{"id":4264,"date":"2016-06-29T21:59:04","date_gmt":"2016-06-30T00:59:04","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4264"},"modified":"2016-06-29T22:44:04","modified_gmt":"2016-06-30T01:44:04","slug":"cap-7-330-a-399-retorno-a-vida-corporal","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/4-parte-segunda-mundo-espirita-ou-dos-espiritos\/cap-7-330-a-399-retorno-a-vida-corporal\/","title":{"rendered":"Cap 07 &#8211; 330 a 399 &#8211; retorno \u00e0 vida corporal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte Segunda \u2013 Cap\u00edtulo 7<\/strong><\/p>\n<p><strong>Retorno \u00e0 vida corporal<\/strong><\/p>\n<p>Prel\u00fadio do retorno \u2013 Uni\u00e3o da alma e do corpo. Aborto \u2013 Faculdades morais e intelectuais do homem \u2013 Influ\u00eancia do organismo \u2013 Os deficientes mentais e a loucura \u2013 Inf\u00e2ncia \u2013 Simpatias e antipatias terrenas \u2013 Esquecimento do passado<\/p>\n<p><strong>Prel\u00fadio do retorno<\/strong><\/p>\n<p><strong>330 Os Esp\u00edritos conhecem a \u00e9poca em que reencarnar\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eles a pressentem, assim como um cego sente o fogo quando dele se aproxima. Sabem que devem retornar a um corpo como sabeis que um dia deveis morrer, mas n\u00e3o sabem quando isso vai acontecer. (Veja, nesta obra, a quest\u00e3o 166.)<\/p>\n<p><strong>330 a A reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, uma necessidade da vida esp\u00edrita, assim como a morte \u00e9 uma necessidade da vida corporal? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Certamente. \u00c9 exatamente assim.<\/p>\n<p><strong>331 Todos os Esp\u00edritos se preocupam com sua reencarna\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 muitos que nem mesmo pensam nisso, nem a compreendem; isso depende de sua natureza mais ou menos avan\u00e7ada. Para alguns, a incerteza quanto ao futuro \u00e9 uma puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>332 O Esp\u00edrito pode antecipar ou retardar o momento de sua reencarna\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pode antecip\u00e1-lo, solicitando-o em suas preces. Pode tamb\u00e9m retard\u00e1-lo, recuar diante da prova, porque entre os Esp\u00edritos h\u00e1 tamb\u00e9m os covardes e os indiferentes, mas n\u00e3o o fazem impunemente. Ele sofre, como quem recua diante do rem\u00e9dio salutar que pode cur\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>333 Se um Esp\u00edrito se encontrasse bastante feliz por estar numa condi\u00e7\u00e3o mediana na espiritualidade e se n\u00e3o tivesse ambi\u00e7\u00e3o de progredir, poderia prolongar esse estado indefinidamente?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. N\u00e3o indefinidamente. Progredir \u00e9 uma necessidade que o Esp\u00edrito sente, cedo ou tarde. Todos devem elevar-se, esse \u00e9 o prop\u00f3sito da destina\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p><strong>334 A uni\u00e3o da alma com este ou aquele corpo \u00e9 predestinada, ou a escolha se faz apenas no \u00faltimo momento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito \u00e9 sempre designado antes. Ao escolher a prova por que deseja passar, pede para encarnar; portanto, Deus, que tudo sabe e tudo v\u00ea, sabe e v\u00ea antecipadamente que alma se unir\u00e1 a qual corpo.<\/p>\n<p><strong>335 O Esp\u00edrito faz a escolha do corpo em que deve encarnar, ou apenas do g\u00eanero de vida que lhe deve servir de prova?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pode escolher o corpo, j\u00e1 que as imperfei\u00e7\u00f5es desse corpo s\u00e3o para ele provas que ajudam no seu adiantamento, se vencer os obst\u00e1culos que a\u00ed encontra. Embora possa pedir, a escolha nem sempre depende dele.<\/p>\n<p><strong>335 a O Esp\u00edrito poderia, no \u00faltimo momento, recusar o corpo escolhido por ele?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se recusasse, sofreria muito mais do que aquele que n\u00e3o tentou nenhuma prova.<\/p>\n<p><strong>336 Poderia acontecer que um corpo que tivesse de nascer n\u00e3o encontrasse Esp\u00edrito para encarnar nele?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deus a isso proveria. Quando a crian\u00e7a deve nascer para viver, est\u00e1 sempre predestinada a ter uma alma; nada foi criado sem finalidade.<\/p>\n<p><strong>337 A uni\u00e3o do Esp\u00edrito com um determinado corpo pode ser imposta pela Provid\u00eancia Divina?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pode ser imposta, bem como as diferentes provas, especialmente quando o Esp\u00edrito ainda n\u00e3o est\u00e1 apto a fazer uma escolha com conhecimento de causa. Como expia\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito pode ser obrigado a se unir ao corpo de uma crian\u00e7a que por seu nascimento e pela posi\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 no mundo poder\u00e3o tornar-se para ele uma puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>338 Se acontecesse de muitos Esp\u00edritos se apresentarem para um mesmo corpo determinado a nascer, o que ficaria decidido entre eles?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muitos podem pedir isso. Julga-se num caso desses quem \u00e9 mais capaz de desempenhar a miss\u00e3o \u00e0 qual a crian\u00e7a est\u00e1 destinada; mas, como j\u00e1 foi dito, o Esp\u00edrito j\u00e1 est\u00e1 designado antes do instante que deve unir-se ao corpo.<\/p>\n<p><strong>339 O momento da encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhado de uma perturba\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que se experimenta ao desencarnar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muito maior e principalmente mais longa. Na morte o Esp\u00edrito sai da escravid\u00e3o; no nascimento, entra nela.<\/p>\n<p><strong>340 O instante em que o Esp\u00edrito deve encarnar \u00e9 para ele solene? Realiza esse ato como uma coisa s\u00e9ria e importante?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 como um navegante que embarca para uma travessia perigosa e n\u00e3o sabe se vai encontrar a morte nas ondas que enfrenta.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O navegante que embarca sabe a que perigos se exp\u00f5e, mas n\u00e3o sabe se naufragar\u00e1; o mesmo acontece com o Esp\u00edrito: ele conhece as provas \u00e0s quais se submete, mas n\u00e3o sabe se fracassar\u00e1. Da mesma forma que para o Esp\u00edrito a morte do corpo \u00e9 como um renascimento, a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de morte, ou melhor, de ex\u00edlio, de clausura. Ele deixa o mundo dos Esp\u00edritos pelo mundo corporal, assim como o homem deixa o mundo corporal pelo mundo dos Esp\u00edritos. O Esp\u00edrito sabe que vai reencarnar, do mesmo modo que o homem sabe que vai morrer. Mas, exatamente como o homem s\u00f3 tem consci\u00eancia da morte no momento extremo, tamb\u00e9m o Esp\u00edrito s\u00f3 tem consci\u00eancia da reencarna\u00e7\u00e3o no momento determinado; ent\u00e3o, nesse momento supremo, a perturba\u00e7\u00e3o se apossa dele e persiste, at\u00e9 que a nova exist\u00eancia esteja totalmente formada. Os momentos que antecedem \u00e0 reencarna\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma esp\u00e9cie de agonia para o Esp\u00edrito. <\/em><\/p>\n<p><strong>341 A incerteza em que se encontra o Esp\u00edrito sobre a eventualidade do sucesso das provas que vai suportar na vida \u00e9 motivo de ansiedade antes de sua encarna\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Uma ansiedade muito grande, uma vez que as provas dessa exist\u00eancia retardar\u00e3o ou adiantar\u00e3o seu progresso, de acordo com o que tiver suportado bem ou mal.<\/p>\n<p><strong>342 No momento de sua reencarna\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito est\u00e1 acompanhado por outros Esp\u00edritos, seus amigos, que v\u00eam assistir \u00e0 sua partida do mundo esp\u00edrita, assim como o recebem quando para l\u00e1 retorna?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso depende da esfera que o Esp\u00edrito habita. Se estiver onde reina a afei\u00e7\u00e3o, os Esp\u00edritos que o amam o acompanham at\u00e9 o \u00faltimo momento, encorajam-no, e muitas vezes at\u00e9 o seguem durante a vida.<\/p>\n<p><strong>343 Os Esp\u00edritos amigos que nos seguem durante a vida s\u00e3o alguns dos que vemos em sonho, que nos demonstram afei\u00e7\u00e3o e se apresentam a n\u00f3s com apar\u00eancias desconhecidas?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muito freq\u00fcentemente s\u00e3o os mesmos. V\u00eam vos visitar, assim como visitais um prisioneiro.<\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o da alma e do corpo. Aborto<\/strong><\/p>\n<p><strong>344 Em que momento a alma se une ao corpo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A uni\u00e3o come\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 se completa no instante do nascimento. No momento da concep\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito designado para habitar determinado corpo se liga a ele por um la\u00e7o flu\u00eddico e vai aumentando essa liga\u00e7\u00e3o cada vez mais, at\u00e9 o instante do nascimento da crian\u00e7a. O grito que sai da crian\u00e7a anuncia que ela se encontra entre os vivos e servidores de Deus.<\/p>\n<p><strong>345 A uni\u00e3o entre o Esp\u00edrito e o corpo \u00e9 definitiva desde o momento da concep\u00e7\u00e3o? Durante esse primeiro per\u00edodo o Esp\u00edrito poderia renunciar ao corpo designado? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A uni\u00e3o \u00e9 definitiva no sentido de que nenhum outro Esp\u00edrito poder\u00e1 substituir o que est\u00e1 designado para aquele corpo. Mas, como os la\u00e7os que o unem s\u00e3o muito fr\u00e1geis, f\u00e1ceis de se romper, podem ser rompidos pela vontade do Esp\u00edrito, se este recuar diante da prova que escolheu; nesse caso, a crian\u00e7a n\u00e3o vive.<\/p>\n<p><strong>346 O que acontece ao Esp\u00edrito, se o corpo que escolheu morre antes de nascer?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Ele escolhe um outro.<\/p>\n<p><strong>346 a Qual \u00e9 a raz\u00e3o dessas mortes prematuras?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 As imperfei\u00e7\u00f5es da mat\u00e9ria s\u00e3o a causa mais freq\u00fcente dessas mortes.<\/p>\n<p><strong>347 Que utilidade pode ter para um Esp\u00edrito sua encarna\u00e7\u00e3o num corpo que morre poucos dias ap\u00f3s seu nascimento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O ser n\u00e3o tem a consci\u00eancia inteiramente desenvolvida de sua exist\u00eancia e a import\u00e2ncia da morte \u00e9 para ele quase nula. \u00c9 muitas vezes, como j\u00e1 dissemos, uma prova para os pais.<\/p>\n<p><strong>348 O Esp\u00edrito sabe, com anteced\u00eancia, que o corpo que escolheu n\u00e3o tem probabilidades de vida?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Algumas vezes, sabe; mas se o escolher por esse motivo, \u00e9 porque recua diante da prova.<\/p>\n<p><strong>349 Quando uma encarna\u00e7\u00e3o falha para o Esp\u00edrito, por uma causa qualquer, \u00e9 suprida imediatamente por outra exist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Nem sempre imediatamente. \u00c9 preciso ao Esp\u00edrito o tempo de escolher de novo, a menos que uma reencarna\u00e7\u00e3o imediata seja uma determina\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p><strong>350 O Esp\u00edrito, uma vez unido ao corpo de uma crian\u00e7a e quando j\u00e1 n\u00e3o pode voltar atr\u00e1s, lamenta, algumas vezes, a escolha que fez?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Quereis dizer se, como homem, lastima a vida que tem? Se gostaria de outra? Sim. Lamenta-se da escolha que fez? N\u00e3o; ele n\u00e3o sabe que a escolheu. O Esp\u00edrito, uma vez encarnado, n\u00e3o pode lamentar uma escolha de que n\u00e3o tem consci\u00eancia, mas pode achar a carga muito pesada e consider\u00e1-la acima de suas for\u00e7as. S\u00e3o esses os casos dos que recorrem ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p><strong>351 No intervalo da concep\u00e7\u00e3o ao nascimento, o Esp\u00edrito desfruta de todas as suas faculdades?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Mais ou menos, de acordo com a \u00e9poca, visto que ainda n\u00e3o est\u00e1 encarnado, e sim vinculado. Desde o instante da concep\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito come\u00e7a a ser tomado de perturba\u00e7\u00e3o, anunciando-lhe que \u00e9 chegado o momento de tomar uma nova exist\u00eancia; essa perturba\u00e7\u00e3o vai crescendo at\u00e9 o nascimento. Nesse intervalo, seu estado \u00e9 quase id\u00eantico ao de um Esp\u00edrito encarnado durante o sono do corpo. \u00c0 medida que a hora do nascimento se aproxima, suas id\u00e9ias se apagam, assim como a lembran\u00e7a do passado, do qual n\u00e3o ter\u00e1 mais consci\u00eancia, como pessoa, logo que entrar na vida. Mas essa lembran\u00e7a lhe volta pouco a pouco \u00e0 mem\u00f3ria ao retornar ao seu estado de Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>352 No momento do nascimento, o Esp\u00edrito recupera imediatamente a plenitude de suas faculdades?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, elas se desenvolvem gradualmente com os \u00f3rg\u00e3os. \u00c9 para ele uma nova exist\u00eancia; \u00e9 preciso que aprenda a se servir de seus instrumentos. As id\u00e9ias lhe voltam pouco a pouco, como a uma pessoa que sai do sono e se encontra numa posi\u00e7\u00e3o diferente daquela que tinha na v\u00e9spera.<\/p>\n<p><strong>353 Como a uni\u00e3o do Esp\u00edrito e do corpo s\u00f3 est\u00e1 completa e definitivamente consumada ap\u00f3s o nascimento, pode-se considerar o feto como tendo uma alma?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito que deve anim\u00e1-lo existe, de alguma forma, fora dele; n\u00e3o possui, propriamente falando, uma alma, j\u00e1 que a encarna\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas em via de se operar. Mas o feto est\u00e1 ligado \u00e0 alma que deve possuir.<\/p>\n<p><strong>354 Como explicar a vida intra-uterina?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a da planta que vegeta. A crian\u00e7a vive, ent\u00e3o, a vida animal. O homem tem em si a vida animal e a vida vegetal, que se completam no nascimento com a vida espiritual.<\/p>\n<p><strong>355 H\u00e1, como indica a ci\u00eancia, crian\u00e7as que, desde o ventre materno, n\u00e3o t\u00eam possibilidades de viver? Qual o objetivo disso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso acontece freq\u00fcentemente; a Provid\u00eancia o permite como prova para seus pais ou para o Esp\u00edrito que est\u00e1 para reencarnar.<\/p>\n<p><strong>356 Existem crian\u00e7as que, nascendo mortas, n\u00e3o foram destinadas \u00e0 encarna\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, h\u00e1 as que nunca tiveram um Esp\u00edrito destinado para o corpo; nada devia realizar-se por elas. \u00c9, ent\u00e3o, somente pelos pais que essa crian\u00e7a veio.<\/p>\n<p><strong>356 a Um ser dessa natureza pode chegar a nascer?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, algumas vezes; por\u00e9m, n\u00e3o vinga, n\u00e3o vive.<\/p>\n<p><strong>356 b Toda crian\u00e7a que sobrevive ao nascimento tem, necessariamente, um Esp\u00edrito encarnado nela?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O que seria sem o Esp\u00edrito? N\u00e3o seria um ser humano.<\/p>\n<p><strong>357 Quais s\u00e3o, para o Esp\u00edrito, as conseq\u00fc\u00eancias do aborto?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 uma exist\u00eancia nula que ter\u00e1 de recome\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>358 O aborto provocado \u00e9 um crime, qualquer que seja a \u00e9poca da concep\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 sempre crime quando se transgride a Lei de Deus. A m\u00e3e, ou qualquer outra pessoa, cometer\u00e1 sempre um crime ao tirar a vida de uma crian\u00e7a antes do seu nascimento, porque \u00e9 impedir a alma de suportar as provas das quais o corpo devia ser o instrumento.<\/p>\n<p><strong>359 No caso em que a vida da m\u00e3e esteja em perigo pelo nascimento do filho, existe crime ao sacrificar a crian\u00e7a para salvar a m\u00e3e?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 prefer\u00edvel sacrificar o ser que n\u00e3o existe a sacrificar o que existe.<\/p>\n<p><strong>360 \u00c9 racional ter pelo feto a mesma aten\u00e7\u00e3o que se tem pelo corpo de uma crian\u00e7a que tenha vivido?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Em tudo isso deveis ver a vontade de Deus e Sua obra. N\u00e3o trateis, portanto, levianamente as coisas que deveis respeitar. Por que n\u00e3o respeitar as obras da Cria\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o incompletas algumas vezes pela vontade do Criador? Isso pertence a seus des\u00edgnios, que ningu\u00e9m \u00e9 chamado a julgar.<\/p>\n<p><strong>Faculdades morais e intelectuais do homem<\/strong><\/p>\n<p><strong>361 De onde v\u00eam, para o homem, suas qualidades morais, boas ou m\u00e1s? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o do Esp\u00edrito encarnado nele; quanto mais o Esp\u00edrito for puro, mais o homem \u00e9 levado ao bem.<\/p>\n<p><strong>361 a Parece resultar da\u00ed que o homem de bem \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito bom e o homem vicioso a de um mau?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 Sim. Mas devemos dizer que \u00e9 um Esp\u00edrito imperfeito, sen\u00e3o poderia se acreditar na exist\u00eancia de Esp\u00edritos sempre maus, a quem chamais de dem\u00f4nios.<\/strong><\/p>\n<p><strong>362 Qual \u00e9 o car\u00e1ter dos indiv\u00edduos nos quais encarnam os Esp\u00edritos travessos e levianos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o criaturas imprudentes, maliciosas e, algumas vezes, seres maldosos.<\/p>\n<p><strong>363 Os Esp\u00edritos possuem paix\u00f5es que n\u00e3o pertencem \u00e0 humanidade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o; se as tivessem as teriam comunicado aos homens.<\/p>\n<p><strong>364 \u00c9 o mesmo Esp\u00edrito que d\u00e1 ao homem as qualidades morais e da intelig\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Certamente \u00e9 o mesmo, e isso em raz\u00e3o do grau que alcan\u00e7ou na escala evolutiva. O homem n\u00e3o tem em si dois Esp\u00edritos.<\/p>\n<p><strong>365 Por que alguns homens muito inteligentes, que evidenciam estar neles encarnados Esp\u00edritos Superiores, s\u00e3o, ao mesmo tempo, cheios de v\u00edcios?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 que os Esp\u00edritos encarnados neles n\u00e3o s\u00e3o puros o suficiente, e o homem cede \u00e0 influ\u00eancia de outros Esp\u00edritos ainda piores. O Esp\u00edrito progride numa marcha ascendente insens\u00edvel, mas o progresso n\u00e3o se cumpre simultaneamente em todos os sentidos. Durante um per\u00edodo das suas muitas exist\u00eancias, pode avan\u00e7ar em ci\u00eancia; num outro, em moralidade.<\/p>\n<p><strong>366 O que pensar da opini\u00e3o de que as diferentes faculdades intelectuais e morais do homem seriam o produto de diferentes Esp\u00edritos encarnados nele e tendo cada um uma aptid\u00e3o especial?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Ao refletir sobre essa opini\u00e3o, reconhece-se que \u00e9 absurda. O Esp\u00edrito deve ter todas as aptid\u00f5es; para poder progredir, lhe \u00e9 necess\u00e1ria uma vontade \u00fanica. Se o homem fosse uma mistura de Esp\u00edritos, essa vontade n\u00e3o existiria e n\u00e3o teria individualidade, uma vez que, em sua morte, todos esses Esp\u00edritos seriam como um bando de p\u00e1ssaros escapados duma gaiola. O homem lamenta-se, freq\u00fcentemente, de n\u00e3o compreender certas coisas, e \u00e9 curioso ver como multiplica as dificuldades, quando tem ao seu alcance uma explica\u00e7\u00e3o muito simples e natural. Ainda aqui, toma o efeito pela causa; \u00e9 fazer em rela\u00e7\u00e3o ao homem o que os pag\u00e3os faziam em rela\u00e7\u00e3o a Deus. Eles acreditavam em tantos deuses quantos s\u00e3o os fen\u00f4menos no universo, mas mesmo entre eles havia pessoas sensatas que j\u00e1 viam nesses fen\u00f4menos apenas efeitos, que tinham uma \u00fanica causa \u2013 Deus.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O mundo f\u00edsico e o mundo moral nos oferecem, a esse respeito, numerosos pontos de compara\u00e7\u00e3o. Acreditou-se na exist\u00eancia m\u00faltipla da mat\u00e9ria enquanto se esteve apegado \u00e0 apar\u00eancia dos fen\u00f4menos. Hoje, compreende-se que esses fen\u00f4menos t\u00e3o variados podem muito bem n\u00e3o passar de modifica\u00e7\u00f5es de uma mat\u00e9ria elementar \u00fanica. Os diversos dons s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es de uma mesma causa que \u00e9 a alma, ou Esp\u00edrito encarnado, e n\u00e3o de diversas almas, assim como os diferentes sons do \u00f3rg\u00e3o s\u00e3o o produto do mesmo ar e n\u00e3o de tantas outras esp\u00e9cies de ar quantos sejam os sons. Desse sistema resultaria que, quando um homem perde ou adquire certas aptid\u00f5es, certas tend\u00eancias, isso seria pela a\u00e7\u00e3o de outros tantos Esp\u00edritos que vieram a encarnar nele ou que se foram, o que o tornaria um ser m\u00faltiplo, sem individualidade e, conseq\u00fcentemente, sem responsabilidade. Tamb\u00e9m contradizem essa id\u00e9ia os exemplos t\u00e3o numerosos de manifesta\u00e7\u00f5es pelas quais os Esp\u00edritos provam sua personalidade e identidade. <\/em><\/p>\n<p><strong>Influ\u00eancia do organismo<\/strong><\/p>\n<p><strong>367 O Esp\u00edrito, ao se unir ao corpo, se identifica com a mat\u00e9ria?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A mat\u00e9ria \u00e9 apenas o envolt\u00f3rio do Esp\u00edrito, assim como a roupa \u00e9 o envolt\u00f3rio do corpo. O Esp\u00edrito, ao se unir ao corpo, conserva o que \u00e9 pr\u00f3prio de sua natureza espiritual.<\/p>\n<p><strong>368 As faculdades ou dons do Esp\u00edrito se exercem com toda a liberdade ap\u00f3s sua uni\u00e3o com o corpo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O exerc\u00edcio das faculdades depende dos \u00f3rg\u00e3os que lhes servem de instrumento: s\u00e3o enfraquecidas pela grosseria da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><strong>368 a Assim, o corpo material seria um obst\u00e1culo \u00e0 livre manifesta\u00e7\u00e3o das faculdades do Esp\u00edrito, como um vidro opaco se op\u00f5e \u00e0 livre emiss\u00e3o da luz? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, \u00e9 como um vidro muito opaco.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Pode-se ainda comparar a a\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria grosseira do corpo sobre o Esp\u00edrito \u00e0 de uma \u00e1gua lamacenta, que tira a liberdade dos movimentos dos corpos nela mergulhados. <\/em><\/p>\n<p><strong>369 O livre exerc\u00edcio das faculdades da alma est\u00e1 subordinado ao desenvolvimento dos \u00f3rg\u00e3os?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Os \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o os instrumentos da manifesta\u00e7\u00e3o das faculdades da alma; essa manifesta\u00e7\u00e3o depende do desenvolvimento e grau de perfei\u00e7\u00e3o desses mesmos \u00f3rg\u00e3os, como a boa qualidade de um trabalho depende da boa qualidade da ferramenta.<\/p>\n<p><strong>370 Pode-se deduzir que, da influ\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os na a\u00e7\u00e3o das faculdades do Esp\u00edrito, possa haver uma rela\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento do c\u00e9rebro e das qualidades morais e intelectuais?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o se deve confundir o efeito com a causa. O Esp\u00edrito tem sempre as faculdades que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias. N\u00e3o s\u00e3o, portanto, os \u00f3rg\u00e3os que d\u00e3o as faculdades e sim as faculdades que conduzem ao desenvolvimento dos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>370 a Assim sendo, a diversidade das aptid\u00f5es no homem prov\u00e9m unicamente do estado do Esp\u00edrito?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Unicamente n\u00e3o \u00e9 o termo mais exato; as qualidades do Esp\u00edrito, que pode ser mais ou menos avan\u00e7ado, s\u00e3o o princ\u00edpio; mas \u00e9 preciso ter em conta a influ\u00eancia da mat\u00e9ria, que limita mais ou menos o exerc\u00edcio dessas faculdades.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O Esp\u00edrito, ao encarnar, traz certas predisposi\u00e7\u00f5es, admitindo-se para cada uma um \u00f3rg\u00e3o correspondente no c\u00e9rebro; o desenvolvimento desses \u00f3rg\u00e3os ser\u00e1 um efeito e n\u00e3o uma causa. Se as faculdades tivessem seu princ\u00edpio nos \u00f3rg\u00e3os, o homem seria uma m\u00e1quina sem livre-arb\u00edtrio e sem responsabilidade por seus atos. Seria preciso admitir que os maiores g\u00eanios, os s\u00e1bios, poetas, artistas, s\u00e3o g\u00eanios apenas porque o acaso lhes deu \u00f3rg\u00e3os especiais, e que sem esses \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o seriam g\u00eanios. Assim, o maior imbecil poderia ser um Newton, um Virg\u00edlio<\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-07.html#1\"><sup>1<\/sup><\/a><em> ou um Rafael <\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-07.html#2\"><sup>2<\/sup><\/a><em>, se tivesse possu\u00eddo certos \u00f3rg\u00e3os. Essa suposi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais absurda ainda quando aplicada \u00e0s qualidades morais. Assim, conforme esse sistema, um S\u00e3o Vicente de Paulo, dotado por natureza desse ou daquele \u00f3rg\u00e3o, poderia ter sido um criminoso, e faltaria ao maior criminoso apenas um \u00f3rg\u00e3o para ser um S\u00e3o Vicente de Paulo. Admiti, ao contr\u00e1rio, que os \u00f3rg\u00e3os especiais, se \u00e9 que existem, s\u00e3o uma conseq\u00fc\u00eancia, que se desenvolvem pelo exerc\u00edcio da faculdade, assim como os m\u00fasculos, pelo movimento, e n\u00e3o tereis nada de irracional. Fa\u00e7amos uma compara\u00e7\u00e3o simples, mas verdadeira: por meio de certos sinais fision\u00f4micos, reconheceis o homem dado \u00e0 bebida; s\u00e3o esses sinais que o tornam \u00e9brio, ou \u00e9 a embriaguez que faz surgirem esses sinais? Pode-se dizer que os \u00f3rg\u00e3os recebem a marca das faculdades. <\/em><\/p>\n<p><strong>Os deficientes mentais e a loucura<\/strong><\/p>\n<p><strong>371 A opini\u00e3o de que os deficientes mentais teriam uma alma inferior tem fundamento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. Eles t\u00eam uma alma humana, muitas vezes mais inteligente do que pensais, que sofre da insufici\u00eancia dos meios que tem para se manifestar, assim como o mudo sofre por n\u00e3o poder falar.<\/p>\n<p><strong>372 Qual o objetivo da Provid\u00eancia ao criar seres infelizes como os loucos e os deficientes mentais?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o Esp\u00edritos em puni\u00e7\u00e3o que habitam corpos deficientes. Esses Esp\u00edritos sofrem com o constrangimento que experimentam e com a dificuldade que t\u00eam de se manifestarem por meio de \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o desenvolvidos ou desarranjados.<\/p>\n<p><strong>372 a \u00c9 exato dizer que os \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia sobre as faculdades? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Nunca dissemos que os \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o t\u00eam influ\u00eancia. T\u00eam uma influ\u00eancia muito grande sobre a manifesta\u00e7\u00e3o das faculdades; por\u00e9m, n\u00e3o as produzem; eis a diferen\u00e7a. Um bom m\u00fasico com um instrumento ruim n\u00e3o far\u00e1 boa m\u00fasica, mas isso n\u00e3o o impedir\u00e1 de ser um bom m\u00fasico.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>\u00c9 preciso distinguir o estado normal do estado patol\u00f3gico<\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-07.html#3\"><sup>3<\/sup><\/a><em>. No estado normal, a moral <\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-07.html#4\"><sup>4<\/sup><\/a><em> suplanta o obst\u00e1culo que a mat\u00e9ria lhe op\u00f5e. Mas h\u00e1 casos em que a mat\u00e9ria oferece tanta resist\u00eancia que as manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o limitadas ou deturpadas, como na defici\u00eancia mental e na loucura. S\u00e3o casos patol\u00f3gicos e, nesse estado, n\u00e3o desfrutando a alma de toda a sua liberdade, a pr\u00f3pria lei humana a livra da responsabilidade de seus atos. <\/em><\/p>\n<p><strong>373 Qual pode ser o m\u00e9rito da exist\u00eancia para seres que, como os loucos e os deficientes mentais, n\u00e3o podendo fazer o bem nem o mal, n\u00e3o podem progredir? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 uma expia\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria pelo abuso que fizeram de certas faculdades; \u00e9 um tempo de pris\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>373 a O corpo de um deficiente mental pode, assim, abrigar um Esp\u00edrito que teria animado um homem de g\u00eanio em uma exist\u00eancia precedente?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim. A genialidade torna-se \u00e0s vezes um flagelo quando dela se abusa.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A superioridade moral nem sempre est\u00e1 em raz\u00e3o da superioridade intelectual, e os maiores g\u00eanios podem ter muito para expiar. Da\u00ed resulta freq\u00fcentemente para eles uma exist\u00eancia inferior \u00e0 que tiveram e causa de sofrimentos. As dificuldades que o Esp\u00edrito experimenta em suas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o para ele como correntes que impedem os movimentos de um homem vigoroso. Pode-se dizer que deficientes mentais s\u00e3o aleijados do c\u00e9rebro, assim como o coxo das pernas e o cego dos olhos. <\/em><\/p>\n<p><strong>374 O deficiente mental, no estado de Esp\u00edrito, tem consci\u00eancia de seu estado mental?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, muito freq\u00fcentemente; ele compreende que as correntes que impedem seu v\u00f4o s\u00e3o uma prova e uma expia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>375 Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito na loucura?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito, no estado de liberdade, recebe diretamente suas impress\u00f5es e exerce diretamente sua a\u00e7\u00e3o sobre a mat\u00e9ria. Por\u00e9m, encarnado, se encontra em condi\u00e7\u00f5es bem diferentes e na obrigatoriedade de s\u00f3 fazer isso com a ajuda de \u00f3rg\u00e3os especiais. Se uma parte ou o conjunto desses \u00f3rg\u00e3os for alterado, sua a\u00e7\u00e3o ou suas impress\u00f5es, no que diz respeito a esses \u00f3rg\u00e3os, s\u00e3o interrompidas. Se ele perde os olhos, torna-se cego; se perde o ouvido, torna-se surdo, etc. Imagina agora que o \u00f3rg\u00e3o que dirige os efeitos da intelig\u00eancia e da vontade, o c\u00e9rebro, seja parcial ou inteiramente danificado ou modificado e ficar\u00e1 f\u00e1cil compreender que o Esp\u00edrito, podendo dispor apenas de \u00f3rg\u00e3os incompletos ou deturpados, dever\u00e1 sentir uma perturba\u00e7\u00e3o da qual, por si mesmo e em seu \u00edntimo, tem perfeita consci\u00eancia, mas n\u00e3o \u00e9 senhor para deter-lhe o curso, n\u00e3o tem como alterar essa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>375 a \u00c9 ent\u00e3o sempre o corpo e n\u00e3o o Esp\u00edrito que est\u00e1 desorganizado? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim. Mas \u00e9 preciso n\u00e3o perder de vista que, da mesma forma como o Esp\u00edrito age sobre a mat\u00e9ria, tamb\u00e9m a mat\u00e9ria reage sobre o Esp\u00edrito numa certa medida, e que o Esp\u00edrito pode se encontrar momentaneamente impressionado pela altera\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os pelos quais se manifesta e recebe suas impress\u00f5es. Pode acontecer que, depois de um per\u00edodo longo, quando a loucura durou muito tempo, a repeti\u00e7\u00e3o dos mesmos atos acabe por ter sobre o Esp\u00edrito uma influ\u00eancia da qual somente se livra quando estiver completamente desligado de todas as impress\u00f5es materiais.<\/p>\n<p><strong>376 Por que a loucura leva algumas vezes ao suic\u00eddio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito sofre com o constrangimento e a impossibilidade de se manifestar livremente, por isso procura na morte um meio de romper seus la\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>377 O Esp\u00edrito de um doente mental \u00e9 afetado, depois da morte, pelo desarranjo de suas faculdades?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pode se ressentir durante algum tempo ap\u00f3s a morte, at\u00e9 que esteja completamente desligado da mat\u00e9ria, como o homem que acorda se ressente por algum tempo da perturba\u00e7\u00e3o em que o sono o mergulha.<\/p>\n<p><strong>378 Como a altera\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro pode reagir sobre o Esp\u00edrito ap\u00f3s a morte do corpo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 uma lembran\u00e7a. Um peso oprime o Esp\u00edrito e, como n\u00e3o teve conhecimento de tudo que se passou durante sua loucura, precisa sempre de um certo tempo para se p\u00f4r a par de tudo; \u00e9 por isso que, quanto mais tempo durar a loucura durante a vida terrena, mais tempo dura a opress\u00e3o, o constrangimento ap\u00f3s a morte. O Esp\u00edrito desligado do corpo se ressente, durante algum tempo, da impress\u00e3o dos la\u00e7os que os uniam.<\/p>\n<p><strong>Inf\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p><strong>379 O Esp\u00edrito que anima o corpo de uma crian\u00e7a \u00e9 t\u00e3o desenvolvido quanto o de um adulto?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pode at\u00e9 ser mais, se progrediu mais. S\u00e3o apenas \u00f3rg\u00e3os imperfeitos que o impedem de se manifestar. Ele age em raz\u00e3o do instrumento, com que pode se manifestar.<\/p>\n<p><strong>380 Numa crian\u00e7a de tenra idade, o Esp\u00edrito, exceto pelo obst\u00e1culo que a imperfei\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os op\u00f5e \u00e0 sua livre manifesta\u00e7\u00e3o, pensa como uma crian\u00e7a ou como um adulto?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Quando \u00e9 crian\u00e7a, \u00e9 natural que os \u00f3rg\u00e3os da intelig\u00eancia, n\u00e3o estando desenvolvidos, n\u00e3o possam lhe dar toda a intui\u00e7\u00e3o de um adulto; ele tem, de fato, a intelig\u00eancia bastante limitada, enquanto a idade faz amadurecer sua raz\u00e3o. A perturba\u00e7\u00e3o que acompanha a encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o cessa subitamente no momento do nascimento; ela somente se dissipa gradualmente, com o desenvolvimento dos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p><em>\u263c Uma observa\u00e7\u00e3o em apoio dessa resposta \u00e9 que os sonhos da crian\u00e7a n\u00e3o t\u00eam o car\u00e1ter dos de um adulto; seu objeto \u00e9 quase sempre infantil, o que \u00e9 um ind\u00edcio da natureza das preocupa\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito. <\/em><\/p>\n<p><strong>381 Na morte da crian\u00e7a, o Esp\u00edrito retoma imediatamente seu vigor anterior? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deve retomar, uma vez que est\u00e1 livre do corpo; entretanto, apenas readquire sua lucidez quando a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 completa, ou seja, quando n\u00e3o existe mais nenhum la\u00e7o entre o Esp\u00edrito e o corpo.<\/p>\n<p><strong>382 O Esp\u00edrito encarnado sofre, durante a inf\u00e2ncia, com as limita\u00e7\u00f5es da imperfei\u00e7\u00e3o de seus \u00f3rg\u00e3os?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. Esse estado \u00e9 uma necessidade, est\u00e1 na natureza e de acordo com os planos da Provid\u00eancia: \u00e9 um tempo de repouso para o Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>383 Qual \u00e9, para o Esp\u00edrito, a utilidade de passar pela inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito, encarnando para se aperfei\u00e7oar, \u00e9 mais acess\u00edvel, durante esse tempo, \u00e0s impress\u00f5es que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir aqueles que est\u00e3o encarregados de sua educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>384 Por que a primeira manifesta\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a \u00e9 de choro?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Para excitar o interesse da m\u00e3e e provocar os cuidados que lhe s\u00e3o necess\u00e1rios. N\u00e3o compreendeis que, se houvesse apenas manifesta\u00e7\u00f5es de alegria, quando ainda n\u00e3o sabe falar, pouco se preocupariam com suas necessidades? Admirai em tudo a sabedoria da Provid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>385 De onde vem a mudan\u00e7a que se opera no car\u00e1ter em uma determinada idade e particularmente ao sair da adolesc\u00eancia? \u00c9 o Esp\u00edrito que se modifica?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 o Esp\u00edrito que retoma sua natureza e se mostra como era. V\u00f3s n\u00e3o conheceis o segredo que escondem as crian\u00e7as em sua inoc\u00eancia, n\u00e3o sabeis o que s\u00e3o, o que foram, o que ser\u00e3o e, entretanto, as amais, lhes quereis bem, como se fossem uma parte de v\u00f3s mesmos, a tal ponto que o amor de uma m\u00e3e por seus filhos \u00e9 considerado o maior amor que um ser possa ter por outro. De onde vem essa doce afei\u00e7\u00e3o, essa terna benevol\u00eancia que at\u00e9 mesmo estranhos sentem por uma crian\u00e7a? V\u00f3s sabeis? N\u00e3o; \u00e9 isso que vou explicar.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as s\u00e3o os seres que Deus envia em novas exist\u00eancias e, para n\u00e3o lhes impor uma severidade muito grande, lhes d\u00e1 todo o toque de inoc\u00eancia. Mesmo para uma crian\u00e7a de natureza m\u00e1 suas faltas s\u00e3o cobertas com a n\u00e3o-consci\u00eancia de seus atos. Essa inoc\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma superioridade real sobre o que eram antes; n\u00e3o, \u00e9 a imagem do que deveriam ser e se n\u00e3o o s\u00e3o \u00e9 somente sobre elas que recai a pena.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 apenas por elas que Deus lhes d\u00e1 esse aspecto, \u00e9 tamb\u00e9m e principalmente por seus pais, cujo amor \u00e9 necess\u00e1rio para sua fraqueza. Esse amor seria notoriamente enfraquecido frente a um car\u00e1ter impertinente e rude, ao passo que, ao acreditar que seus filhos s\u00e3o bons e d\u00f3ceis, lhes d\u00e3o toda a afei\u00e7\u00e3o e os rodeiam com os mais atenciosos cuidados. Mas quando os filhos n\u00e3o t\u00eam mais necessidade dessa prote\u00e7\u00e3o, dessa assist\u00eancia que lhes foi dada durante quinze ou vinte anos, seu car\u00e1ter real e individual reaparece em toda sua nudez: conservam-se bons, se eram fundamentalmente bons; mas sempre sobressaem as caracter\u00edsticas que estavam ocultas na primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Vedes que os caminhos de Deus s\u00e3o sempre os melhores e, quando se tem o cora\u00e7\u00e3o puro, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de ser concebida.<\/p>\n<p>De fato, imaginai que o Esp\u00edrito das crian\u00e7as pode vir de um mundo em que adquiriu h\u00e1bitos totalmente diferentes; como gostar\u00edeis que vivesse entre v\u00f3s esse novo ser que vem com paix\u00f5es completamente diferentes das vossas, com inclina\u00e7\u00f5es, gostos inteiramente opostos aos vossos? Como deveria se incorporar e alinhar-se entre v\u00f3s de outra forma sen\u00e3o por aquela que Deus quis, ou seja, pelo crivo da inf\u00e2ncia? A\u00ed se confundem todos os pensamentos, os caracteres e as variedades de seres gerados por essa multid\u00e3o de mundos nos quais crescem as criaturas. E v\u00f3s mesmos, ao desencarnar, vos encontrareis numa esp\u00e9cie de inf\u00e2ncia entre novos irm\u00e3os; e nessa nova exist\u00eancia n\u00e3o-terrestre ignorareis os h\u00e1bitos, os costumes, as rela\u00e7\u00f5es desse mundo novo para v\u00f3s; manejareis com dificuldade uma l\u00edngua que n\u00e3o estais habituados a falar, l\u00edngua mais viva do que \u00e9 hoje o vosso pensamento. (Veja, nesta obra, a quest\u00e3o 319.)<\/p>\n<p>A inf\u00e2ncia tem ainda outra utilidade: os Esp\u00edritos apenas entram na vida corporal para se aperfei\u00e7oar e melhorar; a fraqueza da idade infantil os torna flex\u00edveis, acess\u00edveis aos conselhos da experi\u00eancia e dos que devem faz\u00ea-los progredir. \u00c9 ent\u00e3o que podem reformar seu car\u00e1ter e reprimir suas m\u00e1s tend\u00eancias; este \u00e9 o dever que Deus confiou a seus pais, miss\u00e3o sagrada pela qual ter\u00e3o de responder. Por isso a inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 somente \u00fatil, necess\u00e1ria, indispens\u00e1vel, mas \u00e9 ainda a conseq\u00fc\u00eancia natural das Leis que Deus estabeleceu e que regem o universo.<\/p>\n<p><strong>Simpatias e antipatias terrenas<\/strong><\/p>\n<p><strong>386 Dois seres que se conhecem e se amam podem se encontrar em outra exist\u00eancia corporal e se reconhecer?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Reconhecer-se, n\u00e3o; mas podem sentir-se atra\u00eddos um pelo outro. Freq\u00fcentemente, as liga\u00e7\u00f5es \u00edntimas fundadas numa afei\u00e7\u00e3o sincera n\u00e3o t\u00eam outra causa. Dois seres aproximam-se um do outro por conseq\u00fc\u00eancias casuais em apar\u00eancia, mas que s\u00e3o de fato a atra\u00e7\u00e3o de dois Esp\u00edritos que se procuram na multid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>386 a N\u00e3o seria mais agrad\u00e1vel para eles se reconhecerem?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Nem sempre; a lembran\u00e7a das exist\u00eancias passadas teria inconvenientes maiores do que podeis imaginar. Ap\u00f3s a morte, se reconhecer\u00e3o, saber\u00e3o o tempo que passaram juntos. (Veja, nesta obra, a quest\u00e3o 392.)<\/p>\n<p><strong>387 A simpatia vem sempre de um conhecimento anterior?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. Dois Esp\u00edritos que se compreendem procuram-se naturalmente, sem que necessariamente se tenham conhecido em encarna\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p><strong>388 Os encontros que ocorrem, algumas vezes, e que se atribuem ao acaso n\u00e3o ser\u00e3o o efeito de uma certa rela\u00e7\u00e3o de simpatia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 entre os seres pensantes la\u00e7os que ainda n\u00e3o conheceis. O magnetismo \u00e9 que dirige essa ci\u00eancia, que compreendereis melhor mais tarde.<\/p>\n<p><strong>389 De onde vem a repulsa instintiva que se tem por certas pessoas, \u00e0 primeira vista?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Esp\u00edritos antip\u00e1ticos que se adivinham e se reconhecem sem se falar.<\/p>\n<p><strong>390 A antipatia instintiva \u00e9 sempre um sinal de natureza m\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Dois Esp\u00edritos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente maus por n\u00e3o serem simp\u00e1ticos um para com o outro. A antipatia pode se originar da diferen\u00e7a no modo de pensar. Mas, \u00e0 medida que se elevam, as diverg\u00eancias se apagam e a antipatia desaparece.<\/p>\n<p><strong>391 A antipatia entre duas pessoas se manifesta primeiro naquela cujo Esp\u00edrito \u00e9 pior ou melhor?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Tanto em um quanto no outro, mas as causas e os efeitos s\u00e3o diferentes. Um Esp\u00edrito mau tem antipatia contra qualquer pessoa que possa julg\u00e1-lo e desmascar\u00e1-lo. Ao ver uma pessoa pela primeira vez, sabe que vai ser desaprovado; seu afastamento dessa pessoa se transforma em \u00f3dio, em ci\u00fame, e lhe inspira o desejo de fazer o mal. O Esp\u00edrito bom sente repulsa pelo mau porque sabe que n\u00e3o ser\u00e1 compreendido e n\u00e3o partilhar\u00e3o dos mesmos sentimentos, mas, seguro de sua superioridade, n\u00e3o tem contra o outro \u00f3dio ou ci\u00fame, contenta-se em evit\u00e1-lo e lastim\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>Esquecimento do passado<\/strong><\/p>\n<p><strong>392 Por que o Esp\u00edrito encarnado perde a lembran\u00e7a de seu passado?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O homem n\u00e3o pode nem deve saber tudo. Deus em Sua sabedoria quer assim. Sem o v\u00e9u que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria deslumbrado, como aquele que passa sem transi\u00e7\u00e3o do escuro para a luz.O esquecimento do passado o faz sentir-se mais senhor de si.<\/p>\n<p><strong>393 Como o homem pode ser respons\u00e1vel por atos e reparar faltas das quais n\u00e3o tem consci\u00eancia? Como pode aproveitar a experi\u00eancia adquirida em exist\u00eancias ca\u00eddas no esquecimento? Poderia se conceber que as adversidades da vida fossem para ele uma li\u00e7\u00e3o ao se lembrar do que as originou; mas, a partir do momento que n\u00e3o se lembra, cada exist\u00eancia \u00e9 para ele como a primeira e est\u00e1, assim, sempre recome\u00e7ando. Como conciliar isso com a justi\u00e7a de Deus?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A cada nova exist\u00eancia o homem tem mais intelig\u00eancia e pode melhor distinguir o bem do mal. Onde estaria o m\u00e9rito, ao se lembrar de todo o passado? Quando o Esp\u00edrito volta \u00e0 sua vida primitiva (a vida esp\u00edrita), toda sua vida passada se desenrola diante dele; v\u00ea as faltas que cometeu e que s\u00e3o a causa de seu sofrimento e o que poderia impedi-lo de comet\u00ea-las. Compreende que a posi\u00e7\u00e3o que lhe foi dada foi justa e procura ent\u00e3o uma nova exist\u00eancia em que poderia reparar aquela que acabou. Escolhe provas parecidas com as que passou ou as lutas que acredita serem \u00fateis para o seu adiantamento, e pede a Esp\u00edritos Superiores para ajud\u00e1-lo nessa nova tarefa que empreende, porque sabe que o Esp\u00edrito que lhe ser\u00e1 dado por guia nessa nova exist\u00eancia procurar\u00e1 faz\u00ea-lo reparar suas faltas, dando-lhe uma esp\u00e9cie de intui\u00e7\u00e3o das que cometeu. Essa mesma intui\u00e7\u00e3o \u00e9 o pensamento, o desejo maldoso que freq\u00fcentemente vos aparece e ao qual resistis instintivamente, atribuindo a maior parte das vezes essa resist\u00eancia aos princ\u00edpios recebidos de vossos pais, enquanto \u00e9 a voz da consci\u00eancia que vos fala. Essa voz \u00e9 a lembran\u00e7a do passado, que vos adverte para n\u00e3o recair nas faltas que j\u00e1 cometestes. O Esp\u00edrito, ao entrar nessa nova exist\u00eancia, se suporta essas provas com coragem e resiste, eleva-se e sobe na hierarquia dos Esp\u00edritos, quando volta para o meio deles.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Se n\u00e3o temos, durante a vida corporal, uma lembran\u00e7a precisa do que fomos e do que fizemos de bem ou mal em exist\u00eancias anteriores, temos a intui\u00e7\u00e3o disso, e nossas tend\u00eancias instintivas s\u00e3o uma lembran\u00e7a do nosso passado, \u00e0s quais nossa consci\u00eancia, que \u00e9 o desejo que concebemos de n\u00e3o mais cometer as mesmas faltas, nos adverte para resistir. <\/em><\/p>\n<p><strong>394 Nos mundos mais avan\u00e7ados que o nosso, onde os habitantes n\u00e3o s\u00e3o oprimidos por todas as nossas necessidades f\u00edsicas e enfermidades, os homens compreendem que s\u00e3o mais felizes do que n\u00f3s? A felicidade, em geral, \u00e9 relativa. N\u00f3s a sentimos em compara\u00e7\u00e3o a um estado menos feliz. Como, definitivamente, alguns desses mundos, ainda que melhores que o nosso, n\u00e3o est\u00e3o no estado de perfei\u00e7\u00e3o, os homens que os habitam devem ter seus motivos de aborrecimentos. Entre n\u00f3s, o rico, que n\u00e3o tem ang\u00fastias de necessidades materiais como o pobre, tem, ainda assim, outras que tornam sua vida amarga. Portanto, pergunto: em sua posi\u00e7\u00e3o, os habitantes desses mundos n\u00e3o se cr\u00eaem t\u00e3o infelizes quanto n\u00f3s e n\u00e3o se lamentam de sua sorte, j\u00e1 que n\u00e3o t\u00eam lembran\u00e7a de uma exist\u00eancia inferior para servir de compara\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Para isso, \u00e9 preciso dar duas respostas diferentes. H\u00e1 mundos, entre esses que citastes, onde os habitantes t\u00eam uma lembran\u00e7a muito clara e precisa de suas exist\u00eancias passadas; estes, v\u00f3s o compreendeis, podem e sabem apreciar a felicidade que Deus lhes permite saborear. H\u00e1 outros onde os habitantes, como dissestes, colocados em melhores condi\u00e7\u00f5es do que v\u00f3s, na Terra n\u00e3o t\u00eam grandes aborrecimentos nem infelicidades. Esses n\u00e3o apreciam sua felicidade pelo fato de n\u00e3o se lembrarem de um estado ainda mais infeliz. Entretanto, se n\u00e3o a apreciam como homens, apreciam como Esp\u00edritos.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>N\u00e3o h\u00e1 no esquecimento das exist\u00eancias passadas, principalmente nas que foram dolorosas, qualquer coisa de providencial, em que se revela a sabedoria divina? \u00c9 nos mundos superiores, quando a lembran\u00e7a das exist\u00eancias infelizes n\u00e3o passa de um sonho ruim, que elas se apresentam \u00e0 mem\u00f3ria. Nos mundos inferiores, as infelicidades atuais n\u00e3o seriam agravadas pela lembran\u00e7a de tudo que se suportou? <\/em><\/p>\n<p><em>Concluamos: tudo que Deus fez \u00e9 bem-feito e n\u00e3o nos cabe criticar suas obras e dizer como deveria reger o universo. <\/em><\/p>\n<p><em>A lembran\u00e7a de nossas individualidades anteriores teria inconvenientes muito graves; poderia, em certos casos, nos humilhar muito; em outros, exaltar nosso orgulho e, por isso mesmo, dificultar nosso livre-arb\u00edtrio. Deus deu, para nos melhorarmos, exatamente o que \u00e9 necess\u00e1rio e basta: a voz da consci\u00eancia e nossas tend\u00eancias instintivas, privando-nos do que poderia nos prejudicar. Acrescentemos ainda que, se tiv\u00e9ssemos lembran\u00e7a de nossos atos pessoais anteriores, ter\u00edamos igualmente a dos outros, e esse conhecimento poderia ter os mais desastrosos efeitos sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais. N\u00e3o havendo motivos de gl\u00f3ria no passado, \u00e9 bom que um v\u00e9u seja lan\u00e7ado sobre ele. Isso est\u00e1 perfeitamente de acordo com a Doutrina dos Esp\u00edritos sobre os mundos superiores ao nosso. Nesses mundos, onde apenas reina o bem, a lembran\u00e7a do passado nada tem de doloroso; eis por que neles pode se saber da exist\u00eancia anterior, como sabemos o que fizemos ontem. Quanto \u00e0 estada que fizeram nos mundos inferiores, n\u00e3o \u00e9 mais, como dissemos, do que um sonho ruim. <\/em><\/p>\n<p><strong>395 Podemos ter algumas revela\u00e7\u00f5es de nossas exist\u00eancias anteriores? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Nem sempre. Muitos sabem, entretanto, o que foram e o que fizeram; se fosse permitido dizer abertamente, fariam singulares revela\u00e7\u00f5es sobre o passado.<\/p>\n<p><strong>396 Certas pessoas acreditam ter uma vaga lembran\u00e7a de um passado desconhecido que se apresenta a elas como a imagem passageira de um sonho, que se procura, em v\u00e3o, reter. Essa id\u00e9ia \u00e9 apenas ilus\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Algumas vezes \u00e9 real; mas muitas vezes \u00e9 tamb\u00e9m ilus\u00e3o contra a qual \u00e9 preciso ficar atento, porque pode ser o efeito de uma imagina\u00e7\u00e3o superexcitada.<\/p>\n<p><strong>397 Nas exist\u00eancias de natureza mais elevadas que a nossa, a lembran\u00e7a das exist\u00eancias anteriores \u00e9 mais precisa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim; \u00e0 medida que o corpo se torna menos material, as lembran\u00e7as se revelam com mais exatid\u00e3o. A lembran\u00e7a do passado \u00e9 mais clara para os que habitam mundos de uma ordem superior.<\/p>\n<p><strong>398 Pelo estudo de suas tend\u00eancias instintivas, que s\u00e3o uma recorda\u00e7\u00e3o do passado, o homem pode conhecer os erros que cometeu?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sem d\u00favida, at\u00e9 certo ponto; mas \u00e9 preciso se dar conta da melhora que p\u00f4de se operar no Esp\u00edrito e as resolu\u00e7\u00f5es que ele tomou na vida espiritual. A exist\u00eancia atual pode ser bem melhor que a precedente.<\/p>\n<p><strong>398 a Ela pode ser pior? Ou seja, o homem pode cometer numa exist\u00eancia faltas que n\u00e3o cometeu em exist\u00eancias precedentes?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso depende de seu adiantamento; se n\u00e3o resistir \u00e0s provas, pode ser levado a novas faltas, que s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia da posi\u00e7\u00e3o que escolheu. Mas, em geral, essas faltas mostram antes um estado estacion\u00e1rio do que retr\u00f3grado, porque o Esp\u00edrito pode avan\u00e7ar ou estacionar, mas nunca retroceder.<\/p>\n<p><strong>399 Os acontecimentos da vida corporal s\u00e3o, ao mesmo tempo, uma expia\u00e7\u00e3o pelas faltas passadas e provas que visam ao futuro. Pode-se dizer que da natureza dessas situa\u00e7\u00f5es se possa deduzir o g\u00eanero da exist\u00eancia anterior?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muito freq\u00fcentemente, uma vez que cada um \u00e9 punido pelos erros que cometeu; entretanto, n\u00e3o deve ser isso uma regra absoluta. As tend\u00eancias instintivas s\u00e3o a melhor indica\u00e7\u00e3o, visto que as provas pelas quais o Esp\u00edrito passa se referem tanto ao futuro quanto ao passado.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Alcan\u00e7ado o fim marcado pela Provid\u00eancia para sua vida na espiritualidade, o pr\u00f3prio Esp\u00edrito escolhe as provas \u00e0s quais quer se submeter para acelerar seu adiantamento, ou seja, o g\u00eanero de exist\u00eancia que acredita ser o mais apropriado para lhe fornecer esses meios e cujas provas est\u00e3o sempre em rela\u00e7\u00e3o com as faltas que deve expiar. Se triunfa, se eleva; se fracassa, deve recome\u00e7ar. <\/em><\/p>\n<p><em>O Esp\u00edrito sempre desfruta de seu livre-arb\u00edtrio. \u00c9 em virtude dessa liberdade que escolhe as provas da vida corporal. Uma vez encarnado, delibera o que far\u00e1 ou n\u00e3o e escolhe entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arb\u00edtrio seria reduzi-lo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de uma m\u00e1quina. <\/em><\/p>\n<p><em>Ao entrar na vida corporal, o Esp\u00edrito perde, momentaneamente, a lembran\u00e7a de suas exist\u00eancias anteriores, como se um v\u00e9u as ocultasse; entretanto, \u00e0s vezes, tem uma vaga consci\u00eancia disso e elas podem at\u00e9 mesmo lhe ser reveladas em algumas circunst\u00e2ncias. Mas \u00e9 apenas pela vontade dos Esp\u00edritos Superiores que o fazem espontaneamente, com um objetivo \u00fatil e nunca para satisfazer uma curiosidade v\u00e3. <\/em><\/p>\n<p><em>As exist\u00eancias futuras n\u00e3o podem ser reveladas em nenhum caso, porque dependem da maneira que se cumpra a exist\u00eancia atual e da escolha que o Esp\u00edrito vir\u00e1 a fazer. <\/em><\/p>\n<p><em>O esquecimento das faltas cometidas n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo ao melhoramento do Esp\u00edrito porque, se n\u00e3o tem uma lembran\u00e7a precisa disso, o conhecimento que teve delas quando estava na espiritualidade e o compromisso que assumiu para repar\u00e1-las o guiam pela intui\u00e7\u00e3o e lhe d\u00e3o o pensamento de resistir ao mal; esse pensamento \u00e9 a voz da consci\u00eancia, sendo auxiliado pelos Esp\u00edritos Superiores que o assistem, se escuta as boas inspira\u00e7\u00f5es que sugerem. <\/em><\/p>\n<p><em>Se o homem n\u00e3o conhece os atos que cometeu em suas exist\u00eancias anteriores, pode sempre saber de que faltas tornou-se culpado e qual era seu car\u00e1ter dominante. Basta estudar a si mesmo e julgar o que foi n\u00e3o pelo que \u00e9, mas por suas tend\u00eancias. <\/em><\/p>\n<p><em>As contrariedades e os reveses da vida corporal s\u00e3o, ao mesmo tempo, uma expia\u00e7\u00e3o pelas faltas passadas e provas para o futuro. Elas nos purificam e elevam, se as suportamos com resigna\u00e7\u00e3o e sem reclamar. <\/em><\/p>\n<p><em>A natureza dessas altern\u00e2ncias da vida e das provas que suportamos pode tamb\u00e9m nos esclarecer sobre o que fomos e o que fizemos, como aqui na Terra julgamos os atos de um culpado pelo castigo que a lei lhe imp\u00f5e. <\/em><\/p>\n<p><em>Assim, o orgulhoso ser\u00e1 castigado em seu orgulho pela humilha\u00e7\u00e3o de uma exist\u00eancia subalterna; o mau rico e o avaro, pela mis\u00e9ria; aquele que foi duro para com os outros sofrer\u00e1, por sua vez, durezas; o tirano, escravid\u00e3o; o mau filho, pela ingratid\u00e3o de seus filhos; o pregui\u00e7oso, por um trabalho for\u00e7ado, etc. <\/em><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Virg\u00edlio<\/strong>: Poeta latino. Autor da <em>Eneida<\/em>. Viveu entre 71 e 19 a.C (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Rafael<\/strong>: Rafael Sanzio (1483-1520) pintor, escultor e arquiteto italiano (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Estado patol\u00f3gico<\/strong>: situa\u00e7\u00e3o em que o organismo sofre altera\u00e7\u00f5es provocadas por doen\u00e7as (N. E.).<\/li>\n<li><strong>A moral<\/strong>: o conjunto das virtudes; a vergonha; o brio (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte Segunda \u2013 Cap\u00edtulo 7 Retorno \u00e0 vida corporal Prel\u00fadio do retorno \u2013 Uni\u00e3o da alma e do corpo. 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