{"id":12034,"date":"2022-07-31T07:33:05","date_gmt":"2022-07-31T10:33:05","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12034"},"modified":"2022-07-31T07:33:05","modified_gmt":"2022-07-31T10:33:05","slug":"trabalhando-os-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/trabalhando-os-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Trabalhando os Trabalhadores"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Trabalhando os Trabalhadores<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"color: #008000;\">\u00a0Joana Abranches<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcRCbk-S_SMAgxt6dG1TkLyDeTrFbGm0SRz25Q&amp;usqp=CAU\" alt=\"L\u00edder trabalhando em conjunto com funcion\u00e1rios e trabalhadores para  trabalhar duro com incentivo e ajuda. 363592 Vetor no Vecteezy\" \/><\/p>\n<p>Uma das coisas mais complexas no cotidiano de uma Casa Esp\u00edrita \u00e9 administrar as diferen\u00e7as comportamentais entre os trabalhadores. Aqui e ali, por um motivo ou por outro, pipocam os atritos e melindres, muitas vezes encobertos pelo sil\u00eancio em nome da \u201ccaridade\u201d, mas evidentes nos olhares atravessados, nos recadinhos indiretos e n\u00e3o raras vezes no afastamento inexplic\u00e1vel daquele companheiro que parecia t\u00e3o entusiasmado&#8230; Quando chega a este ponto \u00e9 que a guerra de persona, id\u00e9ias e vibra\u00e7\u00f5es j\u00e1 atingiu o seu ponto m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>N\u00e3o desanimemos. Onde h\u00e1 gente h\u00e1 problemas. Gra\u00e7as a Deus!&#8230; Porque onde h\u00e1 gente h\u00e1 tamb\u00e9m muito trabalho a ser feito e muita oportunidade de crescimento espiritual em contato com o outro. A grande quest\u00e3o \u00e9 como trabalhar as tais diferen\u00e7as de forma que, apesar delas, haja uma conviv\u00eancia realmente fraterna e saud\u00e1vel sem preju\u00edzo do trabalho.<\/p>\n<p>Todos somos diferentes e isso obedece a um prop\u00f3sito Divino. A natureza \u00e9 assim. Se os iguais se atraem, os diferentes se complementam. Aquilo que para mim \u00e9 prazeroso e f\u00e1cil de realizar, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 para o outro e vice-versa. \u00c9 preciso apenas saber identificar, respeitar e integrar essas diferen\u00e7as, abandonando aquele equivocado conceito de uniformidade que robotiza, que exige consenso em nome de uma harmonia question\u00e1vel e disponibilidade integral em nome da dedica\u00e7\u00e3o; Que deixa impl\u00edcita a exig\u00eancia de todos rezarmos na mesma cartilha e de estarmos aptos e dispon\u00edveis todo o tempo a todo o tipo de tarefa na Casa Esp\u00edrita se quisermos figurar no rol dos \u201ctrabalhadores da \u00faltima hora\u201d, dos \u201cescolhidos\u201d. Pronto. J\u00e1 temos a\u00ed o estere\u00f3tipo criado e \u201csacramentado\u201d. Quem n\u00e3o se enquadrar est\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o ponto. Os problemas nos Grupos Esp\u00edritas acontecem n\u00e3o por causa das diferen\u00e7as, mas pela nossa inabilidade em trabalhar com elas enquanto trabalhadores e lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Lembremos que a diversidade das flores e ramagens \u00e9 que confere a beleza e harmonia que nos encanta num jardim, mas por tr\u00e1s de tudo est\u00e1 o trabalho do paisagista, que tra\u00e7ou canteiros e reuniu esp\u00e9cies, combinando cores, formas e, sobretudo, considerando os n\u00edveis de resist\u00eancia e fragilidade para dispor a localiza\u00e7\u00e3o de cada planta. O mesmo se d\u00e1 na Institui\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita. Companheiros com caracter\u00edsticas diversas de personalidade, amadurecimento e aptid\u00e3o podem estabelecer uma perfeita harmonia em sua diversidade. Mas o \u201cpaisagismo\u201d cabe aos dirigentes.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o conhece no seu grupo, por exemplo, algu\u00e9m que se encaixe no perfil trabalhador \u201cFaz-tudo\u201d? Isso mesmo. Ele parece ter mil e uma utilidades. Din\u00e2mico, dispon\u00edvel, \u00e1gil, este companheiro pode ser extremamente \u00fatil na execu\u00e7\u00e3o de atividades pr\u00e1ticas. Mas n\u00e3o o chame para reuni\u00f5es de planejamento porque ou n\u00e3o vai comparecer ou vai cochilar. Para ele \u00e9 um mart\u00edrio ficar parado.<\/p>\n<p>J\u00e1 tem aquele que \u00e9 o \u201cviajante de plant\u00e3o\u201d; \u00e9 aquele companheiro idealista, que sonha, faz projetos para o futuro e de vez em quando chega com uma id\u00e9ia fant\u00e1stica que ele jura que foi uma inspira\u00e7\u00e3o do mundo espiritual (e n\u00e3o importa de onde venha se for vi\u00e1vel e positiva). Excelente para atuar no planejamento, estrutura\u00e7\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o das atividades, com ele em cena n\u00e3o h\u00e1 acomoda\u00e7\u00e3o que resista. Est\u00e1 sempre propondo, ousando, criando, buscando alternativas inovadoras para a solu\u00e7\u00e3o de velhos problemas de uma forma que \u201cningu\u00e9m tinha pensado nisso antes&#8230;\u201d Mas na hora de desmontar uma mesa&#8230; \u00e9 parafuso pra todo lado e martelada no dedo.<\/p>\n<p>Ah, e que grupo n\u00e3o tem o \u201ccertinho\u201d? Extremamente racional e organizado, tudo ele anota, quantifica, formaliza. Para ele tudo tem que estar \u201cpreto no branco\u201d. Quem melhor para atuar na \u00e1rea administrativa? Afinal, registrar, fazer contas, controlar e distribuir recursos na medida certa \u00e9 com ele mesmo.<\/p>\n<p>Por outro lado, temos o \u201cartista\u201d, aquele que n\u00e3o abre m\u00e3o do l\u00fadico e est\u00e1 sempre a inserir m\u00fasica, teatro e outras manifesta\u00e7\u00f5es de arte em todas as atividades. Gra\u00e7as ao seu esp\u00edrito sens\u00edvel e talentoso as reuni\u00f5es comemorativas v\u00e3o estar salpicadas daquela chama de emo\u00e7\u00e3o e entusiasmo t\u00e3o necess\u00e1ria para reabastecer os \u00e2nimos e impulsionar pra frente. Ideal para desenvolver trabalhos que envolvam crian\u00e7as e jovens, este companheiro sacode a mesmice, d\u00e1 aquele toque de motiva\u00e7\u00e3o e estimula como ningu\u00e9m a integra\u00e7\u00e3o fraterna.<\/p>\n<p>N\u00e3o poder\u00edamos esquecer ainda do \u201cpaiz\u00e3o\u201d ou \u201cm\u00e3ezona\u201d do grupo. Afetivos, sens\u00edveis, conciliadores, os companheiros com este perfil tem o poder de unir, reunir, apaziguar, conferir um sentido real de fam\u00edlia \u00e0 equipe. Sua habilidade em promover o di\u00e1logo e quebrar resist\u00eancias quando h\u00e1 conflitos \u00e9 imensa porque falam diretamente ao cora\u00e7\u00e3o dos demais. Queridos e respeitados pelo amor e equil\u00edbrio que irradiam, esses irm\u00e3os s\u00e3o fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o da paz na Institui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o elementos que, entre outros, podem dar uma contribui\u00e7\u00e3o important\u00edssima nas reuni\u00f5es de Atendimento Fraterno, pois possuem um elevado grau de afetividade que os disp\u00f5e naturalmente a acolher e abra\u00e7ar os que sofrem.<\/p>\n<p>Temos ainda o introspectivo, o extrovertido, o estudioso, o afoito, o ponderado, o questionador, o acomodado, o \u201cmodernoso\u201d, o conservador e por a\u00ed vai. E quem de n\u00f3s se aventuraria a discorrer sobre a maior ou menor import\u00e2ncia deste ou daquele trabalhador, conforme os perfis aqui relacionados?<\/p>\n<p>Na verdade, todos se completam. Todos s\u00e3o insubstitu\u00edveis e indispens\u00e1veis em suas peculiaridades porque &#8211; enquanto n\u00e3o conseguimos ser perfeitos &#8211; este \u00e9 um excelente exerc\u00edcio de aperfei\u00e7oamento, j\u00e1 que \u00e9 imprescind\u00edvel aparar as arestas para nos encaixar nesse desafiador quebra cabe\u00e7as que \u00e9 formar uma equipe onde somos chamados a trabalhar para nada mais nada menos do que Jesus.<\/p>\n<p>Quando interiorizamos isto buscamos o entendimento. E quando buscamos o entendimento &#8211; olhem s\u00f3 que coisa maravilhosa! \u2013 as pe\u00e7as se encaixam. Enquanto uns sonham outros ponderam, enquanto uns planejam outros concretizam, enquanto uns organizam outros adornam, enquanto uns s\u00e3o m\u00fasica outros s\u00e3o livro, enquanto uns s\u00e3o sil\u00eancio outros s\u00e3o sonoridade. E assim vamos n\u00f3s. Trabalhando com as diferen\u00e7as e assegurando a continuidade da obra. Enquanto isso estamos crescendo, amadurecendo, aprendendo a fazer concess\u00f5es, a ser voto vencido, a discordar sem \u201crosnar\u201d e tantos outros exerc\u00edcios de reforma \u00edntima.<\/p>\n<p>O grande e real problema \u00e9 este radicalismo autorit\u00e1rio ainda t\u00e3o impregnado nas lideran\u00e7as, que inadvertidamente imp\u00f5em o enquadramento de seres diferentes em um padr\u00e3o de comportamento r\u00edgido e \u00fanico. Todo mundo tem que pensar igual, tem que ter a mesma disponibilidade, sen\u00e3o \u00e9 sinal de que n\u00e3o se esfor\u00e7ou o suficiente. Algu\u00e9m a\u00ed tem um \u201cesfor\u00e7\u00f4metro\u201d?<\/p>\n<p>Sim, porque para medir o quanto cada companheiro est\u00e1 se esfor\u00e7ando para dar a sua contribui\u00e7\u00e3o, mesmo que aparentemente pequena, precisar\u00edamos de um.<\/p>\n<p>O segredo \u00e9 nos valer das diferen\u00e7as para potencializar o trabalho. Ningu\u00e9m espere mar de rosas. Imposs\u00edvel n\u00e3o haver conflito onde existe diversidade, imperfei\u00e7\u00e3o e for\u00e7as espirituais contr\u00e1rias prontas para acionar o estopim do orgulho e da vaidade t\u00e3o presentes ainda em todos n\u00f3s. Aqui \u00e9 aquele companheiro veterano que rejeita as novas id\u00e9ias dos rec\u00e9m-chegados porque s\u00f3 ele \u00e9 o detentor absoluto da experi\u00eancia; ali \u00e9 outro que chega querendo mudar tudo, desconsiderando aqueles que ali j\u00e1 estavam muito antes da sua chegada construindo o que ele encontrou; Acol\u00e1 \u00e9 aquele que quer colocar o mundo dentro da casa esp\u00edrita; mais al\u00e9m \u00e9 aquele outro que quer tirar a casa esp\u00edrita do mundo&#8230; e um sem fim de situa\u00e7\u00f5es corriqueiras no cotidiano esp\u00edrita.<\/p>\n<p>Cabe \u00e0s lideran\u00e7as estabelecer um processo de observa\u00e7\u00e3o e pacifica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 que se administrar os conflitos para que as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam abaladas, pois o relacionamento interpessoal \u00e9 a coluna vertebral da Casa Esp\u00edrita; se ele est\u00e1 abalado, n\u00e3o se caminha ou se caminha para o caos. E n\u00e3o adianta julgar. N\u00e3o adianta vir com aquele discurso que o fulano \u00e9 esp\u00edrita e deveria agir assim ou assado, porque todos n\u00f3s sentimos na pele a dificuldade de sermos na pr\u00e1tica tudo o que, teoricamente, sabemos que precisamos ser. Como j\u00e1 dizia o meu velho e s\u00e1bio av\u00f4 \u201cmuitas pessoas entraram para o Espiritismo, mas o Espiritismo ainda n\u00e3o entrou nelas\u201d&#8230; e por falar nisso&#8230; Ser\u00e1 que o Espiritismo, de verdade, j\u00e1 \u201centrou\u201d em n\u00f3s de forma tal que nos confira autoridade para avaliar os demais companheiros como bons ou maus esp\u00edritas? H\u00e1 que se ter a humildade de admitir que todos estamos engatinhando em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o moral que nos far\u00e1 o verdadeiro esp\u00edrita que ainda n\u00e3o somos. S\u00f3 assim trocaremos o dedo em riste por m\u00e3os unidas no mesmo esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Um eficaz ant\u00eddoto contra os atritos \u00e9 promover a avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica das atividades do grupo. Mas avaliar n\u00e3o \u00e9 colocar os companheiros no pared\u00e3o. Avaliar \u00e9 reunir todos os trabalhadores sistematicamente, num clima familiar, onde todos s\u00e3o ouvidos de forma democr\u00e1tica e imparcial; \u00e9 levar a equipe a se debru\u00e7ar sobre o que est\u00e1 sendo feito, discutir sobre as dificuldades e possibilidades, mantendo, aperfei\u00e7oando ou corrigindo a rota onde for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 tamb\u00e9m urgente repensar as decis\u00f5es de cima pra baixo. N\u00e3o raro, a diretoria decide e os demais trabalhadores executam, sem que de alguma forma tenham sido ouvidos enquanto elementos fundamentais para a execu\u00e7\u00e3o das tarefas. Questionar nem pensar, sob pena de serem inclu\u00eddos imediatamente no tratamento de desobsess\u00e3o diante da afirmativa paternalista que \u00a0\u201co nosso irm\u00e3o est\u00e1 precisando muito de preces&#8230;\u201d esta \u00e9 a pena impiedosa de descredibiliza\u00e7\u00e3o \u201ccaridosamente\u201d imputada \u00e0queles que ousam \u201csubverter\u201d a ordem vigente.<\/p>\n<p>E diante disto a gente se pergunta: Quando \u00e9 que n\u00f3s esp\u00edritas vamos conseguir estabelecer a diferen\u00e7a entre hierarquia e autoritarismo? Quando \u00e9 que vamos parar de medir o valor dos companheiros pelos cargos que ocupam ou pelos t\u00edtulos que ostentam? Quando \u00e9 que vamos parar, enquanto dirigentes, de usar os trabalhadores enquanto m\u00e3o de obra passiva para projetos que n\u00e3o s\u00e3o de todos, mas de alguns? Quando \u00e9 que vamos parar de tomar questionamentos leg\u00edtimos como ofensas pessoais e influ\u00eancia de obsessores? J\u00e1 passou da hora de abandonar tais heran\u00e7as reacion\u00e1rias de exist\u00eancias passadas e avan\u00e7ar para a postura simples, respeitosa e justa que minimamente se espera de uma lideran\u00e7a esp\u00edrita.<\/p>\n<p>A sa\u00edda \u00e9 um di\u00e1logo constante, fraterno e o mais transparente poss\u00edvel, recorrendo a uma conversa amorosa, n\u00e3o s\u00f3 nas reuni\u00f5es regulares de avalia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o momento certo de refletir sobre o que n\u00e3o anda bem, mas buscando este di\u00e1logo no cotidiano da Institui\u00e7\u00e3o &#8211; em n\u00edvel individual ou coletivo &#8211; sempre que os problemas surgirem. Omiss\u00e3o por medo de provocar ruptura \u00e9 um equ\u00edvoco. Se n\u00e3o criamos coragem de pegar o boi pelos chifres, intervindo junto aos conflitos e diverg\u00eancias quando necess\u00e1rio, estaremos perigosamente contribuindo para que se avolumem. Esconder os problemas n\u00e3o nos liberta deles, pelo contr\u00e1rio, faz com que ganhem for\u00e7a. E de repente l\u00e1 est\u00e3o eles, nas conversas de corredor, nos afastamentos repentinos ou nos debates acalorados em momentos impr\u00f3prios, determinando de forma totalmente negativa a din\u00e2mica das rela\u00e7\u00f5es e, consequentemente, da Institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Poeira acumulada debaixo do tapete leva a uma alergia tal que aos poucos vai tornando imposs\u00edvel a perman\u00eancia no ambiente, ou seja, se fecharmos os olhos \u00e0s dificuldades, quando os abrirmos poderemos tristemente constatar o esvaziamento da Casa, de forma literal ou pior: O desencanto, a aus\u00eancia da fraternidade leg\u00edtima, a presen\u00e7a pela \u201cobrigatoriedade\u201d de cumprir o compromisso e n\u00e3o pela alegria de estar junto, que \u00e9 a base de tudo.<\/p>\n<p>A responsabilidade \u00e9 grande. Se n\u00e3o quisermos ser \u201ccegos a guiar cegos\u201d, precisamos compreender que conhecimento doutrin\u00e1rio, por si s\u00f3, n\u00e3o habilita ningu\u00e9m a estar \u00e0 frente de Institui\u00e7\u00f5es Esp\u00edritas. \u00c9 preciso tamb\u00e9m muita autocr\u00edtica e um m\u00ednimo de humildade. Quando convidados a assumir a lideran\u00e7a de nossos grupos, antes devemos nos perguntar se temos perfil para tal, se temos equil\u00edbrio suficiente para atuar como mediadores, aglutinadores, pacificadores, como l\u00edderes e n\u00e3o chefes ou donos de coisa alguma, porque sen\u00e3o, ao menor estranhamento vamos ser os primeiros a pegar a nossa malinha e sair por a\u00ed atr\u00e1s do ut\u00f3pico grupo ideal, deixando para tr\u00e1s companheiros divididos e desnorteados.<\/p>\n<p>As chances de \u00eaxito s\u00e3o infinitamente maiores quando nos dispomos a exercitar esse tal amor, que n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o long\u00ednquo quanto podemos supor; que come\u00e7a se expressando simplesmente pela valoriza\u00e7\u00e3o dos pontos positivos dos companheiros, em detrimento dos negativos que possam ter; que se faz presente no exerc\u00edcio da toler\u00e2ncia, n\u00e3o porque somos bonzinhos e amamos todos os companheiros de forma igual &#8211; porque isto n\u00e3o acontece nesse est\u00e1gio em que nos encontramos &#8211; mas porque temos consci\u00eancia de que todos estamos no mesmo barco em termos de defici\u00eancias espirituais e que cada um precisa da toler\u00e2ncia do outro.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o buscarmos nutrir pelos companheiros esse amor poss\u00edvel, vamos continuar brincando de esp\u00edrita bonzinho e, no fundo, s\u00f3 nos aturando, assim como qualquer profissional no seu ambiente de trabalho. Mas se existir afeto, a gente cede aqui, cede ali ou n\u00e3o cede, porque existem coisas que n\u00e3o d\u00e1 para transigir, mas diz o que tem que dizer de uma forma sincera, por\u00e9m amorosa, fraterna e, lembrando Jesus, vamos conversando com o nosso irm\u00e3o em reservado \u201ce se ele vos entender\u201d, diz o mestre, \u201cent\u00e3o tereis ganho o vosso irm\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil?&#8230; Mas quem foi que disse que \u00e9 f\u00e1cil evoluir&#8230; e que se evolui sem conviver?!?<\/p>\n<p>Pensemos nisto.<\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Joana Abranches<\/span> &#8211; Assistente Social e Presidente da Sociedade Esp\u00edrita Amor Fraterno \u2013 Vit\u00f3ria\/ES<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.espiritualidades.com.br\/Artigos\/A_autores\/ABRANCHES_Joana_tit_Trabalhando_os_Trabalhadores.htm\">Espiritualidade e Sociedade<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhando os Trabalhadores \u00a0Joana Abranches Uma das coisas mais complexas no cotidiano de uma Casa Esp\u00edrita \u00e9 administrar as diferen\u00e7as comportamentais entre os trabalhadores. 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