{"id":12165,"date":"2022-09-03T10:29:59","date_gmt":"2022-09-03T13:29:59","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12165"},"modified":"2022-09-03T10:35:06","modified_gmt":"2022-09-03T13:35:06","slug":"causas-carmicas-do-efeito-da-acao-e-reacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/causas-carmicas-do-efeito-da-acao-e-reacao\/","title":{"rendered":"Causas c\u00e1rmicas do efeito da a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Causas c\u00e1rmicas do efeito da a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o?<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Cesar Boschetti<\/span><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.geae.net.br\/images\/IMAGENS\/acao-reacao.jpg\" alt=\"acao reacao\" width=\"283\" height=\"166\" \/><\/p>\n<p>Deus meu!<\/p>\n<p>Que gororoba \u00e9 essa?<\/p>\n<p>Pois \u00e9! Esse angu de ideias, em princ\u00edpio parecidas, s\u00e3o muito mal compreendidas no meio esp\u00edrita e por isso demandam do estudante s\u00e9rio, profundo e detalhado exame, lembrando que somos todos estudantes na escola do esp\u00edrito. E por que devemos nos debru\u00e7ar com calma sobre esses conceitos? Est\u00e3o errados? Comprometem nosso progresso espiritual? Est\u00e3o em desacordo com a codifica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Vamos ver isso com calma. Respostas apressadas podem acarretar mais confus\u00e3o que esclarecimento. Vamos examinar cada ideia separadamente, analisando sua aplicabilidade e suas implica\u00e7\u00f5es morais e filos\u00f3ficas dentro do contexto da f\u00e9 raciocinada.<\/p>\n<p>A primeira coisa a ser observada \u00e9 que Kardec, em toda a sua obra, nunca utilizou os conceitos de \u201cCarma\u201d e de \u201cA\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d em substitui\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio de causa e efeito.<\/p>\n<p>Esse fato merece reflex\u00e3o de nossa parte. Kardec era um homem culto e bastante preocupado com a educa\u00e7\u00e3o de seu tempo. Com certeza, conhecia o pensamento de Descartes, Kant, Hume, Pascal, Santo Agostinho e Espinoza, s\u00f3 para citar alguns nomes importantes que se ocuparam das tem\u00e1ticas filos\u00f3ficas da causalidade, do bem e do mal e do livre arb\u00edtrio nos s\u00e9culos anteriores ao s\u00e9culo XIX de Kardec. Kardec era um pesquisador sensato. Conduziu sua pesquisa sobre as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas e suas consequ\u00eancias morais com extremo rigor e seriedade. Al\u00e9m disto, n\u00e3o se pode esquecer que Kardec contou com o aux\u00edlio e consenso de uma pl\u00eaiade de esp\u00edritos de alta envergadura. Tudo isso recomenda muita aten\u00e7\u00e3o e respeito de todos os esp\u00edritas para com a codifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicialmente vamos examinar a lei de \u201ca\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d. Essa lei foi importada da f\u00edsica Newtoniana para o espiritismo. Trata-se da terceira lei de Newton que estabelece que, a toda \u201ca\u00e7\u00e3o\u201d corresponde uma \u201crea\u00e7\u00e3o\u201d de mesma intensidade e sentido contr\u00e1rio. Em primeiro lugar, note que essa lei se refere a a\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a exercida por um objeto material sobre um segundo objeto material que reage no mesmo instante da a\u00e7\u00e3o com uma for\u00e7a de igual intensidade e sentido contr\u00e1rio. Pode-se pensar que a a\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a (causa) exercida por um corpo sobre outro corpo, tem como rea\u00e7\u00e3o (efeito) uma segunda for\u00e7a de igual intensidade que se op\u00f5e a a\u00e7\u00e3o do primeiro corpo. Observe que se trata de uma lei material. A f\u00edsica cl\u00e1ssica Newtoniana trata exclusivamente do mundo material. V\u00ea-se tamb\u00e9m que \u201ca\u00e7\u00e3o\u201d e \u201crea\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o for\u00e7as materiais simult\u00e2neas, isto \u00e9, que ocorrem no mesmo instante de tempo devido a intera\u00e7\u00e3o entre dois corpos ou objetos materiais quaisquer. S\u00f3 existe rea\u00e7\u00e3o (efeito) enquanto a a\u00e7\u00e3o (causa) estiver presente. N\u00e3o faz sentido falar em a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o separados no tempo. Esse \u00e9 um ponto fundamental da lei natural de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o que desautoriza completamente sua aplica\u00e7\u00e3o da forma pretendida dentro do espiritismo.<\/p>\n<p>Kardec conhecia muito bem as leis de Newton, pois era professor de Astronomia e Matem\u00e1tica, dentre outras mat\u00e9rias. Ele foi corret\u00edssimo em n\u00e3o utilizar a lei de \u201ca\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d dentro da codifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia e nem h\u00e1 raz\u00f5es que amparem esse uso. Nem mesmo no sentido figurado ou metaf\u00f3rico. Apesar disto, tornou-se comum entre os esp\u00edritas a refer\u00eancia \u00e0 lei de \u201ca\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d sempre que se queira encontrar explica\u00e7\u00f5es ou justificativas anteriores para as afli\u00e7\u00f5es presentes do esp\u00edrito. A busca dessas explica\u00e7\u00f5es ou justificativas \u00e9 perfeitamente v\u00e1lida, mas tem que ser sob uma perspectiva muito diferente sem rela\u00e7\u00e3o alguma com a lei material de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o. Vale enfatizar, a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o s\u00e3o eventos simult\u00e2neos envolvendo for\u00e7as entre dois objetos materiais. Voltaremos a este ponto mais adiante.<\/p>\n<p>Vejamos a lei do \u201cCarma\u201d. A palavra \u201cCarma\u201d vem do s\u00e2nscrito, uma l\u00edngua morta. Significa \u201ca\u00e7\u00e3o\u201d. Em termos simples, a lei do Carma \u00e9 equivalente \u00e0 lei de \u201ccausa e efeito\u201d, mas com diferen\u00e7as importantes na sua interpreta\u00e7\u00e3o. Inclusive, a interpreta\u00e7\u00e3o do carma n\u00e3o \u00e9 exatamente a mesma nas diversas doutrinas orientais que abrigam esse conceito. Sem entrarmos em detalhes, o carma \u00e9 cumulativo, isto \u00e9, boas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o anulam o carma acumulado pelas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito, que podem ocorrer inclusive na forma de simples pensamento ou inten\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a lei do carma admite a transmigra\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito para corpos de animais ou at\u00e9 vegetais como castigo.<\/p>\n<p>Aqui tamb\u00e9m vale notar que, com certeza, Kardec tinha conhecimento das doutrinas reencarnacionistas do oriente, bem como de outras doutrinas como a Rosacruz e a Teosofia que tamb\u00e9m adotam o conceito de carma. Se Kardec sofreu ou n\u00e3o alguma influ\u00eancia dessas doutrinas espiritualistas, n\u00e3o temos informa\u00e7\u00e3o. Sabemos apenas que n\u00e3o adotou o conceito de carma, seja por julg\u00e1-lo desnecess\u00e1rio, seja por julg\u00e1-lo inadequado ao contexto do espiritismo. Isso merece aten\u00e7\u00e3o do estudante esp\u00edrita.<\/p>\n<p>Finalmente, vejamos o princ\u00edpio de causa e efeito. Trata-se de um princ\u00edpio natural que estabelece que todo efeito tem uma causa. Observe que o simples enunciado desse princ\u00edpio j\u00e1 revela uma diferen\u00e7a significativa com rela\u00e7\u00e3o a lei de \u201ca\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d. Esta \u00faltima, evidentemente, traduz um efeito (rea\u00e7\u00e3o) devido a uma causa (a\u00e7\u00e3o), todavia numa situa\u00e7\u00e3o muito particular de eventos simult\u00e2neos entre dois corpos materiais distintos interagindo entre si. Ao contr\u00e1rio, o princ\u00edpio de causa e efeito \u00e9 geral e pode se aplicar n\u00e3o apenas a eventos com entidades diferentes, materiais ou espirituais, mas tamb\u00e9m a eventos separados no tempo, relativos a uma mesma entidade material ou espiritual. V\u00ea-se a enorme diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a \u201clei de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d que \u00e9 totalmente inadequada.<\/p>\n<p>Entretanto, a causalidade, isto \u00e9, o princ\u00edpio de causa e efeito n\u00e3o deixa de ter algumas dificuldades interpretativas. Vale insistir. Kardec foi muito criterioso com todas essas ideias. O estudante atento n\u00e3o ir\u00e1 encontrar em parte alguma da codifica\u00e7\u00e3o a ideia de causalidade abordada em termos simplistas na forma do popular chav\u00e3o, \u201clei de causa e efeito\u201d, invocado sem qualquer reflex\u00e3o para explicar todas as afli\u00e7\u00f5es humanas. Kardec, evidentemente, n\u00e3o deixa de se ocupar com as causas anteriores das afli\u00e7\u00f5es. \u00c9 evidente que as afli\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito t\u00eam causas anteriores. Todo efeito tem uma causa. E toda a\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancias. Tudo isso tem l\u00f3gica. Mas de que forma o \u201cefeito\u201d e a \u201ccausa\u201d est\u00e3o interligados no tempo e no espa\u00e7o? Se todo efeito tem uma causa, essa causa seria tamb\u00e9m o efeito de uma causa anterior e assim sucessivamente. Na realidade, ter\u00edamos uma cadeia infinita de causas e efeitos intermedi\u00e1rios interligados. V\u00ea-se tamb\u00e9m que causa e efeito se tornam uma coisa s\u00f3, pois uma causa nada mais \u00e9 que o efeito de uma causa anterior. Isso pode acarretar alguns problemas relativos \u00e0 liberdade e ao livre-arb\u00edtrio. Kardec devia conhecer bem essa problem\u00e1tica. S\u00e3o quest\u00f5es muito antigas e ao mesmo tempo sempre atuais da filosofia. Merecem uma abordagem a parte. Por hora ficaremos com o bom senso de Kardec que, sem abrir m\u00e3o de tratar das causas anteriores das afli\u00e7\u00f5es e das poss\u00edveis consequ\u00eancias das a\u00e7\u00f5es dos esp\u00edritos, evitou a rotulagem apressada de um chav\u00e3o \u201clei de causa e efeito\u201d explicativo de todos os males.<\/p>\n<p>Vamos explorar um pouco esse universo das causas do sofrimento e das consequ\u00eancias das a\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito. Fa\u00e7amos um exerc\u00edcio intelectual. Usemos nossa f\u00e9 raciocinada. Vamos imaginar a trajet\u00f3ria do esp\u00edrito a partir do momento que passa a revestir-se de um primeiro corpo com caracter\u00edsticas humanas come\u00e7ando a se destacar. Vale lembrar que o princ\u00edpio espiritual foi criado muito antes disso, tendo jornadeado pelos v\u00e1rios reinos da natureza. Ao iniciar sua jornada evolutiva no reino hominal, esse esp\u00edrito \u00e9 ainda um ser simples e ignorante, mas com o diferencial de j\u00e1 trazer consigo a semente da raz\u00e3o e da liberdade. Localizar no tempo e na hist\u00f3ria do planeta esse grande salto do princ\u00edpio espiritual extrapola completamente nossos conhecimentos. At\u00e9 mesmo os esp\u00edritos superiores que assessoraram Kardec foram humildes em reconhecer a total ignor\u00e2ncia desse ponto. Sem pretendermos entrar nesse m\u00e9rito, apenas a t\u00edtulo de contextualiza\u00e7\u00e3o aproximada, sabemos que o homem moderno, homo sapiens, surgiu h\u00e1 cerca de 150.000 anos. Os primeiros homin\u00eddeos, isto \u00e9, indiv\u00edduos com caracter\u00edsticas diferenciadas importantes em rela\u00e7\u00e3o aos s\u00edmios surgiram bem antes, h\u00e1 cerca de 7 milh\u00f5es de anos na \u00c1frica. Seria pura especula\u00e7\u00e3o dizer se as primeiras encarna\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito humano come\u00e7aram com o homo sapiens ou com os primeiros homin\u00eddeos h\u00e1 cerca de 7 milh\u00f5es de anos. Contudo, apesar do gigantesco lapso de tempo no plano material, isso n\u00e3o nos impede de compreender que o esp\u00edrito do homem primitivo j\u00e1 trazia dentro de si um germe divino capaz de conduzi-lo da total ignor\u00e2ncia \u00e0 radiosa perfei\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos puros da esfera Cr\u00edstica. \u00c9 um caminho longo, muito longo. Nossa insignific\u00e2ncia n\u00e3o nos permite vislumbrar a extens\u00e3o e beleza dessa caminhada. No artigo (Uma hist\u00f3ria do fogo (geae.net.br) tento apresentar um poss\u00edvel recorte dessa caminhada. Mas continuemos exercitando nossa f\u00e9 raciocinada. F\u00e9 porque acreditamos na infinita perfei\u00e7\u00e3o do Criador e de toda a sua cria\u00e7\u00e3o. Raciocinada porque temos a intelig\u00eancia, a raz\u00e3o e o livre arb\u00edtrio dados pelo Criador para guiar nossos passos.<\/p>\n<p>Essa f\u00e9 raciocinada n\u00e3o vem pronta com manual de usu\u00e1rio desde nossas primeiras encarna\u00e7\u00f5es no reino hominal. \u00c9 algo a ser conquistado e desenvolvido ao longo do caminho evolutivo. O sucesso dessa aprendizagem que, em termos simples, se traduz na conquista da felicidade e na expans\u00e3o moral e intelectual do esp\u00edrito, \u00e9 lento, muito lento e permeado de desafios. Mas est\u00e1 assegurado pelo germe divino plantado em nosso esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Vale notar que o alpinista n\u00e3o quer ser transportado para o cume da montanha. Ele quer galg\u00e1-la, superar gradualmente seus desafios com intelig\u00eancia, aud\u00e1cia e perseveran\u00e7a. Da completa simplicidade e ignor\u00e2ncia ao atual est\u00e1gio que nos encontramos hoje foi um longo caminho. Um caminho tortuoso repleto de desafios que gradualmente foram aprimorando nossa capacidade de julgamento e entendimento. Capacidade esta ainda muito longe de nos permitir escolhas completamente seguras e l\u00facidas das melhores a\u00e7\u00f5es que nos conduzam a um futuro melhor. Seria temer\u00e1rio afirmarmos, hoje, a posse de virtudes que mal come\u00e7amos a compreender. Mas j\u00e1 estamos em condi\u00e7\u00e3o de perceber que a Grandeza do Criador n\u00e3o est\u00e1 em punir a\u00e7\u00f5es equivocadas simplesmente porque n\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00f5es equivocadas, apenas a\u00e7\u00f5es que precisam de permanente aprimoramento. Al\u00e9m disto, que l\u00f3gica haveria no Criador infinitamente perfeito punir Sua criatura em processo de aprendizagem, sujeita a cometer todos os erros previstos pelo Criador no Seu Perfeito Plano pedag\u00f3gico. Como bem colocado por Paulo de Tarso, \u201cNada \u00e9 proibido, mas nem tudo conv\u00e9m\u201d. A conveni\u00eancia ou n\u00e3o das coisas \u00e9 o motor da evolu\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito. N\u00e3o h\u00e1 carma nem lei de causa e efeito nem muito menos lei de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o. Essas cren\u00e7as s\u00e3o resqu\u00edcios de ideias religiosas ultrapassadas, ainda presas ao antigo conceito de um Deus juiz a prescrever as penas do inferno para quem erra e as recompensas do para\u00edso para quem acerta. Se quisermos acreditar em um Deus infinitamente justo, bom e perfeito, temos que afastar de uma vez por todas a ideia de puni\u00e7\u00e3o e resgate de erros passados. Isso n\u00e3o tem l\u00f3gica. O sofrimento do esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 causado por erros, mas por ignor\u00e2ncia e imperfei\u00e7\u00f5es. O sofrimento \u00e9 um instrumento pedag\u00f3gico. \u00c9 como uma b\u00fassola que o esp\u00edrito precisa aprender a usar. O alpinista, em sua escalada para atingir o pico da montanha, escorrega e cai muitas vezes. Mas n\u00e3o desiste e segue em frente. A cada escorreg\u00e3o e queda aprende o que deve e o que n\u00e3o deve fazer para seguir em frente em dire\u00e7\u00e3o ao cume da montanha. Assim caminha o esp\u00edrito. Somos todos alpinistas escalando a mais bela e mais alta de todas as montanhas. A montanha da vida. Precisamos mudar nossa perspectiva de bem e de mal. Por pior que seja, a nosso ver, um indiv\u00edduo brutalizado, inclinado a prejudicar o pr\u00f3ximo, e a sociedade como um todo, cometendo friamente as maiores atrocidades, temos que admitir que se trata de uma cria\u00e7\u00e3o Divina em processo de aprendizagem. Claro que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil digerir isso. Quem foi que disse que evoluir seria f\u00e1cil? Mas precisamos nos lembrar de Jesus que n\u00e3o colocava barreiras entre si e os bandidos, as prostitutas, os soldados e todos os demais elementos da sociedade. Em seu \u00faltimo suspiro na cruz deu-nos o seu maior testemunho de que somos todos ainda muito ignorantes em busca de conhecimento e felicidade\u2013 \u201cPerdoai-os, Pai. Eles n\u00e3o sabem o que fazem\u201d.<\/p>\n<p>Nesta altura, alguns poder\u00e3o protestar de forma muito justa que, v\u00e1rios autores e palestrantes conceituados usam a terminologia, \u201ca\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ccarma\u201d e \u201ccausa e efeito\u201d como sin\u00f4nimos. Como explicar isso? Falta de conhecimentos? Falta de estudo? M\u00e1 f\u00e9?<\/p>\n<p>\u00c9 complicado julgar as pessoas pelo uso de determinadas palavras em determinados contextos. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito subjetiva que tem a ver n\u00e3o apenas com conhecimento, mas tamb\u00e9m com a inten\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o para se fazer entender. Como visto acima, falar sobre a justi\u00e7a Divina por meio de uma ou duas palavras concisas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Nossa cultura est\u00e1 h\u00e1 muitos s\u00e9culos sob o imp\u00e9rio de dogmas e conceitos distorcidos a respeito de Deus e do destino dos esp\u00edritos. A mudan\u00e7a de perspectiva \u00e9 lenta. Talvez por isso muitos prefiram usar um termo j\u00e1 popularizado, mesmo que inexato. N\u00e3o se deve desqualificar o trabalho das pessoas por conta de erros que est\u00e3o mais para um v\u00edcio de linguagem e de costumes arraigados que para falta de conhecimento e muito menos m\u00e1-f\u00e9. N\u00e3o h\u00e1 porque desmerecer e n\u00e3o respeitar o trabalho de v\u00e1rios autores e palestrantes porque mostram esses v\u00edcios de linguagem. H\u00e1 que se compreender que as qualidades de muitas obras podem ser muito maiores que seus eventuais defeitos.<\/p>\n<p>Mas est\u00e1 na hora do movimento esp\u00edrita atentar mais seriamente para as obras da codifica\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 na hora do movimento esp\u00edrita se conscientizar que Kardec ainda precisa ser muito melhor estudado e conhecido. N\u00e3o tem mais cabimento continuarmos enxertando conceitos e novidades estranhas \u00e0 doutrina. Uma doutrina que, sejamos honestos, ainda temos muito que aprender. A leitura e estudo do evangelho segundo espiritismo jamais ser\u00e1 proveitosa e completa enquanto o estudante esp\u00edrita se limitar a esse livro apenas. Mesmo as obras ditas complementares ou subsidi\u00e1rias, como as de Andr\u00e9 Luiz e Emmanuel dentre v\u00e1rias outras, s\u00f3 poder\u00e3o ser apreciadas, de fato, depois de havermos estudado muito bem Kardec.<\/p>\n<p>Basta de ideias e express\u00f5es distorcidas agregadas ao espiritismo como se fossem inova\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Basta de \u201ccarma\u201d, \u201ca\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ccorpo astral\u201d, \u201ckundaline\u201d, \u201cchakras\u201d etc\u2026 etc&#8230; Est\u00e1 na hora do movimento esp\u00edrita perceber que, com o devido respeito, as terminologias importadas ficam muito melhor nas respectivas doutrinas originais. S\u00e3o desnecess\u00e1rias e at\u00e9 inadequadas ao espiritismo.<\/p>\n<p>Se quisermos que o espiritismo seja respeitado como filosofia moral aliada \u00e0 ci\u00eancia e abrigo de uma viv\u00eancia religiosa verdadeiramente crist\u00e3, bem como mediador de um di\u00e1logo inter-religioso despido de preconceitos, fa\u00e7amos dele o que prop\u00f4s Kardec. Qualquer coisa diferente com enxertos indevidos s\u00f3 nos jogar\u00e1 no descr\u00e9dito. Conduzir\u00e1 o espiritismo a um movimento sem identidade. Em lugar de uma f\u00e9 raciocinada, estaremos oferecendo apenas misticismo e modismos sem base.<\/p>\n<p>O espiritismo n\u00e3o precisa de revis\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o ou acr\u00e9scimo de conte\u00fados esp\u00farios. O espiritismo precisa apenas ser melhor conhecido e estudado. N\u00e3o basta crer em Deus e na reencarna\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso entender o real significado e conex\u00e3o disso tudo. Espiritismo sem estudo s\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 espiritismo, n\u00e3o edifica. \u00c9 melhor procurar outro caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #008000;\">Cesar Boschetti<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.geae.net.br\/artigos\/artigos-gerais\/1105-causas-carmicas-do-efeito-da-acao-e-reacao\">geae.net<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.geae.net.br\/images\/IMAGENS\/Imagens_Escritores\/cesarBoschetti2.gif\" alt=\"cesarBoschetti2\" \/><\/p>\n<p>Sobre o Autor: &#8211; Cesar Boschetti<\/p>\n<p>Graduado em F\u00edsica pela Universidade de S\u00e3o Paulo (1978), mestrado em Eletr\u00f4nica e Telecomunica\u00e7\u00f5es pelo INPE &#8211; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (1983) e doutorado em Engenharia Eletr\u00f4nica e Computa\u00e7\u00e3o pelo ITA &#8211; Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (2000). \u00c9 tecnologista s\u00eanior do INPE em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de F\u00edsica da Mat\u00e9ria Condensada, com \u00eanfase em compostos semicondutores IV-VI, t\u00e9cnicas de crescimento epitaxial de cristais semicondutores, tecnologia de alto-v\u00e1cuo e fabrica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o de dispositivos opto eletr\u00f4nicos para o infravermelho. Foi coordenador geral do PCI\/INPE &#8211; Programa de Capacita\u00e7\u00e3o Institucional do INPE de junho de 2009 a setembro de 2015. Foi chefe do Laborat\u00f3rio Associado de Sensores e Materiais &#8211; LABAS\/COCTE\/INPE e Coordenador Substituto da Coordena\u00e7\u00e3o de Laborat\u00f3rios Associados \u2013 COCTE\/INPE de outubro de 2016, quando se aposentou permanecendo em atividade na fun\u00e7\u00e3o at\u00e9 janeiro de 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Causas c\u00e1rmicas do efeito da a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o? Cesar Boschetti Deus meu! Que gororoba \u00e9 essa? Pois \u00e9! Esse angu de ideias, em princ\u00edpio parecidas, s\u00e3o muito mal compreendidas no meio esp\u00edrita e por isso demandam do estudante s\u00e9rio, profundo &hellip; <a href=\"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/causas-carmicas-do-efeito-da-acao-e-reacao\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"aside","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,1,23,16,27,19],"tags":[],"class_list":["post-12165","post","type-post","status-publish","format-aside","hentry","category-a-familia","category-artigos","category-ciencia","category-espiritismo","category-sociedade","category-transicao","post_format-post-format-aside"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12165"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12165\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12167,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12165\/revisions\/12167"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}