{"id":4298,"date":"2016-06-29T22:16:25","date_gmt":"2016-06-30T01:16:25","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4298"},"modified":"2016-06-29T22:16:25","modified_gmt":"2016-06-30T01:16:25","slug":"cap-12-893-a-919-perfeicao-moral","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/5-parte-terceira-leis-morais\/cap-12-893-a-919-perfeicao-moral\/","title":{"rendered":"Cap 12 &#8211; 893 a 919 &#8211; Perfei\u00e7\u00e3o Moral"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte Terceira \u2013 Cap\u00edtulo 12<\/strong><\/p>\n<p><strong>Perfei\u00e7\u00e3o moral<\/strong><\/p>\n<p>As virtudes e os v\u00edcios \u2013 Paix\u00f5es \u2013 Ego\u00edsmo \u2013 Caracter\u00edsticas do homem de bem \u2013 Conhecimento de si mesmo<\/p>\n<p><strong>As virtudes e os v\u00edcios<\/strong><\/p>\n<p><strong>893 Qual a mais merit\u00f3ria de todas as virtudes?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Todas as virtudes t\u00eam seu m\u00e9rito, porque indicam progresso no caminho do bem. H\u00e1 virtude sempre que h\u00e1 resist\u00eancia volunt\u00e1ria ao arrastamento das m\u00e1s tend\u00eancias; mas a sublimidade da virtude \u00e9 o sacrif\u00edcio do interesse pessoal pelo bem de seu pr\u00f3ximo, sem segundas inten\u00e7\u00f5es. A mais merecedora das virtudes nasce da mais desinteressada caridade.<\/p>\n<p><strong>894 H\u00e1 pessoas que fazem o bem de maneira espont\u00e2nea, sem precisar vencer nenhum sentimento contr\u00e1rio; t\u00eam tanto m\u00e9rito quanto as que t\u00eam de lutar contra sua pr\u00f3pria natureza e que a superam?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 As que n\u00e3o t\u00eam de lutar \u00e9 porque nelas o progresso est\u00e1 realizado. Lutaram antes e venceram. Para estas os bons sentimentos n\u00e3o custam nenhum esfor\u00e7o e suas a\u00e7\u00f5es parecem todas naturais: para elas o bem tornou-se um h\u00e1bito. Deve-se honr\u00e1-las como a velhos guerreiros que conquistaram respeito.<\/p>\n<p>Como ainda estais bem longe da perfei\u00e7\u00e3o, esses exemplos espantam pelo contraste e s\u00e3o mais admirados por serem raros; mas sabei que, nos mundos mais avan\u00e7ados, o que aqui \u00e9 exce\u00e7\u00e3o l\u00e1 \u00e9 a regra. O sentimento do bem \u00e9 espont\u00e2neo por toda parte, porque s\u00e3o habitados s\u00f3 por bons Esp\u00edritos, e uma \u00fanica m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o seria para eles uma exce\u00e7\u00e3o monstruosa. Por isso nesses mundos os homens s\u00e3o felizes. E assim ser\u00e1 na Terra quando a humanidade se transformar, compreender e praticar a caridade em seu verdadeiro sentido.<\/p>\n<p><strong>895 Al\u00e9m dos defeitos e v\u00edcios sobre os quais ningu\u00e9m se enganaria, qual o sinal mais caracter\u00edstico da imperfei\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O interesse pessoal. As qualidades morais s\u00e3o, freq\u00fcentemente, como banho de ouro sobre um objeto de cobre que n\u00e3o resiste \u00e0 pedra de toque<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-3-12.html#1\"><sup>1<\/sup><\/a>. Um homem pode ter qualidades reais que fazem dele, diante de todos, um homem de bem. Mas essas qualidades, ainda que sejam um progresso, nem sempre resistem a certas provas, e basta tocar no interesse pessoal para colocar o fundo a descoberto. O verdadeiro desinteresse \u00e9 coisa t\u00e3o rara na Terra que \u00e9 admirado como um fen\u00f4meno quando se apresenta.<\/p>\n<p>O apego \u00e0s coisas materiais \u00e9 um sinal not\u00f3rio de inferioridade, porque quanto mais o homem se prende aos bens deste mundo menos compreende sua destina\u00e7\u00e3o. Pelo desinteresse, ao contr\u00e1rio, prova que v\u00ea o futuro sob um ponto de vista mais elevado.<\/p>\n<p><strong>896 Existem pessoas desinteressadas e sem discernimento, que esbanjam seus bens sem proveito real por falta de um uso criterioso. Ter\u00e3o, por isso, algum m\u00e9rito?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Elas t\u00eam o m\u00e9rito do desinteresse, mas n\u00e3o do bem que poderiam fazer. Se o desinteresse \u00e9 uma virtude, a extravag\u00e2ncia \u00e9 sempre, pelo menos, falta de senso. A riqueza n\u00e3o \u00e9 dada a alguns para ser jogada ao vento, nem a outros para ser trancada numa caixa-forte. \u00c9 um dep\u00f3sito ou um empr\u00e9stimo de que dever\u00e3o prestar contas, porque ter\u00e3o de responder por todo bem que poderiam ter feito e n\u00e3o fizeram, e por todas as l\u00e1grimas que poderiam secar com o dinheiro que deram aos que n\u00e3o tinham necessidade.<\/p>\n<p><strong>897 \u00c9 repreens\u00edvel aquele que faz o bem, sem visar recompensa na Terra, mas na esperan\u00e7a de ser recompensado na outra vida, para que l\u00e1 sua posi\u00e7\u00e3o seja melhor? Esse pensamento prejudica seu progresso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 preciso fazer o bem pela caridade, com desinteresse.<\/p>\n<p><strong>897 a Entretanto, cada um tem o desejo natural de progredir, para sair do estado aflitivo desta vida; os pr\u00f3prios Esp\u00edritos nos ensinam a praticar o bem com esse objetivo; ser\u00e1, ent\u00e3o, um mal ao pensar que fazendo o bem podemos esperar mais do que na Terra?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Certamente que n\u00e3o; mas aquele que faz o bem sem segundas inten\u00e7\u00f5es e pelo \u00fanico prazer de ser agrad\u00e1vel a Deus e ao pr\u00f3ximo j\u00e1 est\u00e1 num certo grau de adiantamento que lhe permitir\u00e1 atingir muito mais cedo a felicidade do que seu irm\u00e3o que, mais positivo, faz o bem calculadamente e n\u00e3o por uma a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e natural de seu cora\u00e7\u00e3o. (Veja a quest\u00e3o 894.)<\/p>\n<p><strong>897 b N\u00e3o h\u00e1 aqui uma distin\u00e7\u00e3o a fazer entre o bem que se pode fazer ao pr\u00f3ximo e o esfor\u00e7o que se faz para corrigir as pr\u00f3prias faltas? Concebemos que fazer o bem com o pensamento de que ser\u00e1 levado em conta em outra vida \u00e9 pouco merit\u00f3rio. Mas corrigir-se, vencer as paix\u00f5es, melhorar o car\u00e1ter para se aproximar dos bons Esp\u00edritos e se elevar ser\u00e1 igualmente um sinal de inferioridade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o. Quando dizemos fazer o bem, queremos dizer ser caridoso. Aquele que calcula o que cada boa a\u00e7\u00e3o pode lhe render na vida futura, assim como na terrestre, age como ego\u00edsta. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 nenhum ego\u00edsmo em desejar se melhorar para se aproximar de Deus, porque esse deve ser o objetivo para o qual cada um de n\u00f3s deve se dirigir.<\/p>\n<p><strong>898 Uma vez que a vida no corpo \u00e9 tempor\u00e1ria e que nosso futuro deve ser a principal preocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u00fatil o esfor\u00e7o para adquirir conhecimentos cient\u00edficos referentes apenas \u00e0s coisas e \u00e0s necessidades materiais?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sem d\u00favida. Inicialmente isso far\u00e1 aliviar vossos irm\u00e3os; depois, vosso Esp\u00edrito se elevar\u00e1 mais r\u00e1pido se j\u00e1 progrediu em intelig\u00eancia; no intervalo das encarna\u00e7\u00f5es, aprendereis em uma hora o que levaria anos na Terra. Todo conhecimento \u00e9 \u00fatil; todos contribuem para o progresso, porque o Esp\u00edrito para chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o deve saber de tudo. Como o progresso tem de se realizar em todos os sentidos, todas as id\u00e9ias adquiridas contribuem para o desenvolvimento do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>899 Dois homens s\u00e3o ricos: um nasceu na riqueza e nunca conheceu a necessidade; o outro deve sua riqueza ao trabalho. Tanto um quanto outro a empregam para satisfa\u00e7\u00e3o pessoal. Qual o mais culp\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Aquele que conheceu os sofrimentos. Ele sabe o que \u00e9 sofrer. Conhece a dor mas n\u00e3o a alivia nos outros porque muito freq\u00fcentemente nem se lembra dela.<\/p>\n<p><strong>900 Para quem acumula sem cessar e sem fazer o bem a ningu\u00e9m ser\u00e1 v\u00e1lida como desculpa a id\u00e9ia de que acumula para deixar mais aos herdeiros?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um compromisso de m\u00e1 consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>901 H\u00e1 dois avarentos: o primeiro priva-se do necess\u00e1rio e morre sobre seu tesouro; o segundo \u00e9 somente avarento para os outros; mas pr\u00f3digo para si mesmo, enquanto recua diante do mais breve sacrif\u00edcio para prestar um servi\u00e7o ou fazer uma coisa \u00fatil, nenhum custo \u00e9 bastante para satisfazer seus gostos e paix\u00f5es. Pe\u00e7a-lhe um favor, e ele sempre \u00e9 dif\u00edcil; mas quando quer realizar uma fantasia, tem sempre o bastante. Qual \u00e9 o mais culp\u00e1vel e qual deles ficar\u00e1 em pior situa\u00e7\u00e3o no mundo dos Esp\u00edritos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Aquele que desfruta das coisas; ele \u00e9 mais ego\u00edsta do que avarento: o outro j\u00e1 vive uma parte de sua puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>902 \u00c9 errado desejar a riqueza para fazer o bem?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O sentimento \u00e9 louv\u00e1vel, sem d\u00favida, quando \u00e9 puro; mas ser\u00e1 esse desejo desinteressado e n\u00e3o esconder\u00e1 nenhuma segunda inten\u00e7\u00e3o pessoal? A primeira pessoa \u00e0 qual se deseja fazer o bem n\u00e3o \u00e9 freq\u00fcentemente a si mesmo?<\/p>\n<p><strong>903 \u00c9 errado estudar os defeitos dos outros?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se \u00e9 para divulga\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica h\u00e1 grande erro, porque \u00e9 faltar com a caridade. Por\u00e9m, se a an\u00e1lise resultar em seu proveito pessoal evitando-os para si mesmo, isso pode algumas vezes ser \u00fatil. Mas \u00e9 preciso n\u00e3o esquecer que a indulg\u00eancia com os defeitos dos outros \u00e9 uma das virtudes contidas na caridade. Antes de censurar os outros pelas imperfei\u00e7\u00f5es, vede se n\u00e3o se pode dizer o mesmo de v\u00f3s. Empenhai-vos em ter as qualidades opostas aos defeitos que criticais nos outros, esse \u00e9 o meio de vos tornardes superiores; se os censurais por serem mesquinhos, sede generosos; por serem orgulhosos, sede humildes e modestos; por serem duros, sede d\u00f3ceis; por agirem com baixeza, sede grandes em todas as a\u00e7\u00f5es. Em uma palavra, fazei de maneira que n\u00e3o se possa aplicar a v\u00f3s estas palavras de Jesus: \u201cV\u00eaum cisco no olho de seu vizinho e n\u00e3o v\u00ea uma trave no seu\u201d.<\/p>\n<p><strong>904 \u00c9 errado investigar e revelar os males da sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Depende do sentimento com que se faz; se o escritor quer apenas produzir esc\u00e2ndalo, \u00e9 um prazer pessoal que procura, apresentando quadros que mostram antes um mau do que bom exemplo. Apesar de ter feito uma avalia\u00e7\u00e3o, como Esp\u00edrito, pode ser punido por essa esp\u00e9cie de prazer que tem em revelar o mal.<\/p>\n<p><strong>904 a Como, nesse caso, julgar a pureza das inten\u00e7\u00f5es e a sinceridade do escritor?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso nem sempre \u00e9 \u00fatil mas, se escreve coisas boas, aproveitai-as. Se forem m\u00e1s, ignorai-as. \u00c9 uma quest\u00e3o de consci\u00eancia dele. Afinal, se deseja provar sua sinceridade, deve apoiar o que escreve com seu pr\u00f3prio exemplo.<\/p>\n<p><strong>905 Certos autores publicaram obras bel\u00edssimas, de elevada moral, que ajudam o progresso da humanidade, mas eles mesmos n\u00e3o tiram delas nenhum proveito; como Esp\u00edritos, ser\u00e1 levado em conta o bem que fizeram com essas obras?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A moral sem as a\u00e7\u00f5es \u00e9 a semente sem trabalho. De que serve a semente se n\u00e3o \u00e9 multiplicada para vos alimentar? Esses homens s\u00e3o mais culp\u00e1veis, porque tiveram a intelig\u00eancia para compreender. N\u00e3o praticando os ensinamentos que deram aos outros, renunciaram a colher seus pr\u00f3prios frutos.<\/p>\n<p><strong>906 \u00c9 errado, ao fazer o bem, ter consci\u00eancia disso e reconhec\u00ea-lo? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Tendo consci\u00eancia do mal que faz, deve o homem tamb\u00e9m ter consci\u00eancia do bem e saber se age bem ou mal. Ponderando suas a\u00e7\u00f5es diante das leis divinas, e principalmente na lei de justi\u00e7a, amor e caridade, \u00e9 que poder\u00e1 dizer se elas s\u00e3o boas ou m\u00e1s, aprov\u00e1-las ou n\u00e3o. Ele n\u00e3o estar\u00e1 errado quando reconhecer que venceu suas m\u00e1s tend\u00eancias e fica satisfeito, desde que n\u00e3o se envaide\u00e7a, porque ent\u00e3o cair\u00e1 em outra falta. (Veja a quest\u00e3o 919.)<\/p>\n<p><strong>Paix\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><strong>907 O princ\u00edpio das paix\u00f5es, sendo natural, \u00e9 mau em si mesmo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o. A paix\u00e3o est\u00e1 no excesso acrescentado \u00e0 vontade, j\u00e1 que o princ\u00edpio foi dado ao homem para o bem, e as paix\u00f5es podem lev\u00e1-lo a realizar grandes coisas. \u00c9 no seu abuso que est\u00e1 a causa do mal.<\/p>\n<p><strong>908 Como definir o limite em que as paix\u00f5es deixam de ser boas ou m\u00e1s? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 As paix\u00f5es s\u00e3o semelhantes a um cavalo, que \u00e9 \u00fatil quando \u00e9 dominado e perigoso quando domina. Reconhecei que uma paix\u00e3o torna-se perigosa no momento em que deixais de govern\u00e1-la e resultar qualquer preju\u00edzo para v\u00f3s ou para os outros.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>As paix\u00f5es s\u00e3o como alavancas que aumentam dez vezes mais as for\u00e7as do homem e o ajudam na realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos da Provid\u00eancia; mas se ao inv\u00e9s de dirigi-las o homem se deixa dirigir por elas, cai no excesso e at\u00e9 mesmo a for\u00e7a que em sua m\u00e3o poderia fazer o bem volta-se sobre ele e o esmaga. <\/em><\/p>\n<p><em>Todas as paix\u00f5es t\u00eam seu princ\u00edpio num sentimento ou necessidade natural. O princ\u00edpio das paix\u00f5es n\u00e3o \u00e9, portanto, um mal, uma vez que repousa sobre uma das condi\u00e7\u00f5es providenciais de nossa exist\u00eancia. A paix\u00e3o, propriamente dita, conforme habitualmente se entende, \u00e9 o exagero de uma necessidade ou de um sentimento. Est\u00e1 no excesso e n\u00e3o na causa; e esse excesso torna-se mau quando tem por conseq\u00fc\u00eancia um mal qualquer. <\/em><\/p>\n<p><em>Toda paix\u00e3o que aproxima a pessoa da natureza primitiva a afasta de sua natureza espiritual. Todo sentimento que eleva a pessoa acima da natureza primitiva revela a predomin\u00e2ncia do Esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria e a aproxima da perfei\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><strong>909 O homem poderia sempre vencer suas m\u00e1s tend\u00eancias pelos seus esfor\u00e7os? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, e algumas vezes com pouco esfor\u00e7o; \u00e9 a vontade que lhe falta. Como s\u00e3o poucos dentre v\u00f3s os que se esfor\u00e7am!<\/p>\n<p><strong>910 O homem pode encontrar nos Esp\u00edritos uma assist\u00eancia eficaz para superar suas paix\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se ele orar a Deus e a seu protetor com sinceridade, os bons Esp\u00edritos certamente vir\u00e3o em sua ajuda, porque \u00e9 miss\u00e3o deles. (Veja a quest\u00e3o 459.)<\/p>\n<p><strong>911 N\u00e3o existem paix\u00f5es t\u00e3o vivas e irresist\u00edveis que a vontade n\u00e3o tenha o poder de super\u00e1-las?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 muitas pessoas que dizem: Eu quero, mas a vontade est\u00e1 apenas nos l\u00e1bios. Querem, mas est\u00e3o bem satisfeitas que assim n\u00e3o seja. Quando o homem n\u00e3o acredita poder vencer suas paix\u00f5es, \u00e9 que seu Esp\u00edrito se satisfaz nisso por conseq\u00fc\u00eancia de sua inferioridade. Aquele que procura reprimi-las compreende sua natureza espiritual; venc\u00ea-las \u00e9, para ele, uma vit\u00f3ria do Esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><strong>912 Qual o meio mais eficaz de combater a predomin\u00e2ncia da natureza corporal? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Praticar o desprendimento.<\/p>\n<p><strong>Ego\u00edsmo<\/strong><\/p>\n<p><strong>913 Entre os v\u00edcios, qual se pode considerar o pior?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 dissemos v\u00e1rias vezes: \u00e9 o ego\u00edsmo; dele deriva todo mal. Estudai todos os v\u00edcios e vereis que no fundo de todos existe ego\u00edsmo. V\u00f3s os combatereis inutilmente e n\u00e3o conseguireis arranc\u00e1-los enquanto n\u00e3o tiverdes atacado o mal pela raiz, enquanto n\u00e3o tiverdes destru\u00eddo a causa. Que todos os vossos esfor\u00e7os tendam para esse objetivo, porque a\u00ed est\u00e1 a verdadeira chaga da sociedade. Aquele que deseja se aproximar, j\u00e1 nesta vida, da perfei\u00e7\u00e3o moral, deve arrancar de seu cora\u00e7\u00e3o todo sentimento de ego\u00edsmo, por ser incompat\u00edvel com a justi\u00e7a, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades.<\/p>\n<p><strong>914 Parece bem dif\u00edcil extinguir inteiramente o ego\u00edsmo do cora\u00e7\u00e3o do homem se ele estiver baseado no interesse pessoal; pode-se conseguir isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c0 medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, d\u00e3o menos valor \u00e0s materiais. \u00c9 preciso reformar as institui\u00e7\u00f5es humanas que estimulam e mant\u00eam o ego\u00edsmo. Isso depende da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>915 O ego\u00edsmo, sendo pr\u00f3prio da esp\u00e9cie humana, n\u00e3o ser\u00e1 sempre um obst\u00e1culo para que reine o bem absoluto na Terra?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 certo que o ego\u00edsmo \u00e9 o maior mal, mas ele se prende \u00e0 inferioridade dos Esp\u00edritos encarnados na Terra, e n\u00e3o \u00e0 humanidade em si mesma; os Esp\u00edritos, ao se depurarem nas sucessivas encarna\u00e7\u00f5es, perdem o ego\u00edsmo como perdem outras impurezas. N\u00e3o tendes na Terra algum homem desprovido de ego\u00edsmo e praticando a caridade? H\u00e1 mais do que imaginais, por\u00e9m pouco os conheceis, porque a virtude n\u00e3o se p\u00f5e em evid\u00eancia; se h\u00e1 um, por que n\u00e3o haveria dez? Se h\u00e1 dez, por que n\u00e3o haveria mil e assim por diante?<\/p>\n<p><strong>916 O ego\u00edsmo, longe de diminuir, aumenta com a civiliza\u00e7\u00e3o, que parece excit\u00e1-lo e mant\u00ea-lo; como a causa poder\u00e1 destruir o efeito?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Quanto maior o mal, mais se torna horr\u00edvel. Ser\u00e1 preciso que o ego\u00edsmo cause muito mal para fazer compreender a necessidade de extingui-lo. Quando os homens tiverem se libertado do ego\u00edsmo que os domina, viver\u00e3o como irm\u00e3os, n\u00e3o se fazendo nenhum mal, ajudando-se mutuamente pelo sentimento natural da solidariedade; ent\u00e3o o forte ser\u00e1 o apoio e n\u00e3o opressor do fraco, e n\u00e3o se ver\u00e3o mais homens desprovidos do indispens\u00e1vel para viver, porque todos praticar\u00e3o a lei da justi\u00e7a. \u00c9 o reino do bem que os Esp\u00edritos est\u00e3o encarregados de preparar. (Veja a quest\u00e3o 784.)<\/p>\n<p><strong>917 Qual o meio de destruir o ego\u00edsmo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 De todas as imperfei\u00e7\u00f5es humanas, a mais dif\u00edcil de extinguir \u00e9 o ego\u00edsmo, porque se liga \u00e0 influ\u00eancia da mat\u00e9ria da qual o homem, ainda muito pr\u00f3ximo de sua origem, n\u00e3o se pode libertar. Tudo concorre para manter essa influ\u00eancia: suas leis, sua organiza\u00e7\u00e3o social, sua educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ego\u00edsmo se enfraquecer\u00e1 com a predomin\u00e2ncia da vida moral sobre a material, e principalmente com a compreens\u00e3o que o Espiritismo vos d\u00e1 do futuro real, e n\u00e3o desnaturado pelas fic\u00e7\u00f5es aleg\u00f3ricas. O Espiritismo bem compreendido, quando estiver identificado com os costumes e as cren\u00e7as, transformar\u00e1 os h\u00e1bitos, os usos, as rela\u00e7\u00f5es sociais. O ego\u00edsmo est\u00e1 fundado sobre a import\u00e2ncia da personalidade; portanto, o Espiritismo bem compreendido, repito, mostra as coisas de t\u00e3o alto que o sentimento da personalidade desaparece, de alguma forma, perante a imensid\u00e3o. Ao destruir essa import\u00e2ncia, ou pelo menos ao fazer v\u00ea-la como \u00e9, combate necessariamente o ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>\u00c9 o choque que o homem experimenta do ego\u00edsmo dos outros que o torna freq\u00fcentemente ego\u00edsta por si mesmo, porque ele sente a necessidade de se colocar na defensiva. Ao ver que os outros pensam s\u00f3 em si mesmos e n\u00e3o nos demais, \u00e9 conduzido a se ocupar de si mais do que dos outros. Que o princ\u00edpio da caridade e da fraternidade seja a base das institui\u00e7\u00f5es sociais, das rela\u00e7\u00f5es legais de povo para povo e de homem para homem, e o homem pensar\u00e1 menos em sua pessoa quando vir que outros pensam nisso; ele sofrer\u00e1 a influ\u00eancia moralizadora do exemplo e do contato. Em face da atual intensidade do ego\u00edsmo humano, \u00e9 preciso uma verdadeira virtude para se desprender de sua personalidade em favor dos outros, que freq\u00fcentemente n\u00e3o sabem agradecer. \u00c9 principalmente para os que possuem essa virtude que o reino dos c\u00e9us est\u00e1 aberto; \u00e9 especialmente para eles que est\u00e1 reservada a felicidade dos eleitos, porque eu vos digo em verdade que, no dia da justi\u00e7a, quem tiver apenas pensado em si mesmo ser\u00e1 colocado de lado e sofrer\u00e1 no seu abandono. (Veja a quest\u00e3o 785.)<\/p>\n<p>F\u00e9nelon<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Sem d\u00favida, louv\u00e1veis esfor\u00e7os s\u00e3o feitos para que a humanidade avance; encorajam-se, estimulam-se, honram-se os bons sentimentos mais do que em qualquer outra \u00e9poca e, entretanto, o verme roedor do ego\u00edsmo continua sendo sempre a chaga social. \u00c9 um mal real que recai sobre todo o mundo, do qual cada um \u00e9 mais ou menos v\u00edtima. \u00c9 preciso combat\u00ea-lo como se combate uma doen\u00e7a epid\u00eamica. Para isso, deve se proceder \u00e0 maneira dos m\u00e9dicos: ir \u00e0 origem. Que se procurem, ent\u00e3o, em todas as partes da organiza\u00e7\u00e3o social, desde a fam\u00edlia at\u00e9 os povos, desde a cabana at\u00e9 os pal\u00e1cios, todas as causas, todas as influ\u00eancias evidentes ou escondidas que excitam, mant\u00eam e desenvolvem o sentimento do ego\u00edsmo; uma vez conhecidas as causas, o rem\u00e9dio se mostrar\u00e1 por si mesmo. Restar\u00e1 somente combat\u00ea-las, sen\u00e3o todas de uma vez, pelo menos parcialmente e, pouco a pouco, o veneno ser\u00e1 eliminado. A cura poder\u00e1 ser demorada, porque as causas s\u00e3o numerosas, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Isso s\u00f3 acontecer\u00e1 se o mal for atacado pela raiz, ou seja, pela educa\u00e7\u00e3o; n\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o que tende a fazer homens instru\u00eddos, mas a que tende a fazer homens de bem. A educa\u00e7\u00e3o, bem entendida, \u00e9 a chave do progresso moral; quando se conhecerem a arte de manejar os caracteres, o conjunto de qualidades do homem, como se conhece a de manejar as intelig\u00eancias, ser\u00e1 poss\u00edvel endireit\u00e1-los, como se endireitam plantas novas; mas essa arte exige muito tato, muita experi\u00eancia e uma profunda observa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um grave erro acreditar que basta ter o conhecimento da ci\u00eancia para exerc\u00ea-la com proveito. Todo aquele que acompanha o filho do rico ou do pobre, desde o nascimento e observa todas as influ\u00eancias m\u00e1s que atuam sobre eles por conseq\u00fc\u00eancia da fraqueza, do desleixo e da ignor\u00e2ncia daqueles que os dirigem, quando, freq\u00fcentemente, os meios que se utilizam para moraliz\u00e1-lo falham, n\u00e3o se pode espantar em encontrar no mundo tantos defeitos. Que se fa\u00e7a pela moral tanto quanto se faz pela intelig\u00eancia e se ver\u00e1 que, se existem naturezas refrat\u00e1rias, que se recusam a aceit\u00e1-las, h\u00e1, mais do que se pensa, as que exigem apenas uma boa cultura para produzir bons frutos.<\/em> (Veja a quest\u00e3o 872.)<\/p>\n<p><em>O homem deseja ser feliz e esse sentimento \u00e9 natural; por isso trabalha sem parar para melhorar sua posi\u00e7\u00e3o na Terra; ele procura a causa de seus males a fim de remedi\u00e1-los. Quando compreender que o ego\u00edsmo \u00e9 uma dessas causas, respons\u00e1vel pelo orgulho, ambi\u00e7\u00e3o, cobi\u00e7a, inveja, \u00f3dio, ci\u00fame, que o magoam a cada instante, que provoca a perturba\u00e7\u00e3o e as desaven\u00e7as em todas as rela\u00e7\u00f5es sociais e destr\u00f3i a confian\u00e7a, que o obriga a se manter constantemente na defensiva, e que, enfim, do amigo faz um inimigo, ent\u00e3o compreender\u00e1 tamb\u00e9m que esse v\u00edcio \u00e9 incompat\u00edvel com sua pr\u00f3pria felicidade e at\u00e9 mesmo com sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a. E quanto mais sofre com isso, mais sentir\u00e1 a necessidade de combat\u00ea-lo, assim como combate a peste, os animais nocivos e os outros flagelos; ele ser\u00e1 levado a agir assim por seu pr\u00f3prio interesse. <\/em>(Veja a quest\u00e3o 784.)<\/p>\n<p><em>O ego\u00edsmo \u00e9 a fonte de todos os v\u00edcios, assim como a caridade \u00e9 de todas as virtudes; destruir um, desenvolver o outro, esse deve ser o objetivo de todos os esfor\u00e7os do homem, se quiser assegurar sua felicidade aqui na Terra e, futuramente, no mundo espiritual. <\/em><\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas do homem de bem<\/strong><\/p>\n<p><strong>918 Por que sinais pode-se reconhecer num homem o progresso real que deve elevar seu Esp\u00edrito na hierarquia esp\u00edrita?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito prova sua eleva\u00e7\u00e3o quando todos os atos de sua vida s\u00e3o a pr\u00e1tica da lei de Deus e quando compreende por antecipa\u00e7\u00e3o a vida espiritual.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O verdadeiro homem de bem \u00e9 aquele que pratica a lei de justi\u00e7a, amor e caridade em sua maior pureza. Se interroga sua consci\u00eancia sobre os atos realizados, perguntar\u00e1 se n\u00e3o violou essa lei, se n\u00e3o praticou o mal, se fez todo o bem que p\u00f4de, se ningu\u00e9m tem nada a se queixar dele, enfim, se fez aos outros o que gostaria que os outros fizessem por ele. <\/em><\/p>\n<p><em>O homem cheio do sentimento de caridade e amor ao pr\u00f3ximo faz o bem pelo bem, sem esperar retorno, e sacrifica seu interesse \u00e0 justi\u00e7a. \u00c9 bom, humano e benevolente para com todos, porque v\u00ea irm\u00e3os em todos os homens, sem exce\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as nem de cren\u00e7as. <\/em><\/p>\n<p><em>Se Deus lhe deu poder e riqueza, v\u00ea essas coisas como<\/em> um dep\u00f3sito <em>do qual deve fazer uso para o bem. N\u00e3o tira disso nenhuma vantagem, porque sabe que Deus, que os deu, pode tir\u00e1-los. Se a ordem social colocou homens sob sua depend\u00eancia, trata-os com bondade e benevol\u00eancia, por serem seus iguais diante de Deus; usa de sua autoridade para elevar-lhes o moral , e n\u00e3o para esmag\u00e1-los com seu orgulho.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 indulgente para com as fraquezas dos outros, por saber que ele mesmo tem necessidade de indulg\u00eancia, e se lembra dessas palavras do Cristo: \u201cQue aquele que n\u00e3o tiver pecado atire a primeira pedra\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas para se lembrar apenas dos benef\u00edcios, porque sabe que<\/em> ser\u00e1 perdoado como ele pr\u00f3prio tiver perdoado.<\/p>\n<p><em>Respeita em seus semelhantes todos os direitos que as leis da natureza lhes concedem, assim como gosta que respeitem os seus. <\/em><\/p>\n<p><strong>Conhecimento de si mesmo<\/strong><\/p>\n<p><strong>919 Qual o meio pr\u00e1tico mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir aos arrastamentos do mal?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Um s\u00e1bio da Antiguidade vos disse: \u201cConhece-te a ti mesmo\u201d.<\/p>\n<p><strong>919 a Concebemos toda sabedoria desse ensinamento, mas a dificuldade est\u00e1 precisamente em conhecer-se a si mesmo; qual \u00e9 o meio de conseguir isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Fazei o que eu fazia quando estava na Terra: no fim do dia, interrogava minha consci\u00eancia, passava em revista o que havia feito e me perguntava se n\u00e3o havia faltado com o dever, se ningu\u00e9m tinha do que se queixar de mim. Foi assim que consegui me conhecer e ver o que havia reformado em mim. Aquele que, a cada noite, se lembrasse de todas as suas a\u00e7\u00f5es do dia e se perguntasse o que fez de bom ou de mau, orando a Deus e ao seu anjo de guarda para esclarec\u00ea-lo, adquiriria uma grande for\u00e7a para se aperfei\u00e7oar porque, acreditai em mim, Deus o assistiria. Interrogai-vos sobre essas quest\u00f5es e perguntai o que fizestes e com que objetivo agistes em determinada circunst\u00e2ncia, se fizestes qualquer coisa que censurar\u00edeis em outras pessoas, se fizestes uma a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ousar\u00edeis confessar. Perguntai-vos ainda isso: se agradasse a Deus me chamar nesse momento, teria eu, ao entrar no mundo dos Esp\u00edritos, onde nada \u00e9 oculto, o que temer diante de algu\u00e9m? Examinai o que podeis ter feito contra Deus, depois contra vosso pr\u00f3ximo e, por fim, contra v\u00f3s mesmos. As respostas ser\u00e3o um repouso para vossa consci\u00eancia ou a indica\u00e7\u00e3o de um mal que \u00e9 preciso curar.<\/p>\n<p>O conhecimento de si mesmo \u00e9, portanto, a chave do melhoramento individual. Mas, direis, como proceder a esse julgamento? N\u00e3o se tem a ilus\u00e3o do amor-pr\u00f3prio que ameniza as faltas e as desculpa? O avaro acredita ser simplesmente econ\u00f4mico e previdente; o orgulhoso acredita somente ter dignidade. Isso n\u00e3o deixa de ser verdade, mas tendes um meio de controle que n\u00e3o pode vos enganar. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas a\u00e7\u00f5es, perguntai-vos como a qualificar\u00edeis se fosse feita por outra pessoa; se a censurais nos outros, n\u00e3o poder\u00e1 ser mais leg\u00edtima em v\u00f3s, porque Deus n\u00e3o tem duas medidas para a justi\u00e7a. Procurai, assim, saber o que os outros pensam, e n\u00e3o negligencieis a opini\u00e3o dos opositores, porque estes n\u00e3o t\u00eam nenhum interesse em dissimular a verdade e, muitas vezes, Deus os coloca ao vosso lado como um espelho, para vos advertir com mais franqueza do que faria um amigo. Que aquele que tem a vontade s\u00e9ria de se melhorar sonde sua consci\u00eancia, a fim de arrancar de si as m\u00e1s tend\u00eancias, como arranca as m\u00e1s ervas de seu jardim. Que fa\u00e7a o balan\u00e7o de sua jornada moral, como o mercador faz a de suas perdas e lucros, e eu vos asseguro que isso resultar\u00e1 em seu benef\u00edcio. Se puder dizer a si mesmo que seu dia foi bom, pode dormir em paz e esperar sem temor o despertar na outra vida.<\/p>\n<p>Submetei \u00e0 an\u00e1lise quest\u00f5es claras e precisas e n\u00e3o temeis multiplic\u00e1-las: pode-se muito bem dedicar alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. N\u00e3o trabalhais todos os dias visando a juntar o que vos d\u00ea repouso na velhice? Esse repouso n\u00e3o \u00e9 objeto de todos os vossos desejos, o objetivo que vos faz suportar fadigas e priva\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas? Pois bem! O que \u00e9 esse repouso de alguns dias, perturbado pelas enfermidades do corpo, ao lado daquele que espera o homem de bem? N\u00e3o vale a pena fazer algum esfor\u00e7o? Sei que muitos dizem que o presente \u00e9 positivo e o futuro incerto; portanto, eis a\u00ed, precisamente, o pensamento de que estamos encarregados de destruir em v\u00f3s, porque desejamos que compreendais esse futuro de maneira que n\u00e3o possa deixar nenhuma d\u00favida na vossa alma. Eis por que chamamos inicialmente vossa aten\u00e7\u00e3o para os fen\u00f4menos que impressionavam os vossos sentidos e depois vos demos as instru\u00e7\u00f5es que cada um est\u00e1 encarregado de divulgar. Foi com esse objetivo que ditamos O Livro dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>Santo Agostinho<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Muitas faltas que cometemos passam despercebidas por n\u00f3s; se, de fato, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogarmos mais freq\u00fcentemente nossa consci\u00eancia, veremos quantas vezes falhamos sem perceber, por n\u00e3o examinar a natureza e a motiva\u00e7\u00e3o de nossos atos. A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que o ensinamento do \u201cconhece-te a ti mesmo\u201d, que freq\u00fcentemente n\u00e3o se aplica a n\u00f3s mesmos. Ela exige respostas categ\u00f3ricas, por um sim ou um n\u00e3o, que n\u00e3o deixam alternativa; s\u00e3o igualmente argumentos pessoais, e pela soma das respostas pode-se calcular a soma do bem e do mal que est\u00e1 em n\u00f3s. <\/em><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Pedra de toque<\/strong>: cristal duro que serve para os ourives verificarem a pureza de um metal (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte Terceira \u2013 Cap\u00edtulo 12 Perfei\u00e7\u00e3o moral As virtudes e os v\u00edcios \u2013 Paix\u00f5es \u2013 Ego\u00edsmo \u2013 Caracter\u00edsticas do homem de bem \u2013 Conhecimento de si mesmo As virtudes e os v\u00edcios 893 Qual a mais merit\u00f3ria de todas as &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/5-parte-terceira-leis-morais\/cap-12-893-a-919-perfeicao-moral\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4274,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4298","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4299,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4298\/revisions\/4299"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}