{"id":12868,"date":"2023-03-31T07:48:37","date_gmt":"2023-03-31T10:48:37","guid":{"rendered":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/?p=12868"},"modified":"2023-03-31T07:48:37","modified_gmt":"2023-03-31T10:48:37","slug":"a-filosofia-do-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xn--regeneraoplanetria-dsb6a7f.com.br\/index.php\/a-filosofia-do-espirito\/","title":{"rendered":"A Filosofia do Esp\u00edrito"},"content":{"rendered":"<h2><strong><span style=\"color: #0000ff;\">A Filosofia do Esp\u00edrito<\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Jos\u00e9 Herculano Pires<\/span><\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/www.feesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joseherculano.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Herculano Pires \u2013 FEESP\" \/><\/p>\n<ol>\n<li>O ESPIRITISMO E A TRADI\u00c7\u00c3O FILOS\u00d3FICA<\/li>\n<\/ol>\n<p>A Filosofia Esp\u00edrita se apresenta, no quadro geral das doutrinas filos\u00f3ficas, e consequentemente na pr\u00f3pria Hist\u00f3ria da Filosofia, como uma das formas do Espiritualismo. No cap\u00edtulo primeiro da &#8220;Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Doutrina Esp\u00edrita&#8221;, que inicia &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;, Kardec acentua: &#8220;Como especialidade, o &#8220;Livro dos Esp\u00edritos&#8221; cont\u00e9m a doutrina esp\u00edrita; como generalidade, liga-se \u00e0 doutrina espiritualista, da qual apresenta uma das fases. Essa a raz\u00e3o por que traz sobre o t\u00edtulo as palavras: Filosofia Espiritualista.&#8221;<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de Kardec \u00e9 absolutamente precisa. O Vocabulaire Technique et Critique de la Philosophie, de Andr\u00e9 Lalande, ao consignar a Filosofia Esp\u00edrita, com a denomina\u00e7\u00e3o de Espiritismo, acentua o seu car\u00e1ter espiritualista. A seguir, ao tratar do termo spiritualisme, esclarece que \u00e9 impr\u00f3prio chamar-se o Espiritismo de Espiritualismo, como o fizeram e fazem os ingleses, e \u00e0s vezes os alem\u00e3es. Porque o Espiritismo \u00e9 apenas uma esp\u00e9cie do g\u00eanero Espiritualismo, como o Marxismo, por exemplo, \u00e9 apenas uma esp\u00e9cie do g\u00eanero Materialista.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica \u00e9 quase toda espiritualista. Referimo-nos hoje a doutrinas materialistas do passado, mas a verdade hist\u00f3rica n\u00e3o nos autoriza a tanto. As correntes gregas e helen\u00edsticas chamadas de materialistas, na verdade s\u00e3o apenas naturalistas. Melhor lhes cabe a designa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de hilozo\u00edstas (1), ou seja, de filosofias da mat\u00e9ria-viva animada por um princ\u00edpio espiritual que escapa aos sentidos dos observadores. Os fil\u00f3sofos gregos, que antecederam as grandes correntes espiritualistas da fase socr\u00e1tica, s\u00e3o contempor\u00e2neos dos ele\u00e1ticos (2) e dos pitag\u00f3ricos (3), que constru\u00edram a metaf\u00edsica grega, cuja ess\u00eancia \u00e9 o Ser, ou &#8220;aquele que \u00e9&#8221;, segundo a defini\u00e7\u00e3o de Parm\u00eanides. As filosofias at\u00f4micas de Leucipo e Dem\u00f3crito est\u00e3o muito longe do materialismo atual: s\u00e3o intuitivas e racionais. Os sofistas gregos s\u00e3o &#8220;homens de raz\u00e3o&#8221;, que procuram pensar de maneira utilit\u00e1ria e acabam por se perder na abstra\u00e7\u00e3o das palavras.<\/p>\n<p>Os materialistas (4) constituem, na Hist\u00f3ria da Filosofia, correntes modernas de pensamento. O que encontramos na antiguidade \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o objetivista, diante dos problemas do mundo e da vida, mas assim mesmo impregnada de metaf\u00edsica. Harald Hoffding, por exemplo, estabelece a seguinte diferen\u00e7a: considera &#8220;materialismo primitivo&#8221; o dos fil\u00f3sofos antigos, em compara\u00e7\u00e3o com o materialismo moderno. Andr\u00e9 Lalande acentua a natureza metaf\u00edsica do chamado materialismo antigo. A pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria, nos gregos, \u00e9 de natureza ontol\u00f3gica, como tamb\u00e9m acentua Lalande, advertindo ainda que devemos ter em conta as modifica\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas, ao enfrentar a &#8220;tend\u00eancia \u00e0 sistematiza\u00e7\u00e3o&#8221; do pensamento filos\u00f3fico.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica \u00e9, portanto, espiritualista. As grandes quest\u00f5es da Filosofia s\u00e3o metaf\u00edsicas e n\u00e3o f\u00edsicas. O materialismo surge com o desenvolvimento do pensamento cient\u00edfico, e isso se explica pela natureza das ci\u00eancias, que nada mais s\u00e3o do que a racionaliza\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas. Voltadas para o dom\u00ednio da mat\u00e9ria, as ci\u00eancias fizeram o pensamento descer da metaf\u00edsica para a f\u00edsica. Da\u00ed a explica\u00e7\u00e3o de Augusto Comte, de que &#8220;o materialismo \u00e9 a doutrina que explica o superior pelo inferior&#8221;. O Espiritismo, no seu aspecto filos\u00f3fico, enquadra-se rigorosamente na tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. \u00c9 uma filosofia do esp\u00edrito, que parte da ess\u00eancia espiritual para explicar a exist\u00eancia material. Por isso, Kardec citou Plat\u00e3o como precursor do Espiritismo: o mito da caverna, da filosofia plat\u00f4nica, \u00e9 uma alegoria esp\u00edrita, mostrando a natureza ef\u00eamera e irreal da mat\u00e9ria, em face da brilhante realidade espiritual.<\/p>\n<p>Maurice Blondel explica que o termo Espiritualismo s\u00f3 apareceu no s\u00e9culo 17, empregado pelos te\u00f3logos, para designar o falso misticismo, os exageros de espiritualidade ou religiosidade. Era um termo pejorativo. Esse fato nos mostra a natureza espiritual da tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, onde jamais aparece a discrimina\u00e7\u00e3o moderna de espiritualistas e materialistas. Blondel acentua que o termo Espiritualista passou a ser utilizado, na \u00e9poca moderna, por &#8220;pessoas que mant\u00eam com\u00e9rcio com os esp\u00edritos e n\u00e3o se contentam de ser esp\u00edritas, talvez porque o t\u00edtulo de Espiritualista tem sido melhor empregado&#8221;. A verdade, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 essa. A aplica\u00e7\u00e3o do termo Espiritualista tem sido apenas um equ\u00edvoco, pois o termo Espiritismo s\u00f3 apareceu com Kardec, em meados do s\u00e9culo XIX. Anteriormente a Kardec, o uso do termo Espiritualista era obrigat\u00f3rio. \u00c9 natural que, posteriormente, os ingleses e os norte-americanos, que n\u00e3o adotaram a obra de Kardec, continuassem a utilizar-se da velha e insuficiente designa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>O PROBLEMA DO CONHECIMENTO<\/li>\n<\/ol>\n<p>J\u00e1 vimos, nos cap\u00edtulos anteriores, que o problema do conhecimento se apresenta como um processo hist\u00f3rico, que se desenvolve atrav\u00e9s de fases sucessivas, precisamente definidas. O que dissemos da tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica reafirma essa tese. Ao estudar os horizontes culturais, vimos que o conhecimento positivo s\u00f3 se tornou poss\u00edvel com a supera\u00e7\u00e3o das fases an\u00edmica, m\u00edtica e religiosa, no momento em que as ci\u00eancias come\u00e7aram a desenvolver-se. Kardec explica, no cap\u00edtulo primeiro de &#8220;A G\u00eanese&#8221;, que o Espiritismo s\u00f3 poderia aparecer depois do desenvolvimento das ci\u00eancias. Que dir\u00edamos disso, ao lembrar que as ci\u00eancias, segundo vimos acima, deram origem ao materialismo?<\/p>\n<p>A Filosofia Esp\u00edrita \u00e9 dial\u00e9tica: explica a realidade atrav\u00e9s das suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. O aparecimento das ci\u00eancias e seu desenvolvimento colocaram o homem diante da realidade objetiva. Essa realidade afugentou os fantasmas da supersti\u00e7\u00e3o, mas ao mesmo tempo facilitou a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno medi\u00fanico. Se, por um lado, as pessoas mais apegadas ao plano f\u00edsico negaram a exist\u00eancia de vida al\u00e9m da mat\u00e9ria, por outro lado, as pessoas mais desapegadas foram capazes de interpretar a mediunidade de maneira racional. A consequ\u00eancia apresentou-se de maneira dupla: surgiu o materialismo, mas surgiu tamb\u00e9m o espiritualismo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>O Espiritismo se apresenta, assim, como um processo gnoseol\u00f3gico (5) especial, ou seja, como uma forma especial do processo do conhecimento. Superadas as fases anteriores da evolu\u00e7\u00e3o, o homem se torna apto a captar a realidade de maneira mais intensa. Desapareceram os embara\u00e7os da supersti\u00e7\u00e3o, e o campo visual do homem se tornou mais claro e mais amplo. Liberto do temor de Deus e do Diabo, o homem se reconhece a si mesmo como uma intelig\u00eancia aut\u00f4noma, atuante na mat\u00e9ria. Ao reconhecer isso, percebe que a dualidade esp\u00edrito-mat\u00e9ria, anteriormente percebida de maneira confusa, esclarece-se. A intelig\u00eancia humana \u00e9 um poder atuante, que supera tamb\u00e9m o mist\u00e9rio da morte.<\/p>\n<p>O desenvolvimento e o treinamento da raz\u00e3o atrav\u00e9s da Idade M\u00e9dia, e a consequente eclos\u00e3o do racionalismo (6) na Renascen\u00e7a, liberto da ganga das emo\u00e7\u00f5es primitivas e das elabora\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas do misticismo, conferem ao homem a maturidade suficiente para enfrentar a realidade como ela \u00e9. Os fen\u00f4menos an\u00edmicos e medi\u00fanicos do passado podem agora ser examinados de maneira racional. A capta\u00e7\u00e3o da realidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais emocional. As categorias da raz\u00e3o definiram-se e agu\u00e7aram-se, permitindo uma capta\u00e7\u00e3o direta do &#8220;aqui&#8221; e do &#8220;agora&#8221; existenciais, sem a mescla das sensa\u00e7\u00f5es confusas e das emo\u00e7\u00f5es turbilhonantes do passado. A raz\u00e3o, dominando o caos das sensa\u00e7\u00f5es e das emo\u00e7\u00f5es, equaciona de novo a realidade psicof\u00edsica: p\u00f5e o psiquismo humano e a realidade exterior sobre a mesa, para uma avalia\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>Surge, em consequ\u00eancia dessa nova forma de capta\u00e7\u00e3o e de julgamento do real, uma nova concep\u00e7\u00e3o do mundo. Essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 ao mesmo tempo cr\u00edtica e gen\u00e9tica. Do ponto de vista cr\u00edtico, ela julga o passado, a antiga concep\u00e7\u00e3o e a antiga posi\u00e7\u00e3o do homem diante do mundo. Do ponto de vista gen\u00e9tico, ela constr\u00f3i uma nova concep\u00e7\u00e3o e uma nova posi\u00e7\u00e3o. Lembrando ainda a lei dos tr\u00eas estados, de Augusto Comte, poderemos dizer que a nova concep\u00e7\u00e3o se apresenta como uma s\u00edntese da oposi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica (7) entre o &#8220;estado teol\u00f3gico&#8221; e o &#8220;estado positivo&#8221; (8). Por isso mesmo \u00e9 que a dualidade de consequ\u00eancias, a que acima nos referimos, teria fatalmente de ocorrer. Ao sair do &#8220;estado teol\u00f3gico&#8221; e entrar no &#8220;estado positivo&#8221;, o homem tinha fatalmente de elaborar a sua concep\u00e7\u00e3o positiva do mundo, ou seja, a concep\u00e7\u00e3o materialista. No mesmo instante, por\u00e9m, esta concep\u00e7\u00e3o surgia como oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. O processo dial\u00e9tico se completa na s\u00edntese esp\u00edrita: a concep\u00e7\u00e3o esp\u00edrita do mundo re\u00fane o misticismo teol\u00f3gico e o cientificismo positivo. Da\u00ed a sua natureza de espiritualismo &#8211; cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Julgar o mundo \u00e9 avali\u00e1-lo. A concep\u00e7\u00e3o esp\u00edrita equivale, portanto, a uma reavalia\u00e7\u00e3o do mundo. Diante dela, os antigos valores est\u00e3o peremptos, superados. Tamb\u00e9m para a concep\u00e7\u00e3o materialista, os antigos valores tinham perecido. O materialismo substitu\u00edra os valores espirituais e morais pelos valores utilit\u00e1rios. Mas o Espiritismo reformula os dois campos e modifica a posi\u00e7\u00e3o de ambos. Os valores espirituais s\u00e3o reconduzidos ao primado do esp\u00edrito, mas os valores morais e materiais n\u00e3o s\u00e3o desprezados ou subestimados, como na antiga M\u00edstica. H\u00e1 um novo crit\u00e9rio valorativo: a lei de evolu\u00e7\u00e3o. Este crit\u00e9rio substitui, por um processo de s\u00edntese dial\u00e9tica, os dois crit\u00e9rios que anteriormente se opunham: o salvacionista e o pragm\u00e1tico. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais na fuga a o utilit\u00e1rio, mas no bom uso do utilit\u00e1rio, em favor da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A axiologia esp\u00edrita n\u00e3o \u00e9 antropol\u00f3gica. Sua escala de valores n\u00e3o funciona em rela\u00e7\u00e3o ao homem, mas \u00e0 realidade universal. \u00c9 o que vemos, por exemplo, nesta afirma\u00e7\u00e3o de Kardec, em seu coment\u00e1rio ao item 236 de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;: &#8220;Nada existe de in\u00fatil na Natureza; cada coisa tem a sua finalidade, a sua destina\u00e7\u00e3o.&#8221; As coisas valem, n\u00e3o em refer\u00eancia aos interesses passageiros do homem, mas em refer\u00eancia ao processo c\u00f3smico de evolu\u00e7\u00e3o, dentro do qual o homem se encontra como uma forma passageira do Esp\u00edrito. Este \u00e9 imortal, e por isso mesmo sabe que as circunst\u00e2ncias n\u00e3o podem determinar uma escala real de valores. O pr\u00f3prio homem vale pelo quanto evolui, e n\u00e3o pelo que \u00e9 ou pelo que aparenta ser, num dado momento.<\/p>\n<p>Essa nova axiologia tem suas consequ\u00eancias no plano da cosmologia e da cosmogonia. Na cosmologia, Kardec afirma: &#8220;Todas as leis da Natureza s\u00e3o leis divinas.&#8221; (cap. 1 de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos.&#8221;) A estrutura de leis naturais do cosmos n\u00e3o se restringe ao plano f\u00edsico, porque \u00e9 uma estrutura global, que abrange, segundo os termos da moderna ontologia do objeto, todas as regi\u00f5es ontol\u00f3gicas. A cosmologia esp\u00edrita \u00e9 \u00edntegra, e n\u00e3o dualista. \u00c9 um todo, em que n\u00e3o h\u00e1 sobrenatural e natural, pois o cosmos \u00e9 um processo \u00fanico. Na cosmogonia \u00e9 que vai surgir o dualismo, porque o cosmos aparece como cria\u00e7\u00e3o. Temos ent\u00e3o a dualidade Criador e Criatura. Mas essa dualidade, mesmo no plano cosmog\u00f4nico, que pertence \u00e0 religi\u00e3o esp\u00edrita, explica-se como causa e efeito, numa esp\u00e9cie de polaridade, que, segundo advertem os Esp\u00edritos, nossa intelig\u00eancia atual n\u00e3o consegue apreender em sua verdadeira natureza. N\u00e3o obstante, a evolu\u00e7\u00e3o nos assegura, desde j\u00e1, que a compreens\u00e3o se tornar\u00e1 poss\u00edvel no futuro, pois \u00e9 dado ao homem saber, na propor\u00e7\u00e3o em que ele cresce espiritualmente.<\/p>\n<p>Chegamos assim a um aspecto da teoria esp\u00edrita do conhecimento que \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia, porque resolve naturalmente o velho problema filos\u00f3fico dos limites do saber, e resolve at\u00e9 mesmo o impasse a que, nesse terreno, chegou o pensamento kantiano. Para a Filosofia Esp\u00edrita, n\u00e3o h\u00e1 zonas interditas ao conhecimento humano. O saber metaf\u00edsico \u00e9 t\u00e3o poss\u00edvel quanto o racional. A pr\u00f3pria raz\u00e3o transcende os limites de suas categorias, na propor\u00e7\u00e3o em que novas experi\u00eancias lhe v\u00e3o sendo acess\u00edveis. O homem \u00e9 um processo, e na propor\u00e7\u00e3o em que se desenvolve, supera-se a si mesmo, superando as suas limita\u00e7\u00f5es. A interdi\u00e7\u00e3o \u00e0s zonas superiores do conhecimento n\u00e3o decorre de nenhuma determina\u00e7\u00e3o misteriosa, e nem mesmo de qualquer esp\u00e9cie de incapacidade, mas apenas da falta de crescimento, de desenvolvimento, de evolu\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>O problema das origens \u00e9, por enquanto, de ordem religiosa, ou como Kardec prefere dizer: moral. Deus criou o mundo, mas como e por qu\u00ea, ainda n\u00e3o o podemos saber. O que sabemos, sem d\u00favida poss\u00edvel, \u00e9 que o mundo existe e n\u00f3s existimos nele. A Filosofia Esp\u00edrita parte dessa realidade existencial, para investigar as suas dimens\u00f5es, que n\u00e3o se restringem ao simples existir, mas se ampliam no evoluir, no vir-a-ser. O que sabemos \u00e9 que o homem, como todas as coisas, evolui, e que o destino do homem \u00e9 transcender-se a si mesmo.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>DETERMINISMO E LIVRE-ARBITRIO<\/li>\n<\/ol>\n<p>Colocados assim os termos da equa\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, enfrentamo-nos novamente com o velho problema do determinismo e do livre-arb\u00edtrio. Admitida a exist\u00eancia de Deus, como &#8220;intelig\u00eancia suprema e causa prim\u00e1ria de todas as coisas&#8221; &#8211; admitida essa exist\u00eancia com a mesma evid\u00eancia com que ela se apresenta no hegelianismo (9) e no cartesianismo (10) &#8211; e admitida, da mesma maneira, a exist\u00eancia de uma lei geral de evolu\u00e7\u00e3o, a que tudo se submete, inclusive o homem, resta saber se estamos ou n\u00e3o diante da estrutura r\u00edgida do pensamento espinosiano (11). H\u00e1 liberdade para esse homem que amadurece, que tem de amadurecer, queira ou n\u00e3o queira, no processo evolutivo?<\/p>\n<p>primeira vista, a liberdade \u00e9 imposs\u00edvel. O Espiritismo parece ter dito antes do poeta Rainer Maria Rilke: &#8220;Deus nos faz amadurecer, mesmo que n\u00e3o o queiramos.&#8221; E realmente o disse. Mas acrescentou: &#8220;Sem o livre -arb\u00edtrio, o homem seria uma m\u00e1quina.&#8221; (Item 843 de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;.) O homem \u00e9 livre de pensar, querer e agir, mas sua liberdade \u00e9 limitada pelas suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de ser. O simples fato de existir \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o. Dentro dessa condi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o homem \u00e9 livre: pode ser \u00fatil ou in\u00fatil, bom ou mau, segundo a sua pr\u00f3pria determina\u00e7\u00e3o. Existe, pois, uma dial\u00e9tica do determinismo, que \u00e9 ao mesmo tempo a dial\u00e9tica da liberdade.<\/p>\n<p>Podemos colocar assim o problema: h\u00e1 um determinismo subjetivo, que \u00e9 o da vontade do homem, e um determinismo objetivo, que \u00e9 o das condi\u00e7\u00f5es de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Da oposi\u00e7\u00e3o constante dessas duas vontades, a do homem e a das coisas, resulta a liberdade &#8211; relativa da sua possibilidade de op\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. O item 844 de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221; nos prop\u00f5e essa tese de maneira simples, ao tratar do desenvolvimento infantil: &#8220;Nas primeiras fases da vida a liberdade \u00e9 quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades. Estando os pensamentos da crian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o com as necessidades da sua idade, ela aplica o seu livre-arb\u00edtrio \u00e0s coisas que lhe s\u00e3o necess\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n<p>Isso nos mostra que o homem n\u00e3o amadurece como o fruto, mas como esp\u00edrito. Na propor\u00e7\u00e3o em que a crian\u00e7a amadurece, ela deixa de ser crian\u00e7a, para tornar-se adulto. Assim, o homem, na propor\u00e7\u00e3o em que amadurece, deixa de ser homem &#8211; essa criatura humana, contradit\u00f3ria e fal\u00edvel, enleada nas ilus\u00f5es da vida f\u00edsica &#8211; para tornar-se Esp\u00edrito. A morte, em vez de ser a frustra\u00e7\u00e3o do existencialismo sartreano (12), ou o fim da vida, ou ainda o momento de mergulhar no desconhecido, de toda a tradi\u00e7\u00e3o religiosa, apresenta-se como o momento de matura\u00e7\u00e3o e de alforria. Morrer, como o disse Victor Hugo, n\u00e3o \u00e9 morrer, mas simplesmente mudar-se.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a do homem, entretanto, n\u00e3o \u00e9 completa. Ele n\u00e3o deixa de ser o que \u00e9. Sua ess\u00eancia permanece a mesma. Perdendo a condi\u00e7\u00e3o existencial terrena, ele passa imediatamente para a condi\u00e7\u00e3o existencial ps\u00edquica. Nessa outra condi\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 de enfrentar o mesmo processo de oposi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica: de um lado, o determinismo subjetivo da sua vontade, do seu pr\u00f3prio querer; de outro, o determinismo objetivo das circunst\u00e2ncias. Nestas circunst\u00e2ncias, por\u00e9m, avultam as consequ\u00eancias de seus atos na vida f\u00edsica, O que ele fez, a maneira por que pensou, quis, sentiu e agiu, toda a trama das suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, agora o enleia. Como se v\u00ea, sua liberdade ampliou-se, pois \u00e9 ele quem agora se limita no exterior. As circunst\u00e2ncias em que se encontra foram determinadas pela sua pr\u00f3pria vontade. Isso lhe desperta a compreens\u00e3o de sua capacidade de agir, e consequentemente de sua responsabilidade. \u00c9 ent\u00e3o que ele deseja voltar \u00e0 exist\u00eancia f\u00edsica, ao mundo em que gerou o seu pr\u00f3prio mundo espiritual, a fim de reformar a sua obra. E j\u00e1 ent\u00e3o, ao voltar, aqui mesmo, no mundo material, ele n\u00e3o vem enfrentar apenas a vontade estranha das coisas, mas tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria vontade, representada nas circunst\u00e2ncias de uma vida apropriada \u00e0s necessidades do seu posterior desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que, pouco a pouco, o livre-arb\u00edtrio supera o determinismo. A liberdade de se determinar a si pr\u00f3prio confere ao homem o poder de criar. Ele cria o seu pr\u00f3prio mundo, as suas formas de vida, o seu destino. A princ\u00edpio, o faz de maneira quase inconsciente, como a crian\u00e7a que se queima na chama da vela, por querer peg\u00e1-la. Mas, depois, as experi\u00eancias o acordam para a plenitude consciencial de que ele deve desfrutar, segundo o seu destino natural. Porque o destino do homem, no sentido geral de sua posi\u00e7\u00e3o no Universo, \u00e9 ser deus. N\u00e3o no sentido de igualar-se \u00e0 Intelig\u00eancia Suprema, mas de atingir a compreens\u00e3o dessa Intelig\u00eancia, integrar-se no seu plano de vida e pensamento, participar de sua plenitude. Assim, podemos dizer que o homem constr\u00f3i o seu destino no plano do contingente, mas no plano do transcendente o seu destino j\u00e1 est\u00e1 determinado pelas leis universais.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 apenas o homem que tem esse destino transcendente? E os demais seres da Cria\u00e7\u00e3o, para e por que existem? O Espiritismo nos responde que o Universo \u00e9 constitu\u00eddo de dois elementos fundamentais, as duas subst\u00e2ncias cartesianas &#8211; a r\u00e9s cogitans (&#8220;coisa pensante&#8221;) e a r\u00e9s extensa (&#8220;coisa extensa&#8221;) &#8211; ou, em termos esp\u00edritas: o elemento inteligente e o elemento material. Ainda em termos cartesianos, mas j\u00e1 no plano do pensamento de Espinosa, vemos que essa dualidade se resolve numa esp\u00e9cie de monismo (13) tridimensional: intelig\u00eancia e mat\u00e9ria decorrem de uma fonte \u00fanica, a que est\u00e3o subordinadas, e que \u00e9 Deus. Por isso que Deus \u00e9 intelig\u00eancia e causa. Como causa, o \u00e9 de todas as coisas. Deus n\u00e3o \u00e9 assim uma concep\u00e7\u00e3o antropom\u00f3rfica, mas a hip\u00f3stase de Plotino. O Universo \u00e9 hipost\u00e1tico: primeiro, a hip\u00f3stase divina, que \u00e9 Deus; depois, a hip\u00f3stase inteligente, que \u00e9 o Esp\u00edrito; e, por fim, a hip\u00f3stase material, que \u00e9 a Mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Essas tr\u00eas hip\u00f3stases (14) n\u00e3o est\u00e3o, porem, separadas, como as da concep\u00e7\u00e3o plotiniana. Constituem apenas aspectos de um mesmo todo. E o que \u00e9 mais curioso, aspectos interpenetrados. E assim que Deus est\u00e1 em tudo e tudo est\u00e1 em Deus, que a mat\u00e9ria existe desde o in\u00edcio e que esp\u00edrito e mat\u00e9ria est\u00e3o sempre relacionados. Como na doutrina de forma e mat\u00e9ria, em Arist\u00f3teles, o esp\u00edrito informa a mat\u00e9ria, e esta, por sua vez, manifesta o esp\u00edrito, e toda essa intera\u00e7\u00e3o se realiza em Deus, porque pela sua vontade e sob o poder constante de suas leis. O fluido universal, na mec\u00e2nica c\u00f3smica, e o fluido vital, na mec\u00e2nica biol\u00f3gica, s\u00e3o o resultado dial\u00e9tico e ao mesmo tempo o elemento de aglutina\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito e mat\u00e9ria. Assim, todos os seres, desde a regi\u00e3o ontol\u00f3gica mineral &#8211; segundo a terminologia da moderna ontologia &#8211; at\u00e9 a regi\u00e3o vegetal, a animal e a hominal, est\u00e3o todos integrados no mesmo processo e submetidos \u00e0s mesmas leis e ao mesmo destino. \u00c9 o que vemos, por exemplo, no final da resposta do item 540 de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;: &#8220;\u00c9 assim que tudo se encadeia na Natureza, desde o \u00e1tomo primitivo at\u00e9 o arcanjo, pois ele mesmo come\u00e7ou pelo \u00e1tomo. Admir\u00e1vel lei de harmonia, que o vosso esp\u00edrito limitado ainda n\u00e3o pode abranger no seu conjunto!&#8221;<\/p>\n<p>Bastaria perguntar como se explica a finalidade desse imenso processo. Em que resultaria, afinal, esse desenvolvimento constante de tudo, de todas as coisas, nos rumos da perfei\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia? A pergunta, como responderia Gonzague Truc, n\u00e3o pode ser respondida pela Filosofia, porque pertence \u00e0 M\u00edstica. Mas o Espiritismo, que admite o desenvolvimento da Filosofia at\u00e9 o plano da antiga M\u00edstica e al\u00e9m dela &#8211; uma vez que admite o desenvolvimento ilimitado da capacidade humana de compreender &#8211; responde com a nossa incapacidade atual para abarcar a complexidade e as consequ\u00eancias do processo c\u00f3smico, dentro do qual nos encontramos. Do nosso ponto de vista atual, demasiado restrito, condicionado pela estreiteza de nossas mentes, em funcionamento na aparelhagem de c\u00e9rebros animais, \u00e9 imposs\u00edvel a compreens\u00e3o daquilo que poder\u00edamos chamar, nos termos da filosofia aristot\u00e9lica, as causas finais.<\/p>\n<p>Quando sa\u00edmos do plano do pensamento, para examinar o problema \u00e0 luz das nossas possibilidades de express\u00e3o verbal, maior ainda se revela a nossa incapacidade, diante de suas dimens\u00f5es conceituais. As defici\u00eancias da linguagem humana, assinaladas por Kardec na &#8220;Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Doutrina Esp\u00edrita&#8221;, mostram quanto seria v\u00e3 a nossa pretens\u00e3o de investigar o princ\u00edpio e o fim das coisas. Mas, ao mesmo tempo, o Espiritismo nos acena com as possibilidades futuras, mostrando-nos como, a cada giro da Terra sobre si mesma, o nosso avan\u00e7o no tempo equivale ao desenvolvimento ps\u00edquico. Compete a cada um de n\u00f3s, e a todos n\u00f3s em conjunto, superarmos as nossas limita\u00e7\u00f5es, pelo nosso desenvolvimento pr\u00f3prio e pelo desenvolvimento da Civiliza\u00e7\u00e3o. (15)<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>O HOMEM NO MUNDO<\/li>\n<\/ol>\n<p>A unidade essencial das leis que regem o mundo oferece \u00e0 cosmovis\u00e3o esp\u00edrita uma integridade absoluta. O cosmos \u00e9 uma unidade org\u00e2nica. O homem, integrado nessa unidade, participando intimamente dela, deixa de ser a oposi\u00e7\u00e3o espiritual ao mundo material, que as formas cl\u00e1ssicas de religi\u00e3o e de filosofia nos apresentaram. O homem est\u00e1 no mundo como parte do mundo. Sua posi\u00e7\u00e3o de &#8220;projecto&#8221;, descoberta pelo existencialismo, coincide com a posi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio mundo em que se integra. O &#8220;aqui&#8221; e o &#8220;agora&#8221; assumem import\u00e2ncia e significa\u00e7\u00e3o maiores que as das concep\u00e7\u00f5es existenciais, porque o &#8220;aqui&#8221; e o &#8220;agora&#8221; esp\u00edritas n\u00e3o est\u00e3o apenas carregados de passado e prenhes do presente, mas representam unidades sint\u00e9ticas de tempo e espa\u00e7o. O lugar e o momento que passam equivale ao &#8220;point-d&#8217;optique&#8217; da express\u00e3o feliz de Victor Hugo, no Pref\u00e1cio de Cromwell: \u00e9 a\u00ed, nesse pequeno e transl\u00facido espelho, que se refletem o passado, o presente e o futuro n\u00e3o somente do homem, mas de todo o cosmos.<\/p>\n<p>Deus fala ao homem atrav\u00e9s de suas leis. Estas, que s\u00e3o eterna s, representam a presen\u00e7a do imut\u00e1vel no mut\u00e1vel, da eternidade na transitoriedade. O momento que passa n\u00e3o \u00e9 uma ilha no tempo, nem um ponto no espa\u00e7o, mas um fluir: o fluir da dura\u00e7\u00e3o. Se o homem o compreender e o sentir, estar\u00e1 pleno de felicidade. \u00cb o que vemos no item 614 de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;: &#8220;A lei natural \u00e9 a lei de Deus; a \u00fanica verdadeira para a felicidade do homem. Ela lhe indica o que ele deve fazer ou n\u00e3o fazer, e ele s\u00f3 se torna infeliz porque dela se afasta.&#8221; E no item 617 esclarece: &#8220;Todas as leis da Natureza s\u00e3o leis divinas, pois Deus \u00e9 o autor de todas as coisas. O s\u00e1bio estuda as leis da mat\u00e9ria; o homem de bem, as da alma, e as segue.&#8221;<\/p>\n<p>A raz\u00e3o dos sofrimentos e da infelicidade, do desespero humano, \u00e9 simplesmente a viola\u00e7\u00e3o das leis. Os esp\u00edritos foram criados &#8220;simples e ignorantes, ou seja, sem conheci mento&#8221; (item 114 &#8211; &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;) e se destinam \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, onde atingir\u00e3o &#8220;a felicidade eterna, sem perturba\u00e7\u00f5es&#8221;. Se todos seguissem naturalmente as leis de Deus, atingiriam a perfei\u00e7\u00e3o sem dificuldades. Mas h\u00e1 um momento de queda. N\u00e3o o de Ad\u00e3o e Eva no Para\u00edso, mas o de cada um diante de si mesmo, no processo natural do desenvolvimento. A aquisi\u00e7\u00e3o do conhecimento gera perturba\u00e7\u00f5es. Uns se deixam levar pelas fascina\u00e7\u00f5es exteriores e pelo incitamento de outros, desligando-se das leis naturais e criando suas pr\u00f3prias leis, as da conduta artificial. &#8220;Esta \u00e9 a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e outros a resistiram&#8221;, diz o item 122 de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;.<\/p>\n<p>Isso, entretanto, n\u00e3o quer dizer que uns se perderam e outros se salvaram. O pr\u00f3prio desvio das leis naturais \u00e9 uma experi\u00eancia proveitosa. Porque os esp\u00edritos devem conseguir a plenitude de consci\u00eancia e conquistar a sabedoria, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s do uso do livre-arb\u00edtrio. Por mais que um esp\u00edrito se desvie, um dia chegar\u00e1 em que ele ter\u00e1 de voltar \u00e0 integra\u00e7\u00e3o nas leis naturais. Esse \u00e9 o momento da &#8220;religi\u00e3o&#8221;, da volta do esp\u00edrito \u00e0 integra\u00e7\u00e3o c\u00f3smica. O item 126 do &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221; explica: &#8220;Deus contempla os extraviados com o mesmo olhar, e os ama a todos do mesmo modo.&#8221; Por outro lado, os que seguiram as leis n\u00e3o escaparam ao processo evolutivo. Apenas, nele integrados, podem segui-lo tranquilamente, em vez de lutarem contra a correnteza e sofrerem as consequ\u00eancias da luta.<\/p>\n<p>O homem no mundo \u00e9, portanto, um esp\u00edrito em evolu\u00e7\u00e3o. Bom ou mau, virtuoso ou criminoso, pecador ou santo, ele est\u00e1 &#8220;agora&#8221; e &#8220;aqui&#8221; para desenvolver-se, para realizar-se. Qual o tipo humano ou divino que lhe pode servir de exemplo? O item 625 responde: &#8220;V\u00eade Jesus&#8221;, e Kardec explica: &#8220;Jesus \u00e9 para o homem o tipo da perfei\u00e7\u00e3o moral a que pode aspirar a humanidade na Terra.&#8221; Por que Jesus e n\u00e3o Buda? Porque o primeiro ensina ao homem viver plenamente no aqui e no &#8220;agora&#8221;, enfrentar o mundo em vez de fugir a ele, realizar-se no presente em vez de protelar a realiza\u00e7\u00e3o enclausurando-se e furtando-se \u00e0s experi\u00eancias da vida. O homem est\u00e1 no mundo para viv\u00ea-lo. \u00c9 a lei. S\u00f3 atrav\u00e9s dessa viv\u00eancia ele atingir\u00e1 Deus. Fugir ao mundo para refugiar-se na ilus\u00e3o contemplativa \u00e9 desertar da batalha necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>As religi\u00f5es s\u00e3o formas de reintegra\u00e7\u00e3o do homem nas leis naturais, institui\u00e7\u00f5es sociais em que se condensam as intui\u00e7\u00f5es espirituais que indicam ao homem o caminho de volta a Deus. Sistemas pedag\u00f3gicos, destinados \u00e0 reeduca\u00e7\u00e3o das coletividades transviadas. N\u00e3o obstante, esses mesmos sistemas sofrem as influ\u00eancias negativas dos esp\u00edritos que se afastaram das leis. Por isso, eles tamb\u00e9m evoluem. As formas religiosas se sucedem no tempo, at\u00e9 o momento em que elas mesmas dever\u00e3o desaparecer, cedendo lugar \u00e0 religi\u00e3o pura, sem templos nem formalismos, \u00e0 religi\u00e3o em esp\u00edrito e verdade, que cada consci\u00eancia professar\u00e1 por si mesma, independente de sistemas dogm\u00e1ticos e organiza\u00e7\u00f5es sacerdotais. A lei de adora\u00e7\u00e3o, lei natural, ser\u00e1 o fundamento dessa religi\u00e3o assistem\u00e1tica, que o homem do futuro instituir\u00e1 na Terra.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 lei natural (item 674), e atrav\u00e9s dele o homem progride. Fugir ao trabalho \u00e9 transgredir a lei. Trabalhar \u00e9 modificar-se e modificar o mundo, estabelecer a intera\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o progresso geral. A lei de igualdade e a lei de liberdade, unindo os homens, dever\u00e3o conduzi-los \u00e0 pr\u00e1tica da fraternidade. Esta se traduzir\u00e1 plenamente na lei de justi\u00e7a, amor e caridade, que estabelecer\u00e1 na Terra um mundo superior ao de injusti\u00e7a, \u00f3dio e ego\u00edsmo, em que hoje vivemos. &#8220;O amor e a caridade &#8211; ensina Kardec (Coment\u00e1rio ao item 886) &#8211; s\u00e3o o complemento da lei de justi\u00e7a, porque amar ao pr\u00f3ximo \u00e9 fazer-lhe todo o bem poss\u00edvel, que desejar\u00edamos que nos fosse feito. Tal \u00e9 o sentido das palavras de Jesus: amai-vos uns aos outros.&#8221;<\/p>\n<p>A Filosofia Esp\u00edrita desemboca, assim, na Moral Esp\u00edrita, que n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a pr\u00f3pria moral evang\u00e9lica, racionalmente explicada, inteiramente desembara\u00e7ada das interpreta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas e m\u00edsticas. Essa moral n\u00e3o \u00e9 apenas individual, mas tamb\u00e9m coletiva. O bem reinar\u00e1 sobre a Terra, afirma o item 1.019 do &#8220;Livro dos Esp\u00edritos&#8221;, prevendo o advento de um novo mundo, que ser\u00e1 constru\u00eddo por uma humanidade regenerada. Caminhamos para l\u00e1, atrav\u00e9s de todas as dificuldades e vicissitudes do presente. E \u00e9 no presente que temos a oportunidade de preparar o futuro. A moral esp\u00edrita se traduz, assim, na pr\u00e1tica incessante do bem, \u00fanica maneira de vivermos bem na atualidade e criarmos o bem para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\">Jos\u00e9 Herculano Pires<\/span><\/p>\n<p>NOTAS (PESQUISA DO A ERA DO ESP\u00cdRITO.NET):<\/p>\n<p>(1) Hilozo\u00edsmo &#8211; do grego hyle, mat\u00e9ria, e zoe, vida- \u00e9 um termo que designa uma concep\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e, por extens\u00e3o, de toda a natureza. Os hilozo\u00edstas consideram que toda a realidade, inclusive a inerte, est\u00e1 dotada de sensibilidade e, portanto, animada por um princ\u00edpio ativo.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hilozo%C3%ADsmo)<\/p>\n<p>(2) Eleatismo &#8211; S. m. Antigo sistema filos\u00f3fico da escola de Eleia, que s\u00f3 admitia duas esp\u00e9cies de conhecimentos: os que prov\u00eam dos sentidos e s\u00e3o apenas ilus\u00e3o, e os que prov\u00eam do racioc\u00ednio e s\u00e3o os \u00fanicos verdadeiros. (http:\/\/www.dicio.com.br\/eleatismo\/) Eleia, &#8211; hoje Castellmare, situava-se numa pequena ba\u00eda da It\u00e1lia, que tem ao fundo as montanhas calabresas, n\u00e3o longe de N\u00e1poles, &#8211; foi centro de um significativo movimento filos\u00f3fico j\u00e1 no per\u00edodo pr\u00e9-socr\u00e1tico da filosofia grega. Seu primeiro fil\u00f3sofo foi Xen\u00f3fanes de Col\u00f3fon 570 &#8211; 475 a.e.c., vindo da J\u00f4nia. Assim sendo, est\u00e1 na origem da escola de Eleia. Nascidos j\u00e1 na mesma Eleia, foram seus dois mais not\u00e1veis representantes: Parm\u00eanides e Zen\u00e3o. Ao grupo, j\u00e1 como um dos seus ep\u00edgonos, pertenceu ainda Melisso de Samos.<\/p>\n<p>(http:\/\/www.templodeapolo.net\/Civilizacoes\/grecia\/filosofia\/presocraticos\/filosofia_presocraticos_eleatas.html)<\/p>\n<p>(3) Pit\u00e1goras de Samos (Pit\u00e1goras o Samiano): foi um fil\u00f3sofo e matem\u00e1tico grego que nasceu em Samos entre cerca de 571 a.C. e 570 a.C. e morreu em Metaponto entre cerca de 497 a.C. ou 496 a.C. Fundou uma escola m\u00edstica e filos\u00f3fica em Crotona (col\u00f4nias gregas na pen\u00ednsula it\u00e1lica), cujos princ\u00edpios foram determinantes para a evolu\u00e7\u00e3o geral da matem\u00e1tica e da filosofia ocidental sendo os principais temas a harmonia matem\u00e1tica, a doutrina dos n\u00fameros e o dualismo c\u00f3smico essencial. Essa escola de pensamento grego foi denominada em sua homenagem de pitag\u00f3rica.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pit%C3%A1goras)<\/p>\n<p>(4) Materialismo: O termo foi inventado em 1702 por Gottfried Leibniz , e reivindicado pela primeira vez em 1748 por La Mettrie. Em filosofia, materialismo \u00e9 o tipo de fisicalismo que sustenta que a \u00fanica coisa da qual se pode afirmar a exist\u00eancia \u00e9 a mat\u00e9ria; que, fundamentalmente, todas as coisas s\u00e3o compostas de mat\u00e9ria e todos os fen\u00f4menos s\u00e3o o resultado de intera\u00e7\u00f5es materiais; que a mat\u00e9ria \u00e9 a \u00fanica subst\u00e2ncia. (http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Materialismo) Em Obras P\u00f3stumas (As cinco alternativas da humanidade), Allan Kardec, descreve assim o materialismo: A intelig\u00eancia do homem \u00e9 uma propriedade da mat\u00e9ria; nasce e morre com o organismo. O homem n\u00e3o \u00e9 nada antes, nada depois da vida corp\u00f3rea. Gerando, assim, as seguintes consequ\u00eancias: O homem, n\u00e3o sendo sen\u00e3o mat\u00e9ria, n\u00e3o h\u00e1 de real e de invej\u00e1vel sen\u00e3o os gozos materiais; as afei\u00e7\u00f5es morais n\u00e3o t\u00eam futuro; os la\u00e7os morais s\u00e3o quebrados sem retorno na morte; as mis\u00e9rias da vida s\u00e3o sem compensa\u00e7\u00e3o; o suic\u00eddio torna-se o fim racional e l\u00f3gico da exist\u00eancia, quando os sofrimentos s\u00e3o sem esperan\u00e7a de melhora; \u00e9 in\u00fatil se impor um constrangimento para vencer os seus maus pendores; viver para si o melhor poss\u00edvel, enquanto estiver aqui; a estupidez de se incomodar e de sacrificar seu repouso, seu bem-estar, por outrem, quer dizer, por seres que ser\u00e3o aniquilados, a seu turno, e que jamais tornar\u00e3o a ser vistos; deveres sociais sem base, o bem e o mal s\u00e3o coisas de conven\u00e7\u00e3o; o freio social \u00e9 reduzido ao poder material da lei civil.<\/p>\n<p>(5) Gnoseol\u00f3gico &#8211; 1 &#8211; Relativo \u00e1 gnoseologia, estudo que faz parte da filosofia que trata dos fundamentos do conhecimento. Investiga\u00e7\u00e3o fenomenologia preliminar: O fen\u00f4meno do conhecimento e os problemas nele contidos. 2 &#8211; Precedente l\u00f3gico do conhecimento, uma condi\u00e7\u00e3o l\u00f3gioco-transcedental posto pelo jurista para tornar poss\u00edvel a pesquisa jur\u00eddico-cient\u00edfica. Tem um car\u00e1ter transcendental, no sentido de que se p\u00f5e logicamente antes da experi\u00eancia, sendo por isso condi\u00e7\u00e3o dela e n\u00e3o mero resultado. (http:\/\/www.dicionarioinformal.com.br\/gnoseol%C3%B3gico\/)<\/p>\n<p>Gnosiologia (tamb\u00e9m chamada Gnoseologia) \u00e9 o ramo da filosofia que se preocupa com a validade do conhecimento em fun\u00e7\u00e3o do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto. Este (o objeto), por sua vez, \u00e9 questionado pela ontologia que \u00e9 o ramo da filosofia que se preocupa com o ser. Fazem-se necess\u00e1rias algumas observa\u00e7\u00f5es para se evitar confus\u00f5es. A gnoseologia n\u00e3o pode ser confundida com epistemologia, termo empregado para referir-se ao estudo do conhecimento relativo ao campo de pesquisa, em cada ramo das ci\u00eancias. A metaf\u00edsica tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser confundida com ontologia, ambas se preocupam com o ser, por\u00e9m a metaf\u00edsica p\u00f5e em quest\u00e3o a pr\u00f3pria ess\u00eancia e exist\u00eancia do ser. Em outras palavras, grosso modo, a ontologia insere-se na teoria geral do conhecimento, ou Ontognoseologia, que preocupa-se com a validade do pensamento e das condi\u00e7\u00f5es do objeto e sua rela\u00e7\u00e3o o sujeito cognoscente, enquanto que a metaf\u00edsica procura a verdadeira ess\u00eancia e condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia do ser.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gnosiologia)<\/p>\n<p>(6) O racionalismo como doutrina surgiu no s\u00e9culo I a.C.. \u00c9 a corrente filos\u00f3fica que iniciou com a defini\u00e7\u00e3o do racioc\u00ednio como uma opera\u00e7\u00e3o mental, discursiva e l\u00f3gica que usa uma ou mais proposi\u00e7\u00f5es para extrair conclus\u00f5es &#8211; se uma ou outra proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira, falsa ou prov\u00e1vel. Essa era a ideia central comum ao conjunto de doutrinas conhecidas tradicionalmente como racionalismo. O racionalismo enfatiza que tudo que existe tem uma causa. S\u00e9culos mais tarde, os fil\u00f3sofos racionalistas modernos utilizaram a matem\u00e1tica como instrumento da raz\u00e3o para explicar a realidade. Com esse objetivo, Descartes elaborou um m\u00e9todo baseado na geometria e baseado em quatro regras &#8211; as regras do m\u00e9todo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Racionalismo<\/p>\n<p>(7) Arist\u00f3teles considerava Zen\u00e3o de Eleia (aprox. 490-430 a.C.) o fundador da dial\u00e9tica. Outros consideraram S\u00f3crates (469-399 AEC). Um dos m\u00e9todos dial\u00e9ticos mais conhecidos \u00e9 o desenvolvido pelo fil\u00f3sofo alem\u00e3o Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831). A dial\u00e9tica \u00e9 um m\u00e9todo de di\u00e1logo cujo foco \u00e9 a contraposi\u00e7\u00e3o e contradi\u00e7\u00e3o de ideias que leva a outras ideias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. A tradu\u00e7\u00e3o literal de dial\u00e9tica significa &#8220;caminho entre as id\u00e9ias&#8221;.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Dial%C3%A9tica)<\/p>\n<p>(8) Lei dos tr\u00eas estados \u00e9 a coluna principal na qual est\u00e1 assentada o edif\u00edcio filos\u00f3fico, cient\u00edfico e pol\u00edtico elaborado pelo pensador franc\u00eas Auguste Comte (1798-1857), o fundador do positivismo. A Lei dos Tr\u00eas Estados \u00e9 o fundamento da obra de Comte, aplicando-se aos v\u00e1rios \u00e2mbitos da exist\u00eancia humana, desde as belas-artes at\u00e9 a pol\u00edtica, passando pelas ci\u00eancias e pela economia. Ela \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo epistemol\u00f3gica, hist\u00f3rica e filos\u00f3fica (em sentido amplo), tendo permitido a Comte criar a Sociologia, a Hist\u00f3ria das Ci\u00eancias e tamb\u00e9m a Psicologia Positiva (por ele chamada de &#8220;Moral&#8221;).<\/p>\n<p>A LEI DOS TR\u00caS ESTADOS<\/p>\n<p>Os esp\u00edrito humano de modo a explicar os fen\u00f4menos que se observam no universo, passa necessariamente por Tr\u00eas Estados (Tr\u00eas formas de concep\u00e7\u00e3o da realidade):<\/p>\n<p>1.\u00ba &#8211; Teol\u00f3gico ou Fict\u00edcio: os fen\u00f4menos s\u00e3o explicados atrav\u00e9s de vontades de seres sobrenaturais e\/ou transcendentais. O Estado Teol\u00f3gico pode ser dividido em 3 fases progressivas:<\/p>\n<p>a) &#8211; Animismo: tamb\u00e9m chamado de fetichismo, se caracteriza por dar aos objetos concretos da natureza vida e vontade pr\u00f3pria, semelhantes a dos seres humanos.<\/p>\n<p>b) &#8211; Polite\u00edsmo: a vontade dos deuses possui controle absoluto sobre todas as coisas.<\/p>\n<p>c) &#8211; Monote\u00edsmo: a vontade do Deus (\u00fanico) controla todas as coisas e todos os acontecimentos.<\/p>\n<p>2.\u00ba &#8211; Metaf\u00edsico: os fen\u00f4menos s\u00e3o explicados por meio de for\u00e7as ocultas e\/ou entidades abstratas. As abstra\u00e7\u00f5es personificadas substituem as vontades sobrenaturais.<\/p>\n<p>3.\u00ba &#8211; Positivo: o esp\u00edrito humano renuncia a busca das causas prim\u00e1rias e dos fins \u00faltimos, subordinando os fen\u00f4menos a leis naturais experimentalmente demonstradas. As causas absolutas (os porqu\u00eas) e os fins (finalidades \u00faltimas) por serem inacess\u00edveis ao exame cient\u00edfico, s\u00e3o substitu\u00eddas pelo estudo e descobertas das Leis Naturais que explicam como os fen\u00f4menos ocorrem. No est\u00e1gio positivo procura-se descobrir as leis segundo as quais os fen\u00f4menos se encadeiam uns aos outros.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lei_dos_tr%C3%AAs_estados)<\/p>\n<p>(9) O hegelianismo \u00e9 uma corrente filos\u00f3fica desenvolvida por Georg Wilhelm Friedrich Hegel, um dos primeiros pensadores a se preocupar com a &#8220;modernidade&#8221; como base dos estudos sociol\u00f3gicos. Pode ser sintetizada pela frase do pr\u00f3prio fil\u00f3sofo &#8220;o racional por si s\u00f3 \u00e9 real&#8221;, que significa que a realidade \u00e9 capaz de ser expressada em categorias reais. O objetivo de Hegel era reduzir a realidade a uma unidade sint\u00e9tica dentro de um sistema denominado idealismo transcendental.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hegelianismo)<\/p>\n<p>(10) O cartesianismo \u00e9 um movimento filos\u00f3fico cuja origem \u00e9 o pensamento do franc\u00eas Ren\u00e9 Descartes, fil\u00f3sofo, f\u00edsico e matem\u00e1tico (1596-1650). O m\u00e9todo cartesiano seria um instrumento, que bem manejado levaria o homem \u00e0 verdade. Esse m\u00e9todo consiste em aceitar apenas aquilo que \u00e9 certo e irrefut\u00e1vel e conseq\u00fcentemente eliminar todo o conhecimento inseguro ou sujeito a controv\u00e9rsias. O objetivo de Descartes era de abranger numa perspectiva de conjunto unit\u00e1rio e claro, todos os problemas propostos a investiga\u00e7\u00e3o cientifica. O fundamento principal da filosofia cartesiana consiste na pesquisa da verdade, com rela\u00e7\u00e3o a exist\u00eancia dos &#8220;objetos&#8221;, dentro de um universo de coisas reais. O m\u00e9todo cartesiano esta fundamentado no princ\u00edpio de jamais acreditar em nada que n\u00e3o tivesse fundamento para provar a verdade. Com essa regra nunca aceitara o falso por verdadeiro e chegar\u00e1 ao verdadeiro conhecimento de tudo.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cartesianismo)<\/p>\n<p>(11) Baruch Spinoza (1632 &#8211; 1677) &#8211; Para Spinoza Deus \u00e9 o \u00fanico motivo da exist\u00eancia de todas as coisas. Deus \u00e9 a subst\u00e2ncia \u00fanica e nenhuma outra realidade existe fora de Deus. Ele \u00e9 a fonte \u00fanica e Dele surgem todos os outros elementos. Deus existe em si e foi gerado por si, para existir ele n\u00e3o necessita de nenhuma outra realidade. A ess\u00eancia de Deus pressup\u00f5e a sua exist\u00eancia. A subst\u00e2ncia divina \u00e9 infinita e n\u00e3o \u00e9 limitada por nenhuma outra, ela \u00e9 a causa de todas as coisas existentes, que por consequ\u00eancia s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es de Deus. Assim sendo, nada existe fora de Deus, e tudo que existe \u00e9 uma forma de Deus, n\u00e3o como uma cria\u00e7\u00e3o sem regras ou espont\u00e2nea, mas seguindo as leis da natureza e respeitando a possibilidade de agir com vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>(http:\/\/www.filosofia.com.br\/historia_show.php?id=72)<\/p>\n<p>(12) Jean-Paul Sartre (1905-1980) \u00e9 um autor conhecido por seu pensamento de crivo existencialista no meio filos\u00f3fico. A conceitua\u00e7\u00e3o de Sartre sobre consci\u00eancia discorre em conjeturar esta como modo-de-ser do ser humano e, portanto, como constitutivo essencial de cada ser-para-si, o qual tem por tarefa, a partir da consci\u00eancia, projetar-se a ponto de almejar uma plenifica\u00e7\u00e3o de ser \u2013 na linguagem sartreana, tornar-se um ser-Em-si. O conceito de liberdade no pensamento de Sartre \u00e9 entendido como consequ\u00eancia desse projetar humano por meio da consci\u00eancia, posto que o fato desta ser um nada-de-ser do para-si \u00e9 que o condiciona a uma situa\u00e7\u00e3o de liberdade na qual a \u00fanica escolha vigente \u00e9 a de ser um Em-si. Isso confirma a impossibilidade de um n\u00e3o atrelamento do conceito de liberdade ao conceito de consci\u00eancia, visto que, de acordo com o existencialismo sartreano, a liberdade decorre da consci\u00eancia, a ponto do para-si ser impresso pelo nada-de-ser num car\u00e1ter de condena\u00e7\u00e3o: &#8220;Todo homem est\u00e1 condenado a ser livre&#8221; (SARTRE, 1997).<\/p>\n<p>(http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/2010\/11\/05\/compreendendo-o-conceito-sartreano-de-liberdade\/)<\/p>\n<p>(13) Monismo (do grego m\u00f3nos, &#8220;sozinho, \u00fanico&#8221;) \u00e9 o nome dado \u00e0s teorias filos\u00f3ficas que defendem a unidade da realidade como um todo (em metaf\u00edsica) ou a identidade entre mente e corpo (em filosofia da mente) por oposi\u00e7\u00e3o ao dualismo ou ao pluralismo, \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de realidades separadas.<\/p>\n<p>As ra\u00edzes do monismo na filosofia ocidental est\u00e3o nos fil\u00f3sofos pr\u00e9-socr\u00e1ticos, como Zen\u00e3o de El\u00e9ia, Parm\u00eanides de El\u00e9ia. Spinoza \u00e9 o fil\u00f3sofo monista por excel\u00eancia, pois defende que se deve considerar a exist\u00eancia de uma \u00fanica coisa, a subst\u00e2ncia, da qual tudo o mais s\u00e3o modos. Hegel defende um monismo semelhante, dentro de um contexto de absolutismo racionalista. O fil\u00f3sofo brasileiro Huberto Rohden \u00e9 um te\u00f3rico defensor do monismo.<\/p>\n<p>(http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Monismo)<\/p>\n<p>(14) Hip\u00f3stase, do grego hypostasis, significa subsist\u00eancia, realidade. Na filosofia de Plotino, Deus se deriva em tr\u00eas hip\u00f3stases: Uno, nous (Intelig\u00eancia) e alma, que ele comparava tamb\u00e9m, respectivamente, com \u00e0 luz, ao sol e \u00e0 lua. O termo tamb\u00e9m \u00e9 encontrado entre os gn\u00f3sticos. Um dos livros da biblioteca de Nag Hammadi se chama &#8220;A Hip\u00f3stase dos Arcontes&#8221;. A transcri\u00e7\u00e3o latina para Hip\u00f3stase \u00e9 &#8220;subst\u00e2ncia&#8221;, que, todavia, foi utilizada pela tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica com significado totalmente diferente do que a utilizada por Plotino. No sentido contempor\u00e2neo, \u00e9 utilizado de maneira pejorativa, por\u00e9m raramente. Dessa maneira, indica a transforma\u00e7\u00e3o de um ser em um ente.<\/p>\n<p>(http:\/\/www.ocultura.org.br\/index.php\/Hip%C3%B3stase)<\/p>\n<p>Plotino (Licop\u00f3lis, 205 &#8211; Egito, 270) foi um fil\u00f3sofo neoplat\u00f4nico, autor de En\u00e9adas, disc\u00edpulo de Am\u00f4nio Sacas e mestre de Porf\u00edrio.<\/p>\n<p>(15) Estudo relacionado (Livre-arb\u00edtrio e Determinismo):<\/p>\n<p>(http:\/\/www.aeradoespirito.net\/EstudosEM\/LEI_DE_LIBERDADE.html)<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #993300;\">Fonte: J. Herculano Pires &#8211; no livro &#8220;O Esp\u00edrito e o Tempo&#8221;, &#8211; Parte III (Doutrina Esp\u00edrita), cap. 3.<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Filosofia do Esp\u00edrito Jos\u00e9 Herculano Pires O ESPIRITISMO E A TRADI\u00c7\u00c3O FILOS\u00d3FICA A Filosofia Esp\u00edrita se apresenta, no quadro geral das doutrinas filos\u00f3ficas, e consequentemente na pr\u00f3pria Hist\u00f3ria da Filosofia, como uma das formas do Espiritualismo. 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