{"id":4266,"date":"2016-06-29T21:59:47","date_gmt":"2016-06-30T00:59:47","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4266"},"modified":"2016-06-29T22:22:17","modified_gmt":"2016-06-30T01:22:17","slug":"cap-8-400-a-455-da-emancipacao-da-alma","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/4-parte-segunda-mundo-espirita-ou-dos-espiritos\/cap-8-400-a-455-da-emancipacao-da-alma\/","title":{"rendered":"Cap 08 &#8211; 400 a 455 &#8211; da emancipa\u00e7\u00e3o da alma"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte Segunda \u2013 Cap\u00edtulo 8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Da emancipa\u00e7\u00e3o da alma<\/strong><\/p>\n<p>O sono e os sonhos \u2013 Visitas esp\u00edritas entre pessoas vivas \u2013 Transmiss\u00e3o oculta do pensamento \u2013 Letargia, catalepsia, mortes aparentes \u2013 Sonambulismo \u2013 \u00caxtase \u2013 Dupla vista \u2013 Resumo te\u00f3rico do sonambulismo, do \u00eaxtase e da dupla vista<\/p>\n<p><strong>O sono e os sonhos<\/strong><\/p>\n<p><strong>400 O Esp\u00edrito encarnado permanece espontaneamente no corpo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 como perguntar se o prisioneiro se alegra com a pris\u00e3o. O Esp\u00edrito encarnado aspira sem cessar \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o, e quanto mais o corpo for grosseiro, mais deseja desembara\u00e7ar-se dele.<\/p>\n<p><strong>401 Durante o sono, a alma repousa como o corpo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, o Esp\u00edrito nunca fica inativo. Durante o sono, os la\u00e7os que o prendem ao corpo se relaxam e, como o corpo n\u00e3o precisa do Esp\u00edrito, ele percorre o espa\u00e7o e entra em rela\u00e7\u00e3o mais direta com outros Esp\u00edritos.<\/p>\n<p><strong>402 Como avaliar a liberdade do Esp\u00edrito durante o sono?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, o Esp\u00edrito tem mais condi\u00e7\u00f5es de exercer seus dons, faculdades do que em vig\u00edlia; tem a lembran\u00e7a do passado e algumas vezes a previs\u00e3o do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunica\u00e7\u00e3o com outros Esp\u00edritos, neste mundo ou em outro. Quando dizeis: tive um sonho esquisito, horr\u00edvel, mas que n\u00e3o tem nada de real, enganais-vos; \u00e9, muitas vezes, a lembran\u00e7a dos lugares e das coisas que vistes ou que vereis numa outra exist\u00eancia, ou num outro momento. O corpo, estando entorpecido, faz com que o Esp\u00edrito se empenhe em superar suas amarras e investigar o passado ou o futuro.<\/p>\n<p>Pobres homens, que pouco conheceis dos mais simples fen\u00f4menos da vida! Julgai-vos s\u00e1bios e, entretanto, vos embara\u00e7ais com as coisas mais simples; ficais perturbados com a pergunta de todas as crian\u00e7as: o que fazemos quando dormimos? Que s\u00e3o os sonhos?<\/p>\n<p>O sono liberta, em parte, a alma do corpo. Quando dormimos, estamos momentaneamente no estado em que o homem se encontra ap\u00f3s a morte. Os Esp\u00edritos que logo se desligam da mat\u00e9ria, quando desencarnam, t\u00eam um sono consciente. Durante o sono, re\u00fanem-se \u00e0 sociedade de outros seres superiores e com eles viajam, conversam e se instruem; trabalham at\u00e9 mesmo em obras que depois encontram prontas, quando, pelo desencarne, retornam ao mundo espiritual. Isso deve vos ensinar uma vez mais a n\u00e3o temer a morte, uma vez que morreis todos os dias, segundo a palavra de um santo. Isso para os Esp\u00edritos elevados; mas para o grande n\u00famero de homens que, ao desencarnar, devem permanecer longas horas nessa perturba\u00e7\u00e3o, nessa incerteza da qual j\u00e1 vos falaram, esses v\u00e3o, enquanto dormem, a mundos inferiores \u00e0 Terra, onde antigas afei\u00e7\u00f5es os evocam, ou v\u00e3o procurar prazeres talvez ainda mais baixos que os que t\u00eam a\u00ed; v\u00e3o se envolver com doutrinas ainda mais desprez\u00edveis, ordin\u00e1rias e nocivas que as que professam em vosso meio. O que gera a simpatia na Terra n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o fato de os homens, ao despertar, se sentirem ligados pelo cora\u00e7\u00e3o \u00e0queles com quem acabaram de passar de oito a nove horas de prazer. Isso tamb\u00e9m explica as antipatias invenc\u00edveis que sentimos intimamente, porque sabemos que essas pessoas com quem antipatizamos t\u00eam uma consci\u00eancia diferente da nossa e as conhecemos sem nunca t\u00ea-las visto com os olhos. Explica ainda a nossa indiferen\u00e7a, pois n\u00e3o desejamos fazer novos amigos quando sabemos que h\u00e1 outras pessoas que nos amam e nos querem bem. Em uma palavra, o sono influi mais na vossa vida do que pensais. Durante o sono, os Esp\u00edritos encarnados est\u00e3o sempre se relacionando com o mundo dos Esp\u00edritos e \u00e9 isso que faz com os Esp\u00edritos Superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar entre v\u00f3s. Deus quis que em contato com o v\u00edcio eles pudessem se renovar na fonte do bem, para n\u00e3o mais falharem, eles, que v\u00eam instruir os outros. O sono \u00e9 a porta que Deus lhes abriu para entrarem em contato com seus amigos do c\u00e9u; \u00e9 o recreio ap\u00f3s o trabalho, enquanto esperam a grande liberta\u00e7\u00e3o, a liberta\u00e7\u00e3o final que deve devolv\u00ea-los a seu verdadeiro meio.<\/p>\n<p>O sonho \u00e9 a lembran\u00e7a do que o Esp\u00edrito viu durante o sono; mas notai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que vistes. \u00c9 que vossa alma n\u00e3o est\u00e1 em pleno desdobramento. Muitas vezes, apenas fica a lembran\u00e7a da perturba\u00e7\u00e3o que acompanha vossa partida ou vossa volta, \u00e0 qual se acrescenta a do que fizestes ou do que vos preocupa no estado de vig\u00edlia; sem isso, como explicar\u00edeis esses sonhos absurdos que t\u00eam tanto os mais s\u00e1bios quanto os mais simples? Os maus Esp\u00edritos se servem tamb\u00e9m dos sonhos para atormentar as almas fracas e medrosas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, vereis dentro em pouco se desenvolver uma outra esp\u00e9cie de sonhos<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#1\"><sup>1<\/sup><\/a>; ela \u00e9 t\u00e3o antiga quanto a que j\u00e1 conheceis, mas a ignorais. O sonho de Joana D\u2019arc<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#2\"><sup>2<\/sup><\/a>, o sonho de Jac\u00f3<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#3\"><sup>3<\/sup><\/a>, o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos; esse sonho \u00e9 a lembran\u00e7a da alma quase inteiramente desligada do corpo, a lembran\u00e7a dessa segunda vida de que falamos.<\/p>\n<p>Procurai distinguir bem essas duas esp\u00e9cies de sonho dentre os que vos lembrais; sem isso, caireis em contradi\u00e7\u00f5es e erros que ser\u00e3o funestos \u00e0 vossa f\u00e9.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Os sonhos s\u00e3o o produto da emancipa\u00e7\u00e3o da alma, que se torna mais independente pela suspens\u00e3o da vida ativa e de conviv\u00eancia. Da\u00ed uma esp\u00e9cie de clarivid\u00eancia indefinida, que se estende aos lugares mais afastados ou jamais vistos e algumas vezes at\u00e9 a outros mundos; da\u00ed ainda a lembran\u00e7a que traz \u00e0 mem\u00f3ria acontecimentos realizados na exist\u00eancia atual ou em exist\u00eancias anteriores; a estranheza das imagens do que se passa ou do que se passou em mundos desconhecidos, misturadas com coisas do mundo atual, formam esses conjuntos estranhos e confusos que parecem n\u00e3o ter sentido nem liga\u00e7\u00e3o entre si. <\/em><\/p>\n<p><em>A incoer\u00eancia dos sonhos se explica ainda por lacunas que a lembran\u00e7a incompleta do que nos apareceu em sonho produz. Isso seria como numa narra\u00e7\u00e3o a qual se tenham truncado frases ao acaso, ou parte de frases; os fragmentos restantes reunidos perderiam toda a significa\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><strong>403 Por que nem sempre nos lembramos dos sonhos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O que chamais de sono \u00e9 apenas o repouso do corpo, mas o Esp\u00edrito est\u00e1 sempre ativo e durante o sono recobra um pouco de sua liberdade e se corresponde com os que lhe s\u00e3o caros, neste mundo ou em outros. Sendo o corpo uma mat\u00e9ria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impress\u00f5es que o Esp\u00edrito recebeu, visto que o Esp\u00edrito n\u00e3o as percebeu pelos \u00f3rg\u00e3os do corpo.<\/p>\n<p><strong>404 O que pensar da significa\u00e7\u00e3o atribu\u00edda aos sonhos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Os sonhos n\u00e3o t\u00eam o significado que certos adivinhos lhes atribuem. \u00c9 um absurdo acreditar que sonhar com isso significa aquilo. S\u00e3o verdadeiros no sentido de que apresentam imagens reais ao Esp\u00edrito, mas muitas vezes n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o que se passa na vida corporal; s\u00e3o tamb\u00e9m, como dissemos, uma lembran\u00e7a. Algumas vezes, podem ser um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a vis\u00e3o do que se passa nesse momento em um outro lugar para onde a alma se transporta. N\u00e3o tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonho e v\u00eam advertir seus parentes ou amigos do que lhes est\u00e1 acontecendo? O que s\u00e3o essas apari\u00e7\u00f5es, sen\u00e3o a alma ou o Esp\u00edrito dessas pessoas que v\u00eam se comunicar com o vosso? Quando estais certos de que o que vistes realmente aconteceu, n\u00e3o \u00e9 uma prova de que a imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o tomou parte em nada, principalmente se as ocorr\u00eancias do sonho n\u00e3o estavam de modo algum em vosso pensamento enquanto acordados?<\/p>\n<p><strong>405 V\u00eaem-se freq\u00fcentemente em sonho coisas que parecem pressentimentos e que n\u00e3o se realizam; de onde vem isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Elas podem se realizar apenas para o Esp\u00edrito, ou seja, o Esp\u00edrito v\u00ea a coisa que deseja porque vai procur\u00e1-la. N\u00e3o deveis esquecer que, durante o sono, a alma est\u00e1 constantemente sob influ\u00eancia da mat\u00e9ria, \u00e0s vezes mais, \u00e0s vezes menos, e, conseq\u00fcentemente, nunca se liberta completamente das id\u00e9ias terrenas. Disso resulta que as preocupa\u00e7\u00f5es enquanto acordados podem dar \u00e0quilo que se v\u00ea a apar\u00eancia do que se deseja ou do que se teme. A isso verdadeiramente \u00e9 o que se pode chamar de efeito da imagina\u00e7\u00e3o. Quando se est\u00e1 fortemente preocupado com uma id\u00e9ia, liga-se a essa id\u00e9ia tudo o que se v\u00ea.<\/p>\n<p><strong>406 Quando vemos em sonho pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, praticarem atos de que absolutamente n\u00e3o cogitam, n\u00e3o \u00e9 efeito de pura imagina\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Em rela\u00e7\u00e3o a praticar atos de que n\u00e3o cogitam, como dizeis, o que sabeis disso? O Esp\u00edrito dessa pessoa pode visitar o vosso, como o vosso pode visitar o dela e nem sempre sabeis no que ele pensa. E ent\u00e3o, freq\u00fcentemente, atribu\u00eds \u00e0s pessoas que conheceis, e de acordo com vossos desejos, o que se passou ou se passa em outras exist\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>407 O sono completo \u00e9 necess\u00e1rio para a emancipa\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o; o Esp\u00edrito recobra sua liberdade quando os sentidos se entorpecem. Ele se aproveita, para se emancipar, de todos os momentos de repouso que o corpo lhe concede. Desde que haja debilidade das for\u00e7as vitais, o Esp\u00edrito se desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais livre ele estar\u00e1.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>\u00c9 assim que a sonol\u00eancia, ou um simples entorpecimento dos sentidos, apresenta muitas vezes as mesmas imagens do sono. <\/em><\/p>\n<p><strong>408 Parece-nos ouvir, algumas vezes em n\u00f3s, palavras pronunciadas distintamente e que n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o que nos preocupa; de onde vem isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, pode acontecer at\u00e9 mesmo ouvirdes frases inteiras, principalmente quando os sentidos come\u00e7am a se entorpecer. \u00c9 algumas vezes um eco fraco de um Esp\u00edrito que deseja se comunicar.<\/p>\n<p><strong>409 Muitas vezes, num estado que ainda n\u00e3o \u00e9 a sonol\u00eancia, quando temos os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras das quais observamos os mais minuciosos detalhes; \u00e9 um efeito de vis\u00e3o ou de imagina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O corpo, estando entorpecido, faz com que o Esp\u00edrito procure libertar-se de suas amarras. Ele se transporta e v\u00ea. Se o sono fosse completo, seria um sonho.<\/p>\n<p><strong>410 T\u00eam-se, algumas vezes durante o sono ou a sonol\u00eancia, id\u00e9ias que parecem ser muito boas e, apesar dos esfor\u00e7os para se lembrar delas, apagam-se da mem\u00f3ria: de onde v\u00eam essas id\u00e9ias?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o o resultado da liberdade do Esp\u00edrito que se emancipa e desfruta de maneira completa de todas as suas faculdades durante esse momento. S\u00e3o freq\u00fcentemente tamb\u00e9m conselhos que outros Esp\u00edritos d\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>410 a Para que servem essas id\u00e9ias e conselhos, j\u00e1 que se perdem na lembran\u00e7a e n\u00e3o se podem aproveitar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Essas id\u00e9ias pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Esp\u00edritos do que ao corporal; mas, com mais freq\u00fc\u00eancia, se o corpo esquece, o Esp\u00edrito lembra, e a id\u00e9ia revive na ocasi\u00e3o oportuna como uma inspira\u00e7\u00e3o de momento.<\/p>\n<p><strong>411 O Esp\u00edrito encarnado, nos momentos em que est\u00e1 desligado da mat\u00e9ria e age como Esp\u00edrito, sabe a \u00e9poca de sua morte?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muitas vezes a pressente; pode, tamb\u00e9m, ter uma consci\u00eancia muito clara dela. \u00c9 o que, acordado, lhe d\u00e1 a intui\u00e7\u00e3o disso. Eis por que certas pessoas, algumas vezes, prev\u00eaem sua morte com grande exatid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>412 A atividade do Esp\u00edrito durante o repouso ou o sono do corpo pode fazer com que o corpo sinta cansa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, pode. O Esp\u00edrito est\u00e1 preso ao corpo, assim como um bal\u00e3o cativo a um poste. Da mesma forma que as agita\u00e7\u00f5es do bal\u00e3o abalam o poste, a atividade do Esp\u00edrito reage sobre o corpo e pode fazer com que se sinta cansado.<\/p>\n<p><strong>Visitas esp\u00edritas entre pessoas vivas<\/strong><\/p>\n<p><strong>413 Como a alma pode libertar-se do corpo durante o sono, teremos ent\u00e3o uma dupla exist\u00eancia simult\u00e2nea: a do corpo, que nos d\u00e1 a vida de rela\u00e7\u00e3o exterior, e a da alma, que nos d\u00e1 a vida de rela\u00e7\u00e3o oculta; isso \u00e9 exato?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 No estado de liberdade, a vida do corpo cede lugar \u00e0 vida da alma. Por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o, propriamente falando, duas exist\u00eancias; s\u00e3o, antes, duas fases da mesma exist\u00eancia, uma vez que o homem n\u00e3o vive duplamente.<\/p>\n<p><strong>414 Duas pessoas que se conhecem podem se visitar durante o sono?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, e muitas outras que acreditam n\u00e3o se conhecerem tamb\u00e9m se re\u00fanem e conversam. Podeis ter, sem d\u00favida, amigos num outro pa\u00eds. O fato de ir se encontrar, durante o sono, com amigos, parentes, conhecidos, pessoas que podem ser \u00fateis, \u00e9 t\u00e3o freq\u00fcente que o fazeis todas as noites.<\/p>\n<p><strong>415 Qual a utilidade dessas visitas noturnas, uma vez que n\u00e3o fica lembran\u00e7a de nada?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 muito comum disso ficar uma intui\u00e7\u00e3o, ao despertar, e \u00e9 freq\u00fcentemente a origem de certas id\u00e9ias que surgem espontaneamente, sem explica\u00e7\u00e3o clara. S\u00e3o exatamente as adquiridas nessas conversas.<\/p>\n<p><strong>416 O homem pode provocar essas visitas espirituais por sua vontade? Pode, por exemplo, dizer ao dormir: esta noite quero me encontrar em Esp\u00edrito com tal pessoa, falar com ela e dizer-lhe alguma coisa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eis o que se passa: o homem dorme, o Esp\u00edrito se liberta e o que o homem tinha programado o Esp\u00edrito est\u00e1 bem longe de seguir, porque os desejos e vontades do homem nem sempre s\u00e3o as mesmas do Esp\u00edrito, quando desligado da mat\u00e9ria. Isso acontece com os homens espiritualmente bastante elevados. H\u00e1 os que passam de outra forma essa sua exist\u00eancia espiritual: entregam-se \u00e0s suas paix\u00f5es ou permanecem na inatividade. Pode acontecer que, considerando a raz\u00e3o da visita, o Esp\u00edrito v\u00e1 mesmo visitar as pessoas que deseja; mas a simples vontade do homem, acordado, n\u00e3o \u00e9 raz\u00e3o para que o fa\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>417 Um certo n\u00famero de Esp\u00edritos encarnados podem se reunir e formar assembl\u00e9ias? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sem d\u00favida nenhuma. Os la\u00e7os de amizade, antigos ou novos, fazem com que se re\u00fanam freq\u00fcentemente diversos Esp\u00edritos, felizes de estarem juntos.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Pela palavra <\/em>antigo <em>\u00e9 preciso entender os la\u00e7os de amizade feitos em exist\u00eancias anteriores. Trazemos, ao despertar, uma intui\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias que adquirimos nessas conversas ocultas, mas ignoramos a sua fonte. <\/em><\/p>\n<p><strong>418 Uma pessoa que acreditasse ter um de seus amigos mortos, embora estivesse vivo, poderia se encontrar com ele em Esp\u00edrito e saber que est\u00e1 vivo? Ela poderia, nesse caso, ter uma intui\u00e7\u00e3o disso ao despertar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como Esp\u00edrito, pode certamente v\u00ea-lo e saber de sua situa\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o lhe foi imposto como uma prova acreditar na morte de seu amigo, ter\u00e1 um pressentimento de sua exist\u00eancia, como poder\u00e1 ter de sua morte.<\/p>\n<p><strong>Transmiss\u00e3o oculta do pensamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>419 Por que a mesma id\u00e9ia, a de uma descoberta, por exemplo, pode surgir em diversos lugares ao mesmo tempo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 dissemos que durante o sono os Esp\u00edritos se comunicam entre si. Pois bem, quando o corpo desperta, o Esp\u00edrito se recorda do que aprendeu e o homem acredita ser o autor da inven\u00e7\u00e3o. Assim, muitos podem descobrir a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando dizeis: uma id\u00e9ia est\u00e1 no ar, usais de uma figura de linguagem mais justa do que acreditais; cada um, sem saber, contribui para propag\u00e1-la.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Nosso pr\u00f3prio Esp\u00edrito revela, assim, muitas vezes a outros Esp\u00edritos e sem nosso conhecimento o que se faz objeto de nossas preocupa\u00e7\u00f5es quando acordados. <\/em><\/p>\n<p><strong>420 Os Esp\u00edritos podem se comunicar se o corpo est\u00e1 completamente acordado? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito n\u00e3o est\u00e1 fechado no corpo como numa caixa; irradia por todos os lados. Eis por que pode se comunicar com outros Esp\u00edritos, at\u00e9 mesmo acordados, embora o fa\u00e7a mais dificilmente.<\/p>\n<p><strong>421 Por que duas pessoas perfeitamente acordadas t\u00eam muitas vezes, instantaneamente, a mesma id\u00e9ia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o dois Esp\u00edritos simp\u00e1ticos que se comunicam e v\u00eaem reciprocamente seus respectivos pensamentos, at\u00e9 mesmo quando o corpo n\u00e3o dorme.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Existe, entre os Esp\u00edritos que se encontram, uma comunica\u00e7\u00e3o de pensamentos que faz com que duas pessoas se vejam e se compreendam, sem ter necessidade dos sinais exteriores da linguagem. Pode-se dizer que falam a linguagem dos Esp\u00edritos. <\/em><\/p>\n<p><strong>Letargia<\/strong><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#4\"><strong><sup>4<\/sup><\/strong><\/a><strong>, catalepsia<\/strong><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#5\"><strong><sup>5<\/sup><\/strong><\/a><strong>, mortes aparentes<\/strong><\/p>\n<p><strong>422 Os let\u00e1rgicos e os catal\u00e9pticos v\u00eaem e ouvem geralmente o que se passa ao redor deles, mas n\u00e3o podem se manifestar; \u00e9 pelos olhos e ouvidos do corpo que v\u00eaem e ouvem?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. \u00c9 pelo Esp\u00edrito; o Esp\u00edrito tem conhecimento dos fatos, mas n\u00e3o pode se comunicar.<\/p>\n<p><strong>422 a Por que n\u00e3o pode se comunicar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O estado do corpo se op\u00f5e a isso; esse estado peculiar dos \u00f3rg\u00e3os vos d\u00e1 a prova de que existe no homem outra coisa al\u00e9m do corpo, uma vez que o corpo n\u00e3o funciona mais, mas o Esp\u00edrito ainda age.<\/p>\n<p><strong>423 Na letargia, o Esp\u00edrito pode se separar inteiramente do corpo, de maneira a dar-lhe todas as apar\u00eancias da morte e voltar em seguida?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Na letargia, o corpo n\u00e3o est\u00e1 morto, uma vez que h\u00e1 fun\u00e7\u00f5es vitais que permanecem. A vitalidade se encontra em estado latente, como na cris\u00e1lida, mas n\u00e3o est\u00e1 aniquilada. Portanto, o Esp\u00edrito est\u00e1 unido ao corpo enquanto este vive. Mas quando os la\u00e7os s\u00e3o rompidos pela morte real h\u00e1 a desagrega\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 completa e o Esp\u00edrito n\u00e3o retorna mais. Quando um homem aparentemente morto retorna \u00e0 vida, \u00e9 que o processo da morte n\u00e3o estava consumado.<\/p>\n<p><strong>424 Pode-se, por meio de cuidados dados a tempo, reatar os la\u00e7os prestes a se romper e tornar \u00e0 vida um ser que, por falta de socorro, estaria definitivamente morto?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, sem d\u00favida, e tendes a prova disso todos os dias. O magnetismo \u00e9 freq\u00fcentemente, nesse caso, um poderoso meio, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta e que era insuficiente para manter o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A letargia e a catalepsia t\u00eam o mesmo princ\u00edpio, que \u00e9 a perda moment\u00e2nea da sensibilidade e do movimento por uma causa fisiol\u00f3gica. Diferem em que, na letargia, a suspens\u00e3o das for\u00e7as vitais \u00e9 geral e d\u00e1 ao corpo todas as apar\u00eancias da morte. Na catalepsia, \u00e9 localizada e pode afetar uma parte mais ou menos extensa do corpo, de maneira a deixar a intelig\u00eancia livre para se manifestar, o que n\u00e3o permite confundi-la com a morte. A letargia \u00e9 sempre natural; a catalepsia \u00e9 algumas vezes espont\u00e2nea, mas pode ser provocada ou desfeita artificialmente pela a\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica. <\/em><\/p>\n<p><strong>Sonambulismo<\/strong><\/p>\n<p><strong>425 O sonambulismo natural tem rela\u00e7\u00e3o com os sonhos? Como se pode explic\u00e1-lo? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia do Esp\u00edrito mais completa do que no sonho, porque ent\u00e3o suas faculdades abrangem maior amplid\u00e3o e passa a ter percep\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tem no sonho, que \u00e9 um estado de sonambulismo imperfeito. No sonambulismo, o Esp\u00edrito atinge a plena posse de si, \u00e9 inteiramente ele mesmo; os \u00f3rg\u00e3os materiais, estando de alguma forma em catalepsia, n\u00e3o recebem mais as impress\u00f5es exteriores. Esse estado se manifesta principalmente durante o sono. \u00c9 o momento em que o Esp\u00edrito pode deixar provisoriamente o corpo, estando este entregue ao indispens\u00e1vel repouso da mat\u00e9ria. Quando os fatos do sonambulismo se produzem, \u00e9 que o Esp\u00edrito, preocupado com uma coisa ou outra, se entrega a uma a\u00e7\u00e3o qualquer que necessita da utiliza\u00e7\u00e3o de seu corpo, do qual se serve, ent\u00e3o, de uma maneira semelhante ao que se faz com uma mesa ou com qualquer outro material no fen\u00f4meno das manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, ou at\u00e9 mesmo de vossa m\u00e3o, no caso das comunica\u00e7\u00f5es escritas. Nos sonhos de que se tem consci\u00eancia, os \u00f3rg\u00e3os, incluindo o da mem\u00f3ria, come\u00e7am a despertar e recebem imperfeitamente as impress\u00f5es produzidas pelos objetos ou as causas exteriores e as comunicam ao Esp\u00edrito, que, em repouso, n\u00e3o se apercebe a n\u00e3o ser de sensa\u00e7\u00f5es confusas e freq\u00fcentemente sem nexo e sem nenhuma raz\u00e3o de ser aparente, misturadas que est\u00e3o com vagas lembran\u00e7as, seja desta ou de exist\u00eancias anteriores. Fica ent\u00e3o f\u00e1cil compreender por que os son\u00e2mbulos, enquanto no estado sonamb\u00falico, n\u00e3o t\u00eam nenhuma lembran\u00e7a do que ocorreu, e por que os sonhos, dos quais se conserva a mem\u00f3ria, n\u00e3o t\u00eam muitas vezes o menor sentido. Digo muitas vezes porque pode acontecer que sejam a conseq\u00fc\u00eancia de uma lembran\u00e7a precisa de acontecimentos de uma vida anterior e, algumas vezes, at\u00e9 mesmo uma esp\u00e9cie de intui\u00e7\u00e3o do futuro.<\/p>\n<p><strong>426 O sonambulismo chamado magn\u00e9tico tem rela\u00e7\u00e3o com o sonambulismo natural? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a mesma coisa; a diferen\u00e7a \u00e9 que ele \u00e9 provocado.<\/p>\n<p><strong>427 Qual \u00e9 a natureza do agente chamado fluido magn\u00e9tico?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Fluido vital, eletricidade animalizada, que s\u00e3o modifica\u00e7\u00f5es do fluido universal.<\/p>\n<p><strong>428 Qual \u00e9 a causa da clarivid\u00eancia sonamb\u00falica?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 dissemos: \u00e9 a alma que v\u00ea.<\/p>\n<p><strong>429 Como o son\u00e2mbulo pode ver atrav\u00e9s de corpos opacos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o h\u00e1 corpos opacos a n\u00e3o ser para vossos \u00f3rg\u00e3os grosseiros; j\u00e1 dissemos que, para o Esp\u00edrito, a mat\u00e9ria n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo, uma vez que a atravessa livremente. Freq\u00fcentemente, o son\u00e2mbulo diz que v\u00ea pela fronte, pelo joelho, etc., porque v\u00f3s, inteiramente presos \u00e0 mat\u00e9ria, n\u00e3o compreendeis que se possa ver sem o aux\u00edlio dos \u00f3rg\u00e3os da vis\u00e3o. Ele mesmo, pelo desejo que tendes, acredita ter necessidade desses \u00f3rg\u00e3os, mas se o deix\u00e1sseis livre compreenderia que v\u00ea por todas as partes de seu corpo ou, melhor dizendo, v\u00ea de fora de seu corpo.<\/p>\n<p><strong>430 Uma vez que a clarivid\u00eancia do son\u00e2mbulo \u00e9 de sua alma ou seu Esp\u00edrito, por que n\u00e3o v\u00ea tudo e por que se engana freq\u00fcentemente?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Inicialmente, n\u00e3o \u00e9 dado aos Esp\u00edritos imperfeitos tudo ver e conhecer; sabeis que eles ainda participam de vossos erros e preconceitos. Al\u00e9m disso, quando est\u00e3o ligados \u00e0 mat\u00e9ria, n\u00e3o usufruem de todos os dons ou faculdades do Esp\u00edrito. Deus deu ao homem a faculdade do sonambulismo com um objetivo \u00fatil e s\u00e9rio e n\u00e3o para o que n\u00e3o deve saber; eis por que os son\u00e2mbulos n\u00e3o podem dizer tudo.<\/p>\n<p><strong>431 Qual a origem das id\u00e9ias inatas do son\u00e2mbulo e como ele pode falar com exatid\u00e3o de coisas que ignora quando acordado, que est\u00e3o acima at\u00e9 mesmo de sua capacidade intelectual?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Acontece que o son\u00e2mbulo possui mais conhecimentos do que supondes e apenas se acham adormecidos, porque seu corpo \u00e9 um entrave para que possa se lembrar das coisas. Mas, afinal, o que \u00e9 ele? Como n\u00f3s, \u00e9 um Esp\u00edrito encarnado na mat\u00e9ria para cumprir sua miss\u00e3o e o estado em que entra o desperta dessa letargia. N\u00f3s vos dissemos, repetidamente, que vivemos muitas vezes; \u00e9 essa mudan\u00e7a que faz o son\u00e2mbulo e qualquer outro Esp\u00edrito perder materialmente o que p\u00f4de aprender em uma exist\u00eancia anterior. Ao entrar no estado que chamais de transe, ele se recorda, mas nem sempre de uma maneira completa; sabe, mas n\u00e3o poderia dizer de onde lhe vem o que sabe nem como possui esses conhecimentos. Passado o transe, toda lembran\u00e7a se apaga e ele volta \u00e0 obscuridade.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A experi\u00eancia mostra que os son\u00e2mbulos tamb\u00e9m recebem comunica\u00e7\u00f5es de outros Esp\u00edritos que lhes transmitem o que devem dizer e suprem sua insufici\u00eancia. Isso se v\u00ea especialmente nas prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas: o Esp\u00edrito do son\u00e2mbulo v\u00ea o mal, um outro lhe indica o rem\u00e9dio. Essa dupla a\u00e7\u00e3o \u00e9 algumas vezes evidente e se revela, de forma clara, por essas express\u00f5es bastante freq\u00fcentes: dizem-me para dizer, pro\u00edbem-me de dizer tal coisa. Nesse \u00faltimo caso, h\u00e1 sempre perigo em insistir para obter uma revela\u00e7\u00e3o recusada, visto que ent\u00e3o s\u00e3o apanhados por Esp\u00edritos levianos que falam de tudo sem escr\u00fapulo e sem se preocuparem com a verdade. <\/em><\/p>\n<p><strong>432 Como explicar a vis\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia em alguns son\u00e2mbulos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A alma n\u00e3o se transporta durante o sono? O mesmo acontece no sonambulismo.<\/p>\n<p><strong>433 O desenvolvimento maior ou menor da clarivid\u00eancia sonamb\u00falica prende-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou \u00e0 natureza do Esp\u00edrito encarnado?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A ambas. Existem disposi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que permitem ao Esp\u00edrito se desprender mais ou menos da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><strong>434 As faculdades, os dons dos quais desfruta o son\u00e2mbulo, s\u00e3o as mesmas que o Esp\u00edrito tem ap\u00f3s a morte?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 At\u00e9 certo ponto, porque \u00e9 preciso levar em conta a influ\u00eancia da mat\u00e9ria \u00e0 qual ainda est\u00e1 ligado.<\/p>\n<p><strong>435 O son\u00e2mbulo pode ver os outros Esp\u00edritos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A maioria os v\u00ea muito bem, isso depende do grau e da natureza de sua lucidez, mas algumas vezes n\u00e3o se d\u00e1 conta disso de in\u00edcio e os toma por seres corp\u00f3reos. Isso acontece principalmente com aqueles que n\u00e3o possuem nenhum conhecimento do Espiritismo. Ainda n\u00e3o compreendem a ess\u00eancia dos Esp\u00edritos. Isso os espanta e eis por que acreditam estar vendo pessoas vivas.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O mesmo efeito se produz no momento da morte naqueles que acreditam ainda estarem vivos. Nada a seu redor parece mudado, os Esp\u00edritos lhe parecem ter corpo semelhante ao nosso e tomam a apar\u00eancia do pr\u00f3prio corpo como um corpo real. <\/em><\/p>\n<p><strong>436 O son\u00e2mbulo que v\u00ea \u00e0 dist\u00e2ncia v\u00ea do ponto em que est\u00e1 seu corpo ou daquele em que est\u00e1 sua alma?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Por que perguntais, uma vez que sabeis que \u00e9 a alma que v\u00ea e n\u00e3o o corpo?<\/p>\n<p><strong>437 Uma vez que \u00e9 a alma que se transporta, como pode o son\u00e2mbulo experimentar em seu corpo as sensa\u00e7\u00f5es de calor e frio do lugar onde se encontra sua alma, e que est\u00e1, muitas vezes, bem longe de seu corpo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A alma n\u00e3o deixou inteiramente o corpo; est\u00e1 sempre ligada a ele por um la\u00e7o que \u00e9 o condutor das sensa\u00e7\u00f5es. Quando duas pessoas se correspondem de uma cidade a outra por meio da eletricidade<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#6\"><sup>6<\/sup><\/a>, \u00e9 a eletricidade o la\u00e7o entre seus pensamentos. Por esse la\u00e7o se comunicam como se estivessem ao lado uma da outra.<\/p>\n<p><strong>438 O uso que um son\u00e2mbulo faz de sua faculdade influi sobre o estado de seu Esp\u00edrito ap\u00f3s sua morte?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muito, como o bom ou o mau uso de todas as faculdades que Deus deu ao homem.<\/p>\n<p><strong>\u00caxtase<\/strong><\/p>\n<p><strong>439 Que diferen\u00e7a existe entre o \u00eaxtase e o sonambulismo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O \u00eaxtase \u00e9 um sonambulismo mais depurado; a alma do ext\u00e1tico \u00e9 ainda mais independente.<\/p>\n<p><strong>440 O Esp\u00edrito do ext\u00e1tico penetra realmente nos mundos superiores? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, ele os v\u00ea e compreende a felicidade daqueles que os habitam. Deseja, por isso, l\u00e1 permanecer. Mas existem mundos inacess\u00edveis aos Esp\u00edritos que n\u00e3o s\u00e3o suficientemente depurados.<\/p>\n<p><strong>441 Quando o ext\u00e1tico exprime o desejo de deixar a Terra, fala sinceramente e n\u00e3o sente atuar nele o instinto de conserva\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso depende do grau de pureza do Esp\u00edrito; se v\u00ea sua posi\u00e7\u00e3o futura melhor do que sua vida presente, faz esfor\u00e7os para romper os la\u00e7os que o prendem \u00e0 Terra.<\/p>\n<p><strong>442 Se o ext\u00e1tico ficasse abandonado a si mesmo, sua alma poderia definitivamente deixar seu corpo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, poderia morrer. Por isso \u00e9 preciso faz\u00ea-lo voltar apelando para tudo o que pode prend\u00ea-lo \u00e0 vida na Terra e, principalmente, fazendo-o compreender que, se romper a cadeia que o ret\u00e9m aqui, ser\u00e1 a maneira certa de n\u00e3o permanecer onde ele v\u00ea que seria feliz.<\/p>\n<p><strong>443 Existem coisas que o ext\u00e1tico pretende ver e que s\u00e3o evidentemente fruto de uma imagina\u00e7\u00e3o impressionada pelas cren\u00e7as e preconceitos terrenos. Tudo o que v\u00ea n\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, real?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O que v\u00ea \u00e9 real para ele, mas como seu Esp\u00edrito est\u00e1 sempre sob a influ\u00eancia das id\u00e9ias terrenas pode v\u00ea-lo \u00e0 sua maneira ou, melhor dizendo, pode se exprimir numa linguagem apropriada a seus preconceitos ou \u00e0s id\u00e9ias em que foi educado, ou aos vossos, a fim de melhor se fazer compreender. \u00c9, principalmente, nesse sentido que ele pode errar.<\/p>\n<p><strong>444 Que grau de confian\u00e7a se pode depositar nas revela\u00e7\u00f5es dos ext\u00e1ticos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O ext\u00e1tico pode, muito freq\u00fcentemente, se enganar, principalmente quando pretende penetrar naquilo que deve permanecer em mist\u00e9rio para o homem, porque ent\u00e3o revelar\u00e1 suas pr\u00f3prias id\u00e9ias ou se tornar\u00e1 joguete de Esp\u00edritos enganadores que se aproveitam de seu entusiasmo para fascin\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>445 Que conseq\u00fc\u00eancias se pode tirar dos fen\u00f4menos do sonambulismo e do \u00eaxtase? N\u00e3o seriam uma esp\u00e9cie de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida futura?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9, verdadeiramente, a vida passada e a vida futura que o homem entrev\u00ea. Se estudar esses fen\u00f4menos, a\u00ed encontrar\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o de mais de um mist\u00e9rio que sua raz\u00e3o procura inutilmente penetrar.<\/p>\n<p><strong>446 Os fen\u00f4menos do sonambulismo e do \u00eaxtase poderiam se conciliar com o materialismo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Aquele que os estuda de boa-f\u00e9, sem preven\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode ser nem materialista nem ateu.<\/p>\n<p><strong>Dupla vista<\/strong><\/p>\n<p><strong>447 O fen\u00f4meno conhecido como dupla vista ou segunda vista tem rela\u00e7\u00e3o com o sonho e o sonambulismo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Tudo isso \u00e9 a mesma coisa. O que chamais de dupla vista \u00e9 ainda o Esp\u00edrito que est\u00e1 mais livre, embora o corpo n\u00e3o esteja adormecido. A dupla vista \u00e9 a vista da alma.<\/p>\n<p><strong>448 A dupla vista \u00e9 permanente?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A faculdade, sim; o exerc\u00edcio, n\u00e3o. Nos mundos menos materiais, os Esp\u00edritos se desprendem mais facilmente e se comunicam apenas por meio do pensamento, sem excluir, entretanto, a linguagem articulada. A dupla vista \u00e9 tamb\u00e9m, para a maioria dos que l\u00e1 habitam, uma faculdade permanente. Seu estado normal pode ser comparado ao dos vossos son\u00e2mbulos l\u00facidos e \u00e9 tamb\u00e9m por essa raz\u00e3o que eles se manifestam mais facilmente do que aqueles que est\u00e3o encarnados nos corpos mais grosseiros.<\/p>\n<p><strong>449 A dupla vista se desenvolve espontaneamente ou pela vontade de quem a possui?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Mais freq\u00fcentemente \u00e9 espont\u00e2nea, mas muitas vezes a vontade a\u00ed exerce um grande papel. Assim, por exemplo, em certas pessoas que se chamam adivinhos, algumas das quais t\u00eam essa faculdade, vereis que \u00e9 exercitando a vontade que chegam a ter dupla vista, o que chamais de vis\u00e3o ou vis\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>450 H\u00e1 a possibilidade de se desenvolver a dupla vista pelo exerc\u00edcio? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, o trabalho sempre traz o progresso e faz desaparecer o v\u00e9u que cobre as coisas.<\/p>\n<p><strong>450 a Essa faculdade tem alguma liga\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Certamente, o organismo desempenha a\u00ed um papel; existem, por\u00e9m, organismos que lhe s\u00e3o refrat\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>451 Por que a dupla vista parece ser heredit\u00e1ria em certas fam\u00edlias? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Semelhan\u00e7a dos organismos que se transmite como as outras qualidades f\u00edsicas. Al\u00e9m disso, a faculdade se desenvolve por uma esp\u00e9cie de educa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m se transmite de um para outro.<\/p>\n<p><strong>452 \u00c9 certo que algumas circunst\u00e2ncias provocam o desenvolvimento da dupla vista?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim. A doen\u00e7a, a expectativa de um perigo, uma grande como\u00e7\u00e3o podem desenvolv\u00ea-la. O corpo est\u00e1 algumas vezes num estado incomum, especial, que permite ao Esp\u00edrito ver o que n\u00e3o podeis ver com os olhos do corpo.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Em tempos de crise e de calamidades, as grandes emo\u00e7\u00f5es, todas as causas que superexcitam o moral<\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#7\"><sup>7<\/sup><\/a><em> provocam, algumas vezes, o desenvolvimento da dupla vista. Parece que a Provid\u00eancia, em presen\u00e7a do perigo, nos d\u00e1 o meio de afast\u00e1-lo. Todas as seitas e fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas perseguidas nos oferecem numerosos exemplos disso. <\/em><\/p>\n<p><strong>453 As pessoas dotadas da dupla vista t\u00eam sempre consci\u00eancia disso? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Nem sempre. Para elas \u00e9 uma coisa totalmente natural, e muitos acreditam que, se todas as pessoas observassem o que se passa consigo mesmas, deveriam ser como eles.<\/p>\n<p><strong>454 Poder\u00edamos atribuir a uma esp\u00e9cie de dupla vista a perspic\u00e1cia de certas pessoas que, sem nada terem de extraordin\u00e1rio, julgam as coisas com mais precis\u00e3o do que as outras?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 sempre a alma que irradia mais livremente e julga melhor que sob o v\u00e9u da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><strong>454 a Essa faculdade pode, em certos casos, dar a previs\u00e3o das coisas? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, e tamb\u00e9m os pressentimentos, porque existem v\u00e1rios graus nessa faculdade, e a mesma pessoa pode ter todos os graus ou apenas alguns.<\/p>\n<p><strong>Resumo te\u00f3rico do sonambulismo, do \u00eaxtase e da dupla vista<\/strong><\/p>\n<p><strong>455<\/strong> Os fen\u00f4menos do sonambulismo natural se produzem espontaneamente e s\u00e3o independentes de toda causa exterior conhecida. Contudo, o organismo f\u00edsico de algumas pessoas pode ser especialmente dotado para isso e os fen\u00f4menos podem, ent\u00e3o, ser provocados artificialmente, por um magnetizador.<\/p>\n<p>O estado designado sob o nome de sonambulismo magn\u00e9tico s\u00f3 difere do sonambulismo natural porque \u00e9 provocado, enquanto o outro \u00e9 espont\u00e2neo.<\/p>\n<p>O sonambulismo natural \u00e9 um fato not\u00f3rio que ningu\u00e9m mais p\u00f5e em d\u00favida, apesar do aspecto maravilhoso dos seus fen\u00f4menos. O que tem, ent\u00e3o, de mais extraordin\u00e1rio ou de mais irracional o sonambulismo magn\u00e9tico? Apenas por ser produzido artificialmente, como tantas outras coisas? Os charlat\u00e3es, dizem, o t\u00eam explorado. Eis uma raz\u00e3o a mais para n\u00e3o o deixar nas m\u00e3os deles. Quando a ci\u00eancia o tomar para si, admitindo-o, o charlatanismo ter\u00e1 bem menos cr\u00e9dito sobre as massas. Contudo, enquanto isso n\u00e3o acontece, o sonambulismo natural ou artificial \u00e9 um fato, e como contra fatos n\u00e3o h\u00e1 argumentos, se propaga, apesar da m\u00e1 vontade de alguns, e isso at\u00e9 mesmo na ci\u00eancia, onde penetra por uma infinidade de pequenas portas em vez de ser aceito pela porta da frente. Quando estiver plenamente firmado l\u00e1, ser\u00e1 preciso conceder-lhe direito de cidadania.<\/p>\n<p>Para o Espiritismo, o sonambulismo \u00e9 mais que um fen\u00f4meno fisiol\u00f3gico, \u00e9 uma luz lan\u00e7ada sobre a psicologia; \u00e9 a\u00ed que se pode estudar a alma, porque ela se mostra descoberta. Ora, um dos fen\u00f4menos pelos quais a alma ou Esp\u00edrito se caracteriza \u00e9 a clarivid\u00eancia, independentemente dos \u00f3rg\u00e3os ordin\u00e1rios da vista. Os que contestam esse fato se ap\u00f3iam no argumento de que o son\u00e2mbulo nem sempre v\u00ea como se v\u00ea pelos olhos e nem sempre v\u00ea conforme a vontade do experimentador. \u00c9 natural. E devemos nos surpreender que, sendo os meios diferentes, os efeitos n\u00e3o sejam os mesmos? \u00c9 racional querer efeitos id\u00eanticos quando o instrumento n\u00e3o existe mais? A alma tem suas propriedades assim como o olho tem as suas; \u00e9 preciso julg\u00e1-las em si mesmas e n\u00e3o por compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A causa da clarivid\u00eancia tanto no sonambulismo magn\u00e9tico quanto no natural \u00e9 a mesma: \u00e9 um atributo da alma, uma faculdade inerente a todas as partes do ser incorp\u00f3reo que est\u00e1 em n\u00f3s e cujos limites s\u00e3o os mesmos da pr\u00f3pria alma. O son\u00e2mbulo v\u00ea todos os lugares aonde sua alma possa se transportar, seja qual fora dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, o son\u00e2mbulo n\u00e3o v\u00ea as coisas do lugar em que est\u00e1 seu corpo e sim como por um efeito telesc\u00f3pico<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#8\"><sup>8<\/sup><\/a>. Ele as v\u00ea presentes e como se estivesse no lugar onde elas existem, visto que sua alma l\u00e1 est\u00e1 em realidade. \u00c9 por isso que seu corpo fica como se estivesse aniquilado e parece privado de sensa\u00e7\u00f5es at\u00e9 o momento em que a alma vem retom\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Essa separa\u00e7\u00e3o parcial da alma e do corpo \u00e9 um estado anormal que pode ter uma dura\u00e7\u00e3o mais ou menos longa, mas n\u00e3o indefinida; \u00e9 a causa do cansa\u00e7o que o corpo sente ap\u00f3s um certo tempo, principalmente quando a alma se entrega a um trabalho ativo.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o da vis\u00e3o na alma ou Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 circunscrito e n\u00e3o tem um lugar determinado, como no corpo f\u00edsico, o que explica por que os son\u00e2mbulos n\u00e3o podem lhe assinalar um \u00f3rg\u00e3o especial. Eles v\u00eaem porque v\u00eaem, sem saber como ou por que, pois para eles, como Esp\u00edritos, a vista n\u00e3o tem sede pr\u00f3pria. Ao se reportarem ao seu corpo, essa sede lhes parece estar nos centros onde a atividade vital \u00e9 maior, principalmente no c\u00e9rebro, na regi\u00e3o epig\u00e1strica<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#9\"><sup>9<\/sup><\/a>, ou no \u00f3rg\u00e3o que, para eles, \u00e9 o ponto de liga\u00e7\u00e3o mais intenso entre o Esp\u00edrito e o corpo.<\/p>\n<p>O poder da lucidez sonamb\u00falica n\u00e3o \u00e9 ilimitado. O Esp\u00edrito, mesmo completamente liberto do corpo, est\u00e1 limitado em suas faculdades e conhecimentos de acordo com o grau de perfei\u00e7\u00e3o que atingiu, e mais ainda por estar ligado \u00e0 mat\u00e9ria da qual sofre influ\u00eancia. Por causa disso \u00e9 que a clarivid\u00eancia sonamb\u00falica n\u00e3o \u00e9 comum, nem infal\u00edvel. Muito menos se pode contar com sua infalibilidade quanto mais se desviado objetivo proposto pela natureza e quanto mais se faz dela objeto de curiosidade e experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No estado de desprendimento em que se encontra, o Esp\u00edrito do son\u00e2mbulo entra em comunica\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil com outros Esp\u00edritos encarnados ou n\u00e3o encarnados; essa comunica\u00e7\u00e3o se estabelece pelo contato dos fluidos que comp\u00f5em os perisp\u00edritos e servem de transmiss\u00e3o para o pensamento, como o fio na eletricidade.<\/p>\n<p>O son\u00e2mbulo n\u00e3o tem, portanto, necessidade de que o pensamento seja articulado pela fala: ele o sente e adivinha, \u00e9 o que o torna extremamente impression\u00e1vel \u00e0s influ\u00eancias da atmosfera moral em que est\u00e1. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que uma assist\u00eancia numerosa de espectadores, e principalmente de curiosos mal-intencionados, prejudica o desenvolvimento dessas faculdades, que se recolhem, por assim dizer, em si mesmas, e n\u00e3o se desdobram com toda a liberdade como numa reuni\u00e3o \u00edntima e num meio simp\u00e1tico. A presen\u00e7a de pessoas mal-intencionadas ou antip\u00e1ticas produz sobre o son\u00e2mbulo o efeito do contato da m\u00e3o sobre a planta sensitiva<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-2-08.html#10\"><sup>10<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O son\u00e2mbulo v\u00ea \u00e0s vezes seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito e seu pr\u00f3prio corpo; s\u00e3o, por assim dizer, dois seres que lhe representam a dupla exist\u00eancia, espiritual e corporal, e entretanto se confundem pelos la\u00e7os que os unem. Nem sempre o son\u00e2mbulo se d\u00e1 conta dessa situa\u00e7\u00e3o e essa dualidade faz com que muitas vezes fale de si como se falasse de outra pessoa; \u00e9 que, \u00e0s vezes, \u00e9 o ser corporal que fala ao espiritual e, outras, \u00e9 o ser espiritual que fala ao corporal.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito adquire um acr\u00e9scimo de conhecimento e experi\u00eancia a cada uma de suas exist\u00eancias corporais. Ele os esquece em parte, durante sua encarna\u00e7\u00e3o numa mat\u00e9ria muito grosseira, mas sempre se lembra disso como Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que certos son\u00e2mbulos revelam conhecimentos al\u00e9m da instru\u00e7\u00e3o que possuem e at\u00e9 mesmo superiores \u00e0s suas aparentes capacidades intelectuais. A inferioridade intelectual e cient\u00edfica do son\u00e2mbulo quando acordado n\u00e3o interfere, portanto, em nada nos conhecimentos que pode revelar. De acordo com as circunst\u00e2ncias e o objetivo a que se proponha, pode tir\u00e1-las de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, na clarivid\u00eancia das coisas presentes ou do conselho que recebe de outros Esp\u00edritos, ou ainda do seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito, que, podendo ser mais ou menos avan\u00e7ado, pode ent\u00e3o dizer coisas mais ou menos certas.<\/p>\n<p>Pelos fen\u00f4menos do sonambulismo, tanto o natural quanto o magn\u00e9tico, a Provid\u00eancia nos d\u00e1 a prova irrecus\u00e1vel da exist\u00eancia e independ\u00eancia da alma e nos faz assistir ao espet\u00e1culo sublime da liberdade que ela tem; assim, nos abre o livro de nossa destina\u00e7\u00e3o. Quando o son\u00e2mbulo descreve o que se passa \u00e0 dist\u00e2ncia, \u00e9 evidente que ele v\u00ea, mas n\u00e3o pelos olhos do corpo; v\u00ea a si mesmo e sente-se transportado para l\u00e1; h\u00e1, portanto, naquele lugar algo dele, e esse algo, n\u00e3o sendo seu corpo, s\u00f3 pode ser sua alma ou Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Enquanto o homem se perde nas sutilezas de uma metaf\u00edsica abstrata e incompreens\u00edvel para pesquisar as causas de nossa exist\u00eancia moral, Deus coloca diariamente ao alcance de nossos olhos e nossas m\u00e3os os meios mais simples e evidentes para o estudo da psicologia experimental.<\/p>\n<p>O \u00eaxtase \u00e9 o estado em que a independ\u00eancia da alma e do corpo se manifesta de maneira mais sens\u00edvel e torna-se de certo modo palp\u00e1vel.<\/p>\n<p>No sonho e no sonambulismo, a alma percorre os mundos terrestres. No \u00eaxtase, penetra num mundo desconhecido, dos Esp\u00edritos et\u00e9reos, com os quais entra em comunica\u00e7\u00e3o, sem, entretanto, ultrapassar certos limites que n\u00e3o teria como transpor sem romper totalmente os la\u00e7os que a ligam ao corpo. Sente-se num estado resplandecente completamente novo que a circunda, harmonias desconhecidas na Terra a arrebatam, um bem-estar indefin\u00edvel a envolve. A alma desfruta por antecipa\u00e7\u00e3o da beatitude celeste e pode-se dizer que p\u00f5e um p\u00e9 sobre o limiar da eternidade.<\/p>\n<p>No estado de \u00eaxtase o aniquilamento do corpo \u00e9 quase completo; tem apenas, por assim dizer, a vida org\u00e2nica e sente que a alma est\u00e1 a ele ligado apenas por um fio que um pequeno esfor\u00e7o extra faria romper para sempre.<\/p>\n<p>Nesse estado, todos os pensamentos terrestres desaparecem para dar lugar ao sentimento puro, que \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia de nosso ser imaterial. Inteiramente envolto nessa contempla\u00e7\u00e3o sublime, o ext\u00e1tico encara a vida apenas como uma paragem moment\u00e2nea. Para ele tanto o bem quanto o mal, as alegrias grosseiras e mis\u00e9rias aqui da Terra s\u00e3o apenas incidentes f\u00fateis de uma viagem cujo t\u00e9rmino que avista o deixa feliz.<\/p>\n<p>Os ext\u00e1ticos s\u00e3o como os son\u00e2mbulos: sua lucidez pode ser mais ou menos perfeita e seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito, conforme for mais ou menos elevado, estar\u00e1 tamb\u00e9m igualmente apto a conhecer e compreender as coisas. H\u00e1 neles, algumas vezes, mais exalta\u00e7\u00e3o do que verdadeira lucidez ou, melhor dizendo, sua exalta\u00e7\u00e3o prejudica sua lucidez. \u00c9 por isso que suas revela\u00e7\u00f5es s\u00e3o freq\u00fcentemente uma mistura de verdades e erros, de coisas sublimes e absurdas ou at\u00e9 mesmo rid\u00edculas. Os Esp\u00edritos inferiores se aproveitam, freq\u00fcentemente, dessa exalta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 sempre uma causa de fraqueza quando n\u00e3o se sabe reprimi-la, para dominar o ext\u00e1tico, e se fazem passar aos seus olhos com apar\u00eancias que o prendem \u00e0s id\u00e9ias e preconceitos que t\u00eam quando acordado. Isso representa uma dificuldade e um perigo, mas nem todos s\u00e3o assim; cabe a n\u00f3s julgar friamente e pesar suas revela\u00e7\u00f5es na balan\u00e7a da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>A emancipa\u00e7\u00e3o da alma se manifesta \u00e0s vezes no estado de vig\u00edlia e produz o fen\u00f4meno conhecido como dupla vista ou segunda vista, que d\u00e1 \u00e0queles que dela s\u00e3o dotados a faculdade de ver, ouvir e sentir al\u00e9m dos limites de nossos sentidos. Eles percebem coisas distantes em todas as partes onde a alma estenda sua a\u00e7\u00e3o; eles as v\u00eaem, por assim dizer, pela vis\u00e3o ordin\u00e1ria e por uma esp\u00e9cie de miragem.<\/p>\n<p>No momento em que se produz o fen\u00f4meno da dupla vista, o estado f\u00edsico do indiv\u00edduo \u00e9 sensivelmente modificado; o olhar tem algo de vago: olha sem ver; a fisionomia toda reflete um ar de exalta\u00e7\u00e3o. Constata-se que os \u00f3rg\u00e3os da vista ficam alheios ao processo porque a vis\u00e3o persiste, apesar dos olhos fechados.<\/p>\n<p>Essa faculdade parece, para aqueles que dela desfrutam, t\u00e3o natural como a de ver; \u00e9 para eles uma propriedade normal do seu ser e n\u00e3o lhes parece excepcional. O esquecimento se segue em geral a essa lucidez passageira da qual a lembran\u00e7a, cada vez mais vaga, acaba por desaparecer como a de um sonho.<\/p>\n<p>O poder da dupla vista varia desde a sensa\u00e7\u00e3o confusa at\u00e9 a percep\u00e7\u00e3o clara e n\u00edtida das coisas presentes ou ausentes. No estado rudimentar, d\u00e1 a certas pessoas o tato, a perspic\u00e1cia, uma esp\u00e9cie de certeza em seus atos que se pode chamar de precis\u00e3o do golpe de vista moral.<\/p>\n<p>Um pouco mais desenvolvida, desperta os pressentimentos; ainda mais desenvolvida, mostra os acontecimentos ocorridos ou em via de ocorrer.<\/p>\n<p>O sonambulismo natural ou artificial, o \u00eaxtase e a dupla vista s\u00e3o apenas variedades ou modifica\u00e7\u00f5es de uma mesma causa. Esses fen\u00f4menos, assim como os sonhos, est\u00e3o na lei da natureza; eis por que existiram desde todos os tempos. A hist\u00f3ria nos mostra que foram conhecidos e at\u00e9 mesmo explorados desde a mais alta Antig\u00fcidade e neles est\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o de diversos fatos que os preconceitos fizeram considerar sobrenaturais.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Outra esp\u00e9cie de sonhos<\/strong>: ele se referia \u00e0 mediunidade (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Joana D\u2019Arc<\/strong>: hero\u00edna francesa. Comandou os ex\u00e9rcitos da Fran\u00e7a \u00e0 vit\u00f3ria sobre os ingleses, orientada por seus sonhos e suas vis\u00f5es (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Jac\u00f3<\/strong>: patriarca hebreu do Antigo Testamento que viu em sonho uma escada que levava da Terra ao c\u00e9u (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Letargia<\/strong>: estado caracterizado por sono profundo e demorado, causado por dist\u00farbios cerebrais ou por perda moment\u00e2nea do controle cerebral. (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Catalepsia<\/strong>: estado caracterizado pela rigidez dos m\u00fasculos e imobilidade; pode ser provocado por afec\u00e7\u00f5es nervosas ou induzidas, como, por exemplo, pelo hipnotismo (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Eletricidade<\/strong>: o tel\u00e9grafo, o telefone, etc. A resposta se refere ao tel\u00e9grafo, mas se aplica hoje ao telefone e \u00e0s telecomunica\u00e7\u00f5es em geral (N. E.).<\/li>\n<li><strong>O moral<\/strong>: \u00e2nimo (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Efeito telesc\u00f3pico<\/strong>: capacidade de discernir objetos distantes (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Epig\u00e1strica<\/strong>: referente \u00e0 parte superior e central do abdome (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Sensitiva<\/strong>: planta tamb\u00e9m conhecida como dormideira, que se fecha ao contato com a m\u00e3o (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte Segunda \u2013 Cap\u00edtulo 8 Da emancipa\u00e7\u00e3o da alma O sono e os sonhos \u2013 Visitas esp\u00edritas entre pessoas vivas \u2013 Transmiss\u00e3o oculta do pensamento \u2013 Letargia, catalepsia, mortes aparentes \u2013 Sonambulismo \u2013 \u00caxtase \u2013 Dupla vista \u2013 Resumo te\u00f3rico &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/4-parte-segunda-mundo-espirita-ou-dos-espiritos\/cap-8-400-a-455-da-emancipacao-da-alma\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4250,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4266","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4266"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4309,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4266\/revisions\/4309"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}