{"id":880,"date":"2013-05-08T09:47:12","date_gmt":"2013-05-08T12:47:12","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=880"},"modified":"2013-05-08T09:47:12","modified_gmt":"2013-05-08T12:47:12","slug":"17-jesus-na-samaria","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/17-jesus-na-samaria\/","title":{"rendered":"17 &#8211; Jesus na Samaria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Jesus na Samaria<\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>Descendo Jesus, de Jerusal\u00e9m para Cafarnaum, seguido de alguns dos disc\u00edpulos, nas suas habituais jornadas a p\u00e9, alcan\u00e7ou a Samaria, quando o crep\u00fasculo j\u00e1 se fazia mais sombrio.<\/p>\n<p>Filipe, Andr\u00e9 e Tiago, estando com muita fome, deixaram o Mestre a repousar junto de urna pequena herdade e demandaram o lugarejo mais pr\u00f3ximo, em busca de alimentos.<\/p>\n<p>O Messias, olhando em torno de si, reconheceu que se encontrava ao lado da fonte de Jac\u00f3. Envolvida nos rev\u00e9rberos do Sol que ia ceder lugar \u00e0s sombras da noite que se aproximavam, uma mulher acercou-se do antigo po\u00e7o e observou que o Mestre lhe ia ao encontro, com a bela e costumeira placidez do seu semblante, e lhe pedia de beber.<\/p>\n<p>&#8211; Como, sendo tu judeu, me pedes um favor a mim, que sou samaritana? &#8211; interrogou, surpreendida.<\/p>\n<p>Jesus descansou na interlocutora o olhar tranquilo e redarguiu:<\/p>\n<p>&#8211; Os judeus e samaritanos ter\u00e3o, porventura, necessidades diversas entre si? Bem se v\u00ea que n\u00e3o conheces os dons de Deus, porquanto, se houvesses guardado os mandamentos divinos, compreenderias que te posso dar da \u00e1gua viva.<\/p>\n<p>&#8211; Que vem a ser essa \u00e1gua viva? &#8211; inquiriu a samaritana, impressionada. &#8211; Onde a tens, se a \u00e1gua aqui existente \u00e9 apenas a deste po\u00e7o?! Acaso serias maior do que o nosso pai Jac\u00f3 que no-lo deu desde o princ\u00edpio?<\/p>\n<p>&#8211; Mulher, a \u00e1gua viva \u00e9 aquela que sacia toda sede; vem do amor infinito de Deus e santifica as criaturas.<\/p>\n<p>E, envolvendo a samaritana no doce magnetismo de seu olhar, continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Este po\u00e7o de Jac\u00f3 secar\u00e1 um dia. No leito de terra, onde agora repousam suas \u00e1guas claras, a serpente poder\u00e1 fazer seu ninho. N\u00e3o sentes a verdade de minhas afirmativas, ante a tua sede de todos os dias? N\u00e3o obstante levares cheio o c\u00e2ntaro, voltar\u00e1s logo mais ao po\u00e7o, com uma nova sede. Entretanto, os que beberem da \u00e1gua viva estar\u00e3o eternamente saciados. Para esses n\u00e3o mais haver\u00e1 a necessidade material que se renova a cada instante da vida. Perene conforto lhes refrescar\u00e1 os cora\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s dos caminhos mais acidentados, sob o Sol ardente dos desertos do mundo! &#8230;<\/p>\n<p>A mulher escutava, presa de funda impress\u00e3o, aquelas palavras que lhe chegavam ao santu\u00e1rio do esp\u00edrito, com a solenidade de uma nova revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, d\u00e1-me dessa \u00e1gua! &#8211; exclamou interessada.<\/p>\n<p>Mas, ouve! &#8211; disse-lhe Jesus. E o Mestre passou a esclarec\u00ea-la sobre fatos e circunst\u00e2ncias \u00edntimas de sua vida particular, explicando-lhe o que se fazia necess\u00e1rio para que a sagrada emo\u00e7\u00e3o do amor divino lhe iluminasse a alma, afastando-a de todas as necessidades penosas da exist\u00eancia material.<\/p>\n<p>Observando que n\u00e3o havia segredos para Jesus, a samaritana chorou e respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, agora vejo que \u00e9s de fato um profeta de Deus. Meu esp\u00edrito est\u00e1 cheio de boa-vontade e, desde muito, penso na melhor maneira de purificar minha vida e santificar os meus atos. Entretanto, \u00e9 tal a confus\u00e3o que observo em torno de mim, que n\u00e3o sei como adorar a Deus. Os meus familiares e vizinhos afirmam que \u00e9 indispens\u00e1vel celebrar o culto ao Todo-Poderoso neste monte; os judeus nos combatem e asseveram que nenhuma cerim\u00f4nia ter\u00e1 valor fora dos muros de Jerusal\u00e9m. As disc\u00f3rdias nesta regi\u00e3o t\u00eam chegado ao c\u00famulo. Ainda h\u00e1 pouco tempo, um judeu feriu um dos nossos, por causa das suas opini\u00f5es acerca da comida impura. J\u00e1 que tenho a felicidade de ouvir as tuas palavras, ensina-me o melhor caminho.<\/p>\n<p>O Mestre observou-a, compadecido, e exclamou:<\/p>\n<p>&#8211; Tens raz\u00e3o. As diverg\u00eancias religiosas t\u00eam implantado a maior desuni\u00e3o entre os membros da grande fam\u00edlia humana. Entretanto, o Pastor vem ao redil para reunir as ovelhas que os lobos dispersaram. Em verdade, afirmo-te que vir\u00e1 um tempo em que n\u00e3o se adorar\u00e1 a Deus nem neste monte, nem no templo suntuoso de Jerusal\u00e9m, porque o Pai \u00e9 Esp\u00edrito e s\u00f3 em esp\u00edrito deve ser adorado. Por isso, venho abrir o templo dos cora\u00e7\u00f5es sinceros para que \u00a0todo culto a Deus se converta em \u00edntima comunh\u00e3o entre o homem e o seu Criador! Suave sil\u00eancio se fez entre ambos. Enquanto Jesus parecia sondar o invis\u00edvel com o seu luminoso olhar, a samaritana meditava.<\/p>\n<p>Da\u00ed a alguns instantes, acompanhados de grande n\u00famero de populares, chegavam os disc\u00edpulos, admirando-se todos de encontrarem o Messias em conversa\u00e7\u00e3o \u00edntima com uma mulher.<\/p>\n<p>Nenhum deles, todavia, aventurou qualquer observa\u00e7\u00e3o menos digna ou imprudente. Observando que o Messias se preparava para retirar-se em busca da aldeia mais pr\u00f3xima, a samaritana, eminentemente impressionada com as suas revela\u00e7\u00f5es, solicitou a presen\u00e7a de todos os seus familiares e vizinhos, a fim de que o conhecessem e lhe ouvissem a palavra.<\/p>\n<p>Tiago e Andr\u00e9 haviam trazido p\u00e3o e algumas frutas e insistiam com Jesus para que se alimentasse. O Mestre, por\u00e9m, aproveitou o instante para mais uma vez ensinar o caminho do Reino, com as suas palavras amigas, compondo par\u00e1bolas singelas. Muita gente se aglomerara para ouvi-lo. Eram viajantes que demandavam regi\u00f5es diferentes, a par de grande grupo de samaritanos de opini\u00f5es exaltadas. A enorme assembleia se p\u00f4s a caminho, mas o Messias continuou espalhando as suas promessas de esperan\u00e7a e de consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse \u00ednterim, Filipe consultou os companheiros e, aproximando-se de Jesus, rogou-lhe carinhosamente:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre, por favor, aceitai um pouco de p\u00e3o! \u00c9 indispens\u00e1vel cuidardes do sustento! Descansai e comei! &#8230;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o te preocupes, Filipe &#8211; disse o Messias, com reconhecimento -, n\u00e3o tenho fome. Ali\u00e1s, recebo um alimento que talvez os meus pr\u00f3prios disc\u00edpulos ainda n\u00e3o puderam conhecer.<\/p>\n<p>&#8211; Qual? &#8211; atalhou o ap\u00f3stolo, com interesse.<\/p>\n<p>&#8211; Antes de tudo, meu alimento \u00e9 fazer a vontade daquele Pai misericordioso e justo que a este mundo me enviou, a fim de ensinar o seu amor e a sua verdade.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Meu sustento \u00e9 realizar a sua obra.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 verdade &#8211; observou o disc\u00edpulo, olhando a multid\u00e3o que os acompanhava -, vedes melhor os cora\u00e7\u00f5es e n\u00e3o podemos perder esta oportunidade de divulga\u00e7\u00e3o da Boa Nova. Levaremos para Cafarnaum mais este triunfo, porque \u00e9 incontest\u00e1vel que obtivestes aqui, entre os samaritanos, um dos nossos maiores \u00eaxitos! &#8230;<\/p>\n<p>Tiago e Andr\u00e9 ouviam, silenciosos, o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>\u00c0s palavras entusi\u00e1sticas do ap\u00f3stolo, o Mestre sorriu e acrescentou:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 isso propriamente o que me interessa. O \u00eaxito mundano pode ser uma ondula\u00e7\u00e3o de superf\u00edcie. O de que necessitamos, em todas as situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 entender o que o Pai deseja de n\u00f3s. Como todo o seu anelo \u00e9 o do bem, eu trabalho, mas sem me prender ao anseio das vit\u00f3rias imediatas.<\/p>\n<p>E, dirigindo o olhar para a turba compacta de seus seguidores, exclamou para os companheiros:<\/p>\n<p>&#8211; Acaso poderemos admitir que j\u00e1 somos compreendidos? Calemo-nos por alguns instantes, a fim de ouvirmos a opini\u00e3o dos que nos seguem os passos.<\/p>\n<p>Fez-se sil\u00eancio entre ele e os tr\u00eas disc\u00edpulos, de modo que podiam ouvir distintamente os di\u00e1logos travados entre os que os acompanhavam.<\/p>\n<p>&#8211; Acreditas que seja este homem o Cristo prometido? perguntava um samaritano de boa figura aos seus amigos. &#8211; De minha parte, n\u00e3o aceito semelhante impostura. Este nazareno \u00e9 um explorador da piedade popular.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 certo &#8211; concordava o interpelado -, mesmo porque, em sua terra, n\u00e3o chega a valer um den\u00e1rio. Pelos pr\u00f3prios parentes \u00e9 tido como inimigo do trabalho e h\u00e1 quem duvide da sua pregui\u00e7osa cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um louco de boa apar\u00eancia &#8211; dizia uma mulher idosa para a filha -, pelo menos essa \u00e9 a opini\u00e3o que j\u00e1 ouvi de habitantes de Cafarnaum; entretanto, c\u00e1 para mim, acredito seja um grande velhaco. Por que se meteu com pescadores, quando alega ser t\u00e3o s\u00e1bio? Por que n\u00e3o se transfere para Jerusal\u00e9m, ou mesmo para o Tiber\u00edades? Bem sabe a raz\u00e3o disso.<\/p>\n<p>L\u00e1 encontraria homens cultos que lhe confundiriam a presun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais pr\u00f3ximo de Jesus, um rapaz sentenciava em voz discreta:<\/p>\n<p>&#8211; Quando chegamos, foi ele achado sozinho com uma mulher. Que te parece esta circunst\u00e2ncia? &#8211; perguntava a um companheiro de caminhada. \u2013 Certamente desejava salv\u00e1-la a seu modo. . . &#8211; replicou com malicioso riso o inquirido.<\/p>\n<p>Num grupo vizinho, falava-se acaloradamente:<\/p>\n<p>&#8211; Este homem \u00e9 um espertalh\u00e3o orgulhoso &#8211; dizia, convicto, um velhote -, s\u00f3 faz milagres junto das grandes multid\u00f5es, para que sintam virtudes sobrenaturais nas suas m\u00e1gicas.<\/p>\n<p>&#8211; E n\u00e3o tem caridade &#8211; acrescentou outro -, pois ainda h\u00e1 pouco tempo, quando o procuraram em Cafarnaum para um sinal do c\u00e9u, fugiu para o monte, sob o pretexto de fazer ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A noite come\u00e7ava a cair de todo. No alto j\u00e1 brilhavam as primeiras estrelas. Jesus sentou-se com os disc\u00edpulos, \u00e0 margem do caminho, para um momento de repouso.<\/p>\n<p>Andr\u00e9, Tiago e Filipe estavam espantados com o que tinham visto e ouvido. Aparentemente o Mestre fora aureolado de imenso \u00eaxito; entretanto, verificaram a profunda incompreens\u00e3o do povo. Foi ent\u00e3o que Jesus, com a serenidade de todos os instantes, os esclareceu cheio da sua bondade imperturb\u00e1vel:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o vos admireis da li\u00e7\u00e3o deste dia. Quando veio, o Batista procurou o deserto, nutrindo-se de mel selvagem. Os homens alegaram que em sua companhia estava o esp\u00edrito de Satan\u00e1s. A mim, pelo motivo de participar das alegrias do Evangelho, chamam-me glut\u00e3o e beberr\u00e3o. Esta \u00e9 a imagem do campo onde temos de operar. Por toda parte encontraremos samaritanos discutidores, atentos aos \u00eaxitos e refer\u00eancias do mundo. Observai a estrada para n\u00e3o cairdes, porque o disc\u00edpulo do Evangelho n\u00e3o se pode preocupar sen\u00e3o com a vontade de Deus, com o seu trabalho sob as vistas do Pai e com a aprova\u00e7\u00e3o da sua consci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus na Samaria \u00a0Descendo Jesus, de Jerusal\u00e9m para Cafarnaum, seguido de alguns dos disc\u00edpulos, nas suas habituais jornadas a p\u00e9, alcan\u00e7ou a Samaria, quando o crep\u00fasculo j\u00e1 se fazia mais sombrio. 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