{"id":999,"date":"2013-05-28T10:57:23","date_gmt":"2013-05-28T13:57:23","guid":{"rendered":"http:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?page_id=999"},"modified":"2013-06-12T22:25:14","modified_gmt":"2013-06-13T01:25:14","slug":"20-maria-de-magdala","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/20-maria-de-magdala\/","title":{"rendered":"20 &#8211; Maria de Magdala"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">MARIA DE MAGDALA<\/p>\n<p>\u00a0Maria de Magdala ouvira as prega\u00e7\u00f5es do Evangelho do Reino, n\u00e3o longe da Vila principesca onde vivia entregue a prazeres, em companhia de patr\u00edcios romanos, e tomara-se de admira\u00e7\u00e3o profunda pelo Messias.<\/p>\n<p>Que novo amor era aquele apregoado aos pescadores singelos por l\u00e1bios t\u00e3o divinos? At\u00e9 ali, caminhara ela sobre as rosas rubras do desejo, embriagando-se com o vinho de conden\u00e1veis alegrias. No entanto, seu cora\u00e7\u00e3o estava sequioso e em desalento. Jovem e formosa, emancipara-se dos preconceitos f\u00e9rreos de sua ra\u00e7a; sua beleza lhe escravizara aos caprichos de mulher os mais ardentes admiradores; mas seu esp\u00edrito tinha fome de amor, O profeta nazareno havia plantado em sua alma novos pensamentos Depois que lhe ouvira a palavra, observou que as facilidades da vida lhe traziam agora um t\u00e9dio mortal ao esp\u00edrito sens\u00edvel. As m\u00fasicas voluptuosas n\u00e3o encontravam eco em seu \u00edntimo, os enfeites romanos de sua habita\u00e7\u00e3o se tornaram \u00e1ridos e tristes. Maria chorou longamente, embora n\u00e3o compreendesse ainda o que pleiteava o profeta desconhecido. Entretanto, seu convite amoroso parecia ressoar-lhe nas fibras mais sens\u00edveis de mulher. Jesus chamava os homens para uma vida nova.<\/p>\n<p>Decorrida uma noite de grandes medita\u00e7\u00f5es e antes do famoso banquete em Naim, onde ela ungiria publica- mente os p\u00e9s de Jesus com os b\u00e1lsamos perfumados de seu afeto, notou-se que uma barca tranquila conduzia a pecadora a Cafarnaum. Dispusera-se a procurar o Messias, ap\u00f3s muitas hesita\u00e7\u00f5es. Como a receberia o Senhor, na resid\u00eancia de Sim\u00e3o? Seus conterr\u00e2neos nunca lhe haviam perdoado o abandono do lar e a vida de aventuras. Para todos, era ela a mulher perdida que teria de encontrar a lapida\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a p\u00fablica. Sua consci\u00eancia, por\u00e9m, lhe pedia que fosse. Jesus tratava a multid\u00e3o com especial carinho. Jamais lhe observara qualquer express\u00e3o de desprezo para com as numerosas mulheres de vida equivoca que o cercavam. Al\u00e9m disso, sentia-se seduzida pela sua generosidade. Se poss\u00edvel, desejaria trabalhar na execu\u00e7\u00e3o de suas id\u00e9ias puras e redentoras. Propunha-se a amar, como Jesus amava, sentir com os seus sentimentos sublimes. Se necess\u00e1rio, saberia renunciar a tudo. Que lhe valiam as j\u00f3ias, as flores raras, os banquetes suntuosos, se, ao fim de tudo isso, conservava a sua sede de amor?!&#8230;<\/p>\n<p>Envolvida por esses pensamentos profundos, Maria de Magdala penetrou o umbral da humilde resid\u00eancia de Sim\u00e3o Pedro, onde Jesus parecia esper\u00e1-la, tal a bondade com que a recebeu num grande sorriso. A rec\u00e9m-chegada sentou-se com indefin\u00edvel emo\u00e7\u00e3o a estrangular-lhe o peito.<\/p>\n<p>Vencendo, por\u00e9m, as suas mais fortes impress\u00f5es, assim falou, em voz s\u00faplice, feitas as primeiras sauda\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, ouvi a vossa palavra consoladora e venho ao vosso encontro! &#8230; Tendes a clarivid\u00eancia do c\u00e9u e podeis adivinhar como tenho vivido! Sou uma filha do pecado. Todos me condenam. Entretanto, Mestre, observai como tenho sede do verdadeiro amor! &#8230; Minha exist\u00eancia, como todos os prazeres, tem sido est\u00e9ril e amargurada&#8230;<\/p>\n<p>As primeiras l\u00e1grimas lhe borbulharam dos olhos, enquanto Jesus a contemplava, com bondade infinita. Ela, por\u00e9m, continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Ouvi o VOSSO amoroso convite ao Evangelho! Desejava ser das vossas ovelhas; mas, ser\u00e1 que Deus me aceitaria?<\/p>\n<p>O Profeta nazareno fitou-a, enternecido, Sondando as profundezas de seu pensamento, e respondeu, bondoso:\u00a0 Maria, levanta os olhos para o c\u00e9u e regozija-te no caminho, porque escutaste a Boa Nova do Reino e Deus te aben\u00e7oa as alegrias! Acaso, poderias pensar que algu\u00e9m no mundo estivesse condenado ao pecado eterno? Onde, ent\u00e3o, o amor de Nosso Pai? Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ru\u00ednas? As ru\u00ednas s\u00e3o as criaturas humanas; por\u00e9m, as flores s\u00e3o as esperan\u00e7as em Deus. Sobre todas as fal\u00eancias e desventuras pr\u00f3prias do homem, as b\u00ean\u00e7\u00e3os paternais de Deus descem e chamam. Sentes hoje esse novo Sol a iluminar-te O destino! Caminha agora, sob a sua luz, porque o amor cobre a multid\u00e3o dos pecados.<\/p>\n<p>A pecadora de Magdala escutava o Mestre, bebendo-lhe as palavras. Homem algum havia falado assim \u00e0 sua alma incompreendida. Os mais levianos lhe pervertiam as boas inclina\u00e7\u00f5es, os aparentemente virtuosos a desprezavam sem piedade. Engolfada em pensamentos confortadores e ouvindo as refer\u00eancias de Jesus ao amor, Maria acentuou, levemente:<\/p>\n<p>&#8211; No entanto, Senhor, tenho amado e tenho sede de amor! &#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Sim &#8211; redarguiu Jesus -, tua sede \u00e9 real, O mundo viciou todas as fontes de reden\u00e7\u00e3o e \u00e9 imprescind\u00edvel compreenda que em suas sendas a virtude tem de marchar por uma porta muito estreita. Geralmente, um homem deseja ser bom como os outros, ou honesto como os demais, olvidando que o caminho onde todos passam \u00e9 de f\u00e1cil acesso e de marcha sem edifica\u00e7\u00f5es. A virtude no mundo foi transformada na porta larga da conveni\u00eancia pr\u00f3pria. H\u00e1 os que amam os que lhes pertencem ao c\u00edrculo pessoal, os que s\u00e3o sinceros com os seus amigos, os que defendem seus familiares, os que adoram os deuses do favor. O que verdadeiramente ama, por\u00e9m, conhece a ren\u00fancia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para o dif\u00edcil acesso \u00e0s luzes da reden\u00e7\u00e3o. O amor sincero n\u00e3o exige satisfa\u00e7\u00f5es passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilus\u00e3o; trabalha sempre, sem amargura e sem ambi\u00e7\u00e3o, com os j\u00fabilos do sacrif\u00edcio. S\u00f3 o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema.<\/p>\n<p>Maria o escutava, embevecida. Ansiosa por compreender inteiramente aqueles ensinos novos, interrogou atenciosamente:<\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 o amor pelo sacrif\u00edcio poder\u00e1 saciar a sede do cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Jesus teve um gesto afirmativo e continuou:<\/p>\n<p>&#8211; Somente o sacrif\u00edcio cont\u00e9m o divino mist\u00e9rio da vida. Viver bem \u00e9 saber imolar-se. Acreditas que o mundo pudesse manter o equil\u00edbrio pr\u00f3prio t\u00e3o-s\u00f3 com os caprichos antag\u00f4nicos e por vezes criminosos dos que se elevam \u00e0 galeria dos triunfadores? Toda luz humana vem do cora\u00e7\u00e3o experiente e brando dos que foram sacrificados. Um guerreiro coberto de louros ergue os seus gritos de vit\u00f3ria sobre os cad\u00e1veres que juncam o ch\u00e3o; mas, apenas os que tombaram fazem bastante sil\u00eancio, para que se ou\u00e7a no mundo a mensagem de Deus. O primeiro pode fazer a experi\u00eancia para um dia; os segundos constroem a estrada definitiva na eternidade.<\/p>\n<p>Na tua condi\u00e7\u00e3o de mulher, j\u00e1 pensaste no que seria o mundo sem as m\u00e3es exterminadas no sil\u00eancio e no sacrif\u00edcio? N\u00e3o s\u00e3o elas as cultivadoras do jardim da vida, onde os homens travam a batalha?!&#8230; Muitas vezes, o campo florescido se cobre de lama e sangue; entretanto, na sua tarefa silenciosa, os cora\u00e7\u00f5es maternais n\u00e3o desesperam e reedificam o jardim da vida, imitando a Provid\u00eancia Divina, que espalha sobre um cemit\u00e9rio os l\u00edrios perfumados de seu amor! &#8230;<\/p>\n<p>Maria de Magdala, ouvindo aquelas advert\u00eancias, come\u00e7ou a chorar, a sentir no \u00edntimo o deserto da mulher sem filhos. Por fim, exclamou:<\/p>\n<p>&#8211; Desgra\u00e7ada de mim, Senhor, que n\u00e3o poderei ser m\u00e3e! &#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, atraindo-a brandamente a si, o Mestre acrescentou:<\/p>\n<p>&#8211; E qual das m\u00e3es ser\u00e1 maior aos olhos de Deus?<\/p>\n<p>A que se devotou somente aos filhos de sua carne, ou a que se consagrou, pelo esp\u00edrito, aos filhos das outras m\u00e3es?<\/p>\n<p>Aquela interroga\u00e7\u00e3o pareceu despert\u00e1-la para medita\u00e7\u00f5es mais profundas. Maria sentiu-se amparada por uma energia interior diferente, que at\u00e9 ent\u00e3o desconhecera. A palavra de Jesus lhe honrava o esp\u00edrito; Convidava-a a ser m\u00e3e de seus irm\u00e3os em humanidade, aquinhoando-os com os bens supremos das mais elevadas virtudes da vida. Experimentando radiosa felicidade em seu mundo \u00edntimo, contemplou o Messias com os olhos nevoados de l\u00e1grimas e, no \u00eaxtase de sua imensa alegria, murmurou comovidamente:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transit\u00f3rios do mundo, para adquirir o amor celestial que me ensinastes! &#8230; Acolherei como filhas as minhas irm\u00e3s no sofrimento procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do cora\u00e7\u00e3o, estarei com aleijados e leprosos&#8230;<\/p>\n<p>Nesse instante, Sim\u00e3o Pedro passou pelo aposento, demandando O interior, e a observou com certa estranheza. A convertida de Magdala lhe sentiu o olhar glacial, quase denotando desprezo, e, j\u00e1 receosa de um dia perder a conviv\u00eancia do Mestre, perguntou com interesse:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, quando partirdes deste mundo, como ficaremos?<\/p>\n<p>Jesus compreendeu o motivo e o alcance de sua palavra e esclareceu:<\/p>\n<p>&#8211; Certamente que partirei, mas estaremos eternamente reunidos em esp\u00edrito. Quanto ao futuro, com o infinito de suas perspectivas, \u00e9 necess\u00e1rio que cada um tome sua cruz, em busca da porta estreita da reden\u00e7\u00e3o, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confian\u00e7a em si mesmo.<\/p>\n<p>Observando que Maria, ainda opressa pelo olhar estranho de Sim\u00e3o Pedro, se preparava a regressar, o Mestre lhe sorriu com bondade e disse:<\/p>\n<p>&#8211; Vai, Maria! &#8230; Sacrifica-te e ama sempre. Longo \u00e9 o caminho, dif\u00edcil a jornada, estreita<\/p>\n<p>Mais tarde, depois de sua gloriosa vis\u00e3o do Cristo ressuscitado, Maria de Magdala voltou de Jerusal\u00e9m para a Galil\u00e9ia, seguindo os passos dos companheiros queridos.<\/p>\n<p>A mensagem da ressurrei\u00e7\u00e3o espalhara uma alegria infinita.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s algum tempo, quando os ap\u00f3stolos e seguidores do Messias procuravam reviver o passado junto ao Tiber\u00edades, os disc\u00edpulos diretos do Senhor abandonaram a regi\u00e3o, a servi\u00e7o da Boa Nova. Ao disporem-se OS dois \u00faltimos companheiros a partir em definitivo para Jerusal\u00e9m Maria de Magdala, temendo a solid\u00e3o da saudade, rogou fervorosamente lhe permitissem acompanh\u00e1-los \u00e0 cidade dos profetas; ambos, no entanto, se negaram a anuir aos se\u00fcs desejos. Temiam-lhe o pret\u00e9rito de pecadora, n\u00e3o confiavam em seu cora\u00e7\u00e3o de mulher. Maria compreendeu, mas lembrou-se do Mestre e resignou-se.<\/p>\n<p>Humilde e sozinha, resistiu a todas as propostas conden\u00e1veis que a solicitavam para uma nova queda de sentimentos. Sem recursos para viver, trabalhou pela pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o, em Magdala e Dalmanuta. Foi forte nas horas mais \u00e1speras, alegre nos sofrimentos mais escabrosos, fiel a Deus nos instantes escuros e pungentes. De vez em quando, ia \u00e0s sinagogas, desejosa de cultivar a li\u00e7\u00e3o de Jesus; mas as aldeias da Galil\u00e9ia estavam novamente subjugadas pela intransig\u00eancia do juda\u00edsmo. Ela compreendeu que palmilhava agora o caminho estreito, onde ia s\u00f3, com a sua confian\u00e7a em Jesus. Por vezes, chorava de saudade, quando passeava no sil\u00eancio da praia, recordando a presen\u00e7a do Messias. As aves do lago, ao crep\u00fasculo, vinham pousar, como outrora, nas alcaparreiras mais pr\u00f3ximas; o horizonte oferecia, como sempre, o seu banquete de luz. Ela contemplava as ondas mansas e lhes confiava suas medita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Certo dia, um grupo de leprosos veio a Dalmanuta. Procediam da ldum\u00e9ia aqueles infelizes, cansados e tristes, em supremo abandono. Perguntavam por Jesus Nazareno, mas todas as portas se lhes fechavam. Maria foi ter com eles e, sentindo-se isolada, com amplo direito de empregar a sua liberdade, reuniu-os sob as \u00e1rvores da praia e lhes transmitiu as palavras de Jesus, enchendo-lhes os cora\u00e7\u00f5es das claridades do Evangelho. As autoridades locais, entretanto, ordenaram a expuls\u00e3o imediata dos enfermos. A grande convertida percebeu tamanha alegria no semblante dos infortunados, em face de suas fraternas revela\u00e7\u00f5es a respeito das promessas do Senhor, que se p\u00f4s em marcha para Jerusal\u00e9m, na companhia deles. Todo o grupo passou a noite ao relento, mas sentia-se que os j\u00fabilos do Reino de Deus agora os dominavam. Todos se interessavam pelas descri\u00e7\u00f5es de Maria, devoravam-lhe as exorta\u00e7\u00f5es, contagiados de sua alegria e de sua f\u00e9. Chegados \u00e0 cidade, foram conduzidos ao vale dos leprosos, que ficava distante, onde Madalena penetrou com espontaneidade de cora\u00e7\u00e3o. Seu esp\u00edrito recordava as li\u00e7\u00f5es do Messias e uma coragem indefin\u00edvel se assenhoreara de sua alma.<\/p>\n<p>Dali em diante, todas as tardes, a mensageira do Evangelho reunia a turba de seus novos amigos e lhes dizia o ensinamento de Jesus. Rostos ulcerados enchiam-se de alegria, olhos sombrios e tristes tocavam-se de nova luz. Maria lhes explicava que Jesus havia exemplificado o bem at\u00e9 \u00e0 morte, ensinando que todos os seus disc\u00edpulos deviam ter bom \u00e2nimo para vencer o mundo. Os agonizantes arrastavam-se at\u00e9 junto dela e lhe beijavam a t\u00fanica singela. A filha de Magdala, lembrando o amor do Mestre, tomava-os em seus bra\u00e7os fraternos e carinhosos.<\/p>\n<p>Em breve tempo, sua epiderme apresentava, igualmente, manchas viol\u00e1ceas e tristes. Ela compreendeu a sua nova situa\u00e7\u00e3o e recordou a recomenda\u00e7\u00e3o do Messias de que somente sabiam viver os que sabiam imolar-se. E experimentou grande gozo, por haver levado aos seus companheiros de dor uma migalha de esperan\u00e7a. Desde a sua chegada, em todo o vale se falava daquele Reino de Deus que a criatura devia edificar no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. Os moribundos esperavam a morte com um sorriso ditoso nos l\u00e1bios, os que a lepra deformara ou abatera guardavam bom \u00e2nimo nas fibras mais sens\u00edveis.<\/p>\n<p>Sentindo-se ao termo de sua tarefa merit\u00f3ria, Maria de Magdala desejou rever antigas afei\u00e7\u00f5es de seu c\u00edrculo pessoal, que se encontravam em \u00c9feso. L\u00e1 estavam Jo\u00e3o e Maria, al\u00e9m de outros companheiros dos j\u00fabilos crist\u00e3os. Adivinhava que as suas \u00faltimas dores terrestres vinham muito pr\u00f3ximas; ent\u00e3o, deliberou p\u00f4r em pr\u00e1tica seu humilde desejo.<\/p>\n<p>Nas despedidas, seus companheiros de infort\u00fanio material vinham suplicar-lhe os derradeiros conselhos e recorda\u00e7\u00f5es. Envolvendo-os no seu carinho, a emiss\u00e1ria do Evangelho lhes dizia apenas:<\/p>\n<p>&#8211; Jesus deseja intensamente que nos amemos uns aos outros e que participemos de suas divinas esperan\u00e7as, na mais extrema lealdade a Deus! &#8230;<\/p>\n<p>Dentre aqueles doentes, os que ainda se equilibravam pelos caminhos lhe traziam o fruto das esmolas escassas e as crian\u00e7as abandonadas vinham beijar-lhe as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Na fortaleza de sua f\u00e9, a ex-pecadora abandonou o vale, atrav\u00e9s das estradas \u00e1speras, afastando-se de mis\u00e9rrimas choupanas. A peregrina\u00e7\u00e3o foi-lhe dif\u00edcil e angustiosa. Para satisfazer aos seus intentos recorreu \u00e0 caridade, sofreu penosas humilha\u00e7\u00f5es, submeteu-se ao sacrif\u00edcio. Observando as feridas pustulentas que substitu\u00edam sua antiga beleza, alegrava-se em reconhecer que seu esp\u00edrito n\u00e3o tinha motivos para lamenta\u00e7\u00f5es. Jesus a esperava e sua alma era fiel. Realizada a sua aspira\u00e7\u00e3o, por entre dificuldades infinitas, Maria achou-se, um dia, \u00e0s portas da cidade; mas, invenc\u00edvel abatimento lhe dominava os centros de for\u00e7a f\u00edsica. No justo momento de suas efus\u00f5es afetuosas, quando o casario de \u00c9feso se lhe desdobrava \u00e0 vista, seu corpo alquebrado negou-se a caminhar. Modesta fam\u00edlia de Crist\u00e3os do sub\u00farbio recolheu-a a uma tenda humilde, caridosamente Madalena p\u00f4de ainda rever amizades bem caras, consoante seus desejos. Entretanto, por largos dias de padecimentos debateu-se entre a vida e a morte.<\/p>\n<p>Uma noite, atingiram o auge as profundas dores que sentia. Sua alma estava iluminada por brandas reminisc\u00eancias e, n\u00e3o obstante seus olhos se acharem selados pelas p\u00e1lpebras intumescidas, via com os olhos da imagina\u00e7\u00e3o o lago querido, os companheiros de f\u00e9, o Mestre bem-amado. Seu esp\u00edrito parecia transpor as fronteiras da eternidade radiosa. De minuto a minuto, ouvia-se-lhe um gemido surdo, enquanto os irm\u00e3os de cren\u00e7a lhe rodeavam o leito de dor, com as preces sinceras de seus cora\u00e7\u00f5es amigos e desvelados.<\/p>\n<p>Em dado instante, observou-se que seu peito n\u00e3o mais arfava. Maria no entanto, experimentava consoladora sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio. Sentia-se sob as \u00e1rvores de Cafarnaum e esperava o Messias. As aves cantavam nos ramos pr\u00f3ximos e as ondas sussurrantes vinham beijar-lhe OS p\u00e9s. Foi quando viu Jesus aproximar-se, mais belo que nunca. Seu olhar tinha o reflexo do c\u00e9u e o semblante trazia um j\u00fabilo indefin\u00edvel. O Mestre estendeu-lhe as m\u00e3os e ela se prosternou, exclamando, como antigamente:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor!<\/p>\n<p>Jesus recolheu-a brandamente nos bra\u00e7os e murmurou:<\/p>\n<p>&#8211; Maria, j\u00e1 passaste a porta estreita! &#8230; Amaste muito! Vem! Eu te espero aqui!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIA DE MAGDALA \u00a0Maria de Magdala ouvira as prega\u00e7\u00f5es do Evangelho do Reino, n\u00e3o longe da Vila principesca onde vivia entregue a prazeres, em companhia de patr\u00edcios romanos, e tomara-se de admira\u00e7\u00e3o profunda pelo Messias. Que novo amor era aquele &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/boa-nova-1\/20-maria-de-magdala\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":548,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-999","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=999"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/999\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}