{"id":982,"date":"2013-05-26T09:33:08","date_gmt":"2013-05-26T12:33:08","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=982"},"modified":"2013-06-12T22:24:39","modified_gmt":"2013-06-13T01:24:39","slug":"19-comunhao-com-deus","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/19-comunhao-com-deus\/","title":{"rendered":"19 &#8211; Comunh\u00e3o com Deus"},"content":{"rendered":"<p>(Da obra Boa Nova)<\/p>\n<p>As elucida\u00e7\u00f5es do Mestre, relativamente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, sempre encontravam nos disc\u00edpulos certa dificuldade, quase invariavelmente em virtude das id\u00e9ias novas que continham, acerca da concep\u00e7\u00e3o de Deus como Pai carinhoso e amigo. Aquela necessidade de comunh\u00e3o com o seu amor, que Jesus n\u00e3o se cansava de salientar, lhes aparecia como problema obscuro, que o homem do mundo n\u00e3o conseguiria realizar.<\/p>\n<p>A esse tempo, os ess\u00eanios constitu\u00edam um agrupamento de estudiosos das ci\u00eancias da alma, caracterizando as suas atividades de modo diferente, porque sem p\u00fablicas manifesta\u00e7\u00f5es de seus princ\u00edpios. Desejoso de satisfazer \u00e0 curiosidade pr\u00f3pria, Jo\u00e3o procurou conhecer-lhes, de perto, os pontos de vista, em mat\u00e9ria das rela\u00e7\u00f5es da comunidade com Deus e, certo dia, procurou o Senhor, de modo a ouvi-lo mais amplamente sobre as d\u00favidas que lhe atormentavam o cora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Mestre &#8211; disse ele, sol\u00edcito -, tenho desejado sinceramente compreender os meus deveres atinentes \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, mas sinto que minhalma est\u00e1 tomada de certas hesita\u00e7\u00f5es. Anseio por esta comunh\u00e3o perene com o Pai; todavia, as id\u00e9ias mais antag\u00f4nicas se op\u00f5em aos meus desejos. Ainda agora, manifestando meu pensamento, acerca de minhas necessidades espirituais, a um amigo que se instrui com os ess\u00eanios, asseverou-me ele que necessito compreender que toda edifica\u00e7\u00e3o espiritual se deve processar num plano oculto. Mas, suas observa\u00e7\u00f5es me confundiram ainda mais. Como poderei entender isso? Devo, ent\u00e3o, ocultar o que haja de mais santo em meu cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O Messias, arrancado de suas medita\u00e7\u00f5es, respondeu com brandura:<\/p>\n<p>&#8211; Jo\u00e3o, todas as d\u00favidas que te assaltam se verificam pelo motivo de n\u00e3o haveres compreendido, at\u00e9 agora, que cada criatura tem um santu\u00e1rio no pr\u00f3prio esp\u00edrito, onde a sabedoria e o amor de Deus se manifestam, atrav\u00e9s das vozes da consci\u00eancia. Os ess\u00eanios levam muito longe a teoria do labor oculto, pois, antes de tudo, precisamos considerar que a verdade e o bem devem ser patrim\u00f4nio de toda a Humanidade em comum. No entanto, o que \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e9 saber dar a cada criatura, de acordo com as suas necessidades pr\u00f3prias. Nesse ponto, est\u00e3o muito certos quanto ao zelo que os caracteriza, porque os unguentos reservados a um ferido n\u00e3o se ofertam ao faminto que precisa de p\u00e3o. Tamb\u00e9m eu tenho afirmado que n\u00e3o poderei ensinar tudo o que desejara aos meus disc\u00edpulos, sendo compelido a reservar outras li\u00e7\u00f5es do Evangelho do Reino para o futuro, quando a magnanimidade divina permitir que a voz do Consolador se fa\u00e7a ouvir entre os homens sequiosos de conhecimento. N\u00e3o tens observado o n\u00famero de vezes em que necessito recorrer a par\u00e1bolas para que a revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o ofusque o entendimento geral? No que se refere \u00e0 comunh\u00e3o de nossas almas com Deus, n\u00e3o me esqueci de recomendar que cada esp\u00edrito ore no segredo do seu \u00edntimo, no sil\u00eancio de suas esperan\u00e7as e aspira\u00e7\u00f5es mais sagradas. \u00c9 que cada criatura deve estabelecer o seu pr\u00f3prio caminho para mais alto, erguendo em si mesma o santu\u00e1rio divino da f\u00e9 e da confian\u00e7a, onde interprete sempre a vontade de Deus, com respeito ao seu destino. A comunh\u00e3o da criatura com o Criador \u00e9, portanto, um imperativo da exist\u00eancia e a prece \u00e9 o luminoso caminho entre o cora\u00e7\u00e3o humano e o Pai de infinita bondade.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo escutou as observa\u00e7\u00f5es do Mestre, parecendo meditar austeramente.<\/p>\n<p>Entretanto, obtemperou:<\/p>\n<p>&#8211; Mas, a ora\u00e7\u00e3o deve ser louvor ou s\u00faplica?<\/p>\n<p>Ao que Jesus respondeu com bondade:<\/p>\n<p>&#8211; Por prece devemos interpretar todo ato de rela\u00e7\u00e3o entre o homem e Deus. Devido a isso mesmo, como express\u00e3o de agradecimento ou de rogativa, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um esfor\u00e7o da criatura em face da Provid\u00eancia Divina. Os que apenas suplicam podem ser ignorantes, os que louvam podem ser somente pregui\u00e7osos. Todo aquele, por\u00e9m, que trabalha pelo bem, com as suas m\u00e3os e com o seu pensamento, esse \u00e9 o filho que aprendeu a orar, na exalta\u00e7\u00e3o ou na rogativa, porque em todas as circunst\u00e2ncias ser\u00e1 fiel a Deus, consciente de que a vontade do Pai \u00e9 mais justa e s\u00e1bia do que a sua pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&#8211; E como ser leal a Deus, na ora\u00e7\u00e3o? \u2013 interrogou o ap\u00f3stolo, evidenciando as suas dificuldades intelectuais.<\/p>\n<p>&#8211; A prece j\u00e1 n\u00e3o representa em si mesma um sinal de confian\u00e7a?<\/p>\n<p>Jesus contemplou-o com a sua serenidade imperturb\u00e1vel e retrucou:<\/p>\n<p>&#8211; Ser\u00e1 que tamb\u00e9m tu n\u00e3o entendes? N\u00e3o obstante a confian\u00e7a expressa na ora\u00e7\u00e3o e a f\u00e9 tributada \u00e0 provid\u00eancia superior, \u00e9 preciso colocar acima delas a certeza de que os des\u00edgnios celestiais s\u00e3o mais s\u00e1bios e misericordiosos do que o capricho pr\u00f3prio; \u00e9 necess\u00e1rio que cada um se una ao Pai, comungando com a sua vontade generosa e justa, ainda que seja contrariado em determinadas ocasi\u00f5es. Em suma, \u00e9 imprescind\u00edvel que sejamos de Deus. Quanto \u00e0s li\u00e7\u00f5es dessa fidelidade, observemos a pr\u00f3pria natureza, em suas manifesta\u00e7\u00f5es mais simples. Dentro dela, agem as leis de Deus e devemos reconhecer que todas essas leis correspondem \u00e0 sua amorosa sabedoria, constituindo-se suas servas fi\u00e9is, rio trabalho universal. J\u00e1 ouviste falar, alguma vez, que o Sol se afastou do c\u00e9u, cansado da paisagem escura da Terra, alegando a necessidade de repousar? A pretexto de indispens\u00e1vel repouso, teriam as \u00e1guas privado o globo de seus benef\u00edcios, em certos anos? Por desagrad\u00e1vel que seja em suas caracter\u00edsticas, a tempestade jamais deixou de limpar as atmosferas. Apesar das lamenta\u00e7\u00f5es dos que n\u00e3o suportam a umidade, a chuva n\u00e3o deixa de fecundar a terra! Jo\u00e3o, \u00e9 preciso aprender com as leis da natureza a fidelidade a Deus! Quem as acompanha, no mundo, planta e colhe com abund\u00e2ncia. Observar a lealdade para com o Pai \u00e9 semear e atingir as mais formosas searas da alma no infinito. V\u00ea, pois, que todo o problema da ora\u00e7\u00e3o est\u00e1 em edificarmos o reino do c\u00e9u entre os sentimentos de nosso \u00edntimo, compreendendo que os atributos divinos se encontram tamb\u00e9m em n\u00f3s.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo guardou aqueles esclarecimentos, cheio de boa-vontade no sentido de alcan\u00e7ar a sua perfeita compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Mestre &#8211; confessou, respeitoso -, vossas elucida\u00e7\u00f5es abrem uma estrada nova para minhalma contudo, eu vos pe\u00e7o, com a sinceridade da minha afei\u00e7\u00e3o, me ensineis, na primeira oportunidades como deverei entender que Deus est\u00e1 igualmente em n\u00f3s.<\/p>\n<p>O Messias fixou nele o olhar transl\u00facido e, deixando perceber que n\u00e3o poderia ser mais expl\u00edcito com o recurso das palavras, disse apenas:<\/p>\n<p>&#8211; Eu te prometo.<\/p>\n<p>A conversa\u00e7\u00e3o que vimos de narrar verificara-se nas cercanias de Jerusal\u00e9m, numa das aus\u00eancias eventuais do Mestre do c\u00edrculo bem-amado de sua fam\u00edlia espiritual em Cafarnaum.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Jesus e Jo\u00e3o demandaram Jeric\u00f3, a fim de atender ao programa de viagem organizado pelo p ri melro.<\/p>\n<p>Na excurs\u00e3o a p\u00e9, ambos se entretinham em admirar as poucas belezas do caminho, escassamente favorecido pela Natureza. A paisagem era \u00e1rida e as \u00e1rvores existentes apresentavam as frondes recurvadas, entremostrando a pobreza da regi\u00e3o, que n\u00e3o lhes incentivava o desenvolvimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o longe de uma pequena herdade, o Mestre e o ap\u00f3stolo encontraram um rude lavrador, cavando grande po\u00e7o \u00e0 beira do caminho. Bagas de suor lhe desciam da fronte; mas, seus bra\u00e7os fortes iam e vinham \u00e0 terra, na \u00e2nsia de procurar o l\u00edquido precioso.<\/p>\n<p>Ante aquele quadro, Jesus estacionou com o disc\u00edpulo, a pretexto de breve descanso, e, revelando o interesse que aquele esfor\u00e7o lhe despertava, perguntou ao trabalhador:<\/p>\n<p>&#8211; Amigo, que fazes?<\/p>\n<p>&#8211; Busco a \u00e1gua que nos falta &#8211; redarguiu com um sorriso o interpelado.<\/p>\n<p>&#8211; A chuva \u00e9 assim t\u00e3o escassa nestas paragens?<\/p>\n<p>&#8211; tornou Jesus, evidenciando afetuoso cuidado.<\/p>\n<p>&#8211; Sim, nas proximidades de Jeric\u00f3, ultimamente, a chuva se vem tornando uma verdadeira gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>O homem do campo prosseguiu no seu trabalho exaustivo; mas, apontando para ele, o Messias disse a Jo\u00e3o, em tom amigo:<\/p>\n<p>&#8211; Este quadro da Natureza \u00e9 bastante singelo; por\u00e9m, \u00e9 na simplicidade que encontramos os s\u00edmbolos mais puros. Observa, Jo\u00e3o, que este homem compreende que sem a chuva n\u00e3o haveria mananciais na Terra; mas, n\u00e3o para em seu esfor\u00e7o, procurando o reservat\u00f3rio que a Provid\u00eancia Divina armazenou no subsolo. A imagem \u00e9 p\u00e1lida; todavia, chega para compreenderes como Deus reside tamb\u00e9m em n\u00f3s. Dentro do s\u00edmbolo, temos de entender a chuva como o favor de sua miseric\u00f3rdia, sem o qual nada possuir\u00edamos. Esta paisagem deserta de Jeric\u00f3 pode representar a alma humana, vazia de sentimentos santificadores. Este trabalhador simboliza o crist\u00e3o ativo, cavando junto dos caminhos \u00e1ridos, muitas vezes com sacrif\u00edcio, suor e l\u00e1grimas, para encontrar a luz divina em seu cora\u00e7\u00e3o. E a \u00e1gua \u00e9 o s\u00edmbolo mais perfeito da ess\u00eancia de Deus, que tanto est\u00e1 nos c\u00e9us corno na Terra.<\/p>\n<p>O disc\u00edpulo guardou aquelas palavras, sabendo que realizara uma aquisi\u00e7\u00e3o de claridades imorredouras. Contemplou o grande po\u00e7o, onde a \u00e1gua clara come\u00e7ava a surgir, depois de imenso esfor\u00e7o do humilde trabalhador que a procurava desde muitos dias, e teve n\u00edtida compreens\u00e3o do que constitu\u00eda a necess\u00e1ria comunh\u00e3o com Deus. Experimentando indefin\u00edvel j\u00fabilo no cora\u00e7\u00e3o, tomou das m\u00e3os do Messias e as osculou, com a alegria do seu esp\u00edrito alvoro\u00e7ado. Confortado, como algu\u00e9m que vencera grande combate \u00edntimo, Jo\u00e3o sentiu que finalmente compreendera.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Da obra Boa Nova) As elucida\u00e7\u00f5es do Mestre, relativamente \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, sempre encontravam nos disc\u00edpulos certa dificuldade, quase invariavelmente em virtude das id\u00e9ias novas que continham, acerca da concep\u00e7\u00e3o de Deus como Pai carinhoso e amigo. 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