{"id":4316,"date":"2016-06-29T22:27:04","date_gmt":"2016-06-30T01:27:04","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=4316"},"modified":"2016-06-29T22:34:15","modified_gmt":"2016-06-30T01:34:15","slug":"7-conclusao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/7-conclusao\/","title":{"rendered":"7 &#8211; Conclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>1<\/strong><\/p>\n<p>Aquele que do magnetismo terrestre conhece apenas o brinquedo dos patinhos imantados, que se movimentam numa bacia com \u00e1gua sob a a\u00e7\u00e3o do \u00edm\u00e3, dificilmente poder\u00e1 compreender que ali est\u00e1 o segredo do mecanismo do universo e dos movimentos dos planetas.<\/p>\n<p>O mesmo acontece com quem conhece do Espiritismo somente o fen\u00f4meno das mesas girantes<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-03.html#1\"><sup>1<\/sup><\/a>; v\u00ea apenas um divertimento, um passatempo da sociedade, e n\u00e3o compreende que esse fen\u00f4meno t\u00e3o simples e comum, conhecido da Antiguidade e at\u00e9 mesmo dos povos semi-selvagens, possa ter alguma liga\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es da maior import\u00e2ncia para a sociedade humana. Para o observador comum, de fato, que rela\u00e7\u00e3o a simplicidade de uma mesa que se move pode ter com a moral e o futuro da humanidade? Mas aquele que ponderar h\u00e1 de se lembrar que da simples panela que ferve e ergue a tampa com a press\u00e3o do vapor, fato que tamb\u00e9m ocorre desde toda a Antiguidade, saiu o poderoso motor com que o homem transp\u00f5e o espa\u00e7o e supera as dist\u00e2ncias. Pois bem! V\u00f3s, que n\u00e3o credes em nada fora do mundo material, sabei que da mesa que se move e provoca vossos sorrisos desdenhosos saiu uma ci\u00eancia e a solu\u00e7\u00e3o de problemas que nenhuma filosofia pudera ainda resolver. Apelo para todos os advers\u00e1rios de boa-f\u00e9 e os desafio a dizer se se deram ao trabalho de estudar o que criticam; porque, em boa l\u00f3gica, a cr\u00edtica s\u00f3 tem valor quando o cr\u00edtico conhece aquilo que critica. Zombar de uma coisa que n\u00e3o se conhece, que n\u00e3o se pesquisou com o crit\u00e9rio do observador consciencioso, n\u00e3o \u00e9 criticar, \u00e9 dar prova de leviandade e dar uma pobre id\u00e9ia de sua capacidade de julgamento. Certamente, se tiv\u00e9ssemos apresentado esta filosofia como obra de um c\u00e9rebro humano, ela teria encontrado menos desprezo e receberia as honras do exame daqueles que pretendem dirigir a opini\u00e3o p\u00fablica; mas ela vem dos Esp\u00edritos! Que absurdo! \u00c9 com muito custo que lhe dispensam um de seus olhares; julgam apenas pelo t\u00edtulo, como o macaco da f\u00e1bula julgou a noz pela casca. Ignorai, se quiserdes, sua origem: suponde que este livro seja obra de um homem e dizei, conscientemente, se, ap\u00f3s uma leitura s\u00e9ria, encontrais nele motivo para zombaria.<\/p>\n<p><strong>2<\/strong><\/p>\n<p>O Espiritismo \u00e9 o antagonista mais terr\u00edvel do materialismo! N\u00e3o \u00e9 de admirar que tenha os materialistas como advers\u00e1rios. Mas como o materialismo \u00e9 uma doutrina que poucos se atrevem a confessar abertamente (prova de que n\u00e3o est\u00e3o seguros de suas convic\u00e7\u00f5es e s\u00e3o dominados por essa inseguran\u00e7a), eles se defendem com o manto da raz\u00e3o e da ci\u00eancia, e, o que \u00e9 estranho, os mais descrentes at\u00e9 mesmo falam em nome da religi\u00e3o, que tamb\u00e9m n\u00e3o conhecem e n\u00e3o compreendem, como o Espiritismo. Seu ponto de ataque se concentra principalmente no maravilhoso e no sobrenatural, que n\u00e3o admitem. De acordo com eles, o Espiritismo, estando fundado no maravilhoso, n\u00e3o passa de uma suposi\u00e7\u00e3o rid\u00edcula. Eles n\u00e3o pensam que ao condenar, sem restri\u00e7\u00e3o, o processo do maravilhoso e do sobrenatural, condenam a religi\u00e3o. De fato, a religi\u00e3o est\u00e1 fundada na revela\u00e7\u00e3o e nos milagres; portanto, o que \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o sen\u00e3o comunica\u00e7\u00f5es extra-humanas? Todos os autores sagrados, desde Mois\u00e9s, falaram desses g\u00eaneros de comunica\u00e7\u00f5es. O que s\u00e3o os milagres sen\u00e3o fatos maravilhosos e sobrenaturais por excel\u00eancia, uma vez que s\u00e3o, no sentido lit\u00fargico<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-03.html#2\"><sup>2<\/sup><\/a>, uma anula\u00e7\u00e3o das leis da natureza? Portanto, ao rejeitar o maravilhoso e o sobrenatural, rejeitam as pr\u00f3prias bases de toda religi\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 sob esse ponto de vista que devemos encarar a quest\u00e3o. O Espiritismo n\u00e3o tem de examinar se existem ou n\u00e3o milagres. Se Deus p\u00f4de, em certos casos, alterar as leis eternas que regem o universo, o Espiritismo deixa, em rela\u00e7\u00e3o a isso, toda a liberdade de cren\u00e7a. Diz e prova que os fen\u00f4menos em que se ap\u00f3ia nada t\u00eam de sobrenatural, a n\u00e3o ser na apar\u00eancia. Esses fen\u00f4menos n\u00e3o parecem naturais aos olhos de certas pessoas, porque est\u00e3o fora do comum e diferentes dos fatos conhecidos. Mas n\u00e3o s\u00e3o mais sobrenaturais do que todos os fen\u00f4menos dos quais a ci\u00eancia nos d\u00e1 hoje a solu\u00e7\u00e3o e que pareciam maravilhosos antes, em uma outra \u00e9poca. Todos os fen\u00f4menos esp\u00edritas, sem exce\u00e7\u00e3o, s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia de leis gerais. Revelam-nos um dos poderes da natureza, poder desconhecido, ou melhor, incompreendido at\u00e9 aqui, mas que a observa\u00e7\u00e3o demonstra estar na ordem das coisas. O Espiritismo se fundamenta menos no maravilhoso e no sobrenatural do que a pr\u00f3pria religi\u00e3o; aqueles que o atacam sob esse aspecto \u00e9 porque n\u00e3o o conhecem, e ainda que fossem os homens mais s\u00e1bios, n\u00f3s lhes dir\u00edamos: se a ci\u00eancia, que vos ensinou tanta coisa, n\u00e3o ensinou que o dom\u00ednio da natureza \u00e9 infinito, sois apenas meio s\u00e1bios.<\/p>\n<p><strong>3<\/strong><\/p>\n<p>Conforme dizeis, desejais curar o s\u00e9culo dessa mania de credulidade que amea\u00e7a invadir o mundo. Gostar\u00edeis que o mundo fosse dominado pela incredulidade que procurais propagar? N\u00e3o \u00e9 por causa da aus\u00eancia de toda cren\u00e7a que se deve atribuir o relaxamento dos la\u00e7os de fam\u00edlia e a maior parte das desordens que minam a sociedade? Ao demonstrar a exist\u00eancia e a imortalidade da alma, o Espiritismo reaviva a f\u00e9 no futuro, levanta os \u00e2nimos abatidos, faz suportar com resigna\u00e7\u00e3o as conting\u00eancias da vida. Ousar\u00edeis chamar a isso um mal? Duas doutrinas se defrontam: uma que nega o futuro, a outra que o proclama e o prova; uma que nada explica, a outra que explica tudo e por isso mesmo se dirige \u00e0 raz\u00e3o; uma \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo, a outra d\u00e1 uma base \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 caridade e ao amor de seus semelhantes. A primeira mostra apenas o presente e aniquila toda esperan\u00e7a, a segunda consola e mostra o vasto campo do futuro; qual \u00e9 a mais nociva?<\/p>\n<p>Certas pessoas, dentre as mais descrentes, se fazem ap\u00f3stolos da fraternidade e do progresso; mas a fraternidade pressup\u00f5e o desinteresse, a ren\u00fancia da personalidade. Portanto, para a verdadeira fraternidade o orgulho \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o. Com que direito se imp\u00f5e um sacrif\u00edcio \u00e0quele a quem dizeis que quando morrer tudo estar\u00e1 acabado; que amanh\u00e3 talvez n\u00e3o ser\u00e1 nada mais do que uma velha m\u00e1quina desmantelada e jogada fora? Que raz\u00e3o ter\u00e1 ele para si mesmo impor uma ren\u00fancia qualquer? N\u00e3o \u00e9 mais natural que durante os breves instantes que lhe concedeis ele trate de viver o melhor poss\u00edvel? Da\u00ed vem o desejo de possuir muito para melhor desfrutar. Desse desejo nasce a inveja contra os que possuem mais que ele; e dessa inveja para a vontade de se apossar do que \u00e9 dos outros basta apenas um passo. O que o det\u00e9m? A lei? Mas a lei n\u00e3o abrange todos os casos. Direis que \u00e9 a consci\u00eancia, o sentimento do dever? Mas sobre o que baseais o sentimento do dever? Restar\u00e1 a esse sentimento uma raz\u00e3o de ser se estiver ligado \u00e0 cren\u00e7a de que tudo termina com a vida? Com essa cren\u00e7a apenas uma doutrina \u00e9 racional: cada um por si. As id\u00e9ias de fraternidade, consci\u00eancia, dever, humanidade e at\u00e9 mesmo de progresso s\u00e3o apenas palavras v\u00e3s. V\u00f3s que proclamais semelhantes doutrinas n\u00e3o sabeis todo o mal que fazeis \u00e0 sociedade, nem por quantos crimes assumis a responsabilidade! Mas o que falo sobre responsabilidade? Para o descrente isso n\u00e3o existe, ele presta homenagem apenas \u00e0 mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><strong>4<\/strong><\/p>\n<p>O progresso da humanidade tem seu princ\u00edpio na aplica\u00e7\u00e3o da lei de justi\u00e7a, amor e caridade. Essa lei est\u00e1 fundada na certeza do futuro; se lhe tirais essa certeza, tirais sua pedra fundamental. Dessa lei derivam todas as outras, porque ela encerra todas as condi\u00e7\u00f5es da felicidade do homem. Apenas ela pode curar as chagas da sociedade, e o homem pode julgar, comparando as idades e os povos, quanto sua condi\u00e7\u00e3o melhora \u00e0 medida que essa lei \u00e9 mais bem compreendida e praticada. Note-se que se sua aplica\u00e7\u00e3o parcial e incompleta produz um bem real, o que n\u00e3o acontecer\u00e1 quando ela for a base de todas as suas institui\u00e7\u00f5es sociais! Isso \u00e9 poss\u00edvel? Sim, porque se ele j\u00e1 deu dez passos pode dar vinte, e assim por diante. Pode-se, portanto, julgar o futuro pelo passado. J\u00e1 vimos pouco a pouco se extinguirem as antipatias de povo a povo; as barreiras que os separam diminuem com a civiliza\u00e7\u00e3o; eles se d\u00e3o as m\u00e3os de um extremo a outro do mundo; uma justi\u00e7a maior regula as leis internacionais; as guerras tornam-se cada vez mais raras e n\u00e3o excluem os sentimentos humanit\u00e1rios; a uniformidade se estabelece nas rela\u00e7\u00f5es; as discrimina\u00e7\u00f5es de ra\u00e7as e de castas acabam, e os homens de cren\u00e7as diferentes fazem calar os preconceitos de seitas para se confundirem na adora\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Deus. Falamos dos povos que marcham \u00e0 frente da civiliza\u00e7\u00e3o. (Veja as quest\u00f5es 789 e 793.)<\/p>\n<p>Apesar de todos esses aspectos, ainda estamos longe da perfei\u00e7\u00e3o, e ainda existem muitos res\u00edduos antigos para ser destru\u00eddos at\u00e9 que tenham desaparecido os \u00faltimos vest\u00edgios da barb\u00e1rie. Mas esses res\u00edduos poder\u00e3o continuar contra a for\u00e7a irresist\u00edvel do progresso, essa for\u00e7a viva que \u00e9, ela mesma, uma lei da natureza? Se a presente gera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais avan\u00e7ada do que a passada, por que a seguinte n\u00e3o ser\u00e1 mais avan\u00e7ada do que a nossa? Ela o ser\u00e1 pela for\u00e7a das coisas; inicialmente porque com as gera\u00e7\u00f5es se extinguem dia a dia alguns campe\u00f5es dos velhos abusos, e assim a sociedade se forma pouco a pouco de elementos novos que se libertaram dos velhos preconceitos. Em segundo lugar, porque o homem, desejando o progresso, estuda os obst\u00e1culos e se aplica em remov\u00ea-los. Uma vez que o movimento progressivo \u00e9 evidente, o progresso futuro n\u00e3o pode ser posto em d\u00favida. O homem quer ser feliz, e \u00e9 natural esse desejo; portanto, ele procura o progresso apenas para aumentar sua felicidade, sem o que o progresso n\u00e3o teria sentido, em nada o serviria, se n\u00e3o melhorasse sua posi\u00e7\u00e3o. Mas, quando tiver desfrutado o m\u00e1ximo de todos os prazeres que o progresso intelectual pode proporcionar, perceber\u00e1 que n\u00e3o tem a felicidade completa; reconhecer\u00e1 que essa felicidade sem a seguran\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es sociais \u00e9 irrealiz\u00e1vel, \u00e9 imposs\u00edvel. Essa seguran\u00e7a ele s\u00f3 encontrar\u00e1 no progresso moral. Ent\u00e3o, pela for\u00e7a das coisas ele mesmo conduzir\u00e1 o progresso nesse sentido, e o Espiritismo ser\u00e1 a mais poderosa alavanca para atingir esse objetivo.<\/p>\n<p><strong>5<\/strong><\/p>\n<p>Os que dizem que as cren\u00e7as esp\u00edritas amea\u00e7am invadir o mundo proclamam, desse modo, a for\u00e7a do Espiritismo, porque uma id\u00e9ia sem fundamento e destitu\u00edda de l\u00f3gica n\u00e3o poderia se tornar universal. Assim, se o Espiritismo se implanta por toda parte, se tem como seguidores principalmente pessoas esclarecidas, como se pode constatar, \u00e9 que tem um fundo de verdade. Contra essa tend\u00eancia, todos os esfor\u00e7os de seus detratores<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-03.html#3\"><sup>3<\/sup><\/a> ser\u00e3o in\u00fateis, e a prova \u00e9 que at\u00e9 mesmo o rid\u00edculo com que procuram cobri-lo, longe de amortecer sua marcha, parece lhe ter dado uma nova vida. Esse resultado justifica plenamente o que dizem repetidas vezes os Esp\u00edritos: \u201cN\u00e3o vos inquieteis com a oposi\u00e7\u00e3o; tudo o que se fizer contra se tornar\u00e1 a favor, e os maiores advers\u00e1rios servir\u00e3o \u00e0 causa sem querer. Contra a vontade de Deus a m\u00e1 vontade dos homens n\u00e3o prevalece\u201d.<\/p>\n<p>Com o Espiritismo, a humanidade deve entrar numa nova fase, a do progresso moral, que \u00e9 sua conseq\u00fc\u00eancia inevit\u00e1vel. Parai, portanto, de vos espantar com a rapidez com que se propagam as id\u00e9ias esp\u00edritas; a causa disso est\u00e1 na satisfa\u00e7\u00e3o que elas proporcionam a todos os que nelas se aprofundam e que nelas v\u00eaem algo mais do que um f\u00fatil passatempo; portanto, como o homem quer sua felicidade acima de tudo, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que se apegue a uma id\u00e9ia que faz as pessoas felizes.<\/p>\n<p>O desenvolvimento dessas id\u00e9ias apresenta tr\u00eas per\u00edodos distintos: o primeiro \u00e9 o da curiosidade provocada pela estranheza dos fen\u00f4menos que se produziram; o segundo, do racioc\u00ednio e da filosofia; o terceiro, da aplica\u00e7\u00e3o e das conseq\u00fc\u00eancias. O per\u00edodo da curiosidade passou. A curiosidade dura pouco; uma vez satisfeita, esquece-se o objeto para passar a um outro. O mesmo n\u00e3o acontece com o que recorre ao racioc\u00ednio s\u00e9rio e ao julgamento.<\/p>\n<p>O segundo per\u00edodo come\u00e7ou, e o terceiro se seguir\u00e1 inevitavelmente. O Espiritismo progrediu especialmente depois de ter sido mais bem compreendido na sua ess\u00eancia, desde que perceberam seu alcance, porque ele toca no ponto mais sens\u00edvel do homem: o de sua felicidade, at\u00e9 mesmo neste mundo; a\u00ed est\u00e1 a causa de sua propaga\u00e7\u00e3o, o segredo da for\u00e7a que o far\u00e1 triunfar. Ele torna felizes aqueles que o compreendem, enquanto sua influ\u00eancia vai se ampliando sobre as massas. At\u00e9 mesmo aquele que nunca testemunhou nenhum fen\u00f4meno das manifesta\u00e7\u00f5es diz: \u201cAl\u00e9m desses fen\u00f4menos, existe a filosofia; essa filosofia me explica o que NENHUMA outra havia me explicado; nela encontro, somente pelo racioc\u00ednio, uma demonstra\u00e7\u00e3o racional dos problemas que interessam no mais alto grau ao meu futuro; ele me proporciona a calma, a seguran\u00e7a, a confian\u00e7a; livra-me do tormento da incerteza e, al\u00e9m disso, a quest\u00e3o dos fatos materiais passa a ser secund\u00e1ria\u201d. Todos v\u00f3s que atacais o Espiritismo quereis um meio de combat\u00ea-lo com sucesso? Aqui est\u00e1. Trocai-o por algo melhor; indicai uma solu\u00e7\u00e3o MAIS FILOS\u00d3FICA a todas as quest\u00f5es que ele resolveu; dai ao homem uma OUTRA CERTEZA que o torne mais feliz e compreendei bem o alcance desta palavra certeza, j\u00e1 que o homem aceita como certo o que lhe parece l\u00f3gico; n\u00e3o vos contenteis em dizer: \u201cIsto n\u00e3o \u00e9 assim\u201d; \u00e9 muito f\u00e1cil fazer uma afirmativa dessas. Provai, n\u00e3o por uma nega\u00e7\u00e3o, mas por meio de fatos, que isso n\u00e3o \u00e9 real, nunca foi e N\u00c3O PODE ser; se n\u00e3o \u00e9, dizei o que em seu lugar pode ser; provai, enfim, que as conseq\u00fc\u00eancias do Espiritismo n\u00e3o tornam os homens melhores e, portanto, mais felizes, pela pr\u00e1tica da mais pura moral evang\u00e9lica, moral que muito \u00e9 louvada, mas pouco praticada. Quando tiverdes feito isso, tereis o direito de o atacar. O Espiritismo \u00e9 forte porque se ap\u00f3ia nas pr\u00f3prias bases da religi\u00e3o: Deus, a alma, os sofrimentos e as recompensas futuras; principalmente porque mostra esses sofrimentos e recompensas como conseq\u00fc\u00eancias naturais da vida terrestre, e que nada, no quadro que oferece do futuro, pode ser recusado pela raz\u00e3o mais exigente. V\u00f3s, cuja doutrina \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do futuro, que compensa\u00e7\u00e3o ofereceis aos sofrimentos aqui da Terra? V\u00f3s vos apoiais na incredulidade, o Espiritismo se ap\u00f3ia na confian\u00e7a em Deus; enquanto ele convida os homens \u00e0 felicidade, \u00e0 esperan\u00e7a, \u00e0 verdadeira fraternidade, v\u00f3s ofereceis o NADA por perspectiva e o EGO\u00cdSMO por consola\u00e7\u00e3o. Ele explica tudo, v\u00f3s n\u00e3o explicais nada; ele prova pelos fatos e v\u00f3s n\u00e3o provais nada. Como quereis que as pessoas duvidem entre as duas doutrinas?<\/p>\n<p><strong>6<\/strong><\/p>\n<p>Seria fazer uma id\u00e9ia muito falsa do Espiritismo acreditar que sua for\u00e7a vem das manifesta\u00e7\u00f5es materiais e que, impedindo essas manifesta\u00e7\u00f5es, pode-se min\u00e1-lo em sua base. Sua for\u00e7a est\u00e1 na filosofia, no apelo que faz \u00e0 raz\u00e3o, ao bom senso. Na Antiguidade, era objeto de estudos misteriosos, cuidadosamente escondidos do povo. Hoje, n\u00e3o tem segredos para ningu\u00e9m; fala uma linguagem clara, sem equ\u00edvocos. Nele n\u00e3o h\u00e1 nada de m\u00edstico, nada de alegorias pass\u00edveis de falsas interpreta\u00e7\u00f5es; quer ser compreendido por todos, porque chegou o tempo de as pessoas conhecerem a verdade; longe de se opor \u00e0 difus\u00e3o da luz, ele a revela para todas as pessoas. N\u00e3o exige uma cren\u00e7a cega, quer que se saiba por que se cr\u00ea; ao se apoiar na raz\u00e3o, ser\u00e1 sempre mais forte do que aqueles que se ap\u00f3iam no nada. Os obst\u00e1culos que tentassem antepor \u00e0 liberdade das manifesta\u00e7\u00f5es poderiam lhe dar fim? N\u00e3o, porque s\u00f3 produziriam o efeito de todas as persegui\u00e7\u00f5es: o de estimular a curiosidade e o desejo de conhecer o que \u00e9 proibido. Por outro lado, se as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas fossem privil\u00e9gio de um \u00fanico homem, ningu\u00e9m duvida que, pondo esse homem de lado, as manifesta\u00e7\u00f5es acabariam. Infelizmente, para os advers\u00e1rios, elas est\u00e3o ao alcance de todos, desde o simples at\u00e9 o s\u00e1bio, desde o pal\u00e1cio at\u00e9 ao mais humilde casebre; qualquer um pode a elas recorrer. Pode-se proibir que sejam feitas em p\u00fablico; mas sabe-se precisamente que n\u00e3o \u00e9 em p\u00fablico que elas se produzem melhor, e sim reservadamente. Portanto, como cada um pode ser m\u00e9dium, quem pode impedir uma fam\u00edlia no seu lar, um indiv\u00edduo no sil\u00eancio de seu gabinete, o prisioneiro na cela, de ter comunica\u00e7\u00e3o com os Esp\u00edritos, apesar da proibi\u00e7\u00e3o dos seus opositores e mesmo na presen\u00e7a deles?<\/p>\n<p>Se as pro\u00edbem em um pa\u00eds poder\u00e3o impedi-las nos pa\u00edses vizinhos, no mundo inteiro, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 um pa\u00eds, em qualquer dos continentes, onde n\u00e3o haja m\u00e9diuns? Para prender todos os m\u00e9diuns seria preciso prender a metade da popula\u00e7\u00e3o humana; se at\u00e9 mesmo chegassem, o que n\u00e3o seria muito f\u00e1cil, a queimar todos os livros esp\u00edritas, estariam reproduzidos no dia seguinte, porque sua fonte \u00e9 inatac\u00e1vel, e n\u00e3o se podem prender nem queimar os Esp\u00edritos, que s\u00e3o seus verdadeiros autores.<\/p>\n<p>O Espiritismo n\u00e3o \u00e9 obra de um homem; ningu\u00e9m se pode dizer seu criador, porque ele \u00e9 t\u00e3o antigo quanto a Cria\u00e7\u00e3o; encontra-se por toda parte, em todas as religi\u00f5es e na religi\u00e3o Cat\u00f3lica ainda mais, e com mais autoridade do que em qualquer outra, porque nela se encontram os mesmos princ\u00edpios: os Esp\u00edritos de todos os graus, suas rela\u00e7\u00f5es ocultas e patentes com os homens, os anjos de guarda, a reencarna\u00e7\u00e3o, a emancipa\u00e7\u00e3o da alma durante a vida, a dupla vista, as vis\u00f5es, as manifesta\u00e7\u00f5es de todos os g\u00eaneros, as apari\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo as apari\u00e7\u00f5es tang\u00edveis, isto \u00e9, as materializa\u00e7\u00f5es. Com rela\u00e7\u00e3o aos dem\u00f4nios, n\u00e3o passam de maus Esp\u00edritos e, salvo a cren\u00e7a de que foram destinados ao mal por toda a eternidade, enquanto o caminho do progresso est\u00e1 livre para os outros existe entre eles apenas a diferen\u00e7a de nome.<\/p>\n<p>O que faz a ci\u00eancia esp\u00edrita moderna? Ela re\u00fane num corpo de doutrina o que estava esparso; explica em termos pr\u00f3prios o que estava somente em linguagem aleg\u00f3rica; elimina o que a supersti\u00e7\u00e3o e a ignor\u00e2ncia produziram para deixar apenas a realidade e o positivo: eis seu papel; mas o de fundadora n\u00e3o lhe cabe. A Doutrina Esp\u00edrita mostra o que \u00e9, coordena, mas n\u00e3o cria nada, por isso suas bases s\u00e3o de todos os tempos e de todos os lugares. Quem, pois, ousaria se acreditar forte o suficiente para abaf\u00e1-la com sarcasmos e at\u00e9 mesmo com a persegui\u00e7\u00e3o? Se a proibirem num lugar, renasce em outros, no pr\u00f3prio terreno de onde a expulsaram, porque est\u00e1 na natureza e n\u00e3o \u00e9 dado ao homem anular uma for\u00e7a da natureza nem opor seu veto aos decretos de Deus.<\/p>\n<p>Afinal, que interesse haveria em entravar a propaga\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias esp\u00edritas? Essas id\u00e9ias, \u00e9 bem verdade, se op\u00f5em aos abusos que nascem do orgulho e do ego\u00edsmo. Por\u00e9m, esses abusos de que alguns se aproveitam prejudicam a coletividade humana que, portanto, ser\u00e1 favor\u00e1vel \u00e0s id\u00e9ias esp\u00edritas, que ter\u00e3o como advers\u00e1rios s\u00e9rios apenas aqueles que s\u00e3o interessados em manter esses abusos. Por sua influ\u00eancia, ao contr\u00e1rio, essas id\u00e9ias, tornando os homens melhores uns para com os outros, menos \u00e1vidos dos interesses materiais e mais resignados aos decretos da Provid\u00eancia, s\u00e3o uma certeza de ordem e de tranq\u00fcilidade.<\/p>\n<p><strong>7<\/strong><\/p>\n<p>O Espiritismo se apresenta sob tr\u00eas aspectos diferentes: as manifesta\u00e7\u00f5es, os princ\u00edpios de filosofia e de moral que delas decorrem e a aplica\u00e7\u00e3o desses princ\u00edpios; da\u00ed, tr\u00eas classes, ou tr\u00eas graus, entre os esp\u00edritas:<\/p>\n<p>1\u00aa) aqueles que acreditam nas manifesta\u00e7\u00f5es e se limitam em constat\u00e1-las: para eles, o Espiritismo \u00e9 uma ci\u00eancia experimental;<\/p>\n<p>2\u00aa) aqueles que compreendem suas conseq\u00fc\u00eancias morais;<\/p>\n<p>3\u00aa) aqueles que praticam ou se esfor\u00e7am para praticar essa moral.<\/p>\n<p>Seja qual for o ponto de vista, cient\u00edfico ou moral, sob o qual se considerem esses fen\u00f4menos, cada um deles significa que \u00e9 uma ordem totalmente nova de id\u00e9ias que surge, cujas conseq\u00fc\u00eancias resultar\u00e3o numa profunda modifica\u00e7\u00e3o na humanidade, e tamb\u00e9m compreende que essa modifica\u00e7\u00e3o pode apenas acontecer no sentido do bem.<\/p>\n<p>Quanto aos advers\u00e1rios, pode-se tamb\u00e9m classific\u00e1-los em tr\u00eas categorias: 1\u00aa) aqueles que negam sistematicamente tudo o que \u00e9 novo ou que n\u00e3o vem deles e que falam disso sem conhecimento de causa. A essa classe pertencem os que n\u00e3o admitem nada fora da evid\u00eancia dos sentidos; n\u00e3o viram nada, nada querem ver e ainda menos se aprofundar. Ficariam at\u00e9 mesmo aborrecidos se vissem as coisas muito claramente, com medo de serem for\u00e7ados a admitir que n\u00e3o t\u00eam raz\u00e3o. Para eles, o Espiritismo \u00e9 uma fantasia, uma loucura, uma utopia; ele n\u00e3o existe: est\u00e1 dito tudo. S\u00e3o os incr\u00e9dulos de prop\u00f3sito. Ao lado deles, pode-se colocar aqueles que n\u00e3o se dignam em dar aos fatos a m\u00ednima aten\u00e7\u00e3o, nem por desencargo de consci\u00eancia, e poderem dizer: quis ver e nada vi. N\u00e3o compreendem que seja preciso mais de meia hora para se dar conta de toda uma ci\u00eancia. 2\u00aa) Aqueles que, sabendo muito bem o que pensar da realidade dos fatos, os combatem, todavia, por motivos de interesse pessoal. Para eles, o Espiritismo existe, mas t\u00eam medo de suas conseq\u00fc\u00eancias; atacam-no como a um inimigo. 3\u00aa) aqueles que encontram na moral esp\u00edrita uma censura muito severa aos seus atos e \u00e0s suas tend\u00eancias. O Espiritismo, levado a s\u00e9rio, os incomodaria; eles nem o rejeitam nem o aprovam: preferem fechar os olhos. Os primeiros s\u00e3o dominados pelo orgulho e pela presun\u00e7\u00e3o; os segundos, pela ambi\u00e7\u00e3o; os terceiros, pelo ego\u00edsmo. Compreende-se que essas causas de oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tendo nada de s\u00f3lido, devem desaparecer com o tempo, porque procurar\u00edamos em v\u00e3o uma quarta classe de antagonistas, opositores que se apoiassem em provas contr\u00e1rias, concretas, e apresentassem um estudo contestador mas bem claro da quest\u00e3o. Todos apenas op\u00f5em a nega\u00e7\u00e3o, nenhum oferece demonstra\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e irrefut\u00e1vel.<\/p>\n<p>Seria esperar demais da natureza humana acreditar que ela possa se transformar subitamente pelas id\u00e9ias esp\u00edritas. A a\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia esp\u00edrita n\u00e3o \u00e9 claramente nem a mesma, nem no mesmo grau em todos aqueles que as professam. Mas, seja qual for o resultado, por pequeno que seja, \u00e9 sempre um melhoramento, bastar\u00e1 apenas provar a exist\u00eancia de um mundo extra-corp\u00f3reo, o que implica a nega\u00e7\u00e3o das doutrinas materialistas. Isso \u00e9 a pr\u00f3pria conseq\u00fc\u00eancia da observa\u00e7\u00e3o dos fatos. Por\u00e9m, para os que compreendem o Espiritismo filos\u00f3fico e nele v\u00eaem al\u00e9m dos fen\u00f4menos mais ou menos curiosos, os efeitos s\u00e3o outros. O primeiro, e mais geral, \u00e9 de desenvolver o sentimento religioso at\u00e9 mesmo naquele que, sem ser materialista, sente apenas indiferen\u00e7a pelas coisas espirituais. Disso resultar\u00e1 para ele a serenidade perante a morte; por\u00e9m, em vez de desprezar ou desejar a morte, o esp\u00edrita defender\u00e1 sua vida como outro qualquer, mas tranq\u00fcilamente aceita, sem lamentos, uma morte inevit\u00e1vel como uma coisa mais feliz do que tem\u00edvel, pela certeza que tem do que lhe acontecer\u00e1. O segundo efeito, quase t\u00e3o geral quanto o primeiro, \u00e9 a resigna\u00e7\u00e3o nas altern\u00e2ncias da vida. O Espiritismo faz ver as coisas de t\u00e3o alto que a vida terrestre passa a ter a sua verdadeira import\u00e2ncia e o homem n\u00e3o se aflige tanto com os tormentos que o acompanham: da\u00ed, quanto mais coragem nas afli\u00e7\u00f5es, mais modera\u00e7\u00e3o nos desejos; da\u00ed tamb\u00e9m o afastamento do pensamento de abreviar seus dias, porque a ci\u00eancia esp\u00edrita ensina que, pelo suic\u00eddio, perde-se sempre o que se queria ganhar. A certeza de um futuro que depende de n\u00f3s mesmos tornar feliz, a possibilidade de estabelecer rela\u00e7\u00f5es com seres que nos s\u00e3o queridos oferecem ao esp\u00edrita uma consola\u00e7\u00e3o suprema. Seu horizonte se amplia at\u00e9 ao infinito pelo espet\u00e1culo incessante que tem da vida al\u00e9m da morte, da qual pode sondar os mist\u00e9rios profundos. O terceiro efeito \u00e9 estimular no homem o perd\u00e3o e a toler\u00e2ncia para com os defeitos dos outros. Mas \u00e9 preciso ficar claro que o princ\u00edpio ego\u00edsta e tudo que dele decorre s\u00e3o o que existe de mais obstinado no homem e, conseq\u00fcentemente, o mais dif\u00edcil de arrancar pela raiz. Fazemos sacrif\u00edcios voluntariamente, contanto que nada custem e de nada nos privem. O dinheiro ainda \u00e9, para o maior n\u00famero de pessoas, um atrativo irresist\u00edvel, e bem poucos compreendem a palavra sup\u00e9rfluo, quando se trata de sua pessoa. Assim a ren\u00fancia da personalidade \u00e9 sinal do mais eminente progresso.<\/p>\n<p><strong>8<\/strong><\/p>\n<p>Os Esp\u00edritos, perguntam certas pessoas, nos ensinam uma moral nova, superior \u00e0 que ensinou o Cristo? Se essa moral \u00e9 a do Evangelho, para que serve o Espiritismo? Esse racioc\u00ednio assemelha-se ao do califa Omar, referindo-se \u00e0 biblioteca de Alexandria: \u201cSe ela cont\u00e9m, dizia ele, apenas o que existe no Alcor\u00e3o, \u00e9 in\u00fatil; portanto, deve ser queimada. Se cont\u00e9m outra coisa, \u00e9 m\u00e1; portanto, ainda \u00e9 preciso queim\u00e1-la\u201d. N\u00e3o, o Espiritismo n\u00e3o ensina uma moral diferente da de Jesus; mas perguntaremos: Antes de Cristo os homens n\u00e3o tinham a lei dada por Deus a Mois\u00e9s? Sua doutrina n\u00e3o se encontra no Dec\u00e1logo? Por isso, se dir\u00e1 que a moral de Jesus era in\u00fatil? Perguntaremos ainda \u00e0queles que negam a utilidade da moral esp\u00edrita: por que a do Cristo \u00e9 t\u00e3o pouco praticada e porque os que lhe proclamam com justi\u00e7a a sublimidade s\u00e3o os primeiros a violar a primeira de suas leis: a caridade universal? Os Esp\u00edritos v\u00eam n\u00e3o apenas confirm\u00e1-la, mas mostram sua utilidade pr\u00e1tica; tornam intelig\u00edveis e claras verdades que tinham sido ensinadas apenas sob forma aleg\u00f3rica; e, ao lado da moral, v\u00eam definir os problemas mais profundos da psicologia.<\/p>\n<p>Jesus veio mostrar aos homens o caminho do verdadeiro bem; porque Deus, que o enviou para fazer lembrar sua lei desprezada, n\u00e3o enviaria hoje Esp\u00edritos para lhes lembrar de novo e com mais precis\u00e3o, quando a esquecem para tudo sacrificar ao orgulho e \u00e0 cobi\u00e7a? Quem ousaria impor limites ao poder de Deus e Lhe tra\u00e7ar normas? Quem nos diz que, como afirmam os Esp\u00edritos, n\u00e3o s\u00e3o chegados os tempos preditos e que n\u00e3o chegamos ao tempo em que as verdades mal compreendidas ou falsamente interpretadas devam ser abertamente reveladas \u00e0 humanidade para apressar seu adiantamento? N\u00e3o h\u00e1 algo de providencial nessas manifesta\u00e7\u00f5es que se produzem simultaneamente em todos os pontos do globo? N\u00e3o \u00e9 apenas um \u00fanico homem, ou um profeta, que vem nos advertir. A luz surge de todas as partes. \u00c9 um mundo totalmente novo que se desdobra aos nossos olhos. Assim como a inven\u00e7\u00e3o do microsc\u00f3pio nos mostrou o mundo dos infinitamente pequenos que desconhec\u00edamos que existissem e o telesc\u00f3pio nos mostrou milhares de s\u00f3is e planetas que tamb\u00e9m desconhec\u00edamos, as comunica\u00e7\u00f5es esp\u00edritas revelam o mundo invis\u00edvel que nos cerca, cujos habitantes se acotovelam conosco constantemente e, contra nossa vontade, tomam parte em tudo que fazemos. Mais algum tempo e a exist\u00eancia desse mundo, que nos espera, tamb\u00e9m ser\u00e1 t\u00e3o incontest\u00e1vel quanto o mundo microsc\u00f3pico e dos s\u00f3is e planetas que giram no espa\u00e7o. De nada, ent\u00e3o, nos valer\u00e1 nos terem feito conhecer todo um mundo? De nos ter iniciado nos mist\u00e9rios da vida al\u00e9m-morte? \u00c9 verdade que essas descobertas, se assim podemos chamar, contrariam de certo modo certas id\u00e9ias pr\u00e9-estabelecidas. Mas todas as grandes descobertas cient\u00edficas n\u00e3o modificaram igualmente, e at\u00e9 mesmo derrubaram, as id\u00e9ias de maior cr\u00e9dito? E n\u00e3o foi preciso que nosso amor-pr\u00f3prio se curvasse diante da evid\u00eancia?<\/p>\n<p>O mesmo acontecer\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o ao Espiritismo e, em pouco tempo, ele ter\u00e1 o direito de ser citado entre os conhecimentos humanos.<\/p>\n<p>As comunica\u00e7\u00f5es com os seres desencarnados deram por resultado nos fazer compreender a vida futura, fazendo com que a vejamos, nos preparando para os sofrimentos e prazeres que nos esperam segundo nossos m\u00e9ritos e por isso mesmo encaminhar para o espiritualismo aqueles que viam nos homens apenas a mat\u00e9ria, a m\u00e1quina organizada. Tamb\u00e9m tivemos raz\u00e3o em dizer que o Espiritismo matou o materialismo pelos fatos. Se tivesse produzido apenas esse resultado, j\u00e1 bastante gratid\u00e3o lhe deveria a sociedade; por\u00e9m, faz mais: mostra os inevit\u00e1veis efeitos do mal e, conseq\u00fcentemente, a necessidade do bem. O n\u00famero daqueles a quem proporcionou sentimentos melhores, neutralizou as m\u00e1s tend\u00eancias e desviou do mal \u00e9 maior do que se pode pensar e aumenta todos os dias. \u00c9 que para estes o futuro deixou de ser uma coisa imprecisa, vaga; n\u00e3o \u00e9 mais uma simples esperan\u00e7a, \u00e9 uma verdade que se compreende, que se explica, quando se v\u00eaem e ouvem aqueles que v\u00eam at\u00e9 n\u00f3s se lamentar ou se felicitar pelo que fizeram na Terra. Todo aquele que \u00e9 testemunha disso se p\u00f5e a refletir e sente a necessidade de se conhecer, de se julgar e de se modificar.<\/p>\n<p><strong>9<\/strong><\/p>\n<p>Os advers\u00e1rios do Espiritismo n\u00e3o se esqueceram de se armar contra ele com algumas diverg\u00eancias de opini\u00f5es sobre certos pontos da Doutrina. N\u00e3o deveria causar estranheza nem \u00e9 de admirar que, no in\u00edcio de uma ci\u00eancia, quando as observa\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o incompletas e cada um a considera sob seu ponto de vista, sistemas contradit\u00f3rios tenham oportunidade de aparecer. Mas, hoje, a grande maioria desses sistemas j\u00e1 caiu diante de um estudo mais aprofundado, a come\u00e7ar pelo que atribu\u00eda todas as comunica\u00e7\u00f5es ao Esp\u00edrito do mal, como se fosse imposs\u00edvel a Deus enviar aos homens bons Esp\u00edritos; doutrina absurda, pois \u00e9 desmentida pelos fatos; incr\u00e9dula, porque \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do poder e da bondade do Criador. Os Esp\u00edritos sempre nos aconselharam a n\u00e3o nos inquietarmos com essas diverg\u00eancias e que a unidade se daria. A unidade j\u00e1 est\u00e1 firmada na maioria dos pontos, e as diverg\u00eancias tendem cada dia a desaparecer. Com rela\u00e7\u00e3o a essa quest\u00e3o perguntou-se aos Esp\u00edritos: enquanto se aguarda a uni\u00e3o, sobre o que pode o homem imparcial e desinteressado basear-se para formar um julgamento? Eis a resposta:<\/p>\n<p>\u201cA luz mais pura n\u00e3o \u00e9 obscurecida por nenhuma nuvem; o diamante puro tem mais valor; julgai, portanto, os Esp\u00edritos, de acordo com a pureza de seus ensinamentos. N\u00e3o esque\u00e7ais que entre os Esp\u00edritos existem aqueles que ainda n\u00e3o se livraram das id\u00e9ias da vida terrestre; sabei distingui-los por sua linguagem; julgai-os pelo conjunto do que dizem; vede se existe encadeamento l\u00f3gico em suas id\u00e9ias; se nelas nada revela ignor\u00e2ncia, orgulho ou malevol\u00eancia; em resumo, se suas palavras trazem sempre o cunho da sabedoria que manifesta a verdadeira superioridade. Se vosso mundo fosse inacess\u00edvel ao erro, seria perfeito, e ele est\u00e1 longe disso. Ainda estais nele para aprender a distinguir o erro da verdade; faltam as li\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia para exercer vosso julgamento e vos fazer avan\u00e7ar. A unidade se produzir\u00e1 do lado em que o bem nunca foi misturado com o mal; \u00e9 desse lado que os homens se unir\u00e3o pela for\u00e7a das coisas, porque reconhecer\u00e3o que a\u00ed est\u00e1 a verdade.<\/p>\n<p>Que importam, ali\u00e1s, algumas diverg\u00eancias que est\u00e3o mais na forma do que no fundo! Notai que os princ\u00edpios fundamentais s\u00e3o por toda parte os mesmos e devem vos unir por um pensamento comum: o amor de Deus e a pr\u00e1tica do bem. Seja qual for, assim, o modo de progresso que se sup\u00f5e ou as condi\u00e7\u00f5es normais de exist\u00eancia futura, o objetivo final \u00e9 o mesmo: fazer o bem; portanto, n\u00e3o existem duas maneiras de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Se, entre os adeptos do Espiritismo, existem aqueles que diferem de opini\u00e3o sobre alguns pontos da teoria, todos concordam sobre os pontos fundamentais. H\u00e1, portanto, unidade, exceto da parte dos que, em n\u00famero muito reduzido, n\u00e3o admitem ainda a interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos nas manifesta\u00e7\u00f5es e as atribuem ou a causas puramente f\u00edsicas, o que \u00e9 contr\u00e1rio a esta m\u00e1xima: \u201cTodo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente\u201d, ou a um reflexo do pr\u00f3prio pensamento<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-03.html#4\"><sup>4<\/sup><\/a> dos homens, o que \u00e9 desmentido pelos fatos. Os outros pontos s\u00e3o apenas secund\u00e1rios e n\u00e3o comprometem em nada as bases fundamentais. Pode, portanto, haver escolas que procuram se esclarecer sobre as partes ainda controvertidas da ci\u00eancia, mas n\u00e3o devem ser rivais entre si. A contradi\u00e7\u00e3o apenas deve existir entre aqueles que querem o bem e aqueles que fariam ou desejariam o mal. Ora, n\u00e3o existe um esp\u00edrita sincero e compenetrado nos grandes ensinamentos morais ensinados pelos Esp\u00edritos que possa querer o mal nem desejar o mal de seu pr\u00f3ximo sem distin\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o. Se uma dessas escolas est\u00e1 no erro, a luz, cedo ou tarde, se far\u00e1 para ela, desde que haja boa-f\u00e9 e aus\u00eancia de preven\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, todas t\u00eam um la\u00e7o comum que deve uni-las em um mesmo pensamento; todas t\u00eam um mesmo objetivo. Pouco importa o caminho, uma vez que conduza a essa meta. Nenhuma deve se impor pelo constrangimento material ou moral, e estaria no caminho falso apenas aquela que condenasse ou reprovasse a outra, porque agiria evidentemente sob a influ\u00eancia de maus Esp\u00edritos. A raz\u00e3o deve ser o supremo argumento e a modera\u00e7\u00e3o assegurar\u00e1 melhor o triunfo da verdade do que as cr\u00edticas envenenadas pela inveja e pelo ci\u00fame. Os bons Esp\u00edritos ensinam apenas a uni\u00e3o e o amor ao pr\u00f3ximo. Nunca um pensamento mau ou contr\u00e1rio \u00e0 caridade pode provir de uma fonte pura. Estudemos sobre este assunto e, para terminar, os conselhos do Esp\u00edrito de Santo Agostinho:<\/p>\n<p>\u201cPor muito tempo, os homens se estra\u00e7alharam e se amaldi\u00e7oaram em nome de um Deus de paz e de miseric\u00f3rdia, ofendendo-o com semelhante sacril\u00e9gio. O Espiritismo \u00e9 o la\u00e7o que os unir\u00e1 um dia, porque mostrar\u00e1 onde est\u00e1 a verdade e onde est\u00e1 o erro. Mas haver\u00e1 ainda por muito tempo escribas e fariseus<a href=\"http:\/\/www.espirito.org.br\/portal\/codificacao\/le\/le-4-03.html#5\"><sup>5<\/sup><\/a> que o negar\u00e3o, como negaram o Cristo. Quereis saber sob a influ\u00eancia de que Esp\u00edritos est\u00e3o as diversas seitas que dividiram entre si o mundo? Julgai-as por suas obras e princ\u00edpios. Nunca os bons Esp\u00edritos foram os instigadores do mal; nunca aconselharam nem legitimaram o assassinato e a viol\u00eancia; nunca excitaram os \u00f3dios dos partidos, nem a sede das riquezas e das honras, nem a avidez dos bens da Terra. Somente aqueles que s\u00e3o bons, humanos e benevolentes para com todos s\u00e3o seus preferidos e s\u00e3o tamb\u00e9m os preferidos de Jesus, porque seguem o caminho indicado para chegar at\u00e9 ele.\u201d<\/p>\n<p>Santo Agostinho<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Fen\u00f4meno das mesas girantes<\/strong>: na Introdu\u00e7\u00e3o, cap\u00edtulo 3, Allan Kardec se refere \u201c\u00e0 s\u00e9rie progressiva dos fen\u00f4menos\u201d, a hist\u00f3ria que acabaria por originar esta obra. Entre eles est\u00e1 a das mesas falantes ou girantes (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Lit\u00fargico<\/strong>: referente \u00e0 liturgia, que \u00e9 o culto p\u00fablico e oficial institu\u00eddo por uma igreja; ritual (N. E.).<\/li>\n<li><strong>Detrator<\/strong>: aquele que deprecia ou difama o m\u00e9rito ou a reputa\u00e7\u00e3o de alguma coisa (N. E.).<\/li>\n<li>No item 16 da Introdu\u00e7\u00e3o, Kardec faz uma reflex\u00e3o e um estudo sobre a quest\u00e3o (N. E.).<\/li>\n<li>Escribas e fariseus: figuras do Evangelho. Neste caso, gente falsa, fingida, p\u00e9rfida, trai\u00e7oeira (N. E.).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Livro dos Esp\u00edritos Conclus\u00e3o 1 Aquele que do magnetismo terrestre conhece apenas o brinquedo dos patinhos imantados, que se movimentam numa bacia com \u00e1gua sob a a\u00e7\u00e3o do \u00edm\u00e3, dificilmente poder\u00e1 compreender que ali est\u00e1 o segredo do mecanismo &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-livro-dos-espiritos\/7-conclusao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":4231,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4316","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4316"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4316\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4324,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4316\/revisions\/4324"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}