{"id":12006,"date":"2022-07-23T06:50:09","date_gmt":"2022-07-23T09:50:09","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12006"},"modified":"2022-07-23T06:50:09","modified_gmt":"2022-07-23T09:50:09","slug":"espiritismo-etica-e-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/espiritismo-etica-e-conhecimento\/","title":{"rendered":"ESPIRITISMO, \u00c9TICA E CONHECIMENTO"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">ESPIRITISMO, \u00c9TICA E CONHECIMENTO<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Luiz Signates<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/www.eusemfronteiras.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/shutterstock_283821485.jpg\" alt=\"Ver a imagem de origem\" width=\"257\" height=\"182\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Resumo: Resposta \u00e0 pergunta enviada por Carlos Alberto Iglesia Bernardo sobre hierarquia, comunica\u00e7\u00e3o e \u00e9tica nas rela\u00e7\u00f5es de poder dentro do movimento esp\u00edrita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #993300;\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Sempre ouvimos que o Espiritismo n\u00e3o tem uma autoridade central, n\u00e3o tem hierarquias estruturadas, mesmo os Grupos Esp\u00edritas s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es formadas livremente por seus participantes. A defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 &#8220;Esp\u00edrita&#8221; ou &#8220;n\u00e3o \u00e9 Esp\u00edrita&#8221; vem do consenso dos Esp\u00edritas, sua conformidade com os princ\u00edpios estabelecidos por Kardec na Codifica\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita e da uniformidade dos ensinamentos transmitidos pelos Esp\u00edritos. Informa\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas por Esp\u00edritos ou grupos isolados s\u00e3o hip\u00f3teses ou opini\u00f5es pessoais at\u00e9 que o consenso se estabele\u00e7a a respeito.<\/p>\n<p>Contudo tenho dificuldades, e j\u00e1 reparei n\u00e3o ser o \u00fanico, de entender como isso funciona &#8211; ou deveria funcionar na pr\u00e1tica. Consigo ver que a comunica\u00e7\u00e3o (principalmente a escrita) desempenha um papel importante na manuten\u00e7\u00e3o da unidade do movimento esp\u00edrita &#8211; evitando que ele se decomponha em uma infinidade de &#8220;seitas&#8221;, mas n\u00e3o consigo visualizar as regras dessa comunica\u00e7\u00e3o. O consenso \u00e9 uma realidade pr\u00e1tica ou uma utopia? A comunica\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 funcionando bem dentro de uma comunidade Esp\u00edrita cada vez maior? N\u00e3o corremos o risco de alguns poucos grupos esp\u00edritas melhor estruturados absorverem a fun\u00e7\u00e3o de definir o que \u00e9 Espirita e o que n\u00e3o \u00e9 (dando nascimento a hierarquias e poderes religiosos)? \u2013 Carlos Alberto Iglesia Bernardo Acho que a discuss\u00e3o a respeito do consenso ultrapassa o interesse demarcat\u00f3rio, que \u00e9 onde se encontra a id\u00e9ia da pureza doutrin\u00e1ria e da fidelidade a Kardec, n\u00e3o raro fundante de mecanismos de exclus\u00e3o em nosso meio. Allan Kardec postulava o consenso intersubjetivo interexistencial como crit\u00e9rio epistemol\u00f3gico, isto \u00e9, como crit\u00e9rio de verdade. Gilberto Guarino, contudo, enfatiza com raz\u00e3o os problemas metodol\u00f3gicos desse crit\u00e9rio, pois sua aplicabilidade \u00e9 muito dif\u00edcil, sen\u00e3o impratic\u00e1vel.<\/p>\n<p>A sa\u00edda que tenho pensado a respeito \u00e9 observar o consenso a partir de uma perspectiva \u00e9tica, buscando uma solu\u00e7\u00e3o em que conhecimento e fraternidade se unam como uma \u00e9tica da constru\u00e7\u00e3o do saber esp\u00edrita. O que significa isso, na pr\u00e1tica? Significa que a id\u00e9ia de consenso intersubjetivo se estabelece como v\u00ednculo de fraternidade em busca de um conhecimento conjunto. A raz\u00e3o, contudo, nesse caso, n\u00e3o \u00e9 a da conformidade com conte\u00fados, e sim a dos princ\u00edpios de relacionamento. Em lugar do interesse demarcat\u00f3rio (defini\u00e7\u00e3o sociocultural do que \u00e9 e do que n\u00e3o \u00e9 esp\u00edrita, para fazer emergir um suposto \u201cEspiritismo puro\u201d, sem as influ\u00eancias afro ou orientais, por exemplo), a id\u00e9ia \u00e9 a de buscarmos a constru\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica da fraternidade vivida, justamente pela aceita\u00e7\u00e3o da diversidade e o relacionamento pac\u00edfico entre as diferen\u00e7as e, somente a partir da\u00ed, tornarmos v\u00e1lida nossa busca por conhecimento. Tal id\u00e9ia n\u00e3o procede de mim: \u00e9 de Jesus Cristo, quando afirmou, peremptoriamente:<\/p>\n<p>\u201cOs meus disc\u00edpulos ser\u00e3o conhecidos por muito se amarem\u201d, pontuando que \u201cquem n\u00e3o \u00e9 contra mim, \u00e9 por mim\u201d.<\/p>\n<p>Os postulados fundamentais dessa proposta s\u00e3o, primeiro, o de que \u201c\u00e9 esp\u00edrita todo tipo de procedimento que esteja em conformidade com a \u00e9tica de Jesus Cristo\u201d e, segundo, o de que \u201csomente dentro de tal \u00e9tica de procedimento, poderemos construir o Espiritismo como conhecimento v\u00e1lido\u201d. Os crit\u00e9rios demarcat\u00f3rios, entretanto, t\u00eam trabalhado pelo inverso: primeiro define-se o Espiritismo a partir de um conjunto de ideias at\u00e9 certo ponto dogmatizadas e, somente depois, \u00e9 que se erige uma rela\u00e7\u00e3o de fraternidade, n\u00e3o raro condicionada \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o daquele conjunto de ideias. Por isso se briga tanto no movimento esp\u00edrita em torno de quest\u00f5es que, no fundo, n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia alguma, como o corpo flu\u00eddico de Jesus ou a reencarna\u00e7\u00e3o de Allan Kardec&#8230; Tal como nos negros per\u00edodos da hist\u00f3ria do cristianismo, embora sem os mesmos mecanismos de viol\u00eancia, passamos a justificar novos tipos de guerra santa, desta vez em defesa da verdade e da pureza doutrin\u00e1rias, rompendo constantemente com a fraternidade em seu nome.<\/p>\n<p>Segundo minha humilde forma de pensar, o que expressa o Espiritismo \u2013 e, por conseguinte, aquilo que define o esp\u00edrita \u2013 s\u00e3o justamente as formas fraternas de vida que esse conhecimento desencadeia, e n\u00e3o um sistema de cren\u00e7as que, no caso do Espiritismo, arrisca-se \u00e0s vezes a erigir determinados supostos do positivismo e do racionalismo franc\u00eas do s\u00e9culo passado como verdades insofism\u00e1veis. E, para isso, como voc\u00ea muito bem pontua, erigem-se sistemas institucionalizados de poder com o privil\u00e9gio de definir o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 esp\u00edrita, sistemas esses que passar\u00e3o a disputar entre si a hegemonia de tais defini\u00e7\u00f5es. Desencadeado o processo de disputa de poder, perde-se o essencial da \u00e9tica crist\u00e3 e, uma vez mais, Jesus Cristo volta para as ruas, a fim de come\u00e7ar de novo a constru\u00e7\u00e3o do amor no mundo, do ponto onde ela parou&#8230;<\/p>\n<p>Tal \u00e9 o motivo pelo qual tenho por mim que nossa miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a de converter as pessoas para as coisas que pensamos, mas de estabelecer com elas uma rela\u00e7\u00e3o de fraternidade aut\u00eantica.<\/p>\n<p>A proposta do Espiritismo, penso eu, \u00e9 fundar no mundo a sociedade das pessoas que se amam \u2013 e o amor s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel na diversidade. Antes da rela\u00e7\u00e3o de conhecimento (o \u201cinstru\u00ed-vos\u201d) est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o de fraternidade (o \u201camai-vos\u201d), sendo que aquela somente \u00e9 espiritamente v\u00e1lida se for fundada nesta. O movimento esp\u00edrita, portanto, para ser esp\u00edrita de fato, denomine-se ou n\u00e3o desta forma, \u00e9 aquele que relativiza as pretens\u00f5es de conhecimento e funda o di\u00e1logo fraterno entre elas. Esse argumento, inclusive, tem base kardequiana: o Espiritismo foi pensado pelo codificador como progressivo; ora, o progresso do conhecimento esp\u00edrita (que se daria pela revela\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos em constante confronto com os m\u00e9todos e postulados da ci\u00eancia de cada \u00e9poca) s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em regime de di\u00e1logo cognitivo, e jamais pela funda\u00e7\u00e3o de um conjunto de conte\u00fados tidos por inamov\u00edveis.<\/p>\n<p>Nesse sentido, e para n\u00e3o cairmos no relativismo moral, define-se a busca esp\u00edrita do conhecimento pela sua \u00e9tica, esta sim, consensualizada e consensualista por natureza: a \u00e9tica da fraternidade, a partir da qual os conhecimentos humanos relativos a respeito das coisas espirituais encontrariam sempre um caldo de cultura onde pudessem mostrar suas diferen\u00e7as sem se estranharem e, sobretudo, sem o soerguimento de muros de preconceito e autoritarismo, dispensando, portanto, os movimentos de exclus\u00e3o que v\u00eam se tornando t\u00e3o comuns entre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\">Luiz Signates<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.espiritualidades.com.br\/Artigos\/S_autores\/SIGNATES_Luiz_tit_Espiritismo_Etica_e_Conhecimento.pdf\">Espiritualidade e Sociedade<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ESPIRITISMO, \u00c9TICA E CONHECIMENTO Luiz Signates Resumo: Resposta \u00e0 pergunta enviada por Carlos Alberto Iglesia Bernardo sobre hierarquia, comunica\u00e7\u00e3o e \u00e9tica nas rela\u00e7\u00f5es de poder dentro do movimento esp\u00edrita. &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. 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