{"id":4252,"date":"2016-06-29T21:53:57","date_gmt":"2016-06-30T00:53:57","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4252"},"modified":"2016-06-29T22:40:18","modified_gmt":"2016-06-30T01:40:18","slug":"cap-1-76-a-131-dos-espiritos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/4-parte-segunda-mundo-espirita-ou-dos-espiritos\/cap-1-76-a-131-dos-espiritos\/","title":{"rendered":"Cap 01 &#8211; 76 a 131 &#8211; dos esp\u00edritos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte Segunda \u2013 Mundo esp\u00edrita ou dos esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 1 \u2013 dos Esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p>Origem e natureza dos Esp\u00edritos \u2013 Mundo normal primitivo \u2013 Forma e ubiq\u00fcidade dos Esp\u00edritos \u2013 Perisp\u00edrito \u2013 Diferentes ordens de Esp\u00edritos \u2013 Escala esp\u00edrita \u2013 Terceira ordem &#8211; Esp\u00edritos imperfeitos \u2013 Segunda ordem &#8211; Bons Esp\u00edritos \u2013 Primeira ordem &#8211; Esp\u00edritos puros \u2013 Progress\u00e3o dos Esp\u00edritos \u2013 Anjos e dem\u00f4nios<\/p>\n<p><strong>Origem e natureza dos Esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>76 Que defini\u00e7\u00e3o se pode dar dos Esp\u00edritos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pode-se dizer que os Esp\u00edritos s\u00e3o os seres inteligentes da Cria\u00e7\u00e3o. Eles povoam o universo, fora do mundo material.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> Nota: <em>A palavra<\/em> Esp\u00edrito<em> \u00e9 empregada aqui para designar a individualidade e n\u00e3o mais o elemento inteligente universal. <\/em><\/p>\n<p><strong>77 Os Esp\u00edritos s\u00e3o seres distintos da Divindade ou seriam somente emana\u00e7\u00f5es ou por\u00e7\u00f5es da Divindade e chamados, por essa raz\u00e3o, filhos de Deus? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Meu Deus! S\u00e3o obras de Deus. Exatamente como um homem que faz uma m\u00e1quina, essa m\u00e1quina \u00e9 a obra do homem, mas n\u00e3o \u00e9 ele pr\u00f3prio. Quando o homem faz uma coisa bela, \u00fatil, a chama sua filha, sua cria\u00e7\u00e3o. Pois bem! Ocorre o mesmo com Deus: somos seus filhos, porque somos sua obra.<\/p>\n<p><strong>78 Os Esp\u00edritos tiveram um princ\u00edpio, ou s\u00e3o como Deus, de toda a eternidade? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se os Esp\u00edritos n\u00e3o tivessem tido um princ\u00edpio, seriam iguais a Deus. S\u00e3o sua cria\u00e7\u00e3o e submissos \u00e0 Sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, isso \u00e9 incontest\u00e1vel. Mas saber quando e como nos criou, n\u00e3o sabemos nada. Podeis dizer que n\u00e3o tivemos princ\u00edpio, se entenderdes com isso que Deus, sendo eterno, tem criado sem descanso. Mas quando e como cada um de n\u00f3s foi criado, repito, ningu\u00e9m o sabe: esse \u00e9 o mist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>79 Uma vez que h\u00e1 dois elementos gerais no universo: o inteligente e o material, pode-se dizer que os Esp\u00edritos s\u00e3o formados do elemento inteligente, como os corpos inertes s\u00e3o formados do elemento material? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 evidente. Os Esp\u00edritos s\u00e3o a individualiza\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio inteligente, como os corpos s\u00e3o a individualiza\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio material. A \u00e9poca e o modo dessa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 que s\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p><strong>80 A cria\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos \u00e9 permanente, ou s\u00f3 ocorreu no in\u00edcio dos tempos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 permanente, Deus nunca parou de criar.<\/p>\n<p><strong>81 Os Esp\u00edritos se formam espontaneamente, ou procedem uns dos outros? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deus os cria, como a todas as outras criaturas, por sua vontade. Mas, repito mais uma vez, sua origem \u00e9 um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>82 \u00c9 exato dizer que os Esp\u00edritos s\u00e3o imateriais? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como podemos definir uma coisa quando n\u00e3o temos termos de compara\u00e7\u00e3o e com uma linguagem insuficiente? Pode um cego de nascen\u00e7a definir a luz? Imaterial n\u00e3o \u00e9 bem a palavra, incorp\u00f3reo seria mais exato, porque deveis compreender bem que o Esp\u00edrito, sendo uma cria\u00e7\u00e3o, deve ser alguma coisa. \u00c9 uma mat\u00e9ria pur\u00edssima, mas sem compara\u00e7\u00e3o ou semelhan\u00e7a para v\u00f3s, e t\u00e3o et\u00e9rea que n\u00e3o pode ser percebida pelos vossos sentidos.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Dizemos que os Esp\u00edritos s\u00e3o imateriais, porque sua ess\u00eancia difere de tudo o que conhecemos como mat\u00e9ria. Uma comunidade de cegos n\u00e3o teria termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascen\u00e7a acredita ter todas as percep\u00e7\u00f5es pela audi\u00e7\u00e3o, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Ele n\u00e3o compreende as id\u00e9ias que lhe dariam o sentido que lhe falta. Do mesmo modo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ess\u00eancia dos seres sobre-humanos, somos como verdadeiros cegos. Podemos defini-los somente por compara\u00e7\u00f5es sempre imperfeitas, ou por um esfor\u00e7o de nossa imagina\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><strong>83 Compreende-se que o princ\u00edpio de onde emanam os Esp\u00edritos seja eterno, mas o que perguntamos \u00e9 se sua individualidade tem um fim e se, num dado momento, mais ou menos longo, o elemento do qual s\u00e3o formados se dispersa e retorna \u00e0 massa de onde saiu, como acontece com os corpos materiais. \u00c9 dif\u00edcil compreender que uma coisa que come\u00e7ou n\u00e3o possa acabar. Os Esp\u00edritos t\u00eam um fim? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 coisas que n\u00e3o compreendeis, porque a vossa intelig\u00eancia \u00e9 limitada. Mas isso n\u00e3o \u00e9 raz\u00e3o para serem rejeitadas. A crian\u00e7a n\u00e3o compreende tudo o que seu pai compreende, nem o ignorante tudo o que compreende o s\u00e1bio. N\u00f3s vos dizemos que a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos n\u00e3o acaba; \u00e9 tudo o que, por agora, podemos dizer.<\/p>\n<p><strong>Mundo normal primitivo<\/strong><\/p>\n<p><strong>84 Os Esp\u00edritos constituem um mundo \u00e0 parte, fora daquele que vemos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, o mundo dos Esp\u00edritos ou das intelig\u00eancias incorp\u00f3reas.<\/p>\n<p><strong>85 Qual dos dois \u00e9 o principal na ordem das coisas: o mundo espiritual ou o mundo corporal? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O mundo espiritual, que preexiste e sobrevive a tudo.<\/p>\n<p><strong>86 O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem alterar a ess\u00eancia do mundo espiritual? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, eles s\u00e3o independentes e, entretanto, sua correla\u00e7\u00e3o \u00e9 incessante, porque reagem incessantemente um sobre o outro.<\/p>\n<p><strong>87 Os Esp\u00edritos ocupam uma regi\u00e3o determinada e circunscrita no espa\u00e7o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Os Esp\u00edritos est\u00e3o em todos os lugares, povoam infinitamente os espa\u00e7os. Est\u00e3o sempre ao vosso lado, vos observam e agem entre v\u00f3s sem os perceberdes, porque os Esp\u00edritos s\u00e3o uma das for\u00e7as da natureza e os instrumentos dos quais Deus se serve para a realiza\u00e7\u00e3o de Seus des\u00edgnios providenciais. Mas nem todos v\u00e3o a todos os lugares, porque h\u00e1 regi\u00f5es interditadas aos menos avan\u00e7ados.<\/p>\n<p><strong>Forma e ubiq\u00fcidade<\/strong><strong><sup><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-01.html#1\">1<\/a><\/sup><\/strong><strong> dos Esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>88 Os Esp\u00edritos t\u00eam uma forma determinada, limitada e constante? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A vossos olhos, n\u00e3o; aos nossos, sim. O Esp\u00edrito \u00e9, se quiserdes, uma chama, um clar\u00e3o ou uma centelha et\u00e9rea.<\/p>\n<p><strong>88 a Essa chama ou centelha tem uma cor qualquer? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Para v\u00f3s, ela varia do escuro ao brilho do rubi, conforme seja o Esp\u00edrito mais ou menos puro.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>\u00c9 costume representarem-se os g\u00eanios com uma chama ou uma estrela sobre a fronte. \u00c9 uma alegoria que lembra a natureza essencial dos Esp\u00edritos. Coloca-se no alto da cabe\u00e7a, porque \u00e9 a\u00ed a sede da intelig\u00eancia. <\/em><\/p>\n<p><strong>89 Os Esp\u00edritos gastam algum tempo para percorrer o espa\u00e7o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim; por\u00e9m, r\u00e1pido como o pensamento.<\/p>\n<p><strong>89 a O pensamento n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria alma que se transporta? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Quando o pensamento est\u00e1 em algum lugar, a alma est\u00e1 tamb\u00e9m, uma vez que \u00e9 a alma que pensa. O pensamento \u00e9 um atributo da alma.<\/p>\n<p><strong>90 O Esp\u00edrito que se transporta de um lugar a outro tem consci\u00eancia da dist\u00e2ncia que percorre e dos espa\u00e7os que atravessa, ou \u00e9 subitamente transportado para o lugar aonde quer ir? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Ocorrem ambas as coisas. O Esp\u00edrito pode muito bem, se o quiser, se dar conta da dist\u00e2ncia que percorre, mas essa dist\u00e2ncia pode tamb\u00e9m n\u00e3o ser sentida e at\u00e9 completamente despercebida. Isso depende de sua vontade e de sua natureza mais ou menos depurada.<\/p>\n<p><strong>91 A mat\u00e9ria oferece algum obst\u00e1culo aos Esp\u00edritos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, eles penetram em tudo: o ar, a terra, as \u00e1guas e at\u00e9 mesmo o fogo lhes s\u00e3o igualmente acess\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>92 Os Esp\u00edritos t\u00eam o dom da ubiq\u00fcidade, ou, em outras palavras, o mesmo Esp\u00edrito pode se dividir ou estar em v\u00e1rios pontos ao mesmo tempo? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o pode haver divis\u00e3o do mesmo Esp\u00edrito. Mas cada um \u00e9 um centro que se irradia para diferentes lados e \u00e9 por isso que parece estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Vedes o Sol, \u00e9 apenas um e, entretanto, irradia-se em todos os sentidos e leva seus raios para muito longe. Apesar disso, n\u00e3o se divide.<\/p>\n<p><strong>92 a Todos os Esp\u00edritos se irradiam com o mesmo poder? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Longe disso. Isso depende do grau de pureza de cada um.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Cada Esp\u00edrito \u00e9 uma unidade indivis\u00edvel, mas cada um deles pode estender seu pensamento para muitos lugares sem com isso se dividir. \u00c9 apenas nesse sentido que se deve entender o dom da ubiq\u00fcidade atribu\u00eddo aos Esp\u00edritos; como uma centelha que projeta ao longe sua claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte; ou, ainda, como um homem que, no mesmo lugar e sem se dividir, pode transmitir ordens, sinais e movimento para diferentes pontos. <\/em><\/p>\n<p><strong>Perisp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p><strong>93 O Esp\u00edrito, propriamente dito, n\u00e3o tem nenhuma cobertura, ou como pretendem alguns, \u00e9 envolvido por alguma subst\u00e2ncia? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito \u00e9 envolvido por uma subst\u00e2ncia vaporosa para v\u00f3s, mas ainda bem grosseira para n\u00f3s; \u00e9 suficientemente vaporosa para poder se elevar na atmosfera e se transportar para onde quiser.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Assim como nas sementes o germe do fruto \u00e9 envolvido pelo perisperma<\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-01.html#2\"><sup>2<\/sup><\/a><em>, do mesmo modo o Esp\u00edrito, propriamente dito, \u00e9 revestido de um envolt\u00f3rio que, por compara\u00e7\u00e3o, pode-se chamar <\/em>perisp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>94 De onde o Esp\u00edrito tira seu envolt\u00f3rio semimaterial? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Do fluido universal de cada globo. \u00c9 por isso que n\u00e3o \u00e9 igual em todos os mundos. Ao passar de um mundo a outro, o Esp\u00edrito muda de envolt\u00f3rio, como trocais de roupa.<\/p>\n<p><strong>94 a Assim, quando os Esp\u00edritos que habitam os mundos superiores v\u00eam at\u00e9 n\u00f3s, revestem-se de um perisp\u00edrito mais grosseiro? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 preciso que se revistam de vossa mat\u00e9ria, como j\u00e1 dissemos.<\/p>\n<p><strong>95 O envolt\u00f3rio semimaterial do Esp\u00edrito tem formas determinadas e pode ser percept\u00edvel? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, tem a forma que lhe conv\u00e9m. \u00c9 assim que se apresenta, algumas vezes, nos sonhos, ou quando estais acordados, podendo tomar uma forma vis\u00edvel e at\u00e9 mesmo palp\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Diferentes ordens de Esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>96 Os Esp\u00edritos s\u00e3o iguais ou h\u00e1 entre eles alguma hierarquia? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eles s\u00e3o de diferentes ordens, de acordo com o grau de perfei\u00e7\u00e3o a que chegaram.<\/p>\n<p><strong>97 H\u00e1 um n\u00famero determinado de ordens ou de graus de perfei\u00e7\u00e3o entre os Esp\u00edritos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O n\u00famero \u00e9 ilimitado. N\u00e3o h\u00e1 entre essas ordens uma linha de demarca\u00e7\u00e3o como limite, e, assim, as divis\u00f5es podem ser multiplicadas ou restringidas \u00e0 vontade. No entanto, considerando-se as caracter\u00edsticas gerais, podem reduzir-se a tr\u00eas principais.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os que chegaram \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o: os Esp\u00edritos puros. Os da segunda ordem s\u00e3o os que atingiram o meio da escala: o desejo do bem \u00e9 sua preocupa\u00e7\u00e3o. Os do \u00faltimo grau, ainda no in\u00edcio da escala, s\u00e3o os Esp\u00edritos imperfeitos, caracterizados pela ignor\u00e2ncia, pelo desejo do mal e por todas as m\u00e1s paix\u00f5es que retardam seu adiantamento.<\/p>\n<p><strong>98 Os Esp\u00edritos da segunda ordem t\u00eam apenas o desejo do bem, ou ter\u00e3o tamb\u00e9m o poder de pratic\u00e1-lo? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 T\u00eam esse poder segundo o grau de sua perfei\u00e7\u00e3o: uns t\u00eam a ci\u00eancia, outros a sabedoria e a bondade, mas todos ainda t\u00eam provas a cumprir.<\/p>\n<p><strong>99 Os Esp\u00edritos da terceira ordem s\u00e3o todos essencialmente maus? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o; uns n\u00e3o fazem o bem nem o mal; outros, ao contr\u00e1rio, se satisfazem no mal e sentem prazer quando encontram a ocasi\u00e3o de o fazer. E h\u00e1 ainda os Esp\u00edritos levianos ou zombadores, mais brincalh\u00f5es do que maus, que se satisfazem antes na mal\u00edcia do que na maldade e que encontram prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades das quais se riem.<\/p>\n<p><strong>Escala esp\u00edrita<\/strong><\/p>\n<p><strong>100 Observa\u00e7\u00f5es preliminares:<\/strong> A classifica\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos \u00e9 baseada no grau de seu adiantamento, nas qualidades que adquiriram e nas imperfei\u00e7\u00f5es de que ainda devam se livrar. Essa classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nada de absoluto. Cada categoria apenas apresenta um car\u00e1ter n\u00edtido em seu conjunto, mas de um grau a outro a transi\u00e7\u00e3o \u00e9 insens\u00edvel e nos extremos as diferen\u00e7as se apagam como nos reinos da natureza, nas cores do arco-\u00edris, ou, ainda, como nos diferentes per\u00edodos da vida do homem. Pode-se formar um n\u00famero de classes mais ou menos grande, segundo o ponto de vista de que se considere a quest\u00e3o. Ocorre o mesmo com todos os sistemas de classifica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas: esses sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos c\u00f4modos para a intelig\u00eancia, mas, quaisquer que sejam, n\u00e3o mudam em nada as bases da ci\u00eancia. Assim, os Esp\u00edritos interrogados sobre esse ponto puderam variar no n\u00famero de categorias sem que isso tenha conseq\u00fc\u00eancias. Armaram-se alguns contestadores da Doutrina com essa contradi\u00e7\u00e3o aparente, sem refletir que os Esp\u00edritos n\u00e3o d\u00e3o nenhuma import\u00e2ncia ao que \u00e9 puramente convencional. Para eles, o pensamento \u00e9 tudo. Deixam para n\u00f3s a forma, a escolha dos termos, as classifica\u00e7\u00f5es, numa palavra, os sistemas.<\/p>\n<p>Acrescentamos ainda esta considera\u00e7\u00e3o, que jamais se deve perder de vista: \u00e9 que entre os Esp\u00edritos, assim como entre os homens, h\u00e1 os muito ignorantes, e nunca ser\u00e1 demais se prevenir contra a tend\u00eancia de acreditar que todos devem saber tudo s\u00f3 porque s\u00e3o Esp\u00edritos. Qualquer classifica\u00e7\u00e3o exige m\u00e9todo, an\u00e1lise e conhecimento profundo do assunto. Portanto, no mundo dos Esp\u00edritos, aqueles que t\u00eam conhecimentos limitados s\u00e3o, como na Terra, os ignorantes, incapazes de abranger um conjunto para formular um sistema. S\u00f3 imperfeitamente conhecem ou compreendem uma classifica\u00e7\u00e3o qualquer. Para eles, todos os Esp\u00edritos que lhes s\u00e3o superiores s\u00e3o de primeira ordem, sem que possam apreciar as diferen\u00e7as de saber, capacidade e moralidade que os distinguem entre si, como faria entre n\u00f3s um homem rude em rela\u00e7\u00e3o aos homens civilizados. Mesmo os que t\u00eam capacidade de o fazer podem variar nos detalhes, de acordo com seus pontos de vista, principalmente quando uma divis\u00e3o como esta n\u00e3o tem limites fixados, nada de absoluto. Lineu, Jussieue Tournefort proclamaram, cada um, seu m\u00e9todo, e a bot\u00e2nica n\u00e3o se alterou em nada por causa disso. \u00c9 que o m\u00e9todo deles n\u00e3o inventou as plantas, nem seus caracteres. Eles apenas observaram as semelhan\u00e7as e fun\u00e7\u00f5es com as quais depois formaram grupos ou classes. Da mesma maneira procedemos n\u00f3s. N\u00e3o inventamos os Esp\u00edritos, nem seus caracteres. Vimos e observamos. N\u00f3s os julgamos por suas palavras e seus atos, depois os classificamos por semelhan\u00e7as, baseando-nos em dados que eles pr\u00f3prios nos forneceram.<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos admitem geralmente tr\u00eas categorias principais ou tr\u00eas grandes divis\u00f5es. Na \u00faltima, a que est\u00e1 no in\u00edcio da escala, est\u00e3o os Esp\u00edritos imperfeitos, caracterizados pela predomin\u00e2ncia da mat\u00e9ria sobre o Esp\u00edrito e pela propens\u00e3o ao mal.<\/p>\n<p>Os da segunda s\u00e3o caracterizados pela predomin\u00e2ncia do Esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria e pelo desejo do bem: esses s\u00e3o os bons Esp\u00edritos. Os da primeira categoria atingiram o grau supremo da perfei\u00e7\u00e3o: s\u00e3o os Esp\u00edritos puros.<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o nos parece perfeitamente racional e apresenta caracter\u00edsticas bem definidas. S\u00f3 nos faltava ressaltar, mediante um n\u00famero suficiente de subdivis\u00f5es, as diferen\u00e7as principais do conjunto. Foi o que fizemos com o aux\u00edlio dos Esp\u00edritos, cujas instru\u00e7\u00f5es benevolentes nunca nos faltaram.<\/p>\n<p>Com o aux\u00edlio desse quadro ser\u00e1 f\u00e1cil determinar a categoria e o grau de superioridade ou inferioridade dos Esp\u00edritos com os quais podemos entrar em contato e, por conseguinte, o grau de confian\u00e7a e de estima que merecem. \u00c9 de certo modo a chave da ci\u00eancia esp\u00edrita, visto que apenas ele pode nos explicar as anomalias, as diferen\u00e7as que apresentam as comunica\u00e7\u00f5es, ao nos esclarecer sobre as desigualdades intelectuais e morais dos Esp\u00edritos. Observaremos, todavia, que nem sempre os Esp\u00edritos pertencem exclusivamente a esta ou aquela classe. Seu progresso apenas se realiza gradualmente e, muitas vezes, mais num sentido do que em outro, e podem reunir as caracter\u00edsticas de mais de uma categoria, o que se pode notar por sua linguagem e seus atos.<\/p>\n<p><strong>Terceira ordem \u2013 Esp\u00edritos imperfeitos<\/strong><\/p>\n<p><strong>101 Caracter\u00edsticas gerais<\/strong> \u2013 Predomin\u00e2ncia da mat\u00e9ria sobre o Esp\u00edrito. Propens\u00e3o ao mal. Ignor\u00e2ncia, orgulho, ego\u00edsmo e todas as m\u00e1s paix\u00f5es que s\u00e3o suas conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>Eles t\u00eam a intui\u00e7\u00e3o de Deus, mas n\u00e3o o compreendem.<\/p>\n<p>Nem todos s\u00e3o essencialmente maus. Entre alguns h\u00e1 mais leviandade, inconseq\u00fc\u00eancia e mal\u00edcia do que verdadeira maldade. Alguns n\u00e3o fazem o bem nem o mal; mas, apenas pelo fato de n\u00e3o fazerem o bem, j\u00e1 demonstram sua inferioridade. Outros, ao contr\u00e1rio, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram a ocasi\u00e3o de o fazer.<\/p>\n<p>Podem aliar a intelig\u00eancia \u00e0 maldade ou \u00e0 mal\u00edcia; mas qualquer que seja seu desenvolvimento intelectual, suas id\u00e9ias s\u00e3o pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos inferiores.<\/p>\n<p>Seus conhecimentos sobre as coisas do mundo esp\u00edrita s\u00e3o limitados e o pouco que sabem se confunde com as id\u00e9ias e os preconceitos da vida corporal. Eles podem nos dar apenas no\u00e7\u00f5es falsas e incompletas, mas o observador atento encontra, muitas vezes, em suas comunica\u00e7\u00f5es imperfeitas, a confirma\u00e7\u00e3o das grandes verdades ensinadas pelos Esp\u00edritos Superiores.<\/p>\n<p>Seu car\u00e1ter se revela pela sua linguagem. Todo Esp\u00edrito que em suas comunica\u00e7\u00f5es revela um mau pensamento pode ser classificado na terceira ordem. Por conseq\u00fc\u00eancia, todo mau pensamento que nos \u00e9 sugerido vem de um Esp\u00edrito dessa ordem.<\/p>\n<p>Eles v\u00eaem a felicidade dos bons e isso \u00e9, para eles, um tormento incessante, porque sentem todas as agonias que originam a inveja e o ci\u00fame.<\/p>\n<p>Conservam a lembran\u00e7a e a percep\u00e7\u00e3o dos sofrimentos da vida corporal e essa impress\u00e3o \u00e9, muitas vezes, mais dolorosa do que a realidade. Sofrem, verdadeiramente, pelos males que suportaram em vida e pelos que fizeram os outros sofrer. E como sofrem por longo tempo, acreditam que ir\u00e3o sofrer para sempre. A Provid\u00eancia, para puni-los, permite que assim pensem<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-01.html#3\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Pode-se dividi-los em cinco classes principais:<\/p>\n<p><strong>102 <em>D\u00e9cima classe<\/em>. Esp\u00edritos Impuros<\/strong> \u2013 S\u00e3o inclinados ao mal e fazem dele o objeto de suas preocupa\u00e7\u00f5es. Como Esp\u00edritos, d\u00e3o conselhos falsos, provocam a disc\u00f3rdia e a desconfian\u00e7a e se mascaram de todas as formas para melhor enganar. Eles se ligam \u00e0s pessoas de car\u00e1ter mais fraco, que cedem \u00e0s suas sugest\u00f5es, a fim de prejudic\u00e1-los, satisfeitos em poder retardar o seu adiantamento e faz\u00ea-las fracassar nas provas por que passam.<\/p>\n<p>Nas manifesta\u00e7\u00f5es, esses esp\u00edritos s\u00e3o reconhecidos pela linguagem. A trivialidade e a grosseria das express\u00f5es, entre os Esp\u00edritos como entre os homens, \u00e9 sempre um ind\u00edcio de inferioridade moral ou intelectual. Suas comunica\u00e7\u00f5es revelam a baixeza de suas inclina\u00e7\u00f5es e, se tentam enganar ao falar de uma maneira sensata, n\u00e3o podem sustentar esse papel por muito tempo, e acabam sempre por denunciar a sua origem.<\/p>\n<p>Alguns povos fizeram desses Esp\u00edritos divindades malfazejas; outros os designaram sob o nome de dem\u00f4nios, maus g\u00eanios, esp\u00edritos do mal.<\/p>\n<p>Quando est\u00e3o encarnados, s\u00e3o inclinados a todos os v\u00edcios que geram as paix\u00f5es vergonhosas e degradantes: a sensualidade, a crueldade, a mentira, a hipocrisia, a cobi\u00e7a e a avareza s\u00f3rdida. Fazem o mal pelo prazer de faz\u00ea-lo e, muitas vezes, sem motivos e por \u00f3dio ao bem, escolhem quase sempre suas v\u00edtimas entre as pessoas honestas. S\u00e3o flagelos para a humanidade, seja qual for a posi\u00e7\u00e3o da sociedade a que perten\u00e7am, e o verniz da civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o os livra da baixeza e da desonra.<\/p>\n<p><strong>103 <em>Nona classe<\/em>. Esp\u00edritos Levianos<\/strong> \u2013 S\u00e3o ignorantes, maliciosos, inconseq\u00fcentes e zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem a tudo, sem se preocupar com a verdade. Comprazem-se em causar pequenos desgostos e pequenas alegrias, atormentar e induzir maliciosamente ao erro por meio de mistifica\u00e7\u00f5es e espertezas. A esta classe pertencem os Esp\u00edritos vulgarmente designados sob os nomes de duendes, trasgos<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-01.html#4\"><sup>4<\/sup><\/a>, gnomos, diabretes. Est\u00e3o sob a depend\u00eancia dos Esp\u00edritos Superiores, que se utilizam deles, muitas vezes, como fazemos com os nossos servidores.<\/p>\n<p>Nas suas comunica\u00e7\u00f5es com os homens, a linguagem \u00e9 algumas vezes espirituosa e engra\u00e7ada, mas quase sempre sem profundidade. Compreendem os defeitos e o rid\u00edculo humanos, exprimindo-os em tiradas mordazes e sat\u00edricas. Se usam nomes supostos, \u00e9 mais para se divertir conosco do que por maldade.<\/p>\n<p><strong>104 <em>Oitava classe<\/em>. Esp\u00edritos Pseudo-S\u00e1bios<\/strong> \u2013 Seus conhecimentos s\u00e3o bastante amplos, mas acreditam saber mais do que sabem na realidade. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, sua linguagem tem uma caracter\u00edstica s\u00e9ria que pode induzir ao erro e ocasionar enganos sobre suas capacidades e seus conhecimentos. Mas isso \u00e9 apenas um reflexo dos preconceitos e das id\u00e9ias sistem\u00e1ticas que conservam da vida terrena. \u00c9 uma mistura de algumas verdades ao lado dos erros mais absurdos, no meio dos quais sobressai a presun\u00e7\u00e3o, o orgulho, a inveja e a obstina\u00e7\u00e3o das quais n\u00e3o puderam se libertar.<\/p>\n<p><strong>105 <em>S\u00e9tima classe<\/em>. Esp\u00edritos Neutros<\/strong> \u2013 N\u00e3o s\u00e3o bastante bons para fazer o bem, nem suficientemente maus para fazer o mal. Inclinam-se tanto para um quanto para o outro e n\u00e3o se elevam acima da condi\u00e7\u00e3o comum da humanidade, tanto pela moral quanto pela intelig\u00eancia. Eles se prendem \u00e0s coisas deste mundo e lamentam a perda das alegrias grosseiras que nele deixaram.<\/p>\n<p><strong>106 <em>Sexta classe<\/em>. Esp\u00edritos Batedores e Perturbadores<\/strong> \u2013 Estes Esp\u00edritos n\u00e3o formam, propriamente falando, uma classe distinta quanto \u00e0s qualidades pessoais, podendo pertencer a todas as classes da terceira ordem. Manifestam, freq\u00fcentemente, sua presen\u00e7a por efeitos sens\u00edveis e f\u00edsicos, como pancadas, o movimento e o deslocamento anormal dos corpos s\u00f3lidos, a agita\u00e7\u00e3o do ar, etc. Parecem estar ainda, mais do que outros, ligados \u00e0 mat\u00e9ria e ser os agentes principais das varia\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es das for\u00e7as e elementos da natureza no globo, seja ao atuarem sobre o ar, a \u00e1gua, o fogo, os corpos duros ou nas entranhas da terra. Reconhece-se que esses fen\u00f4menos n\u00e3o se originam de uma causa imprevista e f\u00edsica, quando t\u00eam um car\u00e1ter intencional e inteligente. Todos os Esp\u00edritos podem produzir esses fen\u00f4menos, mas os de ordem elevada os deixam, geralmente, como atribui\u00e7\u00f5es dos subalternos, mais aptos \u00e0s coisas materiais do que \u00e0s da intelig\u00eancia. Quando julgam que essas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00fateis, servem-se dos Esp\u00edritos dessa classe como seus auxiliares.<\/p>\n<p><strong>Segunda ordem \u2013 Bons Esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>107 Caracter\u00edsticas gerais<\/strong> \u2013 Predomin\u00e2ncia do Esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria; desejo do bem. Suas qualidades e poder para fazer o bem est\u00e3o em conformidade com o grau que alcan\u00e7aram. Uns t\u00eam a ci\u00eancia; outros, a sabedoria e a bondade. Os mais adiantados re\u00fanem o saber \u00e0s qualidades morais. N\u00e3o estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, de acordo com sua categoria, os tra\u00e7os da exist\u00eancia corporal, tanto na forma da linguagem quanto nos costumes, entre os quais se identificam algumas de suas manias. N\u00e3o fosse por isso, seriam Esp\u00edritos perfeitos.<\/p>\n<p>Compreendem Deus e o infinito e j\u00e1 gozam da felicidade dos bons; s\u00e3o felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor que os une \u00e9 uma fonte de felicidade indescrit\u00edvel que n\u00e3o \u00e9 alterada pela inveja, pelo remorso, nem por nenhuma das m\u00e1s paix\u00f5es que fazem o tormento dos Esp\u00edritos imperfeitos. Mas todos ainda t\u00eam que passar por provas at\u00e9 que atinjam a perfei\u00e7\u00e3o absoluta.<\/p>\n<p>Como Esp\u00edritos, sugerem bons pensamentos, desviam os homens do caminho do mal, protegem a vida daqueles que se tornam dignos e neutralizam a influ\u00eancia dos Esp\u00edritos imperfeitos sobre os que n\u00e3o t\u00eam por que passar por ela.<\/p>\n<p>Quando encarnados s\u00e3o bons e benevolentes com os seus semelhantes. N\u00e3o s\u00e3o movidos pelo orgulho, ego\u00edsmo, nem ambi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sentem \u00f3dio, rancor, inveja ou ci\u00fame e fazem o bem pelo bem.<\/p>\n<p>A esta ordem pertencem os Esp\u00edritos designados nas cren\u00e7as populares pelos nomes de g\u00eanios bons, g\u00eanios protetores, Esp\u00edritos do bem. Nos tempos de supersti\u00e7\u00f5es e ignor\u00e2ncia, foram tidos como divindades benfazejas.<\/p>\n<p>Pode-se dividi-los em quatro grupos principais:<\/p>\n<p><strong>108 <em>Quinta classe<\/em>. Esp\u00edritos Benevolentes<\/strong> \u2013 Sua qualidade dominante \u00e9 a bondade; satisfazem-se em prestar servi\u00e7os aos homens e em proteg\u00ea-los, mas seu saber \u00e9 limitado. Seu progresso \u00e9 maior no sentido moral do que no intelectual.<\/p>\n<p><strong>109 <em>Quarta classe<\/em>. Esp\u00edritos Prudentes ou S\u00e1bios<\/strong> \u2013 O que os distingue especialmente \u00e9 a abrang\u00eancia de seus conhecimentos. Preocupam-se menos com as quest\u00f5es morais do que com as cient\u00edficas, para as quais t\u00eam mais aptid\u00e3o. Mas consideram a ci\u00eancia somente do ponto de vista da utilidade, livre das paix\u00f5es que s\u00e3o pr\u00f3prias dos Esp\u00edritos imperfeitos.<\/p>\n<p><strong>110 <em>Terceira classe<\/em>. Esp\u00edritos de Sabedoria<\/strong> \u2013 As qualidades morais do mais elevado grau formam seu car\u00e1ter. Sem ter conhecimentos ilimitados, s\u00e3o dotados de uma capacidade intelectual que lhes d\u00e1 um julgamento preciso e s\u00e1bio sobre os homens e as coisas.<\/p>\n<p><strong>111 <em>Segunda classe<\/em>. Esp\u00edritos Superiores<\/strong> \u2013 Re\u00fanem a ci\u00eancia, a sabedoria e a bondade. Sua linguagem revela sempre a benevol\u00eancia e \u00e9 constantemente digna, elevada, muitas vezes sublime. Sua superioridade os torna mais aptos que os outros para nos dar no\u00e7\u00f5es mais justas sobre as coisas do mundo incorp\u00f3reo, dentro dos limites do que \u00e9 permitido ao homem conhecer. Comunicam-se benevolentemente com os que procuram de boa-f\u00e9 a verdade e que t\u00eam a alma j\u00e1 liberta dos la\u00e7os terrestres para compreend\u00ea-la. Mas se afastam dos que s\u00e3o movidos apenas pela curiosidade ou dos que a influ\u00eancia da mat\u00e9ria desvia da pr\u00e1tica do bem.<\/p>\n<p>Quando, por exce\u00e7\u00e3o, encarnam na Terra, \u00e9 para realizar uma miss\u00e3o de progresso e nos oferecem, ent\u00e3o, o modelo de perfei\u00e7\u00e3o a que a humanidade pode aspirar neste mundo.<\/p>\n<p><strong>Primeira ordem \u2013 Esp\u00edritos puros<\/strong><\/p>\n<p><strong>112 Caracter\u00edsticas gerais<\/strong> \u2013 N\u00e3o sofrem nenhuma influ\u00eancia da mat\u00e9ria. Superioridade intelectual e moral absoluta em rela\u00e7\u00e3o aos Esp\u00edritos das outras ordens.<\/p>\n<p><strong>113 <em>Primeira classe<\/em>. Classe \u00danica<\/strong> \u2013 Passaram por todos os graus da escala e se libertaram de todas as impurezas da mat\u00e9ria. Tendo atingido o mais elevado grau de perfei\u00e7\u00e3o de que \u00e9 capaz a criatura, n\u00e3o t\u00eam mais que sofrer provas nem expia\u00e7\u00f5es. N\u00e3o estando mais sujeitos \u00e0 reencarna\u00e7\u00e3o em corpos perec\u00edveis, a vida \u00e9 para eles eterna e a desfrutam no seio de Deus.<\/p>\n<p>Gozam de uma felicidade inalter\u00e1vel por n\u00e3o estarem sujeitos nem \u00e0s necessidades, nem \u00e0s varia\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es da vida material. Mas essa felicidade n\u00e3o \u00e9 de uma ociosidade mon\u00f3tona passada numa contempla\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua. S\u00e3o os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manuten\u00e7\u00e3o da harmonia universal. Comandam todos os Esp\u00edritos que lhes s\u00e3o inferiores, ajudando-os a se aperfei\u00e7oarem e lhes designam miss\u00f5es. Assistir os homens em suas afli\u00e7\u00f5es, incit\u00e1-los ao bem ou \u00e0 expia\u00e7\u00e3o das faltas que os afastam da felicidade suprema \u00e9 para eles uma agradabil\u00edssima ocupa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o chamados, \u00e0s vezes, de anjos, arcanjos ou serafins.<\/p>\n<p>Os homens podem entrar em comunica\u00e7\u00e3o com eles, mas presun\u00e7oso seria aquele que pretendesse t\u00ea-los constantemente \u00e0s suas ordens.<\/p>\n<p><strong>Progress\u00e3o dos Esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>114 Os Esp\u00edritos s\u00e3o bons ou maus por natureza ou s\u00e3o eles mesmos que se melhoram? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o os pr\u00f3prios Esp\u00edritos que se melhoram, passando de uma ordem inferior para uma ordem superior.<\/p>\n<p><strong>115 Dentre os Esp\u00edritos, alguns foram criados bons e outros maus? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deus criou todos os Esp\u00edritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um uma miss\u00e3o com o objetivo de esclarec\u00ea-los e de faz\u00ea-los chegar, progressivamente, \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o pelo conhecimento da verdade e para aproxim\u00e1-los de Si. A felicidade eterna e pura \u00e9 para os que alcan\u00e7am essa perfei\u00e7\u00e3o. Os Esp\u00edritos adquirem esses conhecimentos ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes imp\u00f5e. Uns aceitam essas provas com submiss\u00e3o e chegam mais depressa ao objetivo que lhes \u00e9 destinado. Outros somente as suportam com lamenta\u00e7\u00e3o e por causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfei\u00e7\u00e3o e da felicidade prometida.<\/p>\n<p><strong>115 a Assim sendo, os Esp\u00edritos seriam em sua origem semelhantes \u00e0s crian\u00e7as, ignorantes e sem experi\u00eancia, s\u00f3 adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam ao percorrer as diferentes fases da vida? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 boa. A crian\u00e7a rebelde permanece ignorante e imperfeita, tem maior ou menor aproveitamento segundo sua docilidade. Por\u00e9m, a vida do homem tem um limite, um fim, enquanto a dos Esp\u00edritos se estende ao infinito.<\/p>\n<p><strong>116 H\u00e1 Esp\u00edritos que permanecer\u00e3o perpetuamente nas classes inferiores? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, todos se tornar\u00e3o perfeitos. Eles progridem, mas demoradamente. Como j\u00e1 dissemos, um pai justo e misericordioso n\u00e3o pode banir eternamente seus filhos. Pretender\u00edeis que Deus, t\u00e3o grande, t\u00e3o bom, t\u00e3o justo, fosse pior do que v\u00f3s mesmos?<\/p>\n<p><strong>117 Depende dos Esp\u00edritos apressar seu progresso para a perfei\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Certamente. Chegam mais ou menos rapidamente conforme seu desejo e submiss\u00e3o \u00e0 vontade de Deus. Uma crian\u00e7a d\u00f3cil n\u00e3o se instrui mais rapidamente do que uma crian\u00e7a rebelde?<\/p>\n<p><strong>118 Os Esp\u00edritos podem se degenerar? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o; \u00e0 medida que avan\u00e7am, compreendem o que os afasta da perfei\u00e7\u00e3o. Quando o Esp\u00edrito acaba uma prova, fica com o conhecimento que adquiriu e n\u00e3o o esquece mais. Pode ficar estacion\u00e1rio, mas retroceder, n\u00e3o retrocede.<\/p>\n<p><strong>119 Deus n\u00e3o poderia isentar os Esp\u00edritos das provas que devem sofrer para atingir a primeira ordem? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se tivessem sido criados perfeitos, n\u00e3o teriam nenhum m\u00e9rito para desfrutar dos benef\u00edcios dessa perfei\u00e7\u00e3o. Onde estaria o m\u00e9rito sem a luta? Al\u00e9m do mais, a desigualdade entre eles \u00e9 necess\u00e1ria para desenvolver a personalidade, e a miss\u00e3o que realizam nessas diferentes ordens est\u00e1 nos des\u00edgnios da Provid\u00eancia para a harmonia do universo.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Tendo em vista que na vida social todos os homens podem chegar \u00e0s primeiras fun\u00e7\u00f5es, igualmente poder\u00edamos perguntar por que o soberano de um pa\u00eds n\u00e3o promove cada um de seus soldados a general; por que todos os empregados subalternos n\u00e3o s\u00e3o empregados superiores; por que todos os estudantes n\u00e3o s\u00e3o mestres. Portanto, h\u00e1 essa diferen\u00e7a entre a vida social e a vida espiritual: a primeira \u00e9 limitada e nem sempre permite alcan\u00e7ar todos os graus, enquanto a segunda \u00e9 indefinida e deixa a cada um a possibilidade de se elevar ao grau supremo. <\/em><\/p>\n<p><strong>120 Todos os Esp\u00edritos passam pelo mal para chegar ao bem? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pelo mal, n\u00e3o, mas sim pela fieira<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-01.html#5\"><sup>5<\/sup><\/a> da ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>121 Por que alguns Esp\u00edritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o t\u00eam eles o livre-arb\u00edtrio? Deus n\u00e3o criou Esp\u00edritos maus; criou-os simples e ignorantes, ou seja, com as mesmas aptid\u00f5es tanto para o bem quanto para o mal. Os que s\u00e3o maus o s\u00e3o por vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><strong>122 Como \u00e9 que os Esp\u00edritos, em sua origem, quando ainda n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia de si mesmos, podem ter a liberdade de escolha entre o bem e o mal? H\u00e1 neles algum princ\u00edpio, alguma tend\u00eancia que os leve para um ou outro caminho? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O livre-arb\u00edtrio se desenvolve \u00e0 medida que o Esp\u00edrito adquire a consci\u00eancia de si mesmo. N\u00e3o haveria mais liberdade se a escolha fosse determinada ou imposta por uma causa independente da vontade do Esp\u00edrito. A causa n\u00e3o est\u00e1 nele, e sim fora, nas influ\u00eancias a que cede em virtude de sua livre vontade. \u00c9 essa a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam, outros resistiram \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>122 a De onde parte a influ\u00eancia sobre ele? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Dos Esp\u00edritos imperfeitos que procuram apossar-se dele para domin\u00e1-lo e ficam satisfeitos de o fazer fracassar. Foi isso que se quis simbolizar na figura de Satan\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>122 b Essa influ\u00eancia se exerce sobre o Esp\u00edrito somente em sua origem? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Essa influ\u00eancia o segue na sua vida de Esp\u00edrito at\u00e9 que alcance um dom\u00ednio t\u00e3o completo sobre si mesmo que os maus desistam de obsedi\u00e1-lo<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-01.html#6\"><sup>6<\/sup><\/a><\/p>\n<p><strong>123 Por que Deus permitiu que os Esp\u00edritos pudessem seguir o caminho do mal? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como ousais pedir a Deus conta de seus atos? Pensais poder penetrar seus des\u00edgnios? Entretanto, podeis pensar assim: a sabedoria de Deus est\u00e1 na liberdade de escolha que d\u00e1 a cada um, porque, assim, cada um tem o m\u00e9rito de suas obras.<\/p>\n<p><strong>124 Uma vez que h\u00e1 Esp\u00edritos que, desde o princ\u00edpio, seguem o caminho do bem absoluto e outros o do mal absoluto, deve haver, sem d\u00favida, degraus entre esses dois extremos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, certamente, e \u00e9 a\u00ed que se encontra a grande maioria.<\/p>\n<p><strong>125 Os Esp\u00edritos que seguiram o caminho do mal poder\u00e3o chegar ao mesmo grau de superioridade que os outros? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, mas as eternidades ser\u00e3o para eles mais longas.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Por esta express\u00e3o \u2013 <\/em>as eternidades<em> \u2013 deve-se entender a id\u00e9ia que os Esp\u00edritos inferiores t\u00eam da perpetuidade de seus sofrimentos, porque, como n\u00e3o lhes \u00e9 dado ver o fim do seu sofrimento, essa id\u00e9ia revive em todas as provas em que fracassam<\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-01.html#7\"><sup>7<\/sup><\/a><\/p>\n<p><strong>126 Os Esp\u00edritos que alcan\u00e7aram o grau supremo de perfei\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s terem passado pelo mal, t\u00eam menos m\u00e9rito do que os outros, aos olhos de Deus? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deus contempla a todos do mesmo modo e os ama com o mesmo cora\u00e7\u00e3o. Eles foram chamados maus por fracassarem; mas no in\u00edcio eram s\u00f3 simples Esp\u00edritos.<\/p>\n<p><strong>127 Os Esp\u00edritos s\u00e3o criados iguais quanto \u00e0s aptid\u00f5es intelectuais? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eles s\u00e3o criados iguais, mas, n\u00e3o sabendo de onde v\u00eam, \u00e9 preciso que o livre-arb\u00edtrio prossiga seu curso. Progridem mais ou menos rapidamente em intelig\u00eancia como em moralidade.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Os Esp\u00edritos que seguem desde o princ\u00edpio o caminho do bem nem por isso s\u00e3o Esp\u00edritos perfeitos. Se n\u00e3o t\u00eam tend\u00eancias m\u00e1s ainda precisam adquirir a experi\u00eancia e os conhecimentos necess\u00e1rios para atingir a perfei\u00e7\u00e3o. Podemos compar\u00e1-los a crian\u00e7as que, qualquer que seja a bondade de seus instintos naturais, t\u00eam necessidade de se desenvolver, se esclarecer e n\u00e3o passam, sem transi\u00e7\u00e3o, da inf\u00e2ncia \u00e0 idade adulta. Assim como h\u00e1 homens bons e outros maus desde sua inf\u00e2ncia, h\u00e1 tamb\u00e9m Esp\u00edritos bons ou maus desde sua origem, com a diferen\u00e7a fundamental de que a crian\u00e7a tem os instintos todos formados, enquanto o Esp\u00edrito, na sua forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mau, nem bom; tem todas as tend\u00eancias e toma uma ou outra dire\u00e7\u00e3o por efeito de seu livre-arb\u00edtrio. <\/em><\/p>\n<p><strong>Anjos e dem\u00f4nios<\/strong><\/p>\n<p><strong>128 Os seres a que chamamos anjos, arcanjos, serafins formam uma categoria especial de natureza diferente dos outros Esp\u00edritos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. S\u00e3o os Esp\u00edritos puros. Est\u00e3o no mais alto grau da escala e re\u00fanem todas as perfei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A palavra <\/em>anjo <em>desperta, geralmente, a id\u00e9ia de perfei\u00e7\u00e3o moral. Entretanto, aplica-se, muitas vezes, a todos os seres bons e maus que est\u00e3o fora da humanidade. Diz-se: o bom e o mau anjo, o anjo de luz e o anjo das trevas. Nesse caso, \u00e9 sin\u00f4nimo de <\/em>Esp\u00edrito<em> ou de <\/em>g\u00eanio<em>. N\u00f3s a tomamos aqui na sua significa\u00e7\u00e3o de bom. <\/em><\/p>\n<p><strong>129 Os anjos percorreram todos os graus da escala evolutiva? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eles percorreram todos os graus, mas, como j\u00e1 dissemos: uns aceitaram sua miss\u00e3o sem murmurar e chegaram mais r\u00e1pido; outros levaram um tempo mais ou menos longo para chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>130 Se a opini\u00e3o de que h\u00e1 seres criados perfeitos e superiores a todas as outras criaturas \u00e9 err\u00f4nea, como se explica o fato de que esteja na tradi\u00e7\u00e3o de quase todos os povos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pensai e considerai que o vosso mundo n\u00e3o existe de toda a eternidade e que, muito tempo antes que ele existisse, havia Esp\u00edritos que j\u00e1 tinham alcan\u00e7ado o grau supremo da evolu\u00e7\u00e3o. Eis por que os homens acreditaram que eles foram sempre assim (perfeitos).<\/p>\n<p><strong>131 H\u00e1 dem\u00f4nios, no sentido que se d\u00e1 a essa palavra? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se houvesse dem\u00f4nios, seriam obra de Deus. Deus seria justo e bom por ter feito seres eternamente devotados ao mal e eternamente infelizes? Se h\u00e1 dem\u00f4nios, \u00e9 no vosso mundo inferior e em outros semelhantes ao vosso. Dem\u00f4nios s\u00e3o esses homens hip\u00f3critas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo e acreditam que Lhe agradam pelas abomina\u00e7\u00f5es que cometem em Seu nome.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A palavra <\/em>dem\u00f4nio<em> nos dias atuais significa e nos d\u00e1 id\u00e9ia de mau Esp\u00edrito, por\u00e9m a palavra grega <\/em>daim\u00f4n,<em> de onde se origina, significa <\/em>g\u00eanio<em>, <\/em>intelig\u00eancia<em>, e se emprega para designar seres incorp\u00f3reos, bons ou maus, sem distin\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>Os dem\u00f4nios, conforme o significado comum da palavra, sup\u00f5em seres malvados por natureza, na sua ess\u00eancia. Seriam, como todas as coisas, cria\u00e7\u00e3o de Deus. Assim sendo, Deus, soberanamente justo e bom, n\u00e3o pode ter criado seres predispostos, por sua natureza, ao mal e condenados por toda a eternidade. Se n\u00e3o fossem obra de Deus, seriam, for\u00e7osamente, como ele, de toda a eternidade, ou ent\u00e3o haveria muitos poderes soberanos. <\/em><\/p>\n<p><em>A primeira condi\u00e7\u00e3o de toda doutrina \u00e9 a de ser l\u00f3gica. A doutrina dos dem\u00f4nios, cuidadosa e severamente analisada, peca por essa base essencial. Pode-se compreend\u00ea-la na cren\u00e7a dos povos atrasados que, por n\u00e3o conhecerem os atributos de Deus, cr\u00eaem em divindades maldosas e em dem\u00f4nios. Mas, para todo aquele que faz da bondade de Deus um atributo por excel\u00eancia, \u00e9 il\u00f3gico e contradit\u00f3rio supor que Deus pudesse criar seres voltados ao mal e destinados a pratic\u00e1-lo perpetuamente, porque isso \u00e9 negar Sua bondade. Os partid\u00e1rios do dem\u00f4nio se ap\u00f3iam nas palavras do Cristo. E com toda certeza n\u00e3o contestaremos aqui a autoridade de Seu ensinamento, que gostar\u00edamos de ver mais no cora\u00e7\u00e3o do que na boca dos homens. Mas os partid\u00e1rios dessa id\u00e9ia estar\u00e3o certos do significado que o Cristo dava \u00e0 palavra dem\u00f4nio? J\u00e1 n\u00e3o sabemos que a forma aleg\u00f3rica \u00e9 a maneira usual de Sua linguagem? Tudo que \u00e9 dito no Evangelho deve ser tomado ao p\u00e9 da letra? N\u00e3o precisamos de outra prova mais evidente al\u00e9m desta passagem: <\/em><\/p>\n<p><em>\u201c<\/em>Logo ap\u00f3s esses dias de afli\u00e7\u00e3o, o Sol se <em>escurecer\u00e1<\/em> e a Lua <em>n\u00e3o mais iluminar\u00e1<\/em>, as estrelas <em>cair\u00e3o do c\u00e9u <\/em>e as for\u00e7as do c\u00e9u <em>ser\u00e3o abaladas<\/em>. Eu vos digo em verdade que<em> esta gera\u00e7\u00e3o <\/em>n\u00e3o passar\u00e1 sem que todas essas coisas <em>sejam cumpridas.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o vimos a forma do texto b\u00edblico ser contestada pela ci\u00eancia no que se refere \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o e ao movimento da Terra? N\u00e3o se dar\u00e1 o mesmo com certas figuras empregadas pelo Cristo, tendo que falar em conformidade com os tempos e os lugares? O Cristo n\u00e3o poderia dizer, conscientemente, uma falsidade; se, ent\u00e3o, em suas palavras h\u00e1 coisas que parecem chocar a raz\u00e3o, \u00e9 porque n\u00e3o as compreendemos ou as interpretamos mal. <\/em><\/p>\n<p><em>Os homens fizeram com os dem\u00f4nios o que fizeram com os anjos. Da mesma forma que acreditaram na exist\u00eancia de seres perfeitos desde toda a eternidade, tomaram tamb\u00e9m por compara\u00e7\u00e3o os Esp\u00edritos inferiores como seres perpetuamente maus. Pela palavra dem\u00f4nio devem-se entender Esp\u00edritos impuros que, muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o nada melhores do que o nome j\u00e1 diz, mas com a diferen\u00e7a de que seu estado \u00e9 apenas transit\u00f3rio. Esses s\u00e3o os Esp\u00edritos imperfeitos que se revoltam contra as provas que sofrem e, por isso, as sofrem por um tempo mais longo; por\u00e9m, chegar\u00e3o a se libertar e sair dessa situa\u00e7\u00e3o quando tiverem vontade. Podemos, portanto, compreender a palavra <\/em>dem\u00f4nio<em> com essa restri\u00e7\u00e3o. Mas, como se entende agora, com um sentido peculiar e muito pr\u00f3prio, ela induziria ao erro, fazendo acreditar na exist\u00eancia de seres especialmente criados para o mal. <\/em><\/p>\n<p><em>Com rela\u00e7\u00e3o a Satan\u00e1s, \u00e9 evidentemente a personifica\u00e7\u00e3o do mal sob uma forma aleg\u00f3rica, porque n\u00e3o se poderia admitir um ser mau lutando em igualdade de poder com a Divindade e cuja \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o seria a de contrariar seus des\u00edgnios. Como o homem precisa de figuras e imagens para impressionar sua imagina\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio homem pintou seres incorp\u00f3reos sob uma forma material, com os atributos que lembram as qualidades e os defeitos humanos. \u00c9 assim que os antigos, querendo personificar o Tempo, pintaram-no na figura de um velho com uma foice e uma ampulheta. A figura de um jovem para essa alegoria seria um contra-senso. Ocorre o mesmo com as alegorias da fortuna, da verdade, etc. Modernamente os anjos ou Esp\u00edritos puros s\u00e3o representados numa figura radiosa, com asas brancas, s\u00edmbolo da pureza; Satan\u00e1s com chifres, garras e os atributos da animalidade, emblema das paix\u00f5es inferiores. O povo, que toma as coisas ao p\u00e9 da letra, viu nesses emblemas individualidades reais, como antigamente viu Saturno na alegoria do Tempo. <\/em><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Ubiq\u00fcidade<\/strong>: capacidade de estar em v\u00e1rios lugares ao mesmo tempo. \u00c9 um atributo de Esp\u00edritos de grande evolu\u00e7\u00e3o (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Perisperma<\/strong>: revestimento fino que envolve a parte da semente da qual se formar\u00e1 a planta (N. E.).<\/li>\n<li>\u00c0 frente, na quest\u00e3o 258 e seguintes, est\u00e1 explicada a id\u00e9ia de como a lei atua para o resgate dos Esp\u00edritos (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Trasgo<\/strong>: Esp\u00edrito elementar (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Fieira<\/strong>: experi\u00eancia pela qual algu\u00e9m passou (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Obsess\u00e3o<\/strong>: neste caso, influ\u00eancia de um Esp\u00edrito desencarnado, mal\u00e9volo, sobre um encarnado. H\u00e1 outras formas de obsess\u00e3o \u2013 Veja <em>O Livro dos M\u00e9diuns<\/em>, Segunda Parte, cap. 23 Da Obsess\u00e3o \u2013 (N. E.).<\/li>\n<li>Compare com a quest\u00e3o 101, referente \u00e0 id\u00e9ia de sofrimento e puni\u00e7\u00e3o (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte Segunda \u2013 Mundo esp\u00edrita ou dos esp\u00edritos Cap\u00edtulo 1 \u2013 dos Esp\u00edritos Origem e natureza dos Esp\u00edritos \u2013 Mundo normal primitivo \u2013 Forma e ubiq\u00fcidade dos Esp\u00edritos \u2013 Perisp\u00edrito \u2013 Diferentes ordens de Esp\u00edritos \u2013 Escala esp\u00edrita \u2013 Terceira &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/4-parte-segunda-mundo-espirita-ou-dos-espiritos\/cap-1-76-a-131-dos-espiritos\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4250,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4252","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4252"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4326,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4252\/revisions\/4326"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}