{"id":4294,"date":"2016-06-29T22:14:26","date_gmt":"2016-06-30T01:14:26","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4294"},"modified":"2016-06-29T22:14:26","modified_gmt":"2016-06-30T01:14:26","slug":"cap-10-825-a-872-lei-de-liberdade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/5-parte-terceira-leis-morais\/cap-10-825-a-872-lei-de-liberdade\/","title":{"rendered":"Cap 10 &#8211; 825 a 872 &#8211; Lei de Liberdade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte Terceira \u2013 Cap\u00edtulo 10<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lei de Liberdade<\/strong><\/p>\n<p>Liberdade natural \u2013 Escravid\u00e3o \u2013 Liberdade de pensar \u2013 Liberdade de consci\u00eancia \u2013 Livre-arb\u00edtrio \u2013 Fatalidade \u2013 Conhecimento do futuro \u2013 Resumo te\u00f3rico da motiva\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es do homem<\/p>\n<p><strong>Liberdade natural<\/strong><\/p>\n<p><strong>825 H\u00e1 posi\u00e7\u00f5es no mundo em que o homem pode se vangloriar de desfrutar de liberdade absoluta?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, porque todos necessitam uns dos outros, tanto os pequenos quanto os grandes.<\/p>\n<p><strong>826 Em que condi\u00e7\u00e3o o homem poderia desfrutar de liberdade absoluta? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Na de eremita no deserto. Desde que haja dois homens juntos, h\u00e1 direitos a respeitar e nenhum deles tem mais liberdade absoluta.<\/p>\n<p><strong>827 A obriga\u00e7\u00e3o de respeitar os direitos dos outros tira do homem o direito de ser senhor de si?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 De jeito nenhum, porque esse \u00e9 um direito que a natureza lhe concede.<\/p>\n<p><strong>828 Como conciliar as opini\u00f5es liberais de certos homens com a tirania que, muitas vezes, eles mesmos praticam no lar e com os seus subordinados?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eles t\u00eam da lei natural s\u00f3 a compreens\u00e3o, por\u00e9m contrabalan\u00e7ada pelo orgulho e ego\u00edsmo. Quando esses princ\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o uma com\u00e9dia calculadamente representada, o homem tem a perfeita no\u00e7\u00e3o de como deveria agir, mas n\u00e3o o faz.<\/p>\n<p><strong>828 a Como ser\u00e3o considerados na vida espiritual os que procederam assim neste mundo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Quanto mais intelig\u00eancia tenha um homem para compreender um princ\u00edpio, menos \u00e9 desculp\u00e1vel por n\u00e3o aplic\u00e1-lo a si mesmo. Eu vos digo, em verdade, que o homem simples, mas sincero, est\u00e1 mais avan\u00e7ado no caminho de Deus do que aquele que quer parecer o que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Escravid\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>829 H\u00e1 homens que s\u00e3o, por natureza, destinados a ser propriedades de outros homens?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Toda sujei\u00e7\u00e3o absoluta de um homem a outro \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 lei de Deus. A escravid\u00e3o \u00e9 um abuso da for\u00e7a e desaparecer\u00e1 com o progresso, como desaparecer\u00e3o pouco a pouco todos os abusos.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A lei humana que consagra a escravid\u00e3o \u00e9 contra a natureza, uma vez que iguala o homem ao irracional e o degrada moral e fisicamente.<\/em><\/p>\n<p><strong>830 Quando a escravid\u00e3o faz parte dos costumes de um povo, os que dela se aproveitam s\u00e3o conden\u00e1veis, por agirem seguindo um procedimento que parece natural? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O mal \u00e9 sempre o mal e todos os sofismas n\u00e3o far\u00e3o com que uma m\u00e1 a\u00e7\u00e3o se torne boa. Mas a responsabilidade do mal \u00e9 relativa aos meios de que se disp\u00f5e para compreend\u00ea-la. Aquele que tira proveito da lei da escravid\u00e3o \u00e9 sempre culpado da viola\u00e7\u00e3o da lei natural; mas, nisso, como em todas as coisas, a culpa \u00e9 relativa. A escravid\u00e3o, tendo se firmado nos costumes de alguns povos, tornou poss\u00edvel ao homem aproveitar-se dela de boa-f\u00e9, como de uma coisa que parecia natural; mas a partir do momento que sua raz\u00e3o se mostrou mais desenvolvida e, acima de tudo, esclarecida pelas luzes do Cristianismo, demonstrando que o escravo \u00e9 um ser igual diante de Deus, n\u00e3o h\u00e1 mais desculpa que justifique a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>831 A desigualdade natural das aptid\u00f5es n\u00e3o coloca algumas ra\u00e7as humanas sob a depend\u00eancia de outras mais inteligentes?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, mas para ergu\u00ea-las e n\u00e3o para embrutec\u00ea-las ainda mais pela escravid\u00e3o. Os homens t\u00eam considerado durante muito tempo algumas ra\u00e7as humanas como animais de bra\u00e7os e m\u00e3os e se julgaram no direito de vend\u00ea-los como animais de carga. Eles acreditam possuir um sangue mais puro, insensatos que v\u00eaem apenas a mat\u00e9ria! N\u00e3o \u00e9 o sangue que \u00e9 mais ou menos puro, mas o Esp\u00edrito. (Veja as quest\u00f5es 361 e 803.)<\/p>\n<p><strong>832 H\u00e1 homens que tratam seus escravos com humanidade, que n\u00e3o lhes deixam faltar nada e pensam que a liberdade at\u00e9 os exporia a piores priva\u00e7\u00f5es; o que dizeis deles?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Digo que esses cuidam melhor de seus interesses. T\u00eam tamb\u00e9m muito cuidado com seus bois e cavalos, para tirar mais proveito deles no mercado. N\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o culpados quanto os que os maltratam, mas disp\u00f5em deles como de uma mercadoria ao impedir o direito de serem livres.<\/p>\n<p><strong>Liberdade de pensar<\/strong><\/p>\n<p><strong>833 H\u00e1 no homem alguma coisa livre de qualquer constrangimento e da qual desfruta de uma liberdade absoluta?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 pelo pensamento que o homem desfruta de uma liberdade sem limites, porque o pensamento desconhece obst\u00e1culos. Pode-se deter seu v\u00f4o, mas n\u00e3o aniquil\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>834 O homem \u00e9 respons\u00e1vel por seu pensamento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 respons\u00e1vel diante de Deus; somente Deus, podendo conhec\u00ea-lo, o condena ou o absolve segundo Sua justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Liberdade de consci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>835 A liberdade de consci\u00eancia \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia da de pensar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A consci\u00eancia \u00e9 um pensamento \u00edntimo que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos.<\/p>\n<p><strong>836 O homem tem direito de colocar obst\u00e1culos \u00e0 liberdade de consci\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, nem \u00e0 liberdade de pensar. Pertence apenas a Deus o direito de julgar a consci\u00eancia. Se os homens regulam por suas leis as rela\u00e7\u00f5es de homem para homem, Deus, pelas leis da natureza, regula as rela\u00e7\u00f5es do homem com Deus.<\/p>\n<p><strong>837 Qual o resultado dos obst\u00e1culos postos \u00e0 liberdade de consci\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Constranger os homens a agir de modo diferente do que pensam, torn\u00e1-los hip\u00f3critas. A liberdade de consci\u00eancia \u00e9 uma das caracter\u00edsticas da verdadeira civiliza\u00e7\u00e3o e do progresso.<\/p>\n<p><strong>838 Toda cren\u00e7a \u00e9 respeit\u00e1vel mesmo que seja notoriamente falsa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Toda cren\u00e7a \u00e9 respeit\u00e1vel quando \u00e9 sincera e conduz \u00e0 pr\u00e1tica do bem. As cren\u00e7as conden\u00e1veis s\u00e3o as que conduzem ao mal.<\/p>\n<p><strong>839 \u00c9 repreens\u00edvel escandalizar na sua cren\u00e7a aquele que n\u00e3o pensa como n\u00f3s?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 falta de caridade e ofende a liberdade de pensamento.<\/p>\n<p><strong>840 Ser\u00e1 atentar contra a liberdade de consci\u00eancia impor restri\u00e7\u00f5es \u00e0s cren\u00e7as que provocam problemas \u00e0 sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Podem-se reprimir os atos, mas a cren\u00e7a \u00edntima \u00e9 inacess\u00edvel.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Reprimir os atos exteriores de uma cren\u00e7a quando ela ocasiona um preju\u00edzo qualquer aos outros n\u00e3o \u00e9 atentar contra a liberdade de consci\u00eancia, porque a repress\u00e3o n\u00e3o impede a pessoa de manter a cren\u00e7a. <\/em><\/p>\n<p><strong>841 Deve-se, em respeito \u00e0 liberdade de consci\u00eancia, deixar que se propaguem doutrinas nocivas e pode-se, sem prejudicar essa liberdade, procurar trazer de volta ao caminho da verdade aqueles que se perderam ao admitir falsos princ\u00edpios?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Certamente que sim; e at\u00e9 mesmo se deve. Mas ensinai a exemplo de Jesus, pela do\u00e7ura e persuas\u00e3o, e n\u00e3o pela for\u00e7a, o que seria pior que a cren\u00e7a daquele a quem se quer convencer. Se h\u00e1 algo que seja permitido impor \u00e9 o bem e a fraternidade. Mas n\u00e3o acreditamos que o meio de lev\u00e1-los a admitir seja agindo com viol\u00eancia: a convic\u00e7\u00e3o n\u00e3o se imp\u00f5e.<\/p>\n<p><strong>842 Todas as doutrinas t\u00eam a pretens\u00e3o de ser a \u00fanica express\u00e3o da verdade; como se pode reconhecer a que tem o direito de se posicionar assim?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Ser\u00e1 aquela que faz mais homens de bem e menos hip\u00f3critas, ou seja, pela pr\u00e1tica da lei de amor e de caridade em sua maior pureza e sua aplica\u00e7\u00e3o mais abrangente. A esse sinal reconheceis que uma doutrina \u00e9 boa, j\u00e1 que toda doutrina que semear a desuni\u00e3o e estabelecer uma demarca\u00e7\u00e3o entre os filhos de Deus s\u00f3 pode ser falsa e nociva.<\/p>\n<p><strong>Livre-arb\u00edtrio<\/strong><\/p>\n<p><strong>843 O homem tem sempre o livre-arb\u00edtrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Uma vez que tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem o livre-arb\u00edtrio o homem seria como uma m\u00e1quina.<\/p>\n<p><strong>844 O homem desfruta de seu livre-arb\u00edtrio desde seu nascimento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 liberdade de agir desde que haja a liberdade de fazer. Nos primeiros tempos da vida a liberdade \u00e9 quase nula; ela vai evoluindo e seus objetivos mudam de acordo com o desenvolvimento das faculdades. A crian\u00e7a, tendo pensamentos relacionados com as necessidades de sua idade, aplica seu livre-arb\u00edtrio \u00e0s escolhas que lhe s\u00e3o necess\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>845 As predisposi\u00e7\u00f5es instintivas que o homem traz ao nascer n\u00e3o s\u00e3o um obst\u00e1culo ao exerc\u00edcio do livre-arb\u00edtrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 As predisposi\u00e7\u00f5es instintivas s\u00e3o do Esp\u00edrito antes de sua encarna\u00e7\u00e3o; conforme \u00e9 mais ou menos adiantado, podem lev\u00e1-lo a praticar atos conden\u00e1veis, e ele ser\u00e1 auxiliado nisso pelos Esp\u00edritos com essas mesmas tend\u00eancias, mas n\u00e3o h\u00e1 arrebatamento irresist\u00edvel quando se tem a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer \u00e9 poder. (Veja a quest\u00e3o 361.)<\/p>\n<p><strong>846 O organismo tem influ\u00eancia sobre os atos da vida? E se tem, ela n\u00e3o acaba anulando o livre-arb\u00edtrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito est\u00e1 certamente influenciado pela mat\u00e9ria que o pode entravar em suas manifesta\u00e7\u00f5es; eis por que, nos mundos onde os corpos s\u00e3o menos materiais, as faculdades se desenvolvem com mais liberdade. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o instrumento que d\u00e1 as faculdades. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso separar aqui as faculdades morais das intelectuais; se um homem tem o instinto assassino, \u00e9 seguramente seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito que o possui e o transmite, e n\u00e3o seus \u00f3rg\u00e3os. Aquele que canaliza o pensamento para a vida da mat\u00e9ria torna-se semelhante ao irracional e, pior ainda, porque n\u00e3o pensa mais em se prevenir contra o mal, e \u00e9 nisso que \u00e9 culpado, uma vez que age assim por sua vontade. (Veja a quest\u00e3o 367 e segs. \u2013 \u201cInflu\u00eancia do organismo\u201d.)<\/p>\n<p><strong>847 A anormalidade das faculdades tira do homem o livre-arb\u00edtrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Aquele cuja intelig\u00eancia \u00e9 perturbada por uma causa qualquer n\u00e3o \u00e9 mais senhor de seu pensamento e assim n\u00e3o tem mais liberdade. Essa anormalidade \u00e9, muitas vezes, uma puni\u00e7\u00e3o para o Esp\u00edrito que, numa outra encarna\u00e7\u00e3o, pode ter sido f\u00fatil e orgulhoso e ter feito mau uso de suas faculdades. Ele pode renascer no corpo de um deficiente mental, como o escravizador no corpo de um escravo e o mau rico no de um mendigo. Por\u00e9m, o Esp\u00edrito sofreu esse constrangimento com perfeita consci\u00eancia. Est\u00e1 a\u00ed a a\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. (Veja a quest\u00e3o 371 e seguintes)<\/p>\n<p><strong>848 Os desatinos das faculdades intelectuais causadas pela embriaguez \u00e9 desculpa para atos conden\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, porque o b\u00eabado voluntariamente se privou de sua raz\u00e3o para satisfazer paix\u00f5es brutais; em vez de uma falta, comete duas.<\/p>\n<p><strong>849<\/strong> No homem primitivo, a faculdade dominante \u00e9 o instinto ou o livre-arb\u00edtrio?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 o instinto, o que n\u00e3o o impede de agir com total liberdade em certas circunst\u00e2ncias; como a crian\u00e7a, ele aplica essa liberdade \u00e0s suas necessidades e ela se desenvolve com a intelig\u00eancia. Por\u00e9m, como v\u00f3s, sois mais esclarecidos do que um selvagem e tamb\u00e9m mais respons\u00e1veis pelo que fazeis.<\/p>\n<p><strong>850 A posi\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9, algumas vezes, um obst\u00e1culo \u00e0 total liberdade dos atos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O mundo tem, sem d\u00favida, suas exig\u00eancias. Deus \u00e9 justo e tudo leva em conta, mas vos deixa a responsabilidade do pouco esfor\u00e7o que fazeis para superar os obst\u00e1culos.<\/p>\n<p><strong>Fatalidade<\/strong><\/p>\n<p><strong>851 Haver\u00e1 fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme o sentido que se d\u00e1 a essa palavra, ou seja, todos os acontecimentos s\u00e3o predeterminados? Nesse caso, como fica o livre-arb\u00edtrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A fatalidade existe apenas na escolha que o Esp\u00edrito fez ao encarnar e suportar esta ou aquela prova. E da escolha resulta uma esp\u00e9cie de destino, que \u00e9 a pr\u00f3pria conseq\u00fc\u00eancia da posi\u00e7\u00e3o que ele pr\u00f3prio escolheu e em que se acha. Falo das provas de natureza f\u00edsica, porque, quanto \u00e0s de natureza moral e \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es, o Esp\u00edrito, ao conservar seu livre-arb\u00edtrio quanto ao bem e ao mal, \u00e9 sempre senhor para ceder ou resistir. Um bom Esp\u00edrito, ao v\u00ea-lo fraquejar, pode vir em sua ajuda, mas n\u00e3o pode influir de modo a dominar sua vontade. Um Esp\u00edrito mau, ao lhe mostrar de forma exagerada um perigo f\u00edsico, pode abal\u00e1-lo e assust\u00e1-lo. Por\u00e9m, a vontade do Esp\u00edrito encarnado est\u00e1 constantemente livre para decidir.<\/p>\n<p><strong>852 H\u00e1 pessoas que parecem ser perseguidas por uma fatalidade, independentemente de seu modo de agir; a infelicidade n\u00e3o \u00e9 um destino?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o, talvez, provas que devem suportar e que escolheram. Mas definitivamente n\u00e3o deveis acusar o destino pelo que, freq\u00fcentemente, \u00e9 apenas a conseq\u00fc\u00eancia de vossas pr\u00f3prias faltas. Nos males que vos afligem, esfor\u00e7ais-vos para que vossa consci\u00eancia esteja pura, e j\u00e1 vos sentireis bastante consolados.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>As id\u00e9ias justas ou falsas que fazemos das coisas nos fazem vencer ou fracassar de acordo com nosso car\u00e1ter e posi\u00e7\u00e3o social. Achamos mais simples e menos humilhante para o nosso amor-pr\u00f3prio atribuir nossos fracassos \u00e0 sorte ou ao destino, e n\u00e3o \u00e0 nossa pr\u00f3pria falta. Se a influ\u00eancia dos Esp\u00edritos contribui para isso algumas vezes, podemos sempre nos defender dessa influ\u00eancia afastando as id\u00e9ias que nos sugerem, quando s\u00e3o m\u00e1s. <\/em><\/p>\n<p><strong>853 Algumas pessoas mal escapam de um perigo mortal para logo cair em outro; parece que n\u00e3o teriam como escapar \u00e0 morte. N\u00e3o h\u00e1 fatalidade nisso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A fatalidade s\u00f3 existe, no verdadeiro sentido da palavra, apenas no instante da morte. Quando esse momento chega, seja por um meio ou por outro, n\u00e3o o podeis evitar.<\/p>\n<p><strong>853 a Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, n\u00e3o morreremos se a hora n\u00e3o \u00e9 chegada?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o morrereis, e sobre isso h\u00e1 milhares de exemplos; mas quando a hora chegar, nada poder\u00e1 impedir. Deus sabe por antecipa\u00e7\u00e3o qual o g\u00eanero de morte que ter\u00e1s na Terra e, muitas vezes, vosso Esp\u00edrito tamb\u00e9m sabe, porque isso foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela exist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>854 Por causa da inevit\u00e1vel hora da morte, as precau\u00e7\u00f5es que se tomam para evit\u00e1-la s\u00e3o in\u00fateis?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. As precau\u00e7\u00f5es que tomais s\u00e3o sugeridas para evitar a morte que vos amea\u00e7a, s\u00e3o meios para que ela n\u00e3o ocorra.<\/p>\n<p><strong>855 Qual \u00e9 o objetivo da Provid\u00eancia ao nos fazer correr dos perigos que n\u00e3o t\u00eam conseq\u00fc\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Quando vossa vida \u00e9 colocada em perigo, \u00e9 uma advert\u00eancia que v\u00f3s mesmo desejastes, a fim de vos desviardes do mal e vos tornardes melhor. Quando escapais desse perigo, ainda sob a influ\u00eancia do risco que passastes, refletis seriamente, conforme a a\u00e7\u00e3o mais ou menos forte dos bons Esp\u00edritos sobre v\u00f3s para vos melhorardes. O mau Esp\u00edrito, voltando a tenta\u00e7\u00e3o (digo mau subentendendo o mal que ainda existe nele), pensa que escapar\u00e1 do mesmo modo a outros perigos e novamente deixa se dominar pelas paix\u00f5es. Pelos perigos que correis, Deus vos lembra de vossa fraqueza e a fragilidade de vossa exist\u00eancia. Se examinardes a causa e a natureza do perigo, vereis que, muitas vezes, as conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o a puni\u00e7\u00e3o de uma falta cometida ou de um dever n\u00e3o cumprido. Deus vos adverte assim para vos recolherdes em v\u00f3s mesmos e vos corrigirdes. (Veja as quest\u00f5es 526 e 532.)<\/p>\n<p><strong>856 O Esp\u00edrito sabe por antecipa\u00e7\u00e3o como desencarnar\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sabe que o g\u00eanero de vida escolhido o exp\u00f5e a desencarnar mais de uma maneira do que de outra. Sabe igualmente quais as lutas que ter\u00e1 de enfrentar para evit\u00e1-la e, se Deus o permitir, n\u00e3o fracassar\u00e1.<\/p>\n<p><strong>857 H\u00e1 homens que enfrentam os perigos dos combates com a convic\u00e7\u00e3o de que sua hora n\u00e3o chegou; h\u00e1 algum fundamento nessa confian\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Freq\u00fcentemente, o homem tem o pressentimento de seu fim, como pode ter o de que n\u00e3o morrer\u00e1 ainda. Esse pressentimento vem por meio dos seus protetores, que querem adverti-lo para estar pronto para partir, ou estimulam sua coragem nos momentos em que \u00e9 mais necess\u00e1ria. Pode vir ainda pela intui\u00e7\u00e3o que tem da exist\u00eancia escolhida, ou da miss\u00e3o que aceitou e sabe que deve cumprir. (Veja as quest\u00f5es 411 e 522.)<\/p>\n<p><strong>858 Por que os que pressentem a morte a temem menos que os outros?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 o homem que teme a morte e n\u00e3o o Esp\u00edrito; aquele que a pressente pensa mais como Esp\u00edrito do que como homem: ele a compreende como sua liberta\u00e7\u00e3o e a espera.<\/p>\n<p><strong>859 Se a morte n\u00e3o pode ser evitada, ocorre o mesmo com todos os acidentes que nos atingem no decorrer da vida?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Freq\u00fcentemente esses acidentes s\u00e3o pequenas coisas para as quais podemos vos prevenir e, algumas vezes, fazer com que as eviteis, dirigindo vosso pensamento, porque n\u00e3o gostamos de vos ver sofrer; mas isso \u00e9 de pouca import\u00e2ncia para a vida que escolhestes. A fatalidade, verdadeiramente, consiste apenas na hora em que deveis nascer e morrer.<\/p>\n<p><strong>859 a H\u00e1 fatos que, for\u00e7osamente, devam acontecer e que a vontade dos Esp\u00edritos n\u00e3o podem afastar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, mas v\u00f3s, antes de encarnar, vistes e pressentistes quando fizestes vossa escolha. Entretanto, n\u00e3o acrediteis que tudo o que acontece est\u00e1 escrito, como se diz. Um acontecimento \u00e9, muitas vezes, a conseq\u00fc\u00eancia de um ato que praticastes por livre vontade, caso contr\u00e1rio o acontecimento n\u00e3o teria ocorrido. Se queimais o dedo, \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia de vossa imprud\u00eancia e a\u00e7\u00e3o sobre a mat\u00e9ria. Apenas as grandes dores, os acontecimentos importantes que podem influir na evolu\u00e7\u00e3o moral, s\u00e3o previstos por Deus, j\u00e1 que s\u00e3o \u00fateis para a vossa depura\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>860 O homem, por sua vontade e a\u00e7\u00f5es, pode fazer com que os acontecimentos que deveriam ocorrer n\u00e3o ocorram, e vice-versa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pode, desde que esse desvio aparente caiba na ordem geral da vida que escolheu. Depois, para fazer o bem, como \u00e9 seu dever e \u00fanico objetivo da vida, ele pode impedir o mal, especialmente aquele que poderia contribuir para um mal maior.<\/p>\n<p><strong>861 O homem que comete um homic\u00eddio sabe, ao escolher sua exist\u00eancia, que se tornar\u00e1 um assassino?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. Sabe que, escolhendo uma determinada esp\u00e9cie de vida,poder\u00e1 ter a possibilidade de matar um de seus semelhantes, mas n\u00e3o sabe se o far\u00e1 porque h\u00e1 nele, quase sempre, uma decis\u00e3o antes de cometer qualquer a\u00e7\u00e3o; portanto, aquele que delibera sobre uma coisa \u00e9 sempre livre para faz\u00ea-la ou n\u00e3o. Se o Esp\u00edrito soubesse antecipadamente que, como homem, deveria cometer um assassinato, \u00e9 porque isso estava predestinado. Sabei que ningu\u00e9m foi predestinado ao crime e todo crime, como todo e qualquer ato, \u00e9 sempre o resultado da vontade e do livre-arb\u00edtrio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, confundis sempre duas coisas bem distintas: os acontecimentos materiais da vida e os atos da vida moral. Se algumas vezes existe fatalidade, \u00e9 nos acontecimentos materiais cuja causa est\u00e1 fora de v\u00f3s e s\u00e3o independentes de vossa vontade. Quanto aos atos da vida moral, esses emanam sempre do pr\u00f3prio homem, que sempre tem, conseq\u00fcentemente, a liberdade de escolha. Para esses atos, nunca existe fatalidade.<\/p>\n<p><strong>862 Existem pessoas para as quais nada sai bem e que um mau g\u00eanio parece perseguir em todas as suas a\u00e7\u00f5es; n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed o que podemos chamar de fatalidade? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 uma fatalidade, se quiserdes chamar assim, mas \u00e9 decorrente da escolha que essa pessoa fez para a presente exist\u00eancia, porque h\u00e1 pessoas que quiseram ser provadas por uma vida de decep\u00e7\u00e3o, para exercitar sua paci\u00eancia e sua resigna\u00e7\u00e3o. N\u00e3o acrediteis, entretanto, que essa fatalidade seja absoluta; muitas vezes \u00e9 o resultado do falso caminho que tomaram e que nada t\u00eam a ver com sua intelig\u00eancia e suas aptid\u00f5es. Aquele que deseja atravessar um rio a nado sem saber nadar tem grande probabilidade de se afogar; assim \u00e9 com a maioria dos acontecimentos da vida. Se o homem somente empreendesse coisas compat\u00edveis e de acordo com suas capacidades, quase sempre teria \u00eaxito. O que faz com que se perca \u00e9 seu amor-pr\u00f3prio e sua ambi\u00e7\u00e3o, que o fazem sair de seu caminho e o induzem a considerar como voca\u00e7\u00e3o o desejo de satisfazer certas paix\u00f5es. Ele fracassa e \u00e9 por sua culpa; mas, em vez de admiti-la espontaneamente, prefere acusar sua estrela. Seria melhor ter sido um bom trabalhador e ganho honestamente a vida do que ser um mau poeta e morrer de fome. Haveria lugar para todos, se cada um soubesse se colocar em seu lugar.<\/p>\n<p><strong>863 Os costumes sociais n\u00e3o obrigam o homem a seguir determinado caminho em vez de outro, e ele n\u00e3o est\u00e1 submetido ao controle da opini\u00e3o geral na escolha de suas ocupa\u00e7\u00f5es? O que se chama de respeito humano n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo ao exerc\u00edcio do livre-arb\u00edtrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o os homens que fazem os costumes sociais e n\u00e3o Deus. Se a eles se submetem, \u00e9 porque lhes conv\u00eam, e isso \u00e9 ainda um ato de seu livre-arb\u00edtrio, uma vez que, se quisessem, poderiam libertar-se deles; ent\u00e3o, por que se lamentar? N\u00e3o s\u00e3o os costumes sociais que devem acusar, mas seu tolo amor-pr\u00f3prio, que os leva a preferir morrer de fome a abandon\u00e1-lo. Ningu\u00e9m levar\u00e1 em conta esse sacrif\u00edcio feito \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, enquanto Deus levar\u00e1 em conta o sacrif\u00edcio que fizerem \u00e0 sua vaidade. Isso n\u00e3o quer dizer que seja preciso afrontar essa opini\u00e3o sem necessidade, como fazem algumas pessoas que t\u00eam mais originalidade do que verdadeira filosofia. H\u00e1 tanto desatino em algu\u00e9m se fazer objeto de cr\u00edtica ou parecer um animal selvagem quanto existe sabedoria em descer voluntariamente e sem reclamar, quando n\u00e3o se pode permanecer no topo da escala.<\/p>\n<p><strong>864 Existem pessoas para as quais a sorte \u00e9 contr\u00e1ria, outras parecem favorecidas, pois tudo lhes sai bem; a que se deve isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Freq\u00fcentemente porque elas sabem orientar-se melhor; mas isso pode ser tamb\u00e9m um g\u00eanero de prova. O sucesso as embriaga; elas confiam em seu destino e freq\u00fcentemente acabam pagando mais tarde esses mesmos sucessos com cru\u00e9is revezes, que poderiam ter evitado com a prud\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>865 Como explicar a sorte que favorece certas pessoas nas circunst\u00e2ncias em que nem a vontade nem a intelig\u00eancia interferem? O jogo, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Alguns Esp\u00edritos escolheram antecipadamente certas esp\u00e9cies de prazer; a sorte que os favorece \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o. Quem ganha como homem perde como Esp\u00edrito; \u00e9 uma prova para seu orgulho e sua cobi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>866 A fatalidade que parece marcar os destinos materiais de nossa vida seria, tamb\u00e9m, o efeito de nosso livre-arb\u00edtrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 V\u00f3s mesmos escolhestes vossa prova; quanto mais for rude e melhor a suportardes, mais vos elevareis. Aqueles que passam a vida na abund\u00e2ncia e na felicidade humana s\u00e3o Esp\u00edritos fracos, que permanecem estacion\u00e1rios. Assim, o n\u00famero de desafortunados ultrapassa em muito o dos felizes neste mundo, j\u00e1 que os Esp\u00edritos procuram, na maior parte, a prova que ser\u00e1 mais proveitosa. Eles v\u00eam muito bem a futilidade de vossas grandezas e prazeres. Ali\u00e1s, a vida mais feliz \u00e9 sempre agitada, sempre inquieta, apesar da aus\u00eancia da dor. (Veja a quest\u00e3o 525 e seguintes)<\/p>\n<p><strong>867 De onde vem a express\u00e3o nascer sob uma boa estrela?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Velha supersti\u00e7\u00e3o que ligava as estrelas ao destino de cada homem. \u00c9 uma simbologia que algumas pessoas fazem a tolice de levar a s\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Conhecimento do futuro<\/strong><\/p>\n<p><strong>868 O futuro pode ser revelado ao homem?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Em princ\u00edpio, o futuro \u00e9 desconhecido e apenas em casos raros ou excepcionais Deus permite que seja revelado.<\/p>\n<p><strong>869 Com que objetivo o futuro \u00e9 oculto ao homem?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e n\u00e3o agiria com a mesma liberdade, porque seria dominado pelo pensamento de que, se uma coisa deve acontecer, n\u00e3o tem por que se preocupar, ou procuraria dificultar o acontecimento. Deus quis que assim fosse, para que cada um cooperasse no cumprimento das coisas, at\u00e9 mesmo daquelas a que gostaria de se opor. Assim, preparais, v\u00f3s mesmos, freq\u00fcentemente sem desconfiar disso, os acontecimentos que suceder\u00e3o no curso de vossa vida.<\/p>\n<p><strong>870 Mas se \u00e9 \u00fatil que o futuro seja oculto, por que Deus permite algumas vezes sua revela\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Permite, quando esse conhecimento pr\u00e9vio deva facilitar o cumprimento de algo em vez de dificult\u00e1-lo, ficando obrigado o homem a agir de modo diferente do que faria sem esse conhecimento. Al\u00e9m disso, \u00e9, freq\u00fcentemente, uma prova. A perspectiva de um acontecimento pode despertar pensamentos bons ou maus. Se um homem souber, por exemplo, que receber\u00e1 uma heran\u00e7a com que n\u00e3o contava, pode ser que essa revela\u00e7\u00e3o desperte nele a cobi\u00e7a, pela expectativa de aumentar seus prazeres terrestres, pelo desejo de se apossar de imediato da heran\u00e7a, desejando, talvez, a morte daquele que lhe deve deixar a fortuna. Ou, ent\u00e3o, essa perspectiva pode despertar-lhe bons sentimentos e pensamentos generosos. Se a predi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se cumpre, sofrer\u00e1 uma outra prova: a decep\u00e7\u00e3o. Mas ele n\u00e3o ter\u00e1, por isso, m\u00e9rito ou dem\u00e9rito pelos pensamentos bons ou maus que a expectativa do acontecimento ocasionou.<\/p>\n<p><strong>871 Uma vez que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem deve fracassar ou n\u00e3o numa prova? Nesse caso, qual \u00e9 a necessidade dessa prova, que nada acrescentar\u00e1 ao que Deus j\u00e1 sabe a respeito desse homem?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 o mesmo que perguntar por que Deus n\u00e3o criou o homem perfeito e realizado; (Veja a quest\u00e3o 119.) por que o homem passa pela inf\u00e2ncia antes de atingir a idade adulta. (Veja a quest\u00e3o 379.) A prova n\u00e3o tem a finalidade de esclarecer a Deus sobre o m\u00e9rito dessa pessoa, visto que sabe perfeitamente para que a prova lhe serve, mas, sim, para a deixar com toda a responsabilidade de sua a\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 livre para fazer ou n\u00e3o. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem a finalidade de coloc\u00e1-lo em luta com a tenta\u00e7\u00e3o do mal e lhe deixar todo o m\u00e9rito da resist\u00eancia. Embora saiba muito bem, antecipadamente, se triunfar\u00e1 ou n\u00e3o, Deus n\u00e3o pode, em Sua justi\u00e7a, puni-lo nem recompens\u00e1-lo por um ato que ainda n\u00e3o foi praticado. (Veja a quest\u00e3o 258.)<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Assim acontece entre os homens. Por mais capaz que seja um estudante, qualquer certeza que se tenha de v\u00ea-lo triunfar, n\u00e3o se confere a ele nenhum grau sem exame, ou seja, sem prova; do mesmo modo, o juiz n\u00e3o condena um acusado sen\u00e3o por um ato consumado e n\u00e3o por prever que ele possa consumar esse ato. <\/em><\/p>\n<p><em>Quanto mais se examinam as conseq\u00fc\u00eancias que resultariam para o homem se tivesse o conhecimento do futuro, mais se v\u00ea quanto a Provid\u00eancia foi s\u00e1bia em ocult\u00e1-lo. A certeza de um acontecimento feliz o mergulharia na in\u00e9rcia; a de um acontecimento infeliz, no desencorajamento; tanto em um quanto em outro, suas for\u00e7as estariam paralisadas. Por isso o futuro \u00e9 apenas mostrado ao homem como <\/em>um objetivo<em> que deve atingir por seus esfor\u00e7os, mas sem conhecer o processo pelo qual deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes do caminho lhe diminuiria a iniciativa e o uso de seu livre-arb\u00edtrio; ele se deixaria levar pela fatalidade dos acontecimentos, sem exercer suas aptid\u00f5es. Quando o sucesso de uma coisa \u00e9 assegurado, ningu\u00e9m se preocupa mais com ela. <\/em><\/p>\n<p><strong>Resumo te\u00f3rico da motiva\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es do homem<\/strong><\/p>\n<p><strong>872<\/strong> A quest\u00e3o de ter a vontade livre, isto \u00e9, o livre-arb\u00edtrio, pode se resumir assim: a criatura humana n\u00e3o \u00e9 fatalmente conduzida ao mal; os atos que pratica n\u00e3o estavam antecipadamente determinados; os crimes que comete n\u00e3o resultam de uma senten\u00e7a do destino. Ele pode, como prova e expia\u00e7\u00e3o, escolher uma exist\u00eancia em que ter\u00e1 a sedu\u00e7\u00e3o para o crime, seja pelo meio em que se encontre ou pelos atos em que tomar\u00e1 parte, mas est\u00e1 constantemente livre para agir ou n\u00e3o. Assim, o livre-arb\u00edtrio existe no estado de Esp\u00edrito, com a escolha da exist\u00eancia e das provas, e no estado corporal, na disposi\u00e7\u00e3o de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que estamos voluntariamente submetidos. Cabe \u00e0 educa\u00e7\u00e3o combater essas m\u00e1s tend\u00eancias; ela o far\u00e1 utilmente quando estiver baseada no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral ser\u00e1 poss\u00edvel modific\u00e1-la, como se modifica a intelig\u00eancia pela instru\u00e7\u00e3o, e como a higiene, que preserva a sa\u00fade e previne as doen\u00e7as, modifica o temperamento. O Esp\u00edrito livre da mat\u00e9ria, no intervalo das encarna\u00e7\u00f5es, faz a escolha de suas exist\u00eancias corporais futuras, de acordo com o grau de perfei\u00e7\u00e3o que atingiu, e nisso, como dissemos, consiste principalmente o seu livre-arb\u00edtrio. Essa liberdade n\u00e3o \u00e9 anulada pela encarna\u00e7\u00e3o. Se cede \u00e0 influ\u00eancia da mat\u00e9ria \u00e9 porque fracassa nas pr\u00f3prias provas que escolheu, e para ajud\u00e1-lo a super\u00e1-las pode evocar a assist\u00eancia de Deus e dos bons Esp\u00edritos. (Veja a quest\u00e3o 337.)<\/p>\n<p>Sem o livre-arb\u00edtrio o homem n\u00e3o teria nem culpa na pr\u00e1tica do mal, nem m\u00e9rito no bem; e isso \u00e9 igualmente reconhecido no mundo, onde sempre se faz censura ou elogio \u00e0 inten\u00e7\u00e3o, ou seja, \u00e0 vontade; portanto, quem diz vontade diz liberdade. Eis por que o homem n\u00e3o pode justificar ou desculpar suas faltas atribuindo-as ao seu corpo sem abdicar da raz\u00e3o e da condi\u00e7\u00e3o de ser humano para se igualar ao irracional. Se o corpo humano fosse respons\u00e1vel pela a\u00e7\u00e3o para o mal, o seria igualmente na a\u00e7\u00e3o para o bem. Entretanto, quando o homem faz o bem, tem grande cuidado para evidenciar o fato em seu favor, como m\u00e9rito seu, e n\u00e3o exalta ou gratifica seus \u00f3rg\u00e3os. Isso prova que, instintivamente, ele n\u00e3o renuncia, apesar da opini\u00e3o de alguns fil\u00f3sofos sistem\u00e1ticos, ao mais belo dos privil\u00e9gios de sua esp\u00e9cie: a liberdade de pensar.<\/p>\n<p>A fatalidade, como se entende geralmente, faz supor que todos os acontecimentos da vida est\u00e3o pr\u00e9via e irrevogavelmente decididos, e est\u00e3o na ordem das coisas, seja qual for sua import\u00e2ncia. Se assim fosse, o homem seria uma m\u00e1quina sem vontade. Para que serviria sua intelig\u00eancia, uma vez que em todos os atos seria invariavelmente dominado pelo poder do destino? Uma doutrina assim, se fosse verdadeira, teria em si a destrui\u00e7\u00e3o de toda liberdade moral; n\u00e3o haveria mais responsabilidade para o homem e, conseq\u00fcentemente, nem bem, nem mal, nem crimes, nem virtudes. Deus, soberanamente justo, n\u00e3o poderia castigar suas criaturas por faltas que n\u00e3o dependeram delas nem recompens\u00e1-las pelas virtudes das quais n\u00e3o teriam o m\u00e9rito. Uma lei assim seria, al\u00e9m disso, a nega\u00e7\u00e3o da lei do progresso, porque o homem que esperasse tudo do destino nada tentaria para melhorar sua posi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o conseguiria mud\u00e1-la nem para melhor nem para pior.<\/p>\n<p>A fatalidade n\u00e3o \u00e9, entretanto, uma id\u00e9ia v\u00e3; ela existe na posi\u00e7\u00e3o que o homem ocupa na Terra e nas fun\u00e7\u00f5es que a\u00ed cumpre, por conseq\u00fc\u00eancia do g\u00eanero de exist\u00eancia que seu Esp\u00edrito escolheu como prova, expia\u00e7\u00e3o ou miss\u00e3o. Ele sofre, fatalmente, todas as altern\u00e2ncias dessa exist\u00eancia e todas as tend\u00eancias, boas ou m\u00e1s, que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias; por\u00e9m, termina a\u00ed a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou n\u00e3o a essas tend\u00eancias. O detalhe dos acontecimentos depende das circunst\u00e2ncias que ele mesmo provoca por seus atos e sobre as quais os Esp\u00edritos podem influenciar pelos pensamentos que sugerem. (Veja a quest\u00e3o 459.)<\/p>\n<p>A fatalidade est\u00e1, portanto, para o homem, nos acontecimentos que se apresentam, uma vez que s\u00e3o a conseq\u00fc\u00eancia da escolha da exist\u00eancia que o Esp\u00edrito fez. Pode deixar de ocorrer a fatalidade no resultado dos acontecimentos, quando o homem, usando de prud\u00eancia, modifica-lhes o curso. Nunca h\u00e1 fatalidade nos atos da vida moral.<\/p>\n<p>\u00c9 na morte que o homem est\u00e1 submetido, de uma maneira absoluta, \u00e0 implac\u00e1vel lei da fatalidade, porque n\u00e3o pode escapar da senten\u00e7a que fixa o fim de sua exist\u00eancia, nem do g\u00eanero de morte que deve interromp\u00ea-la.<\/p>\n<p>De acordo com a opini\u00e3o geral, o homem possuiria todos os seus instintos em si mesmo; eles procederiam de seu pr\u00f3prio corpo, pelos quais n\u00e3o poderia ser respons\u00e1vel, ou de sua pr\u00f3pria natureza, na qual pode encontrar uma desculpa, para si mesmo, dizendo que n\u00e3o \u00e9 sua culpa, uma vez que foi criado assim.<\/p>\n<p>A Doutrina Esp\u00edrita \u00e9 evidentemente muito mais moral: admite no homem o livre-arb\u00edtrio em toda sua plenitude e, ao lhe dizer que, se faz o mal, cede a uma m\u00e1 sugest\u00e3o exterior, deixa-lhe toda a responsabilidade, uma vez que reconhece seu poder de resistir, o que \u00e9 evidentemente mais f\u00e1cil do que lutar contra sua pr\u00f3pria natureza. Assim, de acordo com a Doutrina<\/p>\n<p>Esp\u00edrita, n\u00e3o h\u00e1 sedu\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel: o homem pode sempre fechar os ouvidos \u00e0 voz oculta do obsessor que o induz ao mal em seu \u00edntimo, assim como pode fech\u00e1-los quando algu\u00e9m lhe fala; pode fazer isso por sua vontade, ao pedir a Deus a for\u00e7a necess\u00e1ria e rogando a assist\u00eancia dos bons Esp\u00edritos. \u00c9 o que Jesus nos ensina na sublime prece do Pai Nosso: \u201cN\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o, mas livrai-nos do mal\u201d.<\/p>\n<p>Essa teoria que mostra a causa determinante dos nossos atos ressalta evidentemente de todo o ensinamento dado pelos Esp\u00edritos. N\u00e3o \u00e9 apenas sublime em moralidade, mas acrescentaremos que eleva o homem a seus pr\u00f3prios olhos. Mostra-o livre para repelir um dom\u00ednio obsessor, como pode fechar sua casa aos importunos. N\u00e3o \u00e9 mais uma m\u00e1quina que age por um impulso independente de sua vontade; \u00e9 um ser racional, que escuta, julga e escolhe livremente um entre dois conselhos. Apesar disso, o homem n\u00e3o est\u00e1 impedido de agir por sua iniciativa, por impulso pr\u00f3prio, j\u00e1 que, definitivamente, \u00e9 apenas um Esp\u00edrito encarnado que conserva, sob o corpo, as qualidades e os defeitos que tinha como Esp\u00edrito. As faltas que cometemos t\u00eam, portanto, sua origem na imperfei\u00e7\u00e3o de nosso pr\u00f3prio Esp\u00edrito, que ainda n\u00e3o atingiu a superioridade moral que ter\u00e1 um dia, mas que nem por isso tem seu livre-arb\u00edtrio limitado. A vida encarnada lhe \u00e9 dada para se depurar de suas imperfei\u00e7\u00f5es pelas provas que passa, e s\u00e3o precisamente essas imperfei\u00e7\u00f5es que o tornam mais fraco e acess\u00edvel \u00e0s sugest\u00f5es de outros Esp\u00edritos imperfeitos, que aproveitam para se empenhar em faz\u00ea-lo fracassar na luta. Se sai vencedor, eleva-se; se desperdi\u00e7a a oportunidade e fracassa, permanece o que era, nem pior, nem melhor: \u00e9 uma prova que ter\u00e1 de recome\u00e7ar, e isso pode durar muito tempo. Quanto mais se depura, mais seus pontos fracos diminuem e menos se exp\u00f5e \u00e0queles que procuram incit\u00e1-lo ao mal; sua for\u00e7a moral cresce em raz\u00e3o de sua eleva\u00e7\u00e3o e os maus Esp\u00edritos se afastam dele.<\/p>\n<p>A ra\u00e7a humana \u00e9 constitu\u00edda tanto de Esp\u00edritos bons quanto de maus, que est\u00e3o encarnados neste planeta, e como a Terra \u00e9 um dos mundos menos avan\u00e7ados, nela se encontram mais Esp\u00edritos maus do que bons; por isso h\u00e1 tanta perversidade aqui.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos, portanto, todos os esfor\u00e7os para n\u00e3o voltarmos aqui ap\u00f3s essa exist\u00eancia e merecermos ser admitidos num mundo melhor, num desses mundos privilegiados onde o bem reina absoluto, e lembraremos de nossa passagem pela Terra apenas como um ex\u00edlio tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte Terceira \u2013 Cap\u00edtulo 10 Lei de Liberdade Liberdade natural \u2013 Escravid\u00e3o \u2013 Liberdade de pensar \u2013 Liberdade de consci\u00eancia \u2013 Livre-arb\u00edtrio \u2013 Fatalidade \u2013 Conhecimento do futuro \u2013 Resumo te\u00f3rico da motiva\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es do homem Liberdade natural 825 &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/5-parte-terceira-leis-morais\/cap-10-825-a-872-lei-de-liberdade\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4274,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4294","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4294"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4295,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4294\/revisions\/4295"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}