{"id":12488,"date":"2022-12-03T08:57:29","date_gmt":"2022-12-03T11:57:29","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12488"},"modified":"2022-12-03T08:57:29","modified_gmt":"2022-12-03T11:57:29","slug":"a-docura-a-docilidade-e-a-firmeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-docura-a-docilidade-e-a-firmeza\/","title":{"rendered":"A DOCURA, A DOCILIDADE E A FIRMEZA"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">A DOCURA, A DOCILIDADE E A FIRMEZA<\/span><\/strong><\/h2>\n<p>Os reiterados discursos em torno da caridade nem sempre levam o ouvinte a entender corretamente o significado desta virtude essencial. Talvez por desconhecimento acerca do significado real e da extens\u00e3o que o conceito desta virtude atinge com o Espiritismo, expositores acabam por reduzi-lo.<\/p>\n<p>O conceito de caridade surgiu muito antes da era crist\u00e3, por\u00e9m, somente com Jesus e com os expoentes do pensamento crist\u00e3o \u00e9 que se desvinculou totalmente das suas origens romanas. Ap\u00f3stolos, bispos, te\u00f3logos e fil\u00f3sofos procuraram atrav\u00e9s dos tempos definir o conceito de caridade; come\u00e7ando por Paulo de Tarso no cristianismo nascente, passando pelo genial Agostinho de Hipona, bispo, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo, no inicio da idade m\u00e9dia, por Pedro Aberlardo e Tom\u00e1s de Aquino, quase no final dela,\u00a0 e por Vicente de Paula, pelo Cura D`ars e por Alfonso de Liguori, na idade moderna, entre outros. Apesar de todos estes esfor\u00e7os foi somente com Kardec que eles foram sintetizados. Em apenas um par\u00e1grafo inscrito no capitulo &#8220;Sede Perfeitos&#8221; de o &#8220;Evangelho Segundo o Espiritismo&#8221;, o codificador resumiu mais de dois mil anos de especula\u00e7\u00f5es acerca da caridade. Naquela simples afirma\u00e7\u00e3o, que passa quase despercebida ao leitor desatento e com cultura n\u00e3o t\u00e3o profunda, ele despretenciosamente coloca o \u00e1pice de todos os esfor\u00e7os especulativos que o antecederam. Muitos foram os que contribu\u00edram para esclarecer, no campo do conhecimento, este conceito central para o cristianismo, mas n\u00e3o poder\u00edamos relacion\u00e1-los neste momento.<\/p>\n<p>Apesar da obra esclarecedora destes luminares ainda hoje, mesmo no meio esp\u00edrita o conceito de caridade continua sendo interpretado de maneira reducionista. N\u00f3s brasileiros fomos e somos prejudicados pela nossa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e cultural. A passividade \u00e9 uma das mais fortes caracter\u00edsticas do nosso povo. Devido a isto, observo em diversos articulistas e escritores, por\u00e9m muito mais nos expositores esp\u00edritas uma s\u00e9ria distor\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria quando lan\u00e7am sobre o p\u00fablico despreparado ideias incoerentes sobre a caridade, levando-o a acreditar que n\u00e3o existe caridade fora da passividade.<\/p>\n<p>A racionalidade, essa faculdade humana que n\u00e3o nos teria sido dada por Deus se n\u00e3o fosse para que a us\u00e1ssemos, e base mesmo da f\u00e9 esp\u00edrita, \u00e9 jogada para o lado como se n\u00e3o tivesse valor. A cr\u00edtica, no seu sentido original e n\u00e3o no pejorativo, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o dessa fabulosa faculdade. Analisar, ponderar, decidir pelo melhor e agir \u00e9 caracter\u00edstica de esp\u00edritos que j\u00e1 ultrapassaram o limiar que separa os que pensam e tem coragem de agir daqueles que ainda procuram desculpas para as suas omiss\u00f5es. Geralmente mascaram o medo que os domina afirmando que apenas s\u00e3o prudentes, confundindo prud\u00eancia com cautela.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-xFZkGNW5pFI\/UPwJ1tD6dRI\/AAAAAAAAAUk\/lovJHKvkEBU\/s320\/aesbemsc_092.jpg\" width=\"237\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p>A figura de Chico Xavier serviu e serve ainda para muita gente esquivar-se da grande responsabilidade que \u00e9 declarar-se e ser genuinamente esp\u00edrita, pois apoiam-se na imagem de um velhinho simp\u00e1tico, compassivo e passivo, quando a verdade \u00e9 que Chico era um gigante da a\u00e7\u00e3o, um homem simples que n\u00e3o se amedrontava diante das dificuldades e a\u00e7\u00f5es equivocadas dos seus companheiros de ideal; muito menos se deixava ser usado por interesses nem sempre alinhados com a caridade.<\/p>\n<p>No livro &#8220;A Trajet\u00f3ria de Um M\u00e9dium&#8221; de Carlos A. Bacelli, Luiz Carlos Barbosa Nunes e Paulo de Tarso Manso, editora LEEPP \u2013 Livraria Esp\u00edrita Edi\u00e7\u00f5es Pedro e Paulo \u00e9 relatado o seguinte.<\/p>\n<p><em>(&#8230;) Eu fui secret\u00e1rio da CEC [Comunh\u00e3o Esp\u00edrita Crist\u00e3] e participei da c\u00e9lebre reuni\u00e3o em que Chico [Xavier] se desvinculou, fundando o Grupo Esp\u00edrita da Prece.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>&#8211; Por que Chico saiu da Comunh\u00e3o Esp\u00edrita Crist\u00e3?<\/strong> Basicamente, porque n\u00e3o vinha concordando com a a\u00e7\u00e3o de alguns de seus diretores. A Comunh\u00e3o cresceu muito \u2013 n\u00e3o se parava de construir e de fazer campanhas ampliat\u00f3rias. Aquilo constrangia o m\u00e9dium que, de certa maneira, se sentia usado. Os diretores mais antigos o pressionaram para que ficasse, mas ele se mostrou irredut\u00edvel. Recordo-me como se fosse hoje: Chico, com sua palavra firme e batendo com a m\u00e3o espalmada sobre a mesa, dizendo: &#8211; \u201cEnquanto voc\u00eas se consagrarem ao trabalho da caridade, Jesus n\u00e3o consentir\u00e1 que nada lhes falte&#8230; Chico Xavier n\u00e3o vai fazer falta alguma!\u201d \u00c9 que os diretores, no intuito de faz\u00ea-lo mudar de ideia, alegavam que, sem ele, as tarefas assistenciais da Institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderiam seguir adiante.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>&#8211; \u00c0 \u00e9poca, quantos anos voc\u00ea tinha?<\/strong> Pouco mais de vinte, ainda. Estava, praticamente, come\u00e7ando na Doutrina. Ao se levantar para ir embora, Chico virou-se para mim e disse, apontando a cadeira em que, habitualmente, se sentava para psicografar (eu estava completamente atordoado!): &#8211; \u201cAgora, voc\u00ea tome cuidado, porque v\u00e3o querer colocar voc\u00ea sentado ali&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em><strong>&#8211; Chico n\u00e3o possu\u00eda temperamento d\u00f3cil?<\/strong> <strong>D\u00f3cil, mas n\u00e3o passivo.<\/strong> A disciplina que ele se impunha abrangia tamb\u00e9m as suas convic\u00e7\u00f5es pessoais. Chico foi o esp\u00edrito mais determinado que tive oportunidade de conhecer nesta encarna\u00e7\u00e3o. <strong>N\u00e3o tomava decis\u00f5es precipitadas, mas, quando as tomava, dificilmente voltava atr\u00e1s.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O que este relato demonstra \u00e9 que nas a\u00e7\u00f5es caritativas, sejam elas beneficentes ou benevolentes, materiais ou espirituais, a firmeza n\u00e3o est\u00e1 dissociada da do\u00e7ura. A firmeza, algumas vezes levada at\u00e9 as a\u00e7\u00f5es e palavras mais en\u00e9rgicas, n\u00e3o \u00e9 a\u00e7\u00e3o anti-caridosa. Firmeza significa perseveran\u00e7a no ideal, conduta constante rumo a um determinado fim, sem desvios.<\/p>\n<p>No entanto, devemos diferenciar do\u00e7ura de docilidade. O autor do relato nos diz que chico era d\u00f3cil. Eu acredito que realmente ele era assim. Mas docilidade quer dizer maleabilidade, ser conduzido com facilidade. Chico era um m\u00e9dium d\u00f3cil para Emmanuel, por exemplo. A do\u00e7ura, por sua vez quer dizer que algu\u00e9m \u00e9 af\u00e1vel, sem asperezas, n\u00e3o \u00e9 rude nem trata os outros com indelicadeza. Chico combinava todas estas virtudes de uma maneira especial. Era doce, d\u00f3cil e firme, quer dizer, observava, escutava, falava sem agredir, mas, para usar uma express\u00e3o popular, mas ningu\u00e9m o &#8220;levava no bico&#8221; ou o &#8220;tirava pra cumpadre&#8221;. Enfim, era doce por\u00e9m firme em suas decis\u00f5es, sem deixar por isso de ser um exemplo de homem de bem.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou, aqui, fazendo a defesa de quem quer que seja, apenas apresento um relato que suponho veross\u00edmil e verdadeiro. Esp\u00edritos de escol, como Chico Xavier, n\u00e3o vem \u00e0 Terra para brincar com coisas s\u00e9rias; j\u00e1 abandonaram as indecis\u00f5es e caminham rumo aos planos mais altos onde o medo \u00e9 penas uma lembran\u00e7a dos tempos de inferioridade moral.<\/p>\n<p>Por <strong><span style=\"color: #993300;\">Ivomar Costa<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/centroemovimento.blogspot.com\/2013\/01\/a-docilidade-e-firmeza.html?view=sidebar\">Espiritismo: Centros e Movimentos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A DOCURA, A DOCILIDADE E A FIRMEZA Os reiterados discursos em torno da caridade nem sempre levam o ouvinte a entender corretamente o significado desta virtude essencial. 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