{"id":613,"date":"2013-04-12T08:23:09","date_gmt":"2013-04-12T11:23:09","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=613"},"modified":"2013-04-21T18:52:07","modified_gmt":"2013-04-21T21:52:07","slug":"9-bom-animo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/9-bom-animo\/","title":{"rendered":"08 &#8211;  Bom \u00c2nimo"},"content":{"rendered":"<p>8 &#8211; BOM \u00c2NIMO<\/p>\n<p>(Da obra Boa Nova de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Bartolomeu foi um dos mais dedicados disc\u00edpulos do Cristo, desde os primeiros tempos de suas prega\u00e7\u00f5es, junto ao Tiber\u00edades. Todas as suas possibilidades eram empregadas em acompanhar o Mestre, na sua tarefa divina. Entretanto, Bartolomeu era triste e, vezes in\u00fameras, o Senhor o surpreendia em medita\u00e7\u00f5es profundas e dolorosas.<\/p>\n<p>Foi, talvez, por isso que, uma noite, enquanto Sim\u00e3o Pedro e sua fam\u00edlia se entregavam a inadi\u00e1veis afazeres dom\u00e9sticos, Jesus aproveitou alguns instantes para lhe falar mais demoradamente ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma interrogativa afetuosa e fraternal, Bartolomeu deixou falasse o seu esp\u00edrito sens\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8211; Mestre exclamou, timidamente \u2014, n\u00e3o saberia nunca explicar-vos o porqu\u00ea de minhas tristezas amargurosas. S\u00f3 sei dizer que o vosso Evangelho me enche de esperan\u00e7as para o reino de luz que nos espera os cora\u00e7\u00f5es, al\u00e9m, nas alturas&#8230; Quando esclarecestes que o vosso reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo, experimentei uma nova coragem para atravessar as mis\u00e9rias do caminho da Terra, pois, aqui, o selo do mal parece obscurecer as coisas mais puras! &#8230; Por toda parte, \u00e9 a vit\u00f3ria do crime, o jogo das ambi\u00e7\u00f5es, a colheita dos desenganos! &#8230;<\/p>\n<p>A voz do ap\u00f3stolo se tornara quase abafada pelas l\u00e1grimas. Todavia, Jesus fitou-o brandamente e lhe falou, com serenidade:<\/p>\n<p>&#8211; A nossa doutrina, entretanto, \u00e9 a do Evangelho ou da Boa Nova e j\u00e1 viste, Bartolomeu, uma boa not\u00edcia n\u00e3o produzir alegria? Fazes bem, conservando a tua esperan\u00e7a em face dos novos ensinamentos; mas, n\u00e3o quero sen\u00e3o acender o bom \u00e2nimo no esp\u00edrito dos meus disc\u00edpulos. Se j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de ensinar que o meu reino ainda n\u00e3o \u00e9 deste mundo, isso n\u00e3o quer dizer que eu desdenhe o trabalho de estend\u00ea-lo, um dia, aos cora\u00e7\u00f5es que mourejam na Terra. Achas, ent\u00e3o, que eu teria vindo a este mundo, sem essa certeza confortadora? O Evangelho ter\u00e1 de florescer, primeiramente, na alma das criaturas, antes de frutificar para o esp\u00edrito dos povos. Mas, venho de meu Pai, cheio de fortaleza e confian\u00e7a, e a minha mensagem h\u00e1 de proporcionar grande j\u00fabilo a quantos a receberem de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de uma pausa, em que o disc\u00edpulo o contemplava silencioso, o Mestre continuou:<\/p>\n<p>&#8211; A vida terrestre \u00e9 uma estrada pedregosa, que conduz aos bra\u00e7os amorosos de Deus. O trabalho \u00e9 a marcha. A luta comum \u00e9 a caminhada de cada dia. Os instantes deliciosos da manh\u00e3 e as horas noturnas de serenidade s\u00e3o os pontos de repouso; mas, ouve-me bem: Na atividade ou no descanso f\u00edsico, a oportunidade de uma hora, de uma leve a\u00e7\u00e3o, de uma palavra humilde, \u00e9 o convite de Nosso Pai para que semeemos as suas b\u00ean\u00e7\u00e3os sacrossantas. Em geral, os homens abusam desse ensejo precioso para anteporem a sua vontade imperfeita aos des\u00edgnios superiores, perturbando a pr\u00f3pria marcha. Da\u00ed resultam as mais \u00e1speras jornadas obrigat\u00f3rias para retifica\u00e7\u00e3o das faltas cometidas e muitas vezes infrut\u00edferos labores. Em vista destas raz\u00f5es observamos que os viajores da Terra est\u00e3o sempre desalentados. Na obceca\u00e7\u00e3o de sua vontade pr\u00f3pria, ferem a fronte nas pedras da estrada, cerram os ouvidos \u00e0 realidade espiritual, vendam os olhos com a sombra da rebeldia e passam em l\u00e1grimas, em desesperadas impreca\u00e7\u00f5es e amargurados gemidos, sem enxergarem a fonte cristalina, a estrela caridosa do c\u00e9u, o perfume da flor, a palavra de um amigo, a claridade das experi\u00eancias que Deus espalhou, para a sua jornada, em todos os aspectos do caminho.<\/p>\n<p>Houve um pequeno intervalo nas considera\u00e7\u00f5es afetuosas, depois do que, sem mesmo perceber inteiramente o alcance de suas palavras, Bartolomeu interrogou:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, os vossos esclarecimentos dissipam os meus pesares; mas o Evangelho exige de n\u00f3s a fortaleza permanente?<\/p>\n<p>&#8211; A verdade n\u00e3o exige: transforma, O Evangelho n\u00e3o poderia reclamar estados especiais de seus disc\u00edpulos; por\u00e9m, \u00e9 preciso considerar que a alegria, a coragem e a esperan\u00e7a devem ser tra\u00e7os constantes de suas atividades em cada dia. Por que nos firmarmos no pesadelo de uma hora, se conhecemos a realidade gloriosa da eternidade com o Nosso Pai?<\/p>\n<p>&#8211; E quando os neg\u00f3cios do mundo nos s\u00e3o adversos? E quando tudo parece em luta contra n\u00f3s? perguntou o pescador, de olhar inquieto.<\/p>\n<p>Jesus, todavia, como se percebesse, inteiramente, a finalidade de suas perguntas, esclareceu com bondade:<\/p>\n<p>&#8211; Qual o melhor neg\u00f3cio do mundo, Bartolomeu? Ser\u00e1 a aventura que se efetua a peso de ouro, muita vez amorda\u00e7ando-se o cora\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia, para aumentar as preocupa\u00e7\u00f5es da vida material, ou a ilumina\u00e7\u00e3o definitiva da alma para Deus, que se realiza t\u00e3o-s\u00f3 pela boa-vontade do homem, que deseje marchar para o seu amor, por entre as urzes do caminho? N\u00e3o ser\u00e1 a adversidade nos neg\u00f3cios do mundo um convite amigo para a criatura semear com mais amor, um apelo indireto que a arranque \u00e0s ilus\u00f5es da Terra para as verdades do reino de Deus?<\/p>\n<p>Bartolomeu guardou aquela resposta no cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o, todavia, sem experimentar certa estranheza. E logo, lembrando-se de que sua genitora partira, havia pouco tempo, para a sombra do t\u00famulo, interpelou ainda, ansioso:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre: n\u00e3o ser\u00e1 justific\u00e1vel a tristeza quando perdemos um ente amado?<\/p>\n<p>&#8211; Mas, quem estar\u00e1 perdido, se Deus \u00e9 o Pai de todos n\u00f3s? &#8230; Se os que est\u00e3o sepultados no lodo dos crimes h\u00e3o de vislumbrar, um dia, a alvorada da reden\u00e7\u00e3o, por que lamentarmos, em desespero, o amigo que partiu ao chamado do Todo- Poderoso? A morte do corpo abre as portas de um mundo novo para a alma. Ningu\u00e9m fica verdadeiramente \u00f3rf\u00e3o sobre a Terra, como nenhum ser est\u00e1 abandonado, porque tudo \u00e9 de Deus e todos somos seus filhos. Eis por que todo disc\u00edpulo do Evangelho tem de ser um semeador de paz e de alegria! &#8230;<\/p>\n<p>Jesus entrou em sil\u00eancio, como se houvera terminado a sua exposi\u00e7\u00e3o judiciosa e serena.<\/p>\n<p>E, pois que a hora j\u00e1 ia adiantada, Bartolomeu se despediu. O olhar do Mestre oferecia ao seu, naquela noite, uma luz mais doce e mais brilhante; suas m\u00e3os lhe tocaram os ombros, levemente, deixando-lhe uma sensa\u00e7\u00e3o salutar e desconhecida.<\/p>\n<p>Embora nascido em Can\u00e3 da Galil\u00e9ia, Bartolomeu residia, ent\u00e3o, em Dalmanuta, para onde se dirigiu, meditando gravemente nas li\u00e7\u00f5es que havia recebido. A noite pareceu-lhe formosa como nunca. No alto, as estrelas se lhe afiguravam as luzes gloriosas do pal\u00e1cio de Deus \u00e0 espera das suas criaturas, com hinos de alegria. As \u00e1guas do Genesar\u00e9, aos seus olhos, estavam mais pl\u00e1cidas e felizes. Os ventos brandos lhe sussurravam ao entendimento cariciosas inspira\u00e7\u00f5es, como um correio delicado que chegasse do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Bartolomeu come\u00e7ou a recordar as raz\u00f5es de suas tristezas intraduz\u00edveis, mas, com surpresa, n\u00e3o mais as encontrou no cora\u00e7\u00e3o. Lembrava-se de haver perdido a afetuosa genitora; refletiu, por\u00e9m, com mais amplitude, quanto aos des\u00edgnios da Provid\u00eancia Divina. Deus n\u00e3o lhe era pai e m\u00e3e nos c\u00e9us? Recordou os contratempos da vida e ponderou que seus irm\u00e3os pelo sangue o aborreciam e caluniavam. Entretanto, Jesus n\u00e3o lhe era um irm\u00e3o generoso e sincero? Passou em revista os insucessos materiais. Contudo, que eram as suas pescarias ou a avareza dos negociantes de Betsaida e de Cafarnaum, comparados \u00e0 luz do reino de Deus, que ele trabalhava por edificar no cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Chegou a casa pela madrugada. Ao longe, os primeiros clar\u00f5es do Sol lhe pareciam mensageiros ao conforto celestial. O canto das aves ecoava em seu esp\u00edrito como notas harmoniosas de profunda alegria. O pr\u00f3prio mugido dos bois apresentava nova tonalidade aos seus ouvidos. Sua alma estava agora clara; o cora\u00e7\u00e3o, aliviado e feliz.<\/p>\n<p>Ao ranger os gonzos da porta, seus irm\u00e3os dirigiram-\u00a0 -lhe improp\u00e9rios, acusando-o de mau filho, de vagabundo e traidor da lei. Bartolomeu, por\u00e9m, recordou o Evangelho e sentiu que s\u00f3 ele tinha bastante alegria para dar a seus irm\u00e3os. Em vez de reagir asperamente, como de outras vezes, sorriu-lhes com a bondade das explica\u00e7\u00f5es amigas. Seu velho pai o acusou, igualmente, escorra\u00e7ando-o. O ap\u00f3stolo, no entanto, achou natural. Seu pai n\u00e3o conhecia a Jesus e ele o conhecia. N\u00e3o conseguindo esclarec\u00ea-los, guardou os bens do sil\u00eancio e achou-se na posse de uma alegria nova. Depois de repousar alguns momentos, tomou as suas redes velhas e demandou sua barca. Teve para todos os companheiros de servi\u00e7o uma frase consoladora e amiga. O lago como que estava mais acolhedor e mais belo; seus camaradas de trabalho, mais delicados e acess\u00edveis. De tarde, n\u00e3o questionou com os comerciantes, enchendo-lhes, ali\u00e1s, o esp\u00edrito de boas palavras e de atitudes cativantes e educativas.<\/p>\n<p>Bartolomeu havia convertido todos os desalentos num c\u00e2ntico de alegria, ao sopro regenerador dos ensinamentos do Cristo; todos o observaram com admira\u00e7\u00e3o, exceto Jesus, que conhecia, com j\u00fabilo, a nova atitude mental de seu disc\u00edpulo.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado seguinte, o Mestre demandou as margens do lago, cercado de seus numerosos seguidores. Ali, aglomeravam-se homens e mulheres do povo, judeus e funcion\u00e1rios de \u00c2ntipas, a par de grande n\u00famero de soldados romanos.<\/p>\n<p>Jesus come\u00e7ou a pregar a Boa Nova e, a certa altura, contou, conforme a narrativa de Mateus, que \u201co reino dos c\u00e9us \u00e9 semelhante a um tesouro que, oculto num campo, foi achado e escondido por um homem que, movido de gozo, vendeu tudo o que possu\u00eda e comprou aquele campo\u201d.<\/p>\n<p>Nesse instante, o olhar do Mestre pousou sobre Bartolomeu que o contemplava, embevecido; a luz branda de seus olhos generosos penetrou fundo no \u00edntimo do ap\u00f3stolo, pela ternura que evidenciava, e o pescador humilde compreendeu a delicada alus\u00e3o do ensinamento, experimentando a alma leve e satisfeita, depois de haver alijado todas as vaidades de que ainda se n\u00e3o desfizera, para adquirir o tesouro divino, no campo infinito da vida.<\/p>\n<p>Enviando a Jesus um olhar de amor e reconhecimento, Bartolomeu limpou uma l\u00e1grima. Era a primeira vez que chorava de alegria. O pescador de Dalmanuta aderira, para sempre, aos eternos j\u00fabilos do Evangelho do Reino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>8 &#8211; BOM \u00c2NIMO (Da obra Boa Nova de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) O ap\u00f3stolo Bartolomeu foi um dos mais dedicados disc\u00edpulos do Cristo, desde os primeiros tempos de suas prega\u00e7\u00f5es, junto ao Tiber\u00edades. 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