{"id":10690,"date":"2021-06-25T09:15:52","date_gmt":"2021-06-25T12:15:52","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=10690"},"modified":"2021-06-25T09:15:52","modified_gmt":"2021-06-25T12:15:52","slug":"por-que-temos-medo-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/por-que-temos-medo-da-morte\/","title":{"rendered":"POR QUE TEMOS MEDO DA MORTE?"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #000080;\">POR QUE TEMOS MEDO DA MORTE?<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Lu\u00eds Jorge Lira Neto<\/span><\/strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-b7__1Jt6478\/YLJFXIJWNAI\/AAAAAAAASQU\/4i82h6YFRZoJUXxKva5vzKMCAhA9esDWACLcBGAsYHQ\/w640-h360\/death-valley-4275549_1920.jpg\" width=\"315\" height=\"177\" \/><\/p>\n<p>Nasci, logo comecei a morrer.<\/p>\n<p>Como rec\u00e9m-nato, me aproximo da morte.<\/p>\n<p>No bem-viver, o temor de morrer.<\/p>\n<p>Ao fim, segui com a morte.<\/p>\n<p>O temor da morte permeia a exist\u00eancia de todo sobrevivente. Medo da finitude? Receio da extin\u00e7\u00e3o? Incertezas sobre o futuro? Crise existencial? Muitos questionamentos surgem diante dessa certeza do fim da vida material, inspirando o mestre das palavras, Shakespeare, que sintetizou esse temor numa frase: \u201cSer ou n\u00e3o ser, eis a quest\u00e3o\u201d, induzindo \u00e0 dicotomia entre o existir ou n\u00e3o existir, ou de viver ou morrer, caracter\u00edstico do pensamento humano. Assim se pensa a vida, essa unicidade do existir que leva a temer a morte, juntamente com a for\u00e7a instintiva de sobreviv\u00eancia, que tanto nos une ao mundo animal.<\/p>\n<p>Povos de todas as \u00e9pocas t\u00eam-se defrontado com esse fen\u00f4meno natural, desenvolvendo ao longo do tempo sistemas de conviv\u00eancia e sobreviv\u00eancia, surgido assim, no espa\u00e7o cultural, os mitos, ritos, espa\u00e7os e palavras sagradas, traduzidos em religiosidade. Manter contato com o sobrenatural \u00e9 a forma de desmitificar a morte e com ela se vai o temor, transformando os simples mortais em seres superiores, deuses, semideuses e her\u00f3is. \u00c0 frente dessa realidade da imortalidade, surgem as religi\u00f5es, institucionalizadas, com seus s\u00e9quitos e c\u00e2nones sagrados, dominando o espa\u00e7o cultural, outrora de livre manifesta\u00e7\u00e3o, em clausuras que de tempos em tempos tem-se suas rupturas, pois estruturas que primem o livre-arb\u00edtrio levam a convuls\u00f5es.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080;\">A morte e os pensadores<\/span><\/strong><\/p>\n<p>No campo filos\u00f3fico o tema morte \u00e9 suporte para o pr\u00f3prio exerc\u00edcio de filosofar. Vejam S\u00f3crates, que definiu a filosofia como &#8220;prepara\u00e7\u00e3o para a morte&#8221;: Sem a morte, seria mesmo dif\u00edcil filosofar. V\u00e1rios fil\u00f3sofos citaram c\u00e9lebres frases sobre a morte. Epicuro: &#8220;A morte \u00e9 uma quimera: porque enquanto eu existo, ela n\u00e3o existe; e quando ela existe, eu j\u00e1 n\u00e3o existo&#8221;; Michel de Montaigne: &#8220;Meditar sobre a morte \u00e9 meditar sobre a liberdade&#8221;; Arthur Schopenhauer: \u201cA morte \u00e9 a musa da filosofia&#8221;; S\u00f6ren Kierkegaard: \u201cO morrer \u00e0 pr\u00f3pria morte significa viver&#8221;; Friedrich Nietzsche: &#8220;Tudo perece, tudo, portanto, merece perecer!&#8221;; Martin Heidegger: \u201cO ser do homem \u00e9 um ser que caminha para a morte&#8221;, PAUL SATRE: A morte \u00e9 \u201cnadifica\u00e7\u00e3o de todas as minhas possibilidades, nadifica\u00e7\u00e3o essa que j\u00e1 n\u00e3o mais faz parte de minhas possibilidades\u201d. Da vis\u00e3o filos\u00f3fica otimista, na qual o ser continua numa vida futura, ao niilismo em que a morte \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, a morte \u00e9 algo definido como essencial ao ser.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080;\">A morte n\u00e3o \u00e9 o fim<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Para fazer contraposi\u00e7\u00e3o a isso, surge na Fran\u00e7a do s\u00e9culo 19 o espiritismo, doutrina elaborada pelo franc\u00eas Allan Kardec e os esp\u00edritos, que tem por finalidade o estudo da natureza, origem e destino dos Esp\u00edritos, bem como de suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo corporal. A publica\u00e7\u00e3o de O livro dos esp\u00edritos, em 1857, marcou o in\u00edcio da doutrina esp\u00edrita classificada como uma filosofia espiritualista. Com v\u00e1rias outras obras publicadas, destacamos O c\u00e9u e o inferno ou A justi\u00e7a divina segundo o espiritismo, de 1865. Este livro \u00e9 composto em duas partes, a primeira \u00e9 um exame comparado das doutrinas sobre o processo da morte, a vida espiritual e a segunda tem exemplos da situa\u00e7\u00e3o real dos Esp\u00edritos durante e depois da morte. Portanto, um duplo estudo comparativo, um conceitual entre as doutrinas pag\u00e3s, crist\u00e3s de matriz cat\u00f3lica e o espiritismo, o outro vivencial, tomando como base as entrevistas com os Esp\u00edritos, seguindo a classifica\u00e7\u00e3o da Escala Esp\u00edrita.<\/p>\n<p>Kardec inseriu nesse livro um texto sobre temor da morte no cap\u00edtulo II da 1\u00aa parte, subdividido em dois assuntos: \u201cCausas do temor da morte\u201d e \u201cPor que os esp\u00edritas n\u00e3o temem a morte\u201d, que passamos a analis\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080;\">Causas do temor da morte<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O autor, ao abordar as causas do temor da morte, parte da premissa (Kardec, 2002, p.33) que \u201co homem, em qualquer situa\u00e7\u00e3o social, desde o estado de selvageria, tem o pressentimento inato do futuro. Sua intui\u00e7\u00e3o lhe diz que a morte n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima fase da exist\u00eancia e que aqueles que choramos n\u00e3o est\u00e3o perdidos para sempre\u201d, propondo que \u00e9 inato na humanidade o sentimento do futuro p\u00f3s-morte, sendo uma cren\u00e7a intuitiva em que a morte n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo termo da exist\u00eancia. No entanto, observou que entre os que acreditam na imortalidade da alma, tantos ainda se apegam \u00e0s coisas terrenas e sentem o temor pela morte. Em busca de uma resposta plaus\u00edvel, Kardec a encontra nessa assertiva (Kardec, 2002, p.33): \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o com a morte \u00e9 determinada pela sabedoria da Provid\u00eancia e uma consequ\u00eancia do instinto de conserva\u00e7\u00e3o comum a todos os seres vivos.\u201d Assim, o temor da morte \u00e9 efeito da Provid\u00eancia Divina e uma consequ\u00eancia do instinto de conserva\u00e7\u00e3o, e complementa: \u201c\u00c9 necess\u00e1ria, enquanto o homem n\u00e3o estiver esclarecido a respeito da vida futura\u201d.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080;\">As d\u00favidas sobre a vida futura<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Com isso, \u00e9 poss\u00edvel perceber duas constata\u00e7\u00f5es: a primeira \u00e9 que esse temor decorre da no\u00e7\u00e3o insuficiente sobre as condi\u00e7\u00f5es da vida futura, a segunda \u00e9 que o temor surge da necessidade de viver e do receio de que a destrui\u00e7\u00e3o do corpo seja a destrui\u00e7\u00e3o total da individualidade. E conclui que \u00e9 preciso conhecer o mundo espiritual tanto quanto poss\u00edvel atrav\u00e9s do pensamento, para ter uma ideia mais assertiva poss\u00edvel deste. Mas, pondera que \u00e9 providencial n\u00e3o o apresentar sob uma perspectiva muito positiva, pois o levaria a negligenciar o presente.<\/p>\n<p>A argumenta\u00e7\u00e3o continua com a apresenta\u00e7\u00e3o de quatro causas para a exist\u00eancia do temor da morte.<\/p>\n<p>A primeira trata do aspecto sobre o qual se apresenta a vida futura, que n\u00e3o satisfaz \u00e0s exig\u00eancias racionais de \u201chomens de reflex\u00e3o\u201d, verdades absolutas e princ\u00edpios que subvertem a l\u00f3gica, e aos dados positivos da ci\u00eancia, que s\u00f3 poderiam resultar em incredulidade para alguns e em cren\u00e7a duvidosa para muitos. A segunda, liga-se ao quadro horrendo da vida futura apresentado pela religi\u00e3o, principalmente as denomina\u00e7\u00f5es judaico-crist\u00e3s, com condenados em torturas infind\u00e1veis, almas aguardando ora\u00e7\u00f5es dos humanos para se libertarem e, para os eleitos, um gozo eterno de beatitude contemplativa. A terceira, diz respeito \u00e0s cerim\u00f4nias nos funerais, que mais aterrorizam, infundem desespero e desesperan\u00e7a. Tudo concorre para inspirar o pavor da morte em lugar de despertar a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a imposi\u00e7\u00e3o de barreiras insuper\u00e1veis de relacionamento e de comunica\u00e7\u00e3o das pessoas com seus entes queridos que j\u00e1 morreram, colocando entre os mortos e os vivos uma dist\u00e2ncia imensa, que faz considerar a separa\u00e7\u00e3o como definitiva e eterna. Por isso, nos leva a preferir uma vida de sofrimento, com as pessoas que amamos, do que viver num c\u00e9u isolado do conv\u00edvio delas.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080;\">Por que o esp\u00edrita n\u00e3o teme a morte<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O segundo assunto do cap\u00edtulo demonstra a percep\u00e7\u00e3o dos que assimilam a mensagem do espiritismo sobre a vida futura e, portanto, n\u00e3o se preocupam com a morte do corpo f\u00edsico. Kardec parte do fato de que a doutrina esp\u00edrita muda completamente a forma de ver o futuro. A vida futura deixa de ser uma hip\u00f3tese e torna-se uma realidade, ou seja, os princ\u00edpios esp\u00edritas no porvir transformam a incerteza no futuro p\u00f3s-morte em certeza da continuidade da vida. Modifica um sistema arraigado em cren\u00e7as de desesperan\u00e7a em um sistema de observa\u00e7\u00e3o da vida espiritual.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080;\">A realidade espiritual<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O autor, aqui tamb\u00e9m, faz duas constata\u00e7\u00f5es: de in\u00edcio que a situa\u00e7\u00e3o das almas ap\u00f3s a morte n\u00e3o se explica por meio de um sistema de cren\u00e7as, mas pelo resultado da observa\u00e7\u00e3o, que permite conhecer a realidade do mundo espiritual, e que esse conhecimento lhe traz confian\u00e7a baseada (KARDEC, 2002, p.45) \u201cnos fatos que testemunharam e na concord\u00e2ncia com a l\u00f3gica, com a justi\u00e7a e a bondade de Deus e com as aspira\u00e7\u00f5es mais profundas do homem\u201d, concluindo que o temor da morte para o esp\u00edrita perde a raz\u00e3o de ser, porque ele n\u00e3o tem d\u00favida sobre o futuro. Ent\u00e3o encara a morte com tranquilidade, aguarda-a como uma liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800080;\">Mundo corp\u00f3reo e espiritual: perp\u00e9tuas rela\u00e7\u00f5es de apoio<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Kardec extrai dessas informa\u00e7\u00f5es duas causas que levam o esp\u00edrita a n\u00e3o temer a morte. Primeiro que ele aprendeu que a alma n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o, tem um corpo que a faz um ser definido, uma forma concreta, seres viventes, que est\u00e3o \u00e0 nossa volta e, segundo, que o mundo corp\u00f3reo e o espiritual identificam-se em perp\u00e9tuas rela\u00e7\u00f5es de apoio m\u00fatuo.<\/p>\n<p>O espiritismo det\u00e9m um conhecimento que mitiga medos e fobias, que consola pelo conhecimento e sentimento. Dele pode-se absorver a confian\u00e7a e atitude altru\u00edsta diante das calamidades e problemas humanos, convictos pelas informa\u00e7\u00f5es que demonstram a justi\u00e7a e bondade divina a nos cercar de garantias de uma vida futura de paz e harmonia.<\/p>\n<p>O espiritismo venceu a morte!<\/p>\n<p>Oh morte! donde est\u00e1s?<\/p>\n<p>Agora cala-te diante dos fatos irrefut\u00e1veis.<\/p>\n<p>Transformastes em liberdade, porque conhecemos a Verdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #008000;\">Lu\u00eds Jorge Lira Neto<\/span><\/strong>*<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: \u00a0<a href=\"https:\/\/correio.news\/\">Correio Fraterno<\/a><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">* <\/span><\/strong><span style=\"color: #800080;\">Escritor, pesquisador e colaborador da Associa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Casa dos Humildes, no Recife, e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Divulgadores do Espiritismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080;\">Refer\u00eancia:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080;\">KARDEC, Allan. O c\u00e9u e o inferno ou A justi\u00e7a divina segundo o espiritismo. Tradu\u00e7\u00e3o J. Herculano Pires e Jo\u00e3o Teixeira de Paula. 10. ed. S\u00e3o Paulo: Lake, 2002.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR QUE TEMOS MEDO DA MORTE? Lu\u00eds Jorge Lira Neto Nasci, logo comecei a morrer. Como rec\u00e9m-nato, me aproximo da morte. No bem-viver, o temor de morrer. Ao fim, segui com a morte. 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