{"id":11588,"date":"2022-03-20T06:13:37","date_gmt":"2022-03-20T09:13:37","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=11588"},"modified":"2022-03-20T06:14:41","modified_gmt":"2022-03-20T09:14:41","slug":"lacos-de-amor-alem-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/lacos-de-amor-alem-do-tempo\/","title":{"rendered":"La\u00e7os de Amor al\u00e9m do Tempo"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">La\u00e7os de Amor al\u00e9m do Tempo<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/a\/AVvXsEgoVq4u4Xg_l1RZI2J_VqkJSFc3_xoRlNyO6JZMlDCosrfsYigQ5EqlWOv0lljfS1MM6jtepIvxCxoHAV3U_LGX9T17kMu5vQ2Wti3QrAiOw404fwpZGS0o-FUKUaTzbFkuxDGDTs0hkxukeK_Rq0LfHmw7CqJRH_qBXZ87dkmwfxQMtzbtOA=w640-h270\" width=\"432\" height=\"183\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">LA\u00c7OS DE AMOR AL\u00c9M DO TEMPO<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e9dium Yvonne do Amaral Pereira \u00e9 uma das personalidades mais importantes da hist\u00f3ria do Espiritismo no Brasil. Portadora de uma mediunidade exuberante, desde cedo teve que aprender a lidar com as presen\u00e7as espirituais em sua vida. Enfrentou a doen\u00e7a e os estados ps\u00edquicos perturbadores provocados pelas potencialidades an\u00edmicas e medi\u00fanicas que lhe caracterizavam, atravessando toda a inf\u00e2ncia e a juventude em meio a interfer\u00eancias de desencarnados e recorda\u00e7\u00f5es de sua encarna\u00e7\u00e3o anterior, que lhe provocavam tormentos, \u00e0s vezes, insuport\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quando eu a conheci, dialogamos muito e nos identificamos bastante, vindo a saber que, quando jovem, ela experimentou muitas sensa\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e dificuldades que eu tamb\u00e9m havia vivenciado.<\/p>\n<p>Ao entregar-se \u00e0 Doutrina Esp\u00edrita, D. Yvonne dedicou-se como poucos \u00e0 causa do Bem, exercendo a mediunidade com a nobreza e a abnega\u00e7\u00e3o que s\u00e3o pr\u00f3prias aos Esp\u00edritos disciplinados, decididos a levar adiante os compromissos assumidos antes do retorno aos caminhos terrestres.<\/p>\n<p>O seu livro Mem\u00f3rias de um Suicida \u00e9 uma obra de beleza \u00edmpar, devassando as dimens\u00f5es espirituais e revelando ao mundo o sofrimento atroz que se instala na vida de quem opta pela fuga dolorosa mediante o suic\u00eddio. Sendo ela pr\u00f3pria uma ex-suicida, a recep\u00e7\u00e3o medi\u00fanica do livro constituiu-lhe, de certa forma, um sacrif\u00edcio, porque ela foi obrigada a rever cenas de situa\u00e7\u00f5es que havia vivenciado na erraticidade. No entanto, a obra tornou-se uma advert\u00eancia de valor inestim\u00e1vel para os viajantes da vida f\u00edsica, muitos dos quais certamente devem a esse livro o fato de terem-se afastado das consequ\u00eancias devastadoras do autoexterm\u00ednio.<\/p>\n<p>Certo dia, quando fui visit\u00e1-la, por ocasi\u00e3o de uma de minhas viagens, encontrei-a com o bra\u00e7o fraturado, suspenso por uma tipoia para poup\u00e1-la de fazer movimentos bruscos. Ao perguntar sobre o ocorrido, a m\u00e9dium elucidou-me gentilmente:<\/p>\n<p>\u2014 Divaldo, voc\u00ea deve saber que a publica\u00e7\u00e3o do livro Mem\u00f3rias de um Suicida n\u00e3o agradou aos Esp\u00edritos vampirizadores que no mundo espiritual exploram seres suicidas em regi\u00f5es inferiores. Pois bem. Um dia estava saindo de casa e, ao abrir a porta, senti duas m\u00e3os vigorosas empurrando-me pelas costas. Sem conseguir segurar-me eu ca\u00ed de forma desajeitada e quebrei o bra\u00e7o com o qual psicografo. Esparramada no ch\u00e3o, olhei para cima, tentando identificar o autor do empurr\u00e3o. Ent\u00e3o eu vi um Esp\u00edrito com fisionomia retorcida e com ar de \u00f3dio que me disse: \u201cIsso \u00e9 para voc\u00ea aprender a n\u00e3o receber esse tipo de livro, que prejudica os nossos planos de domina\u00e7\u00e3o dos seres miser\u00e1veis que n\u00f3s exploramos!\u201d. Ent\u00e3o, eu pude entender o porqu\u00ea da queda e do bra\u00e7o fraturado.<\/p>\n<p>Yvonne n\u00e3o se deixou, por\u00e9m, abater pelo acontecimento e prosseguiu sem vacilar no trabalho de amor que lhe cabia executar.<\/p>\n<p>A m\u00e9dium dedicada, proveniente de um passado reencarnat\u00f3rio marcado pelo insucesso, nunca conseguiu adaptar-se a uma vida social mais ampliada, raz\u00e3o pela qual sempre trabalhou em sua pr\u00f3pria casa, realizando costuras para fora a fim de obter o sustento material. Ela desejava casar-se e construir uma fam\u00edlia, o que n\u00e3o estava no seu programa espiritual porque na exist\u00eancia anterior houvera se suicidado por causa de uma trag\u00e9dia familiar desencadeada por ela mesma em Portugal, no s\u00e9culo XIX. Na ocasi\u00e3o, a morte prematura da sua filha de quase sete anos e o falecimento do seu marido trouxeram-lhe uma dor insuport\u00e1vel, uma vez que ela havia cometido o adult\u00e9rio que destruiu o pr\u00f3prio lar e precipitou as duas desencarna\u00e7\u00f5es. Dominada pelo remorso, a jovem portuguesa atirou-se nas \u00e1guas do Rio Tejo, morrendo afogada e experimentando todas as sensa\u00e7\u00f5es angustiantes da imers\u00e3o e da decomposi\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver. Ela trazia na mem\u00f3ria espiritual as recorda\u00e7\u00f5es desses epis\u00f3dios com lucidez impressionante, que incrementavam a sua dificuldade em permanecer com o psiquismo equilibrado para trabalhar na mediunidade. Sua inf\u00e2ncia e sua juventude foram assinaladas por sofrimentos indescrit\u00edveis, por causa da mente conturbada pelas lembran\u00e7as amargas, que somente o Espiritismo conseguiu explicar para que obtivesse algum al\u00edvio j\u00e1 na fase adulta (115).<\/p>\n<p>Dessa forma, Charles, um Esp\u00edrito protetor que havia sido seu pai por mais de uma encarna\u00e7\u00e3o, inclusive naquela exist\u00eancia em solo portugu\u00eas, advertiu-a para o fato de que a solid\u00e3o deveria ser o seu caminho na Terra, prova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que aprendesse que o remorso pelos danos provocados \u00e0 sua fam\u00edlia jamais poderia justificar o desespero a que viesse a entregar-se, culminando com o gesto insano de tirar a pr\u00f3pria vida. Por isso, nesta encarna\u00e7\u00e3o no Brasil, a nobre trabalhadora do Bem precisava aprender o respeito \u00e0 vida por meio da ren\u00fancia e da entrega total ao amor fraterno.<\/p>\n<p>Certo dia, contrariando as orienta\u00e7\u00f5es dos seus guias espirituais, D. Yvonne come\u00e7ou a estreitar la\u00e7os afetivos com um rapaz. A aparente amizade foi-se dilatando at\u00e9 o ponto em que o jovem a convidou para um jantar. Ap\u00f3s o restaurante, os dois assistiriam a um filme no cinema e completariam a noite agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Muito empolgada, ela se vestiu com simplicidade, mas com eleg\u00e2ncia. N\u00e3o poderia descuidar-se naquele momento de aproxima\u00e7\u00e3o, que poderia resultar em um compromisso futuro. Tinha a certeza de que ele seria uma \u00f3tima companhia para um momento de espairecimento sem maiores consequ\u00eancias. Desejava conversar, e via no mo\u00e7o um ar de educa\u00e7\u00e3o que a deixou tranquila.<\/p>\n<p>Naquele tempo os rapazes eram muito cuidadosos ao se aproximar de uma jovem para tentarem namorar. N\u00e3o seria, portanto, em um primeiro encontro que avan\u00e7ariam o sinal do equil\u00edbrio. Estava tranquila.<\/p>\n<p>O rapaz tamb\u00e9m se preparou convenientemente, n\u00e3o descuidando da roupa e do perfume que causariam boa impress\u00e3o.<\/p>\n<p>Na hora marcada, ele foi busc\u00e1-la em casa e ambos se dirigiram ao local do jantar. Durante todo o tempo, ele correspondeu \u00e0s expectativas de D. Yvonne, com uma postura exemplar de educa\u00e7\u00e3o e sem utilizar qualquer express\u00e3o vulgar. Era um verdadeiro cavalheiro. Por sua vez, a m\u00e9dium procurou demonstrar que se tratava de uma pessoa l\u00facida, simples e destitu\u00edda de maiores ambi\u00e7\u00f5es, apresentando-se sempre de forma muito reservada aonde quer que fosse.<\/p>\n<p>A certa altura, o jantar se encerrou e os dois tomaram o caminho do cinema para darem curso \u00e0 segunda etapa daquele momento de lazer ing\u00eanuo e respeitoso.<\/p>\n<p>Quando estavam na porta do cinema, o rapaz comprou os ingressos e se dirigiu para a entrada da sala de proje\u00e7\u00e3o, seguido pela enamorada. Nesse exato momento apareceu o Esp\u00edrito Charles e perguntou-lhe:<\/p>\n<p>\u2014 Aonde pensas que vais?<\/p>\n<p>\u2014 Vou assistir a um filme, meu irm\u00e3o. Nada demais \u2014 respondeu ela.<\/p>\n<p>\u2014 Tu tens certeza de que n\u00e3o h\u00e1 nada com que te preocupares?<\/p>\n<p>\u2014 Claro que sim. Ele \u00e9 um rapaz educado e gentil. N\u00e3o ir\u00e1 tomar nenhuma atitude para me desrespeitar.<\/p>\n<p>\u2014 Infelizmente a tua ingenuidade \u00e9 imensa&#8230; Depois de ter oferecido um jantar tu n\u00e3o achas que ele ir\u00e1 cobrar-te o pagamento?<\/p>\n<p>Yvonne ficou surpresa com a informa\u00e7\u00e3o do amigo espiritual. Enquanto dialogava psiquicamente com Charles, o rapaz estranhou o fato de que ela n\u00e3o o seguiu, atravessando a porta para entrar na sala de proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Mas ele me pareceu ser um bom rapaz&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Pois bem. Agora tu j\u00e1 sabes que as apar\u00eancias enganam e que deves estar mais atenta \u00e0s circunst\u00e2ncias da vida. E mesmo que ele fosse uma pessoa bem intencionada, h\u00e1 muito tempo tu j\u00e1 conheces o teu caminho nesta exist\u00eancia f\u00edsica. Estamos aqui, os Esp\u00edritos que se comprometeram contigo para o trabalho da mediunidade, para a tarefa de aprimoramento e de ren\u00fancia que assumiste. Portanto, quero dizer-te que ter\u00e1s de escolher. Se tu fores com ele, n\u00f3s n\u00e3o iremos contigo. O nosso compromisso de trabalho estar\u00e1 finalizado e aqui mesmo iremos despedir-nos.<\/p>\n<p>Nesse momento o jovem, percebendo que havia algo estranho acontecendo, insistiu para que ela entrasse no cinema:<\/p>\n<p>\u2014 Yvonne, voc\u00ea n\u00e3o vai entrar? \u2014 perguntou ansioso.<\/p>\n<p>A nobre senhora, refletindo sobre as palavras de Charles, tomou a sua decis\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Fulano, infelizmente eu n\u00e3o poderei acompanh\u00e1-lo! Lembrei-me agora mesmo de que tenho uma costura para entregar a uma cliente linda hoje. At\u00e9 logo!<\/p>\n<p>Ao dizer isso, a m\u00e9dium saiu apressada, sem olhar para tr\u00e1s, deixando o rapaz sem entender o que aconteceu. E os dois nunca mais voltaram a ver-se.<\/p>\n<p>De fato, D. Yvonne sentia a falta de um companheiro que alegrasse os seus dias. Mas o casamento n\u00e3o estava no seu programa reencarnat\u00f3rio. Ela necessitava transitar pelo mundo mantendo uma atitude de reflex\u00e3o acerca dos valores da vida conjugai e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Depois disso, nossa querida D. Yvonne mergulhou ainda mais no trabalho medi\u00fanico, psicografando romances, participando de reuni\u00f5es de desobsess\u00e3o, consolando as pessoas e atuando no receitu\u00e1rio medi\u00fanico homeop\u00e1tico conduzido pelo Esp\u00edrito Bezerra de Menezes.<\/p>\n<p>A partir de certa \u00e9poca, ela entrou em contato com o idioma esperanto, a l\u00edngua neutra internacional proposta pelo polon\u00eas L\u00e1zaro Luiz Zamenhof. Com isso, a m\u00e9dium p\u00f4de fazer muitos amigos dentro e fora do Movimento Esp\u00edrita, especialmente entre estudiosos da Cortina de Ferro, como eram chamados os que viviam nas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, que se unem pelo ideal de uma comunica\u00e7\u00e3o sem barreiras lingu\u00edsticas e permeada pelo sentimento de fraternidade.<\/p>\n<p>Um dos esperantistas com os quais ela se correspondia despertou-lhe um afeto especial. Era um homem mais jovem do que ela e que denotava ser portador de boa cultura, ao lado de um expressivo esp\u00edrito de generosidade. A amizade entre ambos foi aos poucos estreitando-se e o rapaz tamb\u00e9m confessou-lhe sentir por ela uma ternura especial.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que n\u00e3o havia internet, a correspond\u00eancia era feita por cartas, que se tornavam cada vez mais frequentes. At\u00e9 que em uma ocasi\u00e3o o jovem polon\u00eas escreveu-lhe confessando que a amava. N\u00e3o sabia dizer como, porque os dois n\u00e3o se conheciam pessoalmente, mas sabia que, ao dialogarem atrav\u00e9s das correspond\u00eancias, D. Yvonne parecia-lhe muito familiar. O mesmo sentimento era compartilhado por ela, o que lhe causava sofrimento por reconhecer que n\u00e3o poderia alimentar qualquer ilus\u00e3o de um relacionamento pr\u00f3ximo ou remoto. Contudo, aquela sensa\u00e7\u00e3o de conhecer esse rapaz perturbava-a.<\/p>\n<p>Vamos abrir um par\u00eantese explicativo.<\/p>\n<p>Durante toda a sua inf\u00e2ncia e parte da juventude, D. Yvonne registrava a presen\u00e7a de um Esp\u00edrito que nutria por ela um grande amor. Ela o chamava Roberto de Canalejas, nome que possu\u00edra na sua \u00faltima reencarna\u00e7\u00e3o, quando nasceu na Fran\u00e7a e foi morar em Portugal, casando-se com ela. Esse Esp\u00edrito era exatamente o marido a quem havia tra\u00eddo, gerando a consci\u00eancia de culpa e o desespero que culminaram no suic\u00eddio doloroso a que me referi (116).<\/p>\n<p>Depois de um largo per\u00edodo de conviv\u00eancia com a m\u00e9dium, esse Esp\u00edrito afastou-se para reencarnar, e a jovem Yvonne nunca mais recebeu suas visitas, que lhe faziam muito bem ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa observa\u00e7\u00e3o que inseri tem o objetivo de elucidar que o jovem esperantista com o qual D. Yvonne se correspondia era o seu marido do pret\u00e9rito, que retornava ao corpo f\u00edsico em terras distantes, o que n\u00e3o lhe permitia uma aproxima\u00e7\u00e3o mais pronunciada do antigo afeto a quem n\u00e3o deveria vincular-se na atual exist\u00eancia, a benef\u00edcio de ambos. Acontece que o sentimento costuma trair-nos, precipitando-nos em situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o programadas que podem comprometer os nossos melhores esfor\u00e7os de sublima\u00e7\u00e3o e de resgate.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia da extensa comunica\u00e7\u00e3o mantida pelo casal do passado reencarnat\u00f3rio, o rapaz decidiu viajar ao Brasil para conhec\u00ea-la, infringindo as normas do planejamento existencial tra\u00e7ado e tentando reencontrar o seu antigo amor. D. Yvonne foi advertida por Charles, informando-a de que n\u00e3o poderia encontr\u00e1-lo, visto tratar-se precisamente do antigo esposo em nova roupagem corporal. D. Yvonne tentou sem sucesso dissuadir o amigo estrangeiro de realizar tal viagem ao estado do Rio de Janeiro para visitada, apresentando mil alega\u00e7\u00f5es como empecilhos que deveriam desestimul\u00e1-lo. Nada obstante, o jovem esperantista veio ao Brasil, procurando D. Yvonne no endere\u00e7o que constava nas cartas recebidas.<\/p>\n<p>Ao chegar \u00e0 porta da casa da m\u00e9dium, ele foi recepcionado delicadamente por um membro da fam\u00edlia, que j\u00e1 estava instru\u00eddo a n\u00e3o permitir o seu acesso ao interior da resid\u00eancia. D. Yvonne foi tomada de choque emocional ao v\u00ea-lo na porta de entrada. O seu cora\u00e7\u00e3o vibrava ao sabor de uma balada de ternura que ecoava em sua mem\u00f3ria desde tempos remotos. Ela se escondeu de uma forma que poderia olh\u00e1-lo sem que ele a percebesse. Por fim, quando o rapaz foi informado de que a m\u00e9dium havia iniciado uma longa viagem sem data certa para retornar, ele baixou a cabe\u00e7a, profundamente entristecido, agradeceu a recep\u00e7\u00e3o e se retirou do local, deixando naquela resid\u00eancia todas as esperan\u00e7as de conhecer pessoalmente o seu grande amor.<\/p>\n<p>Yvonne ficou com a alma despeda\u00e7ada, mas conformou-se com as prova\u00e7\u00f5es afetivas que teria que arrostar para se redimir dos equ\u00edvocos praticados em nome da invigil\u00e2ncia e do desrespeito aos sagrados la\u00e7os de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O tempo transcorreu c\u00e9lere e, certo dia, a m\u00e9dium recebeu not\u00edcias da desencarna\u00e7\u00e3o do amigo e afeto distante.<\/p>\n<p>A vida de solteira, a sede de ternura e a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 causa do Bem foram-lhe um b\u00e1lsamo que lhe permitiram recuperar-se do passado de sombras compactas nos caminhos do cora\u00e7\u00e3o, para que ingressasse definitivamente em uma nova fase de conquistas libertadoras.<\/p>\n<p>Yvonne do Amaral Pereira desencarnou no ano de 1984, deixando um legado composto por obras psicografadas da mais alta qualidade, incluindo o extraordin\u00e1rio livro Mem\u00f3rias de um Suicida. Al\u00e9m disso, o seu amor \u00e0s pessoas simples e aos Esp\u00edritos em sofrimento d\u00e3o testemunho de que o compromisso espiritual assumido por ela foi honrado com todos os m\u00e9ritos poss\u00edveis, transformando-a em uma personalidade veneranda e atribuindo-lhe a condi\u00e7\u00e3o de aut\u00eantica crist\u00e3, que conseguiu o mediunato.<\/p>\n<p>Certo dia, quando eu fazia uma palestra sobre a mediunidade e mencionava a vida de D. Yvonne, referindo-me \u00e0 sua hist\u00f3ria secular ao lado de Roberto de Canalejas, os dois se apresentaram \u00e0 minha vis\u00e3o medi\u00fanica, portadores de rara beleza Espiritual. Uma emo\u00e7\u00e3o peculiar invadiu-me o cora\u00e7\u00e3o ao v\u00ea-los juntos, porque a cena era verdadeiramente comovedora. Estavam de m\u00e3os dadas, mais apaixonados do que nunca e muito felizes por se unirem novamente, revivendo em seus cora\u00e7\u00f5es os la\u00e7os de amor que prosseguem estudantes al\u00e9m do tempo (117)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #993300;\">Livro: Sexo e Consci\u00eancia &#8211; cap\u00edtulo 9<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">Organizado por <span style=\"color: #008000;\">Luis Fernando Lopes<\/span> a partir de palestras de <span style=\"color: #008000;\">Divaldo P. Franco<\/span><\/span><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/gecasadocaminhosv.blogspot.com\/2022\/03\/lacos-de-amor-alem-do-tempo-luis.html\">G.E. Casa do Caminho de S, Vicente<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La\u00e7os de Amor al\u00e9m do Tempo LA\u00c7OS DE AMOR AL\u00c9M DO TEMPO A m\u00e9dium Yvonne do Amaral Pereira \u00e9 uma das personalidades mais importantes da hist\u00f3ria do Espiritismo no Brasil. 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