{"id":616,"date":"2013-04-12T08:24:40","date_gmt":"2013-04-12T11:24:40","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=616"},"modified":"2013-04-21T18:50:55","modified_gmt":"2013-04-21T21:50:55","slug":"9-velhos-e-mocos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/9-velhos-e-mocos\/","title":{"rendered":"09 &#8211;  Velhos e Mo\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p>9 &#8211; VELHOS E MO\u00c7OS<\/p>\n<p>(Da obra Boa Nova de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>N\u00e3o era raro observar-se, na pequena comunidade dos disc\u00edpulos, o entrechoque das opini\u00f5es, dentro do idealismo quente dos mais jovens. Muita vez, o s\u00e9quito humilde dividia-se em discuss\u00f5es, relativamente aos projetos do futuro.<\/p>\n<p>Enquanto Pedro e Andr\u00e9 se punham a ouvir os companheiros, com a ingenuidade de seus cora\u00e7\u00f5es simples e sinceros, Jo\u00e3o comentava os planos de luta no porvir; Tiago, seu irm\u00e3o, falava do bom aproveitamento de sua juventude, ao passo que o jovem Tadeu fazia promessas maravilhosas.<\/p>\n<p>&#8211; Somos jovens! diziam.\u00a0 Iremos \u00e0 Terra inteira, pregaremos o Evangelho \u00e0s na\u00e7\u00f5es, renovaremos o mundo! &#8230;<\/p>\n<p>T\u00e3o logo o Mestre permitisse, sairiam da Galil\u00e9ia, pregariam as verdades do reino de Deus naquela Jerusal\u00e9m atulhada de preconceitos e de falsos int\u00e9rpretes do pensamento divino. Sentiam-se fortes e bem dispostos. Respiravam a longos haustos e supunham-se os \u00fanicos disc\u00edpulos habilitados a traduzir com fidelidade os novos ensinamentos. Por longas horas, questionavam acerca de suas possibilidades apresentavam as suas vantagens, debatiam seus projetos imensos. E pensavam consigo: que poderia realizar Sim\u00e3o Pedro, chefe de fam\u00edlia e encarcerado nos seus pequeninos deveres? Mateus n\u00e3o estava igualmente enla\u00e7ado por inadi\u00e1veis obriga\u00e7\u00f5es de cada dia? Andr\u00e9 e o irm\u00e3o os escutavam despreocupados, para meditarem apenas quanto \u00e0s li\u00e7\u00f5es do Messias.<\/p>\n<p>Entretanto, Sim\u00e3o, mais tarde chamado o \u201cZelote\u201d, antigo pescador do lago, acompanhava semelhantes conversa\u00e7\u00f5es, humilhado. Algo mais velho que os companheiros, suas energias, a seu ver, j\u00e1 n\u00e3o se coadunavam com os servi\u00e7os do Evangelho do Reino. Ouvindo as palavras fortes da juventude dos filhos de Zebedeu, perguntava a si mesmo o que seria de seu esfor\u00e7o singelo, junto de Jesus. Come\u00e7ava a sentir mais fortemente o decl\u00ednio das for\u00e7as vitais. Suas energias pareciam descer de uma grande montanha, embora o esp\u00edrito se lhe conservasse firme e vigilante, no ritmo da vida.<\/p>\n<p>Deixando-se, por\u00e9m, impressionar vivamente, procurou entender-se com o Mestre, buscando eximir-se das d\u00favidas que lhe ro\u00edam o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de expor os seus receios e vacila\u00e7\u00f5es, observou que Jesus o fitava sem surpresa, como se tivesse pleno conhecimento de suas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Sim\u00e3o, disse o Mestre com desvelado carinho \u2014, poder\u00edamos acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se f\u00f4ssemos contar o tempo, na ampulheta das inquieta\u00e7\u00f5es humanas, quem seria o mais velho de todos n\u00f3s? A vida, na sua express\u00e3o terrestre, \u00e9 como uma \u00e1rvore grandiosa. A inf\u00e2ncia \u00e9 a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice \u00e9 o fruto da experi\u00eancia e da sabedoria. H\u00e1 ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, por\u00e9m, \u00e9 sempre uma b\u00ean\u00e7\u00e3o do Todo-Poderoso. A ramagem \u00e9 uma esperan\u00e7a; a flor uma promessa; o fruto \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o. S\u00f3 ele cont\u00e9m o doce mist\u00e9rio da vida, cuja fonte se perde no infinito da divindade! &#8230;<\/p>\n<p>Ao passo que o disc\u00edpulo lhe meditava os conceitos, com sincera admira\u00e7\u00e3o, Jesus prosseguia, esclarecendo:<\/p>\n<p>&#8211; Esta imagem pode ser tamb\u00e9m a da vida do esp\u00edrito, na sua radiosa eternidade, apenas com a diferen\u00e7a de que a\u00ed as ramagens e as flores n\u00e3o morrem nunca, marchando sempre para o fruto da edifica\u00e7\u00e3o. Em face da grandeza espiritual da vida, a exist\u00eancia humana \u00e9 uma hora de aprendizado, no caminho infinito do Tempo; essa hora min\u00fascula encerra o que existe no todo. \u00c9 por isso que a\u00ed vemos, por vezes, jovens que falam com uma experi\u00eancia milen\u00e1ria e velhos sem reflex\u00e3o e sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, Senhor, de qualquer modo, a velhice \u00e9 a meta do esp\u00edrito? perguntou o disc\u00edpulo, emocionado.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o a velhice enferma e amargurada que se conhece na Terra, mas a da experi\u00eancia que edifica o amor e a sabedoria. Ainda aqui, devemos recordar o s\u00edmbolo da \u00e1rvore, para reconhecer que o fruto perfeito \u00e9 a frescura da ramagem e a beleza da flor, encerrando o conte\u00fado divino do mel e da semente.<\/p>\n<p>Percebendo que o Mestre estendera seus conceitos em amplas imagens simbol\u00f3gicas, o ap\u00f3stolo voltou a retrair-se em seu caso particular e obtemperou:<\/p>\n<p>&#8211; A verdade, Senhor, \u00e9 que me sinto depauperado e envelhecido, temendo n\u00e3o resistir aos esfor\u00e7os a que se obriga a minhalma, na semeadura da vossa doutrina santa.<\/p>\n<p>Mas, escuta, Sim\u00e3o redarguiu-lhe Jesus, com serenidade en\u00e9rgica \u2014, achas que os mo\u00e7os de amanh\u00e3 poder\u00e3o fazer alguma coisa sem os trabalhos dos que agora est\u00e3o envelhecendo?!&#8230; Poderia a \u00e1rvore viver sem: raiz, a alma sem Deus?! Lembra-te da tua parte de es- (or\u00e7o e n\u00e3o te preocupes com a obra que pertence ao Todo-Poderoso. Sobretudo, n\u00e3o olvides que a nossa tarefa, para dignidade perfeita de nossas almas, deve ser intransfer\u00edvel. Jo\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 velho e os cabelos brancos de sua fronte contar\u00e3o profundas experi\u00eancias. N\u00e3o te magoe a palestra dos jovens da Terra. A flor, no mundo, pode ser o princ\u00edpio do fruto, mas pode tamb\u00e9m enfeitar o cortejo das ilus\u00f5es. Quando te cerque o burburinho da mocidade, ama os jovens que revelem trabalho e reflex\u00e3o; entretanto, n\u00e3o deixes de sorrir, igualmente, para os levianos e inconstantes: s\u00e3o crian\u00e7as que pedem cuidado, abelhas que ainda n\u00e3o sabem fazer o mel. Perdoa-lhes os entusiasmos sem rumo, como se devem esquecer os impulsos de um menino na inconsci\u00eancia dos seus primeiros dias de vida. Esclarece-os, Sim\u00e3o, e n\u00e3o penses que outro homem pudesse efetuar, no conjunto da obra divina, o esfor\u00e7o que te compete. Vai e tem bom \u00e2nimo! &#8230; Um velho sem esperan\u00e7a em Deus \u00e9 um irm\u00e3o triste da noite; mas eu venho trazer ao mundo as claridades de um dia perene.<\/p>\n<p>Dando Jesus por terminado o seu esclarecimento, Sim\u00e3o, o Zelote, se retirou satisfeito, como se houvesse recebido no cora\u00e7\u00e3o uma energia nova.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 casa pobre, encontrou Tiago, filho de Cleofas, falando \u00e0 margem do lago com alguns jovens, apelando ardentemente para as suas for\u00e7as realizadoras. Avistando o velho companheiro, o ap\u00f3stolo mais mo\u00e7o n\u00e3o o ofendeu, por\u00e9m fez uma pequena alus\u00e3o \u00e0 sua idade, para destacar as palavras de sua exorta\u00e7\u00e3o aos companheiros pescadores. Sim\u00e3o, no entanto, sem experimentar qualquer laivo de ci\u00fame, recordou as elucida\u00e7\u00f5es do mestre e, logo que se fez sil\u00eancio, ao reconhecer que Tiago estava s\u00f3, falou-lhe com brandura:<\/p>\n<p>&#8211; Tiago, meu irm\u00e3o, ser\u00e1 que o esp\u00edrito tem idade? Se Deus contasse o tempo como n\u00f3s, n\u00e3o seria ele o mais velho de toda a cria\u00e7\u00e3o? E que homem do mundo guardar\u00e1 a presun\u00e7\u00e3o de se igualar ao Todo-Poderoso? Um rapaz n\u00e3o conseguiria realizar a sua tarefa na Terra, sen\u00e3o tivesse a preced\u00ea-lo as experi\u00eancias de seus pais. N\u00e3o nos detenhamos na idade, esque\u00e7amos as circunst\u00e2ncias, para lembrar somente os fins sagrados de nossa vida, que deve ser a edifica\u00e7\u00e3o do Reino no \u00edntimo das almas.<\/p>\n<p>O filho de Alfeu escutou-lhe as observa\u00e7\u00f5es singelas e reconheceu que eram ditas com uma fraternidade t\u00e3o pura, que n\u00e3o lhe chegavam a ferir, nem de leve, o cora\u00e7\u00e3o. Admirando a ternura serena do companheiro e sem esquecer o padr\u00e3o de humildade que o Mestre cultivava, refletiu um momento e exclamou, comovido:<\/p>\n<p>&#8211; Tens raz\u00e3o!<\/p>\n<p>O velho ap\u00f3stolo n\u00e3o esperou qualquer justificativa de sua parte e, dando-lhe um abra\u00e7o, mostrou-lhe um sorriso bom, deixando perceber que ambos deviam esquecer, para sempre, aquele minuto de diverg\u00eancia, a fim de se unirem cada vez mais em Jesus-Cristo.<\/p>\n<p>Naquela mesma tarde, quando o Messias come\u00e7ou a ensinar a sabedoria do Reino de Deus, Sim\u00e3o, o Zelote, notou que havia na praia duas criancinhas inconscientes. Dominada pela nova luz que flu\u00eda dos ensinamentos do Mestre, a m\u00e3e delas n\u00e3o vira que se distanciavam, ao longo do primeiro len\u00e7ol raso das \u00e1guas; o velho pescador, atento \u00e0 prega\u00e7\u00e3o e \u00e0s demais necessidades da hora em curso, observou os dois pequeninos e acompanhou-os. Com uma boa palavra, tomou-os nos bra\u00e7os, sentando-se numa pedra e, terminada que foi a reuni\u00e3o, os restituiu ao colo maternal, em meio de suave alegria e sincero reconhecimento. Inspirado por uma for\u00e7a estranha \u00e0 sua\u2019 alma, o disc\u00edpulo compreendeu que o j\u00fabilo daquela tarde n\u00e3o teria sido completo se duas crian\u00e7as houvessem desaparecido no seio imenso das \u00e1guas, separando-se para sempre dos bra\u00e7os amor\u00e1veis de sua m\u00e3e. No \u00e2mago do seu esp\u00edrito, havia um j\u00fabilo sincero. Compreendera com o Cristo o prazer de servir, a alegria de ser \u00fatil.<\/p>\n<p>Nessa noite, Sim\u00e3o, o Zelote, teve um sonho glorioso para a sua alma simples. Adormecendo de consci\u00eancia feliz, sonhou que se encontrava com o Messias, no cume de um monte que se elevava em estranhas fulgura\u00e7\u00f5es. Jesus o abra\u00e7ou com carinho e lhe agradeceu o fraterno esclarecimento fornecido a Tiago, em sua lembran\u00e7a, manifestando-lhe reconhecimento pelo seu terno cuidado com duas crian\u00e7as desconhecidas, por amor de seu nome.<\/p>\n<p>O disc\u00edpulo sentia-se venturoso naquele momento sublime. Jesus, do alto da colina prodigiosa, mostrava-lhe o mundo inteiro. Eram cidades e campos, mares e montanhas&#8230; Em seguida, o antigo pescador compreendeu que seus olhos assombrados divisavam as paisagens do futuro. Ao lado de seu deslumbramento, passava a imensa fam\u00edlia humana. Todas as criaturas fitavam o Mestre, com os olhos agradecidos e refulgentes de amor. As crian\u00e7as lhe chamavam \u201camigo fiel\u201d; os jovens, \u201cverdade do c\u00e9u\u201d; os velhos, \u201csagrada esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Sim\u00e3o acordou, experimentando indefin\u00edvel alegria. Na manh\u00e3 imediata, antes do trabalho, procurou o Senhor e beijou-lhe a f\u00edmbria humilde da t\u00fanica, exclamando jubilosamente:<\/p>\n<p>Mestre, agora vos compreendo! &#8230;\u00a0 Jesus contemplou-o com amor e respondeu:\u00a0\u00a0 Em verdade, Sim\u00e3o, ser mo\u00e7o ou velho, no mundo, n\u00e3o interessa! &#8230; Antes de tudo, \u00e9 preciso ser de Deus!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>9 &#8211; VELHOS E MO\u00c7OS (Da obra Boa Nova de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier) N\u00e3o era raro observar-se, na pequena comunidade dos disc\u00edpulos, o entrechoque das opini\u00f5es, dentro do idealismo quente dos mais jovens. 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