{"id":4312,"date":"2016-06-29T22:25:30","date_gmt":"2016-06-30T01:25:30","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4312"},"modified":"2016-06-29T22:25:30","modified_gmt":"2016-06-30T01:25:30","slug":"1-cap-1-920-a-957-penalidades-e-prazeres-terrenos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/6-parte-quarta-esperancas-e-consolacoes\/1-cap-1-920-a-957-penalidades-e-prazeres-terrenos\/","title":{"rendered":"1 Cap 1 &#8211; 920 a 957 &#8211; Penalidades e prazeres terrenos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cap\u00edtulo 1 \u2013 Penalidades e prazeres terrenos<\/strong><\/p>\n<p>Felicidade e infelicidade relativas \u2013 Perda de pessoas amadas \u2013 Decep\u00e7\u00e3o. Ingratid\u00e3o. Afei\u00e7\u00f5es destru\u00eddas \u2013 Uni\u00f5es antip\u00e1ticas \u2013 Medo da morte \u2013 Desgosto da vida. Suic\u00eddio<\/p>\n<p><strong>Felicidade e infelicidade relativas<\/strong><\/p>\n<p><strong>920 O homem pode desfrutar na Terra de uma felicidade completa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, uma vez que a vida lhe foi dada como prova ou expia\u00e7\u00e3o; mas depende dele amenizar esses males e ser t\u00e3o feliz quanto se pode ser na Terra.<\/p>\n<p><strong>921 Concebe-se que o homem ser\u00e1 feliz na Terra quando a humanidade estiver transformada. Mas, enquanto isso, cada um pode garantir para si uma felicidade relativa? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O homem \u00e9 quase sempre o agente de sua pr\u00f3pria infelicidade. Ao praticar a lei de Deus, se pouparia dos males e desfrutaria de uma felicidade t\u00e3o grande quanto o comporta sua exist\u00eancia grosseira.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O homem bem compenetrado de sua destina\u00e7\u00e3o futura v\u00ea na vida corporal apenas uma esta\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. \u00c9 como uma estada passageira numa hospedaria; ele se consola facilmente de alguns desgostos passageiros de uma viagem que deve conduzi-lo a uma posi\u00e7\u00e3o tanto melhor quanto melhor tenha se preparado. <\/em><\/p>\n<p><em>Somos punidos, j\u00e1 nesta vida, pelas infra\u00e7\u00f5es \u00e0s leis da exist\u00eancia corporal, pelos males que s\u00e3o a conseq\u00fc\u00eancia dessa infra\u00e7\u00e3o e de nosso pr\u00f3prio excesso. Se voltarmos gradativamente \u00e0 origem do que chamamos de nossas infelicidades terrenas, as veremos, na maioria das vezes, como conseq\u00fc\u00eancia de um primeiro desvio do caminho reto. Por esse desvio, entramos no mau caminho e, de conseq\u00fc\u00eancia em conseq\u00fc\u00eancia, ca\u00edmos na infelicidade. <\/em><\/p>\n<p><strong>922 A felicidade terrena \u00e9 relativa \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de cada um; o que basta \u00e0 felicidade de um faz a infelicidade de outro. Existe, entretanto, uma medida de felicidade comum a todos os homens?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Para a vida material, \u00e9 a posse do necess\u00e1rio; para a vida moral, a pureza da consci\u00eancia e a f\u00e9 no futuro.<\/p>\n<p><strong>923 O que \u00e9 sup\u00e9rfluo para uns n\u00e3o se torna necess\u00e1rio para outros e, reciprocamente, conforme suas posi\u00e7\u00f5es na sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, de acordo com vossas id\u00e9ias materiais, preconceitos e ambi\u00e7\u00e3o, e todos os caprichos rid\u00edculos aos quais o futuro far\u00e1 justi\u00e7a quando compreenderdes a verdade. Sem d\u00favida, aquele que tinha um valor de cinq\u00fcenta mil de renda e que agora s\u00f3 tem dez acredita ser bem infeliz, porque n\u00e3o pode mais ter uma grande soma, ter o que chama de sua posi\u00e7\u00e3o, seus cavalos, criados, satisfazer todas as suas paix\u00f5es, etc. Acredita n\u00e3o ter o necess\u00e1rio; mas, francamente, achais que ele tem direito de se lamentar, quando ao seu lado h\u00e1 quem morre de fome e frio e n\u00e3o tem um abrigo para repousar a cabe\u00e7a? O homem s\u00e1bio, para ser feliz, olha abaixo de si e nunca acima, a n\u00e3o ser para elevar sua alma ao infinito. (Veja a quest\u00e3o 715.)<\/p>\n<p><strong>924 Existem males que independem da maneira de agir e que atingem at\u00e9 o homem mais justo; tem ele algum meio de se preservar deles?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Ele deve se resignar e suport\u00e1-los sem lamenta\u00e7\u00f5es, se quiser progredir; mas sempre possui uma consola\u00e7\u00e3o na sua consci\u00eancia que lhe d\u00e1 a esperan\u00e7a de um futuro melhor, se faz o que \u00e9 preciso para obt\u00ea-lo.<\/p>\n<p><strong>925 Por que Deus favorece com os dons da riqueza certos homens que n\u00e3o parecem merec\u00ea-los?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um favor que se apresenta aos olhos daqueles que v\u00eaem apenas o presente; mas, sabei bem, a riqueza \u00e9 uma prova freq\u00fcentemente mais perigosa do que a pobreza. (Veja a quest\u00e3o 814 e seguintes)<\/p>\n<p><strong>926 A civiliza\u00e7\u00e3o, ao criar novas necessidades, n\u00e3o \u00e9 a fonte de novas afli\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Os males desse mundo ocorrem em raz\u00e3o das necessidades falsas que criais. Aquele que sabe limitar seus desejos e v\u00ea sem inveja o que est\u00e1 acima de si poupa-se das decep\u00e7\u00f5es nessa vida. O mais rico dos homens \u00e9 aquele que tem menos necessidades.<\/p>\n<p>Invejais os prazeres daqueles que parecem os mais felizes do mundo; mas sabeis o que lhes est\u00e1 reservado? Se desfrutam desses prazeres somente para si, s\u00e3o ego\u00edstas, ent\u00e3o vir\u00e1 o reverso. De prefer\u00eancia, lastimai-os. Deus permite algumas vezes que o mau prospere, mas essa felicidade n\u00e3o \u00e9 para ser invejada, porque a pagar\u00e1 com l\u00e1grimas amargas. Se o justo \u00e9 infeliz, \u00e9 uma prova que lhe ser\u00e1 levada em conta, se a suporta com coragem; lembrai-vos dessas palavras de Jesus: \u201cFelizes os que sofrem pois ser\u00e3o consolados\u201d.<\/p>\n<p><strong>927 O sup\u00e9rfluo n\u00e3o \u00e9 certamente indispens\u00e1vel \u00e0 felicidade, mas o mesmo n\u00e3o acontece com o necess\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 real a infelicidade daqueles que n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O homem s\u00f3 \u00e9 verdadeiramente infeliz quando sofre com a falta do que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade do corpo. Essa car\u00eancia talvez ocorra por sua pr\u00f3pria culpa; ent\u00e3o, deve queixar-se somente de si mesmo. Se for causada por outros, a responsabilidade recai sobre aquele que a causar.<\/p>\n<p><strong>928 Pela especialidade das aptid\u00f5es naturais, Deus indica evidentemente nossa voca\u00e7\u00e3o neste mundo. Muitos males n\u00e3o surgem por n\u00e3o seguirmos essa voca\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 verdade, e s\u00e3o freq\u00fcentemente os pais que, por orgulho ou vaidade, fazem seus filhos sa\u00edrem do caminho tra\u00e7ado pela natureza e, por causa desse deslocamento, comprometem sua felicidade. Ser\u00e3o responsabilizados por isso.<\/p>\n<p><strong>928 a Assim, achar\u00edeis justo que um filho de um homem bem posicionado na sociedade fizesse tamancos, por exemplo, se for essa sua aptid\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o \u00e9 preciso cair no absurdo nem exagerar. A civiliza\u00e7\u00e3o tem suas necessidades. Por que o filho de um homem bem posicionado, como dizeis, faria tamancos, se pode fazer outra coisa? Ele poder\u00e1 sempre se tornar \u00fatil na medida de suas aptid\u00f5es, se n\u00e3o as contrariar. Assim, por exemplo, em vez de ser um mau advogado, poderia talvez tornar-se um bom mec\u00e2nico, etc.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O deslocamento dos homens para fora de sua esfera intelectual \u00e9 certamente uma das causas mais freq\u00fcentes de suas decep\u00e7\u00f5es. A falta de aptid\u00e3o \u00e0 carreira abra\u00e7ada \u00e9 uma fonte perene de reveses; depois, o amor-pr\u00f3prio, vindo juntar-se a isso, impede o homem fracassado de procurar recursos numa profiss\u00e3o mais humilde e lhe mostra o suic\u00eddio como rem\u00e9dio para escapar do que acredita ser uma humilha\u00e7\u00e3o.<\/em> Se uma educa\u00e7\u00e3o moral o tivesse elevado acima dos tolos preconceitos do orgulho, ele nunca seria apanhado de surpresa.<\/p>\n<p><strong>929 Existem pessoas que, sentindo-se carentes de todos os recursos, mesmo que a abund\u00e2ncia reine ao seu redor, t\u00eam somente a morte como perspectiva; nesse caso o que devem fazer? Devem se deixar morrer de fome?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o se deve nunca ter a id\u00e9ia de se deixar morrer de fome porque sempre encontrar\u00e1 um meio de se alimentar, se o orgulho n\u00e3o se colocar entre a necessidade e o trabalho. Diz-se freq\u00fcentemente: n\u00e3o h\u00e1 nenhuma profiss\u00e3o humilhante, nenhum trabalho desonra; diz-se para os outros e n\u00e3o para si.<\/p>\n<p><strong>930 \u00c9 evidente que, isento dos preconceitos sociais pelos quais se deixa dominar, o homem sempre encontrar\u00e1 um trabalho qualquer que o ajude a viver, mesmo deslocado de sua posi\u00e7\u00e3o; mas entre as pessoas que n\u00e3o t\u00eam preconceitos ou que os colocam de lado n\u00e3o existem aquelas que est\u00e3o na impossibilidade de prover \u00e0s suas necessidades em conseq\u00fc\u00eancia de doen\u00e7as ou outras causas independentes de sua vontade? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Numa sociedade organizada de acordo com a lei do Cristo ningu\u00e9m deve morrer de fome.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Com uma organiza\u00e7\u00e3o social s\u00e1bia e previdente, o homem pode carecer do necess\u00e1rio apenas por sua culpa, mas mesmo essas suas faltas s\u00e3o geralmente o resultado do meio onde vive. Quando o homem praticar a lei de Deus, ter\u00e1 uma ordem social fundada na justi\u00e7a e na solidariedade, e ele mesmo tamb\u00e9m ser\u00e1 melhor. <\/em>(Veja a quest\u00e3o 793.)<\/p>\n<p><strong>931 Por que, na sociedade, as classes sofredoras s\u00e3o mais numerosas do que as felizes?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Nenhuma \u00e9 perfeitamente feliz, e o que se acredita ser felicidade esconde freq\u00fcentemente grandes afli\u00e7\u00f5es. O sofrimento est\u00e1 por toda parte. Entretanto, para responder ao vosso pensamento, direi que as classes que chamais de sofredoras s\u00e3o mais numerosas, porque a Terra \u00e9 um lugar de expia\u00e7\u00e3o. Quando o homem fizer dela sua morada do bem e dos bons Esp\u00edritos, n\u00e3o mais ser\u00e1 infeliz e viver\u00e1 no para\u00edso terrestre.<\/p>\n<p><strong>932 Por que, no mundo, os maus t\u00eam geralmente maior influ\u00eancia sobre os bons?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 pela fraqueza dos bons; os maus s\u00e3o intrigantes e audaciosos, os bons s\u00e3o t\u00edmidos; quando estes \u00faltimos quiserem, dominar\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>933 Se muitas vezes o homem \u00e9 o causador de seus sofrimentos materiais, tamb\u00e9m ser\u00e1 dos morais?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Mais ainda, porque os sofrimentos materiais s\u00e3o algumas vezes independentes da vontade; mas o orgulho ferido, a ambi\u00e7\u00e3o frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ci\u00fame, todas as paix\u00f5es, enfim, s\u00e3o torturas da alma.<\/p>\n<p>A inveja e o ci\u00fame! Felizes aqueles que n\u00e3o conhecem esses dois vermes roedores! Com a inveja e o ci\u00fame n\u00e3o h\u00e1 calma nem repouso poss\u00edvel para aquele que est\u00e1 atacado desses males: os objetos de sua cobi\u00e7a, seu \u00f3dio, seu despeito se dirigem a ele como fantasmas que n\u00e3o lhes d\u00e3o nenhuma tr\u00e9gua e o perseguem at\u00e9 durante o sono. O invejoso e o ciumento vivem num estado de febre cont\u00ednua. Ser\u00e1 essa uma situa\u00e7\u00e3o desej\u00e1vel, e n\u00e3o compreendeis que com suas paix\u00f5es o homem criou para si supl\u00edcios volunt\u00e1rios, e que a Terra torna-se para ele um verdadeiro inferno?<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>V\u00e1rias express\u00f5es refletem energicamente os efeitos de certas paix\u00f5es; diz-se: estar inchado de orgulho, morrer de inveja, secar de ci\u00fame ou de despeito, por ci\u00fames perder o apetite, etc.; esse quadro n\u00e3o deixa de ser verdadeiro. Algumas vezes o pr\u00f3prio ci\u00fame n\u00e3o tem objetivo determinado. Existem pessoas naturalmente ciumentas de tudo que se eleva e sai do comum, mesmo que n\u00e3o tenham nenhum interesse direto nisso, mas unicamente porque n\u00e3o o podem atingir. Tudo o que parece estar acima do horizonte as ofusca, e se estivessem em maioria na sociedade desejariam reconduzir tudo a seu n\u00edvel. \u00c9 o ci\u00fame aliado \u00e0 mediocridade. <\/em><\/p>\n<p><em>O homem \u00e9, muitas vezes, infeliz apenas pela import\u00e2ncia que d\u00e1 \u00e0s coisas deste mundo; \u00e9 a vaidade, a ambi\u00e7\u00e3o e a cobi\u00e7a frustradas que fazem sua infelicidade. Se ele se coloca acima do c\u00edrculo estreito da vida material, se eleva seus pensamentos ao infinito, que \u00e9 a sua destina\u00e7\u00e3o, as conting\u00eancias da humanidade lhe parecem, ent\u00e3o, mesquinhas e f\u00fateis, como as tristezas de uma crian\u00e7a que se aflige com a perda de um brinquedo que representava sua felicidade suprema. <\/em><\/p>\n<p><em>Aquele que v\u00ea felicidade apenas na satisfa\u00e7\u00e3o do orgulho e dos apetites grosseiros fica infeliz quando n\u00e3o pode satisfaz\u00ea-los; no entanto, aquele que n\u00e3o se interessa pelo sup\u00e9rfluo fica feliz com o que tem e que os outros considerariam uma grande desgra\u00e7a, uma insignific\u00e2ncia. <\/em><\/p>\n<p><em>Falamos do homem civilizado porque o selvagem, por ter necessidades mais limitadas, n\u00e3o tem os mesmos motivos de cobi\u00e7a e de ang\u00fastias: sua maneira de ver as coisas \u00e9 completamente diferente. Civilizado, o homem raciocina sobre sua infelicidade e a analisa; \u00e9 por isso que se sente mais afetado por ela; mas tamb\u00e9m pode raciocinar e analisar os meios de consola\u00e7\u00e3o. Essa consola\u00e7\u00e3o est\u00e1 no sentimento crist\u00e3o, que d\u00e1 a esperan\u00e7a de um futuro melhor, e no Espiritismo, que d\u00e1 a certeza desse futuro. <\/em><\/p>\n<p><strong>Perda de pessoas amadas<\/strong><\/p>\n<p><strong>934 Por que a perda das pessoas queridas nos causa um desgosto tanto mais leg\u00edtimo quanto irrepar\u00e1vel e independente de nossa vontade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Esse motivo de desgosto atinge tanto o rico quanto o pobre: \u00e9 uma prova ou uma expia\u00e7\u00e3o, \u00e9 a lei comum. Mas \u00e9 uma consola\u00e7\u00e3o poder se comunicar com os amigos pelos meios que tendes, enquanto esperais outros mais diretos e mais acess\u00edveis aos vossos sentidos.<\/p>\n<p><strong>935 O que pensar das pessoas que v\u00eaem as comunica\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos como uma profana\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o pode haver nisso profana\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 recolhimento e quando a evoca\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com respeito e dignidade. O que prova isso \u00e9 que os Esp\u00edritos que se afei\u00e7oam a v\u00f3s v\u00eam com prazer, ficam felizes com vossa lembran\u00e7a e por se comunicarem convosco. Haveria profana\u00e7\u00e3o se fizessem disso uma leviandade.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A possibilidade de entrar em comunica\u00e7\u00e3o com os Esp\u00edritos \u00e9 uma consola\u00e7\u00e3o bem doce, uma vez que nos proporciona o meio de conversarmos com nossos parentes e amigos que deixaram a Terra antes de n\u00f3s. Pela evoca\u00e7\u00e3o, os aproximamos de n\u00f3s, e eles ficam do nosso lado, nos ouvem e respondem; n\u00e3o h\u00e1, por assim dizer, mais separa\u00e7\u00e3o entre eles e n\u00f3s. <\/em><\/p>\n<p><em>Ajudam-nos com seus conselhos, demonstrando sua afei\u00e7\u00e3o e o contentamento que t\u00eam por nossa lembran\u00e7a. \u00c9 para n\u00f3s uma satisfa\u00e7\u00e3o saber que est\u00e3o felizes, aprender com eles mesmos os detalhes de sua nova exist\u00eancia e adquirir a certeza de que, por nossa vez, nos reuniremos a eles. <\/em><\/p>\n<p><strong>936 Como as dores inconsol\u00e1veis dos encarnados afetam os Esp\u00edritos que partiram?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Esp\u00edrito \u00e9 sens\u00edvel \u00e0 lembran\u00e7a e aos lamentos daqueles que amou, mas uma dor incessante e irracional o afeta dolorosamente, porque v\u00ea nessa dor excessiva uma falta de f\u00e9 no futuro e de confian\u00e7a em Deus e um obst\u00e1culo ao adiantamento dos que choram e, talvez, ao reencontro entre todos.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Estando o Esp\u00edrito mais feliz no espa\u00e7o do que na Terra, lamentar que tenha deixado esta vida \u00e9 lamentar que seja feliz. Dois amigos s\u00e3o prisioneiros e est\u00e3o encerrados na mesma cela; tanto um quanto o outro devem obter um dia a liberdade, mas um deles a obt\u00e9m antes. Seria caridoso, para aquele que fica, sentir-se infeliz por seu amigo ter sido libertado antes dele? N\u00e3o seria mais ego\u00edsmo do que afei\u00e7\u00e3o de sua parte querer que o outro compartilhasse do seu cativeiro e sofrimentos por tanto tempo quanto ele? O mesmo acontece com dois seres que se amam na Terra; aquele que parte primeiro \u00e9 o primeiro a se libertar, e n\u00f3s devemos felicit\u00e1-lo por isso, aguardando com paci\u00eancia o momento em que l\u00e1 estaremos por nossa vez. <\/em><\/p>\n<p><em>Faremos, sobre este assunto, uma outra compara\u00e7\u00e3o. Tendes um amigo numa situa\u00e7\u00e3o muito lastim\u00e1vel, sua sa\u00fade ou seu interesse exige que v\u00e1 a um outro pa\u00eds onde ficar\u00e1 melhor sob todos os aspectos. N\u00e3o estar\u00e1 mais perto de v\u00f3s momentaneamente, mas sempre estareis em comunica\u00e7\u00e3o com ele: a separa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 apenas material. Ficar\u00edeis descontentes com seu afastamento, ainda que seja para seu bem? <\/em><\/p>\n<p><em>Pelas provas evidentes que apresenta da vida futura, da presen\u00e7a ao nosso redor daqueles que amamos e da continuidade de sua afei\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o por n\u00f3s, pelas rela\u00e7\u00f5es que nos permitem ter com eles, a Doutrina Esp\u00edrita nos oferece uma suprema consola\u00e7\u00e3o para uma das causas mais leg\u00edtimas da dor. Com o Espiritismo n\u00e3o h\u00e1 mais solid\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mais abandono; o homem mais isolado tem sempre amigos perto de si com os quais pode se comunicar. <\/em><\/p>\n<p><em>Suportamos impacientemente as afli\u00e7\u00f5es da vida, e elas nos parecem t\u00e3o intoler\u00e1veis que julgamos n\u00e3o poder suport\u00e1-las; entretanto, se as suportarmos com coragem, se soubermos silenciar nossos lamentos, ficaremos felizes com isso quando estivermos fora desta pris\u00e3o terrestre, como o paciente que sofre fica feliz quando \u00e9 curado, por ter se submetido a um tratamento doloroso. <\/em><\/p>\n<p><strong>Decep\u00e7\u00e3o. Ingratid\u00e3o. Afei\u00e7\u00f5es destru\u00eddas<\/strong><\/p>\n<p><strong>937 As decep\u00e7\u00f5es causadas pela ingratid\u00e3o e a fragilidade da amizade tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o para o homem de cora\u00e7\u00e3o uma fonte de amargura?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim; mas j\u00e1 vos ensinamos a lastimar os ingratos e amigos infi\u00e9is: eles ser\u00e3o mais infelizes que v\u00f3s. A ingratid\u00e3o \u00e9 filha do ego\u00edsmo, e o ego\u00edsmo encontrar\u00e1 mais tarde cora\u00e7\u00f5es insens\u00edveis, como ele mesmo foi. Pensai em todos que fizeram mais o bem do que v\u00f3s, que valeram muito mais do que v\u00f3s, e que foram pagos com ingratid\u00e3o. Pensai que o pr\u00f3prio Jesus foi zombado e desprezado quando na Terra, tratado de velhaco e de impostor, e n\u00e3o vos espanteis que o mesmo possa acontecer convosco. Que o bem que fizestes seja vossa recompensa neste mundo, e n\u00e3o vos preocupeis com o que dizem aqueles que o receberam. A ingratid\u00e3o \u00e9 uma prova para vossa persist\u00eancia em fazer o bem e ser\u00e1 levada em conta. Os ingratos ser\u00e3o tanto mais punidos quanto maior tiver sido a sua ingratid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>938 As decep\u00e7\u00f5es causadas pela ingratid\u00e3o n\u00e3o predisp\u00f5e a endurecer o cora\u00e7\u00e3o e fech\u00e1-lo \u00e0 sensibilidade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso seria um erro, porque o homem de cora\u00e7\u00e3o, como dizeis, est\u00e1 sempre feliz com o bem que faz. Ele sabe que se pelo bem que faz n\u00e3o o reconhecerem nesta vida, na outra o far\u00e3o, e que ao ingrato restar\u00e1 a vergonha e o remorso.<\/p>\n<p><strong>938 a Esse pensamento n\u00e3o impede seu cora\u00e7\u00e3o de ser magoado; portanto, isso n\u00e3o poderia originar a id\u00e9ia de que seria mais feliz se fosse menos sens\u00edvel? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, se preferir a felicidade do ego\u00edsta, que \u00e9 muito triste! Que ele saiba que os amigos ingratos que o abandonam n\u00e3o s\u00e3o dignos de sua amizade e que se enganou sobre eles; portanto, n\u00e3o deve lamentar sua perda. Mais tarde, encontrar\u00e1 outros que o compreender\u00e3o melhor. Lamentai aqueles que t\u00eam para convosco um comportamento ingrato que n\u00e3o merecestes, porque ter\u00e3o amarga recompensa, um triste retorno; e tamb\u00e9m n\u00e3o vos aflijais com isso: \u00e9 o meio de vos colocar acima deles.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores prazeres concedidos na Terra \u00e9 o de encontrar cora\u00e7\u00f5es que simpatizam com o seu, o que \u00e9 ind\u00edcio de uma felicidade que lhe est\u00e1 reservada no mundo dos Esp\u00edritos perfeitos, onde tudo \u00e9 amor e benevol\u00eancia; \u00e9 um prazer recusado ao ego\u00edsta. <\/em><\/p>\n<p><strong>Uni\u00f5es antip\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p><strong>939 Se os Esp\u00edritos simp\u00e1ticos s\u00e3o levados a se unir, como \u00e9 que, entre os encarnados, a afei\u00e7\u00e3o seja freq\u00fcente apenas de um lado, e que o amor mais sincero seja muitas vezes acolhido com indiferen\u00e7a e at\u00e9 mesmo com repulsa? Como, al\u00e9m disso, a mais viva afei\u00e7\u00e3o de dois seres pode se transformar em antipatia e \u00f3dio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 V\u00f3s n\u00e3o compreendeis, porque \u00e9 uma puni\u00e7\u00e3o passageira. Ali\u00e1s, quantos n\u00e3o h\u00e1 que acreditam amar perdidamente, porque julgam apenas pelas apar\u00eancias, e quando s\u00e3o obrigados a viver com as pessoas amadas, n\u00e3o tardam a reconhecer que \u00e9 apenas uma atra\u00e7\u00e3o f\u00edsica! N\u00e3o basta estar apaixonado por uma pessoa que vos agrada e que tem muitas qualidades; \u00e9 na conviv\u00eancia real que podereis apreci\u00e1-la. Quantas uni\u00f5es h\u00e1 que, de in\u00edcio, parecem n\u00e3o ser simp\u00e1ticas; por\u00e9m, depois de um e outro se conhecerem e se estudarem bem terminam por se amar com um amor terno e dur\u00e1vel, porque se baseia na estima! N\u00e3o se pode esquecer que \u00e9 o Esp\u00edrito que ama, e n\u00e3o o corpo, e quando a ilus\u00e3o material se dissipa, o Esp\u00edrito v\u00ea a realidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas esp\u00e9cies de afei\u00e7\u00e3o: a do corpo e da alma, e toma-se freq\u00fcentemente uma pela outra. A afei\u00e7\u00e3o da alma, quando \u00e9 pura e simp\u00e1tica, \u00e9 dur\u00e1vel; a do corpo \u00e9 passageira. Eis por que muitas vezes os que pensavam se amar com um amor eterno se odeiam quando acaba a ilus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>940 A falta de simpatia entre os seres que t\u00eam de viver juntos n\u00e3o \u00e9 igualmente uma fonte de desgostos amarga e que envenena toda a exist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muito amarga, de fato; mas \u00e9 uma dessas infelicidades de que, freq\u00fcentemente, sois os principais respons\u00e1veis. Primeiro, s\u00e3o vossas leis que est\u00e3o erradas. Por que acreditais que Deus obriga a ficar com aqueles que vos desagradam? E depois, nessas uni\u00f5es, procurais muitas vezes mais a satisfa\u00e7\u00e3o do orgulho e da ambi\u00e7\u00e3o do que a felicidade de uma afei\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Ent\u00e3o suportais a conseq\u00fc\u00eancia de vossos preconceitos.<\/p>\n<p><strong>940 a Mas, nesse caso, n\u00e3o existe quase sempre uma v\u00edtima inocente? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, e \u00e9 para ela uma dura expia\u00e7\u00e3o. Mas a responsabilidade de sua infelicidade recair\u00e1 sobre quem a causou. Se a luz da verdade j\u00e1 penetrou sua alma, ter\u00e1 consola\u00e7\u00e3o em sua f\u00e9 no futuro; al\u00e9m disso, \u00e0 medida que os preconceitos forem enfraquecendo, as causas dessas infelicidades \u00edntimas tamb\u00e9m desaparecer\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Medo da morte<\/strong><\/p>\n<p><strong>941 O medo da morte \u00e9 para muitas pessoas um motivo de perplexidade; de onde vem esse medo, se t\u00eam o futuro diante de si?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um erro terem esse medo. Mas o que quereis! Procura-se convenc\u00ea-las desde crian\u00e7as de que existe um inferno e um para\u00edso, e que \u00e9 mais certo irem para o inferno, porque lhe dizem que ao agirem de acordo com a natureza cometem um pecado mortal para a alma: ent\u00e3o, quando se tornam adultas, se t\u00eam algum discernimento, n\u00e3o podem admitir isso, e tornam-se ateus ou materialistas. \u00c9 assim que se conduzem as pessoas a crer que al\u00e9m da vida presente n\u00e3o h\u00e1 mais nada, e as que persistiram em suas cren\u00e7as de inf\u00e2ncia temem esse fogo eterno que deve queim\u00e1-las sem destru\u00ed-las.<\/p>\n<p>A morte, entretanto, n\u00e3o inspira ao justo nenhum temor, porque, com a f\u00e9, tem a certeza do futuro; a esperan\u00e7a lhe faz esperar uma vida melhor, e a caridade que praticou d\u00e1-lhe a certeza de que n\u00e3o encontrar\u00e1 no mundo para onde vai nenhum ser do qual deva temer o olhar. (Veja a quest\u00e3o 730.)<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Aquele que \u00e9 mais ligado \u00e0 vida material do que \u00e0 espiritual tem, na Terra, penalidades e prazeres materiais; sua felicidade resume-se \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de todos os desejos. Sua alma, constantemente preocupada e afetada pelas conting\u00eancias da vida, permanece numa ansiedade e numa tortura perp\u00e9tuas. A morte o assusta, por duvidar do seu futuro e acreditar que deixa na Terra todas as suas afei\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as. <\/em><\/p>\n<p><em>Aquele que se eleva acima das necessidades artificiais criadas pelas paix\u00f5es tem, j\u00e1 aqui na Terra, prazeres desconhecidos ao materialista. A modera\u00e7\u00e3o de seus desejos d\u00e1 ao Esp\u00edrito calma e serenidade. Feliz pelo bem que faz, n\u00e3o h\u00e1 para ele decep\u00e7\u00f5es, e as contrariedades deslizam sobre sua alma sem causar nenhuma impress\u00e3o dolorosa. <\/em><\/p>\n<p><strong>942 Certas pessoas n\u00e3o achar\u00e3o esses conselhos banais para serem felizes na Terra? N\u00e3o ver\u00e3o o que chamam de lugares-comuns, verdades repetidas? E n\u00e3o dir\u00e3o que, definitivamente, o segredo para ser feliz \u00e9 saber suportar sua infelicidade? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 os que dir\u00e3o isso, e ser\u00e3o muitos. Mas ocorre o mesmo com certos doentes a quem o m\u00e9dico prescreve a dieta: gostariam de ser curados sem rem\u00e9dios e continuar a se predispor \u00e0s indigest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Desgosto da vida. Suic\u00eddio<\/strong><\/p>\n<p><strong>943 De onde vem o desgosto pela vida que se apodera de certos indiv\u00edduos sem motivos razo\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Efeito da ociosidade, da falta de f\u00e9 e freq\u00fcentemente da satisfa\u00e7\u00e3o plena de seus apetites e vontades, do t\u00e9dio. Para aquele que exerce suas atividades com um objetivo \u00fatil e de acordo com suas aptid\u00f5es naturais, o trabalho n\u00e3o tem nada de \u00e1rido, e a vida escoa mais rapidamente.Suporta as conting\u00eancias da vida com mais paci\u00eancia e resigna\u00e7\u00e3o quanto age tendo em vista uma felicidade mais s\u00f3lida e mais dur\u00e1vel que o espera.<\/p>\n<p><strong>944 O homem tem o direito de dispor de sua pr\u00f3pria vida?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, apenas Deus tem esse direito. O suic\u00eddio volunt\u00e1rio \u00e9 uma transgress\u00e3o dessa lei.<\/p>\n<p><strong>944 a O suic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 sempre volunt\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O louco que se mata n\u00e3o sabe o que faz.<\/p>\n<p><strong>945 O que pensar do suic\u00eddio que tem como causa o desgosto da vida? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Insensatos! Por que n\u00e3o trabalhavam? A exist\u00eancia n\u00e3o lhes teria sido pesada!<\/p>\n<p><strong>946 O que pensar do suicida que tem por objetivo escapar das mis\u00e9rias e decep\u00e7\u00f5es deste mundo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pobres Esp\u00edritos, que n\u00e3o t\u00eam coragem de suportar as mis\u00e9rias da exist\u00eancia! Deus ajuda aqueles que sofrem, e n\u00e3o aos que n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a nem coragem. As afli\u00e7\u00f5es da vida s\u00e3o provas ou expia\u00e7\u00f5es; felizes aqueles que as suportam sem queixas, porque ser\u00e3o recompensados! Infelizes, ao contr\u00e1rio, os que esperam sua salva\u00e7\u00e3o do que, na incredulidade deles, chamam de acaso ou sorte! O acaso ou a sorte, para me servir da vossa linguagem, podem, de fato, favorec\u00ea-los transitoriamente, mas \u00e9 para faz\u00ea-los sentir mais tarde e mais cruelmente o vazio dessas palavras.<\/p>\n<p><strong>946 a Aqueles que conduziram um infeliz a esse ato de desespero sofrer\u00e3o as conseq\u00fc\u00eancias disso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como s\u00e3o infelizes! Pois responder\u00e3o por homic\u00eddio.<\/p>\n<p><strong>947 O homem que na necessidade se deixa morrer de desespero pode ser considerado um suicida?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um suicida;mas os que o levaram a isso ou que poderiam impedi-lo s\u00e3o mais culpados que ele, e a indulg\u00eancia o espera. Entretanto, n\u00e3o acrediteis que seja inteiramente absolvido se lhe faltaram firmeza e perseveran\u00e7a e se n\u00e3o usou sua intelig\u00eancia para superar as dificuldades. Infeliz dele, principalmente se seu desespero se originou do orgulho; quero dizer, se \u00e9 desses homens a quem o orgulho paralisa os recursos da intelig\u00eancia, que se envergonham por depender do trabalho de suas m\u00e3os e que preferem morrer de fome a renunciar ao que eles chamam de posi\u00e7\u00e3o social! N\u00e3o haver\u00e1 cem vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade do que enfrentar a cr\u00edtica de um mundo f\u00fatil e ego\u00edsta, que tem boa vontade apenas para com aqueles a quem nada falta, e vos d\u00e1 as costas quando tendes necessidade dele? Sacrificar a vida em considera\u00e7\u00e3o a esse mundo \u00e9 uma coisa est\u00fapida, porque para esse mundo isso n\u00e3o tem valor.<\/p>\n<p><strong>948 O suic\u00eddio que tem por objetivo escapar da vergonha de uma m\u00e1 a\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o conden\u00e1vel quanto aquele que \u00e9 causado por desespero?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O suic\u00eddio nesse caso n\u00e3o apaga o erro; pelo contr\u00e1rio, haver\u00e1 dois em vez de um. Quando se teve a coragem de fazer o mal, \u00e9 preciso ter a coragem de suportar as conseq\u00fc\u00eancias. A Provid\u00eancia a tudo julga e, de acordo com a causa, pode, algumas vezes, diminuir seus rigores.<\/p>\n<p><strong>949 O suic\u00eddio pode ser desculp\u00e1vel quando tem por objetivo impedir que a vergonha recaia sobre filhos ou sobre a fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Aquele que age desse modo n\u00e3o procede bem, embora acredite que o fa\u00e7a. A Provid\u00eancia leva isso em conta, porque \u00e9 uma expia\u00e7\u00e3o que se imp\u00f5e a si mesmo. Ele atenua seu erro pela inten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o deixa de cometer um erro. Portanto, eliminai os abusos da sociedade e os vossos preconceitos e n\u00e3o tereis mais suic\u00eddios.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Aquele que tira a pr\u00f3pria vida para escapar da vergonha de uma m\u00e1 a\u00e7\u00e3o prova que tem mais estima aos homens do que a Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas maldades, tendo-se privado dos meios de repar\u00e1-las durante a vida. Por\u00e9m, sendo a Provid\u00eancia divina mais ben\u00e9vola do que os homens na sua justi\u00e7a, perdoa pelo arrependimento sincero e leva em conta nossa repara\u00e7\u00e3o. Mas o suic\u00eddio nada repara. <\/em><\/p>\n<p><strong>950 O que pensar daquele que tira a pr\u00f3pria vida na esperan\u00e7a de atingir mais cedo uma vida melhor?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Outra loucura! Se fizer o bem a atingir\u00e1 mais cedo. Pelo suic\u00eddio retarda sua entrada num mundo melhor, e ele mesmo pedir\u00e1 para vir terminar essa vida que encurtou por uma falsa id\u00e9ia. Um erro, seja qual for, nunca abre o santu\u00e1rio dos eleitos.<\/p>\n<p><strong>951 O sacrif\u00edcio da vida n\u00e3o \u00e9 algumas vezes merit\u00f3rio, quando tem por objetivo salvar a de outras pessoas ou ser \u00fatil aos seus semelhantes?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso \u00e9 sublime, de acordo com a inten\u00e7\u00e3o, e nesse caso o sacrif\u00edcio da vida n\u00e3o \u00e9 um suic\u00eddio, mas um sacrif\u00edcio in\u00fatil. Por\u00e9m, est\u00e1 fora dos des\u00edgnios divinos se \u00e9 ofuscado pelo orgulho. Um sacrif\u00edcio \u00e9 apenas merit\u00f3rio pelo desinteresse. Algumas vezes, esse sacrif\u00edcio esconde uma segunda inten\u00e7\u00e3o, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Todo sacrif\u00edcio do homem \u00e0 custa de sua pr\u00f3pria felicidade \u00e9 um ato soberanamente merit\u00f3rio perante Deus, porque \u00e9 a pr\u00e1tica da lei de caridade. Portanto, sendo a vida o bem terreno ao qual o homem atribui maior apre\u00e7o, aquele que renuncia a isso pelo bem de seus semelhantes n\u00e3o comete nenhum atentado: \u00e9 um sacrif\u00edcio que realiza. Mas, antes de realiz\u00e1-lo, deve refletir se sua vida n\u00e3o ser\u00e1 mais \u00fatil que sua morte. <\/em><\/p>\n<p><strong>952 O homem que morre vitimado pelo abuso de paix\u00f5es que sabia apressariam o seu fim, mas \u00e0s quais n\u00e3o tem mais o poder de resistir por ter se habituado a fazer delas verdadeiras necessidades f\u00edsicas, comete suic\u00eddio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um suic\u00eddio moral. Deveis compreender que o homem \u00e9 duplamente culpado nesse caso. Nele h\u00e1, al\u00e9m da falta de coragem, a ignor\u00e2ncia e, acima de tudo, o esquecimento de Deus.<\/p>\n<p><strong>952 a Ele \u00e9 mais ou menos culpado do que aquele que tira a pr\u00f3pria vida por desespero?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 mais culpado, por ter tido tempo de reconhecer seu suic\u00eddio. Naquele que o comete de s\u00fabito existe algumas vezes uma esp\u00e9cie de alucina\u00e7\u00e3o obsessiva pr\u00f3xima \u00e0 loucura; o outro ser\u00e1 punido com mais rigor, porque as penalidades s\u00e3o sempre proporcionais \u00e0 consci\u00eancia que se tem dos erros cometidos.<\/p>\n<p><strong>953 Quando uma pessoa v\u00ea diante de si uma morte inevit\u00e1vel e terr\u00edvel, \u00e9 culpada por abreviar em alguns instantes seus sofrimentos por uma morte volunt\u00e1ria? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sempre se \u00e9 culpado por n\u00e3o aguardar o termo fixado por Deus. Quem poder\u00e1 assegurar, ali\u00e1s, se o fim chegou, apesar das apar\u00eancias, e que n\u00e3o se pode receber um socorro inesperado no \u00faltimo momento?<\/p>\n<p><strong>953 a Concebe-se que em circunst\u00e2ncias comuns o suic\u00eddio seja conden\u00e1vel, mas suponhamos o caso em que a morte \u00e9 inevit\u00e1vel e a vida seja abreviada apenas por alguns instantes.<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 sempre uma falta de resigna\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o \u00e0 vontade do Criador.<\/p>\n<p><strong>953 b Quais s\u00e3o, nesse caso, as conseq\u00fc\u00eancias dessa a\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Uma expia\u00e7\u00e3o proporcional \u00e0 gravidade do erro, de acordo com as circunst\u00e2ncias, como sempre.<\/p>\n<p><strong>954 Uma imprud\u00eancia que compromete a vida sem necessidade \u00e9 repreens\u00edvel? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o existe culpabilidade se n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o ou consci\u00eancia positiva de fazer o mal.<\/p>\n<p><strong>955 As mulheres que, em certos pa\u00edses, se fazem queimar nas piras ciner\u00e1rias<\/strong><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-01.html#1\"><strong><sup>1<\/sup><\/strong><\/a> <strong>voluntariamente junto com o cad\u00e1ver do marido podem ser consideradas suicidas, e sofrem as conseq\u00fc\u00eancias disso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Elas obedecem a um preconceito e muitas vezes mais pela for\u00e7a do que por vontade pr\u00f3pria. Acreditam cumprir um dever, e a\u00ed n\u00e3o se caracteriza o suic\u00eddio. S\u00e3o desculp\u00e1veis pelo pouco desenvolvimento moral da maioria delas e pela ignor\u00e2ncia. Esses costumes b\u00e1rbaros e est\u00fapidos desaparecem com a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>956 Aqueles que, n\u00e3o podendo suportar a perda das pessoas queridas, se matam na esperan\u00e7a de reencontr\u00e1-las, atingem seu objetivo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O resultado \u00e9 completamente diferente do que esperam: em vez de se unirem \u00e0s pessoas de sua afei\u00e7\u00e3o, afastam-se delas por mais tempo, porque Deus n\u00e3o pode recompensar um ato de covardia e o insulto que \u00e9 feito ao duvidarem de Sua Provid\u00eancia. Eles pagar\u00e3o esse instante de loucura com desgostos maiores que os que acreditam abreviar e n\u00e3o ter\u00e3o mais para recompens\u00e1-los a satisfa\u00e7\u00e3o que esperavam. (Veja a quest\u00e3o 934 e seguintes)<\/p>\n<p><strong>957<\/strong> Quais s\u00e3o, em geral, as conseq\u00fc\u00eancias do suic\u00eddio sobre o Esp\u00edrito?<\/p>\n<p>\u2013 As conseq\u00fc\u00eancias do suic\u00eddio s\u00e3o muito diversas: n\u00e3o existem penalidades fixas e, em todos os casos, s\u00e3o sempre relativas \u00e0s causas que o provocaram; mas uma conseq\u00fc\u00eancia da qual o suicida n\u00e3o pode escapar \u00e9 o desapontamento. Al\u00e9m disso, a sorte n\u00e3o \u00e9 a mesma para todos: depende das circunst\u00e2ncias. Alguns expiam sua falta imediatamente; outros, em nova exist\u00eancia, que ser\u00e1 pior do que aquela cujo curso interromperam.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A observa\u00e7\u00e3o mostra, de fato, que as conseq\u00fc\u00eancias do suic\u00eddio nem sempre s\u00e3o as mesmas; mas existem as que s\u00e3o comuns a todos os casos de morte violenta, pela interrup\u00e7\u00e3o brusca da vida. Primeiramente h\u00e1 a persist\u00eancia mais prolongada e insistente do la\u00e7o que une o Esp\u00edrito ao corpo, porque esse la\u00e7o est\u00e1 quase sempre na plenitude de sua for\u00e7a no momento em que \u00e9 quebrado, enquanto na morte natural ele se enfraqueceu gradualmente, e muitas vezes se rompe antes que a vida seja completamente extinta. As conseq\u00fc\u00eancias dessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o o prolongamento da perturba\u00e7\u00e3o espiritual e a ilus\u00e3o que, durante um certo tempo mais ou menos longo, faz o Esp\u00edrito acreditar que ainda est\u00e1 entre os vivos.<\/em> (Veja as quest\u00f5es 155 e 165.)<\/p>\n<p><em>A afinidade que persiste entre o Esp\u00edrito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma esp\u00e9cie de repercuss\u00e3o do estado do corpo sobre o Esp\u00edrito, que sente, assim, o desprazer dos efeitos da decomposi\u00e7\u00e3o do corpo e passa por uma sensa\u00e7\u00e3o cheia de ang\u00fastias e de horror, e esse estado pode persistir tanto tempo quanto devia durar a vida que eles interromperam. Esse efeito n\u00e3o \u00e9 geral; mas, em nenhum caso, o suicida est\u00e1 livre das conseq\u00fc\u00eancias de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, reparar\u00e1 sua falta de uma maneira ou de outra. \u00c9 assim que alguns Esp\u00edritos, que haviam sido infelizes na Terra, disseram ser suicidas na exist\u00eancia anterior e se submeteram, voluntariamente, a novas provas para tentar suport\u00e1-las com mais resigna\u00e7\u00e3o. Em outros h\u00e1 uma esp\u00e9cie de liga\u00e7\u00e3o \u00e0 mat\u00e9ria da qual procuram em v\u00e3o se desapegar, para atingir mundos melhores, mas cujo acesso lhes \u00e9 proibido. Na maioria, \u00e9 o remorso por terem feito uma coisa in\u00fatil, uma vez que s\u00f3 colheram decep\u00e7\u00e3o. A religi\u00e3o, a moral, todas as filosofias condenam o suic\u00eddio como algo contr\u00e1rio \u00e0 lei da natureza; todos nos dizem, em princ\u00edpio, que ningu\u00e9m tem o direito de abreviar voluntariamente sua vida; mas por que n\u00e3o se tem esse direito? Por que n\u00e3o se \u00e9 livre para colocar um fim aos seus sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo daqueles que o praticaram, que n\u00e3o \u00e9 apenas um erro como infra\u00e7\u00e3o a uma lei moral, considera\u00e7\u00e3o que pouco importa para certos indiv\u00edduos, mas que tamb\u00e9m \u00e9 um ato est\u00fapido, uma vez que, ao contr\u00e1rio do que pensam, nada ganha quem o pratica. O Espiritismo nos ensina isso n\u00e3o de forma te\u00f3rica, mas pelos fatos que coloca diante de nossos olhos. <\/em><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Pira ciner\u00e1ria<\/strong>: fogueira onde se queimavam cad\u00e1veres (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo 1 \u2013 Penalidades e prazeres terrenos Felicidade e infelicidade relativas \u2013 Perda de pessoas amadas \u2013 Decep\u00e7\u00e3o. Ingratid\u00e3o. Afei\u00e7\u00f5es destru\u00eddas \u2013 Uni\u00f5es antip\u00e1ticas \u2013 Medo da morte \u2013 Desgosto da vida. Suic\u00eddio Felicidade e infelicidade relativas 920 O homem &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/6-parte-quarta-esperancas-e-consolacoes\/1-cap-1-920-a-957-penalidades-e-prazeres-terrenos\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4310,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4312","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4312"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4313,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4312\/revisions\/4313"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}