{"id":696,"date":"2013-04-21T19:01:30","date_gmt":"2013-04-21T22:01:30","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=696"},"modified":"2013-04-21T19:01:30","modified_gmt":"2013-04-21T22:01:30","slug":"10-o-perdao-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/10-o-perdao-2\/","title":{"rendered":"10 &#8211; O Perd\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>10 &#8211; O perd\u00e3o<\/p>\n<p>(Da obra \u201cBoa Nova\u201d de Humberto de Campo, psicografada por Chico Xavier)<\/p>\n<p>As primeiras peregrina\u00e7\u00f5es do Cristo e de seus disc\u00edpulos, em torno do lago, haviam alcan\u00e7ado inolvid\u00e1veis triunfos. Eram doentes atribulados que agradeciam o al\u00edvio buscado ansiosamente; trabalhadores humildes que se enchiam de santas consola\u00e7\u00f5es ante as promessas divinas da Boa Nova.<\/p>\n<p>Aquelas atividades, entretanto, come\u00e7aram a despertar a rea\u00e7\u00e3o dos judeus rigoristas, que viam em Jesus um perigoso revolucion\u00e1rio. O amor que o profeta nazareno pregava vinha quebrar antigos princ\u00edpios da lei judaica. Os senhores da terra observavam cuidadosamente as palestras dos escravos, que permutavam imenso j\u00fabilo, proveniente das esperan\u00e7as num novo reino que n\u00e3o chegavam a compreender. Os mais ego\u00edstas pretendiam ver no profeta generoso um conspirador vulgar, que desejava levantar as iras populares contra a domina\u00e7\u00e3o de Herodes; outros presumiam na sua figura um feiticeiro incomum, que era preciso evitar.<\/p>\n<p>Foi assim que a viagem do Mestre a Nazar\u00e9 redundou numa excurs\u00e3o de grandes dificuldades, provocando de sua parte as observa\u00e7\u00f5es quase amargas que se encontram no Evangelho, com respeito ao ber\u00e7o daqueles que o deveriam guardar no santu\u00e1rio do cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foram poucos os advers\u00e1rios de suas id\u00e9ias renovadoras que o precederam na cidade min\u00fascula, buscando neutralizar-lhe a\u00e7\u00e3o por meio de falsas not\u00edcias e desmoraliz\u00e1-lo, alimentando com informa\u00e7\u00f5es mal alinhavadas de alguns nazarenos.<\/p>\n<p>Jesus sentiu de perto a delicadeza da situa\u00e7\u00e3o que o lhe criara com a primeira investida dos inimigos gratuitos de sua doutrina; mas, aproveitou todas as oportunidades para as melhores li\u00e7\u00f5es na esfera do ensinamento.<\/p>\n<p>No entanto, o mesmo n\u00e3o aconteceu a seus disc\u00edpulos. Filipe e Sim\u00e3o Pedro chegaram a questionar seriamente com alguns senhores da regi\u00e3o, trocando palavras \u00e1speras, em torno das edifica\u00e7\u00f5es do Messias. As gargalhadas ir\u00f4nicas, as aprecia\u00e7\u00f5es menos dignas lhes acendiam no \u00e2nimo prop\u00f3sitos impulsivos de defesas apaixonadas. N\u00e3o faltavam os que viam no Senhor um servo ativo do esp\u00edrito do mal, um inimigo de Mois\u00e9s, um assecla de pr\u00edncipes desconhecidos, ou de traidores ao poder pol\u00edtico de \u00c2ntipas. Tamanhas foram as discuss\u00f5es em Nazar\u00e9, que os seus reflexos nocivos se faziam sentir fortemente sobre toda a comunidade dos disc\u00edpulos. Pedro e Andr\u00e9 advogavam a causa do Mestre com express\u00f5es incisivas e sinceras. Tiago aborrecia-se com a an\u00e1lise dos companheiros. Levi protestava, expressando o desejo de instituir debates p\u00fablicos, de maneira a evidenciar-se a superioridade dos ensinos do Messias, em confronto com os velhos textos.<\/p>\n<p>Jesus compreendeu os acontecimentos e, calmamente, ordenou a retirada, afastando-se da cidade com tranquilo sorriso.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a determina\u00e7\u00e3o e apesar do regresso a Cafarnaum, a maioria dos ap\u00f3stolos prosseguiu em discuss\u00e3o estranhando que o Mestre nada fizesse, reagindo contra as envenenadas insinua\u00e7\u00f5es a seu respeito.<\/p>\n<p>Da\u00ed a alguns dias, obedecendo \u00e0s circunst\u00e2ncias ocorrentes naquela situa\u00e7\u00e3o, Pedro e Filipe procuraram avistar-se com o Senhor, ansiosos pela claridade dos seus ensinos.<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, chamaram-vos servo de Satan\u00e1s e reagimos prontamente! dizia Pedro, com sinceridade ing\u00eanua.<\/p>\n<p>&#8211; Observ\u00e1vamos que por v\u00f3s mesmo nunca opor\u00edeis a contradita ajuntava Filipe, convicto de haver prestado excelente servi\u00e7o ao Mestre bem-amado e por isso revidamos aos ataques com a maior for\u00e7a de nossas\u00a0\u00a0 express\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante o calor daquelas afirmativas, Jesus meditava com uma doce placidez no olhar profundo, enquanto os interlocutores o contemplavam, ansiando pela sua palavra de franqueza e de amor.<\/p>\n<p>Afinal, saindo de suas reflex\u00f5es silenciosas, o Mestre interrogou:<\/p>\n<p>&#8211; Acaso poderemos colher uvas nos espinheiros? De modo algum me empenharia em Nazar\u00e9 numa contradita est\u00e9ril aos meus opositores. Contudo, procurei ensinar que a melhor r\u00e9plica \u00e9 sempre a do nosso pr\u00f3prio trabalho, do esfor\u00e7o \u00fatil que nos seja poss\u00edvel. Nesse particular, n\u00e3o deixei de operar na minha esfera de a\u00e7\u00e3o, de modo a produzir resultados a nossa excurs\u00e3o \u00e0 cidade vizinha, tornando- a proveitosa, sem desdenhar as palavras construtivas no instante oportuno. De que serviriam as longas discuss\u00f5es p\u00fablicas, in\u00e7adas de doestos e zombarias? Ao termo de todas elas, ter\u00edamos apenas menores probabilidades para o triunfo glorioso do amor e maiores motivos para a separatividade e odiosas dissens\u00f5es. S\u00f3 devemos dizer aquilo que o cora\u00e7\u00e3o pode testemunhar mediante atos sinceros, porque, de outra forma, as afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o simples ru\u00eddo sonoro de uma caixa vazia.<\/p>\n<p>&#8211; Mestre &#8211; atalhou Filipe, quase com m\u00e1goa \u2014, a verdade \u00e9 que a maioria de quantos compareceram \u00e0s prega\u00e7\u00f5es de Nazar\u00e9 falava mal de v\u00f3s!<\/p>\n<p>&#8211; Mas, n\u00e3o ser\u00e1 vaidade exigirmos que toda gente tenha de nossa personalidade elevado conceito? interrogou Jesus com energia e serenidade.\u00a0 Nas ilus\u00f5es que as criaturas da Terra inventaram para a sua pr\u00f3pria vida, nem sempre constitui bom atestado da nossa conduta o falarem todos bem de n\u00f3s, indistintamente. Agradar a todos \u00e9 marchar pelo caminho largo, onde est\u00e3o as mentiras da conven\u00e7\u00e3o. Servir a Deus \u00e9 tarefa que deve estar acima de tudo e, por vezes, nesse servi\u00e7o divino, \u00e9 natural que desagrademos aos mesquinhos interesses humanos. Filipe, sabes de algum emiss\u00e1rio de Deus que fosse bem apreciado no seu tempo? Todos os portadores da verdade do c\u00e9u s\u00e3o incompreendidos de seus contempor\u00e2neos. Portanto, \u00e9 indispens\u00e1vel consideremos que o conceito justo \u00e9 respeit\u00e1vel, mas, antes dele, necessitamos obter a aprova\u00e7\u00e3o leg\u00edtima da consci\u00eancia, dentro de nossa lealdade para com Deus.<\/p>\n<p>&#8211; Mestre obtemperou Sim\u00e3o Pedro, a quem as explica\u00e7\u00f5es da hora calavam profundamente \u2014, nos acontecimentos mais fortes da vida, n\u00e3o deveremos, ent\u00e3o, utilizar as palavras en\u00e9rgicas e justas?<\/p>\n<p>&#8211; Em toda circunst\u00e2ncia, conv\u00e9m naturalmente que se diga o necess\u00e1rio, por\u00e9m, \u00e9 tamb\u00e9m imprescind\u00edvel que n\u00e3o se perca tempo.<\/p>\n<p>Deixando transparecer que as elucida\u00e7\u00f5es n\u00e3o lhe satisfaziam plenamente, perguntou Filipe:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, vossos esclarecimentos s\u00e3o indiscut\u00edveis; entretanto, preciso acrescentar que alguns dos companheiros se revelaram insuport\u00e1veis nessa viagem a Nazar\u00e9:\u00a0 uns me acusaram de brig\u00e3o e desordeiro; outros, de mau entendedor de vossos ensinamentos. Se os pr\u00f3prios irm\u00e3os da comunidade apresentam essas falhas, como h\u00e1 de ser o futuro do Evangelho?<\/p>\n<p>O Mestre refletiu um momento e retrucou:<\/p>\n<p>&#8211; Estas s\u00e3o perguntas que cada disc\u00edpulo deve fazer a si mesmo. Mas, com respeito \u00e0 comunidade, Filipe, pelo que me compete esclarecer, cumpre-me perguntar-te se j\u00e1 edificaste o reino de Deus no \u00edntimo do teu esp\u00edrito.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 verdade que ainda n\u00e3o &#8211; respondeu, hesitante, o ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p>&#8211; De dentro dessa realidade, podes observar que, se o nosso col\u00e9gio fosse constitu\u00eddo de irm\u00e3os perfeitos, teria deixado de ser irrepreens\u00edvel pela ades\u00e3o de um amigo que ainda n\u00e3o houvesse conquistado a divina edifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ambos os disc\u00edpulos compreenderam e se puseram a meditar, enquanto o Cristo continuava:<\/p>\n<p>&#8211; O que \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e9 nunca perdermos de vista o nosso pr\u00f3prio trabalho, sabendo perdoar com verdadeira espontaneidade de cora\u00e7\u00e3o. Se nos labores da vida um companheiro nos parece insuport\u00e1vel, \u00e9 poss\u00edvel que tamb\u00e9m algumas vezes sejamos considerados assim. Temos que perdoar aos advers\u00e1rios, trabalhar pelo bem dos nossos inimigos, auxiliar os que zombam da nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>Nesse ponto de suas afirmativas, Pedro atalhou-o, dizendo:<\/p>\n<p>&#8211; Mas, para perdoar n\u00e3o deveremos aguardar que o inimigo se arrependa? E que fazer, na hip\u00f3tese de o malfeitor assumir a atitude dos lobos sob a pele da ovelha?<\/p>\n<p>&#8211; Pedro, o perd\u00e3o n\u00e3o exclui a necessidade da vigil\u00e2ncia, como o amor n\u00e3o prescinde da verdade. A paz \u00e9 um patrim\u00f4nio que cada cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 obrigado a defender, para bem trabalhar no servi\u00e7o divino que lhe foi confiado. Se o nosso irm\u00e3o se arrepende e procura o nosso aux\u00edlio fraterno, amparemo-lo com as energias que possamos despender; mas, em nenhuma circunst\u00e2ncia cogites de saber se o teu irm\u00e3o est\u00e1 arrependido. Esquece o mal o trabalha pelo bem. Quando ensinei que cada homem deve conciliar-se depressa com o advers\u00e1rio, busquei salientar que ningu\u00e9m pode ir a Deus com um sentimento de odiosidade no cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o poderemos saber se o nosso advers\u00e1rio est\u00e1 disposto \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o; todavia, podemos garantir que nada se far\u00e1 sem a nossa boa-vontade o pleno esquecimento dos males recebidos. Se o irm\u00e3o infeliz se arrepender, estejamos sempre dispostos a ampar\u00e1-lo e, a todo momento, precisamos e devemos olvidar o mal.<\/p>\n<p>Foi quando, ent\u00e3o, fez Sim\u00e3o Pedro a sua c\u00e9lebre pergunta:<\/p>\n<p>&#8211; \u201cSenhor, quantas vezes pecar\u00e1 meu irm\u00e3o contra mim, que lhe hei de perdoar? Ser\u00e1 at\u00e9 sete vezes?\u201d<\/p>\n<p>Jesus respondeu-lhe, calmamente:<\/p>\n<p>N\u00e3o te digo que at\u00e9 sete vezes, mas at\u00e9 setenta vezes sete.<\/p>\n<p>Da\u00ed por diante, o Mestre sempre aproveitou as menores oportunidades para ensinar a necessidade do perd\u00e3o rec\u00edproco, entre os homens, na obra sublime da reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acusado de feiticeiro, de servo de Satan\u00e1s, de conspirador, Jesus demonstrou, em todas as ocasi\u00f5es, o m\u00e1ximo de boa-vontade para com os esp\u00edritos mais rasteiros de seu tempo. Sem desprezar a boa palavra, no instante oportuno, trabalhou a todas as horas pela vit\u00f3ria do amor, com o mais alto idealismo construtivo. E no dia inesquec\u00edvel do Calv\u00e1rio, em frente dos seus perseguidores e verdugos, revelando aos homens ser indispens\u00e1vel a imediata concilia\u00e7\u00e3o entre o esp\u00edrito e a harmonia da vida, foram estas as suas \u00faltimas palavras \u201cPai, perdoa- lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem! &#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10 &#8211; O perd\u00e3o (Da obra \u201cBoa Nova\u201d de Humberto de Campo, psicografada por Chico Xavier) As primeiras peregrina\u00e7\u00f5es do Cristo e de seus disc\u00edpulos, em torno do lago, haviam alcan\u00e7ado inolvid\u00e1veis triunfos. 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