{"id":754,"date":"2013-05-01T19:12:19","date_gmt":"2013-05-01T22:12:19","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=754"},"modified":"2013-05-01T19:17:13","modified_gmt":"2013-05-01T22:17:13","slug":"13-pecado-e-punicao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/13-pecado-e-punicao\/","title":{"rendered":"13 &#8211; Pecado e Puni\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>13 &#8211; PECADO E PUNI\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>(Da obra &#8220;Boa Nova&#8221;)<\/p>\n<p>Jesus havia terminado uma de suas prega\u00e7\u00f5es na pra\u00e7a p\u00fablica, quando percebeu que a multid\u00e3o se movimentava em alvoro\u00e7o. Alguns populares mais exaltados prorrompiam em gritos, enquanto uma mulher ofegante, cabelos desgrenhados e faces macilentas, se aproximava dele, com uma s\u00faplica de prote\u00e7\u00e3o a lhe sair dos olhos tristes. Os muitos judeus ali aglomerados excitavam o \u00e2nimo geral, reclamando o apedrejamento da pecadora, na conformidade das antigas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Solicitado, ent\u00e3o, a se constituir juiz dos costumes do povo, o Mestre exclamou com serenidade e desassombro, causando estupefa\u00e7\u00e3o aos que o ouviram:<\/p>\n<p>&#8211; Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra!<\/p>\n<p>Por toda a assembleia se fez sentir uma surpresa inquietante. As acusa\u00e7\u00f5es morreram nos l\u00e1bios mais exaltados. A multid\u00e3o ensimesmava-se, para compreender a sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, o Mestre p\u00f4s-se a escrever no solo despreocupadamente.<\/p>\n<p>Aos poucos, o local ficara quase deserto. Apenas Jesus e alguns disc\u00edpulos l\u00e1 se conservavam, tendo ao lado a mulher a ocultar as faces com as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Em dado instante, o Mestre Divino ergueu a fronte e perguntou \u00e0 infeliz:<\/p>\n<p>&#8211; Mulher, onde est\u00e3o os teus ju\u00edzes?<\/p>\n<p>Observando que a pecadora lhe respondia apenas com o olhar reconhecido, onde as l\u00e1grimas aljofravam num misto de agradecimento e alegria, Jesus continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Ningu\u00e9m te condenou? Tamb\u00e9m eu n\u00e3o te condeno. Vai, e n\u00e3o peques mais.<\/p>\n<p>A infeliz criatura retirou-se, experimentando uma sensa\u00e7\u00e3o nova no esp\u00edrito. A generosidade do Messias lhe iluminava o cora\u00e7\u00e3o, em claridades vivas que lhe banhavam a alma toda. Mas, enquanto a pecadora se retirava, presa de intensa alegria, os poucos disc\u00edpulos que se encontravam junto do Senhor n\u00e3o conseguiam ocultar a estranheza que lhes causara o seu gesto. Por que n\u00e3o condenara ele aquela mulher de vida censur\u00e1vel aos olhos de todos? N\u00e3o se tratava de uma ad\u00faltera? Nesse \u00ednterim, Jo\u00e3o se aproximou e interrogou:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, por que n\u00e3o condenastes a meretriz de vida infame?\u00a0 Jesus fixou no disc\u00edpulo o olhar calmo e bondoso e redarguiu:<\/p>\n<p>&#8211; Quais as raz\u00f5es que aduzes em favor dessa condena\u00e7\u00e3o? Sabes o motivo por que essa pobre mulher se prostituiu? Ter\u00e1s sofrido alguma vez a dureza das vicissitudes que ela atravessou em sua vida? Ignoras o vulto das necessidades e das tenta\u00e7\u00f5es que a fizeram sucumbir a meio do caminho. N\u00e3o sabes quantas vezes tem sido ela objeto do esc\u00e1rnio dos pais, dos filhos e dos irm\u00e3os das mulheres mais felizes. N\u00e3o seria justo agravar-lhe os padecimentos infernais da consci\u00eancia pesarosa e sem rumo.<\/p>\n<p>&#8211; Entretanto &#8211; exclamou Jo\u00e3o, defendendo os princ\u00edpios da lei antiga -, ela pecou e fez jus \u00e0 puni\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e1 escrito que os homens pagar\u00e3o, ceitil por ceitil, os seus pr\u00f3prios erros?<\/p>\n<p>O Mestre sorriu sem se perturbar e esclareceu:<\/p>\n<p>&#8211; Ningu\u00e9m pode contestar que ela tenha pecado; quem estar\u00e1 irrepreens\u00edvel na face da Terra? H\u00e1 sacerdotes da lei, magistrados e fil\u00f3sofos, que prostitu\u00edram suas almas por mais baixo pre\u00e7o; contudo, ainda n\u00e3o lhes vi os acusadores. A hipocrisia costuma campear impune, enquanto se atiram pedras ao sofrimento. Jo\u00e3o, o mundo est\u00e1 cheio de t\u00famulos caiados. Deus, por\u00e9m, \u00e9 o Pai de Bondade Infinita que aguarda os filhos pr\u00f3digos em sua casa. Poder-se-ia desejar para a pecadora humilde tormento maior do que aquele a que ela pr\u00f3pria se condenou por tempo indeterminado? Quantas vezes lhe tem faltado p\u00e3o \u00e0 boca faminta ou a manifesta\u00e7\u00e3o de um carinho sincero \u00e0 alma angustiada? Raras dores no mundo ser\u00e3o id\u00eanticas \u00e0s agonias de suas noites silenciosas e tristes. Esse o seu doloroso inferno, sua aflitiva condena\u00e7\u00e3o. \u00c9 que, em todos os planos da vida, o instituto da justi\u00e7a divina funciona, naturalmente, com seus princ\u00edpios de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada ser traz consigo a fagulha sagrada do Criador e erige, dentro de si, o santu\u00e1rio de sua presen\u00e7a ou a muralha sombria da nega\u00e7\u00e3o; mas, s\u00f3 a luz e o bem s\u00e3o eternos e, um dia, todos os redutos do mal cair\u00e3o, para que Deus resplande\u00e7a no esp\u00edrito de seus filhos. N\u00e3o \u00e9 para ensinar outra coisa que est\u00e1 escrito na lei &#8211; &#8220;V\u00f3s sois deuses!&#8221; Porventura, n\u00e3o sabes que a heran\u00e7a de um pai se divide entre os filhos em partes iguais? As criaturas transviadas s\u00e3o as que n\u00e3o souberam entrar na posse de seu quinh\u00e3o divino, permutando-o pela satisfa\u00e7\u00e3o de seus caprichos no desregramento ou no abuso, na egolatria ou no crime, pagando alto pre\u00e7o pelas suas decis\u00f5es volunt\u00e1rias. Examinada a situa\u00e7\u00e3o por esse prisma, temos de reconhecer no mundo uma vasta escola de regenera\u00e7\u00e3o, onde todas as criaturas se reabilitam da trai\u00e7\u00e3o aos seus pr\u00f3prios deveres. A Terra, portanto, pode ser tida como um grande hospital, onde o pecado \u00e9 a doen\u00e7a de todos; o Evangelho, no entanto, traz ao homem enfermo o rem\u00e9dio eficaz, para que todas as estradas se transformem em suave caminho de reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E por isso que n\u00e3o condeno o pecador para afastar o pecado e, em todas as situa\u00e7\u00f5es, prefiro acreditar sempre no bem. Quando observares, Jo\u00e3o, os seres mais tristes e miser\u00e1veis, arrastando-se numa noite pesada de sombra e desola\u00e7\u00e3o, lembra-te da semente grosseira que encerra um g\u00e9rmen divino e que um dia se elevar\u00e1 do seio da terra para o beijo de luz do Sol.<\/p>\n<p>Terminada a explica\u00e7\u00e3o do Mestre, o filho de Zebedeu, deixando transparecer na luz do olhar a sua profunda admira\u00e7\u00e3o, p\u00f4s-se a meditar nos ensinamentos recebidos.<\/p>\n<p>Muito tempo ainda n\u00e3o transcorrera depois desse acontecimento, quando Jesus subiu de Cafarnaum para Jerusal\u00e9m, acompanhado por alguns de seus disc\u00edpulos. Celebravam-se festas tradicionais entre os judeus. O Messias chegou num s\u00e1bado, sob a fiscaliza\u00e7\u00e3o severa dos esp\u00edritos rigoristas de sua \u00e9poca. N\u00e3o foram poucos os paral\u00edticos que o cercaram, ansiosos pelo benef\u00edcio de sua virtude salvadora. Escandalizando os fan\u00e1ticos, o Mestre curava e consolava, na sua jornada de gloriosa reden\u00e7\u00e3o. Explicando que o s\u00e1bado fora feito para o homem e n\u00e3o o homem para o s\u00e1bado, enfrentava sorridente as preocupa\u00e7\u00f5es dos mais exigentes. Vendo tantos cegos e aleijados aglomerados \u00e0 passagem, Tiago o interpelou:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, sendo Deus t\u00e3o misericordioso, por que pune seus filhos com defeitos e mol\u00e9stias t\u00e3o horr\u00edveis?<\/p>\n<p>&#8211; Acreditas, Tiago respondeu Jesus -, que Deus des\u00e7a de sua sabedoria e de seu amor para punir seus pr\u00f3prios filhos? O Pai tem o seu plano determinado com respeito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o inteira; mas, dentro desse plano, a cada criatura cabe uma parte na edifica\u00e7\u00e3o, pela qual ter\u00e1 de responder. Abandonando o trabalho divino, para viver ao sabor dos caprichos pr\u00f3prios, a alma cria para si a situa\u00e7\u00e3o correspondente, trabalhando para reintegrar-se no plano divino, depois de se haver deixado levar pelas sugest\u00f5es funestas, contr\u00e1rias \u00e0 sua pr\u00f3pria paz.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o compreendeu que a Palavra do Messias era a confirma\u00e7\u00e3o dos ensinamentos que j\u00e1 ouvira de seus l\u00e1bios, na tarde em que a multid\u00e3o exigia o apedrejamento da pecadora.\u00a0 Afastaram-se, em seguida, do Tanque de Betsaida cujas \u00e1guas eram tidas, em Jerusal\u00e9m, na conta de miraculosas e onde o Mestre fizera andar paral\u00edticos, dera vista a cegos e limpara leprosos. Na companhia de Tiago e Jo\u00e3o, o Senhor encaminhou-se para o templo, onde um dos paral\u00edticos que ele havia curado relatava o acontecido, cheio de sincera alegria. Jesus aproximou-se dele e, deixando entrever aos seus disc\u00edpulos que desejava confirmar os ensinamentos sobre pecado e puni\u00e7\u00e3o, falou-lhe abertamente, como se l\u00ea no texto evang\u00e9lico de Jo\u00e3o:\u00a0 &#8211; &#8220;Eis que est\u00e1s s\u00e3o. N\u00e3o peques mais, para que te n\u00e3o suceda coisa pior.&#8221;<\/p>\n<p>Desde que esses ensinos foram dados, novas id\u00e9ias de fraternidade povoaram o mundo, com respeito aos transviados, aos criminosos e aos inimigos, atingindo a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos Estados.<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio Romano vulgarizara os mais nefandos processos de regenera\u00e7\u00e3o ou de vingan\u00e7a. Escravos ignorantes eram pasto das feras, nos divertimentos p\u00fablicos, pelas faltas mais insignificantes nas casas dos patr\u00edcios. S\u00f3 de uma vez, trinta mil desses servos, a quem se negava qualquer bem do esp\u00edrito, foram crucificados numa festa, pr\u00f3ximo aos soberbos aquedutos da Via \u00c1pia. Os a\u00e7oites humilhantes eram castigo suave.<\/p>\n<p>Entretanto, desde a tarde em que Jesus se encontrou com a pecadora em frente da multid\u00e3o, um pensamento novo entrou a dominar aos poucos o esp\u00edrito do mundo. A subst\u00e2ncia evang\u00e9lica do ensino inolvid\u00e1vel penetrou o aparelho judici\u00e1rio de todos os povos. A sociedade come\u00e7ou a compreender suas obriga\u00e7\u00f5es e procurou segregar o criminoso, como se isola um doente, buscando auxiliar-\u00a0 -lhe a reforma definitiva, por todos os meios ao seu alcance. Os menores delinquentes foram amparados pelas numerosas escolas de regenera\u00e7\u00e3o. Todo o sistema da justi\u00e7a humana evolveu para os princ\u00edpios da magnanimidade, e os ju\u00edzes modernos, lavrando suas senten\u00e7as, sem nunca haverem manuseado o Novo Testamento, talvez ignorem que procedem assim por ter sido Jesus o grande reformador da criminologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13 &#8211; PECADO E PUNI\u00c7\u00c3O (Da obra &#8220;Boa Nova&#8221;) Jesus havia terminado uma de suas prega\u00e7\u00f5es na pra\u00e7a p\u00fablica, quando percebeu que a multid\u00e3o se movimentava em alvoro\u00e7o. 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