{"id":4314,"date":"2016-06-29T22:26:13","date_gmt":"2016-06-30T01:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4314"},"modified":"2016-08-07T07:54:56","modified_gmt":"2016-08-07T10:54:56","slug":"2-cap-2-958-a-1019-penalidades-e-prazeres-futuros","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/6-parte-quarta-esperancas-e-consolacoes\/2-cap-2-958-a-1019-penalidades-e-prazeres-futuros\/","title":{"rendered":"2 Cap 2 &#8211; 958 a 1018 &#8211; Penalidades e prazeres futuros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte Quarta \u2013 Cap\u00edtulo 2<\/strong><\/p>\n<p><strong>Penalidades e prazeres futuros<\/strong><\/p>\n<p>O nada. Vida futura \u2013 Intui\u00e7\u00e3o das penalidades e prazeres futuros \u2013 Interven\u00e7\u00e3o de Deus nas penalidades e recompensas \u2013 Natureza das penalidades e prazeres futuros \u2013 Penalidades temporais \u2013 Expia\u00e7\u00e3o e arrependimento \u2013 Dura\u00e7\u00e3o das penalidades futuras \u2013 Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne \u2013 Para\u00edso, inferno e purgat\u00f3rio<\/p>\n<p><strong>O nada. Vida futura<\/strong><\/p>\n<p><strong>958 Por que o homem tem instintivamente horror ao nada?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Porque o nada n\u00e3o existe.<\/p>\n<p><strong>959 De onde vem para o homem o sentimento instintivo da vida futura? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 dissemos: antes de sua encarna\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito conhecia todas as coisas, e a alma guarda uma vaga lembran\u00e7a do que sabia e do que viu em seu estado espiritual. (Veja a quest\u00e3o 393.)<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Em todos os tempos, o homem se preocupou com seu futuro ap\u00f3s a morte, e isso \u00e9 bastante natural. Qualquer que seja a import\u00e2ncia que d\u00ea \u00e0 vida presente, n\u00e3o pode deixar de considerar quanto a vida \u00e9 curta e, acima de tudo, prec\u00e1ria, porque pode ser cortada a qualquer instante, e o homem nunca est\u00e1 seguro do dia de amanh\u00e3. Que ser\u00e1 dele ap\u00f3s o instante fatal? A quest\u00e3o \u00e9 grave, porque n\u00e3o se trata de alguns anos, e sim da eternidade. Uma pessoa que deve passar longos anos num pa\u00eds estrangeiro se preocupa com a situa\u00e7\u00e3o com que se defrontar\u00e1. Portanto, como n\u00e3o nos devemos preocupar com a vida que teremos ao deixar este mundo, uma vez que \u00e9 para sempre? <\/em><\/p>\n<p><em>A id\u00e9ia do nada tem algo contr\u00e1rio \u00e0 raz\u00e3o. O homem que foi o mais despreocupado durante a vida, quando chega o momento supremo, pergunta-se em que vai se tornar e, involuntariamente, fica esperan\u00e7oso. <\/em><\/p>\n<p><em>Acreditar em Deus sem admitir a vida futura seria um contra-senso. O sentimento de uma exist\u00eancia melhor est\u00e1 no \u00edntimo de cada homem; Deus n\u00e3o o colocou a\u00ed em v\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>A vida futura significa a conserva\u00e7\u00e3o de nossa individualidade ap\u00f3s a morte; o que nos importaria, de fato, sobreviver ao nosso corpo, se nossa ess\u00eancia moral tivesse de se perder no oceano do infinito? As conseq\u00fc\u00eancias para n\u00f3s seriam as mesmas que sumir no nada. <\/em><\/p>\n<p><strong>Intui\u00e7\u00e3o das penalidades e prazeres futuros<\/strong><\/p>\n<p><strong>960 De onde vem a cren\u00e7a que se encontra em todos os povos das penalidades e recompensas futuras?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 sempre a mesma coisa: pressentimento da realidade trazida ao homem pelo Esp\u00edrito nele encarnado. Porque, sabei-o, n\u00e3o \u00e9 em v\u00e3o que uma voz interior vos fala; o erro est\u00e1 em n\u00e3o escut\u00e1-la com bastante aten\u00e7\u00e3o. Se pens\u00e1sseis bem nisso e mais freq\u00fcentemente, melhores vos tornar\u00edeis.<\/p>\n<p><strong>961 No momento da morte, qual \u00e9 o sentimento que domina a maioria dos homens? A d\u00favida, o medo ou a esperan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A d\u00favida para os descrentes endurecidos, o medo para os culpados, a esperan\u00e7a para os homens de bem.<\/p>\n<p><strong>962 Por que existem descrentes, uma vez que a alma traz ao homem o sentimento das coisas espirituais?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Existem menos do que se acredita; muitos se fazem esp\u00edritos fortes durante a vida por orgulho, mas no momento da morte n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o fanfarr\u00f5es.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A conseq\u00fc\u00eancia da vida futura decorre da responsabilidade de nossos atos. A raz\u00e3o e a justi\u00e7a nos dizem que, na partilha da felicidade a que todo homem aspira, os bons e os maus n\u00e3o podem ser confundidos. Deus n\u00e3o pode querer que uns, sem esfor\u00e7o, desfrutem dos bens que outros alcan\u00e7am com esfor\u00e7o e perseveran\u00e7a. <\/em><\/p>\n<p><em>A id\u00e9ia que Deus nos d\u00e1 de sua justi\u00e7a e bondade pela sabedoria de suas leis n\u00e3o nos permite acreditar que o justo e o mau estejam no mesmo plano aos seus olhos, nem duvidar que receber\u00e3o um dia a recompensa ou a puni\u00e7\u00e3o pelo bem ou mal que fizeram. \u00c9 por isso que o sentimento natural que temos da justi\u00e7a nos d\u00e1 a intui\u00e7\u00e3o das penalidades e das recompensas futuras. <\/em><\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o de Deus nas penalidades e recompensas<\/strong><\/p>\n<p><strong>963 Deus se ocupa pessoalmente de cada homem? Ele n\u00e3o \u00e9 muito grande e n\u00f3s muito pequenos para que cada indiv\u00edduo em particular tenha alguma import\u00e2ncia aos seus olhos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deus se ocupa de todos os seres que criou, por menores que sejam; nada \u00e9 muito pequeno para sua bondade.<\/p>\n<p><strong>964 Deus tem necessidade de se ocupar de cada um de nossos atos para nos recompensar ou punir, e a maioria desses atos n\u00e3o s\u00e3o insignificantes para ele? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deus tem Suas leis que regem todas as vossas a\u00e7\u00f5es. Quando h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o da lei, a falta \u00e9 vossa. Sem d\u00favida, quando um homem comete um excesso, Deus n\u00e3o pronuncia um julgamento contra ele, para dizer, por exemplo: \u201cFoste guloso, vou te punir\u201d. Por\u00e9m, tra\u00e7ou um limite; as doen\u00e7as e, freq\u00fcentemente, a morte, s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancias dos excessos: eis a puni\u00e7\u00e3o; ela \u00e9 o resultado da infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei. O mesmo acontece com todas as coisas.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Todas as nossas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o submetidas \u00e0s leis de Deus; n\u00e3o h\u00e1 nenhuma, por mais insignificante que pare\u00e7a, que n\u00e3o possa ser uma viola\u00e7\u00e3o. Ao sofrermos as conseq\u00fc\u00eancias dessa viola\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devemos nos queixar sen\u00e3o de n\u00f3s mesmos, que nos fazemos, assim, os pr\u00f3prios autores de nossa felicidade ou infelicidade futura. <\/em><\/p>\n<p><em>Essa verdade torna-se clara pelo seguinte exemplo: <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cUm pai d\u00e1 a seu filho educa\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o, ou seja, os meios de saber se conduzir. D\u00e1-lhe tamb\u00e9m um campo para cultivar e diz: \u2018Eis a regra a seguir e todos os instrumentos necess\u00e1rios para tornar este campo f\u00e9rtil e assegurar tua exist\u00eancia. Eu te dei a instru\u00e7\u00e3o para compreender esta regra; se a seguires, teu campo produzir\u00e1 muito e te proporcionar\u00e1 o repouso para teus dias de velhice; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o produzir\u00e1 nada e morrer\u00e1s de fome\u2019. Dito isso, deixa-o agir por sua vontade, livremente.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 verdade que esse campo produzir\u00e1 de acordo com os cuidados dados \u00e0 cultura e toda neglig\u00eancia ser\u00e1 em preju\u00edzo da colheita? O filho ser\u00e1, portanto, em sua velhice, feliz ou infeliz conforme tenha seguido ou n\u00e3o a regra tra\u00e7ada por seu pai. Deus \u00e9 ainda mais previdente, porque nos adverte a cada instante se fazemos o bem ou o mal. Envia os Esp\u00edritos para nos inspirar, mas n\u00f3s n\u00e3o os escutamos. Existe ainda a diferen\u00e7a de que Deus sempre d\u00e1 ao homem um recurso nas suas novas exist\u00eancias para reparar seus erros passados, enquanto o filho de quem falamos n\u00e3o conta mais com isso se empregou mal seu tempo. <\/em><\/p>\n<p><strong>Natureza das penalidades e prazeres futuros<\/strong><\/p>\n<p><strong>965 As penalidades e os prazeres da alma ap\u00f3s a morte t\u00eam algo de material? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Elas n\u00e3o podem ser materiais, porque a alma n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria: o bom senso o diz. Essas penalidades e prazeres nada t\u00eam de carnal e, entretanto, s\u00e3o mil vezes mais intensos que aqueles que experimentais na Terra, porque o Esp\u00edrito, uma vez liberto do corpo, \u00e9 mais impression\u00e1vel; a mat\u00e9ria n\u00e3o enfraquece mais suas sensa\u00e7\u00f5es. (Veja as quest\u00f5es 237 e 257).<\/p>\n<p><strong>966 Por que o homem faz das penalidades e dos prazeres da vida futura uma id\u00e9ia freq\u00fcentemente t\u00e3o grosseira e absurda?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 porque sua intelig\u00eancia ainda n\u00e3o se desenvolveu bastante. A crian\u00e7a compreende como o adulto? Ali\u00e1s, tamb\u00e9m depende daquilo que lhe ensinaram: eis a\u00ed por que h\u00e1 a necessidade de uma reforma.<\/p>\n<p>Vossa linguagem \u00e9 muito incompleta para exprimir o que existe al\u00e9m do vosso entendimento; por isso, foi necess\u00e1rio fazer compara\u00e7\u00f5es, e s\u00e3o essas imagens e figuras que tomastes pela realidade; mas, \u00e0 medida que o homem se esclarece, seu pensamento compreende as coisas que sua linguagem n\u00e3o pode exprimir.<\/p>\n<p><strong>967 Em que consiste a felicidade dos bons Esp\u00edritos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Consiste em conhecer todas as coisas; n\u00e3o ter \u00f3dio, ci\u00fame, inveja, ambi\u00e7\u00e3o e nenhuma das paix\u00f5es que fazem a infelicidade dos homens. O amor que os une \u00e9 a fonte de uma suprema felicidade. Eles n\u00e3o experimentam as necessidades e sofrimentos nem as ang\u00fastias da vida material; ficam felizes com o bem que fazem. Por\u00e9m, a felicidade dos Esp\u00edritos \u00e9 sempre proporcional \u00e0 sua eleva\u00e7\u00e3o. S\u00f3 os Esp\u00edritos puros desfrutam, \u00e9 bem verdade, da felicidade suprema, mas todos os outros s\u00e3o tamb\u00e9m felizes. Entre os maus e os perfeitos existe uma infinidade de graus em que os prazeres s\u00e3o relativos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o moral. Aqueles que est\u00e3o bastante adiantados compreendem a felicidade dos mais avan\u00e7ados e desejam igualmente alcan\u00e7\u00e1-la, o que \u00e9 para eles um motivo de est\u00edmulo e n\u00e3o de ci\u00fame. Sabem que depende deles consegui-la e trabalham para esse fim, mas com a calma da boa consci\u00eancia, e s\u00e3o felizes por n\u00e3o sofrerem como os maus.<\/p>\n<p><strong>968 Colocais a aus\u00eancia das necessidades materiais entre as condi\u00e7\u00f5es de felicidade para os bons Esp\u00edritos; mas a satisfa\u00e7\u00e3o dessas necessidades n\u00e3o \u00e9, para o homem, uma fonte de prazeres?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, de prazeres selvagens; e quando n\u00e3o podeis satisfazer essas necessidades, \u00e9 uma tortura.<\/p>\n<p><strong>969 O que devemos entender quando se diz que os Esp\u00edritos puros est\u00e3o reunidos no seio de Deus e ocupados em cantar louvores?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um modo de dizer, uma simbologia, para fazer entender o que eles t\u00eam das perfei\u00e7\u00f5es de Deus, j\u00e1 que O v\u00eaem e O compreendem, mas n\u00e3o a deveis tomar ao p\u00e9 da letra como fazeis com muitas outras. Tudo na natureza, desde o gr\u00e3o de areia, canta, ou seja, proclama o poder, a sabedoria e a bondade de Deus. N\u00e3o acrediteis que os Esp\u00edritos bem-aventurados vivam em contempla\u00e7\u00e3o por toda a eternidade; seria uma felicidade est\u00fapida e mon\u00f3tona e seria ainda mais, uma felicidade ego\u00edsta, uma vez que sua exist\u00eancia seria uma inutilidade sem fim. Eles n\u00e3o t\u00eam mais as afli\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia corporal: isso j\u00e1 \u00e9 um prazer. Ali\u00e1s, como j\u00e1 dissemos, conhecem e sabem todas as coisas; empregam \u00fatil e proveitosamente a intelig\u00eancia que adquiriram para ajudar no progresso dos outros Esp\u00edritos: \u00e9 sua ocupa\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo um prazer.<\/p>\n<p><strong>970 Como s\u00e3o os sofrimentos dos Esp\u00edritos inferiores?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o t\u00e3o variados quanto as causas que os produziram e proporcionais ao grau de inferioridade, como os prazeres o s\u00e3o para os graus de superioridade. Podem resumir-se assim: invejar tudo o que lhes falta para serem felizes e n\u00e3o poderem obt\u00ea-lo; ver a felicidade e n\u00e3o poder atingi-la; desgosto, ci\u00fame, raiva, desespero daquilo que os impede de ser felizes; remorso, ansiedade moral indefin\u00edvel. T\u00eam o desejo de todos os prazeres e n\u00e3o podem satisfaz\u00ea-los, \u00e9 o que os tortura.<\/p>\n<p><strong>971 A influ\u00eancia que os Esp\u00edritos exercem uns sobre os outros \u00e9 sempre boa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sempre boa da parte dos Esp\u00edritos bons, sem d\u00favida. Mas os Esp\u00edritos perversos procuram desviar do caminho do bem e do arrependimento aqueles que observam ser mais sujeitos de se deixar influenciar e que, muitas vezes, eles mesmos desviaram para o mal durante a vida corp\u00f3rea.<\/p>\n<p><strong>971 a Assim, a morte n\u00e3o nos livra da tenta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o; mas a a\u00e7\u00e3o que os maus Esp\u00edritos exercem sobre os outros Esp\u00edritos \u00e9 muito menor do que sobre os homens, porque eles n\u00e3o t\u00eam mais o incentivo das paix\u00f5es materiais. (Veja a quest\u00e3o 996.)<\/p>\n<p><strong>972 Como os maus Esp\u00edritos fazem para tentar outros Esp\u00edritos, uma vez que n\u00e3o possuem o aux\u00edlio das paix\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se as paix\u00f5es n\u00e3o existem materialmente, existem no pensamento dos Esp\u00edritos atrasados. Os maus alimentam os pensamentos deles arrastando suas v\u00edtimas para os lugares onde t\u00eam o espet\u00e1culo dessas paix\u00f5es e tudo que pode excit\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>972 a Mas por que estimulam essas paix\u00f5es, uma vez que n\u00e3o t\u00eam mais objetivo real?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 precisamente para provocar o supl\u00edcio: o avaro v\u00ea o ouro que n\u00e3o pode possuir; o libertino, orgias das quais n\u00e3o pode fazer parte; o orgulhoso, honras que inveja e de que n\u00e3o pode desfrutar.<\/p>\n<p><strong>973 Quais s\u00e3o os maiores sofrimentos que podem suportar os maus Esp\u00edritos? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o existe descri\u00e7\u00e3o poss\u00edvel das torturas morais que s\u00e3o a puni\u00e7\u00e3o de certos crimes. Mesmo os que as sofrem teriam dificuldades para dar uma id\u00e9ia delas; mas, certamente, a mais horr\u00edvel \u00e9 o fato de pensarem estar condenados para sempre. (Veja a quest\u00e3o 101.)<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O homem faz, dos desgostos e dos prazeres da alma ap\u00f3s a morte, uma id\u00e9ia mais ou menos elevada, de acordo com sua intelig\u00eancia, que, quanto mais desenvolvida for, mais essa id\u00e9ia se depura e mais se desprende da mat\u00e9ria; compreende as coisas sob um ponto de vista mais racional, em vez de tomar ao p\u00e9 da letra imagens de uma linguagem figurada. A raz\u00e3o mais esclarecida, ao nos ensinar que a alma \u00e9 um ser todo espiritual, nos diz, por isso mesmo, que ela n\u00e3o pode ser afetada pelas impress\u00f5es que agem sobre a mat\u00e9ria, embora n\u00e3o esteja livre de sofrimentos nem de receber a puni\u00e7\u00e3o de suas faltas. <\/em>(Veja a quest\u00e3o 237.)<\/p>\n<p><em>As comunica\u00e7\u00f5es esp\u00edritas t\u00eam o prop\u00f3sito de nos mostrar o estado futuro da alma, n\u00e3o como uma teoria, mas como uma realidade, ao colocar sob nossos olhos todas as ocorr\u00eancias da vida ap\u00f3s a morte, mostrando-as ao mesmo tempo como conseq\u00fc\u00eancias perfeitamente l\u00f3gicas da vida terrestre. E embora livre das id\u00e9ias fantasiosas criadas pela imagina\u00e7\u00e3o dos homens, essas conseq\u00fc\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o menos angustiantes para aqueles que fizeram um mau uso de suas vontades e aptid\u00f5es. A diversidade dessas conseq\u00fc\u00eancias \u00e9 infinita, mas pode-se dizer, de modo geral: cada um \u00e9 corrigido pelas faltas que cometeu. \u00c9 assim que uns s\u00e3o punidos pela vis\u00e3o incessante do mal que fizeram; outros, pelos desgostos, o medo, a vergonha, a d\u00favida, o isolamento, as trevas e pela separa\u00e7\u00e3o dos seres que lhe s\u00e3o queridos, etc. <\/em><\/p>\n<p><strong>974 De onde vem a doutrina do fogo eterno?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 uma imagem, assim como tantas outras tomadas como realidade.<\/p>\n<p><strong>974 a Esse medo n\u00e3o pode resultar em algo bom?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Reparai que ele n\u00e3o serve de freio nem mesmo para aqueles que o ensinam. Se ensinais coisas que a raz\u00e3o rejeita mais tarde, fareis surgir uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ser\u00e1 nem dur\u00e1vel nem salutar.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O homem, n\u00e3o podendo exprimir por sua linguagem a natureza daqueles sofrimentos, n\u00e3o encontrou compara\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica que a do fogo, porque, para ele, o fogo \u00e9 a esp\u00e9cie de supl\u00edcio mais cruel e o s\u00edmbolo da a\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica; por isso a cren\u00e7a no fogo eterno remonta \u00e0 mais alta Antiguidade, e os povos modernos a herdaram dos povos antigos. \u00c9 por isso que, em sua linguagem figurada, diz: o fogo das paix\u00f5es; arder de amor, de ci\u00fame, etc. <\/em><\/p>\n<p><strong>975 Os Esp\u00edritos inferiores compreendem a felicidade do justo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, \u00e9 o que faz seu supl\u00edcio; porque compreendem que s\u00e3o privados dela por sua culpa e por essa raz\u00e3o o Esp\u00edrito, livre da mat\u00e9ria, deseja ardentemente uma nova exist\u00eancia corporal, porque cada exist\u00eancia pode abreviar a dura\u00e7\u00e3o desse supl\u00edcio, se for bem empregada. \u00c9 ent\u00e3o que faz a escolha das provas pelas quais poder\u00e1 reparar suas faltas; porque, sabei, o Esp\u00edrito sofre por todo mal que praticou ou de que foi causa volunt\u00e1ria, por todo bem que poderia ter feito e n\u00e3o fez e pelo mal que resulta do bem que deixou de fazer. O Esp\u00edrito no mundo espiritual n\u00e3o tem mais o v\u00e9u da mat\u00e9ria. Como se tivesse sa\u00eddo do nevoeiro, ele v\u00ea o que causa o seu afastamento da felicidade; ent\u00e3o, sofre mais, porque compreende quanto foi culpado. N\u00e3o h\u00e1 mais ilus\u00e3o: ele v\u00ea a realidade das coisas.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O Esp\u00edrito, no mundo espiritual, toma conhecimento, por um lado, de todas as suas exist\u00eancias passadas e, por outro, v\u00ea o futuro prometido e avalia o que falta para o atingir. Como um viajante que chega ao alto de uma montanha, v\u00ea o caminho j\u00e1 percorrido e o que falta percorrer para atingir seu objetivo. <\/em><\/p>\n<p><strong>976 Os bons Esp\u00edritos se afligem e sofrem ao ver a situa\u00e7\u00e3o dos maus e, nesse caso, como fica sua felicidade se for perturbada?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o sentem nenhuma afli\u00e7\u00e3o, uma vez que sabem que o mal ter\u00e1 fim. Eles auxiliam os maus a se melhorarem e estendem-lhes a m\u00e3o: a\u00ed est\u00e1 sua ocupa\u00e7\u00e3o e o seu prazer, quando t\u00eam \u00eaxito.<\/p>\n<p><strong>976 a Isso acontece em rela\u00e7\u00e3o a Esp\u00edritos estranhos ou indiferentes; mas a vis\u00e3o dos pesares e sofrimentos daqueles a quem amaram na Terra n\u00e3o perturba sua felicidade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como j\u00e1 dissemos, os Esp\u00edritos v\u00eaem o que querem, e porque n\u00e3o lhes sois estranhos \u00e9 que v\u00eaem e se importam com os vossos sofrimentos depois da morte. Por\u00e9m, consideram essas afli\u00e7\u00f5es sob um outro ponto de vista, porque sabem que esse sofrimento \u00e9 \u00fatil ao vosso adiantamento se o suportardes sem lamenta\u00e7\u00f5es. Mas se afligem muito mais com a falta de coragem do que com os sofrimentos que sabem ser apenas passageiros.<\/p>\n<p><strong>977 Os Esp\u00edritos, n\u00e3o podendo esconder os pensamentos uns dos outros e sendo todos os atos da vida conhecidos, significa que o culpado esteja na presen\u00e7a perp\u00e9tua de sua v\u00edtima?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Isso n\u00e3o pode ser de outro modo, o bom senso o diz.<\/p>\n<p><strong>977 a Essa divulga\u00e7\u00e3o de todos os nossos atos conden\u00e1veis e a presen\u00e7a constante das v\u00edtimas s\u00e3o um castigo para o culpado?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Maior do que se pensa; mas apenas at\u00e9 que tenha reparado suas faltas, como Esp\u00edrito ou como homem em novas exist\u00eancias corporais.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Quando estivermos no mundo dos Esp\u00edritos e nosso passado se mostrar a descoberto, o bem e o mal que fizemos ser\u00e3o igualmente conhecidos. Em v\u00e3o aquele que fez o mal tentar\u00e1 escapar \u00e0 vis\u00e3o de suas v\u00edtimas: sua presen\u00e7a inevit\u00e1vel ser\u00e1 um castigo e um remorso incessante at\u00e9 que tenha reparado seus erros, enquanto o homem de bem, pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 encontrar\u00e1 em toda parte olhares amigos e benevolentes. Para o mau n\u00e3o existe maior tormento na Terra do que a presen\u00e7a de suas v\u00edtimas; \u00e9 por isso que as evita sem cessar. O que ser\u00e1 dele quando, dissipada a ilus\u00e3o das paix\u00f5es e tendo compreendido o mal que fez, vir seus atos mais secretos revelados, sua hipocrisia desmascarada e n\u00e3o puder fugir \u00e0 vis\u00e3o desses fatos? <\/em><\/p>\n<p><em>Enquanto a alma do homem perverso est\u00e1 atormentada pela vergonha, o desgosto e remorso, a do justo desfruta de uma serenidade perfeita. <\/em><\/p>\n<p><strong>978 A lembran\u00e7a das faltas que a alma cometeu, quando era imperfeita, n\u00e3o perturba sua felicidade, mesmo ap\u00f3s estar depurada?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, porque resgatou suas faltas e saiu vitoriosa das provas a que se submeteu com esse objetivo.<\/p>\n<p><strong>979 As provas que restam a suportar para terminar a purifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o para a alma uma apreens\u00e3o pesarosa que perturba sua felicidade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Para a alma que ainda est\u00e1 impura, sim; por isso n\u00e3o pode desfrutar de uma felicidade perfeita sen\u00e3o quando estiver completamente pura; mas para a alma que j\u00e1 se elevou, o pensamento das provas que restam a suportar n\u00e3o tem nada de pesaroso.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A alma que atingiu certo grau de pureza j\u00e1 desfruta da felicidade. Um sentimento de doce satisfa\u00e7\u00e3o a penetra e fica feliz com tudo que v\u00ea, com tudo que a cerca; ergue-se para ela o v\u00e9u que encobria os mist\u00e9rios, e as maravilhas da Cria\u00e7\u00e3o e as perfei\u00e7\u00f5es divinas se mostram em todo o seu esplendor. <\/em><\/p>\n<p><strong>980 O la\u00e7o de simpatia que une os Esp\u00edritos da mesma ordem \u00e9 para eles uma fonte de felicidade?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A uni\u00e3o dos Esp\u00edritos que simpatizam com o bem \u00e9, para eles, um dos maiores prazeres, porque n\u00e3o temem ver essa uni\u00e3o perturbada pelo ego\u00edsmo. Eles formam, no mundo espiritual, fam\u00edlias com o mesmo sentimento, e nisso consiste a felicidade espiritual, assim como na Terra vos agrupais por categorias e sentis um certo prazer quando estais reunidos. A afei\u00e7\u00e3o pura e sincera que sentem e da qual s\u00e3o os agentes \u00e9 uma fonte de felicidade, porque l\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 falsos amigos nem hip\u00f3critas.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O homem sente as prim\u00edcias<\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-02.html#1\"><sup>1<\/sup><\/a><em> dessa felicidade na Terra quando encontra as almas com as quais pode juntar-se numa uni\u00e3o pura e santa. Em uma vida mais depurada, esse prazer ser\u00e1 extasiante e sem limites, porque s\u00f3 encontrar\u00e1 almas simp\u00e1ticas livres do ego\u00edsmo. Porque tudo \u00e9 amor na natureza; \u00e9 o ego\u00edsmo que o mata. <\/em><\/p>\n<p><strong>981 Existe para a condi\u00e7\u00e3o futura do Esp\u00edrito uma diferen\u00e7a entre aquele que durante a vida temia a morte e outro que a encarava com indiferen\u00e7a e at\u00e9 mesmo com alegria?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A diferen\u00e7a pode ser muito grande; entretanto, acaba freq\u00fcentemente diante das causas que geram esse medo ou esse desejo. Tanto quem a teme quanto quem a deseja pode estar movido por sentimentos muito diferentes e s\u00e3o esses sentimentos que influem na condi\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. \u00c9 evidente, por exemplo, naquele que deseja a morte unicamente por que v\u00ea nela o fim de suas afli\u00e7\u00f5es, revelar-se uma esp\u00e9cie de revolta contra a Provid\u00eancia e contra as provas que deve suportar.<\/p>\n<p><strong>982 \u00c9 necess\u00e1rio crer no Espiritismo e nas manifesta\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos para assegurar nosso bom \u00eaxito na vida futura?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se assim fosse, todos os que n\u00e3o cr\u00eaem ou que n\u00e3o tiveram a oportunidade de se esclarecer seriam deserdados, o que seria absurdo. S\u00f3 a pr\u00e1tica do bem assegura o bom \u00eaxito no futuro. Portanto, o bem \u00e9 sempre o bem, seja qual for o caminho que a ele conduz. (Veja as quest\u00f5es 165 e 799.)<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A compreens\u00e3o do Espiritismo ajuda o homem a se melhorar, ao comprovar as id\u00e9ias sobre certos pontos do futuro; apressa o adiantamento dos indiv\u00edduos e das massas, porque permite conhecer o que seremos um dia; \u00e9 um ponto de apoio, uma luz que nos guia. O Espiritismo ensina o homem a suportar as provas com paci\u00eancia e resigna\u00e7\u00e3o; desvia-o dos atos que podem retardar sua felicidade futura. \u00c9 assim que contribui para essa felicidade, mas n\u00e3o diz que s\u00f3 por ele se pode alcan\u00e7\u00e1-la. <\/em><\/p>\n<p><strong>Penalidades temporais<\/strong><\/p>\n<p><strong>983 Se o Esp\u00edrito que repara suas faltas numa nova exist\u00eancia passa por sofrimentos materiais, \u00e9 certo dizer que ap\u00f3s a morte a alma tem apenas sofrimentos morais?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 bem verdade que a alma, quando est\u00e1 reencarnada, considera as afli\u00e7\u00f5es da vida um sofrimento, mas \u00e9 apenas o corpo que sofre materialmente.<\/p>\n<p>Dizeis, freq\u00fcentemente, daquele que est\u00e1 morto, que n\u00e3o sofre mais; por\u00e9m, isso nem sempre \u00e9 verdade. Como Esp\u00edrito, n\u00e3o tem dores f\u00edsicas; mas, de acordo com as faltas que cometeu, pode ter dores morais mais torturantes e, numa nova exist\u00eancia, pode ser ainda mais infeliz. O mau rico pedir\u00e1 esmola e ser\u00e1 v\u00edtima de todas as priva\u00e7\u00f5es da mis\u00e9ria, e o orgulhoso passar\u00e1 todas as humilha\u00e7\u00f5es; aquele que abusa de sua autoridade e trata seus subordinados com desprezo e dureza ser\u00e1 for\u00e7ado a obedecer a um senhor mais duro do que ele foi. Todos os sofrimentos e afli\u00e7\u00f5es da vida s\u00e3o a expia\u00e7\u00e3o das faltas de uma outra exist\u00eancia, quando j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o a conseq\u00fc\u00eancia das faltas da vida atual. Quando tiverdes sa\u00eddo daqui, compreendereis isso muito bem. (Veja as quest\u00f5es 273, 393 e 399.)<\/p>\n<p>O homem que pensa ser feliz na Terra por satisfazer suas paix\u00f5es \u00e9 o que menores esfor\u00e7os faz para se melhorar. Muitas vezes repara j\u00e1 nessa vida, apesar dessa felicidade ef\u00eamera, mas certamente a expiar\u00e1 em uma outra exist\u00eancia, tamb\u00e9m toda material.<\/p>\n<p><strong>984 As dificuldades da vida terrena s\u00e3o sempre resultantes das faltas da exist\u00eancia atual?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o; j\u00e1 dissemos: s\u00e3o provas concedidas pela Provid\u00eancia ou escolhidas por v\u00f3s mesmos em Esp\u00edrito antes dessa encarna\u00e7\u00e3o, para reparar as faltas cometidas numa exist\u00eancia anterior; porque toda transgress\u00e3o \u00e0s leis de Deus, especialmente \u00e0 lei de justi\u00e7a, deve ser compensada por um esfor\u00e7o equivalente de corre\u00e7\u00e3o, no presente ou no futuro.<\/p>\n<p>A justeza da justi\u00e7a \u00e9 pr\u00f3pria da lei: conseq\u00fcentemente, quando uma pessoa boa e justa, aos vossos olhos, vive em dificuldades, est\u00e1 submetida a uma corre\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios erros do passado. (Veja a quest\u00e3o 393.)<\/p>\n<p><strong>985 A reencarna\u00e7\u00e3o da alma num mundo mais elevado \u00e9 uma recompensa? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a conseq\u00fc\u00eancia de sua depura\u00e7\u00e3o; porque, \u00e0 medida que os Esp\u00edritos se depuram, encarnam em mundos cada vez mais perfeitos, at\u00e9 que se tenham libertado de toda a mat\u00e9ria e se livrado de todas as impurezas, para desfrutar eternamente a felicidade dos Esp\u00edritos puros na presen\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>Nos mundos onde a exist\u00eancia \u00e9 menos material do que na Terra, as necessidades s\u00e3o menos grosseiras e todos os sofrimentos f\u00edsicos s\u00e3o de menor intensidade. Os homens n\u00e3o conhecem mais as m\u00e1s paix\u00f5es que nos mundos inferiores os fazem inimigos uns dos outros. N\u00e3o tendo nenhum motivo de \u00f3dio nem de ci\u00fame, vivem entre si em paz, porque praticam a lei de justi\u00e7a, amor e caridade. N\u00e3o conhecem as m\u00e1goas e as ang\u00fastias que nascem da inveja, do orgulho e do ego\u00edsmo, que fazem de nossa exist\u00eancia terrena um verdadeiro tormento. <\/em>(Veja as quest\u00f5es 172 e 182.)<\/p>\n<p><strong>986 O Esp\u00edrito que progrediu em sua exist\u00eancia terrena pode algumas vezes reencarnar no mesmo mundo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim; se n\u00e3o p\u00f4de levar ao fim sua miss\u00e3o, ele mesmo pode pedir para complet\u00e1-la numa nova exist\u00eancia, que n\u00e3o ser\u00e1 mais para ele uma expia\u00e7\u00e3o. (Veja a quest\u00e3o 173.)<\/p>\n<p><strong>987 Que ser\u00e1 da pessoa que, sem fazer o mal, tamb\u00e9m nada faz para libertar-se da influ\u00eancia da mat\u00e9ria?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Uma vez que n\u00e3o d\u00e1 nenhum passo para se melhorar, deve recome\u00e7ar uma exist\u00eancia igual \u00e0 que deixou; permanece estacion\u00e1rio e, dessa forma, pode prolongar os sofrimentos da repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>988 Existem pessoas cuja vida flui numa calma perfeita; que, n\u00e3o tendo necessidade de fazer nada por si mesmas, s\u00e3o livres de preocupa\u00e7\u00f5es. Essa exist\u00eancia feliz \u00e9 uma prova de que n\u00e3o t\u00eam nada para reparar de uma exist\u00eancia anterior? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Conheceis muitas dessas pessoas? Se achais que sim, \u00e9 um engano. Muitas vezes, a calma \u00e9 apenas aparente. Elas podem ter escolhido essa exist\u00eancia, mas, quando a deixam, percebem que ela n\u00e3o as ajudou a progredir; e, ent\u00e3o, como o pregui\u00e7oso, lamentam o tempo perdido. Sabei que o Esp\u00edrito pode apenas adquirir conhecimentos e se elevar pela atividade; se ele se entrega \u00e0 pregui\u00e7a, n\u00e3o avan\u00e7a. \u00c9 semelhante \u00e0quele que tem necessidade, de acordo com vossos costumes, de trabalhar, e vai passear ou se deitar, com a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o fazer nada. Sabei tamb\u00e9m que cada um prestar\u00e1 contas da inutilidade volunt\u00e1ria de sua exist\u00eancia; essa inutilidade \u00e9 sempre fatal \u00e0 felicidade futura. A felicidade futura est\u00e1 para o homem em raz\u00e3o da soma do bem que faz; a da infelicidade em raz\u00e3o do mal praticado e das infelicidades que tenham feito.<\/p>\n<p><strong>989 Existem pessoas que, sem serem completamente m\u00e1s, tornam infelizes, pelo seu temperamento, as que com elas convivem; qual \u00e9 a conseq\u00fc\u00eancia disso para elas?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Essas pessoas, seguramente, n\u00e3o s\u00e3o boas. Reparar\u00e3o suas faltas tendo sempre presentes na vis\u00e3o a imagem dos que fez infelizes. Isso ser\u00e1 para elas uma reprova\u00e7\u00e3o; depois, em outra exist\u00eancia, sofrer\u00e3o o que fizeram sofrer.<\/p>\n<p><strong>Expia\u00e7\u00e3o e arrependimento<\/strong><\/p>\n<p><strong>990 O arrependimento se d\u00e1 na vida f\u00edsica ou na espiritual?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Na vida espiritual; mas tamb\u00e9m pode ocorrer na f\u00edsica, quando chegais a compreender a diferen\u00e7a entre o bem e o mal.<\/p>\n<p><strong>991 Qual a conseq\u00fc\u00eancia do arrependimento na vida espiritual?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O desejo de uma nova encarna\u00e7\u00e3o para se purificar. O Esp\u00edrito compreende as imperfei\u00e7\u00f5es que o impedem de ser feliz e por isso anseia por uma nova exist\u00eancia em que poder\u00e1 reparar suas faltas. (Veja as quest\u00f5es 332 e 975.)<\/p>\n<p><strong>992 E o arrependimento ainda na vida f\u00edsica?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um come\u00e7o de progresso, j\u00e1 na vida presente, se houver tempo de reparar suas faltas. Quando a consci\u00eancia aponta um erro e mostra uma imperfei\u00e7\u00e3o, sempre se pode melhorar.<\/p>\n<p><strong>993 N\u00e3o existem pessoas que s\u00f3 t\u00eam o instinto do mal e s\u00e3o inacess\u00edveis ao arrependimento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 vos disse que o Esp\u00edrito deve progredir sem parar. Aquele que nesta vida tem apenas o instinto do mal ter\u00e1 o do bem numa outra, e \u00e9 para isso que renasce muitas vezes, porque \u00e9 preciso que todos avancem e atinjam o objetivo. Apenas uns o alcan\u00e7am num tempo mais curto; outros, num tempo mais longo, de acordo com a sua vontade. Aquele que tem apenas o instinto do bem j\u00e1 est\u00e1 depurado, mas pode ter tido o do mal numa exist\u00eancia anterior. (Veja a quest\u00e3o 804.)<\/p>\n<p><strong>994 A pessoa que n\u00e3o reconheceu suas faltas durante a vida sempre as reconhece depois da morte?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, sempre as reconhece, e ent\u00e3o sofre mais, porque sente todo o mal que fez ou de que foi causa volunt\u00e1ria. Entretanto, o arrependimento nem sempre \u00e9 imediato. H\u00e1 Esp\u00edritos que teimam nas inclina\u00e7\u00f5es negativas, apesar dos seus sofrimentos; mas, cedo ou tarde, reconhecer\u00e3o o caminho falso, e o arrependimento vir\u00e1. \u00c9 para esclarec\u00ea-los que trabalham os bons Esp\u00edritos, e v\u00f3s tamb\u00e9m podeis trabalhar nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>995 Existem Esp\u00edritos que, sem serem maus, s\u00e3o indiferentes \u00e0 sua sorte? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Existem Esp\u00edritos que n\u00e3o se ocupam com nada de \u00fatil: est\u00e3o sempre na expectativa; mas \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de sofrimento. Como em tudo deve haver progresso, esse progresso se manifesta neles pela dor.<\/p>\n<p><strong>995 a Eles n\u00e3o t\u00eam o desejo de abreviar seus sofrimentos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eles o t\u00eam, sem d\u00favida, mas n\u00e3o t\u00eam vontade suficiente para querer o que poderia alivi\u00e1-los. Quantas pessoas h\u00e1 dentre v\u00f3s que preferem morrer de fome a trabalhar?<\/p>\n<p><strong>996 Uma vez que os Esp\u00edritos v\u00eaem o mal causado pelas suas imperfei\u00e7\u00f5es, como se explica que existam os que agravam essa situa\u00e7\u00e3o e prolongam sua condi\u00e7\u00e3o de inferioridade fazendo o mal como Esp\u00edritos, afastando os homens do bom caminho? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Esp\u00edritos que agem assim s\u00e3o aqueles em que o arrependimento \u00e9 tardio. O Esp\u00edrito que se arrepende pode se deixar arrastar de novo pelas tend\u00eancias inferiores, por outros Esp\u00edritos ainda mais atrasados. (Veja a quest\u00e3o 971.)<\/p>\n<p><strong>997 Vemos Esp\u00edritos de uma inferioridade not\u00f3ria acess\u00edveis aos bons sentimentos e tocados pelas preces feitas para eles. Como se explica que outros Esp\u00edritos, aparentemente mais esclarecidos, mostrem um endurecimento e cinismo completos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A prece apenas tem efeito em favor do Esp\u00edrito que se arrepende. Para aquele que, possu\u00eddo pelo orgulho, revolta-se contra Deus e persiste nos seus desatinos, exagerando-os ainda mais, como fazem os Esp\u00edritos infelizes, a prece nada pode e nada poder\u00e1, at\u00e9 o dia em que uma luz de arrependimento o esclare\u00e7a. (Veja a quest\u00e3o 664.)<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>N\u00e3o se deve esquecer que o Esp\u00edrito, ap\u00f3s a morte do corpo, n\u00e3o est\u00e1 subitamente transformado. Se sua vida foi reprov\u00e1vel, \u00e9 porque foi imperfeito; portanto, a morte n\u00e3o o torna imediatamente perfeito. Pode persistir em seus erros, suas falsas opini\u00f5es e preconceitos at\u00e9 que seja esclarecido pelo estudo, reflex\u00e3o e sofrimento. <\/em><\/p>\n<p><strong>998 A repara\u00e7\u00e3o ocorre na vida corporal ou na espiritual?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A repara\u00e7\u00e3o ocorre durante a vida f\u00edsica pelas provas a que o Esp\u00edrito \u00e9 submetido, e na vida espiritual pelos sofrimentos morais ligados \u00e0 inferioridade do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>999 O arrependimento sincero durante a vida basta para apagar as faltas e merecer a gra\u00e7a de Deus?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O arrependimento ajuda no adiantamento do Esp\u00edrito, mas o passado deve ser reparado.<\/p>\n<p><strong>999 a De acordo com isso, se um criminoso dissesse que, tendo de reparar seu passado, n\u00e3o tem necessidade de se arrepender, o que isso resultaria para ele? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se teima e persiste no pensamento do mal, sua expia\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais longa e mais dolorosa.<\/p>\n<p><strong>1000 Podemos, ainda na vida f\u00edsica, resgatar nossas faltas?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, reparando-as; mas n\u00e3o penseis resgat\u00e1-las por algumas ren\u00fancias infantis ou fazendo a caridade ap\u00f3s a morte, quando n\u00e3o tiverdes mais necessidade de nada. Deus n\u00e3o d\u00e1 valor ao arrependimento est\u00e9ril, sempre f\u00e1cil, e que custa apenas o esfor\u00e7o de se bater com a m\u00e3o no peito. A perda de um dedo m\u00ednimo, no trabalho, apaga mais faltas que o supl\u00edcio do corpo suportado durante anos, sem outro objetivo al\u00e9m do bem de si mesmo. (Veja a quest\u00e3o 726.) O mal apenas \u00e9 reparado pelo bem, e a repara\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nenhum m\u00e9rito se n\u00e3o atingir a pessoa no seu orgulho, nos seus interesses materiais.<\/p>\n<p>De que vale, para sua justifica\u00e7\u00e3o, restituir, ap\u00f3s a morte, os bens irregularmente adquiridos, dos quais tirou proveito durante a vida, e que agora para nada servem? De que adianta renunciar a alguns prazeres f\u00fateis e a coisas sup\u00e9rfluas, se a falta que cometeu com os outros permanece a mesma? De que serve, enfim, se humilhar perante Deus, se conserva seu orgulho diante dos homens? (Veja as quest\u00f5es 720 e 721.)<\/p>\n<p><strong>1001 N\u00e3o haver\u00e1 nenhum m\u00e9rito em assegurar, ap\u00f3s a morte, um emprego \u00fatil dos bens que possu\u00edmos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Nenhum m\u00e9rito n\u00e3o \u00e9 o termo. Isso sempre \u00e9 melhor do que nada; mas o mal \u00e9 que aquele que doa seus bens depois da morte freq\u00fcentemente \u00e9 mais ego\u00edsta do que generoso; quer ter a honra do bem, mas n\u00e3o o trabalho de o fazer. Quando renuncia em favor de outros, durante sua vida, tem duplo proveito: o m\u00e9rito do sacrif\u00edcio e o prazer de ver felizes aqueles que lhe devem a felicidade. Mas o ego\u00edsmo est\u00e1 presente quando lhe diz: \u201cO que tu d\u00e1s tiras de teus prazeres\u201d; e como o ego\u00edsmo fala mais alto que o desinteresse e a caridade, ele guarda o que possui a pretexto de suas necessidades pessoais e das exig\u00eancias de sua posi\u00e7\u00e3o. Lastimai aquele que n\u00e3o conhece o prazer de dar; este \u00e9 verdadeiramente deserdado de um dos mais puros e mais delicados prazeres. Deus, ao submet\u00ea-lo \u00e0 prova da riqueza, t\u00e3o escorregadia e perigosa para seu futuro, quis lhe dar como compensa\u00e7\u00e3o a felicidade de ser generoso, da qual pode desfrutar j\u00e1 aqui na Terra. (Veja a quest\u00e3o 814.)<\/p>\n<p><strong>1002 O que deve fazer aquele que, no \u00faltimo momento da vida, reconhece suas faltas, mas n\u00e3o tem tempo de repar\u00e1-las? Basta, nesse caso, arrepender-se? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O arrependimento apressa a reabilita\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o o absolve. N\u00e3o tem diante de si o futuro que nunca se fecha?<\/p>\n<p><strong>Dura\u00e7\u00e3o das penalidades futuras<\/strong><\/p>\n<p><strong>1003 A dura\u00e7\u00e3o dos sofrimentos para um culpado, numa vida futura, \u00e9 sem regras ou segue uma lei?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Deus n\u00e3o age por capricho, e tudo no universo \u00e9 regido por leis que revelam sua sabedoria e bondade.<\/p>\n<p><strong>1004 O que determina a dura\u00e7\u00e3o dos sofrimentos para o culpado?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O tempo necess\u00e1rio ao seu melhoramento. A condi\u00e7\u00e3o de sofrimento ou felicidade, sendo proporcional ao grau de depura\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, faz com que a dura\u00e7\u00e3o e a natureza dos sofrimentos dependam do tempo que leva para se melhorar. \u00c0 medida que progride e seus sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds<\/p>\n<p><strong>1005 Para o Esp\u00edrito sofredor, o tempo parece ser mais ou menos longo do que quando estava encarnado?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Parece mais longo: o sono n\u00e3o existe para ele. S\u00f3 para os Esp\u00edritos que atingiram um certo grau de depura\u00e7\u00e3o o tempo se funde, por assim dizer, diante do infinito. (Veja a quest\u00e3o 240.)<\/p>\n<p><strong>1006 A dura\u00e7\u00e3o dos sofrimentos do Esp\u00edrito pode ser eterna?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sem d\u00favida, se ele fosse eternamente mau, isto \u00e9, se nunca se melhorasse nem se arrependesse sofreria eternamente. Mas Deus n\u00e3o criou seres para serem voltados perpetuamente ao mal; apenas os criou simples e ignorantes, e todos devem progredir num tempo mais ou menos longo, de acordo com a vontade de cada um. A vontade pode ser mais ou menos tardia, assim como existem crian\u00e7as mais ou menos precoces, mas se manifestar\u00e1 cedo ou tarde pela irresist\u00edvel necessidade que o Esp\u00edrito sente de sair de sua inferioridade e ser feliz. A lei que rege a dura\u00e7\u00e3o dos sofrimentos \u00e9, portanto, eminentemente s\u00e1bia e benevolente, uma vez que subordina a sua dura\u00e7\u00e3o aos esfor\u00e7os do Esp\u00edrito para se melhorar. Nunca interfere no seu livre-arb\u00edtrio: se faz mau uso, dele sofre as conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds<\/p>\n<p><strong>1007 Existem Esp\u00edritos que nunca se arrependem?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Existem aqueles em que o arrependimento \u00e9 muito tardio; mas afirmar que nunca se melhorar\u00e3o seria negar a lei do progresso, como afirmar que a crian\u00e7a n\u00e3o pode se tornar adulta.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds<\/p>\n<p><strong>1008 A dura\u00e7\u00e3o dos sofrimentos depende sempre da vontade do Esp\u00edrito, ou existem aqueles que s\u00e3o impostos por um tempo determinado?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, os sofrimentos podem ser impostos por um tempo; mas Deus, que deseja apenas o bem de suas criaturas, sempre acolhe o arrependimento, e o desejo de se melhorar nunca \u00e9 in\u00fatil.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds<\/p>\n<p><strong>1009 Desse modo, os sofrimentos impostos nunca ser\u00e3o por toda a eternidade? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Interrogai o bom senso, a raz\u00e3o, e perguntai-vos se uma condena\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua por causa de alguns momentos de erro n\u00e3o seria a nega\u00e7\u00e3o da bondade de Deus. O que \u00e9, de fato, a dura\u00e7\u00e3o da vida, mesmo de cem anos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 eternidade? Eternidade! Compreendei bem essa palavra? Sofrimentos, torturas sem fim, sem esperan\u00e7a, por algumas faltas! Vossa raz\u00e3o n\u00e3o rejeita uma id\u00e9ia dessa? \u00c9 compreens\u00edvel que os antigos tenham visto no Senhor do universo um Deus terr\u00edvel, ciumento e vingativo. Em sua ignor\u00e2ncia, atribu\u00edam \u00e0 Divindade as paix\u00f5es dos homens. Por\u00e9m, esse n\u00e3o \u00e9 o Deus que o Cristo nos revelou, que coloca como virtudes primordiais o amor, a caridade, a miseric\u00f3rdia e o esquecimento das ofensas. Poderia Ele pr\u00f3prio n\u00e3o ter as qualidades das quais faz um dever? N\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o em atribuir ao Criador a bondade infinita e a vingan\u00e7a tamb\u00e9m infinita? Ensinai, antes de mais nada, que Ele \u00e9 justo em Sua perfei\u00e7\u00e3o e que o homem n\u00e3o compreende Sua justi\u00e7a. Mas a justi\u00e7a n\u00e3o exclui a bondade, e Ele n\u00e3o seria bom se condenasse aos mais horr\u00edveis e perp\u00e9tuos sofrimentos a maior parte de suas criaturas. Teria o direito de fazer da justi\u00e7a uma obriga\u00e7\u00e3o para seus filhos, se n\u00e3o lhes tivesse dado os meios de compreend\u00ea-la? Ali\u00e1s, a sublimidade da justi\u00e7a, unida \u00e0 bondade, est\u00e1 em fazer com que a dura\u00e7\u00e3o dos sofrimentos dependa dos esfor\u00e7os que o transgressor fa\u00e7a para se melhorar. Eis a verdade destas palavras: \u201cA cada um segundo suas obras\u201d.<\/p>\n<p>Santo Agostinho<\/p>\n<p>Esfor\u00e7ai-vos, por todos os meios ao vosso alcance, em combater, destruir a id\u00e9ia dos castigos eternos, pensamento blasfemo, ultrajante para com a justi\u00e7a de Deus. Esse pensamento \u00e9 a fonte mais fecunda da incredulidade, do materialismo e da indiferen\u00e7a que invadiu as massas humanas desde que sua intelig\u00eancia come\u00e7ou a se desenvolver. O Esp\u00edrito, prestes a se esclarecer, ou apenas sa\u00eddo da ignor\u00e2ncia, logo compreende a monstruosa injusti\u00e7a; sua raz\u00e3o a rejeita e, ent\u00e3o, freq\u00fcentemente, sente a mesma rejei\u00e7\u00e3o ao sofrimento que o revolta e a Deus, a quem o atribui; da\u00ed os males inumer\u00e1veis que vieram se unir aos vossos e para os quais viemos trazer rem\u00e9dio. A tarefa que apontamos ser\u00e1 t\u00e3o mais f\u00e1cil quanto \u00e9 certo que as autoridades sobre as quais se ap\u00f3iam os defensores dessa cren\u00e7a t\u00eam todas evitado de se pronunciar sobre elas formalmente. Nem os conc\u00edlios<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-02.html#2\"><sup>2<\/sup><\/a>, nem os Pais da Igreja<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-02.html#3\"><sup>3<\/sup><\/a> resolveram essa quest\u00e3o. Mesmo de acordo com os pr\u00f3prios evangelistas, e tomando ao p\u00e9 da letra as palavras simb\u00f3licas do Cristo, ele amea\u00e7ou os culpados com um fogo que n\u00e3o se apaga, com um fogo eterno; por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nada nessas palavras que prove que ele os condenou eternamente.<\/p>\n<p>Pobres ovelhas desgarradas, sabei deixar vir at\u00e9 v\u00f3s o bom Pastor que, longe de vos banir para sempre de sua presen\u00e7a, vem ao vosso encontro para vos reconduzir ao aprisco<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-02.html#4\"><sup>4<\/sup><\/a>. Filhos pr\u00f3digos, deixai o ex\u00edlio volunt\u00e1rio; dirigi vossos passos \u00e0 morada paternal: o Pai estende os bra\u00e7os e se mostra sempre pronto a festejar vosso retorno \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Lammenais<\/p>\n<p>Guerras de palavras! Guerras de palavras! J\u00e1 n\u00e3o fizestes derramar sangue suficiente? Ser\u00e1 ainda preciso reacender as fogueiras? Discutem-se os temas: eternidade das penalidades, eternidade dos castigos; deveis compreender que o que entendeis hoje por eternidade n\u00e3o \u00e9 o mesmo que entendiam os antigos.<\/p>\n<p>Se o te\u00f3logo consultar as fontes, descobrir\u00e1, como v\u00f3s, que o texto hebreu n\u00e3o dava \u00e0s palavras penas sem fim e irremiss\u00edveis o mesmo significado dado pelos gregos, os latinos e os modernos nas suas tradu\u00e7\u00f5es. Eternidade dos castigos corresponde \u00e0 eternidade do mal. Sim, enquanto o mal existir entre os homens, os sofrimentos subsistir\u00e3o; \u00e9 em sentido relativo que se devem interpretar os textos sagrados. A eternidade dos sofrimentos \u00e9, portanto, apenas relativa, e n\u00e3o absoluta. Quando chegar o dia em que todos os homens, pelo arrependimento, se revestirem da t\u00fanica da inoc\u00eancia, n\u00e3o haver\u00e1 mais gemidos nem ranger de dentes. A raz\u00e3o humana \u00e9 limitada, \u00e9 bem verdade, mas mesmo assim \u00e9 um presente de Deus. Assim, com a ajuda da raz\u00e3o, n\u00e3o existe uma \u00fanica pessoa de boa-f\u00e9 que n\u00e3o seja capaz de compreender a natureza relativa da no\u00e7\u00e3o de castigos eternos! Castigos eternos! Como? Seria preciso, ent\u00e3o, admitir que o mal \u00e9 eterno! Somente Deus \u00e9 eterno e n\u00e3o poderia ter criado o mal eterno, porque assim seria preciso lhe tirar o mais magn\u00edfico de seus atributos: o poder soberano, porque n\u00e3o seria soberanamente poderoso aquele que criasse um elemento destruidor de suas pr\u00f3prias obras. Humanidade! Humanidade! N\u00e3o mergulhes mais tristes olhares nas profundezas da Terra para l\u00e1 procurar os castigos. Chora, espera, arrepende-te, repara os erros e refugia-te no pensamento de um Deus infinitamente amoroso, absolutamente poderoso, essencialmente justo.<\/p>\n<p>Plat\u00e3o<\/p>\n<p>Gravitar para a unidade divina, esta \u00e9 a meta da humanidade. Para atingi-la, tr\u00eas coisas s\u00e3o necess\u00e1rias: a justi\u00e7a, o amor e a ci\u00eancia; tr\u00eas coisas lhe s\u00e3o opostas e contr\u00e1rias: a ignor\u00e2ncia, o \u00f3dio e a injusti\u00e7a. Pois bem! Eu vos digo, em verdade, que falseais esses princ\u00edpios fundamentais, comprometendo a id\u00e9ia de Deus ao exagerar uma severidade que Ele n\u00e3o tem. V\u00f3s a comprometeis mais ainda incutindo no esp\u00edrito da criatura a id\u00e9ia de que ela mesmo possui mais clem\u00eancia, bondade, amor e verdadeira justi\u00e7a do que o Criador. V\u00f3s destru\u00eds at\u00e9 mesmo a id\u00e9ia de inferno ao torn\u00e1-lo rid\u00edculo e inadmiss\u00edvel \u00e0s vossas cren\u00e7as, como \u00e9 para vossos cora\u00e7\u00f5es o horrendo espet\u00e1culo das execu\u00e7\u00f5es, fogueiras e torturas da Idade M\u00e9dia! Mas, como? Ser\u00e1 que agora, quando a era das repres\u00e1lias foi banida pela legisla\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 que esperais mant\u00ea-la viva? Acreditai em mim, irm\u00e3os em Deus e em Jesus Cristo, acreditai em mim, ou resignai-vos a deixar morrer em vossas m\u00e3os todos os dogmas, em vez de os modificar, ou, ent\u00e3o, vivificai-os, abrindo-os \u00e0s id\u00e9ias puras que os bons Esp\u00edritos derramam neles neste momento. A id\u00e9ia de inferno, com suas fornalhas ardentes, suas caldeiras fervilhantes, pode ser tolerada, num s\u00e9culo de ferro; mas atualmente n\u00e3o \u00e9 mais que um fantasma, quando muito para amedrontar criancinhas, e no qual elas mesmas n\u00e3o acreditam mais quando crescem. Insistir nessa mitologia assustadora \u00e9 incentivar a incredulidade, m\u00e3e de toda desorganiza\u00e7\u00e3o social. Tremo ao ver toda uma ordem social abalada e a ruir sobre suas bases, por falta de san\u00e7\u00e3o penal condizente. Homens de f\u00e9 ardente e viva, vanguardeiros do dia da luz, m\u00e3os \u00e0 obra! N\u00e3o para manter f\u00e1bulas ultrapassadas que perderam o cr\u00e9dito, mas para reavivar, restaurar o verdadeiro sentido da san\u00e7\u00e3o penal, de forma que estejam de acordo com os costumes, sentimentos e as luzes de vossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Quem \u00e9, de fato, o culpado? \u00c9 aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da Cria\u00e7\u00e3o, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arqu\u00e9tipo<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-02.html#5\"><sup>5<\/sup><\/a> humano, pelo Homem-Deus, por Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Que \u00e9 o castigo? A conseq\u00fc\u00eancia natural, derivada desse falso movimento; uma soma de dores necess\u00e1rias para faz\u00ea-lo desgostar, detestar a sua deformidade, pela prova do sofrimento. O castigo \u00e9 o aguilh\u00e3o que estimula a alma, pela amargura, a se curvar sobre si mesma e retornar ao caminho da salva\u00e7\u00e3o. O objetivo do castigo \u00e9 apenas a reabilita\u00e7\u00e3o, a reden\u00e7\u00e3o. Querer que o castigo seja eterno, por uma falta que n\u00e3o \u00e9 eterna, \u00e9 negar toda a sua raz\u00e3o de ser.<\/p>\n<p>Eu vos digo em verdade, basta, chega de colocar em paralelo na eternidade o bem, ess\u00eancia do Criador, com o mal, ess\u00eancia da criatura; isso seria criar uma penalidade injustific\u00e1vel. Afirmai, ao contr\u00e1rio, o amortecimento gradual dos castigos e das penalidades pelas reencarna\u00e7\u00f5es sucessivas e consagrai, com a raz\u00e3o unida ao sentimento, a unidade divina.<\/p>\n<p>Paulo, Ap\u00f3stolo<\/p>\n<p><em>\u263c Procura-se estimular o homem ao bem e desvi\u00e1-lo do mal por meio do atrativo das recompensas e medo dos castigos. Mas se esses castigos s\u00e3o apresentados de maneira que a raz\u00e3o se recuse a acreditar neles, n\u00e3o ter\u00e3o nenhuma influ\u00eancia. Longe disso, rejeitar\u00e1 tudo: a forma e o fundo. Que se apresente, ao contr\u00e1rio, o futuro, de uma maneira l\u00f3gica, e ent\u00e3o o homem n\u00e3o mais o rejeitar\u00e1. O Espiritismo lhe d\u00e1 essa explica\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>A doutrina da eternidade dos castigos, no sentido absoluto, faz do ser supremo um Deus implac\u00e1vel. Seria l\u00f3gico dizer de um soberano que ele \u00e9 muito bom, benevolente, indulgente, que deseja apenas a felicidade daqueles que o cercam, mas ao mesmo tempo que \u00e9 ciumento, vingativo, inflex\u00edvel em seu rigor, e que pune, com extremo castigo, a maioria de seus s\u00faditos por uma ofensa ou infra\u00e7\u00e3o \u00e0s suas leis, mesmo aqueles que erraram por n\u00e3o ter conhecimento? Isso n\u00e3o seria uma contradi\u00e7\u00e3o? Portanto, pode Deus ser menos bom do que seria um homem? <\/em><\/p>\n<p><em>Uma outra contradi\u00e7\u00e3o se apresenta aqui. Uma vez que Deus sabe tudo, sabia que ao criar uma alma ela falharia; ela foi, portanto, desde sua forma\u00e7\u00e3o, destinada \u00e0 infelicidade eterna: isso \u00e9 poss\u00edvel, \u00e9 racional? Com a doutrina das penalidades relativas, tudo se justifica. Deus sabia, sem d\u00favida, que ela falharia, mas lhe d\u00e1 os meios de se esclarecer por sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, mediante suas pr\u00f3prias faltas. \u00c9 necess\u00e1rio que repare seus erros para melhor se firmar no bem, mas a porta da esperan\u00e7a n\u00e3o lhe \u00e9 fechada para sempre, e Deus faz com que sua liberdade dependa dos esfor\u00e7os que fa\u00e7a para atingir o objetivo. Isso todos podem compreender e a l\u00f3gica mais meticulosa pode admitir. Se as penalidades futuras tivessem sido apresentadas sob esse ponto de vista, haveria bem menos descrentes. <\/em><\/p>\n<p><em>A palavra <\/em>eterno<em> \u00e9 freq\u00fcentemente empregada, na linguagem comum, com uma significa\u00e7\u00e3o figurada, para designar uma coisa de longa dura\u00e7\u00e3o e da qual n\u00e3o se prev\u00ea o fim, embora se saiba muito bem que esse fim existe. <\/em><\/p>\n<p><em>Dizemos, por exemplo, os gelos eternos das altas montanhas, dos p\u00f3los, embora saibamos, de um lado, que o mundo f\u00edsico pode ter um fim, e, de outro, que o estado dessas regi\u00f5es pode mudar por causa do deslocamento normal do eixo da Terra ou por um cataclismo. A palavra eterno, nesse caso, n\u00e3o quer dizer perp\u00e9tuo at\u00e9 o infinito. Quando sofremos com uma longa doen\u00e7a, dizemos que nosso mal \u00e9 eterno. O que h\u00e1, portanto, de estranho que esses Esp\u00edritos, ao sofrerem como sofrem, h\u00e1 anos, h\u00e1 s\u00e9culos, at\u00e9 mesmo h\u00e1 milhares de anos, o digam dessa mesma forma e se expressem assim? \u00c9 preciso lembrar, principalmente, que sua inferioridade n\u00e3o lhes permite ver a extremidade do caminho, acreditam sofrer sempre, e isso \u00e9 para eles uma puni\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>Afinal, a doutrina do fogo, das fornalhas e torturas, copiadas do T\u00e1rtaro<\/em><a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-02.html#6\"><em><sup>6<\/sup><\/em><\/a><em>, do paganismo, foi hoje completamente abandonada pela alta teologia, e s\u00f3 nas escolas esses pavorosos quadros aleg\u00f3ricos ainda s\u00e3o apresentados como verdades positivas por certos homens, mais zelosos que esclarecidos, e isso \u00e9 um grave erro, porque as imagina\u00e7\u00f5es juvenis, libertando-se de seus terrores, poder\u00e3o aumentar o n\u00famero de incr\u00e9dulos. A teologia reconhece hoje que a palavra fogo \u00e9 usada no sentido figurado na B\u00edblia e deve ser entendida como um estado mental, um fogo moral. <\/em>(Veja a quest\u00e3o 974.)<em> Aqueles que, como n\u00f3s, acompanham as ocorr\u00eancias da vida e os sofrimentos ap\u00f3s a morte pelas comunica\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, puderam se convencer de que, por n\u00e3o ter nada de material, n\u00e3o s\u00e3o menos dolorosos. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua dura\u00e7\u00e3o, certos te\u00f3logos come\u00e7am a admiti-las no sentido restrito indicado acima e pensam que, de fato, a palavra <\/em>eterno<em> pode se referir aos castigos, em si mesmos, como conseq\u00fc\u00eancia de uma lei imut\u00e1vel, e n\u00e3o \u00e0 sua aplica\u00e7\u00e3o a cada indiv\u00edduo. No dia em que a religi\u00e3o admitir essa interpreta\u00e7\u00e3o, assim como algumas outras que s\u00e3o igualmente a conseq\u00fc\u00eancia do progresso das luzes, reunir\u00e1 muitas ovelhas desgarradas. <\/em><\/p>\n<p><strong>Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne<\/strong><\/p>\n<p><strong>1010 O dogma da ressurrei\u00e7\u00e3o da carne \u00e9 a consagra\u00e7\u00e3o da reencarna\u00e7\u00e3o ensinada pelos Esp\u00edritos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como quereis que fosse de outro modo? Como acontece com outras palavras, estas apenas parecem despropositadas aos olhos de certas pessoas quando s\u00e3o tomadas ao p\u00e9 da letra. \u00c9 por isso que levam \u00e0 incredulidade. Mas dai-lhes uma interpreta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, e aqueles que chamais livres-pensadores a admitir\u00e3o sem dificuldade, precisamente porque raciocinam. N\u00e3o vos enganeis, os livres-pensadores anseiam e desejam crer. Eles t\u00eam, como os outros, e at\u00e9 mais, sede de futuro, mas n\u00e3o podem admitir o que a ci\u00eancia desmente. A doutrina da pluralidade das exist\u00eancias est\u00e1 de acordo com a justi\u00e7a de Deus, apenas ela pode explicar o inexplic\u00e1vel; como querer que o seu princ\u00edpio n\u00e3o esteja na pr\u00f3pria religi\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0&#8211; \u00a0Assim a Igreja, pelo dogma da ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, ensina a doutrina da reencarna\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 evidente. Essa doutrina \u00e9, ali\u00e1s, a conseq\u00fc\u00eancia de muitas coisas que passaram despercebidas e dentro em pouco ser\u00e3o, nesse sentido, reconhecidas. Em breve, se reconhecer\u00e1 aquilo que o Espiritismo ressalta a cada passo, at\u00e9 mesmo do texto das Escrituras sagradas. Os Esp\u00edritos n\u00e3o v\u00eam, portanto, subverter a religi\u00e3o, como alguns pretendem; v\u00eam, ao contr\u00e1rio, confirm\u00e1-la, sancion\u00e1-la por provas irrecus\u00e1veis; mas, como chegou o tempo de n\u00e3o mais empregar a linguagem figurada, exprimem-se sem alegoria e d\u00e3o \u00e0s coisas um sentido claro e preciso, que n\u00e3o possa estar sujeito a nenhuma interpreta\u00e7\u00e3o falsa. Eis por que, daqui a algum tempo, tereis mais pessoas sinceramente religiosas e crentes do que tendes hoje.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>A ci\u00eancia, de fato, demonstra a impossibilidade da ressurrei\u00e7\u00e3o de acordo com a id\u00e9ia que se faz dela. Se os despojos do corpo humano permanecessem homog\u00eaneos, embora dispersos e reduzidos a p\u00f3, ainda se conceberia sua uni\u00e3o em um determinado tempo; mas as coisas n\u00e3o se passam assim. O corpo \u00e9 formado de diversos elementos: oxig\u00eanio, hidrog\u00eanio, azoto, carbono, etc. Pela decomposi\u00e7\u00e3o, esses elementos se dispersam e v\u00e3o servir \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de novos corpos, de modo que a mesma mol\u00e9cula, de carbono, por exemplo, ter\u00e1 entrado na composi\u00e7\u00e3o de muitos milhares de corpos diferentes (falamos apenas dos corpos humanos, sem contar os dos animais). \u00c9 poss\u00edvel que determinado indiv\u00edduo tenha, talvez, em seu corpo mol\u00e9culas que pertenceram aos homens das idades primitivas; que essas mesmas mol\u00e9culas org\u00e2nicas que absorveis em vosso alimento provenham talvez do corpo de um indiv\u00edduo que conhecestes, e assim por diante. Estando a mat\u00e9ria em quantidade definida e suas transforma\u00e7\u00f5es em quantidades indefinidas, como cada um desses corpos poderia se reconstituir dos mesmos elementos? Existe aqui uma impossibilidade material. N\u00e3o se pode, portanto, admitir racionalmente a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne a n\u00e3o ser como uma figura que simboliza o fen\u00f4meno da reencarna\u00e7\u00e3o, e ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 nada mais em choque com a raz\u00e3o, nada que esteja em contradi\u00e7\u00e3o com os dados da ci\u00eancia. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 verdade que, segundo o dogma, essa ressurrei\u00e7\u00e3o deve acontecer apenas no fim dos tempos, enquanto, de acordo com a Doutrina Esp\u00edrita, acontece todos os dias. Por\u00e9m, ainda n\u00e3o existe nesse quadro do julgamento final uma bela e grande figura que esconde, sob o v\u00e9u da alegoria, uma dessas verdades imut\u00e1veis que n\u00e3o encontrar\u00e1 mais incr\u00e9dulos, desde que lhes seja restitu\u00edda a verdadeira significa\u00e7\u00e3o? Que as pessoas sejam dignas de meditar a teoria esp\u00edrita sobre o futuro das almas e sua destina\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diferentes provas que lhes cabe suportar, e se ver\u00e1 que, com exce\u00e7\u00e3o da simultaneidade, o julgamento em que ser\u00e3o condenadas ou absolvidas n\u00e3o \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, assim como pensam os incr\u00e9dulos. Destaquemos ainda que aquela teoria \u00e9 a conseq\u00fc\u00eancia natural da pluralidade dos mundos, hoje perfeitamente admitida, enquanto, conforme a doutrina do ju\u00edzo final, a Terra passa a ser o \u00fanico mundo habitado. <\/em><\/p>\n<p><strong>Para\u00edso, inferno e purgat\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>1011 Haver\u00e1 lugares determinados no universo destinados \u00e0s penalidades e aos prazeres dos Esp\u00edritos, conforme seus m\u00e9ritos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 respondemos a essa quest\u00e3o. As penalidades e os prazeres s\u00e3o inerentes ao grau de perfei\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos; cada um tira de si mesmo o princ\u00edpio de sua pr\u00f3pria felicidade ou infelicidade; e como est\u00e3o por toda parte, nenhum lugar localizado nem fechado est\u00e1 destinado a um ou a outro. Quanto aos Esp\u00edritos encarnados, eles s\u00e3o mais ou menos felizes ou infelizes conforme o mundo que habitem seja mais ou menos avan\u00e7ado.<\/p>\n<p><strong>1011 a Em vista disso, o inferno e o para\u00edso n\u00e3o existiriam como o homem os representa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o apenas figuras: existem Esp\u00edritos felizes e infelizes por toda parte. Entretanto, como tamb\u00e9m dissemos, os Esp\u00edritos da mesma ordem se re\u00fanem por simpatia; mas podem se reunir onde quiserem quando s\u00e3o perfeitos.<\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o exata dos lugares de penalidades e recompensas existe apenas na imagina\u00e7\u00e3o do homem e prov\u00e9m da tend\u00eancia de materializar e circunscreveras coisas das quais eles n\u00e3o podem compreender a ess\u00eancia infinita.<\/p>\n<p><strong>1012 O que se deve entender por purgat\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Dores f\u00edsicas e morais: \u00e9 o tempo de expia\u00e7\u00e3o. \u00c9 quase sempre na Terra que fazeis vosso purgat\u00f3rio e onde sois obrigados a expiar vossas faltas.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O que o homem chama de purgat\u00f3rio \u00e9 igualmente uma figura pela qual se deve entender n\u00e3o como um lugar qualquer determinado, mas como o estado dos Esp\u00edritos imperfeitos, que est\u00e3o em expia\u00e7\u00e3o at\u00e9 a purifica\u00e7\u00e3o completa que deve elev\u00e1-los ao plano dos Esp\u00edritos bem aventurados. Essa purifica\u00e7\u00e3o, operando-se nas diversas encarna\u00e7\u00f5es, faz com que o purgat\u00f3rio consista nas provas da vida corporal. <\/em><\/p>\n<p><strong>1013 Como se explica que Esp\u00edritos, que pela sua linguagem revelam superioridade, tenham respondido a pessoas muito s\u00e9rias a respeito do inferno e do purgat\u00f3rio, de acordo com a id\u00e9ia corrente que se faz desses lugares?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eles falam uma linguagem que possa ser compreendida pelas pessoas que os interrogam, e quando essas pessoas se mostram convictas de certas id\u00e9ias evitam choc\u00e1-las bruscamente para n\u00e3o ferir suas convic\u00e7\u00f5es. Se um Esp\u00edrito quisesse dizer, sem precau\u00e7\u00f5es orat\u00f3rias, a um mu\u00e7ulmano que Maom\u00e9 n\u00e3o foi profeta, seria muito mal compreendido.<\/p>\n<p><strong>1013 a Concebe-se que assim possa ser com a maioria dos Esp\u00edritos que desejam nos instruir; mas como se explica que Esp\u00edritos interrogados sobre sua situa\u00e7\u00e3o tenham respondido que sofriam torturas do inferno ou do purgat\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Quando s\u00e3o inferiores e ainda n\u00e3o completamente desmaterializados, conservam parte de suas id\u00e9ias terrenas e transmitem suas impress\u00f5es se servindo de termos que lhes s\u00e3o familiares. Eles se encontram num meio que lhes permite sondar o futuro apenas imperfeitamente, e \u00e9 por isso que freq\u00fcentemente Esp\u00edritos errantes, ou rec\u00e9m-desencarnados, falar\u00e3o como se estivessem encarnados. Inferno pode se traduzir por uma vida de prova\u00e7\u00f5es extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor. Purgat\u00f3rio, por uma vida tamb\u00e9m de prova\u00e7\u00f5es, mas com consci\u00eancia de um futuro melhor. Quando passais por uma grande dor, n\u00e3o dizeis que sofreis como um condenado? S\u00e3o apenas palavras, e sempre no sentido figurado.<\/p>\n<p><strong>1014 O que se deve entender por uma alma penada?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Um Esp\u00edrito errante e sofredor, incerto de seu futuro, e a quem podeis proporcionar o al\u00edvio que, muitas vezes, solicita ao se comunicar convosco. (Veja a quest\u00e3o 664.)<\/p>\n<p><strong>1015 Em que sentido se deve entender a palavra c\u00e9u?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Acreditais que seja um lugar, como os Campos El\u00edseos<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-02.html#7\"><sup>7<\/sup><\/a> dos antigos, onde todos os bons Esp\u00edritos est\u00e3o indistintamente aglomerados com a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o de desfrutar, durante a eternidade, de uma felicidade passiva? N\u00e3o. \u00c9 o espa\u00e7o universal; s\u00e3o os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores onde os Esp\u00edritos desfrutam de todas as suas qualidades sem os tormentos da vida material nem as ang\u00fastias pr\u00f3prias \u00e0 inferioridade.<\/p>\n<p><strong>1016 Alguns Esp\u00edritos disseram estar habitando o quarto, o quinto c\u00e9u, etc.; o que quiseram dizer com isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Se lhes perguntais qual c\u00e9u habitam \u00e9 porque tendes uma id\u00e9ia de muitos c\u00e9us sobrepostos, como os andares de uma casa. Ent\u00e3o, eles respondem conforme vossa linguagem. Mas, para eles, essas palavras, quarto e quinto c\u00e9u, exprimem diferentes graus de depura\u00e7\u00e3o e, conseq\u00fcentemente, de felicidade. \u00c9 exatamente como quando se pergunta a um Esp\u00edrito se ele est\u00e1 no inferno; se \u00e9 infeliz, dir\u00e1 que sim, porque para ele inferno \u00e9 sin\u00f4nimo de sofrimento; por\u00e9m, ele sabe muito bem que n\u00e3o \u00e9 uma fornalha. Se fosse um pag\u00e3o diria que estava no T\u00e1rtaro.<\/p>\n<p><em>\u263c<\/em> <em>O mesmo acontece com muitas outras express\u00f5es semelhantes, como: cidade das flores, cidade dos eleitos, primeira, segunda ou terceira esfera, etc., que n\u00e3o passam de express\u00f5es usadas por certos Esp\u00edritos, quer como figuras, quer algumas vezes por ignor\u00e2ncia da realidade das coisas e at\u00e9 mesmo das mais simples no\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. <\/em><\/p>\n<p><em>De acordo com a id\u00e9ia restrita que se fazia antigamente dos lugares de sofrimentos e recompensas, e principalmente com a opini\u00e3o de que a Terra era o centro do universo, de que o c\u00e9u formava uma ab\u00f3bada e que havia uma regi\u00e3o de estrelas, colocava-se<\/em> o c\u00e9u em cima e o inferno embaixo. <em>Da\u00ed as express\u00f5es: subir ao c\u00e9u, estar no mais alto dos c\u00e9us, estar precipitado no inferno. Hoje a ci\u00eancia demonstra que a Terra n\u00e3o passa de um dos menores planetas, sem import\u00e2ncia especial. Entre milh\u00f5es de outros, tra\u00e7ou a hist\u00f3ria de sua forma\u00e7\u00e3o e descreveu sua constitui\u00e7\u00e3o; provou que o espa\u00e7o \u00e9 infinito, que n\u00e3o h\u00e1 nem alto nem baixo no universo, e assim imp\u00f4s a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 id\u00e9ia de situar o c\u00e9u acima das nuvens e o inferno nos lugares baixos. Quanto ao purgat\u00f3rio, nenhum lugar lhe fora designado. Estava reservado ao Espiritismo dar sobre todas essas coisas a explica\u00e7\u00e3o mais racional, grandiosa e, ao mesmo tempo, mais consoladora para a humanidade. Assim, pode-se dizer que levamos em n\u00f3s mesmos nosso inferno e nosso para\u00edso e, quanto ao purgat\u00f3rio, n\u00f3s o encontramos em nossa encarna\u00e7\u00e3o, em nossas vidas f\u00edsicas. <\/em><\/p>\n<p><strong>1017 Em que sentido \u00e9 preciso entender estas palavras do Cristo: \u201cMeu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo?\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O Cristo, ao responder assim, falava num sentido figurado. Ele queria dizer que apenas reina nos cora\u00e7\u00f5es puros e desinteressados. Ele est\u00e1 por todos os lugares onde domina o amor ao bem, mas os homens \u00e1vidos das coisas deste mundo e ligados aos bens da Terra n\u00e3o est\u00e3o com ele.<\/p>\n<p><strong>1018 O reino do bem poder\u00e1 um dia realizar-se na Terra?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O bem reinar\u00e1 na Terra quando, entre os Esp\u00edritos que v\u00eam habit\u00e1-la, os bons predominarem sobre os maus; ent\u00e3o eles far\u00e3o reinar na Terra o amor e a justi\u00e7a, que s\u00e3o a fonte do bem e da felicidade. Pelo progresso moral e praticando as leis de Deus \u00e9 que o homem atrair\u00e1 para a Terra os bons Esp\u00edritos e afastar\u00e1 os maus; mas os maus s\u00f3 a deixar\u00e3o quando o homem tiver expulsado de si o orgulho e o ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da humanidade foi anunciada e \u00e9 chegado o tempo em que todos os homens amantes do progresso se apresentam e se apressam, porque essa transforma\u00e7\u00e3o se far\u00e1 pela encarna\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos melhores, que formar\u00e3o sobre a Terra uma nova ordem. Ent\u00e3o, os Esp\u00edritos maus, que a morte vai retirando a cada dia, e aqueles que tentam deter a marcha das coisas ser\u00e3o exclu\u00eddos da Terra porque estariam deslocados entre os homens de bem dos quais perturbariam a felicidade.<\/p>\n<p>Eles ir\u00e3o para mundos novos, menos avan\u00e7ados, desempenhar miss\u00f5es punitivas para seu pr\u00f3prio adiantamento e de seus irm\u00e3os ainda mais atrasados. Nessa exclus\u00e3o de Esp\u00edritos da Terra transformada n\u00e3o percebeis a sublime figura do para\u00edso perdido? E a chegada \u00e0 Terra do homem em semelhantes condi\u00e7\u00f5es, trazendo em si o g\u00e9rmen de suas paix\u00f5es e os tra\u00e7os de sua inferioridade primitiva, a figura n\u00e3o menos sublime do pecado original? O pecado original, sob esse ponto de vista, se refere \u00e0 natureza ainda imperfeita do homem, que \u00e9, assim, respons\u00e1vel por si mesmo e por suas pr\u00f3prias faltas e n\u00e3o pelas faltas de seus pais. Todos v\u00f3s, homens de f\u00e9 e boa vontade, trabalhai com zelo e coragem na grande obra da regenera\u00e7\u00e3o, porque recolhereis cem vezes mais o gr\u00e3o que tiverdes semeado. Infelizes aqueles que fecham os olhos \u00e0 luz. Preparam para si longos s\u00e9culos de trevas e decep\u00e7\u00f5es; infelizes os que colocam todas as suas alegrias nos bens deste mundo, porque sofrer\u00e3o mais priva\u00e7\u00f5es do que os prazeres de que desfrutaram; infelizes, principalmente, os ego\u00edstas, porque n\u00e3o encontrar\u00e3o ningu\u00e9m para ajud\u00e1-los a carregar o fardo de suas mis\u00e9rias.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Prim\u00edcias<\/strong>: primeiros frutos; in\u00edcio; primeiros resultados (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Conc\u00edlios<\/strong>: reuni\u00f5es da Igreja Romana em que se discutem propostas de reforma de conceitos doutrin\u00e1rios (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Pais da Igreja<\/strong>: padres da Igreja Romana de grande cultura, como Santo Agostinho e S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Aprisco<\/strong>: abrigo, particularmente o que se destina \u00e0s ovelhas (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Arqu\u00e9tipo<\/strong><strong>: <\/strong>exemplo, modelo, padr\u00e3o, prot\u00f3tipo (N. E.).<\/li>\n<li><strong>T\u00e1rtaro<\/strong>: na mitologia, o lugar mais profundo dos Infernos, onde eram jogados os maiores pecadores (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Campos El\u00edseos<\/strong>: na Mitologia, lugar onde se encontravam, ap\u00f3s a morte, as almas dos her\u00f3is e dos justos (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte Quarta \u2013 Cap\u00edtulo 2 Penalidades e prazeres futuros O nada. 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