{"id":11582,"date":"2022-03-18T05:57:59","date_gmt":"2022-03-18T08:57:59","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=11582"},"modified":"2022-03-18T05:57:59","modified_gmt":"2022-03-18T08:57:59","slug":"por-tras-do-cancelamento-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/por-tras-do-cancelamento-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Por tr\u00e1s do \u2018cancelamento\u2019 nas redes sociais"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Por tr\u00e1s do \u2018cancelamento\u2019 nas redes sociais<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"color: #008000;\">David Monducci<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/a\/AVvXsEharHOlMEr51Z28-GN8W0Wq2Rf42QWOIPWu4Fx0EexxtEM56MMti5deVUWZbrHP4IsX1VSxgb9JzAVxtQd2kDQFZ9MkKWIA7pXcS25fuSJkhYC56rR-nmt2Xb-NjVsp0h24G9bQ1qkqyno-wJDpfSZKTuwCNX8DbSad396sx8_GeB5aEVxmKA=w640-h452\" width=\"391\" height=\"276\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\">POR TR\u00c1S DO &#8216;CANCELAMENTO&#8217; NAS REDES SOCIAIS<\/span><\/p>\n<p>Vivemos uma \u00e9poca muito conturbada de esgar\u00e7amento dos valores morais e de padr\u00f5es comportamentais estabelecidos, em fun\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as sociais r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, de alguma forma ca\u00f3tico, presenciamos um \u2018apagar\u2019 dos limites entre o certo e o errado, o bem e o mal, o normal e o anormal, o l\u00edcito e o conveniente (1 Co 10:23). Simultaneamente, vivemos o per\u00edodo da imposi\u00e7\u00e3o do politicamente correto e da p\u00f3s-verdade, representada por declara\u00e7\u00f5es pessoais, com forte apelo emocional e apoiada exclusivamente em um conjunto de cren\u00e7as, impostas no grito e na for\u00e7a, como uma suposta verdade alternativa para influenciar a opini\u00e3o p\u00fablica e o comportamento social. Isso tudo cria um pano de fundo desafiador, no qual os indiv\u00edduos ou grupos que n\u00e3o se amoldam a um determinado perfil ou modelo, s\u00e3o vistos como nocivos e perniciosos, e por isso, pass\u00edveis de serem desprezados, exclu\u00eddos e cancelados.<\/p>\n<p>Em cen\u00e1rios complicados assim, de tantos \u2018cancelamentos\u2019, fica evidente a falta de toler\u00e2ncia dos que se enrijecem em torno de um discurso e de ideias naturalmente fal\u00edveis, agindo de modo a cancelar, ou eliminar, as vozes dissonantes, erroneamente imaginando que silenciando os mensageiros podem cancelar as ideias.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">A vis\u00e3o esp\u00edrita<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O livro dos esp\u00edritos (782 e 783) traz uma interessante explica\u00e7\u00e3o sobre essa quest\u00e3o. Kardec pergunta se n\u00e3o h\u00e1 homens que de boa-f\u00e9 entravam o progresso, acreditando favorec\u00ea-lo porque o veem segundo seu ponto de vista. \u201cAssemelham-se a pequeninas pedras que, colocadas debaixo da roda de um grande carro, n\u00e3o o impedem de avan\u00e7ar\u201d, respondem os Esp\u00edritos, complementando logo a seguir, sobre a marcha progressiva e lenta do aperfei\u00e7oamento da humanidade, que \u201ch\u00e1 o progresso regular e lento, que resulta da for\u00e7a das coisas. Quando, por\u00e9m, um povo n\u00e3o progride t\u00e3o depressa quanto deveria, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo f\u00edsico ou moral que o transforma\u201d.<\/p>\n<p>Allan Kardec comenta ainda que \u201co homem n\u00e3o pode conservar-se indefinidamente na ignor\u00e2ncia, porque tem de atingir a finalidade que a Provid\u00eancia lhe assinou. Ele se esclarece pela for\u00e7a das circunst\u00e2ncias. As revolu\u00e7\u00f5es morais, como as revolu\u00e7\u00f5es sociais, se infiltram nas ideias pouco a pouco, dormitam durante s\u00e9culos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edif\u00edcio do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspira\u00e7\u00f5es. Nessas como\u00e7\u00f5es, o homem muitas vezes n\u00e3o percebe sen\u00e3o a desordem e a confus\u00e3o moment\u00e2neas que o ferem nos seus interesses materiais. Aquele, por\u00e9m, que eleva o pensamento acima da sua pr\u00f3pria personalidade admira os des\u00edgnios da Provid\u00eancia, que do mal faz sair o bem. S\u00e3o a tempestade e o furac\u00e3o que saneiam a atmosfera, depois de a haverem revolvido\u201d.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">Dist\u00farbio mental, emocional?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A domina\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica por uma \u00fanica ideia ou associa\u00e7\u00e3o mental, configurando um estado prolongado de monoide\u00edsmo (ideia fixa), pode ser inclu\u00eddo como um sintoma em alguns transtornos psicol\u00f3gicos. Isso, se pensarmos em um dist\u00farbio como aquilo que atrapalha ou perturba alguma coisa. Se pretendermos, por\u00e9m, uma interpreta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, equiparando com uma enfermidade org\u00e2nica, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a doutrina esp\u00edrita, \u00e9 plaus\u00edvel argumentar que quando o psiquismo se acha fixamente dominado por uma ideia, ele cria as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de um quadro obsessivo autoinduzido, cen\u00e1rio que foi muito bem representado recentemente no desenho animado Soul (Pixar, 2020).<\/p>\n<p>Por si s\u00f3, o radicalismo e a intoler\u00e2ncia por mais nefastos que possam ser, n\u00e3o configuram um estado doentio. Mas \u00e9 interessante termos em mente a possibilidade de um dist\u00farbio social como nos resultados do experimento social da \u201cTerceira Onda\u201d, conduzido pelo professor de hist\u00f3ria americano Ron Jones, em 1967, e transformado no filme alem\u00e3o A onda de 2008. A experi\u00eancia de Jones evidenciou como a diversidade e a pluralidade de ideias e vis\u00f5es enriquecem o mundo, a vida das pessoas e os contextos sociais. A hist\u00f3ria \u00e9 farta de registros de \u00e9pocas e contextos sociais nos quais as diverg\u00eancias de ideias e comportamentos foram suprimidas em nome de uma (pseudo) uniformidade.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">Os contr\u00e1rios da vida<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Os intolerantes n\u00e3o percebem que suas pr\u00f3prias vidas ficam pobres, monocrom\u00e1ticas, enfadonhas e mon\u00f3tonas quando cancelam os que pensam diferente.<\/p>\n<p>A vida pode ser comparada com os brinquedos em um parque infantil. Quer na gangorra ou no balan\u00e7o o que se tem \u00e9 uma altern\u00e2ncia entre pontos divergentes e opostos, para frente x para tr\u00e1s, em cima x embaixo, mocinho x bandido, quem pega x quem esconde. Se suprimimos um dos lados, a brincadeira acaba e s\u00f3 resta o t\u00e9dio, o vazio de um espa\u00e7o n\u00e3o preenchido.<\/p>\n<p>Toda necessidade adv\u00e9m de uma aus\u00eancia, car\u00eancia ou insufici\u00eancia. No esfor\u00e7o de tentarmos preencher um vazio, buscamos alguma coisa que nos d\u00ea motivo e uma raz\u00e3o significativa para nos movermos. A percep\u00e7\u00e3o, mais ou menos consciente, de uma sensa\u00e7\u00e3o de vazio existencial pode funcionar como a for\u00e7a motriz que leva os indiv\u00edduos a se identificarem com uma ideia ou grupo que lhes d\u00ea significado de vida ou que os acolha. O fato de nos identificarmos com um grupo ou um sistema de ideias propicia-nos o sentimento de pertencer a algo maior e mais importante do que a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>O prazer pelo mal Freud prop\u00f4s uma teoria sobre o funcionamento da energia ps\u00edquica que se mostra suscet\u00edvel a aumentos, diminui\u00e7\u00f5es e equival\u00eancia, de modo que poder\u00edamos falar em prazer, sofrimento e substitui\u00e7\u00e3o. Para evitarmos a ang\u00fastia e o sofrimento do vazio existencial, quando n\u00e3o temos uma vida repleta de amor e ternura, buscamos algum tipo de prazer ao pertencermos a um grupo ou a um movimento mesmo que ele gere algum \u00f4nus. Uma met\u00e1fora famosa pode ser vista no conto de Claude Steiner Uma hist\u00f3ria de car\u00edcias com a par\u00f3dia entre carinhos quentes e espinhos frios.<\/p>\n<p>Numa vis\u00e3o simplista, podemos interpretar o prazer pelo mal, segundo a teoria freudiana da economia ps\u00edquica, pleiteando alcan\u00e7ar um estado de prazer pessoal ou coletivo impondo uma dor ou castigo ao outro. Seriam os tra\u00e7os de personalidade s\u00e1dica descritos na literatura.<\/p>\n<p>Para melhor lidarmos com esses desafios \u00e9 preciso buscar a serenidade, o equil\u00edbrio e algum distanciamento. Serenidade para n\u00e3o nos deixarmos envolver em um torvelinho de emo\u00e7\u00f5es e paix\u00f5es que impe\u00e7am uma vis\u00e3o clara e l\u00facida do momento e dos movimentos da sociedade na qual estamos inseridos (Jo 17: 15-23). Equil\u00edbrio para discernir o bem do mal, a verdade da impostura, o certo do errado, a luz das trevas, a ess\u00eancia da apar\u00eancia, o eterno do passageiro (Mt 10: 16-23). Distanciamento na higiene mental que permite ir at\u00e9 os \u00edmpios sem se fazer como eles (Mt 16: 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\">David Monducci*<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: \u00a0<a href=\"https:\/\/correio.news\/\">Correio News<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<span style=\"color: #993300;\">*David Monducci \u00e9 neurocirurgi\u00e3o, mestre em filosofia e autor do livro Sa\u00fade e Vida, uma abordagem espiritual sobre emo\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as, Correio Fraterno, 2016.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por tr\u00e1s do \u2018cancelamento\u2019 nas redes sociais David Monducci POR TR\u00c1S DO &#8216;CANCELAMENTO&#8217; NAS REDES SOCIAIS Vivemos uma \u00e9poca muito conturbada de esgar\u00e7amento dos valores morais e de padr\u00f5es comportamentais estabelecidos, em fun\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as sociais r\u00e1pidas. 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