{"id":12384,"date":"2022-11-02T07:14:19","date_gmt":"2022-11-02T10:14:19","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12384"},"modified":"2022-11-02T07:14:19","modified_gmt":"2022-11-02T10:14:19","slug":"a-confluencia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-confluencia-2\/","title":{"rendered":"A Conflu\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">A Conflu\u00eancia<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #008080;\">Jos\u00e9 Herculano Pires<\/span><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/xyqQwJaZ3u0\/maxresdefault.jpg\" alt=\"Ver a imagem de origem\" width=\"338\" height=\"190\" \/><\/p>\n<p>A obra de Deus \u00e9 t\u00e3o vasta, t\u00e3o rica, t\u00e3o complexa que, n\u00e3o podendo abrang\u00ea-la em nossa curta vis\u00e3o, costumamos acus\u00e1-la de muitas e n\u00e3o raro violentas contradi\u00e7\u00f5es. A dial\u00e9tica nos oferece uma chave para a supera\u00e7\u00e3o dessa defici\u00eancia. Hegel mostrou-nos que as contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais do que as fases sucessivas do desenvolvimento dos processos criadores. Tese, ant\u00edtese e s\u00edntese representam as etapas da evolu\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s dessa din\u00e2mica espiritual a semente se transforma na pl\u00e2ntula e esta afinal se faz planta, para nos devolver a semente multiplicada. O processo do Reino segue tamb\u00e9m esse caminho dial\u00e9tico, como j\u00e1 vimos no caso da lei da nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os atalhos do Reino parecem-nos contradit\u00f3rios entre si e contr\u00e1rios aos caminhos do Reino. Por outro lado, parecem-nos contr\u00e1rios ao Reino. Mas a verdade \u00e9 que todas essas estranhas manifesta\u00e7\u00f5es do anseio do Reino no cora\u00e7\u00e3o humano se entrosam num grande sistema. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil compreendermos essa liga\u00e7\u00e3o. As religi\u00f5es se livram das dificuldades apelando para o mist\u00e9rio dos des\u00edgnios de Deus, insond\u00e1veis ao nosso pr\u00f3prio entendimento. Mas o mist\u00e9rio \u00e9 apenas aquilo que n\u00e3o compreendemos. E s\u00f3 n\u00e3o compreendemos o que n\u00e3o conhecemos. Desde que penetremos a natureza de uma coisa, por mais misteriosa que ela nos pare\u00e7a, o seu mist\u00e9rio desaparece.<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio do Reino nos mostra a sua face oculta quando conseguimos abrang\u00ea-lo numa vis\u00e3o de conjunto. Deixa de ser mist\u00e9rio para tornar-se a mais bela realidade. O Reino \u00e9 o alvo do esp\u00edrito. Todos avan\u00e7amos para ele, atrav\u00e9s das exist\u00eancias sucessivas, na Terra e no espa\u00e7o. Todos ansiamos por ele. Mas nem todos estamos em condi\u00e7\u00f5es de perceb\u00ea-lo na sua plena realidade. Uns o veem por um \u00e2ngulo, outros por outros \u00e2ngulos. As vis\u00f5es diferem e mais ainda as interpreta\u00e7\u00f5es, em que a mente humana \u00e9 t\u00e3o f\u00e9rtil. Pit\u00e1goras j\u00e1 dizia que a Terra \u00e9 a morada da opini\u00e3o. Cada qual opina como entende e as diverg\u00eancias se acentuam. H\u00e1 deturpa\u00e7\u00f5es horrendas do Reino, como h\u00e1 deforma\u00e7\u00f5es horrendas do Cristianismo. Mas em todas elas est\u00e1 presente a atra\u00e7\u00e3o do Reino, que se exerce sobre todas as almas.<\/p>\n<p>O Cristo dos maometanos \u00e9 um profeta que nasceu no deserto, sob uma palmeira. O Alcor\u00e3o nos d\u00e1 um epis\u00f3dio \u00e1rabe do Natal. O Deus antropom\u00f3rfico dos br\u00e2manes \u00e9 muito diferente do Deus antropom\u00f3rfico dos Cat\u00f3licos. O Jeov\u00e1 guerreiro e intrigante da B\u00edblia, alcoviteiro e partid\u00e1rio, \u00e9 o contr\u00e1rio de Deus de amor do Novo Testamento. Mas em cada uma dessas ideias de Deus, quer o entendamos ou n\u00e3o, Deus est\u00e1 presente. E a presen\u00e7a de Deus em cada uma dessas concep\u00e7\u00f5es \u00e9 relativa \u00e0 capacidade de compreens\u00e3o de determinadas etapas da evolu\u00e7\u00e3o humana. Mas as etapas n\u00e3o se sucedem por grada\u00e7\u00e3o simples. \u00c9 t\u00e3o complexo, m\u00faltiplo e din\u00e2mico o processo evolutivo, que a mais elevada concep\u00e7\u00e3o de Deus pode caber, em virtude de fatores diversos, numa etapa inferior, da mesma forma que a concep\u00e7\u00e3o mais primitiva pode enquadrar-se numa etapa superior.<\/p>\n<p>Toda essa complexidade desnorteia os mais atilados observadores. \u00c9 preciso muitas vezes que se d\u00ea o insight, o chamado estalo de Vieira, numa cabe\u00e7a ilustrada e capaz, para que ela perceba essa complexidade e se liberte de certos preconceitos, de certos estere\u00f3tipos mentais. Por isso brigam, n\u00e3o se entendem e acabam criando partidos. O Reino de Deus \u00e9 um s\u00f3 e os seus caminhos correspondem precisamente aos seus princ\u00edpios. Todo caminho de viol\u00eancia, de acomoda\u00e7\u00e3o, de subterf\u00fagio, n\u00e3o leva ao Reino, mas aos reinozinhos humanos, contradit\u00f3rios e mesquinhos, quando n\u00e3o brutais. Os atalhos sect\u00e1rios e ideol\u00f3gicos variam de grada\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o do Reino, mas todos s\u00e3o atalhos. Por mais generosos que sejam nos seus princ\u00edpios, os meios de que se servem s\u00e3o em geral contr\u00e1rios aos fins. Essa a trag\u00e9dia religiosa e pol\u00edtica em que nos perdemos.<\/p>\n<p>Mas a vis\u00e3o de conjunto, a percep\u00e7\u00e3o gest\u00e1ltica do problema do Reino, nos mostra a suprema intelig\u00eancia que preside a todas essas manifesta\u00e7\u00f5es. No final, todas essas correntes fluem para um delta comum. E h\u00e1 um momento de conflu\u00eancia em que as dissens\u00f5es se apagam, as contradi\u00e7\u00f5es se fundem numa s\u00edntese superior. \u00c9 no tempo que se realiza a fus\u00e3o. Por mais absurda que essa tese possa parecer, a verdade \u00e9 que os processos gerais da natureza a comprovam. Basta vermos a sucess\u00e3o de fases inferiores do embri\u00e3o humano, no seu desenvolvimento; a sucess\u00e3o das fases psicol\u00f3gicas do esp\u00edrito humano, no processo da sua forma\u00e7\u00e3o; as etapas do desenvolvimento de uma dada sociedade ou da pr\u00f3pria Humanidade. Em todas essas fases encontramos diverg\u00eancias profundas, que podem parecer-nos insol\u00faveis, mas que os especialistas nos mostram ligadas por uma unidade substancial, que as conduz ao mesmo objetivo.<\/p>\n<p>O mensageiro do Reino me disse, nesta tarde, ao ver-me examinar esses problemas:<\/p>\n<p>\u2013 Examine o caso de Ananias e Safira, no cap\u00edtulo V do livro de Atos. E veja depois, no mesmo cap\u00edtulo, o vers\u00edculo 15. Veja se \u00e9 poss\u00edvel conciliar a contradi\u00e7\u00e3o aparente.<\/p>\n<p>Corri ao livro de Atos e ali encontrei o tenebroso caso. Ananias e Safira queriam entrar para o Reino. Venderam sua propriedade, que era apenas um campo, mas s\u00f3 depuseram aos p\u00e9s dos ap\u00f3stolos uma parte do dinheiro, escondendo outra parte. Ent\u00e3o primeiro Ananias entrou e foi Pedro quem o recebeu, admoestando-o imediatamente a respeito:<\/p>\n<p>\u2013 Por ventura n\u00e3o te era l\u00edcito ficar com todo o dinheiro?<\/p>\n<p>E Ananias, ouvindo a exprobra\u00e7\u00e3o de Pedro, caiu morto aos seus p\u00e9s. Os jovens presentes carregaram o corpo. Tr\u00eas horas depois veio Safira, que n\u00e3o sabia do ocorrido. Pedro a interpelou e ela confirmou a mentira do marido. Ent\u00e3o Pedro respondeu com firmeza:<\/p>\n<p>&#8220;Concertastes a mentira entre v\u00f3s. Eis a\u00ed \u00e0 porta os que levaram h\u00e1 pouco o corpo do teu marido e agora levar\u00e3o o teu&#8221;.<\/p>\n<p>No mesmo instante Safira caiu morta e os jovens a levaram.<\/p>\n<p>O vers\u00edculo 15 nos diz que as virtudes dos ap\u00f3stolos eram tais que os doentes eram expostos \u00e0s ruas, deitados em leitos e enxerg\u00f5es, para que, ao passar por eles o ap\u00f3stolo Pedro, sua sombra os curasse. Que estranhas virtudes emanavam de Pedro! Suas palavras matavam e sua sombra curava. A contradi\u00e7\u00e3o aparente est\u00e1 a\u00ed. Pedro mata e cura em nome do Reino. E mata sem piedade, friamente, primeiro o marido, depois a mulher; somente porque haviam mentido e escondido, com receio de n\u00e3o dar certo a Tentativa do Reino, parte de suas economias. N\u00e3o seria mais de acordo com o amor e a justi\u00e7a do Reino que Pedro lhes devolvesse o dinheiro e lhes recusasse entrada na comunidade?<\/p>\n<p>Sim, seria mais certo. Mas acontece que n\u00e3o foi Pedro que matou Ananias e Safira. O Ap\u00f3stolo limitou-se a cumprir o seu dever, advertindo-os. Acontece que Ananias n\u00e3o suportou o choque provocado pela revela\u00e7\u00e3o de Pedro em sua consci\u00eancia culposa. Ananias foi v\u00edtima de sua pr\u00f3pria manobra. Mas no caso particular de Safira as coisas n\u00e3o parecem t\u00e3o simples. Pedro declara que ela vai morrer, parece mesmo amea\u00e7\u00e1-la, predisp\u00f4-la \u00e0 morte. O Ap\u00f3stolo era dotado do que hoje chamamos cientificamente percep\u00e7\u00e3o extra-sensorial, possu\u00eda a mediunidade prof\u00e9tica. Ao entrar a mulher de Ananias no recinto, ele viu o que ia acontecer. E em benef\u00edcio da pr\u00f3pria mulher preparou-a para o momento inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Entretanto, as duas a\u00e7\u00f5es de Pedro conduziam ao Reino. A cura despertava as consci\u00eancias, tocava os cora\u00e7\u00f5es, preparando-os para o Reino. A repreens\u00e3o tinha por fim corrigir as imperfei\u00e7\u00f5es morais dos que n\u00e3o se encontravam em condi\u00e7\u00f5es de entrar no Reino, embora o desejassem. A morte de Ananias e Safira, consequ\u00eancia natural de seus atos fraudulentos, parecia uma expuls\u00e3o definitiva de ambos do portal do Reino. Mas s\u00f3 lhes acontecera o que vimos no caso do rico da par\u00e1bola: Ananias e Safira n\u00e3o haviam deixado os seus fardos que n\u00e3o cabiam na portinhola estreita. O rico, em esp\u00edrito, j\u00e1 morto para o mundo, precipitara-se no abismo. O casal fraudulento ca\u00edra em vida no abismo da morte. Mas assim como a queda do rico era uma li\u00e7\u00e3o de ap\u00f3s morte, que o ajudaria a corrigir-se na pr\u00f3xima encarna\u00e7\u00e3o, assim a morte de Ananias e Safira lhes ensinava a buscar a sinceridade e a verdade no mundo espiritual.<\/p>\n<p>Os que n\u00e3o acreditam ou n\u00e3o querem compreender que s\u00f3 podemos entrar no Reino pelo renascimento, n\u00e3o encontram explica\u00e7\u00e3o para as contradi\u00e7\u00f5es que apontamos. Aplicam em defesa de Pedro o argumento de justi\u00e7a. Mas onde fica o argumento do amor? J\u00e1 vimos que o Reino n\u00e3o se constitui apenas de justi\u00e7a, o que seria uma nega\u00e7\u00e3o do amor de Deus. N\u00e3o podemos, pois, compreender o Reino sem compreender a advert\u00eancia do jovem Carpinteiro a Nicodemos: &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio nascer de novo&#8221;. Como poderiam todos chegar ao Reino, se s\u00e3o tantos os que fazem como Ananias e Safira? E como agiria o amor do Reino em favor dos que n\u00e3o disp\u00f5em de tempo e oportunidade para se tornar aptos a habit\u00e1-lo?<\/p>\n<p>\u00c9 o princ\u00edpio da reencarna\u00e7\u00e3o a chave do Reino. A grande maioria das criaturas humanas estaria impedida de entrar no Reino se Deus n\u00e3o lhes concedesse a oportunidade do rein\u00edcio. Ent\u00e3o o Reino n\u00e3o seria de todos, mas de alguns. Deus n\u00e3o seria o Pai do Evangelho mas o guerreiro da B\u00edblia. A balan\u00e7a da justi\u00e7a tem dois pratos, mas um deles \u00e9 do amor. A balan\u00e7a de Jeov\u00e1 tem o prato da justi\u00e7a abaixado, pois \u00e9 nela que o Deus B\u00edblico p\u00f5e a sua for\u00e7a. A balan\u00e7a do Deus-Pai est\u00e1 sempre equilibrada, porque o seu amor se mede pela sua justi\u00e7a e vice-versa. O Reino n\u00e3o est\u00e1 reservado a estes ne \u00e0queles, mas abre sua pequena porta aos homens de todas as ra\u00e7as, de todas as nacionalidades, de todos os quadrantes da Terra.<\/p>\n<p>E \u00e9 gra\u00e7as a isso que os atalhos e os caminhos do Reino se encontram na conflu\u00eancia. Heresias e ideologias desempenham o seu papel no grande esquema do Reino. Preparam cada qual as criaturas colocadas em diversos planos evolutivos, de acordo com as sintonias de seus interesses e com os impulsos de suas tend\u00eancias, para o momento supremo de compreens\u00e3o gest\u00e1ltica do Reino, que chegar\u00e1 normalmente para todos. Fan\u00e1ticos religiosos e fan\u00e1ticos pol\u00edticos n\u00e3o perdem o seu tempo: s\u00e3o aprendizes de primeiro grau, exercitando-se para as virtudes do Reino, adestrando-se para am\u00e1-lo. Porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil amar o Reino. Os reinozinhos da Terra, esses pequenos e absorventes reinos dos homens, atraem poderosamente as almas inexperientes. Ent\u00e3o o Reino se disfar\u00e7a em estreitas concep\u00e7\u00f5es humanas e atrai aquelas almas que se perderiam nas atra\u00e7\u00f5es inferiores.<\/p>\n<p>Deus sabe conduzir as almas para o Reino. N\u00f3s, os conduzidos, \u00e9 que n\u00e3o sabemos ver e compreender o seu imenso trabalho. Por isso n\u00e3o o auxiliamos. Devemos aprender que Deus, nosso Pai, trata-nos como filhos. E em vez de guerrear os irm\u00e3os que procuram o Reino por atalhos ou caminhos diferentes dos nossos, dev\u00edamos ajud\u00e1-los. Todos os caminhos levam ao Pai. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o quer dizer que devamos esperar sentados o estabelecimento do Reino na Terra. Cada um de n\u00f3s, em seu caminho ou seu atalho, tem a obriga\u00e7\u00e3o espiritual de trabalhar incessantemente pelo Reino, amando a todos, fazendo sempre justi\u00e7a em todas as coisas, mas trabalhando sem cessar para despertar em todos a compreens\u00e3o do Reino, que extinguir\u00e1 do planeta o orgulho, a vaidade, o ego\u00edsmo e o \u00f3dio. A compreens\u00e3o do Reino far\u00e1 corar de vergonha os que hoje s\u00f3 pensam em conquistar para si mesmos. Os ricos do Reino ser\u00e3o os que ajuntam para todos.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">Fonte: &#8211; no livro O Reino, cap. VII.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espiritualidades.com.br\/Artigos\/HERCULANO_PIRES_Jose_textos\/HERCULANO_PIRES_Jose_tit_Conflluencia-A.htm\">Espiritualidade e Sociedade<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Conflu\u00eancia Jos\u00e9 Herculano Pires A obra de Deus \u00e9 t\u00e3o vasta, t\u00e3o rica, t\u00e3o complexa que, n\u00e3o podendo abrang\u00ea-la em nossa curta vis\u00e3o, costumamos acus\u00e1-la de muitas e n\u00e3o raro violentas contradi\u00e7\u00f5es. 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