{"id":12037,"date":"2022-08-01T10:05:19","date_gmt":"2022-08-01T13:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12037"},"modified":"2022-08-01T10:08:13","modified_gmt":"2022-08-01T13:08:13","slug":"somos-os-construtores-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/somos-os-construtores-do-mundo\/","title":{"rendered":"Somos os Construtores do Mundo"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Somos os Construtores do Mundo<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Jos\u00e9 Herculano Pires<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/th.bing.com\/th\/id\/OIP.A2C30IUQkkmOmCTl8kZYXgHaFz?w=202&amp;h=180&amp;c=7&amp;r=0&amp;o=5&amp;pid=1.7\" alt=\"Resultado de imagem para jos\u00e9 herculano pires imagem\" \/><span style=\"color: #993300;\">O final deste importante artigo, o intert\u00edtulo &#8220;Uma Tomada de Consci\u00eancia&#8221;, tem sido divulgado erroneamente sob o t\u00edtulo deste ensaio, que abrange diversas outras quest\u00f5es, n\u00e3o necessariamente as restritas ao movimento esp\u00edrita. Inspirados neste artigo, v\u00e1rios eventos esp\u00edritas foram organizados, debates e confraterniza\u00e7\u00f5es de jovens esp\u00edritas. Devido \u00e0 sua profundidade e import\u00e2ncia hist\u00f3rica, o PENSE publicou na \u00edntegra este que \u00e9 um dos mais inflamados e apaixonados textos do mestre Herculano Pires (1914-1979), jornalista e escritor esp\u00edrita, um dos maiores pensadores esp\u00edritas do s\u00e9culo 20. Publicado no peri\u00f3dico &#8220;Mensagem&#8221;, do qual era editor, em setembro de 1975, o texto foi redigido em meio a conflitos entre o &#8216;Guarda Noturno do Espiritismo&#8217; e a Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita do Estado de S\u00e3o Paulo (Feesp), devido a uma tradu\u00e7\u00e3o adulterada de &#8220;O Evangelho Segundo o Espiritismo&#8221;, feita pela Feesp e que foi denunciada por Herculano.<\/span><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p>Os profetas da trag\u00e9dia falam em cataclismos geol\u00f3gicos, guerra nuclear, guerra bacteriol\u00f3gica, pestes, epidemias arrasadoras para este \u00faltimo quartel do s\u00e9culo 20. Aves agoureiras anunciam a fome mundial pelo aumento da popula\u00e7\u00e3o terrena, o desaparecimento da atmosfera planet\u00e1ria por efeito de explos\u00f5es at\u00f4micas, da devasta\u00e7\u00e3o das matas, da polui\u00e7\u00e3o ambiental. Estar\u00edamos numa fase de contradi\u00e7\u00f5es insan\u00e1veis. O progresso acelerado nos levaria fatalmente \u00e0 desgra\u00e7a total, ao cumprimento das profecias apocal\u00edticas, ao fim do mundo.<\/p>\n<p>Apesar deles e dos alarmistas que propagam as suas ideias mort\u00edferas, dos terroristas do boato, h\u00e1 homens sensatos, cientistas ponderados, futur\u00f3logos que n\u00e3o se engajam no jogo dos trustes do medo. Estes procuram mostrar, atrav\u00e9s de dados concretos e racioc\u00ednios objetivos, que as crises atuais que enfrentamos s\u00e3o sintomas de desenvolvimento, comuns a todos os processos de crescimento. Outros, como Isaac Asimov, fazendo concess\u00f5es \u00e0s mentes delirantes, sugerem solu\u00e7\u00f5es curiosas de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: a coloniza\u00e7\u00e3o da Lua e de Marte, a constru\u00e7\u00e3o de cidades submarinas e cidades espaciais, o controle maci\u00e7o da natalidade, a aplica\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos qu\u00edmicos para a redu\u00e7\u00e3o do tamanho do homem e assim por diante. Milh\u00f5es de criaturas humanas poderiam viver em cidades met\u00e1licas, constru\u00eddas em funis gigantescos localizados em zonas intermedi\u00e1rias da gravita\u00e7\u00e3o terrena e da gravita\u00e7\u00e3o lunar.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que estamos numa era apocal\u00edtica, semelhante a que houve na Palestina na antev\u00e9spera do advento do Cristianismo, quando as profecias da destrui\u00e7\u00e3o constitu\u00edam o alimento preferido do sadismo coletivo. Foi precisamente dessas profecias que resultou o Apocalipse evang\u00e9lico atribu\u00eddo ao ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, que o teria recebido do pr\u00f3prio Cristo na ilha de Patmos. Essa vis\u00e3o judaica do fim do mundo foi considerada por Renan, Harnak, Guignebert e outros investigadores conscienciosos como um livro ap\u00f3crifo, referente \u00e0 queda do Imp\u00e9rio Romano, e por mero equ\u00edvoco anexado \u00e0s p\u00e1ginas do Evangelho. Mas quem poderia convencer disso os piedosos adeptos das religi\u00f5es do terror, cuja f\u00e9 nas desgra\u00e7as vindouras \u00e9 hoje alentada e alimentada pelas novas previs\u00f5es de cat\u00e1strofes?<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">O HOMEM \u00c9 O PERIGO<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Essas vis\u00f5es remotas de um tempo h\u00e1 muito superado s\u00e3o hoje exploradas pelos grupos interessados em manter o mundo nas garras. H\u00e1 perigo, sem d\u00favida, numa fase de transi\u00e7\u00e3o como a em que nos encontramos. Mas o perigo n\u00e3o vem do c\u00e9u, da ira de Deus, da instala\u00e7\u00e3o do Tribunal do Messias entre as nuvens, com anjos tocando trombetas assustadoras nos pontos cardiais da Terra e os mortos ressuscitando sob nevoeiros at\u00f4micos, com seus corpos mortais reconstitu\u00eddos pela vingan\u00e7a divina. Essas apreens\u00f5es il\u00f3gicas e rid\u00edculas, muitas vezes pregadas do p\u00falpito das igrejas crist\u00e3s, de tribunas esp\u00edritas e at\u00e9 mesmo de c\u00e1tedras universit\u00e1rias, devolvem-nos \u00e0 era das civiliza\u00e7\u00f5es primitivas, agr\u00e1rias e pastoris, e aos terrores do mundo mitol\u00f3gico ou dos sermon\u00e1rios medievais. O perigo existe e esse perigo \u00e9 o homem, somos n\u00f3s mesmos. Uma guerra nuclear n\u00e3o seria desencadeada pelos astros ou pela ira de Deus, mas pelos homens respons\u00e1veis pelo equil\u00edbrio do mundo social, do mundo humano. O mundo natural, constitu\u00eddo pela Natureza, sofreria as consequ\u00eancias da loucura humana, mas poderia recuperar, atrav\u00e9s de suas leis de equil\u00edbrio e conserva\u00e7\u00e3o, as zonas devastadas.<\/p>\n<p>A ideia de que o homem pode destruir o mundo prov\u00e9m de dois elementos de concep\u00e7\u00f5es antiquadas, hoje inaceit\u00e1veis:<\/p>\n<p>1.) O orgulho humano, que pretende sobrepor a fragilidade da criatura \u00e0 onipot\u00eancia do Criador;<\/p>\n<p>2.) A cren\u00e7a ing\u00eanua nos poderes m\u00e1gicos, segundo a qual os m\u00e1gicos podiam destruir as coisas, os seres e o pr\u00f3prio mundo com simples sinais cabal\u00edsticos.<\/p>\n<p>O aumento do conhecimento cient\u00edfico provoca vertigens em c\u00e9rebros pouco est\u00e1veis, pouco seguros, e a vaidade natural da esp\u00e9cie faz certos homens pensarem que descobriram a chave da Natureza e podem manipul\u00e1-la com seus novos instrumentos t\u00e9cnicos, que lhes d\u00e3o um acr\u00e9scimo enorme de poder. Por outro lado, o pensamento m\u00e1gico, sempre necessariamente contradit\u00f3rio, aceita a exist\u00eancia do G\u00eanio Maligno de Descartes (simples hip\u00f3tese de pesquisa) e transforma Deus numa esp\u00e9cie de Frankenstein, um ser dotado de dupla personalidade, capaz de amar e odiar ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Mas se compreendermos, para come\u00e7ar, que Deus n\u00e3o \u00e9 uma personalidade humana, mas um centro c\u00f3smico de intelig\u00eancia e poder, que mant\u00e9m n\u00e3o apenas o equil\u00edbrio da Natureza, da Terra e do Sistema Solar, mas de todo o Cosmos, com sua infinidade de gal\u00e1xias, em que milh\u00f5es e milh\u00f5es de mundos existem, ent\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil entendermos a fal\u00e1cia e o del\u00edrio dessas profecias terroristas. A Terra \u00e9 um gr\u00e3o de areia no infinito, de maneira que o temporal desencadeado nela pelo homem seria bem menos do que uma tempestade num copo d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">UMA VIS\u00c3O REAL<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Os estudiosos, os pesquisadores, os cientistas honestos advertem-nos contra os abusos do poder humano, que podem causar muitos males desequilibrando o meio ambiente. Mas reconhecem, como vimos ainda recentemente no Congresso Internacional de Belgrado sobre a quest\u00e3o populacional, que a situa\u00e7\u00e3o desastrosa do planeta refere-se a determinadas zonas superpovoadas, como os grandes centros urbanos, as na\u00e7\u00f5es altamente industrializadas, e n\u00e3o a toda a Terra. Enquanto, por exemplo, as megal\u00f3poles crescem envenenadas pelos seus pr\u00f3prios excessos industriais, as vastas zonas campestres se despovoam. A Terra tem capacidade para uma popula\u00e7\u00e3o muitas vezes maior do que a atual e do que a prevista pelos futur\u00f3logos para os pr\u00f3ximos anos. A falta de alimentos n\u00e3o decorre da falta de produtividade, mas da falta de transportes e distribui\u00e7\u00e3o equitativa do alimento produzido. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o problema evidente da falta de distribui\u00e7\u00e3o dos recursos financeiros, da falta de revis\u00e3o da estrutura econ\u00f4mica mundial, sujeita cada vez mais a colapsos provenientes de suas defici\u00eancias, de seus clamorosos desequil\u00edbrios.<\/p>\n<p>Cabe ao homem reestruturar os seus esquemas sociais, reajustando-os \u00e0 necessidade de harmonia e equil\u00edbrio da vida planet\u00e1ria. Cabe ao homem encarar esses problemas por um prisma human\u00edstico, em que prevale\u00e7a o princ\u00edpio do respeito \u00e0 criatura humana, acima da defesa de princ\u00edpios sociais e econ\u00f4micos que estabeleceram regimes de privil\u00e9gios desumanos em todo o mundo, ainda vigentes, sustentados e estimulados tanto na chamada \u00e1rea socialista, quanto na \u00e1rea do capitalismo ou neocapitalismo, tanto nos pa\u00edses desenvolvidos, quanto nos subdesenvolvidos ou em processo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Delegar a entidades divinas o que nos compete ou querer investir contra as divindades, como novos Prometeus que pretendam roubar o fogo do c\u00e9u, \u00e9 simples manobra de fuga ao cumprimento de nossas responsabilidades imediatas. Os princ\u00edpios evang\u00e9licos, a evolu\u00e7\u00e3o do Direito, a Carta dos Direitos Humanos, o avan\u00e7o do pensamento filos\u00f3fico, o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, o amadurecimento da raz\u00e3o, todos esses fatores e muitos outros abrem perspectivas novas para a solu\u00e7\u00e3o dos nossos problemas sociais, culturais e econ\u00f4micos. Mas, os interesses constitu\u00eddos e a cegueira da maioria das criaturas (ou a miopia coletiva) impedem a a\u00e7\u00e3o eficaz para essa solu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o precisamos de cidades em funis met\u00e1licos no espa\u00e7o sideral. Aqui mesmo, na Terra, h\u00e1 lugares de sobra para a multiplica\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel de nossos centros urbanos. O neomaltusanismo dos nossos dias \u00e9 ainda mais desarrazoado que o de Malthus. Nossas possibilidades de produ\u00e7\u00e3o de alimentos cresceram em progress\u00e3o geom\u00e9trica, gra\u00e7as ao desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico. O que nos falta \u00e9 o controle, a ordena\u00e7\u00e3o precisa e rigorosa dessas possibilidades, para que os perigos humanos que nos amea\u00e7am sejam superados.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">ADMINISTRA\u00c7\u00c3O TERRENA<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Dos seus voos heroicos, hoje insignificantes ante o progresso espantoso dos voos aeron\u00e1uticos e astron\u00e1uticos, Saint-Exup\u00e9ry chegou \u00e0 conclus\u00e3o que deu t\u00edtulo ao seu livro famoso: &#8220;Terra dos Homens&#8221;. Tinha raz\u00e3o o poeta-voador. A Terra \u00e9 nossa. Foi o ninho em que nascemos e nos desenvolvemos. Mas ainda n\u00e3o aprendemos a administr\u00e1-la. A reduzida popula\u00e7\u00e3o terrena dos mil\u00eanios transcorridos, confinada em zonas determinadas do planeta, com suas civiliza\u00e7\u00f5es ilhadas, legou-nos a experi\u00eancia das administra\u00e7\u00f5es locais, reduzidas a t\u00e9cnicas dispersivas, desligadas da vis\u00e3o universal que o Cristianismo nos traria. Aprendemos a administrar pequenas na\u00e7\u00f5es, mesmo quando situadas em grandes territ\u00f3rios, e a lei da in\u00e9rcia, dominante na est\u00e1tica social e anquilosada nas tradi\u00e7\u00f5es regionais, consagrou princ\u00edpios inadequados, impondo-os ao mundo mais vasto e rico do futuro (hoje convertido em presente) como se tivessem validade universal e eterna. Percebemos isso, sentimos o desajuste, mas os interesses criados e a ambi\u00e7\u00e3o estimulada continuam a agir como meios de conten\u00e7\u00e3o do processo renovador.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o cultural deu-nos a possibilidade de compreender Deus em plano superior, mas as nossas defici\u00eancias de forma\u00e7\u00e3o impedem essa compreens\u00e3o e ainda nos amarram a condicionamentos embara\u00e7osos. N\u00e3o somos capazes de entender a senha l\u00edrica de Saint-Exup\u00e9ry e transformar o planeta na Terra dos Homens. N\u00e3o compreendemos sequer a responsabilidade de organiza\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, que decorre de nosso pr\u00f3prio livre-arb\u00edtrio, de nossa pr\u00f3pria liberdade. Apelamos para esquemas r\u00edgidos e desumanos, baseados em processos de viol\u00eancia e opress\u00e3o, esquecidos do princ\u00edpio fundamental da fraternidade humana. Falamos em igualdade de direitos, em distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, em oportunidades para todos, e continuamos a agir como bar\u00f5es feudais, sem for\u00e7as para rejeitar os sistemas de escravid\u00e3o e servid\u00e3o que nos v\u00eam do passado remoto.<\/p>\n<p>Diante do sentimento de impot\u00eancia gerado por essa situa\u00e7\u00e3o e pelas dolorosas experi\u00eancias recentes de solu\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, impostas pela for\u00e7a, com o esmagamento das liberdades humanas, com o desrespeito \u00e0 dignidade da criatura humana, apelamos para a descren\u00e7a nos valores do esp\u00edrito e mergulhamos no caos das concep\u00e7\u00f5es materialistas e pragmatistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 Deus, nem quaisquer outras divindades, que nos amea\u00e7am com flagelos destruidores. Somos n\u00f3s mesmos, os homens, os produtores de flagelos, os criadores de cataclismos.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">DESENVOLVIMENTO DA INTELIG\u00caNCIA<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Desenvolvemos a intelig\u00eancia de maneira assombrosa. Reclamamos a falta de g\u00eanios, em compara\u00e7\u00e3o com as idades de ouro do passado, e n\u00e3o percebemos que temos mais ouro do que nunca e por isso mesmo os g\u00eanios n\u00e3o alcan\u00e7am o destaque e a fama de outras eras. Aludimos ao inconsciente coletivo e n\u00e3o vemos o arejamento da consci\u00eancia coletiva, o crescimento da intelig\u00eancia no povo, nas massas.<\/p>\n<p>Costuma-se atribuir \u00e0 influ\u00eancia dos novos meios de comunica\u00e7\u00e3o a precocidade mental das crian\u00e7as de hoje, esquecendo-se que a evolu\u00e7\u00e3o natural da intelig\u00eancia determinou o aprimoramento e a expans\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. As novas gera\u00e7\u00f5es manifestam-se inquietas, criando problemas, suscitando crises morais, pol\u00edticas e sociais. Como afirma Ingenieros: &#8220;A juventude toca a rebate em toda renova\u00e7\u00e3o&#8221;. Dewey acentuou a import\u00e2ncia da reelabora\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias pelas novas gera\u00e7\u00f5es. Cada jovem \u00e9 um projeto de realiza\u00e7\u00f5es renovadoras, em maior ou menor medida, e n\u00e3o temos o direito de frustr\u00e1-los com o nosso temor do futuro. Eles, os jovens, s\u00e3o o futuro e temos de ajud\u00e1-los na realiza\u00e7\u00e3o de suas aspira\u00e7\u00f5es, integrando-os nas experi\u00eancias atuais e preparando-os para o amanh\u00e3.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o conservadora das velhas gera\u00e7\u00f5es decorre do instinto natural de conserva\u00e7\u00e3o. Faz parte do processo evolutivo, como for\u00e7a moderadora dos impulsos de renova\u00e7\u00e3o. Mas os jovens representam a renova\u00e7\u00e3o em marcha e cabe-nos o dever de procurar compreend\u00ea-los, nunca o de exclui-los ou de querer reduzi-los a conservadores for\u00e7ados ou fingidos. As velhas gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o passando e as novas poder\u00e3o impor-se atrav\u00e9s de processos violentos, como rea\u00e7\u00e3o \u00e0s opress\u00f5es sofridas.<\/p>\n<p>O grau atual de desenvolvimento da intelig\u00eancia humana permite-nos compreender perfeitamente esse processo da dial\u00e9tica da evolu\u00e7\u00e3o e contribuirmos para manter o equil\u00edbrio necess\u00e1rio na fase de transi\u00e7\u00e3o que atravessamos. Muitos pedagogos, como Dewey, Kilpatrick, Hubert, Kerschensteiner, lutaram e v\u00eam lutando para estabelecer um tipo adequado de educa\u00e7\u00e3o a uma civiliza\u00e7\u00e3o em mudan\u00e7a. Essa adequa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode prescindir de uma compreens\u00e3o mais ampla do problema espiritual, superando o equ\u00edvoco do laicismo e da forma\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria de tipo igrejeiro. A Educa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita apresenta-se como mediadora para a solu\u00e7\u00e3o desse problema, oferecendo contribui\u00e7\u00f5es decisivas, mas infelizmente o pr\u00f3prio meio esp\u00edrita n\u00e3o se mostra capaz de compreender o que seja educa\u00e7\u00e3o esp\u00edrita.<\/p>\n<p>A \u00fanica revista especializada do mundo, nesse setor de import\u00e2ncia vital para este momento, foi lan\u00e7ada em S\u00e3o Paulo pela editora Edicel, sem finalidade comercial e n\u00e3o est\u00e1 podendo sustentar-se, ante o desinteresse geral, que abrange at\u00e9 mesmo a rede escolar esp\u00edrita. A intelig\u00eancia esp\u00edrita, apegada a um misticismo antidoutrin\u00e1rio, revela-se t\u00e3o inepta quanto os rabinos do Templo de Jerusal\u00e9m, no tempo de Jesus, para compreender o seu dever na hora atual. Essa \u00e9 uma responsabilidade muito mais grave do que geralmente se pensa, nesta hora de transi\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o s\u00f3 os esp\u00edritas devem arcar com ela, mas todos os homens de intelig\u00eancia e cultura que podem contribuir para o esclarecimento popular.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">UMA TOMADA DE CONSCI\u00caNCIA<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O apego ao contingente, ao imediato, apaga na consci\u00eancia dos nossos dias o senso da responsabilidade espiritual. Nem mesmo a ronda constante da morte consegue arrancar o homem atual da embriaguez do presente. O problema do esp\u00edrito e da imortalidade s\u00f3 se aviva quando ligado diretamente a quest\u00f5es de interesse pessoal. O cat\u00f3lico, o protestante e o esp\u00edrita se equivalem nesse sentido. Todos buscam os caminhos do esp\u00edrito para a solu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es imediatistas ou para garantirem a si mesmos uma situa\u00e7\u00e3o melhor depois da morte.<\/p>\n<p>A maioria absoluta dos espiritualistas est\u00e1 sempre disposta a investir (este \u00e9 o termo exato) em obras assistenciais, mas revela o maior desinteresse pelas obras culturais. Apegam-se os religiosos de todos os matizes \u00e0 t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o da caridade material, aplicando grandes doa\u00e7\u00f5es em hospitais, orfanatos e creches, mas esquecendo-se dos interesses b\u00e1sicos da cultura. Garantem os juros da caridade no p\u00f3s-morte, mas contraem pesadas d\u00edvidas no tocante \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o, sustenta\u00e7\u00e3o e defesa de princ\u00edpios fundamentais da renova\u00e7\u00e3o da cultura planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>A imprensa, a literatura, o ensaio, o estudo, a fixa\u00e7\u00e3o das linhas mestras da nova cultura terrena ficam ao deus-dar\u00e1. Falta uma tomada de consci\u00eancia, particularmente no meio esp\u00edrita, da responsabilidade de todos na constru\u00e7\u00e3o e na elabora\u00e7\u00e3o da Nova Era, que \u00e9 trabalho dos homens na Terra.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ou quase ningu\u00e9m compreende que sem uma estrutura\u00e7\u00e3o cultural elevada, sem estudos aprofundados no plano cultural, que revelem as novas dimens\u00f5es do mundo e do homem na perspectiva esp\u00edrita, o Espiritismo n\u00e3o passar\u00e1 de uma seita religiosa de fundo ego\u00edsta, buscando a salva\u00e7\u00e3o pessoal de seus adeptos, precisamente aquilo que Kardec lutou para evitar.<\/p>\n<p>A finalidade do Espiritismo, como Kardec acentuou, n\u00e3o \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o individual, mas a transforma\u00e7\u00e3o total do mundo, num vasto processo de reden\u00e7\u00e3o coletiva. Proporcionar aos jovens uma forma\u00e7\u00e3o cultural apoiada na mais positiva e completa base espiritual, que mostre a insensatez das concep\u00e7\u00f5es materialistas e pragmatistas, dando-lhes a firmeza necess\u00e1ria na sustenta\u00e7\u00e3o e defesa dos princ\u00edpios doutrin\u00e1rios, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 caridade, mas tamb\u00e9m realiza\u00e7\u00e3o efetiva dos objetivos superiores do Espiritismo nesta fase de transi\u00e7\u00e3o. Sem esse trabalho n\u00e3o poderemos avan\u00e7ar com seguran\u00e7a e efic\u00e1cia na dire\u00e7\u00e3o da Era do Esp\u00edrito. Temos de dar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es a possibilidade de afirmarem, diante do desenvolvimento das Ci\u00eancias e do avan\u00e7o geral da Cultura, como disse Denis Bradley: &#8220;Eu n\u00e3o creio, eu sei!&#8221; Porque \u00e9 pelo saber, e n\u00e3o pela cren\u00e7a, pela f\u00e9 racional e n\u00e3o pela f\u00e9 cega, pelo conhecimento e n\u00e3o pelas teorias indemonstr\u00e1veis que o Espiritismo, como revela\u00e7\u00e3o espiritual, ter\u00e1 de modelar a nova realidade terrena, apoiado na confirma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, pela pesquisa, dos seus postulados fundamentais. A revela\u00e7\u00e3o humana confirma e comprova a revela\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o problema que ningu\u00e9m parece compreender. Todos sonham com o momento em que a Ci\u00eancia dever\u00e1 proclamar a realidade do esp\u00edrito. Mas, essa proclama\u00e7\u00e3o jamais ser\u00e1 feita se a Ci\u00eancia Esp\u00edrita n\u00e3o atingir a maioridade, n\u00e3o se confirmar por si mesma, podendo enfrentar virilmente, no plano da intelig\u00eancia e da cultura, a vis\u00e3o materialista do mundo e a concep\u00e7\u00e3o materialista do homem. Por isso precisamos de Universidades Esp\u00edritas, de Institutos de Cultura Esp\u00edrita dotados de recursos para uma produ\u00e7\u00e3o cultural digna de respeito, de Laborat\u00f3rios de Pesquisa Ps\u00edquica estruturados com aparelhagem eficiente e orientados por metodologia segura, planejada e testada por especialistas de verdade, capazes de dominar o seu campo de trabalho e de enfrentar com provas irrefut\u00e1veis os sofismas dos negadores sistem\u00e1ticos. \u00c9 uma batalha que se trava, o bom combate de que falava o ap\u00f3stolo Paulo, agora desenvolvido com todos os recursos da tecnologia.<\/p>\n<p>Chega de pieguice religiosa, de palestras sem fim sobre a fraternidade imposs\u00edvel no meio de lobos vestidos de ovelhas. Chega de caridade interesseira, de imprensa condicionada \u00e0 cren\u00e7a simpl\u00f3ria, de fala\u00e7\u00f5es emotivas que n\u00e3o passam de formas de chantagem emocional. Precisamos da Religi\u00e3o viril que remodela o homem e o mundo na base da verdade comprovada. Da caridade real que n\u00e3o se traduz em esmolas, mas na efetiva\u00e7\u00e3o da fraternidade humana oriunda do conhecimento de nossa constitui\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e espiritual comuns, ou seja, da inelut\u00e1vel igualdade humana. De exposi\u00e7\u00f5es s\u00e1bias e profundas dos problemas do esp\u00edrito, nascidas da reflex\u00e3o madura e do estudo met\u00f3dico e profundo. Temos de acordar os dorminhocos da pregui\u00e7a mental e convocar a todos para as trincheiras da guerra incruenta da sabedoria contra a ignor\u00e2ncia, da realidade contra a ilus\u00e3o, da verdade contra a mentira. Sem essa revolu\u00e7\u00e3o em nossos processos n\u00e3o chegaremos ao mundo melhor que j\u00e1 est\u00e1 batendo, impaciente, \u00e0s nossas portas.<\/p>\n<p>N\u00e3o fa\u00e7amos do Espiritismo uma ci\u00eancia de gigantes em m\u00e3os de pigmeus. Ele nos oferece uma concep\u00e7\u00e3o realista do mundo e uma vis\u00e3o viril do homem. Arquivemos para sempre as prega\u00e7\u00f5es de sacrist\u00e3o, os cursinhos de miniaturas de anjos, \u00e0 semelhan\u00e7a das miniaturas japonesas de \u00e1rvores. Enfrentemos os problemas doutrin\u00e1rios na perspectiva exata da liberdade e da responsabilidade de seres imortais. Reconhe\u00e7amos a fragilidade humana, mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos da for\u00e7a e do poder do esp\u00edrito encerrado no corpo. N\u00e3o encaremos a vida cobertos de cinzas medievais. N\u00e3o fa\u00e7amos da exist\u00eancia um muro de lamenta\u00e7\u00f5es. Somos artes\u00e3os, artistas, oper\u00e1rios, construtores do mundo e temos de construi-lo segundo o modelo dos mundos superiores que esplendem nas constela\u00e7\u00f5es. Estudemos a doutrina aprofundando-lhe os princ\u00edpios. Remontemos o nosso pensamento \u00e0s li\u00e7\u00f5es viris do Cristo, restabelecendo na Terra as dimens\u00f5es perdidas do seu Evangelho. Essa \u00e9 a nossa tarefa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\">Jos\u00e9 Herculano Pires<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Fonte: Jornal &#8220;Mensagem&#8221;, \u00f3rg\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o do Grupo Esp\u00edrita Cairbar Schutel, sob a dire\u00e7\u00e3o de J. Herculano Pires &#8211; setembro de 1975 &#8211; ano I, n\u00ba 4 &#8211; S\u00e3o Paulo-SP.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.espiritualidades.com.br\/Artigos\/HERCULANO_PIRES_Jose_textos\/HERCULANO_PIRES_Jose_tit_Somos_os_consrtutores_do_mundo.htm\">Espiritualidade e Sociedade<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos os Construtores do Mundo Jos\u00e9 Herculano Pires O final deste importante artigo, o intert\u00edtulo &#8220;Uma Tomada de Consci\u00eancia&#8221;, tem sido divulgado erroneamente sob o t\u00edtulo deste ensaio, que abrange diversas outras quest\u00f5es, n\u00e3o necessariamente as restritas ao movimento esp\u00edrita. &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/somos-os-construtores-do-mundo\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"aside","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,1,23,16,27,19],"tags":[],"class_list":["post-12037","post","type-post","status-publish","format-aside","hentry","category-a-familia","category-artigos","category-ciencia","category-espiritismo","category-sociedade","category-transicao","post_format-post-format-aside"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12037"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12037\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12043,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12037\/revisions\/12043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}