{"id":11896,"date":"2022-06-18T08:12:17","date_gmt":"2022-06-18T11:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=11896"},"modified":"2022-06-18T08:12:17","modified_gmt":"2022-06-18T11:12:17","slug":"a-ciencia-e-o-espiritismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-ciencia-e-o-espiritismo\/","title":{"rendered":"A Ci\u00eancia e o Espiritismo"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">A Ci\u00eancia e o Espiritismo<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Allan Kardec<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.geae.net.br\/images\/IMAGENS\/Imagens_Artigos-site\/cienciaeespiritismo.jpg\" alt=\"cienciaeespiritismo\" width=\"305\" height=\"430\" \/><\/p>\n<p>Para muita gente, a oposi\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas constitui, sen\u00e3o uma prova, pelo menos forte presun\u00e7\u00e3o contra o que quer que seja. N\u00e3o somos dos que se insurgem contra os cientistas, pois n\u00e3o queremos dar azo a que de n\u00f3s digam que escouceamos. Temo-los, ao contr\u00e1rio, em grande apre\u00e7o e muito honrados nos julgar\u00edamos se f\u00f4ssemos contados entre eles. Suas opini\u00f5es, por\u00e9m, n\u00e3o podem representar, em todas as circunst\u00e2ncias, uma senten\u00e7a irrevog\u00e1vel.<\/p>\n<p>Desde que a Ci\u00eancia sai da observa\u00e7\u00e3o material dos fatos, e trata de os apreciar e explicar, o campo est\u00e1 aberto \u00e0s conjeturas. Cada um arquiteta o seu sistemazinho, disposto a sustent\u00e1-lo com fervor, para faz\u00ea-lo prevalecer. N\u00e3o vemos todos os dias as mais opostas opini\u00f5es serem alternadamente preconizadas e rejeitadas, ora repelidas como erros absurdos, para logo depois aparecerem proclamadas como verdades incontest\u00e1veis? Os fatos, eis o verdadeiro crit\u00e9rio dos nossos ju\u00edzos, o argumento sem r\u00e9plica. Na aus\u00eancia dos fatos, a d\u00favida \u00e9 a opini\u00e3o do homem sensato.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas not\u00f3rias, a opini\u00e3o dos cientistas \u00e9, com toda raz\u00e3o, fidedigna, porquanto eles sabem mais e melhor do que o vulgo. Mas, no tocante a princ\u00edpios novos, a coisas desconhecidas, essa opini\u00e3o quase nunca \u00e9 mais do que hipot\u00e9tica, visto que eles n\u00e3o se acham, menos que os outros, sujeitos a preconceitos. Direi mesmo que o cientista tem, talvez, mais preconceitos que qualquer outro, porque uma propens\u00e3o natural o leva a subordinar tudo ao ponto de vista donde mais aprofundou os seus conhecimentos: o matem\u00e1tico n\u00e3o v\u00ea prova sen\u00e3o numa demonstra\u00e7\u00e3o alg\u00e9brica, o qu\u00edmico refere tudo \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos elementos, etc. Aquele que se fez especialista prende todas as suas ideias \u00e0 especialidade que adotou. Tirai-o da\u00ed e o vereis quase sempre desarrazoar, por querer submeter tudo ao mesmo cadinho: consequ\u00eancia da fraqueza humana. Assim, pois, consultarei, do melhor grado e com a maior confian\u00e7a, um qu\u00edmico sobre uma quest\u00e3o de an\u00e1lise, um f\u00edsico sobre a pot\u00eancia el\u00e9trica, um mec\u00e2nico sobre uma for\u00e7a motriz. H\u00e3o, por\u00e9m, de permitir-me, sem que isto afete a estima a que lhes d\u00e1 direito o seu saber especial, que eu n\u00e3o tenha em melhor conta suas opini\u00f5es negativas acerca do Espiritismo, do que o parecer de um arquiteto sobre uma quest\u00e3o de m\u00fasica.<\/p>\n<p>As ci\u00eancias ordin\u00e1rias assentam nas propriedades da mat\u00e9ria, que se pode experimentar e manipular livremente; os fen\u00f4menos esp\u00edritas repousam na a\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancias dotadas de vontade pr\u00f3pria e que nos provam a cada instante n\u00e3o se acharem subordinadas aos nossos caprichos. As observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem, portanto, ser feitas da mesma forma; requerem condi\u00e7\u00f5es especiais e outro ponto de partida. Querer submet\u00ea-las aos processos comuns de investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 estabelecer analogias que n\u00e3o existem. A Ci\u00eancia, propriamente dita, \u00e9, pois, como ci\u00eancia, incompetente para se pronunciar na quest\u00e3o do Espiritismo: n\u00e3o tem que se ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favor\u00e1vel ou n\u00e3o, nenhum peso poder\u00e1 ter. O Espiritismo \u00e9 o resultado de uma convic\u00e7\u00e3o pessoal, que os cientistas, como indiv\u00edduos, podem adquirir, abstra\u00e7\u00e3o feita da qualidade de cientistas. Pretender deferir a quest\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia equivaleria a querer que a exist\u00eancia ou n\u00e3o da alma fosse decidida por uma assembleia de f\u00edsicos ou de astr\u00f4nomos. Com efeito, o Espiritismo est\u00e1 todo na exist\u00eancia da alma e no seu estado depois da morte. Ora, \u00e9 soberanamente il\u00f3gico imaginar-se que um homem deva ser grande psicologista, porque \u00e9 eminente matem\u00e1tico ou not\u00e1vel anatomista. Dissecando o corpo humano, o anatomista procura a alma e, porque n\u00e3o a encontra, debaixo do seu escalpelo, como encontra um nervo, ou porque n\u00e3o a v\u00ea evolar-se como um g\u00e1s, conclui que ela n\u00e3o existe, colocado num ponto de vista exclusivamente material. Segue-se que tenha raz\u00e3o contra a opini\u00e3o universal? N\u00e3o. Vedes, portanto, que o Espiritismo n\u00e3o \u00e9 da al\u00e7ada da Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando as cren\u00e7as esp\u00edritas se houverem divulgado, quando estiverem aceitas pelas massas humanas (e, a julgar pela rapidez com que se propagam, esse tempo n\u00e3o vem longe), com elas se dar\u00e1 o que tem acontecido a todas as ideias novas que encontraram oposi\u00e7\u00e3o: os cientistas se render\u00e3o \u00e0 evid\u00eancia. L\u00e1 chegar\u00e3o, individualmente, pela for\u00e7a das coisas. At\u00e9 ent\u00e3o ser\u00e1 intempestivo desvi\u00e1-los de seus trabalhos especiais, para obrig\u00e1-los a se ocuparem com um assunto estranho, que n\u00e3o lhes est\u00e1 nem nas atribui\u00e7\u00f5es, nem no programa. Enquanto isso n\u00e3o se verifica, os que, sem estudo pr\u00e9vio e aprofundado da mat\u00e9ria, se pronunciam pela negativa e escarnecem de quem n\u00e3o lhes subscreve o conceito, esquecem que o mesmo se deu com a maior parte das grandes descobertas que fazem honra \u00e0 Humanidade. Exp\u00f5em-se a ver seus nomes alongando a lista dos ilustres proscritores das ideias novas e inscritos a par dos membros da douta assembleia que, em 1752, acolheu com retumbante gargalhada a mem\u00f3ria de Franklin sobre os para-raios, julgando-a indigna de figurar entre as comunica\u00e7\u00f5es que lhe eram dirigidas; e dos daquela outra que ocasionou perder a Fran\u00e7a as vantagens da iniciativa da marinha a vapor, declarando o sistema de Fulton um sonho irrealiz\u00e1vel. Entretanto, essas eram quest\u00f5es da al\u00e7ada daquelas corpora\u00e7\u00f5es. Ora, se tais assembleias, que contavam em seu seio a elite dos cientistas do mundo, s\u00f3 tiveram a zombaria e o sarcasmo para ideias que elas n\u00e3o compreendiam, ideias que, alguns anos mais tarde, revolucionaram a ci\u00eancia, os costumes e a ind\u00fastria, como esperar que uma quest\u00e3o, alheia aos trabalhos que lhes s\u00e3o habituais, alcance hoje das suas cong\u00eaneres melhor acolhimento?<\/p>\n<p>Embora deplor\u00e1veis, esses erros de alguns homens de ci\u00eancia n\u00e3o poderiam priv\u00e1-los dos t\u00edtulos que a outros respeitos conquistaram \u00e0 nossa estima. Mas ser\u00e1 precisa a posse de um diploma oficial para se ter bom-senso? Dar-se-\u00e1 que fora das c\u00e1tedras acad\u00eamicas s\u00f3 se encontrem tolos e imbecis? Dignem-se de lan\u00e7ar os olhos para os adeptos da doutrina esp\u00edrita e digam se s\u00f3 com ignorantes deparam e se a imensa legi\u00e3o de homens de m\u00e9rito que a t\u00eam abra\u00e7ado autoriza seja ela atirada ao rol das crendices de simpl\u00f3rios. O car\u00e1ter e o saber desses homens d\u00e3o peso a esta proposi\u00e7\u00e3o: pois que eles afirmam, for\u00e7oso \u00e9 reconhecer que alguma coisa h\u00e1.<\/p>\n<p>Repetimos mais uma vez que, se os fatos a que aludimos se houvessem reduzido ao movimento mec\u00e2nico dos corpos, a indaga\u00e7\u00e3o da causa f\u00edsica desse fen\u00f4meno caberia no dom\u00ednio da Ci\u00eancia. Como, por\u00e9m, se trata de manifesta\u00e7\u00f5es que se produzem fora do \u00e2mbito das leis j\u00e1 descobertas pelos homens, elas escapam \u00e0 compet\u00eancia da ci\u00eancia material, visto n\u00e3o poderem exprimir-se nem por n\u00fameros, nem por uma for\u00e7a mec\u00e2nica. Quando surge um fato novo, que n\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o com nenhuma ci\u00eancia conhecida, o cientista, para estud\u00e1-lo, tem que abstrair da sua ci\u00eancia e dizer a si mesmo que o que se lhe oferece constitui um estudo novo, imposs\u00edvel de ser feito com ideias preconcebidas.<\/p>\n<p>O homem que julga infal\u00edvel a sua raz\u00e3o est\u00e1 bem perto do erro. Mesmo aqueles cujas ideias s\u00e3o as mais falsas se apoiam na sua pr\u00f3pria raz\u00e3o, e \u00e9 por isso que rejeitam tudo o que lhes parece imposs\u00edvel. Os que outrora repeliram as admir\u00e1veis descobertas de que a Humanidade se honra, todos endere\u00e7avam seus apelos a esse juiz, para repeli-las. O que se chama raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muitas vezes sen\u00e3o orgulho disfar\u00e7ado e quem quer que se considere infal\u00edvel apresenta-se como igual a Deus. Dirigimo-nos, pois, aos que s\u00e3o suficientemente ponderados para duvidar do que n\u00e3o viram, e que, julgando do futuro pelo passado, n\u00e3o creem que o homem haja chegado ao apogeu nem que a Natureza lhe tenha facultado ler a \u00faltima p\u00e1gina do seu livro.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Fonte:<\/span> <span style=\"color: #008000;\">Allan Kardec<\/span><span style=\"color: #993300;\">. O Livro dos Esp\u00edritos. Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Doutrina Esp\u00edrita. VII. A Ci\u00eancia e o Espiritismo<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ci\u00eancia e o Espiritismo Allan Kardec Para muita gente, a oposi\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas constitui, sen\u00e3o uma prova, pelo menos forte presun\u00e7\u00e3o contra o que quer que seja. 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