{"id":940,"date":"2013-05-17T22:08:00","date_gmt":"2013-05-18T01:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=940"},"modified":"2013-05-17T22:08:00","modified_gmt":"2013-05-18T01:08:00","slug":"10-das-manifestacoes-fisicas-espontaneas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/10-das-manifestacoes-fisicas-espontaneas\/","title":{"rendered":"10 &#8211; Das manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas espont\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<p>O LIVRO DOS M\u00c9DIUNS \u2013 SEGUNDA PARTE<\/p>\n<p>CAP\u00cdTULO V<\/p>\n<p><b>DAS MANIFESTA\u00c7\u00d5ES F\u00cdSICAS ESPONT\u00c2NEAS<\/b><\/p>\n<p><i>Ru\u00eddos, barulhos e perturba\u00e7\u00f5es. &#8211; Arremesso de objetos. &#8211; Fen\u00f4meno de transporte. &#8211; Disserta\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito sobre os transportes.<\/i><\/p>\n<p>82. S\u00e3o provocados os fen\u00f4menos de que acabamos de falar. Sucede, por\u00e9m, \u00e0s vezes, produzirem-se espontaneamente, sem interven\u00e7\u00e3o da vontade, at\u00e9 mesmo contra a vontade, pois que frequentemente se tornam muito importunos. Al\u00e9m disso, para excluir a suposi\u00e7\u00e3o de que possam ser efeito de imagina\u00e7\u00e3o sobreexcitada pelas id\u00e9ias esp\u00edritas, h\u00e1 a circunst\u00e2ncia de que se produzem entre pessoas que nunca ouviram falar disso e exatamente quando menos por semelhante coisa esperavam.<\/p>\n<p>Tais fen\u00f4menos, a que se poderia dar o nome de Espiritismo pr\u00e1tico natural, s\u00e3o muito importantes, por n\u00e3o permitirem a suspeita de coniv\u00eancia. Por isso mesmo, recomendamos, \u00e0s pessoas que se ocupam com os fatos<\/p>\n<p>Esp\u00edritas, que registrem todos os desse g\u00eanero, que lhes cheguem ao conhecimento, mas, sobretudo, que lhes verifiquem cuidadosamente a realidade, mediante pormenorizado estudo das circunst\u00e2ncias, a fim de adquirirem a certeza de que n\u00e3o s\u00e3o joguetes de uma ilus\u00e3o, ou de uma mistifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>83. De todas as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, as mais simples e mais frequentes s\u00e3o os ru\u00eddos e as pancadas. Neste caso, principalmente, \u00e9 que se deve temer a ilus\u00e3o, porquanto uma infinidade de causas naturais pode produzi-los: o vento que sibila ou que agita um objeto, um corpo que se move por si mesmo sem que ningu\u00e9m perceba, um efeito ac\u00fastico, um animal escondido, um inseto, etc., at\u00e9 mesmo a mal\u00edcia dos brincalh\u00f5es de mau gosto. Ali\u00e1s, os ru\u00eddos esp\u00edritas apresentam um car\u00e1ter especial, revelando intensidade e timbre muito variado, que os tornam facilmente reconhec\u00edveis e n\u00e3o permitem sejam confundidos com os estalidos da madeira, com as crepita\u00e7\u00f5es do fogo, ou com o tique-taque mon\u00f3tono do rel\u00f3gio. S\u00e3o pancadas secas, ora surdas, fracas e leves, ora claras, distintas, \u00e0s vezes retumbantes, que mudam de lugar e se repetem sem nenhuma regularidade mec\u00e2nica. De todos os meios de verifica\u00e7\u00e3o, o mais eficaz, o que n\u00e3o pode deixar d\u00favida quanto \u00e0 origem do fen\u00f4meno, \u00e9 a obedi\u00eancia deste \u00e0 vontade de quem o observa. Se as pancadas se fizerem ouvir num lugar determinado, se responderem, pelo seu n\u00famero, ou pela sua intensidade, ao pensamento, n\u00e3o se lhes pode deixar de reconhecer uma causa inteligente. Todavia, a falta de obedi\u00eancia nem sempre constitui prova em contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>84. Admitamos agora que, por uma comprova\u00e7\u00e3o minuciosa, se adquira a certeza de que os ru\u00eddos, ou outros efeitos quaisquer, s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es reais: ser\u00e1 racional que se lhes tenha medo? N\u00e3o, decerto; porquanto, em caso algum, nenhum perigo haver\u00e1 nelas. S\u00f3 os que se persuadem de que \u00e9 o diabo que as produz podem ser por elas abalados de modo deplor\u00e1vel, como o s\u00e3o as crian\u00e7as a quem se mete medo com o lobisomem, ou o pap\u00e3o. Essas manifesta\u00e7\u00f5es tomam \u00e0s vezes, for\u00e7oso \u00e9 convir, propor\u00e7\u00f5es e persist\u00eancias desagrad\u00e1veis, causando aos que as experimentam o desejo muito natural de se verem livres delas. A este prop\u00f3sito, uma explica\u00e7\u00e3o se faz necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>85. Dissemos atr\u00e1s que as manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas t\u00eam por fim chamar-nos a aten\u00e7\u00e3o para alguma coisa e convencer-nos da presen\u00e7a de uma for\u00e7a superior ao homem. Tamb\u00e9m dissemos que os Esp\u00edritos elevados n\u00e3o se ocupam com esta ordem de manifesta\u00e7\u00f5es; que se servem dos Esp\u00edritos inferiores para produzi-las, como nos utilizamos dos nossos servi\u00e7ais para os trabalhos pesados, e isso com o fim que vamos indicar.<\/p>\n<p>Alcan\u00e7ado esse fim, cessa a manifesta\u00e7\u00e3o material, por desnecess\u00e1ria. Um ou dois exemplos far\u00e3o melhor compreender a coisa.<\/p>\n<p>86. H\u00e1 muitos anos, quando ainda iniciava meus estudos sobre o Espiritismo, estando certa noite entregue a um trabalho referente a esta mat\u00e9ria, pancadas se fizeram ouvir em torno de mim, durante quatro horas consecutivas. Era a primeira vez que tal coisa me acontecia. Verifiquei n\u00e3o serem devidas a nenhuma causa acidental, mas, na ocasi\u00e3o, foi s\u00f3 o que pude saber. Por essa \u00e9poca, tinha eu frequentes ensejos de estar com um excelente m\u00e9dium escrevente. No dia seguinte, perguntei ao Esp\u00edrito, que por seu interm\u00e9dio se comunicava, qual a causa daquelas pancadas. <i>Era, <\/i>respondeu-me ele, <i>o teu Esp\u00edrito familiar que te desejava falar. <\/i>&#8211; Que queria de mim? Resp.: Ele est\u00e1 aqui, pergunta-lhe. &#8211; Tendo-o interrogado, aquele Esp\u00edrito se deu a conhecer sob um nome aleg\u00f3rico. (Vim a saber depois, por outros Esp\u00edritos, que pertence a uma categoria muito elevada e que desempenhou na Terra importante papel.) Apontou erros no meu trabalho, indicando-me <i>as linhas <\/i>onde se encontravam; deu-me \u00fateis e s\u00e1bios conselhos e acrescentou que estaria sempre comigo e atenderia ao meu chamado todas as vezes que o quisesse interrogar. A partir de ent\u00e3o, com efeito, esse Esp\u00edrito nunca mais me abandonou. Dele recebi muitas provas de grande superioridade e sua interven\u00e7\u00e3o <i>ben\u00e9vola e eficaz <\/i>me foi manifesta, assim nos assuntos da vida material, como no tocante \u00e0s quest\u00f5es metaf\u00edsicas. Desde a nossa primeira entrevista, as pancadas cessaram. De fato, que desejava ele? P\u00f4r-se em comunica\u00e7\u00e3o regular comigo; mas, para isso, precisava de me avisar. Dado e explicado o aviso, estabelecidas as rela\u00e7\u00f5es regulares, as pancadas se tomaram in\u00fateis. Da\u00ed o cessarem. O tambor deixa de tocar, para despertar os soldados, logo que estes se acham todos de p\u00e9.<\/p>\n<p>Fato quase semelhante sucedeu a um dos nossos amigos. Havia algum tempo, no seu quarto se ouviam ru\u00eddos diversos, que j\u00e1 se iam tornando fatigantes. Apresentando-lhe ocasi\u00e3o de interrogar o Esp\u00edrito de seu pai, por um m\u00e9dium escrevente, soube o que queriam dele, fez o que foi recomendado e da\u00ed em diante nada mais ouviu. Deve-se notar que as manifesta\u00e7\u00f5es deste g\u00eanero s\u00e3o mais raras para as pessoas que disp\u00f5em de meio regular e f\u00e1cil de comunica\u00e7\u00e3o com os Esp\u00edritos, e isso se concebe.<\/p>\n<p>87. As manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas nem sempre se limitam a ru\u00eddos e pancadas. Degeneram, por vezes, em verdadeiro estardalha\u00e7o e em perturba\u00e7\u00f5es. M\u00f3veis e objetos diversos s\u00e3o derribados, projetis de toda sorte s\u00e3o atirados de fora para dentro, portas e janelas s\u00e3o abertas e fechadas por m\u00e3os invis\u00edveis, ladrilhos s\u00e3o quebrados, o que n\u00e3o se pode levar \u00e0 conta da ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas vezes o derribamento se d\u00e1, de fato; doutras, por\u00e9m, s\u00f3 se d\u00e1 na apar\u00eancia. Ouvem-se vozerios em aposentos cont\u00edguos, barulho de lou\u00e7a que cai e se quebra com estrondo, cepos que rolam pelo assoalho. Acorrem as pessoas da casa e encontram tudo calmo e em ordem. Mal saem, recome\u00e7a o tumulto.<\/p>\n<p>88. As manifesta\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie n\u00e3o s\u00e3o raras, nem novas. Poucas ser\u00e3o as cr\u00f4nicas locais que n\u00e3o encerrem alguma hist\u00f3ria desta natureza. E fora de d\u00favida que o medo tem exagerado muitos fatos que, passando de boca em boca, assumiram propor\u00e7\u00f5es gigantescamente rid\u00edculas. Com o aux\u00edlio da supersti\u00e7\u00e3o, as casas onde eles ocorrem foram tidas como assombradas pelo diabo e da\u00ed todos os maravilhosos ou terr\u00edveis contos de fantasmas. Por outro lado, a velhacaria n\u00e3o consentiu em perder t\u00e3o bela ocasi\u00e3o de explorar a credulidade e quase sempre para satisfa\u00e7\u00e3o de interesses pessoais. Ali\u00e1s, facilmente se concebe que impress\u00e3o podem fatos desta ordem produzir, mesmo dentro dos limites da realidade, em pessoas de caracteres fracos e predispostas, pela educa\u00e7\u00e3o, a alimentar id\u00e9ias supersticiosas. O meio mais seguro de obviar aos inconvenientes que possam trazer, visto n\u00e3o ser poss\u00edvel impedir-se que se deem, consiste em tornar conhecida a verdade. Em coisas terr\u00edficas se convertem as mais simples, quando se lhes desconhecem as causas. Ningu\u00e9m mais ter\u00e1 medo dos Esp\u00edritos, quando todos estiverem familiarizados com eles e quando os a quem eles se manifestam j\u00e1 n\u00e3o acreditem que est\u00e3o \u00e0s voltas com uma legi\u00e3o de dem\u00f4nios.<\/p>\n<p>Na <i>Revue Spirite <\/i>se encontram narrados muitos fatos aut\u00eanticos deste g\u00eanero, entre outros a hist\u00f3ria do Esp\u00edrito batedor de Bergzabern, cuja a\u00e7\u00e3o durou oito anos (n\u00fameros de maio, junho e julho de 1858); a de Dibbelsdorff (agosto de 1858); a do padeiro das Grandes-Vendas, perto de Di\u00e8ppe (mar\u00e7o de 1860); a da rua des Noyers, em Paris (agosto de 1860); a do Esp\u00edrito de Castelnaudary, sob o t\u00edtulo de <i>Hist\u00f3ria de um danado <\/i>(fevereiro de 1860); a do fabricante de S\u00e3o Petersburgo (abril de 1860) e muitas outras.<\/p>\n<p>89. Tais fatos assumem, n\u00e3o raro, o car\u00e1ter de verdadeiras persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Conhecemos seis irm\u00e3s que moravam juntas e que, durante muitos anos, todas as manh\u00e3s encontravam suas roupas espalhadas, rasgadas e cortadas em peda\u00e7os, por mais que tomassem a precau\u00e7\u00e3o de guard\u00e1-las \u00e0 chave. A muitas pessoas tem acontecido que, estando deitadas, <i>mas completamente acordadas, <\/i>lhes sacudam os cortinados da cama, tirem com viol\u00eancia as cobertas, levantem os travesseiros e mesmo as joguem fora do leito. Fatos destes s\u00e3o muito mais frequentes do que se pensa; por\u00e9m, as mais das vezes, os que deles s\u00e3o v\u00edtimas nada ousam dizer, de medo do rid\u00edculo. Somos sabedores de que, por causa desses fatos, se tem pretendido curar, como atacados de alucina\u00e7\u00f5es, alguns indiv\u00edduos, submetendo-as ao tratamento a que se sujeitam os alienados, o que os torna realmente loucos. A Medicina n\u00e3o pode compreender estas coisas, por n\u00e3o admitir, entre as causas que as determinam, sen\u00e3o o elemento material; donde, erros frequentemente funestos. A hist\u00f3ria descrever\u00e1 um dia certos tratamentos em uso no s\u00e9culo dezenove, como se narram hoje certos processos de cura da Idade M\u00e9dia. Admitimos perfeitamente que alguns casos s\u00e3o obra da mal\u00edcia ou da malvadez. Por\u00e9m, se tudo bem averiguado, provado ficar que n\u00e3o resultam da a\u00e7\u00e3o do homem, dever-se-\u00e1 convir em que s\u00e3o obra, ou do diabo, como dir\u00e3o uns, ou dos Esp\u00edritos, como dizemos n\u00f3s. Mas de que Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>90. Os Esp\u00edritos superiores, do mesmo modo que, entre n\u00f3s, os homens retos e s\u00e9rios, n\u00e3o se divertem a fazer algazarra. Temos por diversas vezes chamado aqueles Esp\u00edritos, para lhes perguntar por que motivo perturbam assim a tranquilidade dos outros. Na sua maioria, fazem-no apenas para se divertirem. S\u00e3o mais levianos do que maus, que se riem dos terrores que causam e das pesquisas in\u00fateis que se empreendem para a descoberta da causa do tumulto. Agarram-se com freq\u00fc\u00eancia a um indiv\u00edduo, comprazendo-se em o atormentarem e perseguirem de casa em casa. Doutras vezes, apegam-se a um lugar, por mero capricho. Tamb\u00e9m, n\u00e3o raro, exercem por essa forma uma vingan\u00e7a, como teremos ocasi\u00e3o de ver. Em alguns casos, mais louv\u00e1vel \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o a que cedem, procuram chamar a aten\u00e7\u00e3o e p\u00f4r-se em comunica\u00e7\u00e3o com certas pessoas, quer para lhes darem um aviso proveitoso, quer com o fim de lhes pedirem qualquer coisa para si mesmos. Muitos temos visto que pedem preces; outros que solicitam o cumprimento, em nome deles, de votos que n\u00e3o puderam cumprir; outros, ainda, que desejam, no interesse do pr\u00f3prio repouso, reparar uma a\u00e7\u00e3o m\u00e1 que praticaram quando vivos.<\/p>\n<p>Em geral, \u00e9 um erro ter-se medo. A presen\u00e7a desses Esp\u00edritos pode ser importuna, por\u00e9m, n\u00e3o perigosa. Concebe-se, ali\u00e1s, que toda gente deseja ver-se livre deles; mas, geralmente, as que isso desejam fazem o contr\u00e1rio do que deveriam fazer para consegui-lo. Se se trata de Esp\u00edritos que se divertem, quanto mais ao s\u00e9rio se tomarem as coisas, tanto mais eles persistir\u00e3o, como crian\u00e7as travessas, que tanto mais molestam as pessoas, quanto mais estas se impacientam, e que metem medo aos poltr\u00f5es. Se todos tomassem o alvitre sensato de rir das suas partidas, eles acabariam por se cansar e ficar quietos. Conhecemos algu\u00e9m que, longe de se irritar, os excitava, desafiando-os a fazerem tal ou tal coisa, de modo que, ao cabo de poucos dias, n\u00e3o mais voltaram.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como dissemos acima, alguns h\u00e1 que assim procedem por motivo menos fr\u00edvolo. Da\u00ed vem que \u00e9 sempre bom saber-se o que querem. Se pedem qualquer coisa, pode-se estar certo de que, satisfeitos os seus desejos, n\u00e3o renovar\u00e3o as visitas. O melhor meio de nos informarmos a tal respeito consiste em evocarmos o Esp\u00edrito, por um bom m\u00e9dium escrevente. Pelas suas respostas, veremos imediatamente com quem estamos \u00e0s voltas e obraremos de conformidade com o esclarecimento colhido. Se se trata de um Esp\u00edrito infeliz, manda a caridade que lhe dispensemos as aten\u00e7\u00f5es que mere\u00e7a. Se \u00e9 um engra\u00e7ado de mau gosto, podemos proceder desembara\u00e7adamente com ele. Se um malvado, devemos rogar a Deus que o torne melhor. Qualquer que seja o caso, a prece nunca deixa de dar bom resultado. As f\u00f3rmulas graves de exorcismo, essas os fazem rir; nenhuma import\u00e2ncia lhes ligam. Sendo poss\u00edvel entrar em comunica\u00e7\u00e3o com eles, deve-se sempre desconfiar dos qualificativos burlescos, ou apavorantes, que d\u00e3o a si mesmos, para se divertirem com a credulidade dos que acolhem como verdadeiros tais qualificativos.<\/p>\n<p>Nos cap\u00edtulos referentes aos <i>lugares assombrados e \u00e0s obsess\u00f5es, <\/i>consideraremos com mais pormenores este assunto e as causas da inefic\u00e1cia das preces em muitos casos.<\/p>\n<p>91. Estes fen\u00f4menos, conquanto operados por Esp\u00edritos inferiores, s\u00e3o com freq\u00fc\u00eancia provocados por Esp\u00edritos de ordem mais elevada, com o fim de demonstrarem a exist\u00eancia de seres incorp\u00f3reos e de uma pot\u00eancia superior ao homem. A repercuss\u00e3o que eles t\u00eam, o pr\u00f3prio temor que causam, chamam a aten\u00e7\u00e3o e acabar\u00e3o por fazer que se rendam os mais incr\u00e9dulos. Acham estes mais simples lan\u00e7ar os fen\u00f4menos a que nos referimos \u00e0 conta da imagina\u00e7\u00e3o, explica\u00e7\u00e3o muito c\u00f4moda e que dispensa outras. Todavia, quando objetos v\u00e1rios s\u00e3o sacudidos ou atirados \u00e0 cabe\u00e7a de uma pessoa, bem complacente imagina\u00e7\u00e3o precisaria ela ter, para fantasiar que tais coisas sejam reais, quando n\u00e3o o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde que se nota um efeito qualquer, ele tem necessariamente uma causa. Se uma observa\u00e7\u00e3o fria e calma nos demonstra que esse efeito independe de toda vontade humana e de toda causa material; se, demais nos d\u00e1 <i>evidentes <\/i>sinais de intelig\u00eancia e de vontade livre, <i>o que constitui o tra\u00e7o mais caracter\u00edstico, <\/i>for\u00e7oso ser\u00e1 atribu\u00ed-lo a uma, intelig\u00eancia oculta. Que seres misteriosos, s\u00e3o esses? E o que os estudos esp\u00edritas nos ensinam do modo menos contest\u00e1vel, pelos meios que nos facultam de nos comunicarmos com eles.<\/p>\n<p>Esses estudos, al\u00e9m disso, nos ensinam a distinguir o que \u00e9 real do que \u00e9 falso, ou exagerado, nos fen\u00f4menos de que n\u00e3o fomos testemunha. Se um efeito ins\u00f3lito se produz: ru\u00eddo, movimento, mesmo apari\u00e7\u00e3o, a primeira id\u00e9ia que se deve ter \u00e9 a de que prov\u00e9m de uma causa inteiramente natural, por ser a mais prov\u00e1vel. Tem-se ent\u00e3o que buscar essa causa com o maior cuidado e n\u00e3o admitir a interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos, sen\u00e3o muito cientemente. Esse o meio de se evitar toda ilus\u00e3o. Um, por exemplo, que, sem se haver aproximado de quem quer que fosse, recebesse uma bofetada, ou bengalada nas costas, como tem acontecido, n\u00e3o poderia duvidar da presen\u00e7a de um invis\u00edvel. Cada um deve estar em guarda, n\u00e3o somente contra narrativas que possam ser, quando menos, acoimadas de exagero, mas tamb\u00e9m contra as pr\u00f3prias impress\u00f5es, cumprindo n\u00e3o atribuir origem oculta a tudo o que n\u00e3o compreenda. Uma infinidade de causas muito simples e muito naturais pode produzir efeitos \u00e0 primeira vista estranhos e seria verdadeira supersti\u00e7\u00e3o ver por toda parte Esp\u00edritos ocupados em derribar m\u00f3veis, quebrar lou\u00e7as, provocar, enfim, as mil e uma perturba\u00e7\u00f5es que ocorrem nos lares, quando mais racional \u00e9 atribu\u00ed-las ao desazo.<\/p>\n<p>92. A explica\u00e7\u00e3o dada do movimento dos corpos inertes se aplica naturalmente a todos os efeitos espont\u00e2neos a que acabamos de passar revista. Os ru\u00eddos, embora mais fortes do que as pancadas na mesa, procedem da mesma causa. Os objetos derribados, ou deslocados, o s\u00e3o pela mesma for\u00e7a que levanta qualquer objeto. H\u00e1 mesmo aqui uma circunst\u00e2ncia que ap\u00f3ia esta teoria. Poder-se-ia perguntar onde, nessa circunst\u00e2ncia, o m\u00e9dium. Os Esp\u00edritos nos disseram que, em tal caso, h\u00e1 sempre algu\u00e9m cujo poder se exerce \u00e2 sua revelia. As manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas muito raramente se d\u00e3o em lugares ermos; quase sempre se produzem nas casas habitadas e por motivo da presen\u00e7a de certas pessoas que exercem influ\u00eancia, sem que o queiram. Essas pessoas ignoram possuir faculdades medi\u00fanicas, raz\u00e3o por que lhes chamamos <i>m\u00e9diuns naturais.<\/i><\/p>\n<p>S\u00e3o, com rela\u00e7\u00e3o aos outros m\u00e9diuns, o que os son\u00e2mbulos naturais s\u00e3o relativamente aos son\u00e2mbulos magn\u00e9ticos e t\u00e3o dignos, como aqueles, de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>93. A interven\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria ou involunt\u00e1ria de uma pessoa dotada de aptid\u00e3o especial para a produ\u00e7\u00e3o destes fen\u00f4menos parece necess\u00e1ria, na maioria dos casos, embora alguns haja em que, ao que se afigura, o Esp\u00edrito obra por si s\u00f3. Mas, ent\u00e3o, poder\u00e1 dar-se que ele tire de algures o fluido animalizado, que n\u00e3o de uma pessoa presente. Isto explica porque os Esp\u00edritos, que constantemente nos cercam, n\u00e3o produzem perturba\u00e7\u00e3o a todo instante. Primeiro, \u00e9 preciso que o Esp\u00edrito queira, que tenha um objetivo, um motivo, sem o que nada faz.<\/p>\n<p>Depois, \u00e9 necess\u00e1rio, muitas vezes, que encontre exatamente no lugar onde queira operar uma pessoa apta a secund\u00e1-lo, coincid\u00eancia que s\u00f3 muito raramente ocorre. Se essa pessoa aparece inopinadamente, ele dela se aproveita.<\/p>\n<p>Mesmo quando todas as circunst\u00e2ncias sejam favor\u00e1veis, ainda poderia acontecer que o Esp\u00edrito se visse tolhido por uma vontade superior, que n\u00e3o lhe permitisse proceder a seu bel-prazer. Pode tamb\u00e9m dar-se que s\u00f3 lhe seja permitido faz\u00ea-lo dentro de certos limites e no caso de serem tais manifesta\u00e7\u00f5es julgadas \u00fateis, quer como meio de convic\u00e7\u00e3o, quer como prova\u00e7\u00e3o para a pessoa por ele visada.<\/p>\n<p>94. A este respeito, apenas citaremos o di\u00e1logo provocado a prop\u00f3sito dos fatos ocorridos em junho de 1860, na rua des Noyers, em Paris. Encontrar-se-\u00e3o os pormenores do caso na <i>Revue Spirite, <\/i>n\u00famero de agosto de 1860.<\/p>\n<p>1\u00aa <i>(A S\u00e3o Lu\u00eds). <\/i>Quererias ter a bondade de nos dizer se s\u00e3o reais os fatos que se dizem passados na rua des Noyers? Quanto \u00e0 possibilidade deles se darem, disso n\u00e3o duvidamos.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o reais esses fatos; simplesmente, a imagina\u00e7\u00e3o dos homens os exagerar\u00e1, seja por medo, seja por ironia. Mas, repito, s\u00e3o reais. Produz essas manifesta\u00e7\u00f5es um Esp\u00edrito que se diverte um pouco \u00e0 custa dos habitantes do lugar.&#8221;<\/p>\n<p>2\u00aa Haver\u00e1 na casa alguma pessoa que d\u00ea causa a tais manifesta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>&#8220;Elas s\u00e3o sempre causadas pela presen\u00e7a da pessoa visada. \u00c9 que o Esp\u00edrito perturbador n\u00e3o gosta do habitante do lugar onde ele se acha; trata ent\u00e3o de fazer-lhe maldades, ou mesmo procura obriga-lo a mudar-se.&#8221;<\/p>\n<p>3\u00aa Perguntamos se, entre os moradores da casa, algu\u00e9m h\u00e1 que seja causador desses fen\u00f4menos, por efeito de uma influ\u00eancia medi\u00fanica espont\u00e2nea e involunt\u00e1ria?<\/p>\n<p>&#8220;Necessariamente assim \u00e9, <i>pois, sem isso, <\/i>o fato <i>n\u00e3o poderia dar-se. <\/i>Um Esp\u00edrito vive num lugar que lhe \u00e9 predileto; conserva-se inativo, enquanto nesse lugar n\u00e3o se apresenta uma pessoa que lhe convenha. Desde que essa pessoa surge, come\u00e7a ele a divertir-se quanto pode.&#8221;<\/p>\n<p>4\u00aa Ser\u00e1 indispens\u00e1vel a presen\u00e7a dessa pessoa no pr\u00f3prio lugar?<\/p>\n<p>&#8220;Esse o caso mais comum e \u00e9 o que se verifica no de que tratas. Por isso foi que&#8217; eu disse que, a n\u00e3o ser assim, o fato n\u00e3o teria podido produzir-se. Mas, n\u00e3o pretendi generalizar. H\u00e1 casos em que a presen\u00e7a imediata n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>5\u00aa Sendo sempre de ordem inferior esses Esp\u00edritos, constituir\u00e1 presun\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel a uma pessoa a aptid\u00e3o que revele para lhes servir de auxiliar? Isto n\u00e3o denuncia, da parte dele, uma simpatia para com os seres dessa natureza?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 precisamente assim, porquanto essa aptid\u00e3o se acha ligada a uma disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Contudo, denuncia frequentemente uma tend\u00eancia material, que seria prefer\u00edvel n\u00e3o existisse, visto que, quanto mais elevado moralmente \u00e9 o homem, tanto mais atrai a si os bons Esp\u00edritos que, necessariamente, afastam os maus.&#8221;<\/p>\n<p>6\u00aa Onde vai o Esp\u00edrito buscar os projetis de que se serve?<\/p>\n<p>&#8220;Os diversos objetos que lhe servem de projetis s\u00e3o, as mais das vezes, apanhados nos pr\u00f3prios lugares dos fen\u00f4menos, ou nas proximidades. Uma for\u00e7a provinda do Esp\u00edrito os lan\u00e7a no espa\u00e7o e eles v\u00e3o cair no ponto que o mesmo Esp\u00edrito indica.&#8221;<\/p>\n<p>7\u00aa Pois que as manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas s\u00e3o muitas vezes permitidas e at\u00e9 provocadas para convencer os homens, parece-nos que, se fossem pessoalmente atingidos por elas, alguns incr\u00e9dulos se veriam for\u00e7ados a render-se \u00e0 evid\u00eancia. Eles costumam queixar-se de n\u00e3o serem testemunhas de fatos concludentes. N\u00e3o est\u00e1 no poder dos Esp\u00edritos dar-lhes uma prova sens\u00edvel?<\/p>\n<p>&#8220;Os ateus e os materialistas n\u00e3o s\u00e3o a todo instante testemunhas dos efeitos do poder de Deus e do pensamento? Isso n\u00e3o impede que neguem Deus e a alma. Os milagres de Jesus converteram todos os seus contempor\u00e2neos? Aos fariseus, que lhe diziam: &#8220;Mestre, faze-nos ver algum prod\u00edgio&#8221;, n\u00e3o se assemelham os que hoje vos pedem lhes fa\u00e7ais presenciar algumas manifesta\u00e7\u00f5es? Se n\u00e3o se converteram pelas maravilhas da cria\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o se converter\u00e3o, ainda quando os Esp\u00edritos lhes aparecessem do modo mais inequ\u00edvoco, porquanto o orgulho os torna quais alim\u00e1rias empacadoras. Se procurassem de boa-f\u00e9, n\u00e3o lhes faltaria ocasi\u00e3o de ver; por isso, n\u00e3o julga Deus conveniente fazer por eles mais do que faz pelos que sinceramente buscam instruir-se, pois que o Pai s\u00f3 concede recompensa aos homens de boa-vontade. A incredulidade deles n\u00e3o obstar\u00e1 a que a vontade de Deus se cumpra. Bem vedes que n\u00e3o obstou a que a doutrina se difundisse. Deixai, portanto, de inquietar-vos com a oposi\u00e7\u00e3o que vos movem. Essa oposi\u00e7\u00e3o \u00e9, para a doutrina, o que a sombra \u00e9 para o quadro: maior relevo lhe d\u00e1. Que m\u00e9rito teriam eles, se fossem convencidos \u00e0 for\u00e7a? Deus lhes deixa toda a responsabilidade da teimosia em que se conservam e essa responsabilidade \u00e9 mais terr\u00edvel do que podeis supor. Felizes os que creem sem ter visto&#8217; disse Jesus, porque esses n\u00e3o duvidam do poder de Deus.&#8221;<\/p>\n<p>8\u00aa Achas que conv\u00e9m evoquemos o Esp\u00edrito a que nos temos referido, para lhe pedirmos algumas explica\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>&#8220;Evoca-o, se quiseres, mas \u00e9 um Esp\u00edrito inferior, que s\u00f3 te dar\u00e1 respostas muito insignificantes.&#8221;<\/p>\n<p>95. Di\u00e1logo com o Esp\u00edrito perturbador da rua des Noyers:<\/p>\n<p>1\u00aa Evoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Que tinhas de me chamar? Queres umas pedradas? Ent\u00e3o \u00e9 que se havia de ver um bonito salve-se quem puder, n\u00e3o obstante o teu ar de valentia.&#8221;<\/p>\n<p>2\u00aa Quando mesmo nos atirasses pedras aqui, isso n\u00e3o nos amedrontaria; at\u00e9 te pedimos positivamente que, se puderes, nos atires algumas.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui talvez eu n\u00e3o pudesse, porque tens um guarda a velar por ti.&#8221;<\/p>\n<p>3\u00aa Havia, na rua des Noyers, algu\u00e9m que, como auxiliar, te facilitava as partidas que pregavas aos moradores da casa?<\/p>\n<p>&#8220;Certamente; achei um bom instrumento e n\u00e3o havia nenhum Esp\u00edrito douto, s\u00e1bio e virtuoso para me embara\u00e7ar. Porque, sou alegre; gosto \u00e0s vezes de me divertir.&#8221;<\/p>\n<p>4\u00aa Qual a pessoa que te serviu de instrumento?<\/p>\n<p>&#8220;Uma criada.&#8221;<\/p>\n<p>5\u00aa Era mau grado seu que ela te auxiliava?<\/p>\n<p>&#8220;Ah! sim; pobre! era a que mais medo tinha!&#8221;<\/p>\n<p>6\u00aa Procedias assim com algum prop\u00f3sito hostil?<\/p>\n<p>&#8220;Eu, n\u00e3o. Nenhum prop\u00f3sito hostil me animava. Mas, os homens, que de tudo se apoderam, far\u00e3o que os fatos redundem em seu proveito.&#8221;<\/p>\n<p>7\u00aa Que queres dizer com isso? N\u00e3o te compreendemos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu s\u00f3 cuidava de me divertir; v\u00f3s outros, por\u00e9m, estudareis a coisa e tereis mais um fato a mostrar que n\u00f3s existimos.&#8221;<\/p>\n<p>8\u00aa Dizes que n\u00e3o alimentavas nenhum prop\u00f3sito hostil; entretanto, quebraste todo o ladrilho da casa. Causaste assim um preju\u00edzo real.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um acidente,&#8221;<\/p>\n<p>9\u00aa Onde foste buscar os objetos que atiraste?<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o objetos muito comuns. Achei-os no p\u00e1tio e nos jardins pr\u00f3ximos.&#8221;<\/p>\n<p>10\u00aa Achaste-os <i>todos, <\/i>ou fabricaste algum? (Ver adiante o cap. VIII.)<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o criei, nem compus coisa alguma.&#8221;<\/p>\n<p>11\u00aa E, se os n\u00e3o houvesse encontrado, terias podido fabric\u00e1-los?<\/p>\n<p>&#8220;Fora mais dif\u00edcil. Por\u00e9m, a rigor, misturam-se mat\u00e9rias e isso faz um todo qualquer.&#8221;<\/p>\n<p>12\u00aa Agora, dize-nos; como os atiraste?<\/p>\n<p>&#8220;Ah! isto \u00e9 mais dif\u00edcil de explicar. Busquei aux\u00edlio na natureza el\u00e9trica daquela rapariga, juntando-a \u00e0 minha, que \u00e9 menos material. Pudemos assim os dois transportar os diversos objetos.&#8221;<\/p>\n<p>13\u00aa Vais dar-nos de boa-vontade, assim o esperamos, algumas informa\u00e7\u00f5es acerca da tua pessoa. Dize-nos, primeiramente, se j\u00e1 morreste h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muito tempo; h\u00e1 bem cinquenta anos.&#8221;<\/p>\n<p>14\u00aa Que eras quando vivo?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o era l\u00e1 grande coisa; simples trapeiro naquele quarteir\u00e3o; \u00e0s vezes me diziam tolices, porque eu gostava muito do licor vermelho do bom velho No\u00e9. Por isso mesmo, queria p\u00f4-los todos dali para fora.&#8221;<\/p>\n<p>15\u00aa Foi por ti mesmo e de bom grado que respondeste \u00e0s nossas perguntas?<\/p>\n<p>&#8220;Eu tinha um mestre.&#8221;<\/p>\n<p>16\u00aa Quem \u00e9 esse mestre?<\/p>\n<p>&#8220;O vosso bom rei Lu\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. Motivou esta pergunta a natureza de algumas respostas dadas, que nos pareceram acima da capacidade desse Esp\u00edrito, pela subst\u00e2ncia das id\u00e9ias e mesmo pela forma da linguagem. Nada, pois, de admirar \u00e9 que ele tenha sido ajudado por um Esp\u00edrito mais esclarecido, que quis aproveitar a ocasi\u00e3o para nos instruir. \u00c9 este um fato muito comum, mas o que nesta circunst\u00e2ncia constitui not\u00e1vel particularidade \u00e9 que a influ\u00eancia do outro Esp\u00edrito se fez sentir na pr\u00f3pria caligrafia. A das respostas em que ele interveio \u00e9 mais regular e mais corrente, a do trapeiro \u00e9 angulosa, grossa, irregular, \u00e0s vezes pouco leg\u00edvel, denotando car\u00e1ter muito diferente.<\/p>\n<p>17\u00aa Que fazes agora? Ocupas-te com o teu futuro?<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o; vagueio. Pensam t\u00e3o pouco em mim na Terra, que ningu\u00e9m roga por mim. Ora, n\u00e3o tendo quem me ajude, n\u00e3o trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. Ver-se-\u00e1, mais tarde, quanto se pode contribuir para o progresso e o al\u00edvio dos Esp\u00edritos inferiores, por meio da prece e dos conselhos.<\/p>\n<p>18\u00aa Como te chamavas quando vivo?<\/p>\n<p>&#8220;Jeannet.&#8221;<\/p>\n<p>l9\u00aa Est\u00e1 bem, Jeannet! oraremos por ti. Dize-nos se a nossa evoca\u00e7\u00e3o te deu prazer ou te contrariou?<\/p>\n<p>&#8220;Antes prazer, pois que sois bons rapazes, viventes alegres, embora um pouco austeros. N\u00e3o importa: ouviste-me, estou contente.&#8221;<\/p>\n<p><b>Fen\u00f4meno de transporte<\/b><\/p>\n<p>96. Este fen\u00f4meno n\u00e3o difere do de que vimos de falar, sen\u00e3o pela inten\u00e7\u00e3o ben\u00e9vola do Esp\u00edrito que o produz, pela natureza dos objetos, quase sempre graciosos, de que ele se serve e pela maneira suave, delicada mesmo, por que s\u00e3o trazidos. Consiste no trazimento espont\u00e2neo de objetos inexistentes no lugar onde est\u00e3o os observadores. S\u00e3o quase sempre flores, n\u00e3o raro frutos, confeitos, j\u00f3ias, etc.<\/p>\n<p>97. Digamos, antes de tudo, que este fen\u00f4meno \u00e9 dos que melhor se prestam \u00e0 imita\u00e7\u00e3o e que, por conseguinte, devemos estar de sobreaviso contra o embuste. Sabe-se at\u00e9 onde pode ir a arte da prestidigita\u00e7\u00e3o, em se tratando de experi\u00eancias deste g\u00eanero. Por\u00e9m, mesmo sem que tenhamos de nos haver com um verdadeiro prestidigitador, poderemos ser facilmente enganados por uma manobra h\u00e1bil e interessada. A melhor de todas as garantias se encontra no <i>car\u00e1ter, na honestidade not\u00f3ria, no absoluto desinteresse <\/i>das pessoas que obt\u00eam tais efeitos. Vem depois, como meio de resguardo, o exame atento de todas as circunst\u00e2ncias em que os fatos se produzem; e, finalmente, o conhecimento esclarecido do Espiritismo poder\u00e1 descobrir o que fosse suspeito.<\/p>\n<p>98. A teoria do fen\u00f4meno dos transportes e das manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas em geral se acha resumida, de maneira not\u00e1vel, na seguinte disserta\u00e7\u00e3o feita por um Esp\u00edrito, cujas comunica\u00e7\u00f5es todas trazem o cunho incontest\u00e1vel de profundeza e l\u00f3gica. Com muitas delas deparar\u00e1 o leitor no curso desta obra. Ele se d\u00e1 a conhecer pelo nome de <i>Erasto, <\/i>disc\u00edpulo de S\u00e3o Paulo, e como protetor do m\u00e9dium que lhe serviu de instrumento:<\/p>\n<p>&#8220;Quem deseja obter fen\u00f4meno desta ordem precisa ter consigo m\u00e9diuns a que chamarei &#8211; <i>sensitivos, <\/i>isto e, dotados, no mais alto grau, das faculdades medi\u00fanicas de expans\u00e3o e de penetrabilidade, porque o sistema nervoso facilmente excit\u00e1vel de tais m\u00e9diuns lhes permite, por meio de certas vibra\u00e7\u00f5es, projetar abundantemente, em torno de si, o fluido animalizado que lhes \u00e9 pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&#8220;As naturezas impression\u00e1veis, as pessoas cujos nervos vibram \u00e0 menor impress\u00e3o, \u00e0 mais insignificante sensa\u00e7\u00e3o; as que a influ\u00eancia moral ou f\u00edsica, interna ou externa, sensibiliza s\u00e3o muito aptas a se tornarem excelentes m\u00e9diuns, para os efeitos f\u00edsicos de tangibilidade e de transportes. Efetivamente, quase de todo desprovido do inv\u00f3lucro refrat\u00e1rio, que, na maioria dos outros encarnados, o isola, o sistema nervoso dessas pessoas as capacita para a produ\u00e7\u00e3o destes diversos fen\u00f4menos. Assim, com um indiv\u00edduo de tal natureza e cujas outras faculdades n\u00e3o sejam hostis \u00e0 mediunidade, facilmente se obter\u00e3o os fen\u00f4menos de tangibilidade, as pancadas nas paredes e nos m\u00f3veis, os movimentos <i>inteligentes <\/i>e mesmo a suspens\u00e3o, no espa\u00e7o, da mais pesada mat\u00e9ria inerte. <i>A fortiori, <\/i>os mesmos resultados se conseguir\u00e3o se, em vez de um m\u00e9dium, o experimentador dispuser de muitos, igualmente bem dotados.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, da produ\u00e7\u00e3o de tais fen\u00f4menos \u00e0 obten\u00e7\u00e3o dos de transporte h\u00e1 um mundo de permeio, porquanto, neste caso, n\u00e3o s\u00f3 o trabalho do Esp\u00edrito \u00e9 mais complexo, mais dif\u00edcil, como, sobretudo, ele n\u00e3o pode operar, sen\u00e3o por meio de um \u00fanico aparelho medi\u00fanico, isto \u00e9, muitos m\u00e9diuns n\u00e3o podem concorrer simultaneamente para a produ\u00e7\u00e3o do mesmo fen\u00f4meno. Sucede at\u00e9 que, ao contr\u00e1rio, a presen\u00e7a de algumas pessoas antip\u00e1ticas ao Esp\u00edrito que opera lhe obsta radicalmente \u00e0 opera\u00e7\u00e3o. A estes motivos a que, como vedes, n\u00e3o falta import\u00e2ncia, acrescentemos que os transportes reclamam sempre maior concentra\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, maior difus\u00e3o de certos fluidos, que n\u00e3o podem ser obtidos sen\u00e3o com m\u00e9diuns superiormente dotados, com aqueles, numa palavra, cujo aparelho <i>eletromedi\u00fanico <\/i>\u00e9 o que melhores condi\u00e7\u00f5es oferece.<\/p>\n<p>&#8220;Em geral, os fatos de transporte s\u00e3o e continuar\u00e3o a ser extremamente raros. N\u00e3o preciso demonstrar porque s\u00e3o e ser\u00e3o menos frequentes do que os outros fen\u00f4menos de tangibilidade; do que digo, v\u00f3s mesmos podeis deduzi-lo. Demais, estes fen\u00f4menos s\u00e3o de tal natureza, que nem todos os m\u00e9diuns servem para produzi-los.<\/p>\n<p>Com efeito, \u00e9 necess\u00e1rio que entre o Esp\u00edrito e o m\u00e9dium influenciado exista certa afinidade, certa analogia; em suma: certa semelhan\u00e7a capaz de permitir que a parte expans\u00edvel do fluido <i>perispir\u00edtico <\/i>(1) do encarnado se misture, se una, se combine com o do Esp\u00edrito que queira fazer um transporte. Deve ser tal esta fus\u00e3o, que a for\u00e7a resultante dela se torne, por assim dizer, <i>uma: <\/i>do mesmo modo que, atuando sobre o carv\u00e3o, uma corrente el\u00e9trica produz um s\u00f3 foco, uma s\u00f3 claridade. Por que essa uni\u00e3o, essa fus\u00e3o, perguntareis? \u00c9 que, para que estes fen\u00f4menos se produzam, necess\u00e1rio se faz que as propriedades essenciais do Esp\u00edrito motor se aumentem com algumas das do m\u00e9dium; \u00e9 que o <i>fluido vital, <\/i>indispens\u00e1vel \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de todos os fen\u00f4menos medi\u00fanicos, \u00e9 apan\u00e1gio <i>exclusivo <\/i>do encarnado e que, por conseguinte, o Esp\u00edrito operador fica obrigado a se impregnar dele. S\u00f3 ent\u00e3o pode, mediante certas propriedades, que desconheceis, do vosso meio ambiente, isolar, tornar invis\u00edveis e fazer que se movam alguns objetos materiais e mesmo os encarnados.______(1) V\u00ea-se que, quando se trata de exprimir uma\u00a0ideia\u00a0nova, para a qual faltam termos na l\u00edngua, os\u00a0Esp\u00edritos sabem perfeitamente criar neologismos. Estas palavras: eletromedi\u00fanico, perispir\u00edtico, n\u00e3o s\u00e3o de inven\u00e7\u00e3o nossa. Os que nos tem criticado por havermos criado os termos esp\u00edrita, espiritismo, perisp\u00edrito, que tinham an\u00e1logos, poder\u00e3o fazer tamb\u00e9m a mesma cr\u00edtica aos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o me \u00e9 permitido, por enquanto, desvendar-vos as leis particulares que governam os gases e os fluidos que vos cercam; mas, antes que alguns anos tenham decorrido, antes que uma exist\u00eancia de homem se tenha esgotado, a explica\u00e7\u00e3o destas leis e destes fen\u00f4menos vos ser\u00e1 revelada e vereis surgir e produzir-se uma variedade nova de m\u00e9diuns, que agir\u00e3o num estado catal\u00e9ptico especial, desde que sejam mediunizados.<\/p>\n<p>&#8220;Vedes, assim, quantas dificuldades cercam a produ\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno dos transportes. Muito logicamente podeis concluir da\u00ed que os fen\u00f4menos desta natureza s\u00e3o extremamente raros, como eu disse acima, e com tanto mais raz\u00e3o, quanto os Esp\u00edritos muito pouco se prestam a produzi-los, porque isso d\u00e1 lugar, da parte deles, a um trabalho quase material, o que lhes acarreta aborrecimento e fadiga. Por outro lado, ocorre tamb\u00e9m que, frequentemente, n\u00e3o obstante a energia e a vontade que os animem, o estado do pr\u00f3prio m\u00e9dium lhes op\u00f5e intranspon\u00edvel barreira.<\/p>\n<p>&#8220;Evidente \u00e9, pois, e o vosso racioc\u00ednio, estou certo, o sancionar\u00e1, que os fatos de tangibilidade, como pancadas, suspens\u00e3o e movimentos, s\u00e3o fen\u00f4menos simples, que se operam mediante a concentra\u00e7\u00e3o e a dilata\u00e7\u00e3o de certos fluidos e que podem ser provocados e obtidos pela vontade e pelo trabalho dos m\u00e9diuns aptos a isso, quando secundados por Esp\u00edritos amigos e benevolentes, ao passo que os fatos de transporte s\u00e3o m\u00faltiplos, complexos, exigem um concurso de circunst\u00e2ncias especiais, n\u00e3o se podem operar sen\u00e3o por um \u00fanico Esp\u00edrito e um \u00fanico m\u00e9dium e necessitam, al\u00e9m do que a tangibilidade reclama, uma combina\u00e7\u00e3o muito especial, para isolar e tornar invis\u00edveis o objeto, ou os objetos destinados ao transporte.<\/p>\n<p>&#8220;Todos v\u00f3s esp\u00edritas compreendeis as minhas explica\u00e7\u00f5es e perfeitamente apreendeis o que seja essa concentra\u00e7\u00e3o de fluidos especiais, para a locomo\u00e7\u00e3o e a tatilidade da mat\u00e9ria inerte. Acreditais nisso, como acreditais nos fen\u00f4menos da eletricidade e do magnetismo, com os quais os fatos medi\u00fanicos t\u00eam grande analogia e de que s\u00e3o, por assim dizer, a confirma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Quanto aos incr\u00e9dulos e aos s\u00e1bios, piores estes do que aqueles, n\u00e3o me compete convenc\u00ea-los e com eles n\u00e3o me ocupo. Convencer-se-\u00e3o um dia, por for\u00e7a da evid\u00eancia, pois que for\u00e7oso ser\u00e1 se curvem diante do testemunho dos fatos esp\u00edritas, como for\u00e7oso foi que o fizessem diante de outros fatos, que a princ\u00edpio repeliram.<\/p>\n<p>&#8220;Resumindo: os fen\u00f4menos de tangibilidade s\u00e3o frequentes, mas os de transporte s\u00e3o muito raros, porque muito dif\u00edceis de se realizar s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es em que se produzem. Conseguintemente, nenhum m\u00e9dium pode dizer: a tal hora, em tal momento, obterei um transporte, visto que muitas vezes o pr\u00f3prio Esp\u00edrito se v\u00ea obstado na execu\u00e7\u00e3o da sua obra. Devo acrescentar que esses fen\u00f4menos s\u00e3o duplamente dif\u00edceis em p\u00fablico, porque quase sempre, entre este, se encontram elementos energicamente refrat\u00e1rios, que paralisam os esfor\u00e7os do Esp\u00edrito e, com mais forte raz\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o do m\u00e9dium. Tende, ao contr\u00e1rio, como certo que, na intimidade, os ditos fen\u00f4menos se produzem quase sempre espontaneamente, as mais das vezes \u00e0 revelia dos m\u00e9diuns e sem premedita\u00e7\u00e3o, sendo muito raros quando esses se acham prevenidos. Deveis deduzir da\u00ed que h\u00e1 motivo de suspei\u00e7\u00e3o todas as vezes que um m\u00e9dium se lisonjeia de os obter \u00e0 vontade, ou, por outra, de dar ordens aos Esp\u00edritos, como a servos seus, o que \u00e9 simplesmente absurdo. Tende ainda como regra geral que os fen\u00f4menos esp\u00edritas n\u00e3o se produzem para constituir espet\u00e1culo e para divertir os curiosos. Se alguns Esp\u00edritos se prestam a tais coisas, s\u00f3 pode ser para a produ\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos simples, n\u00e3o para os que, como os de transporte e outros semelhantes, exigem condi\u00e7\u00f5es excepcionais.<\/p>\n<p>&#8220;Lembrai-vos, esp\u00edritas, de que, se \u00e9 absurdo repelir sistematicamente todos os fen\u00f4menos de al\u00e9m-t\u00famulo, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 de bom aviso aceit\u00e1-los todos, cegamente. Quando um fen\u00f4meno de tangibilidade, de visibilidade, ou de transporte se opera espontaneamente e de modo instant\u00e2neo, aceitai-o. Por\u00e9m, nunca. o repetirei demasiado, n\u00e3o aceiteis coisa alguma \u00e0s cegas. Seja cada fato submetido a um exame minucioso, aprofundado e severo, porquanto, crede, o Espiritismo, t\u00e3o rico em fen\u00f4menos sublimes e grandiosos, nada tem que ganhar com essas pequenas manifesta\u00e7\u00f5es, que prestidigitadores h\u00e1beis podem imitar.<\/p>\n<p>&#8220;Bem sei que ides dizer: \u00e9 que estes s\u00e3o \u00fateis para convencer os incr\u00e9dulos. Mas, ficai sabendo, se n\u00e3o houv\u00e9sseis disposto de outros meios de convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o contar\u00edeis hoje a cent\u00e9sima parte dos esp\u00edritas que existem. Falai ao cora\u00e7\u00e3o; por a\u00ed \u00e9 que fareis maior n\u00famero de convers\u00f5es s\u00e9rias. Se julgardes conveniente, para certas pessoas, valer-vos dos fatos materiais, ao menos apresentai-os em circunst\u00e2ncias tais, que n\u00e3o possam permitir nenhuma interpreta\u00e7\u00e3o falsa e, sobretudo, n\u00e3o vos afasteis das condi\u00e7\u00f5es normais dos mesmos fatos, porque, apresentados em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, eles fornecem argumentos aos incr\u00e9dulos, em vez de convenc\u00ea-los. ERASTO.&#8221;<\/p>\n<p>99. O fen\u00f4meno de transporte apresenta uma particularidade not\u00e1vel, e \u00e9 que alguns m\u00e9diuns s\u00f3 o obt\u00e9m em estado sonamb\u00falico, o que facilmente se explica. H\u00e1 no son\u00e2mbulo um desprendimento natural, uma esp\u00e9cie de isolamento do Esp\u00edrito e do perisp\u00edrito, que deve facilitar a combina\u00e7\u00e3o dos fluidos necess\u00e1rios. Tal o caso dos transportes de que temos sido testemunha.<\/p>\n<p>As perguntas que se seguem foram dirigidas ao Esp\u00edrito que os operara, mas as respostas se ressentem por vezes da defici\u00eancia dos seus conhecimentos. Submetemo-las ao Esp\u00edrito <i>Erasto, <\/i>muito mais instru\u00eddo do ponto de vista te\u00f3rico, e ele as completou, aditando-lhes notas muito judiciosas. Um \u00e9 o artista, o outro o s\u00e1bio, constituindo a pr\u00f3pria compara\u00e7\u00e3o dessas intelig\u00eancias um estudo instrutivo, porquanto prova que n\u00e3o basta ser Esp\u00edrito para tudo saber.<br \/>\n1\u00aa Dize-nos, pe\u00e7o, por que os transportes que acabaste de executar s\u00f3 se produzem estando o m\u00e9dium em estado sonamb\u00falico?<\/p>\n<p>&#8220;Isto se prende \u00e0 natureza do m\u00e9dium. Os fatos que produzo, quando o meu est\u00e1 adormecido, poderia produzi-los igualmente com outro m\u00e9dium em estado de vig\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<p>2\u00aa Por que fazes demorar tanto a trazida dos objetos e por que \u00e9 que avivas a cobi\u00e7a do m\u00e9dium, excitando-lhe o desejo de obter o objeto prometido?<\/p>\n<p>&#8220;O tempo me \u00e9 necess\u00e1rio a preparar os fluidos que servem para o transporte. Quanto \u00e0 excita\u00e7\u00e3o, essa s\u00f3 tem por fim, as mais das vezes, divertir as pessoas presentes e o son\u00e2mbulo.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. O Esp\u00edrito que responde n\u00e3o sabe mais do que isso; n\u00e3o percebe o motivo dessa cobi\u00e7a, que ele instintivamente agu\u00e7a, sem lhe compreender o efeito. Julga proporcionar um divertimento, enquanto que, na realidade, provoca, sem o suspeitar, uma emiss\u00e3o maior de fluido. \u00c9 uma consequ\u00eancia da dificuldade que o fen\u00f4meno apresenta, dificuldade sempre maior quando ele n\u00e3o \u00e9 espont\u00e2neo, sobretudo com cestos m\u00e9diuns.<\/p>\n<p>3\u00aa Depende da natureza especial do m\u00e9dium a produ\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno e poderia produzir-se por outros m\u00e9diuns com mais facilidade e presteza?<\/p>\n<p>&#8220;A produ\u00e7\u00e3o depende da natureza do m\u00e9dium e o fen\u00f4meno n\u00e3o se pode produzir, sen\u00e3o por meio de naturezas correspondentes. Pelo que toca \u00e0 presteza, o h\u00e1bito que adquirimos, comunicando-nos freq\u00fcentemente com o mesmo m\u00e9dium, nos \u00e9 de grande vantagem.&#8221;<\/p>\n<p>4\u00aa As pessoas presentes influem alguma coisa no fen\u00f4meno?<\/p>\n<p>&#8220;Quando h\u00e1 da parte delas incredulidade, oposi\u00e7\u00e3o, muito nos podem embara\u00e7ar. Preferimos apresentar nossas provas aos crentes e a pessoas versadas no Espiritismo. N\u00e3o quero, por\u00e9m, dizer com isso que a m\u00e1-vontade consiga paralisar-nos inteiramente.&#8221;<\/p>\n<p>5\u00aa Onde foste buscar as flores e os confeitos que trouxeste para aqui?<\/p>\n<p>&#8220;As flores, tomo-as aos jardins, onde bem me parece.<\/p>\n<p>6\u00aa E os confeitos? Devem ter feito falta ao respectivo negociante. &#8220;Tomo-os onde me apraz. O negociante nada absolutamente percebeu, porque pus outros no lugar dos que tirei.&#8221;<\/p>\n<p>7\u00aa Mas, os an\u00e9is t\u00eam valor. Onde os foste buscar? N\u00e3o ter\u00e1s com isso causado preju\u00edzo \u00e0quele de quem os tiraste?<\/p>\n<p>&#8220;Tirei-os de lugares que todos desconhecem e fi-lo por maneira que da\u00ed n\u00e3o resultar\u00e1 preju\u00edzo para ningu\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. Creio que o fato foi explicado de modo incompleto, em virtude da defici\u00eancia da capacidade do Esp\u00edrito que respondeu. Sim, de fato, pode resultar preju\u00edzo real; mas, o Esp\u00edrito n\u00e3o quis passar por haver desviado o que quer que fosse. Um objeto s\u00f3 pode ser substitu\u00eddo por outro objeto id\u00eantico, da mesma forma, do mesmo valor. Conseguintemente, se um Esp\u00edrito tivesse a faculdade de substituir, por outro objeto igual, um de que se apodera, j\u00e1 n\u00e3o teria raz\u00e3o para se apossar deste, visto que poderia dar o de que se iria servir para substituir o objeto retirado.<\/p>\n<p>8\u00aa Ser\u00e1 poss\u00edvel trazer flores de outro planeta?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o; a mim n\u00e3o me \u00e9 poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; <i>(A Erasto) <\/i>Teriam outros Esp\u00edritos esse poder?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, em virtude da diferen\u00e7a dos meios ambientes.&#8221;<\/p>\n<p>9\u00aa Poderias trazer-nos flores de outro hemisf\u00e9rio; dos tr\u00f3picos, por exemplo?<\/p>\n<p>&#8220;Desde que seja da Terra, posso.<\/p>\n<p>10\u00aa Poderias fazer que os objetos trazidos nos desaparecessem da vista e lev\u00e1-los novamente?<\/p>\n<p>&#8220;Assim como os trouxe aqui, posso lev\u00e1-los, \u00e0 minha vontade.&#8221;<\/p>\n<p>11\u00aa A produ\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno dos transportes n\u00e3o \u00e9 de alguma forma penosa, n\u00e3o te causa qualquer embara\u00e7o?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o nos \u00e9 penosa em nada, quando temos permiss\u00e3o para oper\u00e1-los. Poderia ser-nos grandemente penosa, se quis\u00e9ssemos produzir efeitos para os quais n\u00e3o estiv\u00e9ssemos autorizados.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. Ele n\u00e3o quer convir em que isso lhe \u00e9 penoso, embora o seja realmente, pois que se v\u00ea for\u00e7ado a executar uma opera\u00e7\u00e3o por assim dizer material.<\/p>\n<p>12\u00aa Quais s\u00e3o as dificuldades que encontras?<\/p>\n<p>&#8220;Nenhuma outra, al\u00e9m das m\u00e1s disposi\u00e7\u00f5es flu\u00eddicas, que nos podem ser contr\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n<p>13\u00aa Como trazes o objeto? Ser\u00e1 segurando-o com as m\u00e3os?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o; envolvo-o em m im mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. A resposta n\u00e3o explica de modo claro a opera\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o envolve o objeto com a sua pr\u00f3pria personalidade; mas, como o seu fluido pessoal \u00e9 dilat\u00e1vel, combina uma parte desse fluido com o fluido animalizado do m\u00e9dium e \u00e9 esta combina\u00e7\u00e3o que oculta e transporta o objeto que escolheu para transportar. Ele, pois, n\u00e3o exprime com justeza o fato, dizendo que envolve em si o objeto.<\/p>\n<p>14\u00aa Trazes com a mesma facilidade um objeto de peso consider\u00e1vel, de 50 quilos por exemplo?<\/p>\n<p>&#8220;O peso nada \u00e9 para n\u00f3s. Trazemos flores, porque agrada mais do que um volume pesado.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. \u00c9 exato. Pode trazer objetos de cem ou duzentos quilos, por isso que a gravidade, existente para v\u00f3s, \u00e9 anulada para os Esp\u00edritos. Mas, ainda aqui, ele oito percebe bem o que se passa, A massa dos fluidos combinados \u00e9 proporcional \u00e0 dos objetos. Numa palavra, a for\u00e7a deve estar em propor\u00e7\u00e3o com a resist\u00eancia; donde se segue que, se o Esp\u00edrito apenas traz uma flor ou um objeto leve, \u00e9 muitas vezes porque n\u00e3o encontra no m\u00e9dium, ou em si mesmo, os elementos necess\u00e1rios para um esfor\u00e7o mais consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>15\u00aa Poder-se-\u00e3o imputar aos Esp\u00edritos certas desapari\u00e7\u00f5es de objetos, cuja causa permanece ignorada?<\/p>\n<p>&#8220;Isso se d\u00e1 com freq\u00fc\u00eancia; com mais freq\u00fc\u00eancia do que supondes; mas isso se pode remediar, pedindo ao Esp\u00edrito que traga de novo o objeto desaparecido.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. \u00c9 certo. Mas, \u00e0s vezes, o que \u00e9 subtra\u00eddo, muito bem subtra\u00eddo fica, pois que para muito longe s\u00e3o levados os objetos que desaparecem de uma casa e que o dono n\u00e3o mais consegue achar. Entretanto<i>, <\/i>como a subtra\u00e7\u00e3o dos objetos exige quase que as mesmas condi\u00e7\u00f5es flu\u00eddicas que o trazimento deles reclama, ela s\u00f3 se pode dar com o concurso de m\u00e9diuns dotados de faculdades especiais. Por isso, quando alguma coisa desapare\u00e7a, \u00e9 mais prov\u00e1vel que o fato seja devido a descuido vosso, do que \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p>16\u00aa Ser\u00e3o devidos \u00e0 a\u00e7\u00e3o de certos Esp\u00edritos alguns efeitos que se consideram como fen\u00f4menos naturais?<\/p>\n<p>&#8220;Nos dias que correm, abundam fatos dessa ordem, fatos que n\u00e3o percebeis, porque neles n\u00e3o pensais, mas que, com um pouco de reflex\u00e3o, se vos tornariam patentes.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. N\u00e3o atribuais aos Esp\u00edritos o que \u00e9 obra do homem; mas, cr\u00eade na influ\u00eancia deles, oculta, constante, a criar em torno de v\u00f3s mil circunst\u00e2ncias, mil incidentes necess\u00e1rios ao cumprimento dos vossos atos, da vossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>17\u00aa Entre os objetos que os Esp\u00edritos costumam trazer, n\u00e3o haver\u00e1 alguns que eles pr\u00f3prios possam fabricar, isto \u00e9. produzidos espontaneamente pelas modifica\u00e7\u00f5es que os Esp\u00edritos possam operar no fluido, ou no elemento universal?<\/p>\n<p>&#8220;Por mim, n\u00e3o, que n\u00e3o tenho permiss\u00e3o para isso. S\u00f3 um Esp\u00edrito elevado o pode fazer.&#8221;<\/p>\n<p>18\u00aa Como conseguiste outro dia introduzir aqueles objetos, estando fechado o aposento?<\/p>\n<p>&#8220;Fi-los entrar comigo, envoltos, por assim dizer, na minha subst\u00e2ncia. Nada mais posso dizer, por n\u00e3o ser explic\u00e1vel o fato.&#8221;<\/p>\n<p>19\u00aa Como fizeste para tornar vis\u00edveis estes objetos que, um momento antes, eram invis\u00edveis?<\/p>\n<p>&#8220;Tirei a mat\u00e9ria que os envolvia.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA DE ERASTO. O que os envolve n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria propriamente dita, mas um fluido tirado, metade, do perisp\u00edrito do m\u00e9dium e, metade, do Esp\u00edrito que opera.<\/p>\n<p>20\u00aa <i>(A Erasto) <\/i>Pode um objeto ser trazido a um lugar inteiramente fechado?<\/p>\n<p>Numa palavra: pode o Esp\u00edrito espiritualizar um objeto material, de maneira que se torne capaz de penetrar a mat\u00e9ria?<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 complexa esta quest\u00e3o. O Esp\u00edrito pode tornar invis\u00edveis, por\u00e9m, n\u00e3o penetr\u00e1veis, os objetos que ele transporte; n\u00e3o pode quebrar a agrega\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, porque seria a destrui\u00e7\u00e3o do objeto. Tornando este invis\u00edvel, o Esp\u00edrito o pode transportar quando queira e n\u00e3o o libertar sen\u00e3o no momento oportuno, para faz\u00ea-lo aparecer. De modo diverso se passam as coisas, com rela\u00e7\u00e3o aos que compomos. Como nestes s\u00f3 introduzimos os elementos da mat\u00e9ria, como esses elementos s\u00e3o essencialmente penetr\u00e1veis e, ainda, como n\u00f3s mesmos penetramos e atravessamos os corpos mais condensados, com a mesma facilidade com que os raios sol ares atravessam uma placa de vidro, podemos perfeitamente dizer que introduzimos o objeto num lugar que esteja hermeticamente fechado, mas isso somente neste caso.<\/p>\n<p>NOTA. Quanto \u00e0 teoria da forma\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea dos objetos, veja-se adiante o cap\u00edtulo intitulado: <i>Laborat\u00f3rio do mundo invis\u00edvel.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O LIVRO DOS M\u00c9DIUNS \u2013 SEGUNDA PARTE CAP\u00cdTULO V DAS MANIFESTA\u00c7\u00d5ES F\u00cdSICAS ESPONT\u00c2NEAS Ru\u00eddos, barulhos e perturba\u00e7\u00f5es. &#8211; Arremesso de objetos. &#8211; Fen\u00f4meno de transporte. &#8211; Disserta\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito sobre os transportes. 82. 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