{"id":597,"date":"2013-04-10T20:00:23","date_gmt":"2013-04-10T23:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=597"},"modified":"2013-04-21T18:51:35","modified_gmt":"2013-04-21T21:51:35","slug":"6-fidelidade-a-deus","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/6-fidelidade-a-deus\/","title":{"rendered":"06 &#8211; Fidelidade a Deus"},"content":{"rendered":"<p>6 &#8211; FIDELIDADE A DEUS<\/p>\n<p>&#8211; Da Obra Boa Nova de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier.<\/p>\n<p>Depois das primeiras pr\u00e9dicas de Jesus, respeito aos trabalhos ingentes que a edifica\u00e7\u00e3o do reino de Deus exigia dos seus disc\u00edpulos, esbo\u00e7ou-se na fraterna comunidade um leve movimento de incompreens\u00e3o. Qu\u00ea? pois a Boa Nova reclamaria tamanhos sacrif\u00edcios? Ent\u00e3o o Senhor, que sondava o \u00edntimo de seus companheiros diletos, os reuniu, uma noite, quando a turba os deixara a s\u00f3s e j\u00e1 algumas horas haviam passado sobre o p\u00f4r do Sol.<\/p>\n<p>Interrogando-os vivamente, provocou a manifesta\u00e7\u00e3o dos seus pensamentos e d\u00favidas mais \u00edntimas. Ap\u00f3s escutar-lhes as confid\u00eancias simples e sinceras, o Mestre ponderou:<\/p>\n<p>&#8211; Na causa de Deus, a fidelidade deve ser uma das primeiras virtudes. Onde o filho e o pai que n\u00e3o desejam estabelecer, como ideal de uni\u00e3o, a confian\u00e7a integral e rec\u00edproca? N\u00f3s n\u00e3o podemos duvidar da fidelidade do Nosso Pai para conosco. Sua dedica\u00e7\u00e3o nos cerca os esp\u00edritos, desde o primeiro dia. Ainda n\u00e3o o conhec\u00edamos e j\u00e1 ele nos amava. E, acaso, poderemos desdenhar a possibilidade da retribui\u00e7\u00e3o? N\u00e3o seria repudiarmos o t\u00edtulo de filhos amorosos, o fato de nos deixarmos absorver no afastamento, favorecendo a nega\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Como os disc\u00edpulos o escutassem atentos, bebendo-lhe os ensinos, o Mestre acrescentou:<\/p>\n<p>&#8211; Tudo na vida tem o pre\u00e7o que lhe corresponde. Se vacilais receosos ante as b\u00ean\u00e7\u00e3os do sacrif\u00edcio e as alegrias do trabalho, meditai nos tributos que a fidelidade ao mundo exige. O prazer n\u00e3o costuma cobrar do homem um imposto alto e doloroso? Quanto pagar\u00e3o, em flagela\u00e7\u00f5es \u00edntimas, o vaidoso e o avarento? Qual o pre\u00e7o que o mundo reclama ao gozador e ao mentiroso?<\/p>\n<p>Ao clar\u00e3o alvacento da Lua, como pai bondoso rodeado de seus filhinhos, Jesus reconheceu que os disc\u00edpulos, diante das suas cariciosa perguntas, haviam transformado a atitude mental, como que iluminados por s\u00fabito clar\u00e3o.<\/p>\n<p>Timidamente, Tiago, filho de Alfeu, contou a hist\u00f3ria de um amigo que arruinara a sa\u00fade, por excessos nos prazeres conden\u00e1veis.<\/p>\n<p>Tadeu falou de um conhecido que, depois de ganhar grande fortuna, se havia tornado avarento e mesquinho a ponto de privar-se do necess\u00e1rio, para multiplicar o n\u00famero de suas moedas, acabando assassinado pelos ladr\u00f5es.<\/p>\n<p>Pedro recordou o caso de um pescador de sua intimidade, que sucumbira tragicamente, por efeito de sua desmedida ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jesus, depois de ouvi-los, satisfeito, perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o achais enorme o tributo que o mundo exige dos que se apegam aos seus gozos e riquezas? Se o mundo pede tanto, por que n\u00e3o poderia Deus pedir-nos lealdade ao cora\u00e7\u00e3o? Trabalhamos agora pela institui\u00e7\u00e3o divina do seu reino na Terra; mas, desde quando estar\u00e1 o Pai trabalhando por n\u00f3s?<\/p>\n<p>As interrogativas pairavam no espa\u00e7o sem resposta dos disc\u00edpulos, porque, acima de tudo, eles ouviam a que lhes dava o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. Do firmamento infinito os reflexos do luar se projetavam no len\u00e7ol tranquilo do lago, dando a impress\u00e3o de encantador caminho para o horizonte, aberto sobre as \u00e1guas, por entre deslumbramentos de luz.<\/p>\n<p>Enquanto os companheiros meditavam no que dissera Jesus, Tiago se lhe dirigiu, nestes termos:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, tenho um amigo, de Corazim, que vos ouviu a palavra santificante e desejava seguir-vos; por\u00e9m, asseverou-me que o reino pregado pela vossa bondade est\u00e1 cheio de numerosos obst\u00e1culos, acrescentando que Deus deve mostrar-se a n\u00f3s outros somente na vit\u00f3ria e na ventura. Devo confessar que hesitei ante as suas observa\u00e7\u00f5es, mas, agora, esclarecido pelos vossos ensinamentos, melhor vos compreendo e afirmo-vos que nunca esquecerei minha fidelidade ao reino! &#8230;<\/p>\n<p>A voz do ap\u00f3stolo, na sua confiss\u00e3o espont\u00e2nea, se revelava tocada de entusiasmo doce e amigo e o Senhor, aproveitando a hora para a semeadura divina, exclamou, bondoso:<\/p>\n<p>&#8211; Tiago, nem todos podem compreender a verdade de uma s\u00f3 vez. Devemos considerar que o mundo est\u00e1 cheio de crentes que n\u00e3o entendem a prote\u00e7\u00e3o do c\u00e9u, sen\u00e3o nos dias de tranquilidade e de triunfo. N\u00f3s, por\u00e9m, que conhecemos a vontade suprema, temos que lhe seguir o roteiro. N\u00e3o devemos pensar no Deus que concede, mas no Pai que educa; n\u00e3o no Deus que recompensa, sim no Pai que aperfei\u00e7oa. Da\u00ed se segue que a nossa batalha pela reden\u00e7\u00e3o tem de ser perseverante e sem tr\u00e9gua&#8230;<\/p>\n<p>Nesse \u00ednterim, todos os companheiros de apostolado, manifestando o interesse que os esclarecimentos da noite lhes causavam, se puseram a perguntar, com respeito e carinho:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre exclamou um deles \u2014, n\u00e3o seria melhor exigirmos\u00a0\u00a0 do mundo para viver na incessante contempla\u00e7\u00e3o do reino? &#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Que dir\u00edamos do filho que se conservasse em perp\u00e9tuo repouso, junto de seu pai que trabalha sem cessar, no labor da grande fam\u00edlia? respondeu Jesus.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, de que modo se h\u00e1 de viver como homem e como ap\u00f3stolo do reino de Deus na face deste mundo? inquiriu Tadeu.<\/p>\n<p>&#8211; Em verdade, esclareceu o Messias \u2014, ningu\u00e9m pode servir, simultaneamente, a dois senhores. Fora absurdo viver ao mesmo tempo para os prazeres conden\u00e1veis da Terra e para as virtudes sublimes do c\u00e9u. O disc\u00edpulo (Ia Boa Nova tem de servir a Deus, servindo \u00e0 sua obra neste mundo. Ele sabe que se acha a laborar com muito esfor\u00e7o num grande campo, propriedade de seu Pai, que o observa com carinho e atenta com amor nos seus trabalhos. Imaginemos que esse campo estivesse cheio de inimigos: por toda parte, vermes asquerosos, v\u00edboras pe\u00e7onhentas, tratos de terra improdutiva. E certo que as for\u00e7as destruidoras reclamar\u00e3o a indiferen\u00e7a e a submiss\u00e3o do filho de Deus; mas, o filho de cora\u00e7\u00e3o fiel a seu Pai se lan\u00e7a ao trabalho com perseveran\u00e7a e boa-vontade. Entrar\u00e1 em luta silenciosa com o meio, sofrer-lhe-\u00e1 os tormentos com hero\u00edsmo espiritual, por amor do reino que traz no cora\u00e7\u00e3o plantar\u00e1 uma flor onde haja um espinho; abrir\u00e1 uma senda, embora estreita, onde estejam em confus\u00e3o os parasitos da Terra; cavar\u00e1 pacientemente, buscando as entranhas do solo, para que surja uma gota d\u2019\u00e1gua onde queime um deserto. Do \u00edntimo desse trabalhador brotar\u00e1 sempre um c\u00e2ntico de alegria, porque Deus o ama e segue com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Qual a primeira qualidade a cultivar no cora\u00e7\u00e3o perguntou um dos filhos de Zebedeu \u2014, para que nos sintamos plenamente identificados com a grandeza espiritual da tarefa?<\/p>\n<p>&#8211; Acima de todas as coisas respondeu o Mestre\u00a0\u00a0 \u00e9 preciso ser fiel a Deus.<\/p>\n<p>A pequena assembleia parecia altamente enlevada e satisfeita; mas, Andr\u00e9 inquiriu:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, nestes \u00faltimos dias, tenho-me sentido doente e receio n\u00e3o poder trabalhar como os demais companheiros. Como poderei ser fiel a Deus, estando enfermo?<\/p>\n<p>&#8211; Ouve &#8211; replicou o Senhor com certa \u00eanfase.\u00a0 Nos dias de calma, \u00e9 f\u00e1cil provar-se fidelidade e confian\u00e7a. N\u00e3o se prova, por\u00e9m, dedica\u00e7\u00e3o, verdadeiramente, sen\u00e3o nas horas tormentosas, em que tudo parece contrariar e perecer. O enfermo tem consigo diversas possibilidades de trabalhar para Nosso Pai, com mais altas probabilidade de \u00eaxito no servi\u00e7o. Tateando ou rastejando, busquemos servir ao Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, porque nas suas m\u00e3os divinas vive o Universo inteiro! &#8230;<\/p>\n<p>Andr\u00e9, se algum dia teus olhos se fecharem para a luz da Terra, serve a Deus com a tua palavra e com os ouvidos; se ficares mudo, toma, assim mesmo, a charrua.\u00a0 Valendo-te das tuas m\u00e3os. Ainda que ficasses privado dos olhos e da palavra, das m\u00e3os e dos p\u00e9s, poderias servir a Deus com a paci\u00eancia e a coragem, porque a virtude \u00e9 o verbo dessa fidelidade que nos conduzir\u00e1 ao amor dos amores!<\/p>\n<p>O grupo dos ap\u00f3stolos calara-se, impressionado, ante aquelas recomenda\u00e7\u00f5es. O luar esplendia sobre as \u00e1guas silenciosas. O mais leve ru\u00eddo n\u00e3o tra\u00eda o sil\u00eancio augusto da hora.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 chorava de emo\u00e7\u00e3o, enquanto os outros observavam a figura do Cristo, iluminada pelos clar\u00f5es da Lua, deixando entrever um amoroso sorriso. Ent\u00e3o, todos, impulsionado por soberana for\u00e7a interior, disseram, quase a um s\u00f3 tempo:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, seremos fi\u00e9is! . . .<\/p>\n<p>Jesus continuou a sorrir, como quem sabia a intensidade da luta a ser travada e conhecia a fragilidade das promessas humanas. Entretanto, do cora\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos jamais se apagou a lembran\u00e7a daquela noite luminosa de Cafarnaum, aurelada pelo ensinamento divino. Humilhados e perseguidos, crucificados na dor e esfolados vivos, souberam ser fi\u00e9is, atrav\u00e9s de todas as\u00a0vicissitudes\u00a0da Natureza, e, transformando suas ang\u00fastias e seus trabalhos num c\u00e2ntico de glorifica\u00e7\u00e3o, sob a eterna inspira\u00e7\u00e3o do Mestre, renovaram a face do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>6 &#8211; FIDELIDADE A DEUS &#8211; Da Obra Boa Nova de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier. 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