{"id":533,"date":"2013-04-03T20:34:29","date_gmt":"2013-04-03T23:34:29","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=533"},"modified":"2013-04-03T20:34:29","modified_gmt":"2013-04-03T23:34:29","slug":"questao-do-abortamento-do-anencefalo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/aborto\/questao-do-abortamento-do-anencefalo\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o do Abortamento do Anenc\u00e9falo"},"content":{"rendered":"<p>A QUEST\u00c3O DO ABORTAMENTO PROVOCADO DO CHAMADO ANENC\u00c9FALO<\/p>\n<p>Por Dra. Irv\u00eania Prada*<\/p>\n<p>Uma vez que o abortamento provocado, de um feto, implica em sua morte, ou seja, no t\u00e9rmino intencional de sua vida, o que \u00e9 decidido e executado por outras pessoas, alheias \u00e0 sua individualidade, reveste-se, o assunto, da mais alta gravidade. As considera\u00e7\u00f5es que se seguem acham-se afetas a algumas das raz\u00f5es que sustentam nossa postura contra esse procedimento.<\/p>\n<p>O que \u00e9 a Vida?<\/p>\n<p>Para Vieira, em &#8220;A Mente Humana&#8221; (1985), a manifesta\u00e7\u00e3o da vida implica em PRINC\u00cdPIO, PROGRAMA e PROJETO (finalidade) que, biologicamente \u00e9 ESCATOL\u00d3GICO, pois a ci\u00eancia tem conhecimento das fases do desenvolvimento f\u00edsico, do zigoto \u00e0 morte. Mas, na vis\u00e3o filos\u00f3fica, o PROCESSO do viver representa um PROJETO TELEON\u00d4MICO, pois nem sequer sabemos &#8220;o que&#8221; \u00e9 a vida, nem o &#8220;por que&#8221; ela acontece. Na consuma\u00e7\u00e3o do PROJETO ESCATOL\u00d3GICO (morte da mat\u00e9ria), restam indaga\u00e7\u00f5es sobre o &#8220;destino&#8221; desse &#8220;alento&#8221; (vida, alma, esp\u00edrito, mente&#8230;) que animou o corpo.<\/p>\n<p>Assim, ao serem considerados esses tr\u00eas elementos &#8211; mente, vida e corpo, devemos refletir se a ocorr\u00eancia de uma varia\u00e7\u00e3o (anencefalia) na execu\u00e7\u00e3o do PROGRAMA ESCATOL\u00d3GICO de desenvolvimento do corpo f\u00edsico de um ser humano que \u00e9 \u00fanico, no universo, constitui raz\u00e3o suficiente para que nos arvoremos em decidir pela interrup\u00e7\u00e3o de sua vida, desconsiderando, assim, todas as repercuss\u00f5es desse ato, em seu PROJETO TELEON\u00d4MICO, cujo conte\u00fado desconhecemos, particularmente pelos canais da ci\u00eancia acad\u00eamica. \u00c9 bem verdade que a Doutrina Esp\u00edrita tem desvelado o profundo significado da realidade do esp\u00edrito que, no suceder das reencarna\u00e7\u00f5es vem cursar a escola da vida na busca de sua cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o anenc\u00e9falo ?<\/p>\n<p>Sendo o enc\u00e9falo constitu\u00eddo de tronco encef\u00e1lico, c\u00e9rebro e cerebelo, o termo anenc\u00e9falo deveria aplicar-se apenas ao indiv\u00edduo com total aus\u00eancia de enc\u00e9falo.<\/p>\n<p>Entretanto, os fetos chamados de anenc\u00e9falos mostram uma grande variedade de ocorr\u00eancia de preserva\u00e7\u00e3o de partes do enc\u00e9falo, de modo geral aquelas mais profundas, representadas pelo tronco encef\u00e1lico, pelo dienc\u00e9falo (que Penfield, 1983, chama de tronco cerebral alto) e at\u00e9 mesmo por estruturas dos hemisf\u00e9rios cerebrais, por vezes do pr\u00f3prio c\u00f3rtex cerebral. Pode-se tamb\u00e9m observar aus\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o da l\u00e2mina \u00f3ssea da por\u00e7\u00e3o mais alta da cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Portanto, cada caso \u00e9 um caso, mas certamente para todas as ocorr\u00eancias, a designa\u00e7\u00e3o de anenc\u00e9falo para um feto que se desenvolve, \u00e9 totalmente inadequada. Se o feto evolui em seu processo gestacional, se tem controle autom\u00e1tico de seus batimentos card\u00edacos e de outras fun\u00e7\u00f5es viscerais, \u00e9 porque tem estruturas neurais compat\u00edveis, representadas no m\u00ednimo, pelo tronco encef\u00e1lico. Alem do mais, a utiliza\u00e7\u00e3o corriqueira desse termo favorece, para os leigos, a constru\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia equivocada e generalizada de que, &#8220;n\u00e3o tendo c\u00e9rebro&#8221;, nada se pode fazer por esse feto, sen\u00e3o abort\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Mesmo no pr\u00f3prio meio esp\u00edrita, muitos confrades, certamente apoiados no importante conceito emitido por Andr\u00e9 Luiz em &#8220;No Mundo Maior&#8221;, cap. 4, de que &#8220;o c\u00e9rebro \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o de express\u00e3o da mente&#8221;, concluem erroneamente que esse feto &#8220;n\u00e3o tendo c\u00e9rebro&#8221;, tamb\u00e9m n\u00e3o deve esp\u00edrito, o que justificaria seu abortamento. Conforme elucida a Dra. Marlene Nobre (Folha Esp\u00edrita no. 368), &#8220;H\u00e1 in\u00fameros anenc\u00e9falos que persistem vivos por horas ou dias, ap\u00f3s o nascimento, mesmo desconectados do cord\u00e3o umbelical, justamente porque possuem o c\u00e9rebro primitivo, respons\u00e1vel pelas fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas instintivas&#8221;.<\/p>\n<p>Em O Livro dos Esp\u00edritos, 356-b, Kardec pergunta: &#8220;Toda crian\u00e7a que sobrevive tem, necessariamente, um Esp\u00edrito encarnado?&#8221; A resposta n\u00e3o deixa d\u00favidas de que \u00e9 afirmativa: &#8220;Que seria ela, sem o Esp\u00edrito? N\u00e3o seria um ser humano&#8221;. A Dra. Marlene Nobre, na mesma fonte indicada, complementa o esclarecimento: &#8220;&#8230;os corpos para os quais poder\u00edamos afirmar que nenhum esp\u00edrito estaria destinado seriam os dos fetos teratol\u00f3gicos, monstruosos, que n\u00e3o tem nenhuma apar\u00eancia humana, nem \u00f3rg\u00e3os em funcionamento&#8221;.<\/p>\n<p>Havendo preserva\u00e7\u00e3o de alguma parte do enc\u00e9falo, o que isso representa?<\/p>\n<p>Paul Mac Lean, em &#8220;O C\u00e9rebro Trino em Evolu\u00e7\u00e3o&#8221;, 1968 considera, no enc\u00e9falo humano, tr\u00eas forma\u00e7\u00f5es que se disp\u00f5em concentricamente: a reptiliana (tronco encef\u00e1lico), a paleomam\u00edfera (sistema l\u00edmbico) e a neomam\u00edfera (neocortex). A primeira compreende o tronco encef\u00e1lico e o complexo sens\u00f3rio &#8211; motor representado pelo t\u00e1lamo e o corpo estriado. Sendo respons\u00e1vel pelo automatismo de fun\u00e7\u00f5es viscerais b\u00e1sicas como respira\u00e7\u00e3o e controle cardiovascular, o autor considera que esse segmento &#8220;tem uma mente pr\u00f3pria&#8221;.<\/p>\n<p>Diferentemente da concep\u00e7\u00e3o monista materialista de muitos cientistas da atualidade, Wilder Penfield, eminente neurocientista, em &#8220;O Mist\u00e9rio da Mente&#8221;, 1983, cap. 05, afirma: &#8220;O indispens\u00e1vel substrato da consci\u00eancia localiza-se fora do c\u00f3rtex cerebral, provavelmente no dienc\u00e9falo (o tronco cerebral alto), &#8220;porta de entrada e de sa\u00edda da mente&#8221; (final do cap. 12), dimens\u00e3o que, segundo considera, &#8220;tem uma energia diferente daquela dos potenciais neuronais que percorrem os caminhos axonais&#8221;. Penfield considera importantes as liga\u00e7\u00f5es desse segmento com \u00e1reas nobres dos hemisf\u00e9rios cerebrais (temporal e pr\u00e9-frontal), do que resultaria a &#8220;exterioriza\u00e7\u00e3o&#8221; dos fen\u00f4menos da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Como a gl\u00e2ndula pineal localiza-se no dienc\u00e9falo, o enunciado cartesiano de que &#8220;a pineal \u00e9 a sede da alma&#8221; encontra eco na concep\u00e7\u00e3o do Sistema Centroencef\u00e1lico de Penfield.<\/p>\n<p>Portanto, o feto chamado erroneamente de anenc\u00e9falo tem sempre preservada a por\u00e7\u00e3o mais profunda do enc\u00e9falo, respons\u00e1vel pelo controle autom\u00e1tico de fun\u00e7\u00f5es viscerais como batimentos card\u00edacos e capacidade de respirar por si pr\u00f3prio, ao nascer. Esse segmento tem ainda a possibilidade de representar substrato importante para a mente e a consci\u00eancia (sistema centroencef\u00e1lico de Penfield).<\/p>\n<p>Como ainda s\u00e3o obscuros, para n\u00f3s, os mist\u00e9rios da rela\u00e7\u00e3o c\u00e9rebro-mente, n\u00e3o podemos permitir que nossa ignor\u00e2ncia seja a condutora de decis\u00f5es equivocadas como a do abortamento provocado desse feto.<\/p>\n<p>O que a Ci\u00eancia e a \u00c9tica t\u00eam a dizer?<\/p>\n<p>Conforme refere a Dra. Marlene Nobre, em &#8220;O Clamor da Vida&#8221;, 2000, cap. 1, a ci\u00eancia j\u00e1 se ocupa do significado do zigoto. Assim, dentre in\u00fameras cita\u00e7\u00f5es, destaca-se a de Moore e Persaud (2002, p. 2), para quem &#8220;o desenvolvimento humano \u00e9 um processo cont\u00ednuo que come\u00e7a quando o ov\u00f3cito de uma mulher \u00e9 fecundado por um espermatoz\u00f3ide de um homem&#8230; o zigoto e o embri\u00e3o inicial s\u00e3o organismos humanos vivos, nos quais j\u00e1 est\u00e3o fixadas todas as bases do indiv\u00edduo adulto&#8221;. Sendo assim, conclui a autora, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel interromper qualquer ponto do continuum &#8211; zigoto, embri\u00e3o, feto, crian\u00e7a, adulto, velho &#8211; sem causar danos irrevers\u00edveis ao bem maior, que \u00e9 a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>* Dr. Irv\u00eania Prada \u00e9 m\u00e9dica veterin\u00e1ria pela Universidade de S\u00e3o Paulo, professora titular em Neuroanatomia na Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria da USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A QUEST\u00c3O DO ABORTAMENTO PROVOCADO DO CHAMADO ANENC\u00c9FALO Por Dra. 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