{"id":4260,"date":"2016-06-29T21:57:22","date_gmt":"2016-06-30T00:57:22","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4260"},"modified":"2016-06-29T22:42:43","modified_gmt":"2016-06-30T01:42:43","slug":"cap-5-222-consideracoes-sobre-a-pluralidade-das-existencias","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/4-parte-segunda-mundo-espirita-ou-dos-espiritos\/cap-5-222-consideracoes-sobre-a-pluralidade-das-existencias\/","title":{"rendered":"Cap 05 &#8211; 222 &#8211; considera\u00e7\u00f5es sobre a  pluralidade das exist\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte Segunda \u2013 Cap\u00edtulo 5<\/strong><\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es sobre a Pluralidade das exist\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><strong>222<\/strong> O dogma da reencarna\u00e7\u00e3o, dizem algumas pessoas, n\u00e3o \u00e9 novo; foi tomado de Pit\u00e1goras<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-05.html#1\"><sup>1<\/sup><\/a>. N\u00f3s nunca dissemos que a Doutrina Esp\u00edrita \u00e9 inven\u00e7\u00e3o moderna. Os fatos esp\u00edritas, o Espiritismo, sendo uma lei da natureza, deve existir desde a origem dos tempos, e sempre nos esfor\u00e7amos para provar que se encontram tra\u00e7os dele desde a mais alta Antiguidade. Pit\u00e1goras, como se sabe, n\u00e3o \u00e9 o autor da metempsicose<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-05.html#2\"><sup>2<\/sup><\/a>; ele a tomou dos fil\u00f3sofos indianos e eg\u00edpcios, que a conheciam desde tempos imemoriais. A id\u00e9ia da transmigra\u00e7\u00e3o das almas era uma cren\u00e7a comum, admitida pelos homens mais eminentes. Por qual meio chegou at\u00e9 eles? Foi por revela\u00e7\u00e3o ou por intui\u00e7\u00e3o? N\u00e3o sabemos. Mas, seja como for, uma id\u00e9ia n\u00e3o atravessa os tempos e n\u00e3o \u00e9 aceita por intelig\u00eancias de elite se n\u00e3o tiver algo de s\u00e9rio. A antiguidade dessa doutrina seria mais uma prova a seu favor do que uma obje\u00e7\u00e3o. Todavia, entre a metempsicose dos antigos e a doutrina moderna da reencarna\u00e7\u00e3o h\u00e1, como se sabe, uma grande diferen\u00e7a que os Esp\u00edritos rejeitam de maneira mais absoluta. \u00c9 a da transmigra\u00e7\u00e3o da alma do homem para os animais e vice-versa.<\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos, ao ensinarem o dogma da pluralidade das exist\u00eancias corporais, renovam, portanto, uma doutrina proveniente das primeiras idades do mundo e que se conservou at\u00e9 nossos dias no pensamento \u00edntimo de muitas pessoas. Os Esp\u00edritos apenas a apresentam sob um ponto de vista racional, mais de acordo com as leis progressivas da natureza e mais em harmonia com a sabedoria do Criador, livre de todos os acess\u00f3rios da supersti\u00e7\u00e3o. Uma circunst\u00e2ncia digna de nota \u00e9 que n\u00e3o foi apenas neste livro que os Esp\u00edritos a ensinaram nos \u00faltimos tempos: j\u00e1 antes da sua publica\u00e7\u00e3o, numerosas comunica\u00e7\u00f5es semelhantes haviam sido obtidas em diversos pa\u00edses e depois se multiplicaram de forma extraordin\u00e1ria. Seria talvez o caso de examinarmos aqui as raz\u00f5es por que todos os Esp\u00edritos n\u00e3o parecem estar de acordo sobre esta quest\u00e3o. Mais \u00e0 frente voltaremos a esse assunto.<\/p>\n<p>Examinemos a quest\u00e3o sob outro ponto de vista e fa\u00e7amos uma separa\u00e7\u00e3o, deixando de lado toda interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos por enquanto. Suponhamos que esta teoria n\u00e3o foi dada por eles, e que at\u00e9 mesmo nunca se abordou esta quest\u00e3o com os Esp\u00edritos. Coloquemo-nos, momentaneamente, num terreno neutro, admitindo o mesmo grau de probabilidade para uma e outra hip\u00f3tese, isto \u00e9, a pluralidade e a unicidade das exist\u00eancias corporais. Vejamos para qual lado nos guiar\u00e1 o nosso interesse e a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Certas pessoas rejeitam a id\u00e9ia da reencarna\u00e7\u00e3o pelo \u00fanico motivo de que ela n\u00e3o lhes conv\u00e9m, dizendo ser-lhes suficiente uma s\u00f3 exist\u00eancia e que n\u00e3o gostariam de recome\u00e7ar outra parecida. Reconhecemos que o simples pensamento de reaparecer na Terra as faz pular de furor. \u00c9 compreens\u00edvel que o simples pensamento de terem de reaparecer na Terra as fa\u00e7a ficar furiosas. Mas a estes conv\u00e9m apenas lembrar se acaso Deus, para reger o universo, tenha que pedir-lhes conselho ou consultar seus gostos. Portanto, de duas coisas, uma: ou a reencarna\u00e7\u00e3o existe ou n\u00e3o existe. Se existe, embora as contrarie, ser\u00e1 preciso enfrent\u00e1-la sem que Deus lhes pe\u00e7a permiss\u00e3o para isso. Essas pessoas parecem-se com um doente que diz: \u201cSofri o bastante por hoje, n\u00e3o quero mais sofrer amanh\u00e3\u201d. Mas, apesar de seu mau humor, n\u00e3o ter\u00e1, por isso, que sofrer menos amanh\u00e3 e nos dias seguintes, at\u00e9 que esteja curado. Portanto, se tiverem de viver de novo, corporalmente, reviver\u00e3o, reencarnar\u00e3o. Protestar\u00e3o inutilmente, como a crian\u00e7a que n\u00e3o quer ir \u00e0 escola ou o condenado, para a pris\u00e3o. Ser\u00e1 preciso que passem por isso. Obje\u00e7\u00f5es semelhantes s\u00e3o muito ing\u00eanuas para merecer um exame mais s\u00e9rio. Diremos, entretanto, para tranq\u00fciliz\u00e1-las, que o que a Doutrina Esp\u00edrita ensina sobre a reencarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o terr\u00edvel quanto lhes parece; se a estudassem a fundo, n\u00e3o ficariam t\u00e3o assustadas, saberiam que a condi\u00e7\u00e3o dessa nova exist\u00eancia depende delas; ser\u00e3o felizes ou infelizes de acordo com o que tiverem feito aqui na Terra e podem, a partir dessa vida, se elevar t\u00e3o alto que n\u00e3o temer\u00e3o mais a queda no loda\u00e7al.<\/p>\n<p>Supomos falar a pessoas que acreditem num futuro qualquer depois da morte e n\u00e3o \u00e0quelas que tomam o nada por perspectiva ou que querem fazer desaparecer sua alma num todo universal, sem individualidade, exatamente como as gotas de chuva somem no oceano. Se, portanto, acreditais num futuro qualquer, n\u00e3o admitireis, sem d\u00favida, que seja o mesmo para todos, porque, sen\u00e3o, onde estaria a utilidade do bem? Por que se reprimir? Por que n\u00e3o satisfazer a todas as paix\u00f5es, todos os desejos, mesmo \u00e0 custa dos outros, uma vez que por isso n\u00e3o se ficaria nem melhor nem pior? Credes, ao contr\u00e1rio disso, que esse futuro ser\u00e1 mais ou menos feliz ou infeliz, de acordo com o que tivermos feito durante a vida? Tendes a esperan\u00e7a de que seja t\u00e3o feliz quanto poss\u00edvel, uma vez que \u00e9 pela eternidade? Ter\u00edeis, por acaso, a pretens\u00e3o de vos considerar um dentre os homens mais perfeitos que j\u00e1 existiram sobre a Terra e de ter, assim, o direito de alcan\u00e7ar imediatamente a felicidade suprema dos eleitos? N\u00e3o. Admitis que existem homens com valores maiores do que os vossos e que t\u00eam o direito a um lugar melhor, sem que com isso estejais entre os condenados. Pois bem! Colocai-vos mentalmente por um instante nessa situa\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria que seria a vossa, como acabastes de reconhecer, e imaginai que algu\u00e9m venha vos dizer: \u201cSofreis, n\u00e3o sois t\u00e3o felizes quanto poder\u00edeis ser, enquanto tendes diante de v\u00f3s seres que desfrutam de uma felicidade perfeita; quereis mudar vossa posi\u00e7\u00e3o com a deles?\u201d Sem d\u00favida, direis: \u201cQue \u00e9 preciso fazer?\u201d \u201cMuito pouco, muito simples. Recome\u00e7ar o que fizestes mal e procurar faz\u00ea-lo melhor\u201d. Hesitar\u00edeis em aceitar esta proposta mesmo a pre\u00e7o de muitas exist\u00eancias de prova\u00e7\u00f5es? Fa\u00e7amos outra compara\u00e7\u00e3o simples. Se viessem dizer a um homem que, embora n\u00e3o estando entre os \u00faltimos dos miser\u00e1veis, sofresse priva\u00e7\u00f5es pela escassez de seus recursos: \u201cEis ali uma imensa fortuna, podeis dela desfrutar, sendo preciso para isso trabalhar arduamente durante um minuto\u201d. Mesmo o mais pregui\u00e7oso da Terra diria sem hesitar: \u201cTrabalharei um minuto, dois, uma hora ou um dia se for preciso; que importa isso, se vou terminar minha vida na abund\u00e2ncia?\u201d Portanto, o que \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o da vida corp\u00f3rea perante a eternidade? Menos de um minuto, menos de um segundo.<\/p>\n<p>Temos visto algumas pessoas raciocinarem deste modo: Deus, que \u00e9 soberanamente bom, n\u00e3o pode impor ao homem recome\u00e7ar uma s\u00e9rie de mis\u00e9rias e dificuldades. Por acaso, consideram essas pessoas que h\u00e1 em Deus mais justi\u00e7a e bondade quando condena o homem a um sofrimento perp\u00e9tuo, por alguns momentos de erro, do que quando lhe d\u00e1 os meios de reparar suas faltas? Dois industriais tinham, cada um, um oper\u00e1rio que podia aspirar a tornar-se s\u00f3cio da empresa. Aconteceu que esses dois trabalhadores empregaram certa vez muito mal o dia de trabalho e mereciam ambos ser despedidos. Um dos patr\u00f5es despediu o oper\u00e1rio, apesar de suas s\u00faplicas, e este, n\u00e3o tendo mais encontrado trabalho, morreu na mis\u00e9ria. O outro disse ao seu empregado: \u201cPerdeste um dia de servi\u00e7o, tu me deves um outro como recompensa. Fizeste mal o teu trabalho, me deves a repara\u00e7\u00e3o; eu te permito recome\u00e7ar, trata de o fazer bem e eu te conservarei, e poder\u00e1s sempre aspirar \u00e0 posi\u00e7\u00e3o superior que te prometi\u201d. \u00c9 necess\u00e1rio perguntar qual dos dois patr\u00f5es foi o mais humano? Deus, que \u00e9 a pr\u00f3pria clem\u00eancia, seria mais impiedoso do que um homem?<\/p>\n<p>O pensamento de que nosso destino est\u00e1 fixado para sempre em raz\u00e3o de alguns anos de prova\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo quando n\u00e3o tenha dependido de n\u00f3s alcan\u00e7ar a perfei\u00e7\u00e3o na Terra, tem algo de desanimador, enquanto a id\u00e9ia oposta \u00e9 eminentemente consoladora, porque nos d\u00e1 a esperan\u00e7a. Desse modo, sem nos pronunciarmos a favor ou contra a pluralidade das exist\u00eancias, sem dar prefer\u00eancia a uma hip\u00f3tese ou outra, diremos que, se fosse dado ao homem o direito de escolha, n\u00e3o haveria ningu\u00e9m que preferisse um julgamento sem apela\u00e7\u00e3o. Um fil\u00f3sofo disse que se Deus n\u00e3o existisse, seria preciso invent\u00e1-lo para a felicidade dos seres humanos<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-05.html#3\"><sup>3<\/sup><\/a>. O mesmo se pode dizer da pluralidade das exist\u00eancias.<\/p>\n<p>Mas, como j\u00e1 ficou dito, Deus n\u00e3o pede nossa permiss\u00e3o; n\u00e3o consulta nossa vontade. Ou isto \u00e9, ou n\u00e3o \u00e9. Vejamos de que lado est\u00e3o as probabilidades e tomemos a quest\u00e3o sob um outro ponto de vista, deixando outra vez de lado o ensinamento dos Esp\u00edritos para analis\u00e1-la, unicamente, como estudo filos\u00f3fico.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o existe reencarna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o uma exist\u00eancia corporal; isso \u00e9 evidente. Se nossa exist\u00eancia corporal atual \u00e9 a \u00fanica, a alma de cada homem \u00e9 criada no momento do seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da alma e, nesse caso, se perguntar\u00e1 qual foi o estado da alma antes de seu nascimento e se esse estado n\u00e3o constitu\u00eda, por si s\u00f3, uma exist\u00eancia sob uma forma qualquer. N\u00e3o h\u00e1 meio-termo poss\u00edvel: ou a alma existia ou n\u00e3o existia antes do corpo. Se existia, qual era sua situa\u00e7\u00e3o? Ela tinha ou n\u00e3o consci\u00eancia de si mesma? Se n\u00e3o tinha, \u00e9 como se n\u00e3o existisse. Se tinha individualidade, era progressiva ou estacion\u00e1ria? Tanto num caso como no outro, em que grau se achava ao tomar o corpo? Ao admitir, de acordo com a cren\u00e7a popular, que a alma nasce com o corpo, ou, o que vem a dar no mesmo, que antes de sua encarna\u00e7\u00e3o tinha apenas qualidades negativas, fazemos as seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>Por que a alma mostra aptid\u00f5es t\u00e3o diversas e independentes das id\u00e9ias adquiridas pela educa\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>De onde vem a aptid\u00e3o extranormal de certas crian\u00e7as de tenra idade para determinada arte ou ci\u00eancia, enquanto outras permanecem inferiores ou med\u00edocres por toda a vida?<\/li>\n<li>De onde v\u00eam, em uns, as id\u00e9ias inatas ou intuitivas que n\u00e3o existem em outros?<\/li>\n<li>De onde v\u00eam, em algumas crian\u00e7as, esses instintos precoces de v\u00edcios ou de virtudes, esses sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, que contrastam com o meio em que nasceram?<\/li>\n<li>Por que certos homens, independentemente da educa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mais avan\u00e7ados que outros?<\/li>\n<li>Por que h\u00e1 selvagens e homens civilizados? Se tomardes uma crian\u00e7a hotentote<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-05.html#4\"><sup>4<\/sup><\/a> rec\u00e9m-nascida e a educardes nas escolas mais renomadas, fareis dela algum dia um Laplace<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-05.html#5\"><sup>5<\/sup><\/a> ou um Newton<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-05.html#6\"><sup>6<\/sup><\/a>?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Perguntamos: qual \u00e9 a filosofia ou a teosofia<sup>7<\/sup>que pode resolver esses problemas? Ou as almas s\u00e3o iguais no seu nascimento, ou s\u00e3o desiguais, n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida disso. Se s\u00e3o iguais, por que s\u00e3o t\u00e3o diversas as suas aptid\u00f5es? Dir\u00e3o que isso depende do organismo. Nesse caso, ent\u00e3o seria a mais monstruosa e mais imoral das doutrinas. O homem seria apenas uma m\u00e1quina, o joguete da mat\u00e9ria, e assim n\u00e3o teria mais as responsabilidades por seus atos, pois poderia atribuir tudo \u00e0s suas imperfei\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. Se s\u00e3o desiguais as almas, \u00e9 porque Deus as criou assim; mas, ent\u00e3o, por que essa superioridade inata concedida a alguns? Estar\u00e1 essa parcialidade, esse favorecimento de acordo com a Sua justi\u00e7a e com o amor igual que dedica a todas as criaturas?<\/p>\n<p>Admitamos, ao contr\u00e1rio, uma sucess\u00e3o de exist\u00eancias anteriores progressivas para cada alma e tudo estar\u00e1 claramente explicado. Os homens trazem ao nascer a intui\u00e7\u00e3o do que adquiriram em vidas anteriores; s\u00e3o mais ou menos avan\u00e7ados de acordo com o n\u00famero de exist\u00eancias por que passaram, conforme estejam mais ou menos distantes do ponto de partida, exatamente como numa reuni\u00e3o de indiv\u00edduos de todas as idades, em que cada um ter\u00e1 um desenvolvimento proporcional ao n\u00famero de anos que tiver vivido. As exist\u00eancias sucessivas ser\u00e3o, para a vida da alma, o que os anos s\u00e3o para a vida do corpo. Reuni de uma vez mil indiv\u00edduos, de um a oitenta anos. Imaginai que um v\u00e9u seja lan\u00e7ado sobre todos os dias que ficaram para tr\u00e1s, e que, em vossa ignor\u00e2ncia, os acreditais nascidos todos no mesmo dia: perguntareis naturalmente como uns podem ser grandes e outros pequenos, uns velhos e outros jovens, uns instru\u00eddos e outros ainda ignorantes. Mas se o v\u00e9u que esconde o passado se dissipar, se chegardes a saber que todos viveram um tempo mais ou menos longo, tudo se explicar\u00e1. Deus, em Sua justi\u00e7a, n\u00e3o podia ter criado almas mais perfeitas e outras menos perfeitas; mas, com a pluralidade das exist\u00eancias, a desigualdade, as diferen\u00e7as e diverg\u00eancias da vida n\u00e3o tem nada contr\u00e1rio \u00e0 mais rigorosa justi\u00e7a: pois vemos apenas o presente, n\u00e3o o passado. Este racioc\u00ednio se baseia em algum sistema ou \u00e9 uma suposi\u00e7\u00e3o gratuita? N\u00e3o. Partimos de um fato patente, incontest\u00e1vel: a desigualdade das qualidades, das aptid\u00f5es e do desenvolvimento intelectual e moral, e verificamos que esse fato \u00e9 inexplic\u00e1vel por todas as teorias correntes; enquanto a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples, natural e l\u00f3gica por uma outra teoria. \u00c9 racional preferir as que n\u00e3o explicam \u00e0quela que explica?<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexta quest\u00e3o, sem d\u00favida se dir\u00e1 que o hotentote \u00e9 de uma ra\u00e7a inferior. Ent\u00e3o perguntaremos se o hotentote \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 um homem. Se \u00e9 um homem, por que Deus o fez, e \u00e0 sua ra\u00e7a, deserdados de privil\u00e9gios concedidos \u00e0 ra\u00e7a cauc\u00e1sica<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-05.html#8\"><sup>8<\/sup><\/a>? Se n\u00e3o \u00e9 um homem, por que procurar faz\u00ea-lo crist\u00e3o? A Doutrina Esp\u00edrita \u00e9 mais ampla que tudo isso; para ela n\u00e3o h\u00e1 diversas esp\u00e9cies de homens, h\u00e1 apenas homens cujos Esp\u00edritos est\u00e3o mais ou menos atrasados, todos, por\u00e9m, suscet\u00edveis de progredir. N\u00e3o est\u00e1, este princ\u00edpio, mais de acordo com a justi\u00e7a de Deus?<\/p>\n<p>Acabamos de avaliar as condi\u00e7\u00f5es da alma quanto ao passado e ao presente. Se n\u00f3s a considerarmos numa proje\u00e7\u00e3o quanto ao seu futuro, encontraremos as mesmas dificuldades.<\/p>\n<ol>\n<li>Se nossa exist\u00eancia atual \u00e9 \u00fanica, deve decidir a nossa destina\u00e7\u00e3o vindoura. Qual \u00e9, ent\u00e3o, na vida futura, a posi\u00e7\u00e3o respectiva do selvagem e do homem civilizado? Estar\u00e3o no mesmo plano ou estar\u00e3o distanciados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade eterna?<\/li>\n<li>O homem que trabalhou durante toda a vida para se aperfei\u00e7oar estar\u00e1 na mesma posi\u00e7\u00e3o daquele que permaneceu inferior, n\u00e3o por sua culpa, mas porque n\u00e3o teve tempo nem oportunidade de se aperfei\u00e7oar?<\/li>\n<li>O homem que praticou o mal, porque n\u00e3o p\u00f4de se esclarecer, ser\u00e1 culpado por um estado de coisas que n\u00e3o dependeram dele?<\/li>\n<li>Trabalha-se para esclarecer os homens, para moraliz\u00e1-los, civiliz\u00e1-los; mas, para cada um que se esclare\u00e7a, h\u00e1 milh\u00f5es de outros que morrem a cada dia antes que a luz chegue at\u00e9 eles. Qual ser\u00e1 o fim deles? Ser\u00e3o tratados como condenados? Se n\u00e3o forem, o que fizeram para merecer estar na mesma posi\u00e7\u00e3o que os outros?<\/li>\n<li>Qual \u00e9 o destino das crian\u00e7as que morrem em tenra idade e que n\u00e3o puderam, por isso, fazer o bem nem o mal? Se ficarem entre os eleitos, por que esse favorecimento, sem terem feito nada para merec\u00ea-lo? Por qual privil\u00e9gio se livraram das dificuldades da vida?<\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1 alguma doutrina capaz de esclarecer essas quest\u00f5es?<\/p>\n<p>Admiti as exist\u00eancias consecutivas e tudo estar\u00e1 explicado de acordo com a justi\u00e7a de Deus. O que n\u00e3o puder ser feito numa exist\u00eancia se far\u00e1 em outra. \u00c9 assim que ningu\u00e9m escapa \u00e0 lei do progresso. Cada um ser\u00e1 recompensado de acordo com seu m\u00e9rito real e ningu\u00e9m \u00e9 exclu\u00eddo da felicidade suprema, a que pode pretender, sejam quais forem os obst\u00e1culos que venha a encontrar no caminho.<\/p>\n<p>Essas quest\u00f5es poderiam ser multiplicadas ao infinito, porque s\u00e3o in\u00fameros os problemas psicol\u00f3gicos e morais que s\u00f3 encontram solu\u00e7\u00e3o na pluralidade das exist\u00eancias. Limitamo-nos apenas \u00e0 observa\u00e7\u00e3o dos mais comuns. Poder\u00e3o tamb\u00e9m dizer que a doutrina da reencarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 admitida pela Igreja, porque ela seria a subvers\u00e3o da religi\u00e3o. Nosso objetivo n\u00e3o \u00e9 tratar dessa quest\u00e3o neste momento; basta-nos ter demonstrado que a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 eminentemente moral e racional. Portanto, o que \u00e9 moral e racional n\u00e3o pode ser contr\u00e1rio a uma religi\u00e3o que proclama ser Deus a bondade e a raz\u00e3o por excel\u00eancia. Que teria sido da religi\u00e3o se, contra a opini\u00e3o universal e a comprova\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, se houvesse posicionado contra a evid\u00eancia e tivesse expulsado de seu seio todos os que n\u00e3o acreditassem no movimento do Sol ou nos seis dias da cria\u00e7\u00e3o? Que cr\u00e9dito mereceria e que autoridade teria, entre os povos mais esclarecidos, uma religi\u00e3o fundada em erros not\u00f3rios que fossem impostos como artigos de f\u00e9? Quando a evid\u00eancia foi comprovada, a Igreja se colocou sabiamente ao lado do que era evidente. Se est\u00e1 provado que existem coisas imposs\u00edveis sem a reencarna\u00e7\u00e3o e que certos pontos do dogma somente podem ser explicados por ela, \u00e9 preciso admitir e reconhecer que a discord\u00e2ncia entre essa doutrina e os dogmas \u00e9 apenas aparente. Mais adiante mostraremos que a religi\u00e3o est\u00e1 menos distanciada do que se pensa da doutrina das vidas sucessivas e que se a aceitasse n\u00e3o sofreria maiores danos do que j\u00e1 sofreu com a descoberta do movimento da Terra e dos per\u00edodos geol\u00f3gicos que, \u00e0 primeira vista, pareceram desmentir os textos b\u00edblicos. O princ\u00edpio da reencarna\u00e7\u00e3o ressalta, ali\u00e1s, em muitas passagens das Escrituras, e se encontra notavelmente formulado de maneira clara e inequ\u00edvoca no Evangelho:<\/p>\n<p>\u201cQuando desciam do monte (ap\u00f3s a transfigura\u00e7\u00e3o), Jesus lhes ordenou: \u2018N\u00e3o faleis a ningu\u00e9m o que acabastes de ver, at\u00e9 que o filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos\u2019. Seus disc\u00edpulos o interrogaram, ent\u00e3o, dizendo: \u2018Por que os escribas dizem que \u00e9 preciso que Elias venha primeiro?\u2019 Mas Jesus lhes respondeu: \u2018\u00c9 verdade que Elias deve vir e que restabelecer\u00e1 todas as coisas. Mas eu vos declaro que Elias j\u00e1 veio, e eles n\u00e3o o conheceram, mas o fizeram sofrer como quiseram. \u00c9 assim que far\u00e3o morrer o filho do homem.\u2019 Ent\u00e3o seus disc\u00edpulos entenderam que era de Jo\u00e3o Batista que ele lhes falava\u201d (Mateus, cap. 17).<\/p>\n<p>Uma vez que Jo\u00e3o Batista era Elias, deve ter ocorrido a reencarna\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito ou da alma de Elias no corpo de Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n<p>Qualquer que seja, enfim, a opini\u00e3o que se tenha da reencarna\u00e7\u00e3o, quer a aceitemos ou n\u00e3o, todos teremos de passar por ela, caso ela exista, apesar de toda cren\u00e7a contr\u00e1ria. O ponto essencial \u00e9 que o ensina mento dos Esp\u00edritos \u00e9 eminentemente crist\u00e3o. Ap\u00f3ia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justi\u00e7a de Deus, no livre-arb\u00edtrio do homem, na moral do Cristo e, portanto, n\u00e3o \u00e9 anti-religioso.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora argumentamos, como dissemos, pondo de lado todo ensinamento esp\u00edrita que, para algumas pessoas, n\u00e3o tem autoridade. Se n\u00f3s, assim como muitos outros, adotamos a opini\u00e3o da pluralidade das exist\u00eancias, n\u00e3o \u00e9 apenas porque o ensinamento tenha vindo dos Esp\u00edritos. \u00c9 porque esta Doutrina nos pareceu a mais l\u00f3gica e porque s\u00f3 ela resolve quest\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o insol\u00faveis.<\/p>\n<p>Mesmo se fosse da autoria de um simples mortal, n\u00f3s a ter\u00edamos igualmente adotado e n\u00e3o hesitar\u00edamos nem mais um segundo em renunciar \u00e0s nossas pr\u00f3prias id\u00e9ias. No momento em que um erro \u00e9 demonstrado, o amor-pr\u00f3prio tem mais a perder do que a ganhar ao se manter teimosamente numa id\u00e9ia falsa. Da mesma forma, n\u00f3s a ter\u00edamos rejeitado, mesmo que tivesse vindo dos Esp\u00edritos, se nos parecesse contr\u00e1ria \u00e0 raz\u00e3o, assim como negamos muitas outras; porque sabemos, por experi\u00eancia, que n\u00e3o devemos aceitar cegamente tudo o que vem da parte deles, da mesma maneira que n\u00e3o se deve aceitar tudo que vem da parte dos homens. A maior distin\u00e7\u00e3o, o primeiro t\u00edtulo, que para n\u00f3s recomenda a id\u00e9ia da reencarna\u00e7\u00e3o, antes de tudo, \u00e9 o de ser l\u00f3gica. Mas existe uma outra, que \u00e9 o de ser confirmada pelos fatos: fatos positivos e, por assim dizer, materiais, que um estudo atento e racional pode revelar a qualquer um que se d\u00ea ao trabalho de observar com paci\u00eancia e perseveran\u00e7a, diante dos quais n\u00e3o pairam mais d\u00favidas. Quando esses fatos se popularizarem, como os da forma\u00e7\u00e3o e do movimento da Terra, ser\u00e1 preciso render-se \u00e0 evid\u00eancia e os opositores ter\u00e3o gasto em v\u00e3o os argumentos contr\u00e1rios.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7amos, em resumo, que a doutrina da pluralidade das exist\u00eancias \u00e9 a \u00fanica que explica o que, sem ela, \u00e9 inexplic\u00e1vel. Que \u00e9 eminentemente consoladora e est\u00e1 em harmonia com a mais rigorosa justi\u00e7a e \u00e9, para o homem, a \u00e2ncora de salva\u00e7\u00e3o que Deus lhe deu na Sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo as palavras de Jesus n\u00e3o podem deixar d\u00favida sobre este assunto. Eis o que \u00e9 dito no Evangelho de Jo\u00e3o, cap. 3:<\/p>\n<ol>\n<li>Jesus, respondendo a Nicodemos, disse: \u201cEm verdade, em verdade te digo que se um homem n\u00e3o nasce de novo, n\u00e3o pode ver o reino de Deus\u201d.<\/li>\n<li>Nicodemos lhe disse: \u201cComo um homem pode nascer sendo j\u00e1 velho? Pode ele entrar no ventre de sua m\u00e3e e nascer uma segunda vez?\u201d<\/li>\n<li>Jesus respondeu: \u201cEm verdade, em verdade te digo que se um homem n\u00e3o renascer da \u00e1gua e do esp\u00edrito, n\u00e3o pode entrar no reino de Deus. O que nasceu da carne \u00e9 carne, e o que nasceu do Esp\u00edrito \u00e9 Esp\u00edrito. N\u00e3o te espantes com o que te disse: Necess\u00e1rio vos \u00e9 nascer de novo\u201d. (Veja a seguir a quest\u00e3o 1010, \u201cRessurrei\u00e7\u00e3o da carne\u201d).<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li><strong>Pit\u00e1goras<\/strong>: fil\u00f3sofo e matem\u00e1tico grego, viveu cerca de 500 ou 600 anos a.C. (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Metempsicose<\/strong>: doutrina segundo a qual a mesma alma pode animar, em vidas sucessivas, corpos diversos: vegetais, animais ou homens (N. E.).<\/li>\n<li>O fil\u00f3sofo que fez essa afirma\u00e7\u00e3o foi Voltaire (1694-1778), poeta, literato e fil\u00f3sofo franc\u00eas (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Hotentote<\/strong>: natural ou habitante da Hotent\u00f3tia, \u00c1frica; ra\u00e7a negra, primitiva (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Laplace<\/strong>: Pierre Simon Laplace, astr\u00f4nomo, f\u00edsico e matem\u00e1tico franc\u00eas, viveu de 1749 a 1827 (N.E.).<\/li>\n<li><strong>Newton<\/strong>: Isaac Newton, cientista ingl\u00eas. Viveu de 1642 a 1727 (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Teosofia<\/strong>: qualquer doutrina religiosa e filos\u00f3fica que procura explicar e integrar Deus e o homem (N.E.).<\/li>\n<li><strong>Ra\u00e7a cauc\u00e1sica<\/strong>: pertencente ou relativo ao C\u00e1ucaso. Habitantes do norte da R\u00fassia, chamados russos brancos; a ra\u00e7a branca \u00e9 tamb\u00e9m chamada ra\u00e7a cauc\u00e1sica (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte Segunda \u2013 Cap\u00edtulo 5 Considera\u00e7\u00f5es sobre a Pluralidade das exist\u00eancias 222 O dogma da reencarna\u00e7\u00e3o, dizem algumas pessoas, n\u00e3o \u00e9 novo; foi tomado de Pit\u00e1goras1. N\u00f3s nunca dissemos que a Doutrina Esp\u00edrita \u00e9 inven\u00e7\u00e3o moderna. 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