{"id":907,"date":"2013-05-10T21:21:16","date_gmt":"2013-05-11T00:21:16","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=907"},"modified":"2013-05-17T22:12:18","modified_gmt":"2013-05-18T01:12:18","slug":"5-dos-sistemas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/5-dos-sistemas\/","title":{"rendered":"05 &#8211; Dos Sistemas"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">LM \u2013 1\u00aa PARTE &#8211;\u00a0 CAP\u00cdTULO IV<\/p>\n<p align=\"center\"><b>DOS SISTEMAS<\/b><\/p>\n<p>36. Quando come\u00e7aram a produzir-se os estranhos fen\u00f4menos do Espiritismo, ou, dizendo melhor, quando esses fen\u00f4menos se renovaram nestes \u00faltimos tempos, o primeiro sentimento que despertaram foi o da d\u00favida, quanto \u00e0 realidade deles e, mais ainda, quanto \u00e0 causa que lhes dava origem. Uma vez certificados, por testemunhos irrecus\u00e1veis e pelas experi\u00eancias que todos h\u00e3o podido fazer, sucedeu que cada um os interpretou a seu modo, de acordo com suas id\u00e9ias pessoais, suas cren\u00e7as, ou suas preven\u00e7\u00f5es. Da\u00ed, muitos sistemas, a que uma observa\u00e7\u00e3o mais atenta viria dar o justo valor.<\/p>\n<p>Julgaram os advers\u00e1rios do Espiritismo encontrar um argumento nessa diverg\u00eancia de opini\u00f5es, dizendo que os pr\u00f3prios esp\u00edritas n\u00e3o se entendiam entre si. A pobreza de semelhante raz\u00e3o prontamente se patenteia, desde que se reflita que os passos de qualquer ci\u00eancia nascente s\u00e3o necessariamente incertos, at\u00e9 que o tempo haja permitido se colecionem e coordenem os fatos sobre que possa firmar-se a opini\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os fatos se completam e v\u00e3o sendo mais bem observados, as id\u00e9ias prematuras se apagam e a unidade se estabelece, pelo menos com rela\u00e7\u00e3o aos pontos fundamentais, sen\u00e3o a todos os pormenores. Foi o que se deu com o Espiritismo, que n\u00e3o podia fugir \u00e0 lei comum e tinha mesmo, por sua natureza, que se prestar, mais do que qualquer outro assunto, \u00e0 diversidade das interpreta\u00e7\u00f5es. Pode-se, ali\u00e1s, dizer que, a este respeito, ele andou mais depressa do que outras ci\u00eancias mais antigas, do que a medicina, por exemplo, que ainda traz divididos os maiores s\u00e1bios.<\/p>\n<p>37. Seguindo met\u00f3dica ordem, para acompanhar a marcha progressiva das id\u00e9ias, conv\u00e9m sejam colocados na primeira linha dos sistemas os que se podem classificar como <i>sistemas de nega\u00e7\u00e3o, <\/i>isto \u00e9, os dos advers\u00e1rios do Espiritismo. J\u00e1 lhes refutamos as obje\u00e7\u00f5es, na introdu\u00e7\u00e3o e na conclus\u00e3o de <i>O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>assim como no volumezinho que intitulamos: <i>O que \u00e9 o Espiritismo. <\/i>Fora sup\u00e9rfluo insistir nisso aqui. Limitar-nos-emos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se fundam.<\/p>\n<p>De duas esp\u00e9cies s\u00e3o os fen\u00f4menos esp\u00edritas: efeitos f\u00edsicos e efeitos inteligentes. N\u00e3o admitindo a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos, por n\u00e3o admitirem coisa alguma fora da mat\u00e9ria, concebe-se que neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos f\u00edsicos, eles os comentam do ponto de vista em que se colocam e seus argumentos se podem resumir nos quatro sistemas seguintes:<\/p>\n<p>38. <i>Sistema do charlatanismo. &#8211; <\/i>Entre os antagonistas do Espiritismo, muitos atribuem aqueles efeitos ao embuste, pela raz\u00e3o de que alguns puderam ser imitados. Segundo tal suposi\u00e7\u00e3o, todos os esp\u00edritas seriam indiv\u00edduos emba\u00eddos e todos os m\u00e9diuns seriam embaidores, de nada valendo a posi\u00e7\u00e3o, o car\u00e1ter, o saber e a honradez das pessoas. Sei isto merecesse resposta, dir\u00edamos que alguns fen\u00f4menos da F\u00edsica tamb\u00e9m s\u00e3o imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ci\u00eancia. Demais, pessoas h\u00e1, cujo car\u00e1ter afasta toda suspeita de fraude e preciso \u00e9 n\u00e3o saber absolutamente viver e carecer de toda urbanidade, para que algu\u00e9m ouse vir dizer-lhe na face que s\u00e3o c\u00famplices de charlatanismo. Num sal\u00e3o muito respeit\u00e1vel, um senhor, que se dizia bem educado, tendo-se permitido fazer uma reflex\u00e3o dessa natureza, ouviu da dona da casa o seguinte: &#8220;Senhor, pois que n\u00e3o estais satisfeito, \u00e0 porta vos ser\u00e1 restitu\u00eddo o que pagastes.&#8221; E, com um gesto, lhe indicou o que de melhor tinha a fazer. Dever-se-\u00e1 por isso afirmar que nunca houve abuso? Para cr\u00ea-lo, fora mister admitir-se que os homens s\u00e3o perfeitos. De tudo se abusa, at\u00e9 das coisas mais santas. Por que n\u00e3o abusariam do Espiritismo? Por\u00e9m, o mau uso que de uma coisa se fa\u00e7a n\u00e3o autoriza que ela seja prejulgada desfavoravelmente. Para chegar-se \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o, que se pode obter, da boa-f\u00e9 com que obram as pessoas, deve-se atender aos motivos que lhes determinam o procedimento. O charlatanismo n\u00e3o tem cabimento onde n\u00e3o h\u00e1 especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>39. <i>Sistema da loucura. &#8211; <\/i>Alguns, por condescend\u00eancia, concordam em p\u00f4r de lado a suspeita de embuste. Pretendem ent\u00e3o que os que n\u00e3o iludem s\u00e3o iludidos, o que equivale a qualific\u00e1-los de imbecis. Quando os incr\u00e9dulos se abst\u00eam de usar de circunl\u00f3quios, declaram, pura e simplesmente, que os que creem s\u00e3o loucos, atribuindo-se a si mesmos, desse modo e sem cerim\u00f4nias, o privil\u00e9gio do bom-senso. Esse o argumento formid\u00e1vel dos que nenhuma raz\u00e3o plaus\u00edvel encontram para apresentar. Afinal, semelhante maneira de atacar se tomou rid\u00edcula, tal a sua banalidade, e n\u00e3o merece que se perca tempo em refut\u00e1-la. Acresce que os esp\u00edritas n\u00e3o se alteram com isso; tomam corajosamente o seu partido e se consolam, lembrando-se de que t\u00eam por companheiros de infort\u00fanio muitas pessoas de m\u00e9rito incontest\u00e1vel.<\/p>\n<p>Efetivamente, for\u00e7oso ser\u00e1 convir em que essa loucura, se loucura existe, apresenta uma caracter\u00edstica muito singular: a de atingir de prefer\u00eancia a classe instru\u00edda, em cujo seio conta o Espiritismo, at\u00e9 ao presente, a imensa maioria de seus adeptos. Se entre estes algumas excentricidades se manifestam, elas nada provam contra a Doutrina, do mesmo modo que os loucos religiosos nada provam contra a religi\u00e3o, nem os loucos melamos contra a m\u00fasica, ou os loucos matem\u00e1ticos contra a matem\u00e1tica, Todas as id\u00e9ias sempre tiveram fan\u00e1ticos exagerados e \u00e9 preciso se seja dotado de muito obtuso ju\u00edzo, para confundir a exagera\u00e7\u00e3o de uma coisa com a coisa mesma. Para mais amplas explica\u00e7\u00f5es a este respeito, recomendamos ao leitor a nossa brochura: <i>O que \u00e9 o Espiritismo <\/i>e <i>O Livro dos Esp\u00edritos <\/i>(Introdu\u00e7\u00e3o, \u00a7 15).<\/p>\n<p>40. <i>Sistema da alucina\u00e7\u00e3o. <\/i>Outra opini\u00e3o, menos ofensiva essa, por trazer um ligeiro colorido cient\u00edfico, consiste em levar os fen\u00f4menos \u00e0 conta de ilus\u00e3o dos sentidos. Assim, o observador estaria de muito boa-f\u00e9; apenas, julgaria ver o que n\u00e3o v\u00ea. Quando diz que viu uma mesa levantar-se e manter-se no ar, sem ponto de apoio, a verdade \u00e9 que a mesa n\u00e3o se mexeu. Ele a viu no ar, por efeito de uma esp\u00e9cie de miragem, ou por uma refra\u00e7\u00e3o, qual a que nos faz ver, na \u00e1gua, um astro, ou um objeto qualquer, fora da sua posi\u00e7\u00e3o real. Isto, a rigor, seria poss\u00edvel; mas, os que j\u00e1 testemunharam fen\u00f4menos esp\u00edritas h\u00e3o podido certificar-se do isolamento da mesa suspensa, passando por debaixo dela, o que parece dif\u00edcil de se conseguir, caso o m\u00f3vel n\u00e3o se houvesse despregado do solo. Por outro lado, muitas vezes tem sucedido quebrar-se a mesa ao cair. Dar-se-\u00e1 que tamb\u00e9m a\u00ed nada mais haja do que simples efeito de \u00f3tica?<\/p>\n<p>\u00c9 fora de d\u00favida que uma causa fisiol\u00f3gica bem conhecida pode fazer que uma pessoa julgue ver em movimento um objeto que n\u00e3o se moveu, ou que suponha estar ela pr\u00f3pria a mover-se, quando permanece im\u00f3vel. Mas, quando, rodeando uma mesa, muitas pessoas a v\u00eaem arrastada por um movimento t\u00e3o r\u00e1pido que dif\u00edcil se lhes toma acompanh\u00e1-la, ou que mesmo deita algumas delas ao ch\u00e3o, poder-se-\u00e1 dizer que todas se acham tomadas de vertigem, como o b\u00eabedo, que acredita estar vendo a casa em que mora passar-lhe por diante dos olhos?<\/p>\n<p>41. <i>Sistema do m\u00fasculo estalante. &#8211; <\/i>Sendo assim, pelo que toca \u00e0 vis\u00e3o, de outro modo n\u00e3o poderia ser, pelo que concerne \u00e0 audi\u00e7\u00e3o. Quando as pancadas s\u00e3o ouvidas por todas as pessoas reunidas em determinado lugar, n\u00e3o h\u00e1 como atribu\u00ed-las razoavelmente a uma ilus\u00e3o. Pomos de parte, est\u00e1 claro, toda id\u00e9ia de fraude e supomos que uma atenta observa\u00e7\u00e3o tenha verificado n\u00e3o serem as pancadas atribu\u00edveis a qualquer causa fortuita ou material.<\/p>\n<p>E certo que um s\u00e1bio m\u00e9dico deu desse fen\u00f4meno uma explica\u00e7\u00e3o, ao seu parecer, perempt\u00f3ria (1). &#8220;A causa, disse ele, reside nas contra\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias, ou involunt\u00e1rias, do tend\u00e3o do m\u00fasculo curto-per\u00f4nio.&#8221; A este prop\u00f3sito, desce \u00e0s mais completas min\u00facias anat\u00f4micas, para demonstrar por que mecanismo pode esse tend\u00e3o produzir os ru\u00eddos de que se trata, imitar os rufos do tambor e, at\u00e9, executar \u00e1rias ritmadas. Conclui da\u00ed que os que julgam ouvir pancadas numa mesa s\u00e3o v\u00edtimas de uma mistifica\u00e7\u00e3o, ou de uma ilus\u00e3o. O fato, em si mesmo, n\u00e3o \u00e9 novo. Infelizmente para o autor dessa pretendida descoberta, sua teoria \u00e9 incapaz de explicar todos os casos. Digamos, antes de tudo, que os que gozam da estranha faculdade de fazer que o seu m\u00fasculo curto-per\u00f4nio, ou qualquer outro, estale \u00e0 vontade, da de executar \u00e1rias por esse meio, s\u00e3o indiv\u00edduos excepcionais, enquanto que muito comum \u00e9 a de fazer-se que uma mesa d\u00ea pancadas e que nem todos, dado que algum exista, dos que gozam desta \u00faltima faculdade, possuem a primeira.( (1) Foi o Sr. Jobert (de Lamballe). Para sermos justos, devemos dizer que a descoberta \u00e9 devida ao Sr. Schiff. O Sr. Jobert lhe deduziu as conseq\u00fc\u00eancias perante a Academia de Medicina, pretendendo dar assim o golpe de morte nos Esp\u00edritos batedores. Na <b>Revue Spirite<\/b>, do m\u00eas de junho de 1859, encontrar-se-\u00e3o todos os pormenores da explica\u00e7\u00e3o do Sr. Jobert.)<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o s\u00e1bio doutor esqueceu de explicar como o estalido muscular de uma pessoa im\u00f3vel e afastada da mesa pode produzir nesta vibra\u00e7\u00f5es sens\u00edveis a quem a toque; como pode esse ru\u00eddo repercutir, \u00e0 vontade dos assistentes, nas diferentes partes da mesa, nos outros m\u00f3veis, nas paredes, no forro, etc.; como, finalmente, a a\u00e7\u00e3o daquele m\u00fasculo pode atingir uma mesa em que ningu\u00e9m toca e faz\u00ea-la mover-se. Em suma, a explica\u00e7\u00e3o a que nos reportamos, se de fato o fosse, apenas infirmaria o fen\u00f4meno das pancadas, nada adiantando com rela\u00e7\u00e3o a qualquer dos outros muitos modos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7amos, pois, que ele julgou sem ter visto, ou sem ter observado tudo e observado bem. E sempre de lamentar que homens de ci\u00eancia se afoitem a dar, do que n\u00e3o conhecem, explica\u00e7\u00f5es que os fatos podem desmentir. O pr\u00f3prio saber que possuem devera torn\u00e1-los tanto mais circunspectos em seus ju\u00edzos, quanto \u00e9 certo que esse saber afasta deles os limites do desconhecido.<\/p>\n<p>42. <i>Sistema das causas f\u00edsicas. &#8211; <\/i>Aqui, estamos fora do sistema da nega\u00e7\u00e3o absoluta. Averiguada a realidade dos fen\u00f4menos, a primeira id\u00e9ia que naturalmente acudiu ao esp\u00edrito dos que os verificaram foi a de atribuir os movimentos ao magnetismo, \u00e0 eletricidade, ou \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um fluido qualquer; numa palavra, a uma causa inteiramente f\u00edsica e material. Nada apresentava de irracional esta opini\u00e3o e teria prevalecido, se o fen\u00f4meno houvera ficado adstrito a efeitos puramente mec\u00e2nicos. Uma circunst\u00e2ncia parecia mesmo corrobor\u00e1-la: a do aumento que, em certos casos, experimentava a for\u00e7a atuante, na raz\u00e3o direta do n\u00famero das pessoas presentes. Assim, cada uma destas podia ser considerada como um dos elementos de uma pilha el\u00e9trica humana. J\u00e1 dissemos que o que caracteriza uma teoria verdadeira \u00e9 poder dar a raz\u00e3o de tudo.<\/p>\n<p>Se, por\u00e9m, um s\u00f3 fato que seja a contradiz, \u00e9 que ela \u00e9 falsa, incompleta, ou por demais absoluta. Ora, foi o que n\u00e3o tardou a reconhecer-se, quanto a esta. Os movimentos e as pancadas deram sinais inteligentes, obedecendo \u00e0 vontade e respondendo ao pensamento. Haviam, pois, de originar-se de uma causa inteligente. Desde que o efeito deixava de ser puramente f\u00edsico, outra, por isso mesmo, tinha que ser a causa. Tanto assim, que o sistema da a\u00e7\u00e3o <i>exclusiva <\/i>de um agente material foi abandonado, para s\u00f3 ser esposado ainda pelos que julgam <i>a priori, <\/i>sem haver visto coisa alguma. O ponto capital, portanto, est\u00e1 em verificar-se a a\u00e7\u00e3o inteligente, de cuja realidade se pode convencer quem quiser dar-se ao trabalho de observar.<\/p>\n<p>43. <i>Sistema do reflexo. &#8211; <\/i>Reconhecida a a\u00e7\u00e3o inteligente, restava saber donde provinha essa intelig\u00eancia. Julgou-se que bem podia ser a do m\u00e9dium, ou a dos assistentes, a se refletirem, como a luz ou os raios sonoros. Era poss\u00edvel: s\u00f3 a experi\u00eancia poderia dizer a \u00faltima palavra. Mas, notemos, antes de tudo, que este sistema j\u00e1 se afasta por completo da id\u00e9ia puramente materialista. Para que a intelig\u00eancia dos assistentes pudesse reproduzir-se por via indireta, preciso era se admitisse existir no homem um princ\u00edpio exterior do organismo.<\/p>\n<p>Se o pensamento externado fora sempre o dos assistentes, a teoria da reflex\u00e3o estaria confirmada. Mas, embora reduzido a estas propor\u00e7\u00f5es, j\u00e1 n\u00e3o seria do mais alto interesse o fen\u00f4meno? J\u00e1 n\u00e3o seria coisa bastante not\u00e1vel o pensamento a repercutir num corpo inerte e a se traduzir pelo movimento e pelo ru\u00eddo? J\u00e1 n\u00e3o haveria a\u00ed o que excitasse a curiosidade dos s\u00e1bios? Por que ent\u00e3o a desprezaram eles, que se afadigam na pesquisa de uma fibra nervosa? S\u00f3 a experi\u00eancia, dizemos, podia confirmar ou condenar essa teoria, e a experi\u00eancia a condenou, porquanto demonstra a todos os momentos, e com os mais positivos fatos, que o pensamento expresso, n\u00e3o somente pode ser estranho ao dos assistentes, mas que lhes \u00e9, muitas vezes, contr\u00e1rio; que contradiz todas as id\u00e9ias preconcebidas e frustra todas as previs\u00f5es. Com efeito, dif\u00edcil me \u00e9 acreditar que a resposta provenha de mim mesmo, quando, a pensar no branco, se me fala em preto.<\/p>\n<p>Em apoio da teoria que apreciamos, costumam invocar certos casos em que s\u00e3o id\u00eanticos o pensamento manifestado e o dos assistentes. Mas, que prova isso, sen\u00e3o que estes podem pensar como a intelig\u00eancia que se comunica? N\u00e3o h\u00e1 por que pretender-se que as duas opini\u00f5es devam ser sempre opostas. Quando, no curso de uma conversa\u00e7\u00e3o, o vosso interlocutor emite um pensamento an\u00e1logo ao que vos est\u00e1 na mente, direis, por isso, que de v\u00f3s mesmos vem o seu pensamento? Bastam alguns exemplos em contr\u00e1rio, bem comprovados, para que positivado fique n\u00e3o ser absoluta esta teoria. Como explicar, pela reflex\u00e3o do pensamento, as escritas feitas por pessoas que n\u00e3o sabem escrever; as respostas do mais alto alcance filos\u00f3fico, obtidas por indiv\u00edduos iletrados; as respostas dadas a perguntas mentais, ou em l\u00edngua que o m\u00e9dium desconhece e mil outros fatos que n\u00e3o permitem d\u00favida sobre a independ\u00eancia da intelig\u00eancia que se manifesta? A opini\u00e3o oposta n\u00e3o pode deixar de resultar de falta de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Provada, como est\u00e1, moralmente, pela natureza das respostas, a presen\u00e7a de uma intelig\u00eancia diversa da do m\u00e9dium e da dos assistentes, provada tamb\u00e9m o est\u00e1, materialmente, pelo fato da escrita direta, isto \u00e9, da escrita obtida espontaneamente, sem l\u00e1pis, nem pena, sem contacto e mau grado a todas as precau\u00e7\u00f5es tomadas contra qualquer subterf\u00fagio. O car\u00e1ter inteligente do fen\u00f4meno n\u00e3o pode ser posto em d\u00favida: logo, h\u00e1 nele mais alguma coisa do que uma a\u00e7\u00e3o flu\u00eddica. Depois, a espontaneidade do pensamento expresso contra toda expectativa e sem que alguma quest\u00e3o tenha sido formulada, n\u00e3o consente se veja nele um reflexo do dos assistentes. Em alguns casos, o sistema do reflexo \u00e9 bastante descort\u00eas. Quando, numa reuni\u00e3o de pessoas honestas, surge inopinadamente uma dessas comunica\u00e7\u00f5es de revoltante grosseria, fora desatencioso, para com os assistentes, pretender-se que ela haja provindo de um deles, sendo prov\u00e1vel que cada um se daria pressa em repudi\u00e1-la. (Vede <i>O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>&#8220;Introdu\u00e7\u00e3o&#8221;, \u00a7 16.)<\/p>\n<p>44. <i>Sistema da alma coletiva. &#8211; <\/i>Constitui uma variante do precedente. Segundo este sistema, apenas a alma do m\u00e9dium se manifesta, por\u00e9m, identificada com a de muitos outros vivos, presentes ou ausentes, e formando um <i>todo coletivo, <\/i>em que se acham reunidas as aptid\u00f5es, a intelig\u00eancia e os conhecimentos de cada um. Conquanto se intitule <i>A Luz <\/i>(1), a brochura onde esta teoria vem exposta, muito obscuro se nos afigura o seu estilo. Confessamos n\u00e3o ter logrado compreend\u00ea-la e dela falamos unicamente de mem\u00f3ria. E, em suma, como tantas outras, uma opini\u00e3o individual, que conta poucos pros\u00e9litos. Pelo nome de <i>Emah Tirps\u00e9, <\/i>o autor designa o ser coletivo criado pela sua imagina\u00e7\u00e3o. Por ep\u00edgrafe, tomou a seguinte senten\u00e7a: <i>Nada h\u00e1 oculto que n\u00e3o deva ser conhecido. <\/i>Esta proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 evidentemente falsa, porquanto uma imensidade h\u00e1 de coisas que o homem n\u00e3o pode e n\u00e3o tem que saber. Bem presun\u00e7oso seria aquele que pretendesse devassar todos os segredos de Deus.<\/p>\n<p>45. <i>Sistema sonamb\u00falico. &#8211; <\/i>Mais adeptos teve este, que ainda conta alguns. Admite, como o anterior, que todas as comunica\u00e7\u00f5es inteligentes prov\u00eam da alma ou Esp\u00edrito do m\u00e9dium. Mas, para explicar o fato de o m\u00e9dium tratar de assuntos que est\u00e3o fora do \u00e2mbito de seus conhecimentos, em vez de supor a exist\u00eancia, nele, de uma alma m\u00faltipla, atribui essa aptid\u00e3o a uma sobreexcita\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea de suas faculdades mentais, a uma esp\u00e9cie de estado sonamb\u00falico, ou ext\u00e1tico, que lhe exalta e desenvolve a intelig\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 negar, em certos casos, a influ\u00eancia desta causa. Por\u00e9m, a quem tenha observado como opera a maioria dos m\u00e9diuns, essa observa\u00e7\u00e3o basta para lhe tornar evidente que aquela causa n\u00e3o explica todos os fatos, que ela constitui exce\u00e7\u00e3o e n\u00e3o regra. ((1) Comunh\u00e3o. A luz do fen\u00f4meno do Esp\u00edrito. Mesas falantes, son\u00e2mbulos, m\u00e9diuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da pr\u00e1tica da f\u00e9. Por <b>Emah Tirps\u00e9<\/b>, uma alma coletiva que escreve por interm\u00e9dio de uma prancheta. Bruxelas, 1858, casa Dewoye.)<\/p>\n<p>Poder-se-ia acreditar que fosse assim, se o m\u00e9dium tivesse sempre ar de inspirado ou de ext\u00e1tico, aspecto que, ali\u00e1s, lhe seria f\u00e1cil aparentar perfeitamente, se quisesse representar uma com\u00e9dia. Como, por\u00e9m, se h\u00e1 de crer na inspira\u00e7\u00e3o, quando o m\u00e9dium escreve como uma m\u00e1quina, sem ter a m\u00ednima consci\u00eancia do que est\u00e1 obtendo, sem a menor emo\u00e7\u00e3o, sem se ocupar com o que faz, distra\u00eddo, rindo e conversando de uma coisa e de outra? Concebe-se a sobreexcita\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias, mas n\u00e3o se compreende possa fazer que uma pessoa escreva sem saber escrever e, ainda menos, quando as comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o transmitidas por pancadas, ou com o aux\u00edlio de uma prancheta, de uma cesta. No curso desta obra, teremos ocasi\u00e3o de mostrar a parte que se deve atribuir \u00e0 influ\u00eancia das id\u00e9ias do m\u00e9dium. Todavia, t\u00e3o numerosos e evidentes s\u00e3o os fatos em que a intelig\u00eancia estranha se revela por meio de sinais incontest\u00e1veis, que n\u00e3o pode haver d\u00favida a respeito. O erro da maior parte dos sistemas, que surgiram nos primeiros tempos do Espiritismo, est\u00e1 em haverem deduzido, de fatos insulados, conclus\u00f5es gerais.<\/p>\n<p>46. <i>Sistema pessimista, diab\u00f3lico ou demon\u00edaco. &#8211; <\/i>Entramos aqui numa outra ordem de id\u00e9ias. Comprovada a interven\u00e7\u00e3o de uma intelig\u00eancia estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa intelig\u00eancia. Sem d\u00favida que o meio mais simples consistia em lhe perguntar isso. Algumas pessoas, contudo, entenderam que esse processo n\u00e3o oferecia garantias bastantes e assentaram de ver em todas as manifesta\u00e7\u00f5es, unicamente, uma obra diab\u00f3lica. Segundo essas pessoas, s\u00f3 o diabo, ou os dem\u00f4nios, podem comunicar-se. Conquanto fraco eco encontre hoje este sistema, \u00e9 ineg\u00e1vel que gozou, por algum tempo, de certo cr\u00e9dito, devido mesmo ao car\u00e1ter dos que tentaram fazer que ele prevalecesse. Faremos, entretanto, notar que os partid\u00e1rios do sistema demon\u00edaco n\u00e3o devem ser classificados entre os advers\u00e1rios do Espiritismo: ao contr\u00e1rio. Sejam dem\u00f4nios ou anjos, os seres que se comunicam s\u00e3o sempre seres incorp\u00f3reos. Ora, admitir a manifesta\u00e7\u00e3o dos dem\u00f4nios \u00e9 admitir a possibilidade da comunica\u00e7\u00e3o do mundo vis\u00edvel com o mundo invis\u00edvel, ou, pelo menos, com uma parte deste \u00faltimo.<\/p>\n<p>Compreende-se que a cren\u00e7a na comunica\u00e7\u00e3o exclusiva dos dem\u00f4nios, por muito irracional que seja, n\u00e3o houvesse parecido imposs\u00edvel, quando se consideravam os Esp\u00edritos como seres criados fora da humanidade. Mas, desde que se sabe que os Esp\u00edritos s\u00e3o simplesmente as almas dos que h\u00e3o vivido, ela perdeu todo o seu prest\u00edgio e pode-se dizer que toda a verossimilhan\u00e7a, porquanto, admitida, o que se seguiria \u00e9 que todas essas almas eram dem\u00f4nios, embora fossem as de um pai, de um filho, ou de um amigo e que n\u00f3s mesmos, morrendo, nos tomar\u00edamos dem\u00f4nios, doutrina pouco lisonjeira e nada consoladora para muita gente. Bem dif\u00edcil ser\u00e1 persuadir a uma m\u00e3e de que o filho querido, que ela perdeu e que lhe vem dar, depois da morte, provas de sua afei\u00e7\u00e3o e de sua identidade, \u00e9 um suposto satan\u00e1s. Sem d\u00favida, entre os Esp\u00edritos, h\u00e1-os muito maus e que n\u00e3o valem mais do que os chamados <i>dem\u00f4nios, <\/i>por uma raz\u00e3o bem simples: a de que h\u00e1 homens muito maus que, pelo fato de morrerem, n\u00e3o se tomam bons. A quest\u00e3o est\u00e1 em saber se s\u00f3 eles podem comunicar-se conosco. Aos que assim pensem, dirigimos as seguintes perguntas:<\/p>\n<p>1\u00ba H\u00e1 ou n\u00e3o Esp\u00edritos bons e maus?<\/p>\n<p>2\u00ba Deus \u00e9 ou n\u00e3o mais poderoso do que os maus Esp\u00edritos, ou do que os dem\u00f4nios, se assim lhes quiserdes chamar?<\/p>\n<p>3\u00ba Afirmar que s\u00f3 os maus se comunicam \u00e9 dizer que os bons n\u00e3o o podem fazer. Sendo assim, uma de duas: ou isto se d\u00e1 pela vontade, ou contra a vontade de Deus. Se contra a Sua vontade, \u00e9 que os maus Esp\u00edritos podem mais do que Ele; se, por vontade Sua, por que, em Sua bondade, n\u00e3o permitiria Ele que os bons fizessem o mesmo, para contrabalan\u00e7ar a influ\u00eancia dos outros?<\/p>\n<p>4\u00ba Que provas podeis apresentar da impossibilidade em que est\u00e3o os bons Esp\u00edritos de se comunicarem?<\/p>\n<p>5\u00ba Quando se vos op\u00f5e a sabedoria de certas comunica\u00e7\u00f5es, respondeis que o dem\u00f4nio usa de todas as m\u00e1scaras para melhor seduzir. Sabemos, com efeito, haver Esp\u00edritos hip\u00f3critas, que d\u00e3o \u00e0 sua linguagem um verniz de sabedoria; mas, admitis que a ignor\u00e2ncia pode falsificar o verdadeiro saber e uma natureza m\u00e1 imitar a verdadeira virtude, sem deixar vest\u00edgio que denuncie a fraude?<\/p>\n<p>6\u00ba Se s\u00f3 o dem\u00f4nio se comunica, sendo ele o inimigo de Deus e dos homens, por que recomenda que se ore a Deus, que nos submetamos \u00e0 vontade de Deus, que suportemos sem queixas as tribula\u00e7\u00f5es da vida, que n\u00e3o ambicionemos as honras, nem as riquezas, que pratiquemos a caridade e todas as m\u00e1ximas do Cristo, numa palavra: que fa\u00e7amos tudo o que \u00e9 preciso para lhe destruir o imp\u00e9rio, dele, dem\u00f4nio? Se tais conselhos o dem\u00f4nio \u00e9 quem os d\u00e1, for\u00e7oso ser\u00e1 convir em que, por muito manhoso que seja, bastante in\u00e1bil \u00e9 ele, fornecendo armas contra si mesmo (1). ((1) Esta quest\u00e3o foi tratada em <b>O Livro dos Esp\u00edritos <\/b>(n\u00fameros 128 e seguintes); mas, com rela\u00e7\u00e3o a este assunto, como acerca de tudo o que respeita \u00e0 parte religiosa, recomendamos a brochura intitulada: <b>Carta de um cat\u00f3lico sobre o Espiritismo<\/b>, do Dr. Grand, ex-c\u00f4nsul da Fran\u00e7a (\u00e0 venda na Livraria Ledoyen, in-18; pre\u00e7o 1 franco), bem como a que vamos publicar sob o t\u00edtulo: <b>Os contraditores do Espiritismo, do ponto de vista da religi\u00e3o, da ci\u00eancia e do materialismo.)<\/b><\/p>\n<p>7\u00ba Pois que os Esp\u00edritos se comunicam, \u00e9 que Deus o permite. Em presen\u00e7a das boas e das m\u00e1s comunica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o ser\u00e1 mais l\u00f3gico admitir-se que umas Deus as permite para nos experimentar e as outras para nos aconselhar ao bem?<\/p>\n<p>8\u00ba Que direis de um pai que deixasse o filho \u00e0 merc\u00ea dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que o afastasse de si; que o privasse do contato com as pessoas que o pudessem desviar do mal? Ser-nos-\u00e1 l\u00edcito supor que Deus procede como um bom pai n\u00e3o procederia, e que, sendo ele a bondade por excel\u00eancia, fa\u00e7a menos do que faria um homem?<\/p>\n<p>9\u00ba A Igreja reconhece como aut\u00eanticas certas manifesta\u00e7\u00f5es da Virgem e de outros santos, em apari\u00e7\u00f5es, vis\u00f5es, comunica\u00e7\u00f5es orais, etc. Essa cren\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a doutrina da comunica\u00e7\u00e3o exclusiva dos dem\u00f4nios? Acreditamos que algumas pessoas hajam professado de boa-f\u00e9 essa teoria; mas, tamb\u00e9m cremos que muitas a adotaram unicamente com o fito de fazer que outras fugissem de ocupar-se com tais coisas, pelo temor das comunica\u00e7\u00f5es m\u00e1s, a cujo recebimento todos est\u00e3o sujeitos. Dizendo que s\u00f3 o diabo se manifesta, quiseram aterrorizar, quase como se faz com uma crian\u00e7a a quem se diz: n\u00e3o toques nisto, porque queima. A inten\u00e7\u00e3o pode ter sido louv\u00e1vel; por\u00e9m, o objetivo falhou, porquanto a s\u00f3 proibi\u00e7\u00e3o basta para excitar a curiosidade e bem poucos s\u00e3o aqueles a quem o medo do diabo tolhe a iniciativa. Todos querem v\u00ea-lo, quando mais n\u00e3o seja para saber como \u00e9 feito e muito espantados ficam por n\u00e3o o acharem t\u00e3o feio como o imaginavam. E n\u00e3o se poderia achar tamb\u00e9m outro motivo para essa teoria exclusiva do diabo? Gente h\u00e1, para quem todos os que n\u00e3o lhe s\u00e3o do mesmo parecer est\u00e3o em erro. Ora, os que pretendem que todas as comunica\u00e7\u00f5es prov\u00eam do dem\u00f4nio n\u00e3o ser\u00e3o a isso induzidos pelo receio de que os Esp\u00edritos n\u00e3o estejam de acordo com eles sobre todos\u00a0os pontos, mais ainda sobre os que se referem aos interesses deste mundo, do que sobre os que concernem aos do outro? N\u00e3o podendo negar os fatos, entenderam de apresenta-los sob forma apavorante. Esse meio, entretanto, n\u00e3o produziu melhor resultado do que os outros. Onde o temor do rid\u00edculo se mostre impotente, for\u00e7oso \u00e9 se deixem passar as coisas. O mu\u00e7ulmano, que ouvisse um Esp\u00edrito falar contra certas leis do Alcor\u00e3o, certamente acreditaria tratar-se de um mau Esp\u00edrito. O mesmo se daria com um judeu, pelo que toca a certas pr\u00e1ticas da lei de Mois\u00e9s. Quanto aos cat\u00f3licos, de um ouvimos que o Esp\u00edrito que se comunica n\u00e3o podia deixar de ser o <i>diabo, <\/i>porque se permitira a liberdade de pensar de modo diverso do dele, acerca do poder temporal, se bem que, em suma, o Esp\u00edrito n\u00e3o houvesse pregado sen\u00e3o a caridade, a toler\u00e2ncia, o amor do pr\u00f3ximo e a abnega\u00e7\u00e3o das coisas deste mundo, preceitos todos ensinados pelo Cristo. N\u00e3o sendo os Esp\u00edritos mais do que as almas dos homens e n\u00e3o sendo estes perfeitos, o que se segue \u00e9 que h\u00e1 Esp\u00edritos igualmente imperfeitos, cujos caracteres se refletem nas suas comunica\u00e7\u00f5es. E fato incontest\u00e1vel haver, entre eles, maus, astuciosos, profundamente hip\u00f3critas, contra os quais preciso se faz que estejamos em guarda. Mas, porque se encontram no mundo homens perversos, \u00e9 isto motivo para nos afastarmos de toda a sociedade? Deus nos outorgou a raz\u00e3o e o discernimento para apreciarmos, assim os Esp\u00edritos, como os homens. O melhor meio de se obviar aos inconvenientes da pr\u00e1tica do Espiritismo n\u00e3o consiste em proibi-la, mas em faz\u00ea-lo compreendido. Um receio imagin\u00e1rio apenas por um instante impressiona e n\u00e3o atinge a todos. A realidade claramente demonstrada, todos a compreendem.<\/p>\n<p>47. <i>Sistema otimista. &#8211; <\/i>Ao lado dos que nestes fen\u00f4menos unicamente v\u00eaem a a\u00e7\u00e3o do dem\u00f4nio, est\u00e3o outros que t\u00e3o-somente h\u00e3o visto a dos bons Esp\u00edritos. Supuseram que, estando liberta da mat\u00e9ria a alma, nenhum v\u00e9u mais lhe encobre coisa alguma, devendo ela, portanto, possuir a ci\u00eancia e a sabedoria supremas. A confian\u00e7a cega, nessa superioridade absoluta dos seres do mundo invis\u00edvel, tem sido, para muitos, a causa de n\u00e3o poucas decep\u00e7\u00f5es. Esses aprender\u00e3o \u00e0 sua custa a desconfiar de certos Esp\u00edritos, quanto de certos homens.<\/p>\n<p>48. <i>Sistema unisp\u00edrita, ou mono-esp\u00edrita. <\/i>&#8211; Como variedade do sistema otimista, temos o que se baseia na cren\u00e7a de que um \u00fanico Esp\u00edrito se comunica com os homens, sendo esse Esp\u00edrito o <i>Cristo, <\/i>que \u00e9 o protetor da Terra. Diante das comunica\u00e7\u00f5es da mais baixa trivialidade, de revoltante grosseria, impregnadas de malevol\u00eancia e de maldade, haveria profana\u00e7\u00e3o e impiedade em supor-se que pudessem emanar do Esp\u00edrito do bem por excel\u00eancia. Se os que assim o cr\u00eaem nunca tivessem obtido sen\u00e3o comunica\u00e7\u00f5es inatac\u00e1veis, ainda se lhes conceberia a ilus\u00e3o. A maioria deles, por\u00e9m, concordam em que t\u00eam recebido algumas muito ruins, o que explicam dizendo ser uma prova a que o bom Esp\u00edrito os sujeita, com o lhes ditar coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunica\u00e7\u00f5es ao diabo, que pode dizer coisas excelentes para tentar, pensam outros que s\u00f3 Jesus se manifesta e que pode dizer coisas detest\u00e1veis, para experimentar os homens. Entre estas duas opini\u00f5es t\u00e3o opostas, quem sentenciar\u00e1? O bom-senso e a experi\u00eancia. Dizemos: a experi\u00eancia, por ser imposs\u00edvel que os que professam id\u00e9ias t\u00e3o exclusivas tudo tenham visto e visto bem. Quando se lhes objeta com os fatos de identidade, que atestam, por meio de manifesta\u00e7\u00f5es escritas, visuais, ou outras, a presen\u00e7a de parentes ou conhecidos dos circunstantes, respondem que \u00e9 sempre o mesmo Esp\u00edrito, o diabo, segundo aqueles, o Cristo, segundo estes, que toma todas as formas. Por\u00e9m, n\u00e3o nos dizem por que motivo os outros Esp\u00edritos n\u00e3o se podem comunicar, com que fim o Esp\u00edrito da Verdade nos viria enganar, apresentando-se sob falsas apar\u00eancias, iludir uma pobre m\u00e3e, fazendo-lhe crer que tem ao seu lado o filho por quem derrama l\u00e1grimas. A raz\u00e3o se nega a admitir que o Esp\u00edrito, entre todos santo, des\u00e7a a representar semelhante com\u00e9dia. Demais, negar a possibilidade de qualquer outra comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o importa em subtrair ao Espiritismo o que este tem de mais suave: a consola\u00e7\u00e3o dos aflitos? Digamos, pura e simplesmente, que tal sistema \u00e9 irracional e n\u00e3o suporta exame s\u00e9rio.<\/p>\n<p>49. <i>Sistema multisp\u00edrita ou polisp\u00edrita. &#8211; <\/i>Todos os sistemas a que temos passado revista, sem excetuar os que se orientam no sentido de negar, fundam-se em algumas observa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, incompletas ou mal interpretadas. Se urna casa for vermelha de um lado e branca do outro,&#8217; aquele que a houver visto apenas por um lado afirmar\u00e1 que ela \u00e9 branca, outro declarar\u00e1 que \u00e9 vermelha. Ambos estar\u00e3o em erro &#8216;e ter\u00e3o raz\u00e3o. No entanto, aquele que a tenha visto dos dois lados dir\u00e1 que a casa \u00e9 branca e vermelha e s\u00f3 ele estar\u00e1 com a verdade. O mesmo sucede com a opini\u00e3o que se forme do Espiritismo: pode ser verdadeira, a certos respeitos, e falsa, se se, generalizar o que \u00e9 parcial, se se tomar como regra o que constitui exce\u00e7\u00e3o, como o todo o que \u00e9 apenas a parte. Por isso dizemos que quem deseje estudar esta ci\u00eancia deve observar muito e durante muito tempo. S\u00f3 o tempo lhe permitir\u00e1 apreender os pormenores, notar os matizes delicados, observar uma imensidade de fatos caracter\u00edsticos, que lhe ser\u00e3o outros tantos raios de luz. Se, por\u00e9m, se detiver na superf\u00edcie, exp\u00f5e-se a formular ju\u00edzo prematuro e, conseguintemente, err\u00f4neo. Eis aqui as conseq\u00fc\u00eancias gerais deduzidas de uma observa\u00e7\u00e3o completa e que agora formam a cren\u00e7a, pode-se dizer, da universalidade dos esp\u00edritas, visto que os sistemas restritivos ano passam de opini\u00f5es insuladas:<\/p>\n<p>1\u00ba Os fen\u00f4menos esp\u00edritas s\u00e3o produzidos por intelig\u00eancias extracorp\u00f3reas, \u00e0s quais tamb\u00e9m se d\u00e1 o nome de Esp\u00edritos;<\/p>\n<p>2\u00ba Os Esp\u00edritos constituem o mundo invis\u00edvel; est\u00e3o em toda parte; povoam infinitamente os espa\u00e7os; temos muitos, de cont\u00ednuo, em torno de n\u00f3s, com os quais nos achamos em contato;<\/p>\n<p>3\u00ba Os Esp\u00edritos reagem incessantemente sobre o mundo f\u00edsico e sobre o mundo moral e s\u00e3o uma das pot\u00eancias da Natureza;<\/p>\n<p>4\u00ba Os Esp\u00edritos n\u00e3o s\u00e3o seres \u00e0 parte, dentro da cria\u00e7\u00e3o, mas as almas dos que h\u00e3o vivido na Terra, ou em outros mundos, e que despiram o inv\u00f3lucro corp\u00f3reo; donde se segue que as almas dos homens s\u00e3o Esp\u00edritos encarnados e que n\u00f3s, morrendo, nos tomamos Esp\u00edritos;<\/p>\n<p>5\u00ba H\u00e1 Esp\u00edritos de todos os graus de bondade e de mal\u00edcia, de saber e de ignor\u00e2ncia;<\/p>\n<p>6\u00ba Todos est\u00e3o submetidos \u00e0 lei do progresso e podem todos chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o; mas, como t\u00eam livre-arb\u00edtrio, l\u00e1 chegam em tempo mais ou menos longo, conforme seus esfor\u00e7os e vontade;<\/p>\n<p>7\u00ba S\u00e3o felizes ou infelizes, de acordo com o bem ou o mal que praticaram durante a vida e com o grau de adiantamento que alcan\u00e7aram. A felicidade perfeita e sem mescla \u00e9 partilha unicamente dos Esp\u00edritos que atingiram o grau supremo da perfei\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>8\u00ba Todos os Esp\u00edritos, em dadas circunst\u00e2ncias, podem manifestar-se aos homens; indefinido \u00e9 o n\u00famero dos que podem comunicar-se;<\/p>\n<p>9\u00ba Os Esp\u00edritos se comunicam por m\u00e9diuns, que lhes servem de instrumentos e int\u00e9rpretes;<\/p>\n<p>10\u00ba Reconhecem-se a superioridade ou a inferioridade dos Esp\u00edritos pela linguagem de que usam; os bons s\u00e9 aconselham o bem e s\u00f3 dizem coisas proveitosas; tudo neles lhes atesta a eleva\u00e7\u00e3o; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfei\u00e7\u00e3o e da ignor\u00e2ncia. Os diferentes graus por que passam os Esp\u00edritos se acham indicados na <i>Escala<\/i><\/p>\n<p><i>Esp\u00edrita (O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>parte II, cap\u00edtulo I, n. 100). O estudo dessa classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para se apreciar a natureza dos Esp\u00edritos que se manifestam, assim como suas boas e m\u00e1s qualidades.<\/p>\n<p>50. <i>Sistema da alma material. &#8211; <\/i>Consiste apenas numa opini\u00e3o particular sobre a natureza \u00edntima da alma. Segundo esta opini\u00e3o, a alma e o perisp\u00edrito n\u00e3o seriam distintos uma do outro, ou, melhor, o perisp\u00edrito seria a pr\u00f3pria alma, a se depurar gradualmente por meio de transmigra\u00e7\u00f5es diversas, como o \u00e1lcool se depura por meio de diversas destila\u00e7\u00f5es, ao passo que a Doutrina Esp\u00edrita considera o perisp\u00edrito simplesmente como o envolt\u00f3rio flu\u00eddico da alma, ou do Esp\u00edrito. Sendo mat\u00e9ria o perisp\u00edrito, se bem que muito et\u00e9rea, a alma seria de uma natureza material mais ou menos essencial, de acordo com o grau da sua purifica\u00e7\u00e3o. Este sistema n\u00e3o infirma qualquer dos princ\u00edpios fundamentais da Doutrina Esp\u00edrita, pois que nada altera com rela\u00e7\u00e3o ao destino da alma; as condi\u00e7\u00f5es de sua felicidade futura s\u00e3o as mesmas; formando a alma e o perisp\u00edrito um todo, sob a denomina\u00e7\u00e3o de Esp\u00edrito, como o g\u00e9rmen e o perisperma o formam sob a de fruto, toda\u00a0a quest\u00e3o se reduz a considerar homog\u00eaneo o todo, em vez de consider\u00e1-lo formado de duas partes distintas.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, isto n\u00e3o leva a consequ\u00eancia alguma e de tal opini\u00e3o n\u00e3o houv\u00e9ramos falado, se n\u00e3o soub\u00e9ssemos de pessoas inclinadas a ver uma nova escola no que n\u00e3o \u00e9, em definitivo, mais do que simples interpreta\u00e7\u00e3o de palavras. Semelhante Opini\u00e3o, restrita, ali\u00e1s, mesmo que se achasse mais generalizada, n\u00e3o constituiria uma cis\u00e3o entre os esp\u00edritas, do mesmo modo que as duas teorias da emiss\u00e3o e das ondula\u00e7\u00f5es da luz n\u00e3o significam uma cis\u00e3o entre os f\u00edsicos. Os que se decidissem a formar grupo \u00e0 parte, por uma quest\u00e3o assim pueril, provariam, s\u00f3 com isso, que ligam mais import\u00e2ncia ao acess\u00f3rio do que ao principal e que se acham compelidos \u00e0 desuni\u00e3o por Esp\u00edritos que n\u00e3o podem ser bons, visto que os bons Esp\u00edritos jamais insuflam a acrim\u00f4nia, nem a ciz\u00e2nia. Da\u00ed o concitarmos todos os verdadeiros esp\u00edritas a se manterem em guarda contra tais sugest\u00f5es e a n\u00e3o darem a certos pormenores mais import\u00e2ncia do que merecem. O essencial \u00e9 o fundo.<\/p>\n<p>Julgamo-nos, entretanto, na obriga\u00e7\u00e3o de dizer algumas palavras acerca dos fundamentos em que repousa a opini\u00e3o dos que consideram distintos a alma e o perisp\u00edrito. Ela se baseia no ensino dos Esp\u00edritos, que nunca divergiam a esse respeito. Referimo-nos aos esclarecidos, porquanto, entre os Esp\u00edritos em geral, muitos h\u00e1 que n\u00e3o sabem mais, que sabem mesmo menos do que os homens, ao passo que a teoria contraria \u00e9 de concep\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o inventamos, nem imaginamos o perisp\u00edrito, para explicar os fen\u00f4menos.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sua exist\u00eancia nos foi revelada pelos Esp\u00edritos e a experi\u00eancia no-la confirmou <i>(O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>n. 93). Apoia-se tamb\u00e9m no estudo das sensa\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos <i>(O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>n. 257<i>) <\/i>e, sobretudo, no fen\u00f4meno das apari\u00e7\u00f5es tang\u00edveis, fen\u00f4meno que, de conformidade com a opini\u00e3o que estamos apreciando, implicaria a solidifica\u00e7\u00e3o e a desagrega\u00e7\u00e3o das partes constitutivas da alma e, pois, a sua desorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fora mister, al\u00e9m disso, admitir-se que esta mat\u00e9ria, que pode ser percebida pelos nossos sentidos, \u00e9, ela pr\u00f3pria, o princ\u00edpio inteligente, o que n\u00e3o nos parece mais racional do que confundir o corpo com a alma, ou a roupa com o corpo. Quanto \u00e0 natureza intima da alma, essa desconhecemo-la. Quando se diz que a alma \u00e9 <i>imaterial, <\/i>deve-se entend\u00ea-lo em sentido relativo, n\u00e3o em sentido absoluto, por isso que a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma, ou o Esp\u00edrito, s\u00e3o alguma coisa. Qualificando-a de imaterial, quer-se dizer que sua ess\u00eancia \u00e9 de tal modo superior, que nenhuma analogia tem com o que chamamos mat\u00e9ria e que, assim, para n\u00f3s, ela \u00e9 imaterial. <i>(O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>ns. 23 e 82).<\/p>\n<p>51. Eis aqui a resposta que, sobre este assunto, deu um Esp\u00edrito:<\/p>\n<p>&#8220;O que uns chamam <i>perisp\u00edrito <\/i>n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o que outros chamam envolt\u00f3rio material flu\u00eddico. Direi, de modo mais l\u00f3gico, para me fazer compreendido, que esse fluido \u00e9 a perfectibilidade dos sentidos, a extens\u00e3o da vista e das id\u00e9ias. Falo aqui dos Esp\u00edritos elevados. Quanto aos Esp\u00edritos inferiores, os fluidos terrestres ainda lhes s\u00e3o de todo inerentes; logo, s\u00e3o, como vedes, mat\u00e9ria. Da\u00ed os sofrimentos da fome, do frio, etc., sofrimentos que os Esp\u00edritos superiores n\u00e3o podem experimentar, visto que os fluidos terrestres se acham depurados em torno do pensamento, isto \u00e9, da alma. Esta, para progredir, necessita sempre de um agente; sem agente, ela nada \u00e9, para v\u00f3s, ou, melhor, n\u00e3o a podeis conceber. O perisp\u00edrito, para n\u00f3s outros Esp\u00edritos errantes, \u00e9 o agente por meio do qual nos comunicamos convosco, quer indiretamente, pelo vosso corpo ou pelo vosso perisp\u00edrito, quer diretamente, pela vossa alma; donde, infinitas modalidades de m\u00e9diuns e de comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Agora o ponto de vista cient\u00edfico, ou seja: a ess\u00eancia mesma do perisp\u00edrito. Isso \u00e9 outra quest\u00e3o. Compreendei primeiro moralmente. Resta apenas uma discuss\u00e3o sobre a natureza dos fluidos, coisa por ora inexplic\u00e1vel. A ci\u00eancia ainda n\u00e3o sabe bastante, por\u00e9m l\u00e1 chegar\u00e1, se quiser caminhar com o Espiritismo. O perisp\u00edrito pode variar e mudar ao infinito. A alma \u00e9 o pensamento: n\u00e3o muda de natureza. N\u00e3o vades mais longe, por este lado; trata-se de um ponto que n\u00e3o pode ser explicado. Supondes que, como v\u00f3s, tamb\u00e9m eu n\u00e3o perquiro? V\u00f3s pesquisais o perisp\u00edrito; n\u00f3s outros, agora, pesquisamos a alma. Esperai, pois.&#8221; <i>L<\/i>&#8211;<i>amennais. <\/i>Assim, Esp\u00edritos, que podemos considerar adiantados, ainda n\u00e3o conseguiram sondar a natureza da alma. Como poder\u00edamos n\u00f3s faz\u00ea-lo? E, portanto, perder tempo querer perscrutar o princ\u00edpio das coisas que, como foi dito em <i>O Livro dos Esp\u00edritos <\/i>(ns. 17 e 49), est\u00e1 nos segredos de Deus. Pretender esquadrinhar, com o aux\u00edlio do Espiritismo, o que escapa \u00e0 al\u00e7ada da humanidade, \u00e9 desvi\u00e1-lo do seu verdadeiro objetivo, \u00e9 fazer como a crian\u00e7a que quisesse saber tanto quanto o velho. Aplique o homem o Espiritismo em aperfei\u00e7oar-se moralmente, eis o essencial. O mais n\u00e3o passa de curiosidade est\u00e9ril e muitas vezes orgulhosa, cuja satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o o faria adiantar um passo. O \u00fanico meio de nos adiantarmos consiste em nos tornarmos melhores. Os Esp\u00edritos que ditaram o livro que lhes traz o nome demonstraram a sua sabedoria, mantendo-se, pelo que concerne ao princ\u00edpio das coisas, dentro dos limites que Deus n\u00e3o permite sejam ultrapassados e deixando aos Esp\u00edritos sistem\u00e1ticos e presun\u00e7osos a responsabilidade das teorias prematuras e err\u00f4neas, mais sedutoras do que s\u00f3lidas, e que um dia vir\u00e3o a cair, ante a raz\u00e3o, como tantas outras surgidas dos c\u00e9rebros humanos. Eles, ao justo, s\u00f3 disseram o que era preciso para que o homem compreendesse o futuro que o aguarda e para, por essa maneira, anim\u00e1-lo \u00e0 pr\u00e1tica do bem. (Vede, aqui, adiante, na 2\u00aa parte, o cap. 1\u00ba: <i>Da a\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos sobre <\/i>a <i>mat\u00e9ria.<\/i>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LM \u2013 1\u00aa PARTE &#8211;\u00a0 CAP\u00cdTULO IV DOS SISTEMAS 36. 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