{"id":822,"date":"2013-05-06T17:39:40","date_gmt":"2013-05-06T20:39:40","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=822"},"modified":"2013-05-06T17:40:54","modified_gmt":"2013-05-06T20:40:54","slug":"16-o-testemunho-de-tome","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/16-o-testemunho-de-tome\/","title":{"rendered":"16 &#8211; O Testemunho de Tom\u00e9"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">O TESTEMUNHO DE TOM\u00c9<\/p>\n<p>Conta a narrativa de Marcos que, voltando Jesus de uma das suas excurs\u00f5es, se\u00a0encaminhou para o territ\u00f3rio de Dalmanuta, onde v\u00e1rios fariseus se puseram a discutir com ele, para experiment\u00e1-lo. Entremostrando a dor que lhe causava a incompreens\u00e3o ambiente, o Mestre exclamou com a sua energia serena: &#8211; &#8220;Por\u00a0que pede esta gera\u00e7\u00e3o um sinal do C\u00e9u?&#8221;<\/p>\n<p>Era freq\u00fcente buscarem o Messias com a preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva do maravilhoso.<\/p>\n<p>Alguns exigiam os milagres mais extravagantes, no ar, no firmamento, nas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o afirmava ser o Filho de Deus?!&#8230; No exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, n\u00e3o\u00a0\u00a0expulsara esp\u00edritos malignos, n\u00e3o curara paral\u00edticos e leprosos? Os fariseus, \u00a0 principalmente, eram os que desejavam crer nos ensinamentos novos, mas,\u00a0\u00a0dentro das normas do velho ego\u00edsmo humano, reclamavam pr\u00e9vias\u00a0\u00a0compensa\u00e7\u00f5es do sobrenatural ao apoio do dia seguinte.<\/p>\n<p>De todos os disc\u00edpulos, era Tom\u00e9 o que mais se preocupava com a dilata\u00e7\u00e3o, que\u00a0lhe parecia necess\u00e1ria, da zona de influencia\u00e7\u00e3o do Senhor junto dos homens\u00a0considerados mais importantes e mais ricos. N\u00e3o raro, insistia com Jesus para que atendesse \u00e0s exig\u00eancias dos fariseus bem aquinhoados de autoridade e de riqueza.<\/p>\n<p>Naquele dia de breve repouso em Dalmanuta, o Mestre descansava na choupana\u00a0de um velho pescador por nome Zacarias, quando o disc\u00edpulo surgiu\u00a0inesperadamente, reclamando-lhe a aten\u00e7\u00e3o nestes termos:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, numerosos homens de import\u00e2ncia est\u00e3o na localidade e desejam o\u00a0sinal de vossa miss\u00e3o divina!<\/p>\n<p>Reparando que Jesus guardara sil\u00eancio, Tom\u00e9 continuou a falar, desejoso de\u00a0acender entusiasmo em torno do seu alvitre.<\/p>\n<p>&#8211; S\u00e3o altos funcion\u00e1rios de Herodes, em companhia de doutores de Jerusal\u00e9m,\u00a0que excursionam por estas paragens&#8230; Al\u00e9m disso, est\u00e3o acompanhados de\u00a0patr\u00edcios romanos, interessados em conhecer o lago e as suas aldeias mais\u00a0influentes. Esses viajantes ilustres fizeram-me portador de um convite atencioso e\u00a0am\u00e1vel, pois vos esperam em casa do centuri\u00e3o Corn\u00e9lio Cimbro!&#8230;<\/p>\n<p>Jesus, entretanto, depois de longo sil\u00eancio, no qual pareceu examinar detidamente\u00a0a atitude mental do interlocutor, perguntou com serenidade, mas em tom algo doloroso:<\/p>\n<p>&#8211; Que desejam de mim?<\/p>\n<p>&#8211; Querem conhecer-vos, Mestre! &#8211; replicou o ap\u00f3stolo, mais confortado.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que me vejam a mim, mas que sintam a verdade que trago de\u00a0Nosso Pai &#8211; redarguiu Jesus, com tranquila firmeza.<\/p>\n<p>Deixando transparecer o desgosto que aquela resposta lhe causava, Tom\u00e9 insistiu:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, Mestre, atendei-os! &#8230; Que ser\u00e1 do Evangelho do Reino e de n\u00f3s mesmos, sem o apoio dos influentes e prestigiosos? Acreditais na vit\u00f3ria sem o amparo das energias que dominam o mundo? Mostrai-vos a esses homens, revelai-lhes o vosso poder divino, pois, ao demais, eles apenas desejam conhecer-vos de perto!.<\/p>\n<p>&#8211; Tom\u00e9 &#8211; exclamou o Senhor, com energia -, Deus n\u00e3o exige que os homens o conhe\u00e7am sen\u00e3o no santu\u00e1rio do perfeito conhecimento de si mesmos. Eu venho\u00a0de meu Pai e tenho de ensinar as suas verdades divinas. Nunca reclamei dos\u00a0meus disc\u00edpulos as suas homenagens pessoais, apenas tenho recomendado a\u00a0todos que se amem, reciprocamente, atrav\u00e9s da vida!<\/p>\n<p>E, desfazendo as pondera\u00e7\u00f5es descabidas do disc\u00edpulo, continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Julgas, ent\u00e3o, que o Evangelho do Reino seja uma causa dos homens\u00a0perec\u00edveis? Se assim fosse, as nossas verdades seriam t\u00e3o mesquinhas como as\u00a0edifica\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias do mundo, destinadas \u00e0 renova\u00e7\u00e3o pela morte, nos \u00a0ternos\u00a0caminhos do tempo. Os patr\u00edcios romanos e os doutores de Jerusal\u00e9m n\u00e3o ter\u00e3o\u00a0de entregar a alma a Deus, algum dia? Quem ser\u00e1, desse modo, o mais forte e\u00a0poderoso: Deus, que \u00e9 o Pai de sabedoria infinita, na eternidade de sua gl\u00f3ria, ou\u00a0um c\u00e9sar romano, que ter\u00e1 de rolar do seu trono enfeitado de p\u00farpura, para o p\u00f3\u00a0tenebroso da sepultura?!<\/p>\n<p>Tom\u00e9 escutava-o, surpreso e entristecido; todavia, com o prop\u00f3sito de se justificar,\u00a0acrescentou comovido:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, compreendo as vossas observa\u00e7\u00f5es divinas; no entanto, esses\u00a0forasteiros desejavam apenas um sinal de Deus nos c\u00e9us.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, se s\u00e3o incapazes de perceber a presen\u00e7a do Nosso Pai, como poder\u00e3o reconhecer-lhe um simples sinal?<\/p>\n<p>&#8211; perguntou Jesus, com todo o vigor da sua convic\u00e7\u00e3o. &#8211; Os pais humanos sabem\u00a0que sem o seu esfor\u00e7o, ou sem a generosa coopera\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que os substitua, \u00e0 frente da fam\u00edlia, n\u00e3o seria poss\u00edvel o desenvolvimento de seus filhos, no que se refere \u00e0 assist\u00eancia material; contudo, os homens do mundo encontram a casa edificada da natureza, com a exatid\u00e3o de suas leis, e timbram sempre em negar a assist\u00eancia da Provid\u00eancia Divina. Vai, Tom\u00e9, e dize-lhes que o Evangelho do Reino n\u00e3o se destina aos que se encontrem satisfeitos e confortados na Terra; destina-se justamente aos cora\u00e7\u00f5es que aspiram a uma vida melhor!<\/p>\n<p>Ante a firmeza das elucida\u00e7\u00f5es, o ap\u00f3stolo n\u00e3o mais insistiu. Ainda, por\u00e9m,\u00a0interrogou, hesitante:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, qual ser\u00e1 ent\u00e3o a nossa senha? Como provar \u00e0s criaturas que o nosso\u00a0esfor\u00e7o est\u00e1 com Deus?<\/p>\n<p>&#8211; Uma s\u00f3 l\u00e1grima, que console e esclare\u00e7a um cora\u00e7\u00e3o atormentado &#8211; explicou\u00a0Jesus -, vale mais do que um sinal imenso no c\u00e9u, destinado t\u00e3o-somente a\u00a0impressionar os miser\u00e1veis sentidos da criatura. A nossa senha, Tom\u00e9, \u00e9 a nossa\u00a0pr\u00f3pria exemplifica\u00e7\u00e3o, na humildade e no trabalho. Quando quiseres esclarecer o\u00a0esp\u00edrito de algu\u00e9m, nunca lhe mostres que sabes alguma coisa; sofre, por\u00e9m, com\u00a0as suas dores e colher\u00e1s resultado. A reden\u00e7\u00e3o consiste em amar intensamente.<\/p>\n<p>Se te interessas por um amigo, suporta os seus infort\u00fanios e imperfei\u00e7\u00f5es, anda em sua companhia nos dias amargos e dolorosos! O nosso sinal \u00e9 o do amor que eleva e santifica, porque s\u00f3 ele tem a luz que atravessa os grandes abismos. Vai e n\u00e3o descreias, porque n\u00e3o triunfaremos no mundo somente pelo que fizermos, mas tamb\u00e9m pelo que deixarmos de fazer, no \u00e2mbito das suas falsas grandezas! &#8230;<\/p>\n<p>Desde esse dia, o ap\u00f3stolo Tom\u00e9 reformou a sua concep\u00e7\u00e3o sobre as mensagens<\/p>\n<p>do c\u00e9u, no cap\u00edtulo dos milagres; entretanto, n\u00e3o conseguia escapar a pequeninas indecis\u00f5es, em mat\u00e9ria de f\u00e9. N\u00e3o podia excluir de sua imagina\u00e7\u00e3o o desejo de uma vit\u00f3ria ampla e f\u00e1cil do Evangelho, pela renova\u00e7\u00e3o imediata do mundo.<\/p>\n<p>Dentro em pouco, por\u00e9m, a onda das persegui\u00e7\u00f5es vinha desfazer a suave e divina ventura. O Mestre fora preso. Com exce\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o, que se conservara junto de sua m\u00e3e, todos os disc\u00edpulos se afastaram espavoridos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ele n\u00e3o resistiu \u00e0s grandes vacila\u00e7\u00f5es do triste momento. Debandara.<\/p>\n<p>Todavia, depois, sentira o cora\u00e7\u00e3o pungido de remorsos acerbos. Almejava contemplar o Mestre querido, ouvir, se poss\u00edvel, pela \u00faltima vez, uma palavra de exprobra\u00e7\u00e3o dos seus l\u00e1bios divinos. Disfar\u00e7ando-se, ent\u00e3o, de maneira a tornar-se irreconhec\u00edvel, a fim de se livrar das iras da multid\u00e3o, incorporou-se, nas ruas movimentadas, ao ruidoso cortejo. Seu cora\u00e7\u00e3o batia acelerado. Rompeu a massa popular e aproximou-se do Messias, que caminhava sob a cruz a passos\u00a0 vacilantes, seguido de perto pelos soldados que o protegiam contra os ataques da plebe. Sentiu que uma grande ang\u00fastia lhe dilacerava as fibras mais delicadas da alma. Contudo, seguiu sempre, at\u00e9 que o madeiro se ergueu, exibindo o sentenciado sob os raios do Sol claro, no topo de uma colina, como para apresentar espet\u00e1culo \u00e0s vistas do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Tom\u00e9 contemplou fixamente o Mestre e notou que o esp\u00edrito se lhe mantinha\u00a0firme. Sua fisionomia serena, n\u00e3o obstante o mart\u00edrio daquela hora, n\u00e3o refletia\u00a0sen\u00e3o o amor profundo que lhe conhecera nos dias mais lindos e mais \u00a0tranquilos.<\/p>\n<p>Seus p\u00e9s, que tanto haviam caminhado para a semeadura do bem, estavam\u00a0ensanguentados. Suas m\u00e3os generosas e acariciadoras eram duas rosas\u00a0vermelhas, gotejando o sangue do supl\u00edcio. Sua fronte, em que se haviam\u00a0abrigado os pensamentos mais puros do mundo, se mostrava aureolada de\u00a0espinhos.<\/p>\n<p>Tom\u00e9 se p\u00f4s a chorar discretamente; logo, por\u00e9m, como se o olhar do Mestre o\u00a0buscasse, entre os milhares de criaturas reunidas, observou que Jesus o fitara e, magnetizado pela sua fei\u00e7\u00e3o divina, avan\u00e7ou, hesitante. Desejava escutar daqueles l\u00e1bios adorados a reprova\u00e7\u00e3o franca e sincera que merecia o seu conden\u00e1vel procedimento, fugindo ao testemunho da hora extrema. Aproximou-se ofegante da cruz e, deixando perceber que apenas cedia a uma necessidade espiritual naquele instante supremo, ouviu Jesus dizer-lhe em voz quase impercept\u00edvel:<\/p>\n<p>&#8211; Tom\u00e9, no Evangelho do Reino, o sinal do c\u00e9u tem de ser o completo sacrif\u00edcio de\u00a0n\u00f3s mesmos!&#8230;<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo compreendeu-lhe as palavras e chorou amargamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a advert\u00eancia do Messias, feita do cimo da cruz da humilha\u00e7\u00e3o e do\u00a0sofrimento, o disc\u00edpulo continuava naquela atitude que se caracterizava por d\u00favidas quase invenc\u00edveis. Considerava o Cristo a mais alta figura da Humanidade, em se tratando do amor que ilumina as estradas escabrosas da vida\u00a0material; mas, no que se referia ao racioc\u00ednio, Tom\u00e9 mantinha certas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sua alma se deixava empolgar por in\u00fameras indecis\u00f5es, quando a not\u00edcia \u00a0 \u00a0fulgurante da ressurrei\u00e7\u00e3o estalou em Jerusal\u00e9m, por entre vivas \u00a0manifesta\u00e7\u00f5es\u00a0de alegria.<\/p>\n<p>Maria de Magdala, Pedro, Jo\u00e3o, bem como outros companheiros, tinham visto o\u00a0Senhor, tinham-lhe escutado a palavra consoladora e divina. Incerto de si mesmo,\u00a0quase vencido na sua escassa f\u00e9, o disc\u00edpulo procurou os amigos diletos,\u00a0ansiando pela manifesta\u00e7\u00e3o do Mestre adorado. Reunida a pequena comunidade,\u00a0depois das preces habituais, Jesus penetrou na sala humilde com sereno sorriso,\u00a0desejando aos companheiros paz e bom \u00e2nimo, como nos dias venturosos e\u00a0risonhos da Galil\u00e9ia. Tom\u00e9, sentindo o cora\u00e7\u00e3o bater-lhe precipitado, ergueu os\u00a0olhos. O Senhor, percebendo-lhe os pensamentos mais ocultos, aproximou-se do disc\u00edpulo de f\u00e9 vacilante e o convidou a tocar-lhe as chagas.<\/p>\n<p>Depois de pronunciar as palavras que as narrativas apost\u00f3licas registraram,\u00a0acrescentou bondosamente: &#8211; &#8220;Tom\u00e9, p\u00f5e a tua m\u00e3o nas minhas chagas e n\u00e3o te\u00a0esque\u00e7as de que \u00e9 o sinal..<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a raz\u00e3o fria do ap\u00f3stolo notou que um clar\u00e3o novo o invadia e lhe penetrava a alma. Compreendeu finalmente que o mart\u00edrio do cora\u00e7\u00e3o que ama se reveste de misterioso poder. Tocado pela humildade do Mestre redivivo, prosternou-se e chorou. Suas l\u00e1grimas eram de ventura e lhe proporcionavam ao esp\u00edrito um j\u00fabilo para cujo pre\u00e7o todos os tronos da Terra eram miser\u00e1veis e pequeninos. Sua alma acabava de vencer uma grande batalha. O cora\u00e7\u00e3o triunfara do c\u00e9rebro, o sentimento lhe acrisolara a f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O TESTEMUNHO DE TOM\u00c9 Conta a narrativa de Marcos que, voltando Jesus de uma das suas excurs\u00f5es, se\u00a0encaminhou para o territ\u00f3rio de Dalmanuta, onde v\u00e1rios fariseus se puseram a discutir com ele, para experiment\u00e1-lo. 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