{"id":10984,"date":"2021-09-20T08:21:52","date_gmt":"2021-09-20T11:21:52","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=10984"},"modified":"2021-09-20T08:21:52","modified_gmt":"2021-09-20T11:21:52","slug":"o-fluido-vital-e-o-suicidio-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-fluido-vital-e-o-suicidio-2\/","title":{"rendered":"O FLUIDO VITAL E O SUIC\u00cdDIO"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #000080;\">O FLUIDO VITAL E O SUIC\u00cdDIO<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Andresa K\u00fcster e Rodrigo Oliveira<\/span><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-XFeT_taWKgw\/YUdsSmXDh1I\/AAAAAAAASng\/s2aYvCyyHhEEOg20Jd84vdULkdck7hUkwCLcBGAsYHQ\/w640-h378\/Fluido%2BVital.webp\" width=\"353\" height=\"209\" \/><\/p>\n<p>A maior certeza da vida do corpo f\u00edsico durante a encarna\u00e7\u00e3o terrena \u00e9 o seu car\u00e1ter finito. Muitos aspectos da exist\u00eancia humana d\u00e3o margem a d\u00favidas e opini\u00f5es diferentes, mas n\u00e3o h\u00e1 como negar que o corpo f\u00edsico possui fragilidades que lhe imp\u00f5em um determinado prazo de validade. O Espiritismo considera o corpo f\u00edsico como uma morada do esp\u00edrito, um instrumento destinado a permitir a evolu\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo encarnado. Nos casos de morte natural, considera-se que o princ\u00edpio ou fluido vital que anima o corpo se extingue por completo. Na obra \u201cA G\u00eanese\u201d, Kardec explica o conceito de princ\u00edpio vital utilizando analogias com o calor e a eletricidade: \u201cMas seja qual for a opini\u00e3o que se tenha sobre a natureza do princ\u00edpio vital, o certo \u00e9 que ele existe, pois que se apreciam os seus efeitos. Pode-se, portanto, logicamente, admitir que, ao se formarem, os seres org\u00e2nicos assimilaram o princ\u00edpio vital, por ser necess\u00e1rio \u00e0 destina\u00e7\u00e3o deles; ou, se o preferirem, que esse princ\u00edpio se desenvolveu, por efeito mesmo da combina\u00e7\u00e3o dos elementos, tal como se desenvolvem, em certas circunst\u00e2ncias, o calor, a luz e a eletricidade.\u201d (KARDEC, 2013, p. 168).<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, com a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia e da medicina, houve aumento na expectativa de vida. Tais mudan\u00e7as levaram a uma maior discuss\u00e3o sobre as maneiras pelas quais o estilo de vida pode influenciar a sa\u00fade do corpo f\u00edsico na velhice. Entende-se que a ado\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos adequados de alimenta\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas podem contribuir para que seja poss\u00edvel usufruir de maneira mais satisfat\u00f3ria desse per\u00edodo. Os ensinamentos das obras esp\u00edritas incentivam tais cuidados, pois a preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade f\u00edsica pode favorecer a evolu\u00e7\u00e3o espiritual, conforme ensina a Lei de Conserva\u00e7\u00e3o detalhada em \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d. No cap\u00edtulo V, do Livro III da referida obra, h\u00e1 incentivo para que as pessoas busquem o bem-estar durante a vida terrestre, desde que isso n\u00e3o seja obtido \u00e0 custa de outrem ou causa de enfraquecimento de suas for\u00e7as morais e f\u00edsicas (Kardec, 2018, p. 238). No cap\u00edtulo XI da obra \u201cA G\u00eanese\u201d o codificador discorre sobre a necessidade de que o corpo f\u00edsico seja adequadamente preservado para que ocorra o necess\u00e1rio progresso individual: \u201cA obriga\u00e7\u00e3o que tem o Esp\u00edrito encarnado de prover ao alimento do corpo, \u00e0 sua seguran\u00e7a, ao seu bem-estar, for\u00e7a-o naturalmente a empregar suas faculdades em investiga\u00e7\u00f5es, a exercit\u00e1-las e desenvolv\u00ea-las. Desse modo, sua uni\u00e3o com a mat\u00e9ria \u00e9 \u00fatil ao seu adiantamento, e \u00e9 por isso que a encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade. Al\u00e9m disso, pelo trabalho inteligente que ele executa em seu proveito, sobre a mat\u00e9ria, auxilia a transforma\u00e7\u00e3o e o progresso material do globo que lhe serve de habita\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que, progredindo, colabora na obra do Criador, da qual se torna fator inconsciente. (KARDEC, 2013, p. 184).<\/p>\n<p>Nos casos em que a morte do corpo f\u00edsico decorre de causas naturais, atribu\u00eddas ao esgotamento do fluido vital, a separa\u00e7\u00e3o do corpo f\u00edsico pode ocorrer de maneira tranquila segundo a explica\u00e7\u00e3o dada pela espiritualidade no Livro II, Cap\u00edtulo III de \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d em resposta a um questionamento sobre o momento da separa\u00e7\u00e3o entre alma e corpo:<\/p>\n<p>\u201cFrequentemente o corpo sofre mais durante a vida do que no momento da morte: neste a alma nada sente. Os sofrimentos que se experimentam algumas vezes no momento da morte s\u00e3o um prazer para o Esp\u00edrito, que v\u00ea chegar o fim de seu ex\u00edlio. Na morte natural, a que ocorre pelo esgotamento dos \u00f3rg\u00e3os em consequ\u00eancia da idade, o homem deixa a vida sem o perceber, \u00e9 uma l\u00e2mpada que se apaga por falta de energia\u201d (KARDEC, 2018, p. 152).<\/p>\n<p>Essas considera\u00e7\u00f5es levam ao entendimento de que o fluido vital est\u00e1 diretamente relacionado com o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os do corpo f\u00edsico. Disso decorre a compreens\u00e3o de que a morte por causas naturais ocorre quando essa reserva de energia se esgota: \u201cOs corpos org\u00e2nicos seriam ent\u00e3o verdadeiras pilhas el\u00e9tricas, que funcionariam enquanto os elementos dessas pilhas se acham em condi\u00e7\u00f5es de produzir eletricidade: \u00e9 a vida; que deixam de funcionar quando tais condi\u00e7\u00f5es desaparecem: \u00e9 a morte. Segundo essa maneira de ver, o princ\u00edpio vital n\u00e3o seria mais que uma esp\u00e9cie particular de eletricidade, denominada eletricidade animal, que durante a vida se desprende pela a\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, sua produ\u00e7\u00e3o cessa por ocasi\u00e3o da morte, por se extinguir tal a\u00e7\u00e3o.\u201d (KARDEC, 2013, p. 169).<\/p>\n<p>O medo do desconhecido e do sofrimento \u00e9 o principal motivo pelo qual os seres humanos temem o momento do encerramento da exist\u00eancia terrena. Esse temor poderia ser menor, caso a todos fosse garantida a possibilidade de uma passagem tranquila para o plano espiritual, conforme descrito acima. \u00c9 de se considerar que a morte por causas naturais, em tais condi\u00e7\u00f5es, possa constituir um objetivo a ser alcan\u00e7ado, pois certamente resultaria em uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdever cumprido\u201d. Essa tranquilidade poderia ser alcan\u00e7ada ap\u00f3s uma vida de longevidade, possibilitada por escolhas corretas que garantiriam a sa\u00fade dos \u00f3rg\u00e3os do corpo f\u00edsico. A necessidade de preserva\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os tamb\u00e9m \u00e9 destacada pela sua rela\u00e7\u00e3o com a atividade do fluido vital, na obra \u201cA G\u00eanese\u201d: \u201cA atividade do princ\u00edpio vital \u00e9 alimentada durante toda a vida pela a\u00e7\u00e3o do funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os, do mesmo modo que o calor, pelo movimento de rota\u00e7\u00e3o de uma roda. Cessada aquela a\u00e7\u00e3o, por motivo da morte, o princ\u00edpio vital se extingue, como o calor, quando a roda deixa de girar. Mas o efeito produzido sobre o estado molecular do corpo pelo princ\u00edpio vital subsiste ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o desse princ\u00edpio, como a carboniza\u00e7\u00e3o da madeira persiste ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o do calor\u201d (KARDEC, 2013, p. 168).<\/p>\n<p>Em um outro extremo, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de uma transi\u00e7\u00e3o tranquila do plano f\u00edsico para o plano espiritual, encontram-se as v\u00edtimas do suic\u00eddio. O sofrimento experimentado pelo indiv\u00edduo que atenta contra a pr\u00f3pria vida pode ser considerado como uma consequ\u00eancia do desrespeito \u00e0 ordem natural dos acontecimentos, j\u00e1 que a morte natural est\u00e1 relacionada com o car\u00e1ter finito do princ\u00edpio ou fluido vital que anima o corpo. Entende-se que a abrevia\u00e7\u00e3o prematura da exist\u00eancia, tanto no caso do suic\u00eddio quanto no caso de acidentes fatais, implica na separa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica do corpo f\u00edsico, por ocorrer em um momento no qual ainda existe uma reserva consider\u00e1vel do fluido vital. No caso do suic\u00eddio, ao tratar de suas consequ\u00eancias no Livro IV, Cap\u00edtulo I de \u201cO Livro dos Esp\u00edritos\u201d, Allan Kardec apresenta as seguintes observa\u00e7\u00f5es: \u201cA observa\u00e7\u00e3o mostra, de fato, que os efeitos do suic\u00eddio nem sempre s\u00e3o os mesmos. Alguns h\u00e1, por\u00e9m, que s\u00e3o comuns a todos os casos de morte violenta e \u00e0 consequente interrup\u00e7\u00e3o brusca da vida. Primeiramente, \u00e9 a persist\u00eancia mais prolongada e tenaz do la\u00e7o que une o Esp\u00edrito ao corpo, la\u00e7o que se encontra quase sempre em todo o seu vigor no momento em que \u00e9 rompido, ao passo que, em caso de morte natural, se enfraquece gradualmente, e muitas vezes se desfaz antes que a vida seja completamente extinta. As consequ\u00eancias desse estado de coisas s\u00e3o o prolongamento da perturba\u00e7\u00e3o espiritual, al\u00e9m da ilus\u00e3o que, durante um per\u00edodo de tempo mais ou menos longo, faz o Esp\u00edrito acreditar que ainda est\u00e1 entre os vivos. A afinidade que persiste entre o Esp\u00edrito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma esp\u00e9cie de repercuss\u00e3o do estado do corpo sobre o Esp\u00edrito, que sente, independente de sua vontade, os efeitos da decomposi\u00e7\u00e3o, experimentando uma sensa\u00e7\u00e3o cheia de ang\u00fastia e de horror, e esse estado pode persistir pelo tempo que devia durar a vida interrompida\u201d (KARDEC, 2018, p. 307-308).<\/p>\n<p>Assim sendo, percebe-se que a manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo potencializa o sofrimento experimentado pelo suicida, pois al\u00e9m de carregar a culpa pelo gesto extremo, sente as dores que o processo de decomposi\u00e7\u00e3o imp\u00f5e ao corpo inanimado, j\u00e1 que nesses casos se mant\u00e9m uma parcela de fluido vital n\u00e3o consumido. Diversas obras esp\u00edritas esclarecem quanto \u00e0 variabilidade da dura\u00e7\u00e3o desse sofrimento causado a si mesmo pelo suicida. Na obra \u201cSuic\u00eddio \u2013 A Fal\u00eancia da Raz\u00e3o\u201d, por exemplo, o autor Luiz Gonzaga Pinheiro esclarece que n\u00e3o se pode adotar uma regra geral para todos os casos, pois in\u00fameros fatores podem levar a diferentes conclus\u00f5es para cada situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica (Pinheiro, 2018, p.77): \u201cAo se suicidar, o esp\u00edrito que p\u00f4s termo ao seu corpo f\u00edsico, abaixa seu campo vibracional automaticamente, sendo a causa o crime cometido contra a si mesmo. Isso leva a in\u00fameras sensa\u00e7\u00f5es de baixos n\u00edveis, podendo causar no esp\u00edrito incr\u00edveis sentimentos de culpa, j\u00e1 que no mundo espiritual a consci\u00eancia do ser tem voz muito mais ativa que no mundo corporal. Passa ent\u00e3o o suicida a sofrer por muitos anos de uma culpa que corr\u00f3i o seu psiquismo, de uma necessidade de autopuni\u00e7\u00e3o que o leva \u00e0 beira da loucura espiritual. Existem casos nos quais o esp\u00edrito fica de tal forma alucinado, que acaba sendo presa f\u00e1cil de vampiros energ\u00e9ticos, esp\u00edritos sombrios que se aproveitam de desgra\u00e7ados errantes em sofrimento para sugar-lhes as energias residuais p\u00f3s-desencarna\u00e7\u00e3o\u201d (Pinheiro, 2018, p.77).<\/p>\n<p>As obras estudadas ensinam que a reserva de fluido vital \u00e9 consumida naturalmente com o passar dos anos, em rela\u00e7\u00e3o direta com a energia dispendida durante as atividades cotidianas, que por sua vez demandam um bom funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os do corpo f\u00edsico. A abrevia\u00e7\u00e3o repentina da encarna\u00e7\u00e3o, sobretudo no caso dos indiv\u00edduos que atentam contra a pr\u00f3pria vida gera sofrimento ao esp\u00edrito, pois em situa\u00e7\u00f5es assim n\u00e3o ocorre o desligamento gradual do corpo f\u00edsico que ocorreria naturalmente. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar qual ser\u00e1 a dura\u00e7\u00e3o deste per\u00edodo de sofrimento ao qual um suicida estar\u00e1 sujeito. Por\u00e9m, tal per\u00edodo tende a ser maior do que o tempo restante para a conclus\u00e3o do per\u00edodo de vida na terra devido ao impacto da culpa e pela possibilidade de que tais esp\u00edritos sofredores passem a estar sob dom\u00ednio de outros esp\u00edritos de baixa vibra\u00e7\u00e3o. Essa possibilidade leva mais uma vez \u00e0 conclus\u00e3o de que o suic\u00eddio n\u00e3o deve ser visto como uma solu\u00e7\u00e3o para fugir das dificuldades, mas sim como um potencial causador de sofrimentos cuja intensidade n\u00e3o somos capazes de imaginar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #008000;\">Andresa K\u00fcster e Rodrigo Oliveira<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.letraespirita.blog.br\/\">Blog Letra Esp\u00edrita<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<span style=\"color: #993300;\">Refer\u00eancias:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">KARDEC, Allan. A G\u00eanese. Tradu\u00e7\u00e3o de Evandro Noleto Bezerra da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o francesa, de 1869) 2\u00aa ed. 1\u00aa imp. \u2013 Bras\u00edlia: FEB, 2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">KARDEC, Allan. O Livro dos Esp\u00edritos. Tradu\u00e7\u00e3o de Matheus Rodrigues de Camargo, 1\u00aa ed. 22\u00aa reimpress\u00e3o. Capivari-SP: Editora EME, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">PINHEIRO, Luiz Gonzaga. Suic\u00eddio: a fal\u00eancia da raz\u00e3o. 2\u00aa reimpress\u00e3o. Capivari\/SP: Editora EME, 2018.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O FLUIDO VITAL E O SUIC\u00cdDIO Andresa K\u00fcster e Rodrigo Oliveira A maior certeza da vida do corpo f\u00edsico durante a encarna\u00e7\u00e3o terrena \u00e9 o seu car\u00e1ter finito. 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