{"id":11878,"date":"2022-06-13T06:34:03","date_gmt":"2022-06-13T09:34:03","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=11878"},"modified":"2022-06-13T06:35:44","modified_gmt":"2022-06-13T09:35:44","slug":"introducao-ao-conhecimeto-do-mundo-dos-espiritos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/introducao-ao-conhecimeto-do-mundo-dos-espiritos\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o ao conhecimento do Mundo dos Esp\u00edritos"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Introdu\u00e7\u00e3o ao conhecimento do Mundo dos Esp\u00edritos<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"color: #993300;\">INTRODU\u00c7\u00c3O AO CONHECIMENTO DO MUNDO INVIS\u00cdVEL OU DOS ESP\u00cdRITOS, CONTENDO OS PRINC\u00cdPIOS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA ESP\u00cdRITA E A RESPOSTA A ALGUMAS OBJE\u00c7\u00d5ES PREJUDICIAIS.<\/span><\/p>\n<p>por <span style=\"color: #008000;\">ALLAN KARDEC<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.geae.net.br\/images\/IMAGENS\/Imagens_Kardec\/1200px-Photo_Kardec.jpg\" alt=\"1200px Photo Kardec\" width=\"223\" height=\"294\" \/><\/p>\n<p>As pessoas que s\u00f3 possuem do Espiritismo um conhecimento superficial s\u00e3o naturalmente levadas a fazer certas perguntas, cujo estudo completo lhes daria sem d\u00favida a solu\u00e7\u00e3o, mas lhes falta tempo e muitas vezes vontade para se entregarem a observa\u00e7\u00f5es seguidas. Desejariam, antes de empreender essa tarefa, ao menos saber do que se trata e se vale a pena se ocuparem com isso. Assim, pareceu-nos \u00fatil apresentar, num quadro restrito, a resposta a algumas perguntas fundamentais que nos s\u00e3o dirigidas diariamente. Para o leitor ser\u00e1 uma primeira inicia\u00e7\u00e3o e para n\u00f3s, tempo ganho pela dispensa de constantes repeti\u00e7\u00f5es das mesmas coisas. A forma de di\u00e1logo pareceu-nos mais conveniente, porque n\u00e3o tem a aridez da forma puramente dogm\u00e1tica.<\/p>\n<p>Terminamos esta introdu\u00e7\u00e3o por um resumo que permitir\u00e1, numa leitura r\u00e1pida, apreender o conjunto dos princ\u00edpios fundamentais da Ci\u00eancia. Aqueles que depois desta curta exposi\u00e7\u00e3o julgarem o assunto digno de sua aten\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o aprofund\u00e1-lo com conhecimento de causa. Na maioria das vezes as obje\u00e7\u00f5es nascem das ideias falsas que adquirimos a priori sobre aquilo que n\u00e3o conhecemos. Retificar tais ideias \u00e9 antecipar-se \u00e0s obje\u00e7\u00f5es. Eis o objetivo a que nos propusemos ao publicar este op\u00fasculo.<\/p>\n<p>As pessoas estranhas ao Espiritismo nele encontrar\u00e3o os meios de, em pouco tempo e com pouca despesa, adquirir uma ideia do assunto; as que j\u00e1 s\u00e3o iniciadas, a maneira de resolver as principais dificuldades que lhes s\u00e3o propostas. Contamos com o concurso de todos os amigos desta ci\u00eancia, auxiliando na divulga\u00e7\u00e3o desse curto resumo.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">(Fonte: Revista Esp\u00edrita Ano 2, N\u00famero 7, julho de 1859)<\/span><\/p>\n<p>Desde longos s\u00e9culos as humanidades prosseguem uniformemente sua marcha ascendente atrav\u00e9s do tempo e do espa\u00e7o. Cada uma delas percorre, etapa por etapa, a rota do progresso, e se diferem pelos meios infinitamente variados que a Provid\u00eancia disp\u00f4s em suas m\u00e3os, s\u00e3o chamadas a se fundirem todas, a se identificarem na perfei\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que todas partem da ignor\u00e2ncia e da inconsci\u00eancia de si mesmas para se aproximarem indefinidamente do mesmo fim: Deus; para alcan\u00e7arem a felicidade suprema pelo conhecimento e pelo amor.<\/p>\n<p>H\u00e1 universos e mundos, como povos e indiv\u00edduos. As transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas da terra, que sustenta o corpo, podem dividir-se em duas formas, assim como as transforma\u00e7\u00f5es morais e intelectuais que alargam o esp\u00edrito e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A terra se modifica pela cultura, pelo arroteamento e pelos esfor\u00e7os perseverantes dos seus possuidores e interessados; mas, a esse aperfei\u00e7oamento incessante devemos juntar os grandes cataclismos peri\u00f3dicos, que s\u00e3o, para o regulador supremo, o que s\u00e3o a enxada e a charrua para o lavrador.<\/p>\n<p>As humanidades se transformam e progridem pelo estudo perseverante e pela permuta de pensamentos. Instruindo-se e instruindo os outros, as intelig\u00eancias se enriquecem, mas os cataclismos morais que regeneram o pensamento s\u00e3o necess\u00e1rios para determinar a aceita\u00e7\u00e3o de certas verdades.<\/p>\n<p>Assimilam-se sem abalos e progressivamente as consequ\u00eancias de verdades aceitas. \u00c9 preciso um concurso imenso de esfor\u00e7os perseverantes para que se aceitem novos princ\u00edpios. Marcha-se lentamente e sem fadiga sobre um caminho plano, mas \u00e9 necess\u00e1rio reunir todas as suas for\u00e7as para transpor um atalho agreste e destruir os obst\u00e1culos que surgem. \u00c9 ent\u00e3o que, para avan\u00e7ar, deve o homem quebrar necessariamente a corrente que o liga ao pelourinho do passado, pelo h\u00e1bito, pela rotina e pelo preconceito; a n\u00e3o ser assim, o obst\u00e1culo fica sempre de p\u00e9, e ele girar\u00e1 num c\u00edrculo sem sa\u00edda at\u00e9 que tenha compreendido que, para vencer a resist\u00eancia que obstrui a rota do futuro, n\u00e3o basta quebrar armas envelhecidas e danificadas: \u00e9 indispens\u00e1vel criar outras.<\/p>\n<p>estruir um navio que faz \u00e1gua por todos os lados, antes de empreender uma travessia mar\u00edtima, \u00e9 medida de prud\u00eancia, mas ser\u00e1 ainda necess\u00e1rio, para realizar a viagem, que se criem novos meios de transporte. Entretanto, eis onde se encontra atualmente certo n\u00famero de homens de progresso, tanto no mundo moral e filos\u00f3fico, quanto nos outros mundos do pensamento! Minaram tudo, tudo atacaram! As ru\u00ednas se espalham por toda parte, mas eles ainda n\u00e3o compreenderam que sobre tais ru\u00ednas \u00e9 preciso edificar algo de mais s\u00e9rio que um livre-pensamento e uma independ\u00eancia moral, independentes apenas da moral e da raz\u00e3o. O nada em que se apoiam n\u00e3o \u00e9 uma palavra muito profunda somente por ser vazia. Assim como Deus j\u00e1 n\u00e3o cria os mundos do nada, o homem n\u00e3o pode criar novas cren\u00e7as sem bases. Estas bases est\u00e3o no estudo e na observa\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n<p>A verdade eterna, como a lei que a consagra, n\u00e3o espera para existir a aceita\u00e7\u00e3o dos homens; ela \u00e9 e governa o Universo, a despeito dos que fecham os olhos para n\u00e3o a ver. A eletricidade existia antes de Galvani e o vapor antes de Papin, como a nova cren\u00e7a e os princ\u00edpios filos\u00f3ficos do futuro existiam antes que os publicistas e os fil\u00f3sofos os tivessem consagrado.<\/p>\n<p>Sede pioneiros perseverantes e infatig\u00e1veis!\u2026 Se vos chamarem de loucos como o fizeram a Salom\u00e3o de Caus, se vos repelirem como Fulton, marchai sempre, porque o tempo, esse juiz supremo, saber\u00e1 tirar das trevas os que alimentam o farol que deve, um dia, iluminar a Humanidade inteira.<\/p>\n<p>Na Terra, o passado e o futuro s\u00e3o os dois bra\u00e7os de uma alavanca que tem no presente o seu ponto de apoio. Enquanto a rotina e os preconceitos tiverem curso, o passado estar\u00e1 no apogeu. Quando a luz se faz, a b\u00e1scula balan\u00e7a, e o passado, que j\u00e1 escurecia, desaparece para dar lugar ao futuro que irradia.<\/p>\n<p>Os males da Humanidade v\u00eam da imperfei\u00e7\u00e3o dos homens: \u00e9 pelos seus v\u00edcios que se prejudicam uns aos outros. Enquanto os homens forem viciosos, ser\u00e3o infelizes, por que a luta dos interesses engendra, sem cessar, mis\u00e9rias.<\/p>\n<p>Boas leis contribuem, sem d\u00favida, para a melhoria do estado social, mas s\u00e3o impotentes para assegurar a felicidade da Humanidade, por que n\u00e3o fazem sen\u00e3o comprimir as m\u00e1s paix\u00f5es, sem aniquil\u00e1-las; em segundo lugar, porque s\u00e3o mais repressivas do que moralizadoras, e elas n\u00e3o reprimem sen\u00e3o os atos maus mais salientes, sem destruir a causa. Ali\u00e1s, a bondade das leis est\u00e1 em raz\u00e3o da bondade dos homens; enquanto estes estiverem dominados pelo orgulho e pelo ego\u00edsmo, far\u00e3o leis em proveito das ambi\u00e7\u00f5es pessoais. A lei civil n\u00e3o modifica sen\u00e3o a superf\u00edcie; s\u00f3 a lei moral pode penetrar o foro interior da consci\u00eancia e reform\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Estando, pois, admitido que \u00e9 a contus\u00e3o causada pelo contato dos v\u00edcios que torna os homens infelizes, o \u00fanico rem\u00e9dio para os seus males est\u00e1 no seu aperfei\u00e7oamento moral. Uma vez que as imperfei\u00e7\u00f5es s\u00e3o a fonte dos males, a felicidade aumentar\u00e1 \u00e0 medida que as imperfei\u00e7\u00f5es diminu\u00edrem.<\/p>\n<p>Por boa que seja uma institui\u00e7\u00e3o social, se os homens s\u00e3o maus, false\u00e1-la-\u00e3o e lhe desnaturar\u00e3o o esp\u00edrito para explor\u00e1-la em seu proveito. Quando os homens forem bons, far\u00e3o boas institui\u00e7\u00f5es e elas ser\u00e3o dur\u00e1veis, porque todos ter\u00e3o interesse em sua conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o social n\u00e3o tem, portanto, o seu ponto de partida na forma de tal ou tal institui\u00e7\u00e3o; est\u00e1 inteiramente no aperfei\u00e7oamento moral dos indiv\u00edduos e das massas. A\u00ed est\u00e1 o princ\u00edpio, a verdadeira chave da felicidade da Humanidade, porque ent\u00e3o os homens n\u00e3o pensar\u00e3o mais em se prejudicarem uns aos outros. N\u00e3o basta colocar um verniz sobre a corrup\u00e7\u00e3o, \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso extinguir.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio do aperfei\u00e7oamento est\u00e1 na natureza das cren\u00e7as, porque as cren\u00e7as s\u00e3o o m\u00f3vel das a\u00e7\u00f5es e modificam os sentimentos; est\u00e1 tamb\u00e9m nas ideias inculcadas desde a inf\u00e2ncia e identificadas com o Esp\u00edrito, e nas ideias que o desenvolvimento ulterior da intelig\u00eancia e da raz\u00e3o podem fortificar, e n\u00e3o destruir. Ser\u00e1 pela educa\u00e7\u00e3o, mais ainda do que pela instru\u00e7\u00e3o, que se transformar\u00e1 a Humanidade.<\/p>\n<p>O homem que trabalha seriamente pelo seu pr\u00f3prio aperfei\u00e7oamento assegura a sua felicidade desde esta vida; al\u00e9m da satisfa\u00e7\u00e3o de sua consci\u00eancia, isenta-se das mis\u00e9rias, materiais e morais, que s\u00e3o a consequ\u00eancia inevit\u00e1vel de suas imperfei\u00e7\u00f5es. Ter\u00e1 a calma porque as vicissitudes n\u00e3o far\u00e3o sen\u00e3o de leve ro\u00e7a-lo; ter\u00e1 a sa\u00fade porque n\u00e3o usar\u00e1 o seu corpo para os excessos; ser\u00e1 rico, porque se \u00e9 sempre rico quando se sabe contentar-se com o necess\u00e1rio; ter\u00e1 a paz da alma, porque n\u00e3o ter\u00e1 necessidades fact\u00edcias, n\u00e3o ser\u00e1 mais atormentado pela sede das honras e do sup\u00e9rfluo, pela febre da ambi\u00e7\u00e3o, da inveja e do ci\u00fame; indulgente para com as imperfei\u00e7\u00f5es de outrem, delas sofrer\u00e1 menos; excitar\u00e3o a sua piedade e n\u00e3o a sua c\u00f3lera; evitando tudo o que pode prejudicar o seu pr\u00f3ximo, em palavras e em a\u00e7\u00f5es, procurando, ao contr\u00e1rio, tudo o que pode ser \u00fatil e agrad\u00e1vel aos outros, ningu\u00e9m sofrer\u00e1 com o seu contato.<\/p>\n<p>Assegura a sua felicidade na vida futura, porque, quanto mais estiver depurado, mais se elevar\u00e1 na hierarquia dos seres inteligentes, e logo deixar\u00e1 esta Terra de provas por mundos superiores; porque o mal que tiver reparado nesta vida n\u00e3o ter\u00e1 mais que reparar em outras exist\u00eancias; porque, na erraticidade, n\u00e3o encontrar\u00e1 sen\u00e3o seres amigos e simp\u00e1ticos, e n\u00e3o ser\u00e1 atormentado pela vis\u00e3o incessante daqueles que teriam do que se lamentar dele.<\/p>\n<p>Que homens, vivendo juntos, estejam animados desses sentimentos, ser\u00e3o t\u00e3o felizes quando o comporta a nossa Terra; que, gradualmente, esses sentimentos ganham todo um povo, toda uma ra\u00e7a, toda a Humanidade, e o nosso globo tomar\u00e1 lugar entre os mundos felizes.<\/p>\n<p>\u00c9 uma quimera, uma utopia? Sim, para aquele que n\u00e3o cr\u00ea no progresso da alma; n\u00e3o, para aquele que cr\u00ea em sua perfectibilidade indefinida.<\/p>\n<p>O progresso geral \u00e9 a resultante de todos os progressos individuais; mas o progresso individual n\u00e3o consiste somente no desenvolvimento da intelig\u00eancia, na aquisi\u00e7\u00e3o de alguns conhecimentos; isso n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma parte do progresso, e que n\u00e3o conduz necessariamente ao bem, uma vez que se veem homens fazerem muito mau uso de seu saber; consiste, sobretudo, no aperfei\u00e7oamento moral, na depura\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, na extirpa\u00e7\u00e3o dos maus germes que existem em n\u00f3s; a\u00ed est\u00e1 o verdadeiro progresso, o \u00fanico que pode assegurar a felicidade da Humanidade, porque \u00e9 a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o do mal. O homem mais avan\u00e7ado em intelig\u00eancia pode fazer muito mal; aquele que \u00e9 avan\u00e7ado moralmente, n\u00e3o far\u00e1 sen\u00e3o o bem. H\u00e1, pois, interesse para todos no progresso moral da Humanidade.<\/p>\n<p>Mas o que fazem o aperfei\u00e7oamento e a felicidade das gera\u00e7\u00f5es futuras, para aquele que cr\u00ea que tudo acaba com a vida? Que interesse tem em se aperfei\u00e7oar, em se constranger, em domar as suas paix\u00f5es, de privar-se pelos outros? N\u00e3o tem nenhum; a pr\u00f3pria l\u00f3gica lhe diz que seu interesse est\u00e1 em gozar depressa e por todos os meios poss\u00edveis, uma vez que, amanh\u00e3 talvez, n\u00e3o ser\u00e1 mais nada.<\/p>\n<p>A doutrina do nada (niilismo) \u00e9 a paralisia do progresso humano, por que circunscreve a vis\u00e3o do homem sobre o impercept\u00edvel ponto da exist\u00eancia presente; porque restringe as ideias e as concentra for\u00e7osamente sobre a vida material; com essa doutrina, o homem n\u00e3o sendo nada antes, nada depois, todas as rela\u00e7\u00f5es sociais cessam com a vida, a solidariedade \u00e9 uma palavra v\u00e3, a fraternidade uma teoria sem ra\u00edzes, a abnega\u00e7\u00e3o em proveito de outrem um logro, o ego\u00edsmo com a sua m\u00e1xima: cada um por si, um direito natural, a vingan\u00e7a um ato de raz\u00e3o; a felicidade est\u00e1 para o mais forte e os mais espertos; o suic\u00eddio, o fim l\u00f3gico daquele que, ao cabo de recursos e expedientes, n\u00e3o espera mais nada, e n\u00e3o pode se tirar do loda\u00e7al. Uma sociedade fundada sobre o niilismo, levaria em si o germe da pr\u00f3xima dissolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outros, por\u00e9m s\u00e3o os sentimentos daquele que tem f\u00e9 no futuro; que sabe que nada do que adquire em saber e em moralidade n\u00e3o est\u00e1 perdido para ele; que o trabalho de hoje trar\u00e1 frutos amanh\u00e3; que ele mesmo far\u00e1 parte dessas gera\u00e7\u00f5es futuras mais avan\u00e7adas e mais felizes. Sabe que, trabalhando para os outros, trabalhar\u00e1 para si mesmo. Sua vis\u00e3o n\u00e3o se det\u00e9m na Terra: ela abarca o infinito dos mundos que ser\u00e3o um dia sua morada; entrev\u00ea o lugar glorioso que ser\u00e1 seu quinh\u00e3o, como o de todos os seres chegados \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a f\u00e9 na vida futura, o c\u00edrculo das ideias se alarga; o futuro est\u00e1 para si; o progresso pessoal tem um objetivo, uma utilidade efetiva. Da continuidade das rela\u00e7\u00f5es entre os homens, nasce a solidariedade; a fraternidade est\u00e1 fundada sobre uma lei natural e sobre o interesse de todos.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a na vida futura, portanto, \u00e9 o elemento de progresso, porque \u00e9 o estimulante do Esp\u00edrito: s\u00f3 ela pode dar coragem nas provas, porque lhe fornece a raz\u00e3o, a perseveran\u00e7a na luta contra o mal, porque mostra um objetivo. \u00c9, pois, em consolidar essa cren\u00e7a no esp\u00edrito das massas que \u00e9 preciso se ligar.<\/p>\n<p>No entanto, essa cren\u00e7a \u00e9 inata no homem; todas as religi\u00f5es a proclamam; por que n\u00e3o deu, at\u00e9 este dia, os resultados que se deve dela esperar? \u00c9 que, em geral, \u00e9 apresentada em condi\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis para a raz\u00e3o. Tal como a mostram, rompe todas as rela\u00e7\u00f5es com o presente; desde que se deixa a Terra, torna-se estranho \u00e0 Humanidade; nenhuma solidariedade existe entre os mortos e os vivos; o progresso \u00e9 puramente individual; trabalhando para o futuro, n\u00e3o se trabalha sen\u00e3o para si, n\u00e3o se pensa sen\u00e3o em si, e ainda por um objetivo vago que nada tem de definido, nada de positivo sobre o que o pensamento possa repousar com seguran\u00e7a; \u00e9, enfim, porque \u00e9 antes uma esperan\u00e7a do que uma certeza material. Disso resulta em uns a indiferen\u00e7a, em outros a exalta\u00e7\u00e3o m\u00edstica que, isolando o homem da Terra, \u00e9 essencialmente prejudicial ao progresso real da Humanidade, porque negligencia os cuidados do progresso material, ao qual a Natureza lhe faz um dever concorrer.<\/p>\n<p>Entretanto, por incompletos que sejam os resultados, n\u00e3o s\u00e3o menos reais. Quantos homens foram encorajados e sustentados no caminho do bem por essa esperan\u00e7a vaga! Quantos se detiveram sobre a rampa do mal pelo medo de comprometer o futuro? Quantas nobres virtudes essa cren\u00e7a n\u00e3o desenvolveu! N\u00e3o desdenhemos as cren\u00e7as do passado, embora imperfeitas que elas sejam, quando conduzem ao bem: est\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com o grau avan\u00e7ado da Humanidade. Mas a Humanidade progredindo, quer cren\u00e7as em harmonia com as novas ideias. Se os elementos da f\u00e9 ficam estacion\u00e1rios, e s\u00e3o ultrapassados para o Esp\u00edrito, perdem toda influ\u00eancia, e o bem que produziram num tempo n\u00e3o pode prosseguir, porque n\u00e3o est\u00e3o mais \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Para que a doutrina da vida futura leve, doravante, os frutos que dela se deve esperar, \u00e9 preciso, antes de tudo, que ela satisfa\u00e7a completamente a raz\u00e3o; que responda \u00e0 ideia que se tem da sabedoria, da justi\u00e7a e da bondade de Deus; que n\u00e3o possa receber nenhum desmentido da ci\u00eancia; \u00e9 preciso que a vida futura n\u00e3o deixe no Esp\u00edrito nem d\u00favida, nem incerteza; que seja t\u00e3o positiva quanto a vida presente, da qual \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o, como o dia de amanh\u00e3 \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da v\u00e9spera; \u00e9 necess\u00e1rio que a vejam, que a compreendam, que a toquem, por assim dizer, com o dedo; \u00e9 preciso, enfim, que a solidariedade do passado, do presente e do futuro, atrav\u00e9s das diferentes exist\u00eancias, seja evidente.<\/p>\n<p>Tal \u00e9 a ideia que o Espiritismo d\u00e1 da vida futura; \u00e9 o que lhe faz a for\u00e7a, \u00e9 que isso n\u00e3o \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o humana, que n\u00e3o teria sen\u00e3o o m\u00e9rito de ser mais racional, mas sem mais de certeza do que as outras. \u00c9 o resultado dos estudos feitos sobre os exemplos fornecidos por diferentes categorias de Esp\u00edritos que se apresentam nas manifesta\u00e7\u00f5es, o que permitiu explorar a vida extracorp\u00f3rea em todas as suas fases, desde o alto at\u00e9 o mais baixo da escala dos seres. As perip\u00e9cias da vida futura n\u00e3o s\u00e3o, pois, mais uma teoria, uma hip\u00f3tese mais ou menos prov\u00e1vel, mas um resultado de observa\u00e7\u00f5es; s\u00e3o os pr\u00f3prios habitantes do mundo invis\u00edvel que v\u00eam descrever o seu estado, e \u00e9 tal situa\u00e7\u00e3o que a imagina\u00e7\u00e3o mais fecunda n\u00e3o teria podido conceber, se n\u00e3o fosse apresentada aos olhos do observador.<\/p>\n<p>Dando a prova material da exist\u00eancia e da imortalidade da alma, nos iniciando nos mist\u00e9rios do nascimento, da morte, da vida futura, da vida universal, tornando-nos palp\u00e1veis as consequ\u00eancias inevit\u00e1veis do bem e do mal, a Doutrina Esp\u00edrita faz, melhor do que todas as outras, ressaltar a necessidade de aperfei\u00e7oamento individual. Por ela o homem sabe de onde vem, para onde vai, por que est\u00e1 sobre a Terra; o bem tem um objetivo, uma utilidade pr\u00e1tica; ela n\u00e3o forma o homem somente para o futuro, forma-o tamb\u00e9m para o presente, para a sociedade; pelo seu aperfei\u00e7oamento moral, os homens preparam sobre a Terra o reino de paz e de fraternidade.<\/p>\n<p>A Doutrina Esp\u00edrita \u00e9, assim, o mais poderoso elemento moralizador, naquilo em que ela se dirige, ao mesmo tempo, ao cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 intelig\u00eancia e ao interesse pessoal bem compreendido.<\/p>\n<p>Por sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, o Espiritismo toca em todos os ramos dos conhecimentos f\u00edsicos, metaf\u00edsicos e da moral; as quest\u00f5es que ele abarca s\u00e3o inumer\u00e1veis; no entanto, podem se resumir nos pontos seguintes que, sendo considerados como verdades adquiridas, constituem o programa das cren\u00e7as esp\u00edritas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">(Fonte: Obras P\u00f3stumas. Segunda parte. Credo Esp\u00edrita, 1890.)<\/span><\/p>\n<p>A quest\u00e3o da pluralidade das exist\u00eancias h\u00e1 muito tempo preocupa os fil\u00f3sofos, e mais de um viu, na anterioridade da alma, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dos problemas mais importantes da psicologia; sem esse princ\u00edpio, encontraram-se parados a cada passo e acolhidos num impasse de onde n\u00e3o puderam sair sen\u00e3o com a ajuda da pluralidade das exist\u00eancias.<\/p>\n<p>A maior obje\u00e7\u00e3o que se possa fazer a essa teoria \u00e9 a aus\u00eancia da lembran\u00e7a das exist\u00eancias anteriores. Com efeito, uma sucess\u00e3o de exist\u00eancias inconscientes umas das outras; deixar um corpo para retomar logo um outro sem a mem\u00f3ria do passado, equivaleria ao nada, porque isso seria o nada do pensamento; isso seria tantos pontos de partida novos, sem liga\u00e7\u00e3o com os precedentes; isso seria uma ruptura incessante de todas as afei\u00e7\u00f5es que fazem o encanto da vida presente e a esperan\u00e7a mais doce e mais consoladora do futuro; isso seria, enfim, a nega\u00e7\u00e3o de toda responsabilidade moral. Semelhante doutrina seria t\u00e3o inadmiss\u00edvel e t\u00e3o incompat\u00edvel com a justi\u00e7a de Deus, quanto aquela de uma s\u00f3 exist\u00eancia com a perspectiva de uma eternidade absoluta de penas para faltas tempor\u00e1rias. Compreende-se, pois, que aqueles que formam semelhante id\u00e9ia da reencarna\u00e7\u00e3o a repilam, mas n\u00e3o \u00e9 assim que o Espiritismo no-la apresenta.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia espiritual da alma, nos diz ele, \u00e9 sua exist\u00eancia normal, com lembran\u00e7a retrospectiva indefinida; as exist\u00eancias corp\u00f3reas n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o intervalos, curtas esta\u00e7\u00f5es na exist\u00eancia espiritual, e a soma de todas essas esta\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma parte m\u00ednima da exist\u00eancia normal, absolutamente como se, numa viagem de v\u00e1rios anos, se parasse de tempos em tempos durante algumas horas. Se, durante as exist\u00eancias corp\u00f3reas, parece nela haver solu\u00e7\u00e3o de continuidade pela aus\u00eancia da lembran\u00e7a, a liga\u00e7\u00e3o se estabelece durante a vida espiritual, que n\u00e3o tem interrup\u00e7\u00e3o; a solu\u00e7\u00e3o de continuidade n\u00e3o existe, em realidade, sen\u00e3o para a vida corp\u00f3rea exterior e de rela\u00e7\u00e3o; e aqui a aus\u00eancia da lembran\u00e7a prova a sabedoria da Provid\u00eancia que n\u00e3o quis que o homem fosse muito desviado da vida real, onde tem deveres a cumprir; mas, no estado de repouso do corpo, no sono, a alma retoma em parte o seu v\u00f4o, e a\u00ed se restabelece a cadeia interrompida somente durante a vig\u00edlia.<\/p>\n<p>A isso se pode ainda fazer uma obje\u00e7\u00e3o e perguntar que proveito se pode tirar de suas exist\u00eancias anteriores para a sua melhoria, se n\u00e3o se lembra das faltas que se cometeu. O Espiritismo responde primeiro que a lembran\u00e7a de exist\u00eancias infelizes, juntando-se \u00e0s mis\u00e9rias da vida presente, tornaria esta ainda mais penosa; \u00e9, pois, um acr\u00e9scimo de sofrimentos que Deus quis nos poupar; sem isso, freq\u00fcentemente, quanto n\u00e3o seria nossa humilha\u00e7\u00e3o pensando no que fomos! Quanto ao nosso adiantamento, essa lembran\u00e7a \u00e9 in\u00fatil. Durante cada exist\u00eancia, damos alguns passos adiante; adquirimos algumas qualidades e nos despojamos de algumas imperfei\u00e7\u00f5es; cada uma delas \u00e9, assim, um novo ponto de partida, em que somos o que nos houvermos feito, em que nos tomamos por aquilo que somos, sem ter que nos inquietarmos com aquilo que fomos. Se, numa exist\u00eancia anterior, fomos antrop\u00f3fagos, o que isso nos faz se n\u00e3o o somos mais? Se tivemos um defeito qualquer do qual n\u00e3o resta mais os tra\u00e7os, \u00e9 uma conta liquidada, com a qual n\u00e3o temos nada a nos preocupar. Suponhamos, ao contr\u00e1rio, uma falta da qual n\u00e3o se corrigiu sen\u00e3o a metade, o saldo se reencontrar\u00e1 na vida seguinte e \u00e9 em corrigi-lo que \u00e9 preciso se fixar. Tomemos um exemplo: um homem foi assassino e ladr\u00e3o; disso foi punido, seja na vida corp\u00f3rea, seja na vida espiritual; arrepende-se e se corrige da primeira tend\u00eancia, mas n\u00e3o da segunda; na exist\u00eancia seguinte, ele n\u00e3o ser\u00e1 sen\u00e3o ladr\u00e3o; talvez grande ladr\u00e3o, mas n\u00e3o mais assassino; ainda um passo adiante e ele n\u00e3o ser\u00e1 sen\u00e3o pequeno ladr\u00e3o; um pouco mais tarde, n\u00e3o roubar\u00e1 mais, mas poder\u00e1 ter a veleidade de roubar, que sua consci\u00eancia neutralizar\u00e1; depois um \u00faltimo esfor\u00e7o, e, todo tra\u00e7o da doen\u00e7a moral tendo desaparecido, ser\u00e1 um modelo de probidade. Que lhe faz ent\u00e3o o que foi? A lembran\u00e7a de ter morrido no pat\u00edbulo n\u00e3o seria uma tortura, uma humilha\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua? Aplicai este racioc\u00ednio a todos os v\u00edcios, a todas as manias, e podereis ver como a alma se melhora passando e repassando pela estamenha da encarna\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o \u00e9 mais justo por ter tornado o homem \u00e1rbitro de sua pr\u00f3pria sorte pelos esfor\u00e7os que pode fazer para se melhorar, do que ter feito a sua alma nascer ao mesmo tempo que seu corpo, e de conden\u00e1-la a tormentos perp\u00e9tuos por erros passageiros, sem dar-lhe os meios de se purificar de suas imperfei\u00e7\u00f5es? Pela pluralidade das exist\u00eancias, seu futuro est\u00e1 em suas m\u00e3os; se leva muito tempo para se melhorar, disso sofre as conseq\u00fc\u00eancias: \u00e9 a suprema justi\u00e7a; mas a esperan\u00e7a jamais lhe \u00e9 obstru\u00edda.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o seguinte pode ajudar a fazer compreender as perip\u00e9cias da vida da alma.<\/p>\n<p>Suponhamos uma longa estrada, sobre o percurso da qual se encontram, de dist\u00e2ncia em dist\u00e2ncia, mas em intervalos desiguais, florestas que \u00e9 preciso atravessar; \u00e0 entrada de cada floresta, a estrada larga e bela \u00e9 interrompida e n\u00e3o retoma sen\u00e3o na sa\u00edda. Um viajor segue essa estrada e entra na primeira floresta; mas l\u00e1, n\u00e3o mais vereda batida; um d\u00e9dalo inextric\u00e1vel no meio do qual se perde; a claridade do Sol desapareceu sob o espesso maci\u00e7o das \u00e1rvores; ele erra sem saber para onde vai; enfim, depois de fadigas extraordin\u00e1rias chega aos confins da floresta, mas abatido de fadiga, rasgado pelos espinhos, machucado pelos calhaus. L\u00e1, reencontra a estrada e a luz, e prossegue seu caminho, procurando se curar de suas feridas.<\/p>\n<p>Mais longe, encontra uma segunda floresta, onde o esperam as mesmas dificuldades; mas j\u00e1 tem um pouco de experi\u00eancia e dela sai menos contundido. Numa, encontra um lenhador que lhe indica a dire\u00e7\u00e3o que deve seguir e impede-o de se perder. A cada nova travessia a sua habilidade aumenta, se bem que os obst\u00e1culos s\u00e3o mais e mais facilmente superados; seguro de reencontrar a bela estrada na sa\u00edda, essa confian\u00e7a o sustenta; depois sabe se orientar para encontr\u00e1-la mais facilmente. A estrada termina no cume de uma montanha muito alta, de onde avista todo o percurso desde o ponto de partida; v\u00ea tamb\u00e9m as diferentes florestas que atravessou e se lembra das vicissitudes que experimentou, mas essa lembran\u00e7a nada tem de penosa, porque alcan\u00e7ou o objetivo; \u00e9 como o velho soldado que, na calma do lar dom\u00e9stico, se lembra das batalhas \u00e0s quais assistiu. Essas florestas disseminadas sobre a estrada s\u00e3o para ele como pontos negros sobre uma condecora\u00e7\u00e3o branca; ele diz a si mesmo: \u201cQuando estava nessas florestas, nas primeiras sobretudo, como me pareciam longas para atravessar! Parecia-me que n\u00e3o chegaria mais ao fim; tudo me parecia gigantesco e intranspon\u00edvel ao meu redor. E quando penso que, sem esse bravo lenhador que me recolocou no bom caminho, talvez estaria ali ainda! Agora que considero essas mesmas florestas, do ponto de vista onde estou, como me parecem pequenas! Parece-me que, com um passo, teria podido transp\u00f4-las; bem mais, a minha vista as penetra e nelas distingo os menores detalhes; vejo at\u00e9 as faltas que cometi.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, um velho lhe diz: \u2013 Meu filho, eis-te no fim da viagem, mas um repouso indefinido te causaria logo um t\u00e9dio mortal, e ficarias a lamentar as vicissitudes que experimentaste e que deram atividade aos teus membros e ao teu Esp\u00edrito. V\u00eas daqui um grande n\u00famero de viajores sobre a estrada que percorreste, e que, como tu, correm risco de se perder no caminho; tens a experi\u00eancia, n\u00e3o temes mais nada; vai ao seu encontro e, pelos teus conselhos, trata de gui\u00e1-los, a fim de que cheguem mais cedo.<\/p>\n<p>\u2013 Vou com alegria, redargui nosso homem; mas, ajuntou, por que n\u00e3o h\u00e1 uma estrada direta do ponto de partida at\u00e9 aqui? Isso pouparia, aos viajores, passar por essas abomin\u00e1veis florestas.<\/p>\n<p>\u2013 Meu filho, replica o velho, olha bem nelas e ver\u00e1s que muitos evitam um certo n\u00famero delas; s\u00e3o aqueles que, tendo adquirido mais cedo a experi\u00eancia necess\u00e1ria, sabem tomar um caminho mais direto e mais curto para chegar; mas essa experi\u00eancia \u00e9 o fruto do trabalho que as primeiras travessias necessitaram, de tal sorte que n\u00e3o chegam aqui sen\u00e3o em raz\u00e3o de seu m\u00e9rito. Que saberias, tu mesmo, se por ali n\u00e3o tivesses passado? A atividade que deveste desdobrar, os recursos de imagina\u00e7\u00e3o que te foram necess\u00e1rios para te tra\u00e7ar um caminho, aumentaram os teus conhecimentos e desenvolveram a tua intelig\u00eancia; sem isso, serias novato como em tua partida. E depois, procurando tirar-te dos embara\u00e7os, tu mesmo contribu\u00edste para a melhoria das florestas que atravessaste; o que fizeste \u00e9 pouca coisa, impercept\u00edvel; mas pensa nos milhares de viajores que o fazem tamb\u00e9m, e que, trabalhando todos para eles, trabalham, sem disso desconfiarem, para o bem comum. N\u00e3o \u00e9 justo que recebam o sal\u00e1rio de seu trabalho pelo repouso do qual gozam aqui? Que direito teriam a este repouso se nada tivessem feito?<\/p>\n<p>\u2013 Meu pai, reflete o viajor, numa dessas florestas, encontrei um homem que me disse: \u201cSobre a borda h\u00e1 um imenso abismo que \u00e9 preciso transpor de um salto; mas, sobre mil, apenas um consegue; todos os outros lhe caem no fundo, numa fornalha ardente e est\u00e3o perdidos sem retorno. Esse abismo eu nunca vi.\u201d<\/p>\n<p>\u2013 Meu filho, \u00e9 que n\u00e3o existe, de outro modo isso seria uma armadilha abomin\u00e1vel estendida a todos os viajores que viessem em minha casa. Eu bem sei que lhes \u00e9 preciso superar as dificuldades, mas sei tamb\u00e9m que, cedo ou tarde, as superar\u00e3o; se tivesse criado impossibilidades para um \u00fanico, sabendo que deveria sucumbir, teria sido cruel, e com mais forte raz\u00e3o se o fizera para o grande n\u00famero. Esse abismo \u00e9 uma alegoria da qual vais ver a explica\u00e7\u00e3o. Olha sobre a estrada, nos intervalos das florestas; entre os viajores, v\u00eas os que caminham lentamente, com um ar feliz, v\u00eas esses amigos que se perderam de vista nos labirintos da floresta, como est\u00e3o felizes em se reencontrarem na sa\u00edda; mas, ao lado deles, h\u00e1 outros que se arrastam penosamente; s\u00e3o estropiados e imploram a piedade dos que passam, porque sofrem cruelmente das feridas que, por sua falta, fizeram a si mesmos atrav\u00e9s das sar\u00e7as; mas disso se curar\u00e3o, e isso ser\u00e1, para eles, uma li\u00e7\u00e3o da qual aproveitar\u00e3o na nova floresta que ter\u00e3o que atravessar, e de onde sair\u00e3o menos machucados. O abismo \u00e9 a figura dos males que sofrem, e dizendo que sobre mil s\u00f3 um o transp\u00f5e, esse homem teve raz\u00e3o, porque o n\u00famero dos imprudentes \u00e9 muito grande; mas errou dizendo que, uma vez ca\u00eddo dentro, dele n\u00e3o se sai mais; h\u00e1 sempre uma sa\u00edda para chegar a mim. Vai, meu filho, vai mostrar essa sa\u00edda \u00e0queles que est\u00e3o no fundo do abismo; vai sustentar os feridos da estrada e mostra o caminho \u00e0queles que atravessam as florestas.<\/p>\n<p>A estrada \u00e9 a figura da vida espiritual da alma, sobre o percurso da qual se \u00e9 mais ou menos feliz; as florestas s\u00e3o as exist\u00eancias corp\u00f3reas, onde se trabalha para o seu adiantamento, ao mesmo tempo que para a obra geral; o viajor que chega ao objetivo e que retorna para ajudar aqueles que est\u00e3o atrasados, \u00e9 a dos anjos guardi\u00e3es, mission\u00e1rios de Deus, que encontram a sua felicidade em seu objetivo, mas tamb\u00e9m na atividade que desdobram para fazerem o bem e obedecerem ao supremo Senhor.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">(Fonte. Allan Kardec. Obras P\u00f3stumas. Primeira Parte. A Estrada da Vida.)<\/span><\/p>\n<p>Est\u00e1 bem reconhecido que a maioria das mis\u00e9rias humanas tem a sua fonte no ego\u00edsmo dos homens. Ent\u00e3o, desde que cada um pensa em si, antes de pensar nos outros, e quer a sua pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o antes de tudo, cada um procura, naturalmente, se proporcionar essa satisfa\u00e7\u00e3o, a qualquer pre\u00e7o, e sacrifica, sem escr\u00fapulo, os interesses de outrem, desde as menores coisas at\u00e9 as maiores, na ordem moral como na ordem material; da\u00ed todos os antagonismos sociais, todas as lutas, todos os conflitos e todas as mis\u00e9rias, porque cada um quer despojar o seu vizinho.<\/p>\n<p>O ego\u00edsmo tem a sua fonte no orgulho. A exalta\u00e7\u00e3o da personalidade leva o homem a se considerar como acima dos outros, crendo -se com direitos superiores, e se fere com tudo o que, segundo ele, seja um golpe sobre os seus direitos. A import\u00e2ncia que, pelo orgulho, liga \u00e0 sua pessoa, torna-o naturalmente ego\u00edsta.<\/p>\n<p>O ego\u00edsmo e o orgulho t\u00eam a sua fonte num sentimento natural: o instinto de conserva\u00e7\u00e3o. Todos os instintos t\u00eam sua raz\u00e3o de ser e sua utilidade, porque Deus nada pode fazer de in\u00fatil. Deus n\u00e3o criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arb\u00edtrio.<\/p>\n<p>Esse sentimento, encerrado em seus justos limites, portanto, \u00e9 bom em si; \u00e9 o exagero que o torna mau e pernicioso; ocorre o mesmo com todas as paix\u00f5es que o homem, frequentemente, desvia de seu objetivo providencial. De nenhum modo Deus criou o homem ego\u00edsta e orgulhoso; criou-o simples e ignorante; foi o homem que se fez ego\u00edsta e orgulhoso exagerando o instinto que Deus lhe deu para a sua conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os homens n\u00e3o podem ser felizes se n\u00e3o vivem em paz, quer dizer, se n\u00e3o est\u00e3o animados de um sentimento de benevol\u00eancia, de indulg\u00eancia e de condescend\u00eancia rec\u00edprocos, em uma palavra, enquanto procurarem se esmagar uns aos outros. A caridade e a fraternidade resumem todas as condi\u00e7\u00f5es e todos os deveres sociais; mas sup\u00f5em a abnega\u00e7\u00e3o; ora, a abnega\u00e7\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o ego\u00edsmo e o orgulho; portanto, com seus v\u00edcios nada de verdadeira fraternidade, partindo, da igualdade e da liberdade, porque o ego\u00edsta e o orgulhoso querem tudo para eles. Estar\u00e3o sempre a\u00ed os vermes roedores de todas as institui\u00e7\u00f5es progressistas; enquanto eles reinarem, os sistemas sociais mais generosos, mais sabiamente combinados, desabar\u00e3o sob os seus golpes.<\/p>\n<p>\u00c9 belo, sem d\u00favida, proclamar o reino da fraternidade, mas para que serve se existe uma causa destruidora? \u00c9 edificar sobre um terreno movedi\u00e7o; tanto valeria decretar a sa\u00fade para um pa\u00eds insalubre. Num tal pa\u00eds, querendo -se que os homens se portem bem, n\u00e3o basta enviar-lhe m\u00e9dicos, porque eles morrer\u00e3o como os outros; \u00e9 necess\u00e1rio destruir as causas da insalubridade.<\/p>\n<p>Se quereis que vivam como irm\u00e3os sobre a Terra, n\u00e3o basta lhes dar li\u00e7\u00f5es de moral; \u00e9 necess\u00e1rio destruir as causas do antagonismo; \u00e9 necess\u00e1rio atacar o princ\u00edpio do mal: o orgulho e o ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e1 a praga; a\u00ed deve se concentrar toda a aten\u00e7\u00e3o daqueles que querem seriamente o bem da Humanidade. Enquanto esses obst\u00e1culos subsistirem, ver\u00e3o seus esfor\u00e7os paralisados, n\u00e3o s\u00f3 por uma resist\u00eancia de in\u00e9rcia, mas por uma for\u00e7a ativa que trabalhar\u00e1, sem cessar, para destruir a sua obra, porque toda ideia grande, generosa e emancipadora, arru\u00edna as pretens\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p>Destruir o ego\u00edsmo e o orgulho \u00e9 coisa imposs\u00edvel, dir-se-\u00e1, porque esses v\u00edcios s\u00e3o inerentes \u00e0 esp\u00e9cie humana. Se isso fora assim, seria necess\u00e1rio desesperar de todo o progresso moral; no entanto, quando se considera o homem em suas diferentes idades, n\u00e3o se pode desconhecer um progresso evidente: portanto, se ele progrediu, pode progredir ainda. Por outro lado, \u00e9 que n\u00e3o se encontra nenhum homem desprovido do orgulho e do ego\u00edsmo? N\u00e3o se veem, ao contr\u00e1rio, essas naturezas generosas nas quais o sentimento de amor ao pr\u00f3ximo, de humildade, de devotamento e de abnega\u00e7\u00e3o, parecem inatos? O n\u00famero \u00e9 menor do que o dos ego\u00edstas, isto \u00e9 certo, de outro modo estes \u00faltimos n\u00e3o fariam a lei; mas h\u00e1 deles mais do que se cr\u00ea, e se parecem t\u00e3o pouco numerosos \u00e9 que o orgulho se p\u00f5e em evid\u00eancia, ao passo que a virtude modesta permanece na sombra. Se, pois, o ego\u00edsmo e o orgulho estivessem nas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 Humanidade, como as de se nutrir para viver, n\u00e3o haveria exce\u00e7\u00f5es; o ponto essencial \u00e9, pois, chegar a fazer a exce\u00e7\u00e3o passar ao estado de regra; para isso, antes de tudo, trata-se de destruir as ca usas que produzem e sustentam o mal.<\/p>\n<p>A principal dessas causas se liga, evidentemente, \u00e0 falsa ideia que o homem faz de sua natureza, de seu passado e de seu futuro. N\u00e3o sabendo de onde vem, se cr\u00ea mais do que n\u00e3o o \u00e9; n\u00e3o sabendo para onde vai, concentra todo o seu pensamento sobre a vida terrestre; ele a v\u00ea t\u00e3o agrad\u00e1vel quanto poss\u00edvel; quer todas as satisfa\u00e7\u00f5es, todos os gozos: \u00e9 porque caminha, sem escr\u00fapulos, sobre o seu vizinho, se este lhe faz obst\u00e1culo; mas, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que ele domine; a igualdade daria a outros direitos que quer ter sozinho; a fraternidade lhe imporia sacrif\u00edcios que estariam em detrimento de seu bem -estar; a liberdade, ele a quer para si, e n\u00e3o a concede, aos outros, sen\u00e3o quando ela n\u00e3o leve nenhum preju\u00edzo \u00e0s suas prerrogativas. Tendo cada um as mesmas pretens\u00f5es, disso resultam conflitos perp\u00e9tuos, que fazem pagar bem caro alguns dos gozos que venham a se proporcionar.<\/p>\n<p>Que o homem se identifique com a vida futura, e a sua maneira de ver muda completamente, como a de um indiv\u00edduo que n\u00e3o deve permanecer sen\u00e3o poucas horas numa habita\u00e7\u00e3o m\u00e1, e que sabe que, \u00e0 sua sa\u00edda, ter\u00e1 outra magn\u00edfica, para o resto de seus dias.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da vida presente, t\u00e3o triste, t\u00e3o curta, t\u00e3o ef\u00eamera, se apaga diante do esplendor do futuro infinito que se abre diante dele. A consequ\u00eancia natural, l\u00f3gica, dessa certeza, \u00e9 a de sacrificar um presente fugidio a um futuro dur\u00e1vel, ao passo que antes sacrificava tudo ao presente. Tornando-se a vida futura o seu objetivo, pouco lhe importa ter um pouco mais, ou um pouco menos neste; os interesses mundanos s\u00e3o os acess\u00f3rios, em lugar de serem o principal; ele trabalha no presente tendo em vista assegurar a sua posi\u00e7\u00e3o no futuro, al\u00e9m disso, sabe em que condi\u00e7\u00f5es pode ser feliz. Pelos interesses mundanos, os homens podem lhe opor obst\u00e1culos: \u00e9 preciso que os afaste, e se torna ego\u00edsta pela for\u00e7a das coisas; se leva suas vistas mais alto, para uma felicidade que nenhum homem pode entravar, n\u00e3o tem interesse em esmagar ningu\u00e9m, e o ego\u00edsmo n\u00e3o te m mais objeto; mas resta -lhe sempre o est\u00edmulo do orgulho.<\/p>\n<p>A causa do orgulho est\u00e1 na cren\u00e7a que o homem tem de sua superioridade individual; e \u00e9 aqui que se faz sentir ainda a influ\u00eancia da concentra\u00e7\u00e3o do pensamento sobre a vida terrestre. No homem que nada v\u00ea diante dele, nada depois dele, nada acima dele, o sentimento da personalidade o arrebata, e o orgulho n\u00e3o tem nenhum contrapeso.<\/p>\n<p>A incredulidade n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o possui nenhum meio de combater o orgulho, mas o estimula e lhe d\u00e1 raz\u00e3o negando a exist\u00eancia de um poder superior \u00e0 Humanidade. O incr\u00e9dulo n\u00e3o cr\u00ea sen\u00e3o em si mesmo; \u00e9, pois, natural que ele tenha orgulho; ao passo que, nos golpes que o atingem, ele n\u00e3o v\u00ea sen\u00e3o o acaso e se endireita, aquele que tem a f\u00e9, v\u00ea a m\u00e3o de Deus e se inclina.<\/p>\n<p>Crer em Deus e na vida futura \u00e9, pois, a primeira condi\u00e7\u00e3o para moderar o orgulho, mas isso n\u00e3o basta; ao lado do futuro, \u00e9 preciso ver o passado para se fazer uma ideia justa do presente. Para que o orgulhoso cesse de crer em sua superioridade, \u00e9 preciso lhe provar que ele n\u00e3o \u00e9 mais do que os outros, e que os outros s\u00e3o tanto quanto ele; que a igualdade \u00e9 um fato e n\u00e3o, simplesmente, uma bela teoria filos\u00f3fica; verdades que ressaltam da preexist\u00eancia da alma e da reencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem a preexist\u00eancia da alma, o homem \u00e9 levado a crer que Deus o beneficiou excepcionalmente, quando cr\u00ea em Deus; quando n\u00e3o cr\u00ea, rende gra\u00e7as ao acaso e ao seu pr\u00f3prio m\u00e9rito. A preexist\u00eancia, iniciando -o na vida anterior da alma, lhe ensina a distinguir a vida espiritual infinita, da vi da corp\u00f3rea, tempor\u00e1ria; sabe, por a\u00ed, que as almas saem iguais das m\u00e3os do Criador; que t\u00eam um mesmo ponto de partida e um mesmo objetivo, que todas devem alcan\u00e7ar, em mais ou menos tempo segundo os seus esfor\u00e7os; que ele mesmo n\u00e3o chegou ao que \u00e9 sen\u00e3o depois de ter, por muito tempo e penosamente, vegetado como os outros nos graus inferiores: que n\u00e3o h\u00e1, entre as mais atrasadas e as mais avan\u00e7adas, sen\u00e3o uma quest\u00e3o de tempo; que as vantagens de nascimento s\u00e3o puramente corp\u00f3reas e independentes do Esp\u00edrito; que o simples prolet\u00e1rio pode, numa outra exist\u00eancia, nascer sobre um trono, e o mais poderoso renascer prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o considera sen\u00e3o a vida corp\u00f3rea, v\u00ea as desigualdades sociais do momento; elas o ferem; mas se leva seus olhares sobre o conjunto da vida do Esp\u00edrito, sobre o passado e sobre o futuro, desde o ponto de partida at\u00e9 o ponto de chegada, essas desigualdades se apagam, e reconhece que Deus n\u00e3o favoreceu a nenhum de seus filhos em preju\u00edzo dos outros; que fez parte igual a cada um e n\u00e3o aplainou o caminho mais para uns do que para outros; que aquele que \u00e9 menos avan\u00e7ado do que ele sobre a Terra, pode chegar antes dele, se trabalha mais do que ele pelo seu aperfei\u00e7oamento; reconhece, enfim, que cada um n\u00e3o chegando sen\u00e3o pelos seus esfor\u00e7os pessoais, o princ\u00edpio de igualdade se acha ser, assim, um princ\u00edpio de justi\u00e7a e uma lei da Natureza, diante das quais cai o orgulho do privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>A reencarna\u00e7\u00e3o, provando que os Esp\u00edritos podem renascer em diferentes condi\u00e7\u00f5es sociais, seja como expia\u00e7\u00e3o, seja como prova, ensina que naquele que se trata com desd\u00e9m, pode -se encontrar um homem que foi nosso superior ou nosso igual numa outra exist\u00eancia, um amigo ou um parente. Se o homem o soubesse, trat\u00e1-lo-ia com respeito, mas, ent\u00e3o, n\u00e3o teria nenhum m\u00e9rito; e, pelo contr\u00e1rio, se soubesse que seu amigo atual foi seu inimigo, seu servidor ou seu escravo, o repeliria; ora, Deus n\u00e3o quis que isso fosse assim, por isso lan\u00e7ou um v\u00e9u sobre o passado; desta maneira, o homem \u00e9 levado a ver, em todos, irm\u00e3os e seus iguais; da\u00ed uma base natural para a fraternidade; sabendo que ele mesmo poder\u00e1 ser tratado como houver tratado os outros, a caridade se torna um dever e uma necessidade, fundados sobre a pr\u00f3pria Natureza.<\/p>\n<p>Jesus colocou o princ\u00edpio da caridade, da igualdade e da fraternidade; fez dele uma condi\u00e7\u00e3o expressa de salva\u00e7\u00e3o; mas estava reservado \u00e0 terceira manifesta\u00e7\u00e3o da vontade de Deus, ao Espiritismo, pelo conhecimento que d\u00e1 da vida espiritual, pelos horizontes novos que descobre e as leis que revela, sancionar esse princ\u00edpio, provando que n\u00e3o \u00e9 somente uma doutrina moral, mas uma lei da Natureza, e que est\u00e1 no interesse do homem pratic\u00e1-lo. Ora, ele o praticar\u00e1 quando, cessando de ver no presente o come\u00e7o e o fim, compreender\u00e1 a solidariedade que existe entre o presente, o passado e o futuro.<\/p>\n<p>No campo imenso do infinito que o Espiritismo lhe faz entrever, sua import\u00e2ncia pessoal se anula; compreende que sozinho n\u00e3o \u00e9 nada e nada pode; que todos t\u00eam necessidade uns dos outros; duplo rev\u00e9s para o seu orgulho e o seu ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>Mas, para isso, lhe \u00e9 necess\u00e1ria a f\u00e9, sem a qual ficar\u00e1 for\u00e7osamente na rotina do presente; n\u00e3o a f\u00e9 cega que foge da luz, restringe as ideias, e, por isso mesmo, mant\u00e9m o ego\u00edsmo, mas a f\u00e9 inteligente, raciocinada, que quer a clar idade e n\u00e3o as trevas, que rasga temerariamente o v\u00e9u dos mist\u00e9rios e alarga o horizonte; \u00e9 essa f\u00e9, primeiro elemento de todo o progresso, que o Espiritismo lhe traz, f\u00e9 robusta porque est\u00e1 fundada sobre a experi\u00eancia e os fatos, porque lhe d\u00e1 provas palp\u00e1veis da imortalidade de sua alma, lhe ensina de onde vem, para onde vai, e porque est\u00e1 sobre a Terra; porque, enfim, ela fixa suas ideias incertas sobre seu passado e sobre seu futuro.<\/p>\n<p>Uma vez entrado largamente nesse caminho, o ego\u00edsmo e o orgulho, n\u00e3o tendo mais as mesmas causas de superexcita\u00e7\u00e3o, se extinguir\u00e3o, pouco a pouco, por falta de objetivo e de alimento, e todas as rela\u00e7\u00f5es sociais se modificar\u00e3o sob o imp\u00e9rio da caridade e da fraternidade bem compreendidas. Isso pode chegar por uma mudan\u00e7a brusca? N\u00e3o, isso \u00e9 imposs\u00edvel: nada \u00e9 brusco na Natureza; jamais a sa\u00fade se torna, subitamente, em uma doen\u00e7a; entre a doen\u00e7a e a sa\u00fade h\u00e1 sempre a convalescen\u00e7a.<\/p>\n<p>O homem n\u00e3o pode, pois, instantaneamente, mudar seu ponto de vista, e levar os seus olhares da Terra ao c\u00e9u; o infinito o confunde e o ofusca; \u00e9 -lhe necess\u00e1rio o tempo para assimilar as ideias novas.<\/p>\n<p>O Espiritismo \u00e9, sem contradita, o mais poderoso elemento moralizador, porque mina o ego\u00edsmo e o orgulho pela base, dando um ponto de apoio \u00e0 moral: fez milagres de convers\u00f5es; n\u00e3o s\u00e3o ainda, \u00e9 verdade, sen\u00e3o cuidados individuais, e frequentemente parciais ; mas o que produziu sobre os indiv\u00edduos \u00e9 a garantia do que produzir\u00e1 um dia sobre as massas. Ele n\u00e3o pode arrancar as m\u00e1s ervas de repente; d\u00e1 a f\u00e9; a f\u00e9 \u00e9 uma boa semente, mas \u00e9 necess\u00e1rio, a essa semente, o tempo para germinar e dar frutos; eis porque todos os esp\u00edritas n\u00e3o s\u00e3o ainda perfeitos. Ele pegou o homem no meio da vida, no fogo das paix\u00f5es, na for\u00e7a dos preconceitos, e se, em tais circunst\u00e2ncias, operou prod\u00edgios, que ser\u00e1 quando o tomar em seu nascimento, virgem de todas as impress\u00f5es mals\u00e3s; quando aquele receber a caridade desde a meninice, e for embalado pela fraternidade; quando, enfim, toda uma gera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 elevada e nutrida nas ideias que a raz\u00e3o aumenta, fortificar\u00e1 em lugar de desunir? Sob o imp\u00e9rio dessas ideias, tornadas a f\u00e9 para todos, o progresso, n\u00e3o encontrando mais obst\u00e1culo no ego\u00edsmo e no orgulho, as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es se reformar\u00e3o e a Humanidade avan\u00e7ar\u00e1 rapidamente para os destinos que lhe foram prometidos sobre a Terra, esperando os do c\u00e9u.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">(Fonte. Allan Kardec. Obras P\u00f3stumas. Primeira Parte. O Ego\u00edsmo e o Orgulho. Causas, efeitos e meios de destru\u00ed-los, 1890.)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o ao conhecimento do Mundo dos Esp\u00edritos INTRODU\u00c7\u00c3O AO CONHECIMENTO DO MUNDO INVIS\u00cdVEL OU DOS ESP\u00cdRITOS, CONTENDO OS PRINC\u00cdPIOS FUNDAMENTAIS DA DOUTRINA ESP\u00cdRITA E A RESPOSTA A ALGUMAS OBJE\u00c7\u00d5ES PREJUDICIAIS. por ALLAN KARDEC As pessoas que s\u00f3 possuem do Espiritismo &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/introducao-ao-conhecimeto-do-mundo-dos-espiritos\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"aside","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,1,23,16,27,19],"tags":[],"class_list":["post-11878","post","type-post","status-publish","format-aside","hentry","category-a-familia","category-artigos","category-ciencia","category-espiritismo","category-sociedade","category-transicao","post_format-post-format-aside"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11878"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11878\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11880,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11878\/revisions\/11880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}