{"id":12644,"date":"2023-01-22T09:27:09","date_gmt":"2023-01-22T12:27:09","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12644"},"modified":"2023-01-22T09:27:09","modified_gmt":"2023-01-22T12:27:09","slug":"o-espiritismo-na-literatura-classica-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/o-espiritismo-na-literatura-classica-roma\/","title":{"rendered":"O Espiritismo na literatura cl\u00e1ssica &#8211; Roma"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">O Espiritismo na literatura cl\u00e1ssica &#8211; Roma<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"color: #008000;\">Humberto Schubert Coelho<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.espiritismo.net\/sites\/default\/files\/artigos\/Virgil_Mosaic_Bardo_Museum_Tunis.jpg\" width=\"223\" height=\"216\" \/><\/p>\n<p>Como bem se sabe, toda a cultura latina \u00e9 uma express\u00e3o ampliada e adaptada da grega. De modo que somente pelas caracter\u00edsticas mais cotidianas e t\u00e9cnicas da vida se diferencia a alta cultura da Gr\u00e9cia Cl\u00e1ssica e da Roma Antiga. No mais, a educa\u00e7\u00e3o do patr\u00edcio romano consiste no estudo dos cl\u00e1ssicos, preferencialmente nos originais em grego.<\/p>\n<p>N\u00e3o assusta que a sua literatura seja quase que uma c\u00f3pia daquela, onde o pante\u00e3o de deuses, a mitologia, a filosofia impl\u00edcita e os temas tendem a se repetir.<\/p>\n<p>Assim que C\u00edcero expressa cren\u00e7as gregas, assumidamente adquiridas em contato com esta tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPois que estou longe de concordar com aqueles que tardiamente promulgam a opini\u00e3o de que a alma perece com o corpo, e que a morte aniquila todo o ser, por outro lado, h\u00e1 que se valorizar a autoridade dos antigos, aqueles que estabeleceram ritos para os mortos, os quais certamente n\u00e3o seriam feitos com o pensamento de que os mortos est\u00e3o totalmente desinteressados destas observ\u00e2ncias&#8230; ou ainda segunda aquela doutrina; que segundo alguns foi pronunciada pelo or\u00e1culo de Apolo ao mais s\u00e1bio dos homens, e que dizia n\u00e3o uma coisa hoje e outra amanh\u00e3, como fazem muitos, mas repetia sempre a mesma coisa, sustentando que as almas dos homens s\u00e3o divinas, e que saem do corpo, que o retorno aos c\u00e9us \u00e9 acess\u00edvel a elas, e que este retorno \u00e9 direto e f\u00e1cil na propor\u00e7\u00e3o de sua integridade e excel\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 interessante o car\u00e1ter pr\u00e1tico que distingue o povo latino da maneira de pensar grega, estritamente te\u00f3rica, pois nenhum fil\u00f3sofo grego diria serem as tradi\u00e7\u00f5es comprovantes do interesse dos esp\u00edritos em nossas vidas. \u00c0 mentalidade grega agrada a teoria, a abstra\u00e7\u00e3o, e o grego argumentar\u00e1 sempre que a alma aprecia o rito f\u00fanebre porque h\u00e1 para isso uma raz\u00e3o, e a explicar\u00e1 segundo a natureza da alma, a qual apraz a amizade, a lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>C\u00edcero, sendo pragm\u00e1tico, argumenta conforme os fatos. 1- Faz-se ritos aos antepassados. Logo algu\u00e9m que instituiu estes ritos sabia serem capazes de agradar aos esp\u00edritos. 2- H\u00e1 doutrinas que falam da divindade humana e da rela\u00e7\u00e3o entre pureza moral e liberta\u00e7\u00e3o da alma. O fil\u00f3sofo latino procede por observa\u00e7\u00e3o de fatos e relatos.<\/p>\n<p>Em termos semelhantes se expressa Verg\u00edlio, embora n\u00e3o fa\u00e7a, como o fil\u00f3sofo, um elenco de argumentos. Como era comum \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es do passado, incluindo naturalmente a B\u00edblia, a literatura cl\u00e1ssica confunde criatividade e tradi\u00e7\u00e3o, lenda e mem\u00f3ria hist\u00f3rica da funda\u00e7\u00e3o dos povos e destino das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Eneida, que sem d\u00favida \u00e9 a obra maior da cultura romana, \u00e9 um relato fict\u00edcio que guarda profundas intui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e espirituais sob suas met\u00e1foras. Tratando somente das segundas, encontramos uma descri\u00e7\u00e3o impressionante do suic\u00eddio de Dido, rainha de Cartago, ao ser abandonada por En\u00e9as. Ainda no templo da p\u00e1tria, durante a decis\u00e3o de matar-se, \u201ccr\u00ea ouvir a voz e os gritos de chamamento do seu marido&#8230;\u201d.2<\/p>\n<p>Instantes antes do suic\u00eddio, En\u00e9as v\u00ea em sonho a imagem de um deus \u201cdesconhecido\u201d, que lhe diz:<\/p>\n<p>\u201c&#8230; n\u00e3o v\u00eas os perigos que te cercam no porvir? Ela, decidida a morrer, revolve em seu cora\u00e7\u00e3o enganos e crime cruel, e flutua numa varia agita\u00e7\u00e3o de furores. Porque n\u00e3o foges depressa, enquanto ainda podes&#8230;\u201d 3<\/p>\n<p>Atento a uma mensagem t\u00e3o clara e direta, En\u00e9as n\u00e3o receia em lan\u00e7ar-se ao mar com seus marujos rumo \u00e0 It\u00e1lia, enquanto Dido, recebendo os informes do ocorrido, perfura-se com a espada da fam\u00edlia. Entretanto n\u00e3o consegue morrer, porque literalmente est\u00e1 presa ao corpo, e agoniza terrivelmente.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, a onipotente Juno, compadecida da sua prolongada dor e da penosa morte, envia-lhe \u00cdris, do alto do Olimpo, para libertar aquela alma em luta com os la\u00e7os do corpo. Pois, como sucumbia a uma morte n\u00e3o prescrita pelo destino nem merecida, mas perecia, infeliz, antes do tempo e presa a um s\u00fabito furor&#8230;\u201d 4<\/p>\n<p>Temos a\u00ed uma p\u00e1gina verdadeiramente esp\u00edrita, relatando a aventura primitiva daquilo que se observa nas p\u00e1ginas de Andr\u00e9 Luiz ou Manoel Philomeno de Miranda. A boa \u00cdris tem o papel de verdadeira mensageira da luz, atuando em favor de uma transi\u00e7\u00e3o menos terr\u00edvel de Dido, que por sua vez n\u00e3o consegue libertar-se do corpo.<\/p>\n<p>Mais tarde En\u00e9as tem de descer ao T\u00e1rtaro, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es em que Ulisses havia feito na Odiss\u00e9ia de Homero. Enquanto o her\u00f3i de \u00cdtaca encontrava a\u00ed a sua m\u00e3e, En\u00e9as v\u00ea o pai, Anquises, no mundo das sombras. Anquises fala a En\u00e9as:<\/p>\n<p>\u201cLogo que o dia supremo da vida deixou o corpo, os infelizes n\u00e3o est\u00e3o de todo desembara\u00e7ados do mal&#8230; e o mal que longo tempo se acumula no fundo deles mesmos, necessariamente cresce&#8230; Por isso s\u00e3o castigados com penas e sofrem&#8230; a seguir somos enviados para o amplo El\u00edsio&#8230; Finalmente, depois que um longo dia, volvido o c\u00edrculo dos tempos, apagou a mancha profunda e purificou a origem celeste, fa\u00edsca do sopro primitivo&#8230; o deus os chama para as bordas do rio Letes, a fim de que esque\u00e7am o passado&#8230; e comecem a querer voltar para corpos. 5<\/p>\n<p>Esta p\u00e1gina riqu\u00edssima aponta discretamente para v\u00e1rias grandes verdades. Os esp\u00edritos que n\u00e3o se desembara\u00e7aram do mal s\u00e3o aqueles que o acumulam por longo tempo em si mesmos, revelando a lei do m\u00e9rito e indicando que h\u00e1 justi\u00e7a e conhecimento de causa no processo de separa\u00e7\u00e3o das almas condenadas. E o mais impressionante, ap\u00f3s os sofrimentos expiat\u00f3rios de suas faltas a alma se v\u00ea purificada, e \u00e9 reconduzida ao corpo.<\/p>\n<p>Estes dois exemplos, de C\u00edcero e Verg\u00edlio, s\u00e3o suficientes para ilustrar o qu\u00e3o vivos estavam ainda os conhecimentos de Orfeu, Pit\u00e1goras, Plat\u00e3o e outros s\u00e1bios gregos, que a cultura romana ent\u00e3o absorvia avidamente.<\/p>\n<p>Nos anos que se sucederam os homens mais s\u00e1bios do mundo romano j\u00e1 estavam envolvidos com o cristianismo nascente, tanto que n\u00e3o h\u00e1 obras expressivas da literatura pag\u00e3 ap\u00f3s o ano de 60 d.C. aproximadamente.<\/p>\n<p>Os melhores elementos daquela cultura, entretanto, foram absorvidos e transmitidos \u00e0 rica tradi\u00e7\u00e3o cultural dos dois s\u00e9culos posteriores, cumprindo assim a sua miss\u00e3o de educar as popula\u00e7\u00f5es latinas para o cultivo da virtude e da sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\">Humberto Schubert Coelho<\/span><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.espiritismo.net\/content\/o-espiritismo-na-literatura-cl%C3%A1ssica-roma\">espiritismo.net<\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Bibliografia:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">CICERO, Marcus Tullius. Ethical writings of C\u00edcero: De Amicitia. Traduzido por Andrew Peaboy. Boston: Little Brown, 1887.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">VERG\u00cdLIO. Eneida. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2001.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">\u00a01- Marcus Tullius CICERO. De Amicitia (Da Amizade).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">2- VERGILIO. Eneida. Pg. 81.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">3- VERGILIO. Eneida. Pg. 83<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">4- VERGILIO. Eneida. Pg. 86.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">5- VERGILIO. Eneida. Pg. 127.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Espiritismo na literatura cl\u00e1ssica &#8211; Roma Humberto Schubert Coelho Como bem se sabe, toda a cultura latina \u00e9 uma express\u00e3o ampliada e adaptada da grega. 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