{"id":10677,"date":"2021-06-21T08:52:37","date_gmt":"2021-06-21T11:52:37","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=10677"},"modified":"2021-06-21T08:52:37","modified_gmt":"2021-06-21T11:52:37","slug":"porque-o-riso-incomoda-muitos-espiritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/porque-o-riso-incomoda-muitos-espiritas\/","title":{"rendered":"Porque o riso incomoda muitos Esp\u00edritas?"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Porque o riso incomoda muitos Esp\u00edritas?<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Marcelo Henrique Pereira<\/span><\/strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-3654olZgGPg\/YKph-YZqt0I\/AAAAAAAASP0\/NJMH_qyIrH8bc9X34Ve75VvCHuuPJsBNACLcBGAsYHQ\/w640-h312\/collagesorriso.jpg\" width=\"270\" height=\"132\" \/><\/p>\n<p>Incomoda ou n\u00e3o incomoda? Eis, a\u00ed, o dilema\u2026<\/p>\n<p>Haver\u00e1 um segmento que, ao ler o t\u00edtulo deste artigo, ter\u00e1 c\u00f3licas e franzir\u00e1 a testa em desaprova\u00e7\u00e3o. E dir\u00e3o: \u2013 Como pode uma doutrina consoladora se posicionar contra o riso?<\/p>\n<p>E, de outro lado, testemunhas de fatos ou tendo experimentado, na pr\u00f3pria pele, a intransig\u00eancia para com o riso em \u201cambientes\u201d esp\u00edritas, ir\u00e3o balan\u00e7ar a cabe\u00e7a afirmativamente.<\/p>\n<p>E voc\u00ea, como se posiciona?<\/p>\n<p>Inicialmente devemos estabelecer uma diferen\u00e7a de sorrir e rir. No primeiro caso, os sorrisos s\u00e3o comuns em qualquer agrupamento humano, sobretudo em face dos reencontros poss\u00edveis, semanalmente na institui\u00e7\u00e3o que se frequente, seja ela educacional, cultural, assistencial, filos\u00f3fica ou religiosa.<\/p>\n<p>O sorriso \u00e9 at\u00e9 uma esp\u00e9cie de cumprimento, que pode ou n\u00e3o desencadear a aproxima\u00e7\u00e3o f\u00edsica, o toque, o abra\u00e7o, o aperto de m\u00e3o e algumas express\u00f5es verbais, meio que chav\u00e3o, como o \u201ctudo bem?\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o riso\u2026<\/p>\n<p>Este parece ser talhado para o ostracismo e o combate. Alguns mais ortodoxos, inclusive, ir\u00e3o dizer: \u2013 Num ambiente de prece, atendimento e consolo, certas extravag\u00e2ncias n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o! Enquanto outro, l\u00e1 do fundo, se n\u00e3o fala, pensa: \u2013 Mas que pessoa(s) escandalosa(s)! N\u00e3o sabe(m) nem se conter e rir \u201cbaixo\u201d!?<\/p>\n<p>Obviamente, em geral, o riso contagia. Parece espargir alegria aos circunstantes. E promove a leveza (insustent\u00e1vel) do ser, como disse Kundera. E \u00e9 insustent\u00e1vel porque logo vir\u00e3o os dissabores existenciais, as provas, as expia\u00e7\u00f5es, as dificuldades\u2026<\/p>\n<p>Que seja, ent\u00e3o, o riso, eterno enquanto dure, parafraseando um de nossos poetas maiores, Vin\u00edcius\u2026<\/p>\n<p>As heran\u00e7as culturais religiosas parecem figurar como dolorosos entraves para a liberdade (ou a leveza do cronista), ancorados na falsa premissa de que \u201cos sacrif\u00edcios agradam a Deus\u201d. Se o Criador, pela pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o religiosa, maravilhou-se com a sua obra e estabeleceu como \u201cdestino\u201d do homem a sua pr\u00f3pria felicidade, como fincar os p\u00e9s em uma embarca\u00e7\u00e3o que s\u00f3 enfrenta tormentas? N\u00e3o me parece l\u00f3gico\u2026 E, no fundo, n\u00e3o \u00e9 mesmo.<\/p>\n<p>Relembremos a obra magistral de Umberto Eco, na forma de livro que virou filme e encantou milh\u00f5es de pessoas mundo afora, com um maduro Sean Connery (1930-2020) magistralmente interpretando um monge. Ele chega a um mosteiro para um conclave que discute se a Igreja deveria ou n\u00e3o doar parte de suas riquezas, mas que se converte em investigador de alguns crimes que l\u00e1 ocorrem. O personagem tem como nome William de Baskerville.<\/p>\n<p>Numa das cenas mais apaixonantes do filme, um dos abades, cego, \u00e9 interrogado por Baskerville, buscando subs\u00eddios para decifrar os crimes. O cl\u00e9rigo, ent\u00e3o, questiona o investigador: \u2013 O que voc\u00ea realmente deseja?<\/p>\n<p>William, de pronto, responde: \u2013 Eu quero o livro grego, aquele que, segundo voc\u00ea, nunca foi escrito. Um livro que trata apenas de com\u00e9dia, que voc\u00ea odeia, tanto quanto o riso.<\/p>\n<p>E prossegue: \u2013 \u00c9 provavelmente a \u00fanica c\u00f3pia preservada de um livro de poesia de Arist\u00f3teles. Mas\u2026 existem muitos livros que tratam de com\u00e9dia. Por que este livro \u00e9 precisamente t\u00e3o perigoso?<\/p>\n<p>O abade retruca: \u2013 Porque \u00e9 de Arist\u00f3teles e vai fazer rir!<\/p>\n<p>Baskerville devolve com outra quest\u00e3o: \u2013 O que \u00e9 perturbador no fato de os homens poderem rir?<\/p>\n<p>Eis que o abade sentencia, encerrando o interrogat\u00f3rio: \u2013 O riso mata o medo! E, sem medo, n\u00e3o pode haver f\u00e9! Pois quem n\u00e3o teme o diabo n\u00e3o precisa mais de Deus!<\/p>\n<p>O medo soterra o riso, amaldi\u00e7oado desde sempre, pelas prescri\u00e7\u00f5es da religi\u00e3o. O medo sepulta a espontaneidade, visto que h\u00e1 conven\u00e7\u00f5es religiosas que precisam ser respeitadas. O medo invalida a criatividade, posto que os padr\u00f5es estabelecidos s\u00e3o mais confort\u00e1veis aos que dirigem, diminuindo o esfor\u00e7o de lidar com o novo. O medo imp\u00f5e caras tristes, semblantes fechados, posturas genuflexas, cabe\u00e7as baixas, como que a suportar o peso do mundo sobre seus ombros.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o nosso diabo moderno esp\u00edrita, que engessa as pessoas e afasta tanta gente das institui\u00e7\u00f5es esp\u00edritas: a conforma\u00e7\u00e3o a padr\u00f5es estabelecidos, a subservi\u00eancia a c\u00e2nones impostos por certas personalidades, e a ideia \u201cdoutrin\u00e1ria\u201d de que, por ser, este, um plano de expia\u00e7\u00f5es e provas, as criaturas devem concentrar todos os esfor\u00e7os em melhorarem-se. Em sendo esta tarefa dura, dif\u00edcil, tenaz \u2013 dizem eles \u2013 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para gracejos e gargalhadas.<\/p>\n<p>Que pena!<\/p>\n<p>Fico imaginando aqueles onze homens e uma mulher, simples, do povo, de forma\u00e7\u00f5es e profiss\u00f5es diferentes, condicionadas \u00e0 sisudez da posi\u00e7\u00e3o de crentes tementes a Deus. Cen\u00e1rio imposs\u00edvel\u2026 Mesmo diante das adversidades daquele povo, havia festejos e a presen\u00e7a na \u201cCasa do Pai\u201d, como tradicionalmente simboliza o templo, era motivo de regozijo e alegria. Como conceber um Pesach (P\u00e1scoa) sem cantos e dan\u00e7as, sem risos e gargalhadas, sem emotividade e satisfa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Ou, ent\u00e3o, como imaginar Rivail e Am\u00e9lie sem receber convidados em seu modesto apartamento, sem frequentar os animados sal\u00f5es de Paris, sem se reunir festivamente com seus colegas de profiss\u00e3o, academia, trabalho, vizinhan\u00e7a? Que pobreza teria sido uma vida assim! Que in\u00fatil, igualmente!<\/p>\n<p>Yeshua e Kardec foram, inegavelmente, homens \u00e0 frente do seu tempo e almas muito mais maduras que a imensa maioria de seus patr\u00edcios. Por isso, sabiam o inestim\u00e1vel valor do riso, como o pr\u00f3prio festejo da exist\u00eancia, em mais uma jornada de aprendizado.<\/p>\n<p>Fico por aqui com meus sorrisos, diante da expectativa em rela\u00e7\u00e3o a voc\u00ea, que ir\u00e1 ler este meu artigo. E, quem sabe, logo, logo, pelos caminhos da vida, possamos nos encontrar e gargalhar, lembrando da necessidade de romper com certos paradigmas que nos foram impostos, quase sempre, por quem adotou a ideia do \u201cpecado\u201d \u2013 materializado na tese de eventual desrespeito ao \u201ctemplo\u201d esp\u00edrita e aos Esp\u00edritos Superiores que ali comparecem para ministrar li\u00e7\u00f5es e atender aos enfermos \u2013 porque ainda n\u00e3o conseguiram se libertar dos atavismos culturais-religiosos de suas sucessivas exist\u00eancias.<\/p>\n<p>Rio eu, ri voc\u00ea, rimos todos n\u00f3s! Porque a mensagem espiritualizada \u00e9 aquela que nos d\u00e1 prazer e que transforma nosso semblante para o formato risonho, que cativa e reverbera\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #008000;\">Marcelo Henrique Pereira<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: \u00a0<a href=\"https:\/\/se-novaera.org.br\/\">Portal Casa Esp\u00edrita Nova Era<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque o riso incomoda muitos Esp\u00edritas? Marcelo Henrique Pereira Incomoda ou n\u00e3o incomoda? Eis, a\u00ed, o dilema\u2026 Haver\u00e1 um segmento que, ao ler o t\u00edtulo deste artigo, ter\u00e1 c\u00f3licas e franzir\u00e1 a testa em desaprova\u00e7\u00e3o. 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