<\/p>\n<p><strong>17 \u2013 A DOUTRINA E AS OBRAS DE DEUS<\/strong><\/p>\n<p>A descren\u00e7a com que se t\u00eam referido \u00e0 Doutrina Esp\u00edrita, quando n\u00e3o \u00e9 o resultado de uma oposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica interesseira, tem quase sempre origem no conhecimento incompleto dos fatos, o que n\u00e3o impede algumas pessoas de abordar e decidir a quest\u00e3o como se a conhecessem perfeitamente. Pode-se ser muito inteligente, ter muita instru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se ter bom senso; portanto, o primeiro ind\u00edcio de falta de discernimento quando se julga \u00e9 acreditar ser infal\u00edvel. Muitas pessoas tamb\u00e9m v\u00eaem as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas somente como curiosidade; esperamos que pela leitura deste livro elas encontrem nesses extraordin\u00e1rios fen\u00f4menos outra coisa al\u00e9m de um simples passatempo.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia esp\u00edrita compreende duas partes: uma experimental, sobre as manifesta\u00e7\u00f5es em geral, e outra filos\u00f3fica, sobre as manifesta\u00e7\u00f5es inteligentes. Todo aquele que somente observou a primeira est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de quem conhece a f\u00edsica apenas por experi\u00eancias recreativas, sem ter penetrado a fundo na ci\u00eancia. A verdadeira Doutrina Esp\u00edrita est\u00e1 no ensinamento dado pelos Esp\u00edritos, e os conhecimentos que esse ensinamento comporta s\u00e3o muito s\u00e9rios para serem adquiridos de qualquer outro modo que n\u00e3o seja por um estudo atencioso e cont\u00ednuo, feito no sil\u00eancio e no recolhimento, porque somente nessa condi\u00e7\u00e3o pode-se observar um n\u00famero infinito de fatos e de detalhes que escapam ao observador superficial e permitem firmar uma opini\u00e3o. Se este livro n\u00e3o tivesse outra finalidade que n\u00e3o fosse mostrar o lado s\u00e9rio da quest\u00e3o e de provocar estudos nesse sentido, para n\u00f3s j\u00e1 seria bastante honroso e ficar\u00edamos felizes por ter realizado uma obra a que n\u00e3o pretendemos, de resto, nos atribuir m\u00e9rito pessoal, uma vez que seus princ\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o de nossa cria\u00e7\u00e3o e o seu m\u00e9rito \u00e9 inteiramente dos Esp\u00edritos que a ditaram. Esperamos que ela tenha um outro resultado: o de guiar os homens desejosos de se esclarecer, mostrando-lhes nestes estudos um objetivo grande e sublime: o do progresso individual e social, e de lhes indicar o caminho a seguir para atingi-lo.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos com uma \u00faltima considera\u00e7\u00e3o. Os astr\u00f4nomos, ao sondar os espa\u00e7os, encontraram na distribui\u00e7\u00e3o dos corpos celestes lacunas n\u00e3o justificadas e em desacordo com as leis do conjunto. Eles supuseram que essas lacunas deveriam estar ocupadas por globos que escapavam \u00e0 sua observa\u00e7\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, observaram alguns efeitos cuja causa desconheciam e conclu\u00edram: \u201cA\u00ed deve haver um mundo, porque essa lacuna n\u00e3o pode existir e esses efeitos devem ter uma causa\u201d. Analisando, ent\u00e3o, a causa pelo efeito, puderam calcular os elementos, e mais tarde os fatos vieram justificar suas previs\u00f5es. Apliquemos esse mesmo racioc\u00ednio a uma outra ordem de id\u00e9ias. Se observarmos todas as criaturas, verificaremos que formam uma cadeia, sem interrup\u00e7\u00e3o, desde a mat\u00e9ria bruta at\u00e9 o homem mais inteligente. Mas entre o homem e Deus, o alfa e o \u00f4mega<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-0-00.html#27\"><sup>27<\/sup><\/a> de todas as coisas, que imensa lacuna! \u00c9 racional pensar que terminem no homem os elos dessa cadeia? Ou que ele possa transpor de uma vez a dist\u00e2ncia que o separa do infinito? A raz\u00e3o nos diz que entre o homem e Deus deve haver outros escal\u00f5es, como disse aos astr\u00f4nomos que entre os mundos conhecidos devia haver outros mundos desconhecidos. Qual \u00e9 a filosofia que preencheu essa lacuna? O Espiritismo a mostra ocupada por seres de todas as categorias do mundo invis\u00edvel, e esses seres n\u00e3o s\u00e3o outros sen\u00e3o os Esp\u00edritos dos homens que atingiram os diferentes graus que conduzem \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o; ent\u00e3o, tudo se liga, tudo se encaixa, desde o alfa at\u00e9 o omega. V\u00f3s que negais a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos, preenchei, portanto, o vazio que eles ocupam; e v\u00f3s que rides deles, ousai rir das obras de Deus e de seu grande poder!<\/p>\n<p>Allan Kardec<\/p>\n<ol>\n<li>\u00c9 extraordin\u00e1ria a clareza com que Allan Kardec se refere \u00e0 alma como ponto de partida para a discuss\u00e3o em torno de assunto t\u00e3o relevante. Poderia ter dito que a alma \u00e9 <em>a base; <\/em>mas, n\u00e3o. Diz que \u00e9 o fecho de ab\u00f3bada, a c\u00fapula. O cimo, o mais alto, o mais importante, sobre o qual se deve estruturar tudo (Nota do Editor).<\/li>\n<li><strong>Fecho<\/strong><strong> de ab\u00f3bada<\/strong>: pedra angular e principal de uma ab\u00f3bada ou arco, na qual se sustenta toda a estrutura e as cargas externas. Neste caso: a quest\u00e3o primordial, a mais importante (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Pante\u00edsmo<\/strong>: doutrina filos\u00f3fica segundo a qual s\u00f3 Deus \u00e9 real. Tudo o que existe \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de Deus, que por sua vez \u00e9 a soma de tudo o que existe (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Aut\u00f4noma<\/strong>: que se realiza sem a interven\u00e7\u00e3o de agentes externos; independente, livre (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Proteu<\/strong>: aquele que muda constantemente de opini\u00e3o ou de sistema (N. E.).<\/li>\n<li>Kardec escreveu \u201cparece destinada\u201d porque referia-se aos primeiros inventos relacionados \u00e0 eletricidade, como a l\u00e2mpada, que estava, na \u00e9poca, em pesquisas e ainda era desconhecida (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Est\u00e1tica<\/strong>: ci\u00eancia que estuda o equil\u00edbrio dos corpos sob a a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as (N. E.).<\/li>\n<li>Os trechos \u201cn\u00e3o vemos a eletricidade derrubar edif\u00edcios&#8230;\u201d e \u201ca eletricidade n\u00e3o produz os ru\u00eddos mais violentos\u201d referem-se \u00e0s descargas el\u00e9tricas provocadas pelos rel\u00e2mpagos, trov\u00f5es e raios (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Luigi<\/strong><strong> Galvani<\/strong>: m\u00e9dico e f\u00edsico italiano (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Dan\u00e7a<\/strong><strong> das r\u00e3s<\/strong>: Galvani notou que as r\u00e3s dissecadas, expostas em peda\u00e7os sobre uma superf\u00edcie de ferro, davam pulos. Dessa observa\u00e7\u00e3o a ci\u00eancia caminhou para o conhecimento do fluido nervoso e mais tarde da pilha el\u00e9trica (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Mistificador<\/strong>: enganador; que abusa da credulidade; burlador (N. E.).<\/li>\n<li><strong>C\u00e9tico<\/strong>: que duvida de tudo, descrente (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Faculdade<\/strong>: capacidade, aptid\u00e3o (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Quest\u00f5es<\/strong><strong> abstratas<\/strong>: de dif\u00edcil compreens\u00e3o, vagas e obscuras (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Expia\u00e7\u00e3o<\/strong>: nova oportunidade de reparar as faltas e os erros de vidas passadas. \u00c9 a Lei de Causa e Efeito (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Esp\u00edrito<\/strong><strong> errante<\/strong>: que est\u00e1 na erraticidade, per\u00edodo entre uma e outra encarna\u00e7\u00e3o, como est\u00e1 explicado nesta obra, na quest\u00e3o 223 e seguintes (N. E.).<br \/>\n* H\u00e1 entre a doutrina da reencarna\u00e7\u00e3o e a da metempsicose, tal como a admitem certas seitas, uma diferen\u00e7a caracter\u00edstica que \u00e9 explicada na seq\u00fc\u00eancia da obra. Para saber sobre metempsicose, consulte as quest\u00f5es 222, 611 e seguintes (Nota de Kardec).<\/li>\n<li><strong>Alma<\/strong>: dizemos do esp\u00edrito quando est\u00e1 no corpo, encarnado (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Benjamin<\/strong><strong> Franklin<\/strong>: estadista norte-americano que inventou o p\u00e1ra-raios (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Robert<\/strong><strong> Fulton<\/strong>: mec\u00e2nico norte-americano que inventou a propuls\u00e3o, o motor a vapor (N. E.).<\/li>\n<li><strong>A<\/strong><strong> priori<\/strong>: diz-se do conhecimento, afirma\u00e7\u00e3o, verdade, etc. anterior \u00e0 experi\u00eancia (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Homens<\/strong><strong> de esp\u00edrito<\/strong>: inteligentes, geniais (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Metaf\u00edsica<\/strong>: \u00e9 parte da filosofia, um conjunto de conhecimentos racionais (e n\u00e3o de conhecimentos revelados) em que se procura determinar as regras fundamentais do pensamento, e que nos d\u00e1 a chave do conhecimento do real em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 apar\u00eancia (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Centelha<\/strong><strong> an\u00edmica<\/strong>: princ\u00edpio da vida espiritual; corpo espiritual; o Esp\u00edrito (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Lineu<\/strong><strong>, Jussieu e Tournefort<\/strong>: naturalistas e bot\u00e2nicos, sendo o primeiro sueco e os outros dois franceses (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Epilepsia<\/strong>: dist\u00farbio do c\u00e9rebro (sistema nervoso); disritmia cerebral que provoca contra\u00e7\u00e3o muscular involunt\u00e1ria e convuls\u00f5es (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Axioma<\/strong>: princ\u00edpio evidente que \u00e9 aceito como universalmente verdadeiro, sem exig\u00eancia de demonstra\u00e7\u00e3o (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Alfa<\/strong><strong> e omega<\/strong>: respectivamente a primeira e a \u00faltima letra do alfabeto grego. Neste caso, o princ\u00edpio e o fim (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Doutrina Esp\u00edrita 1 \u2013 PALAVRAS NOVAS Para designar coisas novas s\u00e3o necess\u00e1rias palavras novas; assim exige a clareza de uma l\u00edngua, para evitar a confus\u00e3o que ocorre quando uma palavra tem m\u00faltiplo sentido. 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