{"id":984,"date":"2013-05-26T10:45:09","date_gmt":"2013-05-26T13:45:09","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=984"},"modified":"2013-05-26T10:48:28","modified_gmt":"2013-05-26T13:48:28","slug":"11-das-manifestacoes-visuais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/11-das-manifestacoes-visuais\/","title":{"rendered":"11 &#8211; Das manifesta\u00e7\u00f5es visuais"},"content":{"rendered":"<p>O LIVRO DOS M\u00c9DIUNS \u2013 SEGUNDA PARTE<\/p>\n<p>CAP\u00cdTULO VI<\/p>\n<p><b>DAS MANIFESTA\u00c7\u00d5ES VISUAIS<\/b><\/p>\n<p><i>No\u00e7\u00f5es sobre as apari\u00e7\u00f5es. Ensaio te\u00f3rico sobre as apari\u00e7\u00f5es. \u2013 Esp\u00edritos gl\u00f3bulos. &#8211; Teoria da alucina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>100. De todas as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, as mais interessantes, sem contesta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, s\u00e3o aquelas por meio das quais os Esp\u00edritos se tornam vis\u00edveis. Pela explica\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno se ver\u00e1 que ele n\u00e3o \u00e9 mais sobrenatural do que os outros. Vamos apresentar primeiramente as respostas que os Esp\u00edritos deram acerca do assunto:<\/p>\n<p>1\u00aa Podem os Esp\u00edritos tornar-se vis\u00edveis?<\/p>\n<p>&#8220;Podem, sobretudo, durante o sono. Entretanto algumas pessoas os v\u00eaem quando acordadas, por\u00e9m, isso \u00e9 mais raro.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. Enquanto o corpo repousa, o Esp\u00edrito se desprende dos la\u00e7os materiais; fica mais livre e pode mais facilmente ver os outros Esp\u00edritos, entrando com eles em comunica\u00e7\u00e3o. O sonho n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a recorda\u00e7\u00e3o desse estado. Quando de nada nos lembramos, diz-se que n\u00e3o sonhamos, mas, nem por isso a alma deixou de ver e de gozar da sua liberdade. Aqui nos ocupamos especialmente com as apari\u00e7\u00f5es no estado de vig\u00edlia (1).<\/p>\n<p>2\u00aa Pertencem mais a uma categoria do que a outra os Esp\u00edritos que se manifestam fazendo-se vis\u00edveis?<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o; podem pertencer a todas as classes, assim \u00e0s mais elevadas, como as mais inferiores.&#8221;<\/p>\n<p>3\u00aa A todos os Esp\u00edritos \u00e9 dado manifestarem-se visivelmente?<\/p>\n<p>&#8220;Todos o podem; mas, nem sempre t\u00eam permiss\u00e3o para faz\u00ea-lo, ou o querem.<\/p>\n<p>4\u00aa Que fim objetivam os Esp\u00edritos que se manifestam visivelmente?<\/p>\n<p>&#8220;Isso depende; de acordo com as suas naturezas, o fim pode ser bom, ou mau.&#8221;<\/p>\n<p>5\u00aa Como lhes pode ser permitido manifestar-se, quando para mau fim?<\/p>\n<p>&#8220;Nesse caso \u00e9 para experimentar os a quem eles aparecem. Pode ser m\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e bom o resultado.&#8221;<\/p>\n<p>6\u00aa Qual pode ser o fim que tem em vista o Esp\u00edrito que se torna vis\u00edvel com m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Amedrontar e muitas vezes vingar-se.&#8221;<\/p>\n<p>a) Que visam os que v\u00eam com boa inten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Consolar as pessoas que deles guardam saudades, provar-lhes que existem e est\u00e3o perto delas; dar conselhos e, algumas vezes, pedir para si mesmos assist\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>7\u00aa Que inconveniente haveria em ser permanente e geral entre os homens a possibilidade de verem os Esp\u00edritos? N\u00e3o seria esse um meio de tirar a d\u00favida aos mais incr\u00e9dulos?<\/p>\n<p>&#8220;Estando o homem constantemente cercado de Esp\u00edritos, o v\u00ea-los a todos os instantes o perturbaria, embara\u00e7ar-lhe-ia os atos e tirar-lhe-ia a iniciativa na maioria dos casos, ao passo que, julgando-se s\u00f3, ele age mais livremente. Quanto aos incr\u00e9dulos, de muitos meios disp\u00f5em para se convencerem, se desses meios quiserem aproveitar-se e n\u00e3o estiverem cegos pelo orgulho. Sabes multo bem existirem pessoas que h\u00e3o visto e que nem por isso creem, pois dizem que s\u00e3o ilus\u00f5es. Com esses n\u00e3o te preocupes; deles\u00a0se encarrega Deus.&#8221;<\/p>\n<p>(1) Ver, para maiores particularidades sobre o estado do Esp\u00edrito durante o sono, <b>O Livro dos Esp\u00edritos<\/b>, cap. &#8220;Da emancipa\u00e7\u00e3o da alma&#8221;, n. 409.<\/p>\n<p>NOTA. Tantos inconvenientes haveria em vermos constantemente os Esp\u00edritos, como em vermos o ar que nos cerca e as mir\u00edades de animais microsc\u00f3picos que sobre n\u00f3s e em torno de n\u00f3s pululam. Donde devemos concluir que o que Deus faz \u00e9 bem feito e que Ele sabe melhor do que n\u00f3s o que nos conv\u00e9m.<\/p>\n<p>8\u00aa Uma vez que h\u00e1 inconveniente em vermos os Esp\u00edritos, por que, em certos casos, \u00e9 isso permitido?<\/p>\n<p>&#8220;Para dar ao homem uma prova de que nem tudo morre com o corpo, que a alma conserva a sua Individualidade ap\u00f3s a morte. A vis\u00e3o passageira basta para essa prova e para atestar a presen\u00e7a de amigos ao vosso lado e n\u00e3o oferece os Inconvenientes da vis\u00e3o constante.&#8221;<\/p>\n<p>9\u00aa Nos mundos mais adiantados que o nosso, os Esp\u00edritos s\u00e3o vistos com mais freq\u00fc\u00eancia do que entre n\u00f3s?<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais o homem se aproxima da natureza espiritual, tanto mais facilmente se p\u00f5e em comunica\u00e7\u00e3o com os Esp\u00edritos. A grosseria do vosso envolt\u00f3rio \u00e9 que dificulta e torna rara a percep\u00e7\u00e3o dos seres et\u00e9reos.&#8221;<\/p>\n<p>10\u00aa Ser\u00e1 racional assustarmo-nos com a apari\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito?<\/p>\n<p>&#8220;Quem refletir dever\u00e1 compreender que um Esp\u00edrito, qualquer que seja, \u00e9 menos perigoso do que um vivo. Demais, podendo os Esp\u00edritos, como podem, ir a toda parte, n\u00e3o se faz preciso que uma pessoa os veja para saber que alguns est\u00e3o a seu lado. O Esp\u00edrito que queira causar dano pode faz\u00ea-lo, e at\u00e9 com mais seguran\u00e7a, sem se dar a ver. Ele n\u00e3o \u00e9 perigoso pelo fato de ser Esp\u00edrito, mas, sim, pela influ\u00eancia que pode exercer sobre o homem, desviando-o do bem e impelindo-o ao mal.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. As pessoas que, quando se acham na solid\u00e3o ou na obscuridade, se enchem de medo raramente se apercebem da causa de seus pavores. N\u00e3o seriam capazes de dizer de que \u00e9 que t\u00eam medo. Muito mais deveriam temer o encontro com homens do que com Esp\u00edritos, porquanto um malfeitor \u00e9 bem mais perigoso quando vivo, do que depois de morto. Uma senhora do nosso conhecimento teve uma noite, em seu quarto, uma apari\u00e7\u00e3o t\u00e3o bem caracterizada, que ela julgou estar em sua presen\u00e7a uma pessoa e a sua primeira sensa\u00e7\u00e3o foi de terror. Certificada de que n\u00e3o havia pessoa alguma, disse: &#8220;Parece que \u00e9 <i>apenas um Esp\u00edrito<\/i>; posso dormir tranquila.&#8221;<\/p>\n<p>11\u00aa Poder\u00e1 aquele a quem um Esp\u00edrito apare\u00e7a travar com ele conversa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Perfeitamente e \u00e9 mesmo o que se deve fazer em tal caso, perguntando ao Esp\u00edrito quem ele \u00e9, o que deseja e em que se lhe pode ser \u00fatil. Se se tratar de um Esp\u00edrito infeliz e sofredor, a comisera\u00e7\u00e3o que se lhe testemunhar o aliviar\u00e1. Se for um Esp\u00edrito bondoso, pode acontecer que traga a inten\u00e7\u00e3o de dar bons conselhos.&#8221;<\/p>\n<p>a) Como pode o Esp\u00edrito, nesse caso, responder?<\/p>\n<p>&#8220;Algumas vezes o faz por meio de sons articulados, como o faria uma pessoa viva. Na maioria dos casos, por\u00e9m, pela transmiss\u00e3o dos pensamentos.&#8221;<\/p>\n<p>12\u00aa Os Esp\u00edritos que aparecem com asas t\u00eam-nas realmente, ou essas asas s\u00e3o apenas uma apar\u00eancia simb\u00f3lica?<\/p>\n<p>&#8220;Os Esp\u00edritos n\u00e3o t\u00eam asas, nem de tal coisa precisam, visto que podem ir a toda parte como Esp\u00edritos. Aparecem da maneira por que precisam impressionar a pessoa a quem se mostram. Assim \u00e9 que uns aparecer\u00e3o em trajes comuns, outros envoltos em amplas roupagens, alguns com asas, como atributo da categoria espiritual a que pertencem.&#8221;<\/p>\n<p>13\u00aa As pessoas que vemos em sonho s\u00e3o sempre as que parecem ser pelo seu aspecto?<\/p>\n<p>&#8220;Quase sempre s\u00e3o mesmo as que os vossos Esp\u00edritos buscam, ou que v\u00eam ao encontro deles.&#8221;<\/p>\n<p>14\u00aa N\u00e3o poderiam os Esp\u00edritos zombeteiros tomar as apar\u00eancias das pessoas que nos s\u00e3o caras, para nos induzirem em erro?<\/p>\n<p>&#8220;<i>Somente <\/i>para se divertirem \u00e0 vossa custa tomam eles apar\u00eancias fant\u00e1sticas. H\u00e1 coisas, por\u00e9m, com que n\u00e3o lhes \u00e9 l\u00edcito brincar.&#8221;<\/p>\n<p>15\u00aa Compreende-se que, sendo uma esp\u00e9cie de evoca\u00e7\u00e3o, o pensamento fa\u00e7a com que se apresente o Esp\u00edrito em quem se pensa. Como \u00e9, entretanto, que muitas vezes as pessoas em quem mais pensamos, que ardentemente desejamos tornar a ver, jamais se nos apresentam em sonho, ao passo que vemos outras que nos s\u00e3o indiferentes e nas quais nunca pensamos?<\/p>\n<p>&#8220;Os Esp\u00edritos nem sempre podem manifestar-se visivelmente, mesmo em sonho e mau grado ao desejo que tenhais de v\u00ea-los. Pode dar-se que obstem a isso causas independentes da vontade deles. Frequentemente, \u00e9 tamb\u00e9m uma prova, de que n\u00e3o consegue triunfar o mais ardente desejo. Quanto \u00e0s pessoas que vos s\u00e3o indiferentes, se \u00e9 certo que nelas n\u00e3o pensais, bem pode acontecer que elas em v\u00f3s pensem. Ali\u00e1s, n\u00e3o podeis formar id\u00e9ia das rela\u00e7\u00f5es no mundo dos Esp\u00edritos. L\u00e1 tendes uma multid\u00e3o de conhecimentos \u00edntimos, antigos ou recentes, de que n\u00e3o suspeitais quando despertos.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. Quando nenhum meio tenhamos de verificar a realidade das vis\u00f5es ou apari\u00e7\u00f5es, podemos sem d\u00favida lan\u00e7\u00e1-las \u00e0 conta da alucina\u00e7\u00e3o. Quando, por\u00e9m, os sucessos as confirmam, ningu\u00e9m tem o direito de atribu\u00ed-las \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o. Tais, por exemplo, as apari\u00e7\u00f5es, que temos em sonho ou em estado de vig\u00edlia, de pessoas em quem absolutamente n\u00e3o pens\u00e1vamos e que, produzindo-as no momento em que morrem, vem, por meio de sinais diversos, revelar as circunst\u00e2ncias totalmente ignoradas em que faleceram. T\u00eam-se visto cavalos empinarem e recusarem caminhar para a frente, por motivo de apari\u00e7\u00f5es que assustam os cavaleiros que os montam. Embora se admita que a imagina\u00e7\u00e3o desempenhe a\u00ed algum papel, quando o fato se passa com os homens, ningu\u00e9m, certamente, negar\u00e1 que ela nada tem que ver com o caso, quando este se d\u00e1 com os animais. Acresce que, se fosse exato que as imagens que vemos em sonho s\u00e3o sempre efeito das nossas preocupa\u00e7\u00f5es quando acordados, n\u00e3o haveria como explicar que nunca sonhemos, conforme se verifica frequentemente, com aquilo em que mais pensamos.<\/p>\n<p>16\u00aa Por que raz\u00e3o certas vis\u00f5es ocorrem com mais freq\u00fc\u00eancia quando se est\u00e1 doente?<\/p>\n<p>&#8220;Elas ocorrem do mesmo modo quando estais de perfeita sa\u00fade. Simplesmente, no estado de doen\u00e7a, os la\u00e7os materiais se afrouxam; a fraqueza do corpo permite maior liberdade ao Esp\u00edrito, que, ent\u00e3o, se p\u00f5e mais facilmente em comunica\u00e7\u00e3o com os outros\u00a0Esp\u00edritos.&#8221;<\/p>\n<p>17\u00aa As apari\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas parecem mais frequentes em certos pa\u00edses. Ser\u00e1 que alguns povos est\u00e3o mais bem dotados do que outros para receberem esta esp\u00e9cie de manifesta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>&#8220;Dar-se-\u00e1 tenhais um registro hist\u00f3rico de cada apari\u00e7\u00e3o? As apari\u00e7\u00f5es, como os ru\u00eddos e todas as manifesta\u00e7\u00f5es, produzem-se igualmente em todos os pontos da Terra; apresentam, por\u00e9m, caracteres distintos, de conformidade com o povo em cujo seio se verificam. Nuns, por exemplo, onde o uso da escrita est\u00e1 pouco espalhado, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9diuns escreventes; noutros, abundam os m\u00e9diuns desta natureza; entre outros, observam-se mais os ru\u00eddos e os movimentos do que as manifesta\u00e7\u00f5es inteligentes, por serem estas menos apreciadas e procuradas.&#8221;<\/p>\n<p>18\u00aa Por que \u00e9 que as apari\u00e7\u00f5es se d\u00e3o de prefer\u00eancia \u00e0 noite? N\u00e3o indica isso que elas s\u00e3o efeito do sil\u00eancio e da obscuridade sobre a imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Pela mesma raz\u00e3o por que vedes, durante a noite, as estrelas e n\u00e3o as divisais em pleno dia. A grande claridade pode apagar uma apari\u00e7\u00e3o ligeira; mas, err\u00f4neo \u00e9 supor-se que a noite tenha qualquer coisa com isso. Inquiri os que t\u00eam tido vis\u00f5es e verificareis que s\u00e3o em maior n\u00famero os que as tiveram de dia.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. Muito mais frequentes e gerais do que se julga s\u00e3o as apari\u00e7\u00f5es; por\u00e9m, muitas pessoas deixam de torn\u00e1-las conhecidas, por medo do rid\u00edculo, e outras as atribuem \u00e0 ilus\u00e3o. Se parecem mais numerosas entre alguns povos, \u00e9 isso devido a que a\u00ed se conservam com mais cuidado as tradi\u00e7\u00f5es verdadeiras, ou falsas, quase sempre ampliadas pelo poder de sedu\u00e7\u00e3o do maravilhoso a que mais ou menos se preste o aspecto das localidades. A credulidade ent\u00e3o faz que se vejam efeitos sobrenaturais nos mais vulgares fen\u00f4menos: o sil\u00eancio da solid\u00e3o, o escarpamento das quebradas, o mugido da floresta, as rajadas da tempestade, o eco das montanhas, a forma fant\u00e1stica das nuvens, as sombras, as miragens, tudo enfim se presta \u00e0 ilus\u00e3o, para imagina\u00e7\u00f5es simples e ing\u00eanuas, que de boa-f\u00e9 narram o que viram, ou julgaram ver. Por\u00e9m, ao lado da fic\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a realidade. O estudo s\u00e9rio do Espiritismo leva precisamente o homem a se desembara\u00e7ar de todas as supersti\u00e7\u00f5es rid\u00edculas.<\/p>\n<p>19\u00aa A vis\u00e3o dos Esp\u00edritos se produz no estado normal, ou s\u00f3 estando o vidente num estado ext\u00e1tico?<\/p>\n<p>&#8220;Pode produzir-se achando-se este em condi\u00e7\u00f5es perfeitamente normais.<\/p>\n<p>Entretanto, as pessoas que os v\u00eaem se encontram muito ami\u00fade num estado pr\u00f3ximo do de \u00eaxtase, estado que lhes faculta uma esp\u00e9cie de dupla vista.&#8221; (<i>O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>n. 447.)<\/p>\n<p>20\u00aa Os que v\u00eaem os Esp\u00edritos veem-nos com os olhos?<\/p>\n<p>&#8220;Assim o julgam; mas, na realidade, \u00e9 a alma quem v\u00ea e o que o prova e que os podem ver com os olhos fechados.&#8221;<\/p>\n<p>21\u00aa Como pode o Esp\u00edrito fazer-se vis\u00edvel?<\/p>\n<p>&#8220;O princ\u00edpio \u00e9 o mesmo de todas as manifesta\u00e7\u00f5es, reside nas propriedades do perisp\u00edrito, que pode sofrer diversas modifica\u00e7\u00f5es, ao sabor do Esp\u00edrito.&#8221;<\/p>\n<p>22\u00aa Pode o Esp\u00edrito propriamente dito fazer-se vis\u00edvel, ou s\u00f3 o pode com o aux\u00edlio do perisp\u00edrito?<\/p>\n<p>&#8220;No estado material em que vos achais, s\u00f3 com o aux\u00edlio de seus inv\u00f3lucros semi-materiais podem os Esp\u00edritos manifestar-se. Esse inv\u00f3lucro \u00e9 o intermedi\u00e1rio por meio do qual eles atuam sobre os vossos sentidos. Sob esse envolt\u00f3rio \u00e9 que aparecem, \u00e0s vezes, com uma forma humana, ou com outra qualquer, seja nos sonhos, seja no estado de vig\u00edlia, assim em plena luz, como na obscuridade.&#8221;<\/p>\n<p>23\u00aa Poder-se-\u00e1 dizer que \u00e9 pela condensa\u00e7\u00e3o do fluido do perisp\u00edrito que o Esp\u00edrito se torna vis\u00edvel?<\/p>\n<p>&#8220;Condensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o termo. Essa palavra apenas pode ser usada para estabelecer uma compara\u00e7\u00e3o, que vos faculte compreender o fen\u00f4meno, porquanto n\u00e3o h\u00e1 realmente condensa\u00e7\u00e3o. Pela combina\u00e7\u00e3o dos fluidos, o perisp\u00edrito toma uma disposi\u00e7\u00e3o especial, sem analogia para v\u00f3s outros, disposi\u00e7\u00e3o que o torna percept\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>24\u00aa Os Esp\u00edritos que aparecem s\u00e3o sempre inapreens\u00edveis e impercept\u00edveis ao tato?<\/p>\n<p>&#8220;Em seu estado normal, s\u00e3o inapreens\u00edveis, como num sonho. Entretanto, podem tornar-se capazes de produzir impress\u00e3o ao tato, de deixar vest\u00edgios de sua presen\u00e7a e at\u00e9, em certos casos, de tornar-se momentaneamente tang\u00edveis, o que prova haver mat\u00e9ria entre v\u00f3s e eles.&#8221;<\/p>\n<p>25\u00aa Toda gente tem aptid\u00e3o para ver os Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>&#8220;Durante o sono, todos t\u00eam; em estado de vig\u00edlia, n\u00e3o. Durante o sono, a alma v\u00ea sem intermedi\u00e1rio; no estado de vig\u00edlia, acha-se sempre mais ou menos influenciada pelos \u00f3rg\u00e3os. Da\u00ed vem n\u00e3o serem totalmente id\u00eanticas as condi\u00e7\u00f5es nos dois casos.&#8221;<\/p>\n<p>26\u00aa De que depende, para o homem, a faculdade de ver os Esp\u00edritos, em estado de vig\u00edlia?<\/p>\n<p>&#8220;Depende da organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Reside na maior ou menor facilidade que tem o fluido do vidente para se combinar com o do Esp\u00edrito. Assim, n\u00e3o basta que o Esp\u00edrito queira mostrar-se, \u00e9 preciso tamb\u00e9m que encontre a necess\u00e1ria aptid\u00e3o na pessoa a quem deseje fazer-se vis\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>a) Pode essa faculdade desenvolver-se pelo exerc\u00edcio?<\/p>\n<p>&#8220;Pode, como todas as outras faculdades; mas, pertence ao n\u00famero daquelas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais \u00e9 melhor que se espere o desenvolvimento natural, do que provoc\u00e1-lo, para n\u00e3o sobreexcitar a imagina\u00e7\u00e3o. A de ver os Esp\u00edritos, em geral e permanentemente, constitui uma faculdade excepcional e n\u00e3o est\u00e1 nas condi\u00e7\u00f5es normais do homem.&#8221;<\/p>\n<p>27\u00aa Pode-se provocar a apari\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>&#8220;Isso algumas vezes \u00e9 poss\u00edvel, por\u00e9m, muito raramente. A apari\u00e7\u00e3o \u00e9 quase sempre espont\u00e2nea. Para que algu\u00e9m veja os Esp\u00edritos, precisa ser dotado de uma faculdade especial.&#8221;<\/p>\n<p>28\u00aa Podem os Esp\u00edritos tomar-se vis\u00edveis sob outra apar\u00eancia que n\u00e3o a da forma humana?<\/p>\n<p>&#8220;A humana \u00e9 a forma normal. O Esp\u00edrito pode variar-lhe a apar\u00eancia, mas sempre com o tipo humano.&#8221;<\/p>\n<p>a) N\u00e3o podem manifestar-se sob a forma de chama?<\/p>\n<p>&#8220;Podem produzir chamas, clar\u00f5es, como todos os outros efeitos, para atestar sua presen\u00e7a; mas, n\u00e3o s\u00e3o os pr\u00f3prios Esp\u00edritos que assim aparecem. A chama n\u00e3o passa muitas vezes de uma miragem, ou de uma emana\u00e7\u00e3o do perisp\u00edrito. Em todo caso, nunca \u00e9 mais do que uma parcela deste. O perisp\u00edrito n\u00e3o se mostra integralmente nas vis\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>29\u00aa Que se deve pensar da cren\u00e7a que atribui os fogos-f\u00e1tuos \u00e0 presen\u00e7a de almas ou Esp\u00edritos?<\/p>\n<p>&#8220;Supersti\u00e7\u00e3o produzida pela ignor\u00e2ncia. Bem conhecida \u00e9 a causa f\u00edsica dos fogos-f\u00e1tuos.&#8221;<\/p>\n<p>a) A chama azul que, segundo dizem, apareceu sobre a cabe\u00e7a de S\u00e9rvius T\u00falius, quando menino, \u00e9 uma f\u00e1bula, ou foi real?<\/p>\n<p>&#8220;Era real e produzida por um Esp\u00edrito familiar, que desse modo dava um aviso \u00e0 m\u00e3e do menino. M\u00e9dium vidente, essa m\u00e3e percebeu uma irradia\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito protetor de seu filho. Assim como os m\u00e9diuns escreventes n\u00e3o escrevem todos a mesma coisa, tamb\u00e9m, nos m\u00e9diuns videntes, n\u00e3o \u00e9 em todos do mesmo grau a vid\u00eancia. Ao passo que aquela m\u00e3e viu apenas uma chama, outro m\u00e9dium teria podido ver o pr\u00f3prio corpo do Esp\u00edrito.&#8221;<\/p>\n<p>30\u00aa Poderiam os Esp\u00edritos apresentar-se sob a forma de animais?<\/p>\n<p>&#8220;Isso pode dar-se; mas somente Esp\u00edritos muito inferiores tomam essas apar\u00eancias. Em caso algum, por\u00e9m, ser\u00e1 mais do que uma apar\u00eancia moment\u00e2nea. Fora absurdo acreditar-se que um qualquer animal verdadeiro pudesse ser a encarna\u00e7\u00e3o de um Esp\u00edrito. Os animais s\u00e3o sempre animais e nada mais do que isto.&#8221;<\/p>\n<p>NOTA. Somente a supersti\u00e7\u00e3o pode fazer crer que certos animais s\u00e3o animados por Esp\u00edritos. \u00c9 preciso uma imagina\u00e7\u00e3o muito complacente, ou muito impressionada para ver qualquer coisa de sobrenatural nas circunst\u00e2ncias um pouco extravagantes em que eles algumas vezes se apresentam. O medo faz que ami\u00fade se veja o que n\u00e3o existe. Mas, n\u00e3o s\u00f3 no medo tem sua origem essa id\u00e9ia. Conhecemos uma senhora, muito inteligente ali\u00e1s, que consagrava desmedida afei\u00e7\u00e3o a um gato preto, porque acreditava ser ele de natureza <i>sobreanimal<\/i>. Entretanto, essa senhora jamais ouvira falar do Espiritismo. Se o houvesse conhecido, ele lhe teria feito compreender o rid\u00edculo da causa de sua predile\u00e7\u00e3o pelo animal, provando-lhe a impossibilidade de tal metamorfose.<\/p>\n<p><b>Ensaio te\u00f3rico sobre as apari\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>101. As manifesta\u00e7\u00f5es aparentes mais comuns se d\u00e3o durante o sono, por meio dos sonhos: s\u00e3o as vis\u00f5es. Os limites deste estudo n\u00e3o comportam o exame de todas as particularidades que os sonhos podem apresentar. Resumiremos tudo, dizendo que eles podem ser: uma vis\u00e3o atual das coisas presentes, ou ausentes; uma vis\u00e3o retrospectiva do passado e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Tamb\u00e9m muitas vezes s\u00e3o quadros aleg\u00f3ricos que os Esp\u00edritos nos p\u00f5em sob as vistas, para dar-nos \u00fateis avisos e salutares conselhos, se se trata de Esp\u00edritos bons; para induzir-nos em erro e nos lisonjear as paix\u00f5es, se s\u00e3o Esp\u00edritos imperfeitos os que no-lo apresentam. A teoria que se segue aplica-se aos sonhos, como a todos os outros casos de apari\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>(Veja-se: <i>O Livro dos Esp\u00edritos, <\/i>ns. 400 e seguintes.)<\/p>\n<p>Temos para n\u00f3s que far\u00edamos uma inj\u00faria aos nossos leitores, se nos propus\u00e9ssemos a demonstrar o que h\u00e1 de absurdo e rid\u00edculo no que vulgarmente se chama a interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos.<\/p>\n<p>102. As apari\u00e7\u00f5es propriamente ditas se d\u00e3o quando o vidente se acha em estado de vig\u00edlia e no gozo da plena e inteira liberdade das suas faculdades. Apresentam-se, em geral, sob uma forma vaporosa e di\u00e1fana, \u00e0s vezes vaga e imprecisa. A princ\u00edpio \u00e9, quase sempre, uma claridade esbranqui\u00e7ada, cujos contornos pouco a pouco se v\u00e3o desenhando. Doutras vezes, as formas se mostram nitidamente acentuadas, distinguindo-se os menores tra\u00e7os da fisionomia, a ponto de se tornar poss\u00edvel fazer-se da apari\u00e7\u00e3o uma descri\u00e7\u00e3o completa. Os ademanes, o aspecto, s\u00e3o semelhantes aos que tinha o Esp\u00edrito quando vivo.<\/p>\n<p>Podendo tomar todas as apar\u00eancias, o Esp\u00edrito se apresenta sob a que melhor o fa\u00e7a reconhec\u00edvel, se tal \u00e9 o seu desejo. Assim, embora como Esp\u00edrito nenhum defeito corp\u00f3reo tenha, ele se mostrar\u00e1 estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necess\u00e1rio \u00e0 prova da sua identidade. Esopo, por exemplo, como Esp\u00edrito, n\u00e3o \u00e9 disforme; por\u00e9m, se o evocarem como Esopo, ainda que muitas exist\u00eancias tenha tido depois da em que assim se chamou, ele aparecer\u00e1 feio e corcunda, com os seus trajes tradicionais.<\/p>\n<p>Coisa interessante \u00e9 que, salvo em circunst\u00e2ncias especiais, as partes menos acentuadas s\u00e3o os membros inferiores, enquanto que a cabe\u00e7a, o tronco, os bra\u00e7os e as m\u00e3os s\u00e3o sempre claramente desenhados. Da\u00ed vem que quase nunca s\u00e3o vistos a andar, mas a deslizar como sombras. Quanto \u00e0s vestes, comp\u00f5em-se ordinariamente de um amontoado de pano, terminando em longo pregueado flutuante. Com uma cabeleira ondulante e graciosa se apresentam os Esp\u00edritos que nada conservam das coisas terrenas. Os Esp\u00edritos vulgares, por\u00e9m, os que aqui conhecemos aparecem com os trajos que usavam no \u00faltimo per\u00edodo de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Frequentemente, mostram atributos caracter\u00edsticos da eleva\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7aram, como uma aur\u00e9ola, ou asas, os que possam ser tidos por anjos, ao passo que outros trazem os sinais Indicativos de suas ocupa\u00e7\u00f5es terrenas. Assim, um guerreiro aparecer\u00e1 com a sua armadura, um s\u00e1bio com livros, um assassino com um punhal, etc. Os Esp\u00edritos superiores t\u00eam uma figura bela, nobre e serena; os mais Inferiores denotam alguma coisa de feroz e bestial, n\u00e3o sendo raro revelarem ainda os vest\u00edgios dos crimes que praticaram, ou dos supl\u00edcios que padeceram. A quest\u00e3o do traje e dos objetos acess\u00f3rios com que os Esp\u00edritos aparecem \u00e9 talvez a que mais espanto causa.<\/p>\n<p>Voltaremos a essa quest\u00e3o em cap\u00edtulo especial, porque ela se liga a outros fatos muito importantes.<\/p>\n<p>103. Dissemos que as apari\u00e7\u00f5es t\u00eam algo de vaporoso. Em certos casos, poder-se-ia compar\u00e1-las \u00e0 imagem que se reflete num espelho sem a\u00e7o e que, n\u00e3o obstante a sua nitidez, n\u00e3o impede se vejam os objetos que lhe est\u00e3o por detr\u00e1s. Geralmente, \u00e9 assim que os m\u00e9diuns videntes as percebem. Eles as v\u00eaem ir e vir, entrar num aposento, sair dele, andar por entre os vivos com ares, pelo menos se se trata de Esp\u00edritos comuns, de participarem ativamente de tudo o que os homens fazem ao derredor deles, de se interessarem por tudo isso, de ouvirem o que dizem os humanos. Com freq\u00fc\u00eancia s\u00e3o vistos a se aproximar de uma pessoa, a lhe insuflar id\u00e9ias, a influenci\u00e1-la, a consol\u00e1-la, se pertencem \u00e0 categoria dos bons, a escarnec\u00ea-la, se s\u00e3o malignos, a se mostrar tristes ou satisfeitos com os resultados que logram. Numa palavra: constituem como que o forro do mundo corp\u00f3reo.<\/p>\n<p>Tal \u00e9 esse mundo oculto que nos cerca, dentro do qual vivemos sem o percebermos, como vivemos, tamb\u00e9m sem darmos por isso, em meio das mir\u00edades de seres do mundo microsc\u00f3pico. O microsc\u00f3pio nos revelou o mundo dos infinitamente pequenos, de cuja exist\u00eancia n\u00e3o suspeit\u00e1vamos; o Espiritismo, com o aux\u00edlio dos m\u00e9diuns videntes, nos revelou o mundo dos Esp\u00edritos, que, por seu lado, tamb\u00e9m constitui uma das for\u00e7as ativas da Natureza. Com o concurso dos m\u00e9diuns videntes, poss\u00edvel nos foi estudar o mundo invis\u00edvel, conhecer-lhe os costumes, como um povo de cegos poderia estudar o mundo vis\u00edvel com o aux\u00edlio de alguns homens que gozassem da faculdade de ver. (Veja-se adiante, no cap\u00edtulo referente aos m\u00e9diuns, o par\u00e1grafo que trata dos m\u00e9diuns videntes.)<\/p>\n<p>104. O Esp\u00edrito, que quer ou pode fazer-se vis\u00edvel, reveste \u00e0s vezes uma forma ainda mais precisa, com todas as apar\u00eancias de um corpo s\u00f3lido, ao ponto de causar completa ilus\u00e3o e dar a crer, aos que observam a apari\u00e7\u00e3o, que t\u00eam diante de si um ser corp\u00f3reo. Em alguns casos, finalmente, e sob o imp\u00e9rio de certas circunstancias, a tangibilidade se pode tornar real, isto \u00e9, poss\u00edvel se torna ao observador tocar, palpar, sentir, na apari\u00e7\u00e3o, a mesma resist\u00eancia, o mesmo calor que num corpo vivo, o que n\u00e3o impede que a tangibilidade se desvane\u00e7a com a rapidez do rel\u00e2mpago. Nesses casos, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 somente com o olhar que se nota a presen\u00e7a do Esp\u00edrito, mas tamb\u00e9m pelo sentido t\u00e1til. Dado se possa atribuir \u00e0 ilus\u00e3o ou a uma esp\u00e9cie de fascina\u00e7\u00e3o a apari\u00e7\u00e3o simplesmente visual, o mesmo j\u00e1 n\u00e3o ocorre quando se consegue segur\u00e1-la, palp\u00e1-la, quando ela pr\u00f3pria segura o observador e o abra\u00e7a, circunst\u00e2ncias em que nenhuma d\u00favida mais \u00e9 l\u00edcita.<\/p>\n<p>Os fatos de apari\u00e7\u00f5es tang\u00edveis s\u00e3o os mais raros; por\u00e9m, os que se t\u00eam dado nestes \u00faltimos tempos, pela influ\u00eancia de alguns m\u00e9diuns de grande poder (1) e absolutamente autenticados por testemunhos irrecus\u00e1veis, provam e explicam o que a hist\u00f3ria refere acerca de pessoas que, depois de mortas, se mostraram com todas as apar\u00eancias da realidade.<\/p>\n<p>Todavia, conforme j\u00e1 dissemos, por mais extraordin\u00e1rios que sejam, tais fen\u00f4menos perdem inteiramente todo car\u00e1ter de maravilhosos, quando conhecida a maneira por que se produzem e quando se compreende que, longe de constitu\u00edrem uma derroga\u00e7\u00e3o das leis da Natureza, s\u00e3o apenas efeito de uma aplica\u00e7\u00e3o dessas leis.<\/p>\n<p>105. Por sua natureza e em seu estado normal, o perisp\u00edrito \u00e9 invis\u00edvel e tem isto de comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, sem que, entretanto, jamais os tenhamos visto. Mas, tamb\u00e9m, do mesmo modo que alguns desses fluidos, pode ele sofrer modifica\u00e7\u00f5es que o tornem percept\u00edvel \u00e0 vista, quer por meio de uma esp\u00e9cie de condensa\u00e7\u00e3o, quer por meio de uma mudan\u00e7a na disposi\u00e7\u00e3o de suas mol\u00e9culas. Aparece-nos ent\u00e3o sob uma forma vaporosa. ((1) Entre outros, o Sr. Home.)<\/p>\n<p>A condensa\u00e7\u00e3o (preciso \u00e9 que n\u00e3o se tome esta palavra na sua significa\u00e7\u00e3o literal; empregamo-la apenas por falta de outra e a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o), a condensa\u00e7\u00e3o, dizemos, pode ser tal que o perisp\u00edrito adquira as propriedades de um corpo s\u00f3lido e tang\u00edvel, conservando, por\u00e9m, a possibilidade de retomar instantaneamente seu estado et\u00e9reo e invis\u00edvel. Podemos apreender esse efeito, atentando no vapor, que passa do de invisibilidade ao estado brumoso, depois ao estado l\u00edquido, em seguida ao s\u00f3lido e <i>vice-versa.<\/i><\/p>\n<p>Esses diferentes estados do perisp\u00edrito resultam da vontade do Esp\u00edrito e n\u00e3o de uma causa f\u00edsica exterior, como se d\u00e1 com os nossos gases. Quando o Esp\u00edrito nos aparece, \u00e9 que p\u00f4s o seu perisp\u00edrito no estado pr\u00f3prio a torn\u00e1-lo vis\u00edvel. Mas, para isso, n\u00e3o basta a sua vontade, porquanto a modifica\u00e7\u00e3o do perisp\u00edrito se opera mediante sua combina\u00e7\u00e3o com o fluido peculiar ao m\u00e9dium. Ora, esta combina\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 poss\u00edvel, o que explica n\u00e3o ser generalizada a visibilidade dos Esp\u00edritos. Assim, n\u00e3o basta que o Esp\u00edrito queira mostrar-se; n\u00e3o basta t\u00e3o pouco que uma pessoa queira v\u00ea-lo; \u00e9 necess\u00e1rio que os dois fluidos possam combinar-se, que entre eles haja uma esp\u00e9cie de afinidade e tamb\u00e9m, porventura, que a emiss\u00e3o do fluido da pessoa seja suficientemente abundante para operar a transforma\u00e7\u00e3o do perisp\u00edrito e, provavelmente, que se verifiquem ainda outras condi\u00e7\u00f5es que desconhecemos. E necess\u00e1rio, enfim, que o Esp\u00edrito tenha a permiss\u00e3o de se fazer vis\u00edvel a tal pessoa, o que nem sempre lhe \u00e9 concedido, ou s\u00f3 o \u00e9 em certas circunst\u00e2ncias, por motivos que n\u00e3o podemos apreciar.<\/p>\n<p>106. Outra propriedade do perisp\u00edrito inerente \u00e0 sua natureza et\u00e9rea \u00e9 a penetrabilidade. Mat\u00e9ria nenhuma lhe op\u00f5e obst\u00e1culo: ele as atravessa todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Da\u00ed vem n\u00e3o haver tapagem capaz de obstar \u00e0 entrada dos Esp\u00edritos. Eles visitam o prisioneiro no seu calabou\u00e7o, com a mesma facilidade com que visitam uma pessoa que esteja em pleno campo.<\/p>\n<p>107. N\u00e3o s\u00e3o raras, nem constituem novidades as apari\u00e7\u00f5es no estado de vig\u00edlia. Elas se produziram em todos os tempos. A hist\u00f3ria as registra em grande n\u00famero. N\u00e3o precisamos, por\u00e9m, remontar ao passado, t\u00e3o frequentes s\u00e3o nos dias de hoje e muitas pessoas h\u00e1 que as t\u00eam visto e que as tomaram, no primeiro momento, pelo que se convencionou chamar alucina\u00e7\u00f5es. S\u00e3o frequentes, sobretudo, nos casos de morte de pessoas ausentes, que v\u00eam visitar seus parentes ou amigos. Muitas vezes, as apari\u00e7\u00f5es n\u00e3o trazem um fim muito determinado, mas pode dizer-se que, em geral, os Esp\u00edritos que assim aparecem s\u00e3o atra\u00eddos pela simpatia. Interrogue cada um as suas recorda\u00e7\u00f5es e poucos ser\u00e3o os que n\u00e3o conhe\u00e7am alguns fatos desse g\u00eanero, cuja autenticidade n\u00e3o se poderia p\u00f4r em d\u00favida.<\/p>\n<p>108. \u00c0s considera\u00e7\u00f5es precedentes acrescentaremos o exame de alguns efeitos de \u00f3tica, que deram lugar ao singular sistema dos <i>Esp\u00edritos gl\u00f3bulos. <\/i><\/p>\n<p>Nem sempre \u00e9 absoluta a limpidez do ar e ocasi\u00f5es h\u00e1 em que s\u00e3o perfeitamente vis\u00edveis as correntes das mol\u00e9culas aeriformes e a agita\u00e7\u00e3o em que as p\u00f5e o calor.<\/p>\n<p>Algumas pessoas tomaram isto por aglomera\u00e7\u00f5es de Esp\u00edritos a se agitarem no espa\u00e7o. Basta se cite esta opini\u00e3o, para que ela fique desde logo refutada. H\u00e1, por\u00e9m, outra esp\u00e9cie de ilus\u00e3o n\u00e3o menos estranha, contra a qual bom \u00e9 tamb\u00e9m se esteja precavido. O humor aquoso do olho apresenta pontos quase impercept\u00edveis, que h\u00e3o perdido alguma coisa da sua natural transpar\u00eancia. Esses pontos s\u00e3o como corpos opacos em suspens\u00e3o no l\u00edquido, cujos movimentos eles acompanham. Produzem no ar ambiente e a dist\u00e2ncia, por efeito do aumento e da refra\u00e7\u00e3o, a apar\u00eancia de pequenos discos, cujos di\u00e2metros variam de um a dez mil\u00edmetros e que parecem nadar na atmosfera. Pessoas conhecemos que tomaram esses discos por Esp\u00edritos que as seguiam e acompanhavam a toda parte. Essas pessoas, no seu entusiasmo, tomavam como figuras os matizes da irisa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 quase t\u00e3o racional como ver uma figura na Lua. Uma simples observa\u00e7\u00e3o, fornecida por essas pessoas mesmo, as reconduzir\u00e1 ao terreno da realidade. Os aludidos discos ou medalh\u00f5es, dizem elas, n\u00e3o s\u00f3 as acompanham, como lhes seguem todos os movimentos, v\u00e3o para a direita, para a esquerda, para cima, para baixo, ou param, conforme o movimento que elas fazem com a cabe\u00e7a. Isto nada tem de surpreendente. Uma vez que a sede da apar\u00eancia \u00e9 no globo ocular, tem ela que acompanhar todos os movimentos do olho. Se fossem Esp\u00edritos, for\u00e7oso seria convir em estarem eles adstritos a um papel por demais mec\u00e2nico para seres inteligentes e livres, papel bem fastidioso, mesmo para Esp\u00edritos inferiores e, pois, com mais forte raz\u00e3o, incompat\u00edvel com a id\u00e9ia que fazemos dos Esp\u00edritos superiores.<\/p>\n<p>Verdade \u00e9 que alguns tomam por maus Esp\u00edritos os pontos escuros ou moscas amaur\u00f3ticas. Esses discos, do mesmo modo que as manchas negras, t\u00eam um movimento ondulat\u00f3rio, cuja amplitude n\u00e3o vai al\u00e9m da de um certo \u00e2ngulo, concorrendo para a ilus\u00e3o a circunst\u00e2ncia de n\u00e3o acompanharem bruscamente os movimentos da linha visual. Bem simples \u00e9 a raz\u00e3o desse fato. Os pontos opacos do humor aquoso, causa prim\u00e1ria do fen\u00f4meno, se acham, conforme dissemos, como que em suspens\u00e3o e tendem sempre a descer. Quando sobem, \u00e9 que s\u00e3o solicitados pelo movimento dos olhos, de baixo para cima; chegados, por\u00e9m, a certa altura, se o olho se torna fixo, nota-se que os discos descem por si mesmos e depois se imobilizam. Extrema \u00e9 a mobilidade deles, porquanto basta um movimento impercept\u00edvel do olho para faz\u00ea-los mudar de dire\u00e7\u00e3o e percorrer rapidamente toda a amplitude do arco, no espa\u00e7o em que se produz a imagem. Enquanto n\u00e3o se provar que uma imagem tem movimento pr\u00f3prio, espont\u00e2neo e inteligente, ningu\u00e9m poder\u00e1 enxergar no fato de que tratamos mais do que um simples fen\u00f4meno \u00f3tico ou fisiol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O mesmo se d\u00e1 com as centelhas que se produzem algumas vezes em feixes mais ou menos compactos, pela contra\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo do olho, e s\u00e3o devidas, provavelmente, \u00e0 eletricidade fosforescente da \u00edris, pois que s\u00e3o geralmente adstritas \u00e0 circunfer\u00eancia do disco desse \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Tais ilus\u00f5es n\u00e3o podem provir sen\u00e3o de uma observa\u00e7\u00e3o incompleta. Quem quer que tenha estudado a natureza dos Esp\u00edritos, por todos os meios que a ci\u00eancia pr\u00e1tica <i>faculta, <\/i>compreender\u00e1 tudo o que elas t\u00eam de pueril. Do mesmo modo que combatemos as aventurosas teorias com que se atacam as manifesta\u00e7\u00f5es, quando essas teorias assentam na ignor\u00e2ncia dos fatos, tamb\u00e9m devemos procurar destruir as id\u00e9ias falsas, que indicam mais entusiasmo do que reflex\u00e3o e que, por isso mesmo, mais dano do que bem causam, com rela\u00e7\u00e3o aos incr\u00e9dulos, j\u00e1 de si t\u00e3o dispostos a buscar o lado rid\u00edculo.<\/p>\n<p>109. O perisp\u00edrito, como se v\u00ea, \u00e9 o princ\u00edpio de todas as manifesta\u00e7\u00f5es. O conhecimento dele foi a chave da explica\u00e7\u00e3o de uma imensidade de fen\u00f4menos e permitiu que a ci\u00eancia esp\u00edrita desse largo passo, fazendo-a enveredar por nova senda, tirando-lhe todo o cunho de maravilhosa. Dos pr\u00f3prios Esp\u00edritos, porquanto notai bem que foram eles que nos ensinaram o caminho, tivemos a explica\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria, do movimento dos corpos inertes, dos ru\u00eddos e das apari\u00e7\u00f5es. A\u00ed encontraremos ainda a de muitos outros fen\u00f4menos que examinaremos antes de passarmos ao estudo das comunica\u00e7\u00f5es propriamente ditas. Tanto melhor as compreenderemos, quanto mais conhecedores nos acharmos das causas prim\u00e1rias. Quem haja compreendido bem aquele princ\u00edpio, facilmente, por si mesmo, o aplicar\u00e1 aos diversos fatos que se lhe possam oferecer \u00e0 observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>110. Longe estamos de considerar como absoluta e como sendo a \u00faltima palavra a teoria que apresentamos. Novos estudos sem d\u00favida a completar\u00e3o, ou retificar\u00e3o mais tarde; entretanto, por mais incompleta ou imperfeita que seja ainda hoje, sempre pode auxiliar o estudioso a reconhecer a possibilidade dos fatos, por efeito de causas que nada t\u00eam de sobrenaturais. Se \u00e9 uma hip\u00f3tese, n\u00e3o se lhe pode contudo negar o m\u00e9rito da racionalidade e da probabilidade e, como tal, vale tanto, pelo menos, quanto todas as explica\u00e7\u00f5es que os negadores formulam, para provar que nos fen\u00f4menos esp\u00edritas s\u00f3 h\u00e1 ilus\u00e3o, fantasmagoria e subterf\u00fagios.<\/p>\n<p><b>Teoria da alucina\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>111. Os que n\u00e3o admitem o mundo Incorp\u00f3reo e invis\u00edvel julgam tudo explicar com a palavra <i>alucina\u00e7\u00e3o. <\/i>Toda gente conhece a defini\u00e7\u00e3o desta palavra. Ela exprime o erro, a ilus\u00e3o de uma pessoa que julga ter percep\u00e7\u00f5es que realmente n\u00e3o tem. Origina-se do latim <i>hallucinari, <\/i>errar, que vem de <i>ad lucem. <\/i>Mas, que saibamos, os s\u00e1bios ainda n\u00e3o apresentaram a raz\u00e3o fisiol\u00f3gica desse fato.<\/p>\n<p>N\u00e3o tendo a \u00f3tica e a fisiologia, ao que parece, mais segredos para eles, como \u00e9 que ainda n\u00e3o explicaram a natureza e a origem das imagens que se mostram ao Esp\u00edrito em dadas circunst\u00e2ncias?<\/p>\n<p>Tudo querem explicar pelas leis da mat\u00e9ria; seja. Forne\u00e7am ent\u00e3o, com o aux\u00edlio dessas leis, uma teoria, boa ou m\u00e1, da alucina\u00e7\u00e3o. Sempre ser\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>112. A causa dos sonhos nunca a ci\u00eancia a explicou. Atribui-os a um efeito da imagina\u00e7\u00e3o; mas, n\u00e3o nos diz o que \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o, nem como esta produz as imagens t\u00e3o claras e t\u00e3o n\u00edtidas que \u00e0s vezes nos aparecem. Consiste isso em explicar uma coisa, que n\u00e3o \u00e9 conhecida, por outra que ainda o \u00e9 menos. A quest\u00e3o permanece de p\u00e9. Dizem ser uma recorda\u00e7\u00e3o das preocupa\u00e7\u00f5es da v\u00e9spera. Por\u00e9m, mesmo que se admita esta solu\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o o \u00e9, ainda restaria saber qual o espelho m\u00e1gico que conserva assim a impress\u00e3o das coisas. Como se explicar\u00e3o, sobretudo, essas vis\u00f5es de coisas reais que a pessoa nunca viu no estado de vig\u00edlia e nas quais jamais, sequer, pensou? S\u00f3 o Espiritismo nos podia dar a chave desse estranho fen\u00f4meno, que passa despercebido, por causa da sua mesma vulgaridade, como sucede com todas as maravilhas da Natureza, que calcamos aos p\u00e9s.<\/p>\n<p>Os s\u00e1bios desdenharam de ocupar-se com a alucina\u00e7\u00e3o. Quer seja real, quer n\u00e3o, ela constitui um fen\u00f4meno que a Fisiologia tem que se mostrar capaz de explicar, sob pena de confessar a sua insufici\u00eancia. Se, um dia, algum s\u00e1bio se abalan\u00e7ar a dar desse fen\u00f4meno, n\u00e3o uma defini\u00e7\u00e3o, entendamo-nos bem, mas uma explica\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, veremos se a sua teoria resolve todos os casos. Sobretudo, que ele n\u00e3o omita os fatos, t\u00e3o comuns, de apari\u00e7\u00f5es de pessoas no momento de morrerem; que diga donde vem a coincid\u00eancia da apari\u00e7\u00e3o com a morte da pessoa. Se este fosse um fato insulado, poder-se-ia atribu\u00ed-lo ao acaso; \u00e9, por\u00e9m, muito freq\u00fcente para ser devido ao acaso, que n\u00e3o tem dessas reincid\u00eancias.<\/p>\n<p>Se, ao menos, aquele que viu a apari\u00e7\u00e3o tivesse a imagina\u00e7\u00e3o despertada pela id\u00e9ia de que a pessoa que lhe apareceu havia de morrer, v\u00e1. Mas, quase sempre, a que aparece \u00e9 a em quem menos pensava a que a v\u00ea. Logo, a imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o entra a\u00ed de forma alguma. Ainda menos se podem explicar pela imagina\u00e7\u00e3o as circunst\u00e2ncias, de que nenhuma id\u00e9ia se tem, em que se deu a morte da pessoa que aparece.<\/p>\n<p>Dir\u00e3o, porventura, os alucinacionistas que a alma (se \u00e9 que admitem uma alma) tem momentos de sobreexcita\u00e7\u00e3o em que suas faculdades se exaltam. Estamos de acordo; por\u00e9m, quando \u00e9 real o que ela v\u00ea, n\u00e3o h\u00e1 ilus\u00e3o. Se, na sua exalta\u00e7\u00e3o, a alma v\u00ea uma coisa que n\u00e3o est\u00e1 presente, \u00e9 que ela se transporta; mas, se nossa alma pode transportar-se para junto de uma pessoa ausente, por que n\u00e3o poderia a alma dessa pessoa transportar-se para junto de n\u00f3s? Dignem-se eles de levar em conta estes fatos, na sua teoria da alucina\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o esque\u00e7am que uma teoria a que se podem opor fatos que a contrariam \u00e9 necessariamente falsa, ou incompleta.<\/p>\n<p>Aguardando a explica\u00e7\u00e3o que venham a oferecer, vamos tentar emitir algumas id\u00e9ias a esse respeito.<\/p>\n<p>113. Provam os fatos que h\u00e1 apari\u00e7\u00f5es verdadeiras, que a teoria esp\u00edrita explica perfeitamente e que s\u00f3 podem ser negadas pelos que nada admitem fora do organismo. Mas, a par das vis\u00f5es reais, haver\u00e1, alucina\u00e7\u00f5es, no sentido em que esse termo se emprega? E fora de d\u00favida. Donde se originam? Os Esp\u00edritos \u00e9 que v\u00e3o esclarecer-nos sobre isso, porquanto a explica\u00e7\u00e3o, parece-nos, est\u00e1 toda nas respostas dadas \u00e0s seguintes perguntas:<\/p>\n<p>a) S\u00e3o sempre reais as vis\u00f5es? N\u00e3o ser\u00e3o, algumas vezes, efeito da alucina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Quando, em sonho, ou de modo diverso, se v\u00eaem, por exemplo, o diabo, ou outras coisas fant\u00e1sticas, que n\u00e3o existem, n\u00e3o ser\u00e1 isso um produto da imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Sim, algumas vezes; quando d\u00e1 muita aten\u00e7\u00e3o a certas leituras, ou a hist\u00f3rias de sortil\u00e9gios, que impressionam, a pessoa, lembrando-se mais tarde dessas coisas, julga ver o que n\u00e3o existe. Mas, tamb\u00e9m, j\u00e1 temos dito que o Esp\u00edrito, sob o seu envolt\u00f3rio semimaterial, pode tomar todas as esp\u00e9cies de formas, para se manifestar. Pode, pois, um Esp\u00edrito zombeteiro aparecer com chifres e garras, se assim lhe aprouver, para divertir-se \u00e0 custa da credulidade daquele que o v\u00ea, do mesmo modo que um Esp\u00edrito bom pode mostrar-se com asas e com uma figura radiosa.&#8221;<\/p>\n<p>b) Poder-se-\u00e3o considerar como apari\u00e7\u00f5es as figuras e outras imagens que se apresentam a certas pessoas, quando est\u00e3o meio adormecidas, ou quando apenas fecham os olhos?<\/p>\n<p>&#8220;Desde que os sentidos entram em torpor, o Esp\u00edrito se desprende e pode ver longe, ou perto, aquilo que lhe n\u00e3o seria poss\u00edvel ver com os olhos. Muito frequentemente, tais imagens s\u00e3o vis\u00f5es, mas tamb\u00e9m podem ser efeito das impress\u00f5es que a vista de certos objetos deixou no c\u00e9rebro, que lhes conserva os vest\u00edgios, como conserva os dos sons. Desprendido, o Esp\u00edrito v\u00ea nos seu pr\u00f3prio c\u00e9rebro as impress\u00f5es que a\u00ed se fixaram como numa chapa da guerreot\u00edpica. A variedade e o baralhamento das impress\u00f5es formam os conjuntos estranhos e fugidios, que se apagam quase imediatamente, ainda que se fa\u00e7am os maiores esfor\u00e7os para ret\u00ea-los. A uma causa id\u00eantica se devem atribuir certas apari\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas&#8217; que nada t\u00eam de reais e que muitas vezes se produzem durante uma enfermidade.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 corrente ser a mem\u00f3ria o resultado das impress\u00f5es que o c\u00e9rebro conserva.<\/p>\n<p>Mas, por que singular fen\u00f4meno essas impress\u00f5es, t\u00e3o variadas, t\u00e3o m\u00faltiplas, n\u00e3o se confundem? Mist\u00e9rio impenetr\u00e1vel, por\u00e9m, n\u00e3o mais estranh\u00e1vel do que o das ondula\u00e7\u00f5es sonoras que se cruzam no ar e que, no entanto, se conservam distintas. Num c\u00e9rebro s\u00e3o e bem organizado, essas impress\u00f5es se revelam n\u00edtidas e precisas; num estado menos favor\u00e1vel, elas se apagam e confundem; da\u00ed a perda da mem\u00f3ria, ou a confus\u00e3o das id\u00e9ias. Ainda menos extraordin\u00e1rio parecer\u00e1 isto, se se admitir, como se admite, em frenologia, uma destina\u00e7\u00e3o especial a cada parte e, at\u00e9, a cada fibra do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Assim, pois, as imagens que, atrav\u00e9s dos olhos, v\u00e3o ter ao c\u00e9rebro, deixam a\u00ed uma impress\u00e3o, em virtude da qual uma pessoa se lembra de um quadro, como se o tivera diante de si Nunca, por\u00e9m, h\u00e1 nisso mais do que uma quest\u00e3o de mem\u00f3ria. Ora, em certos estados de emancipa\u00e7\u00e3o, a alma v\u00ea o que est\u00e1 no c\u00e9rebro, onde torna a encontrar aquelas imagens, sobretudo as que mais o chocaram, segundo a natureza das preocupa\u00e7\u00f5es, ou as disposi\u00e7\u00f5es de esp\u00edrito. E assim que l\u00e1 encontra de novo a impress\u00e3o de cenas religiosas, diab\u00f3licas, dram\u00e1ticas, mundanas, figuras de animais esquisitos, que ela viu noutra \u00e9poca em pinturas, ou mesmo em narra\u00e7\u00f5es, porquanto tamb\u00e9m as narrativas deixam impress\u00f5es. De sorte que a alma v\u00ea realmente; mas, v\u00ea apenas uma imagem fotografada no c\u00e9rebro. No estado normal, essas imagens s\u00e3o fugidias, ef\u00eameras, porque todas as partes cerebrais funcionam livremente, ao passo que, no estado de mol\u00e9stia, o c\u00e9rebro sempre est\u00e1 mais ou menos enfraquecido, o equil\u00edbrio entre todos os \u00f3rg\u00e3os deixa de existir, conservando somente alguns a sua atividade, enquanto que outros se acham de certa forma paralisados. Da\u00ed a perman\u00eancia de determinadas imagens, que as preocupa\u00e7\u00f5es da vida exterior n\u00e3o mais conseguem apagar, como se d\u00e1 no estado normal. Essa a verdadeira alucina\u00e7\u00e3o e causa prim\u00e1ria das id\u00e9ias fixas.<\/p>\n<p>Conforme se v\u00ea, explicamos esta anomalia por meio de uma muito conhecida lei. inteiramente fisiol\u00f3gica, a das impress\u00f5es cerebrais. Por\u00e9m, preciso nos foi sempre fazer intervir a alma. Ora, se os materialistas ainda n\u00e3o puderam apresentar, deste fen\u00f4meno, uma explica\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria, \u00e9 porque n\u00e3o querem admitir a alma. Por isso mesmo, dir\u00e3o que a nossa explica\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00e1, pela raz\u00e3o de erigirmos em princ\u00edpio o que \u00e9 contestado.<\/p>\n<p>Contestado por quem? Por eles, mas admitido pela imensa maioria dos homens, desde que houve homens na Terra. Ora, a nega\u00e7\u00e3o de alguns n\u00e3o pode constituir lei.<\/p>\n<p>\u00c9 boa a nossa explica\u00e7\u00e3o? Damo-la pelo que possa valer, em falta de outra, e, se quiserem, a t\u00edtulo de simples hip\u00f3tese, enquanto outra melhor n\u00e3o aparece. Qual ela \u00e9, d\u00e1 a raz\u00e3o de ser de todos os casos de vis\u00e3o? Certamente que n\u00e3o. Contudo, desafiamos todos os fisiologistas a que apresentem uma que abranja todos os casos, porquanto nenhuma d\u00e3o, quando pronunciam as palavras sacramentais &#8211; sobreexcita\u00e7\u00e3o e exalta\u00e7\u00e3o. Assim sendo, desde que todas as teorias da alucina\u00e7\u00e3o se mostram incapazes de explicar os fatos, \u00e9 que alguma outra coisa h\u00e1, que n\u00e3o a alucina\u00e7\u00e3o propriamente dita. Seria falsa a nossa teoria, se a aplic\u00e1ssemos a todos os casos de vis\u00e3o, pois que alguns a contraditariam. E leg\u00edtima, se restringida a alguns efeitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O LIVRO DOS M\u00c9DIUNS \u2013 SEGUNDA PARTE CAP\u00cdTULO VI DAS MANIFESTA\u00c7\u00d5ES VISUAIS No\u00e7\u00f5es sobre as apari\u00e7\u00f5es. Ensaio te\u00f3rico sobre as apari\u00e7\u00f5es. \u2013 Esp\u00edritos gl\u00f3bulos. &#8211; Teoria da alucina\u00e7\u00e3o. 100. De todas as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, as mais interessantes, sem contesta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lm\/11-das-manifestacoes-visuais\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":893,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-984","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/984\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}